🍑 OS CULTIVADORES DE CUS FRUTÍFEROS (Sexo ritualístico, escatologia surreal e prazer agrário doentio)

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1127 palavras
Data: 24/03/2026 07:14:49

A encosta fedia a terra molhada e uma podridão doce, um cheiro que grudava na garganta como favo de mel. O vilarejo, um punhado de casebres quase em ruínas, parecia cuspido pelo cu do mundo, esquecido por qualquer cartógrafo ou alguém que ousasse se aventurar além das estradas de terra enlameadas. Lá, onde o sol queimava as costas e a sombra das árvores parecia sussurrar segredos úmidos, viviam os Cultivadores da Polpa Viva. Não eram homens, nem mulheres, nem nada que a moral da cidade pudesse nomear. Eram devotos, escravos de uma fé tão antiga quanto o primeiro cu que sangrou sob a lua cheia.

O Ritual do Cultivo

No pomar, o cu era sagrado. Não o cu de carne vulgar, não o orifício que a civilização enxovalhava com papel higiênico, sodomia e vergonha. Aqui, o cu era terra virgem, um portal para o divino, um vaso onde a criação vomitava seus frutos mais profanos. Cada adepto começava jovem, às vezes criança, aprendendo a tratar seu ânus como um jardineiro que escarifica uma semente rara. Banhos de assento com chá de boldo, quente o bastante para queimar a pele, mas nunca o suficiente para apagar o desejo. Massagens com azeite de dendê, os dedos do ancião — um velho agrônomo nu, com a pele coberta de líquen como uma árvore viva — deslizando pelas pregas com precisão ritualística. Ele sussurrava preces enquanto enfiava sementes de maracujá, caroços de jaca, ou até mesmo grãos de café torrados na fogueira, todos “benzidos” com seu próprio cuspe, amarelo e viscoso.

A dieta era lei. Nada de carne, porque o sangue animal endurecia o canal. Só leite fermentado, espesso como catarro, misturado com suco de bosta desidratada — um caldo amarronzado, tirado das fezes dos próprios cultivadores, filtrado em panos de linho. Chá de menstruação, coletado em tigelas de barro nas noites de lua nova, era bebido em silêncio, quente, com um travo metálico que fazia os dentes rangerem. Laxantes ritualísticos, feitos de casca de árvore e ervas amargas, garantiam que o intestino cantasse, que a “terra do cu” permanecesse solta, úmida, pronta, como massapê.

E os plugs. Ah, os plugs de argila molhada, moldados à mão por virgens que nunca haviam colhido. Eram inseridos antes do sono, frios e pesados, mantendo o ânus laceado, entreaberto, como uma flor desabrochada. Às vezes, um cultivador acordava gritando, o plug escorregando com um som úmido, seguido de um fio de muco que brilhava à luz da vela. Era um bom sinal. O cu estava vivo e pronto.

O Brotar

As primeiras semanas eram de paciência. O corpo se contorcia, o estômago roncava, e o ânus latejava como um coração exposto. Primeiro, vinham as secreções — um líquido espesso, amarelado, com cheiro de terra revirada. Depois, as vagens. Pequenas, duras, saindo com um estalo que fazia os cultivadores gemerem de prazer e dor. Alguns cus eram mais férteis: brotos roxos, com veias pulsantes, despontavam como dedos de um deus menor. Outros davam frutos inteiros — pêssegos anais, com cascas finas como pele de escroto, ou mamões que tremiam ao toque, suculentos, com um suco que queimava a língua.

As mulheres, às vezes, desenvolviam vaginas secundárias, orifícios novos que se abriam ao lado do cu, como pétalas de carne. Quando lambidas, liberavam um néctar doce, com um toque de sal e bile. Um velho diácono, com a barba manchada de suco de fruta, chorou ao ver seu primeiro mamão brotar. Ele o arrancou com os dentes, mastigando enquanto se masturbava com a mão cheia dos caroços, oferecendo o sumo a um Deus que já não respondia.

A Colheita

A colheita era o ápice, um sabá de línguas e gemidos. Ninguém arrancava os frutos com as mãos — isso era sacrilégio. Os cultivadores se ajoelhavam em círculo, nus, a pele brilhando de suor e azeite. Cantos guturais subiam de volume, roucos, como se a terra mesma estivesse tossindo. Então, começava. Um por um, chupavam os cu-frutos, as bocas coladas às pregas, sugando até a fruta se soltar com um estalo molhado. O dono do cu gritava, gozava, às vezes sangrava, enquanto o suco escorria pelas coxas, pelos rostos, pelos narizes. O líquido era sagrado. Se cuspido sobre outro cu em germinação, tornava-se adubo, um elixir que fazia os frutos crescerem mais grossos, mais doces.

Os mais velhos, os “árvores humanas”, eram os mais reverenciados. Andavam com estacas de madeira amarradas às pernas, mantendo o corpo ereto, o cu exposto ao sol. Seus frutos eram maiores, mais pesados, às vezes com espinhos que cortavam as línguas dos colhedores. Uma mulher, chamada Iracema, engravidou pela bunda. Inseriu uma fruta viva, ainda pulsando, e meses depois deu à luz uma criatura com polpa no lugar dos olhos. O bebê não chorava. Mastigava.

As Regras e o Castigo

Havia leis. Nunca cortar o fruto — ele devia ser saboreado no mesmo lugar. Nunca lavar o cu — a sujeira era parte do ciclo. Nunca negar a colheita — recusar era trair a Polpa Viva. Um homem, um forasteiro que se juntou à seita por curiosidade, tentou lucrar. Fritou pêssegos anais em óleo quente, vendeu-os numa feira da capital como “frutas exóticas”. Dias depois, foi encontrado na floresta com as vísceras enredadas em cipós, os olhos substituídos por pitombas maduras, brilhando como se ainda vissem.

A Mãe das Polpas

No centro do pomar, havia o altar vivo: a Mãe das Polpas. Ninguém sabia se era homem, mulher, ou apenas algo que ria. Seu corpo era liso, sem sexo, sem pelos, mas ao longo da espinha, doze cuzinhos se alinhavam, cada um dando uma fruta distinta. Um exalava a goiabas que gritavam ao serem mordidas. Outro, mangas com sabor de luxúria e nojo. Um terceiro, jabuticabas que explodiam em sangue quente. Todo domingo, os cultivadores se reuniam, nus, e esfregavam os rostos nos cu-frutos, lambendo, chupando, até que alguém gozava. O sêmen era coletado em folhas de bananeira, servido em conchas como vinho da eternidade. Bebiam em silêncio, com os olhos fechados, sentindo o gosto da fé.

O Eclipse e a Promessa

Dizem que, em noites de eclipse, o pomar ganha vida. As árvores rangem, os frutos gemem, e o chão treme com risadas que não vêm de bocas humanas. Os cultivadores se deitam na terra com os cus abertos, oferecendo-se à escuridão. E o pomar goza. Um líquido quente, pegajoso, jorra das raízes, das frutas, dos próprios cultivadores, como se a terra estivesse viva, trepando com o céu.

Eles acreditam que, um dia, o pomar parirá o Deus das Frutas Anais. Ele virá, uma criatura de polpa e carne, com olhos de caroço e um cu que cantará hinos. Trepará com o planeta, encherá o mundo de goiabas que gemem, de mangas que choram, de pêssegos que mordem. E os Cultivadores da Polpa Viva, de joelhos, lamberão seus frutos, eternamente.

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