Livres&Acorrentados – Capítulo 4 – 4.5 Jack, O Estrepoliador

Um conto erótico de Maurycio De Paula
Categoria: Homossexual
Contém 1703 palavras
Data: 25/03/2026 09:21:43

Livres&Acorrentados – Capítulo 4 – 4.5 Jack, O Estrepoliador

Maurycio De Paula

Fantasia, Fetiche, Flerte, Gay

...

Década de 90, Curitiba-Pr.

Maurício foi à loja, próximo do horário de fechamento, entrou e ouviu a campainha anunciar sua chegada. Não viu Paty atrás do balcão, e supôs que estava na cozinha, ou no banheiro, lá atrás. Sentou na poltrona costumeira, fechou os olhos, esticou as pernas, e relaxou. Como se estivesse em casa!

Quando ouviu a poltrona ao lado estalar, automaticamente esticou o braço e colocou a mão no pescoço, procurando as correntes para acariciar. Não encontrou, abriu os olhos e deu um pulo sentado.

Tinha acabado de acariciar Jackson!

Ficou de pé, congelado e assustado com a surpresa.

Na solidão da caverna, tinha pensado no que havia dito a Paty.

– Agora, toda vez que seu irmão olhar pra mim, vai fazer aquele movimento que você faz, com a mão e a língua na bochecha, simulando boquete?... E concluído: mas é óbvio que o rapaz não fará isso! Afinal, também sou um desconhecido para ele. No máximo, vai insinuar coisas, ou dar indiretas, como uma pessoa normal. Pois é, né?...

A primeira coisa que Jackson fez foi aquele movimento, com a mão e a língua na bochecha, simulando boquete!

Maurício reagiu no automático, outra vez.

Corou, arregalou os olhos boquiaberto e...

...deu uma sonora gargalhada. Imediatamente, a rigidez interna desapareceu, ele sentiu alívio, e voltou ao normal, desorientado, sem saber como agir. O rapaz deu um sorriso dentário (quase idêntico ao de Paty), e falou com voz conciliadora, suplicante.

– Me desculpe, Maurício!...

PQP, e agora? Sento na poltrona e converso numa boa, tiro medidas, sondo o cara? Ou finjo que fiquei puto, falo fezes e saio trotando?...

Jackson leu seus pensamentos, com um misterioso poder.

– Não fique puto comigo! Não me xingue ou vire as costas. Sente na poltrona pra gente conversar numa boa. Por favor!...

Maurício respirou fundo e sentou, agora sem esticar as pernas.

Sentia-se numa entrevista de emprego, não em casa.

Olhou pela primeira vez com atenção para o rapaz.

E decidiu agir com virilidade.

Num gesto automático (cada vez mais frequente, agora), pôs a mão na bermuda de Jackson e alisou, como quem faz carícias para acalmar um pet.

– Tá tudo bem, Jackson. Tá tudo bem!...

O pet pareceu ser pinscher, depois beagle, e logo pitbull.

Mas não o atacou.

– Ufa, Maurício! Achei que você fosse me dar uma porrada, sabe?...

Paula pensou, séria – talvez um dia eu venha a dar, sabe?...

Maurício pensou – que cacete! E agora?... Sentindo firmeza não apenas entre os dedos, mas na própria atitude, falou com sinceridade.

– Eu passei da fase de joguinhos, nas minhas relações com as pessoas. Hoje, fico tranquilo em admitir que sinto atração tanto por uma mulher, quanto por um homem. Minha essência é bissexual, entende?...

Na verdade, não foram – exatamente – essas as palavras.

Maurício precisaria ser uma pessoa muito mais madura, segura e equilibrada para dizê-las. O que Jackson ouviu foi:

– Sem enrolação, eu curto rola e periquita, tipo giletão. Manja?...

Jackson piscou várias vezes, antes de responder.

– Ahm, isso parece zoofilia!... Eu não sinto isso... atração por periquita e rola. Só por periquita! Mas... não vejo problema em bagunçar um cara enrolado. Isso não mudaria minha heterossexualidade, né?

Jackson tirou o boné e alisou os cabelos abundantes, deixando os curtos e negros fios espetados. Paula disse que achou sexy. O rapaz deu um sorriso.

– Melhor fechar as portas e as cortinas agora, né?

O rapaz levantou. Maurício aproveitou para tirar suas medidas.

Deu 3 pontos para o rapaz, continuando a achá-lo punheteiro e meio esquisito. Paula perguntou se ele se olhava no espelho, e emendou que bem pouco, a julgar pela barba/olheiras/asseio das roupas e blá-blá-blá... Maurício quis retrucar, mas não estavam na Caverna, o rapaz podia desconfiar que ele era meio esquisito também (além de punheteiro), e abortar a decolagem.

Ok, 3,5 pontos, Paula! Satisfeita?!...

Ela se contentou. O rapaz voltou para o balcão.

– Aceita uma dose de uísque... ou um cigarro?...

Maurício disse SIM-SIM, mas decidido a tomar só uma dose.

Pra Paula não acabar na salinha dos fundos, né?

Ele voltou, serviram-se e retomaram as posições. Maurício acalmando o pet, Jackson sem saber o que fazer com a mão que não segurava o copo ou o pito.

– Põe a mão na minha nuca, Jackson...

O rapaz hesitou. Maurício não.

– Tá tudo bem, Jackson. Isso não interfere na sua heterossexualidade, lembra?...

O rapaz colocou a mão, e o calor da pele de Maurício, aliado ao calor do uísque na barriga, produziram uma sensação boa de contato e ligação. Começou a acariciar as correntes no pescoço, provocando arrepios em Paula.

– A Paty me disse que adora ficar assim com você, Maurício.

– Ah, eu também adoro. E por falar em Paty, por onde anda?...

– Minha mãe obrigou ela ir junto, visitar uma tia. Ela ficou doida! Disse que preferia mil vezes tar aqui, no meu lugar, sabe? Mas agora... acho que eu tô preferindo tar aqui, no lugar dela, sabe?...

Paula acalmou o pet com mais intensidade.

– Sei, estou sentindo sua veracidade. Uma dura realidade!

Deram as primeiras risadas mútuas.

E isso inspirou a ligação entre eles.

...

Fumando e passando o pito, embalados pela leve sensação de embriaguez, a conversa fluiu com naturalidade.

– Paty contou o que aconteceu, mas eu gostaria que você me contasse!...

– Ah, você é tipo Sherlock Holmes. Quer comparar as versões do crime, pra tentar descobrir se alguém tá mentindo, né?

Com olhos de lupa, Maurício riu e pensou em perguntar:

– Porque escolheu a palavra “crime” pra designar a ocorrência?

– Como você faz esse truque... de ler a mente dos outros?...

Paula entrou na perícia, fazendo um de seus rodeios.

– Só acho que, ouvir o depoimento da sua própria boca... vai ser mais esclarexcitante!

Jackson tomou outra dose de uísque, pitou bem devagar, refletindo, passou o pito. E relatou minuciosamente a sua versão.

...

Juntos no sofá assistindo o filme, uma cena inesperada, minha indecisão – bagunço ou não bagunço? – eis a questão. Bagunço! Maurício toparia? Paty diz SIM!... Eu, de olhos fechados, fantasiando bagunçar você, Maurício. O primeiro jato decola num voo às cegas e... Pimba! Acerta na mosca na televisão. Paty fica puta, quer limpar imediatamente, mas agora já era, fodeu, baby! O segundo jato decola, num ângulo levemente diferente, também às cegas e... Pimba! Acerta na estante. Paty tenta usar sua toalha para limpar a bagunça, mas precisa aguardar o final do bombardeio. Um terceiro jato decola e... um quarto... e um quinto... enfim, uma esquadrilha da porra aterrissa no sofá e no tapete. Eu abro os olhos, dou um grito – PQP, minha televisão! – e limpo com capricho a bagunça. No final, além das manchas no sofá, talvez apareça uma manchinha na estante ou no tapete.

Nada que um homem possa reparar, é óbvio!

The End.

...

Maurício pitava como se o cigarro fosse um cachimbo.

– Hum, que loucura delituosa, hein! Posso ver a cena do crime?

Jackson levantou, visivelmente empolgado, e puxou Maurício para a salinha dos fundos. Maurício inspecionou o local, e mesmo sendo meticuloso, não percebeu sujeirada nenhuma (além das manchas que já havia visto no sofá, e uma ou outra coisinha no tapete).

Achou que, se Jackson estava mentindo, tinha apagado as provas muito bem. E se estava falando a verdade, tinha feito um excelente serviço de limpeza.

Paula, passando indiscretamente a língua nos lábios, sugeriu ver outras evidências, como a fita. Maurício, precisando se concentrar no inquérito, pediu para ela ficar quieta. E Jackson, precisando mijar, pediu para ir ao banheiro.

Voltaram às carícias inocentes na poltrona.

– Satisfeito, Maurício?...

– Quase. Ainda tem um detalhe me incomodando. Sobre o que Paty disse...

– Que que ela disse?...

– Hum, salgadinha. Igual à do meu...

Jackson sorriu. Maurício ficou chocado.

– Imaginei você vindo nela. Na própria irmã! Eu não acho engraçado, sabe?...

– Eu nunca faria isso. Nem se estivesse desesperado!

– Me alivia saber. O que ela quis dizer, então?!...

– Ah, Paty adora creme-de-leite em banho-maria, com uma pitadinha de sal...

– Paty nunca sugeriu provar de verdade... ou insinuou algo parecido, pra você?...

– Não! Paty nunca disse ou fez algo nesse sentido.

– Mesmo assim... não acha esquisito? Você descabelando, ela enlinguiçando... ambos-juntos-os-dois?...

– Não. Somos brothers de punheta! Isso não muda nossa familiaridade, né?

Maurício se lembrou das altas sacanagens de Nelson Rodrigues. Jackson concluiu a acareação.

– É a vida como ela é, né?

Ele pensou de novo.

– PQP, preciso aprender esse truque telepático!...

A investigação seguiu mais leve e solta, depois das revelações, enquanto os cigarros da loja viravam fumaça, numa bem-sucedida queima de estoque.

Paula encostou a cabeça no ombro de Jackson.

– Você ainda acha que curtiria... bagunçar em mim?...

– Cem por cento. Você é GI (=giletoso), né? Sem problema!

– Mas... não curtiria eu bagunçar em você, certo?...

– Zero por cento. Eu sou hetero. Sem chance!

Paula calculou que teria 100% de prazer, e Maurício 0% de prazer. Na média, cada uma teria 50% de prazer, e achou justo.

Maurício não gostou do cálculo. Ela sugaria (ou montaria) o rapaz, femininamente, e na hora dele mostrar sua masculinidade, ficaria sugando o dedo (ou montando castelos de cartas, para passar o tempo).

Zombou do cálculo egoísta de Paula, chamando-a de Malba Tahan de saia. Ela retrucou: não usava saia porque ele não se depilava, e se depilasse, não lavaria a saia direito e...

Só perceberam ser tarde da noite, quando suas barrigas famintas começaram a rosnar. Jackson ofereceu chá e salgadinhos japoneses (sabor celofane?).

Maurício declinou. Queria levar Paula para a Caverna.

Ainda tinham várias coisas para discutir na relação.

E como dizem...

Roupa suja se lava em casa!

...continua...

Obrigado a todos os leitores!!!

Maurycio De Paula, Curitiba, março de 2026.

Trecho retirado do ebook:

LIVRES&ACORRENTADOS By Maurycio De Paula

Disponível para download na Amazon

Ou solicitando diretamente para:

mauryciodepaula@gmail.com

Custo = 2USD (dois dólares)

Trechos publicados neste site:

(by Maurycio De Paula)

Livres&Acorrentados – Capítulo 1 – 1.4 Paula

Livres&Acorrentados – Capítulo 3 – 3.1 Allan

Livres&Acorrentados – Capítulo 4 – 4.4 SIM

Livres&Acorrentados – Capítulo 4 – 4.5 Jack, O Estrepoliador

Livres&Acorrentados – Capítulo 7 – 7.4 O Espelho

Livres&Acorrentados – Capítulo 9 – 9.2 A Fantasia De Mi

Livres&Acorrentados – Capítulo 11 – 11.3 Dupla Penetração Alternada

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