Dizem que a diplomacia é a arte de deixar que os outros façam o que você quer. No meu caso, a diplomacia doméstica no apartamento 303 tornou-se a arte de deixar minha mãe fazer o que todos os vizinhos queriam. Após o cataclismo moral dos primeiros meses, o armistício foi assinado sobre uma mesa de jantar que já serviu tanto para lasanhas dominicais quanto para banquetes eróticos de vizinhos.
A vida melhorou. O segredo da convivência não é a tolerância, é a logística. Dona Regina agora adotou um protocolo de transparência operacional: recebo mensagens curtas, como "Vou estar ocupada hoje a tarde" ou "Vou demorar para chegar em casa". Eu já não sinto o estômago revirar; sinto o alívio de quem sabe que pode jogar videogame sem ser interrompido pelos urros de algum dos vizinhos no nosso corredor.
Ontem, porém, a realidade bateu à porta sem pedir licença, e com um cheiro forte de adrenalina.
Eu estava na sala, tentando me concentrar em um livro, quando a porta se abriu. Dona Regina entrou. Vestia um vestido floral leve, mas a peça parecia ter passado por um furacão de categoria cinco. O tecido estava amassado, os cabelos presos num coque precário e, ao caminhar, o movimento das coxas revelava a ausência absoluta de calcinha. Eu não precisava ser um perito forense para imaginar o cenário: a buceta da minha mãe devia estar em carne viva, latejando num rosa escuro e profundo, uma fenda escancarada e úmida que ainda tentava se fechar após a invasão.
— A julgar pelo seu estado, o Seu Valdir decidiu ignorar as convenções da delicadeza hoje, não foi? O zelador parece ter confundido seu útero com um problema de encanamento urgente.
Minha mãe parou, olhou para mim e soltou uma risadinha rouca. Sentou-se no braço da poltrona, despretensiosa, cruzando as pernas de um jeito que o vestido, traidor, abriu-se até a virilha. Eu podia ver o brilho úmido nas suas coxas, o rastro do esforço alheio.
— Ora, veja só. Virou cronista, agora? — ela provocou, ajeitando o cabelo. — Antes você queria me internar num convento, agora faz análise de desempenho das minhas tardes. O que mudou, filho?
Senti o rosto esquentar. A ironia dela era uma lâmina afiada.
— Só estou tentando te entender melhor, mãe.
Ela riu, uma risada que vinha do fundo da garganta, carregada de uma malícia que me deixou ainda mais constrangido.
— Sei... Pois saiba que o Valdir é um primitivo, querido. Um autêntico representante das massas. Ele me fodeu como se estivesse tentando desentupir um cano mestre com uma britadeira. Enfiou aquele pau grosso até o fundo, sem cerimônia, sem preliminares nem nada. Ele me segurava pelo pescoço e gritava nomes que fariam a garotada da quadra de esportes parecer um coral de querubins.
— Imagino que o serviço tenha sido completo, então — comentei, tentando manter o tom sarcástico para esconder o choque visual daquela fenda rosada e inchada que eu vislumbrava entre as flores do vestido. — Ele pelo menos limpou a bagunça?
— Ele não limpou nada. Ele me deixou exatamente assim, vazando e latejando, enquanto voltava para os seus afazeres.
Minha mãe levantou-se com um rebolado vitorioso e caminhou para o banho. Eu sabia o que viria depois: ela sairia do chuveiro nua, e se recusaria a vestir qualquer coisa pelo resto da tarde. Me fechei no meu quarto, fui jogar, tentando – em vão – tirar aquelas imagens do meu pensamento.
Mais tarde, durante o jantar, a atmosfera estava mais calma. Dona Regina, milagrosamente, vestiu um camisetão que batia no meio das coxas. Comíamos em silêncio até que ela apontou o garfo para mim.
— Ainda pensando no Valdir, filho? Você está muito calado.
— Só tentando processar tudo, tentando entender do seu ponto de vista —respondi, mexendo na massa. — O que leva uma mulher educada a preferir ser tratada... assim?
— É a dialética do orgasmo, filho. O perigo é o tempero. O tesão não está na gentileza, está na invasão. O Valdir não pediu licença. Ele abriu minhas pernas, cuspiu na mão, lubrificou o pau e entrou com tudo. A sensação de ser usada, de ser um receptáculo para aquela fúria masculina, é o que me faz sentir viva. Quando ele gozou, foi como uma explosão. Senti o sêmen dele quente, espesso, enchendo cada milímetro da minha buceta. E o melhor de tudo? Quando saí de lá, senti o líquido escorrendo para fora, descendo pelas minhas pernas enquanto eu cruzava o saguão. Era o meu troféu. Eu caminhava e sentia a porra dele secando na minha pele.
Eu ouvia aquilo com uma ereção silenciosa e uma perplexidade quase filosófica. Minha mãe era o centro de gravidade erótico do prédio – se bem que estava mais para buraco negro.
A moral é apenas uma questão de perspectiva e isolamento acústico. No nosso caso, a moral tinha sido trocada por uma convivência transparente, onde minha mãe foder com qualquer um era apenas mais um detalhe da rotina, como o preço do feijão ou a conta do condomínio.
— Sabe, mãe — eu disse, levantando meu copo de Coca — se o Seu Valdir é mesmo tão bom assim, na próxima assembleia devíamos votar para dar um aumento para ele.
Dona Regina riu. Eu olhei para o meu prato, analisando o impacto daquilo tudo. A verdade é que a libertinagem da minha mãe tinha nos trazido uma paz bizarra. Ela estava feliz, exalando uma energia vital que o divórcio quase tinha matado. E ela ainda era muito nova para morrer.
Outro dia, recebi outra mensagem de minha mãe, curta e carregada de subtextos: "Estou com visita. Não precisa correr para o jantar." Ou seja, aquilo significava que a sala de jantar havia sido convertida em um quarto de sexo, e eu deveria esticar o meu café na faculdade o máximo possível. Demorei-me. Perambulei pelas prateleiras da biblioteca, tomei dois cafés ruins, e só depois fui para casa.
Quando finalmente girei a chave, o silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo chiado do chuveiro. Dona Regina estava em seu ritual de purificação. Tentei me esgueirar para o quarto, mas a porta do banheiro se abriu e ela saiu envolta em uma nuvem de vapor e no perfume de baunilha que agora me servia de gatilho para o absurdo.
— Chegou, filho — disse ela, sem qualquer esboço de pudor, deixando a toalha cair sobre o pufe do corredor. Estava nua, a pele ainda úmida e avermelhada pelo calor da água e, presumivelmente, pelo atrito de algum vizinho entusiasmado. — Faz um favor para a mamãe? Meu hidratante de ureia ficou na gaveta do criado-mudo. Pega para mim? Minha perna está pedindo socorro.
Fui. Entrei no quarto dela e me abaixei para abrir a gaveta. Minha mãe entrou logo atrás e, com toda naturalidade do mundo, virada de costas para mim, se abaixou para secar o pé. A visão foi um soco técnico na minha sobriedade. A bunda de minha mãe, aquela maravilha trabalhada na academia, estava ornamentada com hematomas arroxeados em formato de dedos, impressões digitais nítidas de quem a segurara com uma fúria possessiva. Mas o "estrago", como ela mesma chamava, era mais profundo. O vão entre suas pernas contava a história de uma invasão bárbara. A buceta estava visivelmente dilatada, o que denunciava o bombardeio de estocadas desprovidas de qualquer diplomacia. O cu estava aberto, rosado e sensível, com as bordas irritadas que se recusavam a voltar ao repouso, testemunhando que o visitante havia explorado cada milímetro de sua anatomia com uma virilidade de escavadeira. Havia um brilho residual, uma mistura de óleo corporal e o rastro de uma ejaculação farta que ainda insistia em lubrificar a zona do desastre.
Não resisti. O cinismo venceu a etiqueta filial.
— Pelo visto, a "visita" de hoje rendeu. A julgar por esse cenário de terra arrasada, você foi bem usada, hein? Seu rabo parece que foi alvo de uma macetada violenta.
Regina soltou uma gargalhada cristalina, olhando-me pelo reflexo do espelho com um brilho de desafio nos olhos.
— Ah, então agora você é perito criminal? — Ela se levantou devagar, sentindo o latejar da própria carne. — Pois bem, já que você está tão observador, vamos fazer um jogo. Se você adivinhar quem me deixou nesse estado, eu pago a pizza. Com borda recheada e Coca de dois litros.
Aceitei o desafio.
— Primeiro palpite: Dr. Arnaldo. Ele anda muito quieto nas reuniões, sinal de que está descarregando o estresse em algum lugar. E ele tem mãos grandes para deixar essas marcas.
— Errado — disse ela, passando o hidratante com uma volúpia ostensiva. — O Arnaldo é metódico demais. O estrago de hoje teve um componente de... improviso selvagem.
— Então foi o Caio da academia. Aquele inchaço ali embaixo tem a assinatura de quem toma suplemento e quer provar que a carga máxima não é só no supino.
— Passou longe — Regina riu, espalhando o creme pelas nádegas marcadas.
— Última tentativa: o Seu Ricardo, o síndico. Ele tem aquela cara de quem guarda fetiches que a mulher não realiza de jeito nenhum.
— Errou de novo, querido — concluiu ela, vestindo uma camisola quase transparente que não escondia nada. — Pelo visto, d dono desse "estrago" vai continuar sendo o meu segredo. Ah, e você paga a pizza.
Mas nada me prepararia para o que ainda estava por vir.
Certa manhã, estávamos tomando café da manhã como se fossemos a família mais normal do condomínio – o que estava longe de ser verdade.
— Mãe, ontem à noite... eu ouvi a porta. Já passava de meia noite. Você saiu e só voltou pelas 2h da manhã. O que diabos aconteceu?
Ela deu um sorriso enigmático, o tipo de sorriso que Mona Lisa teria se tivesse passado a noite num motel de beira de estrada. Tentou desconversar, mas eu insisti. Eu precisava saber o que a "Vadia do Condomínio" havia aprontado.
— Já que você está tão curioso, meu filho... vou te contar. – Ela pousou a xícara. O olhar dela ficou distante, revivendo a cena.
— Recebi uma mensagem dele. Sim, o amante misterioso que você ainda não conseguiu identificar. O desafio era simples e brutal: eu deveria ir até o apartamento dele imediatamente. Mas eu deveria ir pelada.
Eu ri. Um riso nervoso, seco, de quem espera o soco na boca do estômago.
— Você não fez isso. Mãe, o prédio tem câmeras. O porteiro... o Seu Ademar...
— No começo, o medo me gelou a espinha — continuou ela, ignorando meu protesto. — Mas o medo e o tesão podem se dar muito bem, filho. Quando dei por mim, eu estava respondendo a mensagem com os dedos trêmulos de excitação. Tirei a camisola ali mesmo na sala. Abri a porta, olhei para o corredor vazio e... saí. Peladona. Sem nada, sem um par de chinelos.
Minha cabeça girava. Imaginei minha mãe, aquela estátua de carne firme e curvas generosas, atravessando o território inimigo do condomínio.
— Fui pelas escadas — descreveu ela, a voz descendo uma oitava, tornando-se mais rouca. — Cada degrau era um choque de realidade. Eu sentia meus peitos balançarem livremente, pesados, e a umidade entre as minhas pernas já denunciava que eu estava entregue. Cruzei o corredor do andar dele, cada sombra parecia um vizinho prestes a abrir a porta. Quando toquei a campainha, eu estava tão excitada que minhas pernas mal me sustentavam.
— E depois? — perguntei, quase sem fôlego.
— Filho... Ele me puxou para dentro pelo pescoço e me jogou contra a porta. Não houve tempo para gentilezas. Ele me fodeu de tudo quanto é jeito, me tratou como quis e eu nem conseguia reagir direito. E depois... depois eu tive que voltar. Ele fez questão que eu voltasse assim como estava, pelada, suada, gozada.
Eu não conseguia acreditar na audácia. Era demais. Era um atentado ao pudor, à lógica e à paz do condomínio. Mas, ao mesmo tempo, havia um brilho de orgulho no meu peito. Minha mãe não era apenas uma mulher; ela era uma insurgente. Ela havia transformado o edifício em seu próprio território de caça, desafiando tudo e todos só para o seu prazer.
A verdade é que a minha mãe, a "Vadia do Condomínio" era o lembrete vivo de que, sob os sapatênis e os vestidos de linho, somos todos feitos de fluidos, espasmos e o desejo inconfessável de ser, pelo menos uma vez na vida, o objeto de um "estrago" inesquecível. Olhei para minha mãe e sorri. A pizza hoje a noite seria por minha conta, de novo, mas nada se compara com o dividendo vitalício de morar com a mulher mais desejada — e deliciosamente depravada — de todo o condomínio.
