Chamo-me Miguel. Já passaram quinze anos, mas há memórias que não perdem força — só ganham mais detalhe. Aos dezanove, eu não pensava muito nas consequências. Nunca foi o meu estilo. Cresci numa vila onde o meu apelido fazia o trabalho por mim, ou pelo medo que o nome do meu pai espalhava pela vila. O que o meu pai decidia virava lei, fosse legal ou não!
E eu aproveitava cada segundo disso.
Gostava da forma como as pessoas reagiam antes sequer de eu abrir a boca. Do espaço que me davam. Do silêncio.
Um metro e oitenta, corpo jovem, bem formado.
Na altura, achava-me invencível e estava sempre a tentar coisas novas.
Andava no último ano outra vez, rodeado de miúdos que me seguiam porque era mais fácil do que enfrentar-me. A escola era só um detalhe, era um passatempo, na verdade. Mantinha-me lá porque gostava de sentir que era o líder de um grupo.
Os outros admiravam-me… ou temiam-me. Havia sempre alguém a precisar de mostrar qualquer coisa quando eu aparecia — e, quase sempre, escolhiam o João como o saco de pancada.
O João tinha menos três anos que eu, mas isso só existia no papel. No resto, ficava preso a um tempo mais simples. Já tinha ouvido dizer — professores, médicos — que era uma deficiência intelectual moderada. Para mim, isso nunca significou grande coisa. O que eu via era mais simples.
Falava devagar, como se estivesse sempre a escolher as palavras com cuidado, e às vezes repetia perguntas mesmo depois de já ter ouvido a resposta. Ria-se com facilidade — demasiado, diziam — e confiava em qualquer gesto mínimo de atenção, como se não tivesse aprendido ainda a desconfiar.
Andava pela escola com aquele passo incerto, mochila mal fechada, folhas amachucadas lá dentro, sempre a precisar que alguém lhe dissesse o que fazer a seguir.
Eu nunca fui o primeiro a começar. Nunca precisei. Bastava estar ali. Encostado, a ver, a deixar que os outros fizessem do João o alvo fácil.
A mãe dele chamava-se Laura. Tinha uns quarenta e cinco anos, mas havia qualquer coisa nela que me fazia olhar duas vezes — e não era só por ser bonita. Era a forma como ocupava o espaço sem pedir licença, mesmo quando parecia cansada demais para isso.
Não era nem gorda nem magra, nem tinha aquele corpo trabalhado de quem vive para se mostrar. Era diferente. Tinha curvas certas, firmes, um corpo moldado pela vida, não pelo espelho. Vestia-se de forma simples — demasiado simples. Roupa que já tinha sido usada vezes suficientes para perder a cor, escolhida para durar, não para impressionar.
O marido tinha morrido há pouco mais de um ano. Desde então, vivia do que vinha da pensão, numa casa que não era dela — tinha direito a viver lá enquanto ela e o filho fossem vivos, mas a casa não era deles, não a podia vender. Viviam com o suficiente para aguentar o mês. Não muito mais do que isso, mas o suficiente para não arriscar mudar de vida, de cidade…
E depois havia o João. Sempre o João.
Houve um dia na escola em que as coisas foram mais longe do que o costume com o João. Colaram-lhe umas orelhas de burro e ele andou assim o dia inteiro.
Não fui eu que comecei, não participei — nunca era — mas também não fiz nada para parar.
No dia seguinte, chamaram-me à direção.
Fui considerado o culpado e com isso vieram 3 dias de suspensão.
Saí sem pressa, sem preocupação.
Uma chamada ao meu pai e a suspensão terminaria em cinco minutos… mas eu não estava minimamente preocupado. Ser suspenso dava-me até um certo estatuto…
Saí da sala da direção, e foi no corredor que a vi.
— Já foste falar com quem tinhas de falar — disse, ao passar. — Espero que tenha valido a pena.
Olhei-a com um ar de raiva… com um tom de ameaça.
— Eu não te acusei de nada — respondeu ela. — Só pedi que protegessem o meu filho.
— Há coisas que ficam resolvidas na direção… outras não.
Parei um instante.
— A escola não consegue fazer grande coisa por ele. Eu consigo.
Olhei para ela.
— Agora… não sei se me apetece.
Nos dois dias seguintes, não precisei de fazer nada a não ser um WhatsApp.
O João saiu da escola mais cedo do que o costume. Quando chegou a casa, levava a roupa suja, rasgada em alguns pontos, e marcas na cara que não sabia explicar. Para ele, aquilo confundia mais do que doía.
No dia seguinte, foi diferente.
Demasiado diferente para ser coincidência.
O João chegou a casa limpo, arranjado, quase orgulhoso de si próprio. A mochila fechada como deve ser, a roupa no sítio, o cabelo penteado de uma forma que claramente não tinha sido ideia dele.
— Tenho um amigo novo — disse, com um sorriso que não aparecia há muito tempo.
A Laura ficou a olhar para ele mais tempo do que devia.
— Quem?
— O Miguel. Ele ajuda-me. Disse que vai tomar conta de mim.
Houve um silêncio pesado na cozinha.
O João não percebeu. Continuou a falar, entusiasmado com coisas pequenas que, para ele, eram tudo.
Foi só depois, ao arrumar as coisas dele, que ela encontrou o papel dobrado no fundo da mochila.
Não tinha grande coisa escrita:
“Hoje ninguém lhe tocou.”
“Amanhã logo se vê.”
“Depende de ti.”
Por baixo, escrito numa linha separada:
um número de telefone.
O papel ficou imóvel entre os dedos dela.
Não havia nome.
Não era preciso.
Ela pegou no telemóvel e escreveu:
“Eu sei quem tu és.”
“E sei que consegues fazer com que isto pare.”
“O meu filho não te fez nada.”
“Peço-te que o deixes em paz.”
(pausa)
“Diz-me o que é preciso para que isto acabe.”
“O que posso fazer para que o deixem em paz?”
Demorei a responder.
Não por falta de tempo.
Mas porque sabia que ela ia ficar à espera.
Quando respondi, fui simples:
“Podias começar por ser mais simpática.”
Não era um pedido.
Ela demorou antes de escrever. Apagou duas vezes.
À terceira, deixou ficar:
“Boa tarde, Miguel.”
“Espero que estejas bem.”
“Podemos falar?”
Demorei mais um pouco.
Deixei a mensagem ali, lida, sem resposta.
Quando escrevi, fui direto:
“Podemos.”
“Mas acho que eras mais simpática se me convidasses para um café.”
(pausa)
“Estou com tempo.”
“Como sabes, fui suspenso uns dias.”
Ela ficou algum tempo com o telemóvel na mão.
Leu a mensagem mais do que uma vez.
Sabia o que aquilo significava.
Ainda assim… escreveu:
“Podemos falar hoje.”
(pausa)
“Se quiseres, vem cá a casa.”
Demorou um segundo antes de enviar.
Depois não voltou atrás.
Li a mensagem… e deixei ficar.
Quando respondi, não demorei muito:
“Eu não quero.”
(pausa)
“Tu é que queres.”
E não disse mais nada… deixei o tempo passar.
Ela ficou a olhar para o ecrã, sem perceber ao certo o que sentia primeiro.
Raiva.
Ou medo.
Sabia que não era verdade.
Não era sobre querer.
Era sobre outra coisa.
Deixou o telemóvel em cima da mesa. Afastou-se. Voltou.
Pegou nele outra vez.
Demorou.
Mais do que queria admitir.
Quando escreveu, já não havia espaço para orgulho:
“Miguel, quando puderes importas-te de vir a minha casa. Preciso de falar contigo, preciso da tua ajuda.”
(pausa)
“Por favor.”
Não respondi.
Nem uma palavra.
O silêncio ficou ali, pesado, a ocupar espaço.
Ela ainda tinha o telemóvel na mão quando bati à porta.
Seco.
Duas vezes.
Ficou imóvel por um instante.
Quando abriu… eu já estava lá.
Encostado à ombreira, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Olhei-a de cima a baixo, sem pressa.
— Demoraste — disse, com um meio sorriso.
Entrei sem pedir.
Passei por ela como se já conhecesse o espaço.
Olhei em volta.
Uma casa simples.
Cuidada… mas sem margem para mais.
Sentei-me no sofá.
Como se fosse meu.
— Então? — perguntei. — Em que posso ajudar?
Ela ficou de pé.
— Eu só quero que deixes o meu filho em paz…
Esperei.
— Diz-me o que queres…
Sorri.
— Para já, quero uma cerveja. Bem fresca.
— Não tenho… eu não bebo.
Inclinei a cabeça.
— Então a partir de hoje já sabes.
Fiz uma pausa.
— Tens de ter sempre cerveja em casa.
Levantei-me.
Fiquei à frente dela.
— A partir de hoje… eu garanto que não acontece nada ao teu filho.
Pausei.
— E tu vais fazer o que eu disser.
— Certo?
Inclinei ligeiramente a cabeça.
— Não tens grande escolha.
— Sabes quem eu sou.
— E sabes quem é a minha família.
Ela hesitou.
— …sim.
Olhou para mim outra vez.
— O que queres que eu faça?
Aproximei-me.
— Ajoelha-te.
Ela ficou imóvel.
— Miguel…
Aproximei-me mais.
Levantei a mão… e pousei-a na cabeça dela, conduzindo-a para baixo, ao mesmo tempo que ia abrindo as minhas calças e colocando o mau pau na cara dela
Ela prendeu a respiração.
Eu sorriu, olhei-a nos olhos e disse.
É pelo teu filho…. E comecei a foder a boca dela com os meus 18cm de pau duro.
Ela estava meio assuada, meio surpreendida, e meio perdida naquela situação… não sabia bem como reagir mas sabia que naquele momento não tinha alternativa.
Chupou-me… sem vontade, ela que agarrei”he pelas cabelos e comecei a aumenta a velocidade, a penetra-la até à garanta…
Ela engasgou-se, afagou-se e começou a tossir
Não a deixei afagar por muito tempo.
Vá, não pares estou quase a vir-me!
Meti o pau na boca dela, meti tudo, segurei-a assim e vi-me na garganta dela.
Segurei-a bem até que o meu pau perdeu força…
Afastei-me.
Ela antes de joelhos, agora caía sobre as suas pernas com as lágrimas a escorrer pela face.
Puxei as calças, ajeitei-me
-muito bem mãezinha.
Quando comecei a caminhar em direção à porta, ela falou.
— Eu fiz tudo o que pediste… — disse, a voz a tremer ligeiramente. — Agora é a tua vez.
Parei com a mão já perto da maçaneta.
— Deixa o meu filho em paz, de uma vez por todas
Fiquei em silêncio por um segundo.
Depois virei-me para ela.
Olhei-a com calma.
— O que fizeste hoje… — disse, num tom baixo — garante imunidade hoje.
Dei um pequeno passo na direção dela.
— Amanhã voltas a precisar de mim.
— E quando precisares… já sabes como funciona.
Deixei a frase cair devagar.
Voltei-me, abri a porta…
e saí.
Fechei atrás de mim sem pressa.