O clarão do primeiro disparo rasgou a penumbra, seguido pelo estalo seco de uma bala encontrando o barro da parede. O silêncio da caatinga estava morto.
— "Agora!" — berrei, soltando a primeira rajada de cobertura.
O fuzil cuspiu fogo, empurrando meu ombro com um coice familiar que pareceu organizar o caos na minha mente. Lúcia e Sônia correram agachadas em direção ao vulto da Hilux sob o juazeiro. As lanternas táticas dos capangas do Delegado dançavam freneticamente entre os arbustos. O motor da caminhonete rugiu, um som gutural que ecoou pelo vale. Corri sob uma chuva de fagulhas, mergulhando na cabine enquanto Sônia já operava a submetralhadora pela janela traseira.
— "Pisa, Raimundo! Eles estão na trilha!" — Lúcia gritou, o .38 disparando com precisão cirúrgica.
A Hilux saltou sobre o terreno acidentado. Atrás de nós, o ronco agudo de motores de alta cilindrada cortou a noite. Quatro batedores em motos de trilha surgiram como sombras rápidas, costurando entre os mandacarus. Eles estavam armados com pistolas e faziam disparos constantes contra nossos pneus.
— "Segura o volante!" — gritei para Lúcia, enquanto eu colocava meio corpo para fora da janela, segurando o fuzil com uma mão só.
Mirei no primeiro motoqueiro que tentava emparelhar. O estalo do fuzil foi seguido pelo vulto do homem sendo arremessado da moto, que capotou em chamas na poeira. No banco de trás, Sônia não dava trégua. Ela estava com o busto para fora, os cabelos ao vento, descarregando o pente da submetralhadora.
— "Toma essa, desgraçado!" — ela berrou, acertando o ombro do segundo perseguidor, que perdeu o controle e se chocou contra um rochedo.
Lúcia, no carona, mantinha o braço esticado, os tiros do seu revólver encontrando o peito do terceiro capanga que tentava saltar na nossa carroceria. O homem caiu como um saco de batatas, sendo atropelado pelas próprias luzes de auxílio. Em cinco minutos de puro inferno e metal retorcido, deixamos os destroços das motos para trás.
O silêncio voltou a ser quebrado apenas pelo ronco da Hilux, mas o clima dentro do carro era de derrota.
— "E o Zé da Prata?" — Sônia perguntou, a voz trêmula pela adrenalina que baixava. — "Raimundo, a gente deixou ele lá..."
— "Não sabemos o que aconteceu, Sônia," — respondi, o maxilar travado. — "Se ele não morreu no primeiro tiro, o Delegado vai querer ele vivo para falar. Não podíamos voltar. Seria suicídio."
Olhei para o painel e senti um frio no estômago. A luz da reserva de combustível piscava como um aviso fúnebre.
— "Estamos no osso," — sentenciei. — "Menos de um quarto de tanque. E a água acabou na última troca de tiros, um projétil furou o galão na caçamba."
— "E comida?" — Lúcia perguntou, revirando as mochilas táticas. — "Duas barras de cereal e um resto de carne seca. Raimundo, a gente não chega no Olho d’Água desse jeito. Precisamos de um porto seguro, gasolina e... um banho. O cheiro de pólvora e sangue está me sufocando."
Desviei para uma trilha secundária, subindo em direção à Serra do Cruzeiro. Ali ficava uma antiga casa de veraneio de um sócio falecido do meu pai, um lugar que o Delegado talvez demorasse a mapear.
Chegamos ao esconderijo ao amanhecer. Era uma casa de pedra robusta, com um gerador a diesel e um poço artesiano escondido. Após trancarmos todas as entradas e montarmos guarda, o cansaço era absoluto. Lúcia foi a primeira a buscar o banheiro para tirar a crosta de poeira e suor.
Eu estava limpando o fuzil na sala quando ouvi o som da água correndo. Precisei buscar um kit de primeiros socorros no armário do corredor, que ficava logo em frente ao banheiro. A porta, empenada pelo calor do sertão, não tinha fechado totalmente.
Parei por um segundo. Através da fresta, o vapor quente escapava, trazendo o cheiro de sabonete de ervas. Meus olhos traíram minha vontade. Lúcia estava de costas para a porta, sob o jato de água.
Fiquei hipnotizado. Ela era uma visão de poder e pecado. A água escorria pelos cabelos castanhos ensopados, descendo pelas costas largas e musculosas até chegar à cintura fina, que se abria em um quadril largo e monumental. A bunda dela, firme e molhada, parecia brilhar sob a luz fraca. Cada curva daquela mulher exalava uma maturidade perigosa.
Lúcia se virou levemente para alcançar o sabonete, e a fresta da porta me deu o ângulo que selou minha perdição. O jato de água batia no seu ventre liso e descia, abrindo caminho por entre as coxas grossas. Ali, no centro daquela perfeição madura, vi sua buceta, com os lábios carnudos e uma depilação impecável que deixava a pele dourada totalmente à mostra. O clitóris parecia intumescido pelo calor da água, e o brilho úmido naquela região era um convite silencioso que fazia meu pau latejar de forma dolorosa contra a calça.
Ela passou as mãos pelos seios fartos, erguendo o rosto para a água enquanto massageava os mamilos endurecidos, e eu senti meu sangue ferver de um jeito que nenhum tiroteio jamais conseguiu. Ali, vendo minha madrasta naquele estado de vulnerabilidade e perfeição, entendi que o Delegado era o menor dos meus problemas. O verdadeiro perigo estava dentro daquela casa.
Recuei em silêncio antes que ela percebesse, mas a imagem daquela deusa madura ficou queimada na minha mente, misturando-se ao gosto do beijo furtivo de Sônia. Os Lira estavam cercados, sem dinheiro e sem aliados, mas a tensão dentro daquelas paredes de pedra estava prestes a explodir.
Mais tarde, com o sol do sertão começando a baixar e tingir o céu de um laranja sangrento, nos reunimos na sala de pedra. O clima era de velório, mas com a urgência de quem ainda respira.
— "O gerador morreu. O resto de combustível que achamos no galpão não dá nem pra dez quilômetros fora da trilha," — anunciei, jogando o mapa sobre a mesa empoeirada. — "Estamos sem comida, com pouca munição e a água do poço tá saindo com gosto de barro. Se ficarmos aqui, o Delegado nem vai precisar gastar bala. Vamos morrer de fome."
Lúcia, já vestida e com a postura de quem nunca perde o comando, cruzou os braços, fazendo o tecido da camisa apertar contra os seios fartos.
— "Tem um homem," — ela começou, a voz firme. — "O Coronel Epaminondas. Ele mora pros lados de Exu, numa fazenda blindada. Ele deve a vida e metade das terras dele ao seu pai, Raimundo. É o único que tem estrutura pra nos dar diesel, munição e o silêncio que precisamos agora."
Fechei a cara. — "Não gosto disso. Epaminondas é da velha guarda, mas o cheiro de carniça atrai todo tipo de urubu. Ele pode muito bem querer entregar nossas cabeças pra fazer média com o novo governo."
— "É o risco que temos, ou a morte certa aqui," — Lúcia rebateu, sustentando meu olhar com uma intensidade que me fez lembrar, por um segundo, da visão dela no banho.
No fim, o silêncio de Sônia e o pragmatismo de Lúcia venceram. Eu concordei. Partiríamos ao amanhecer.
A noite caiu pesada. Decidimos nos revezar na vigília. Peguei o primeiro turno, sentado na varanda de pedra com o fuzil atravessado no colo, os olhos varrendo a escuridão da caatinga. O silêncio era absoluto, até que ouvi o ranger da porta.
Era Sônia. Ela caminhou até mim em silêncio e me abraçou por trás, escondendo o rosto nas minhas costas. Senti o calor do corpo dela e o tremor leve nas suas mãos.
— "Não consigo dormir, Raimundo... fecho os olhos e ouço os tiros. Vejo o sangue do papai," — ela sussurrou.
Virei-me de frente para ela, segurando seus ombros com firmeza. — "Eu preciso de você inteira, Sônia. Pra gente sobreviver, você não pode quebrar agora."
— "Eu quero minha vida de volta," — ela disse, os olhos castanhos brilhando de ódio e medo. — "Quero ver o Delegado morto. Quero cada traidor enterrado debaixo desse chão quente."
— "Nós vamos dar a volta por cima," — prometi, puxando-a para perto. — "Eu te dou minha palavra. Os Lira não terminam aqui."
O beijo aconteceu antes que a última palavra saísse. Foi intenso, desesperado, com gosto de despedida e urgência. Minhas mãos apertaram a cintura dela, puxando seu corpo contra o meu. No meio do beijo, a razão tentou gritar. Afastei o rosto apenas alguns centímetros, a respiração curta.
— "O que... o que estamos fazendo? Sônia, nós somos irmãos..."
Ela me encarou, a malícia selvagem voltando aos olhos enquanto ela descia a mão e agarrava meu pau por cima da calça, sentindo o volume latejante.
— "Amanhã, ou melhor, a qualquer momento, podemos estar mortos, Raimundo," — ela disse, a voz rouca e decidida. — "Por que não podemos aproveitar cada segundo que nos resta? As regras do papai morreram com ele."
Sônia não esperou resposta. Com um olhar carregado de uma malícia que desafiava o próprio sangue, ela se ajoelhou entre minhas pernas na varanda de pedra. Ouvi o som metálico e excitante do zíper descendo, expondo meu pau que já latejava, rígido e enorme, saltando para fora da calça.
— "Raimundo..." — ela sussurrou, e o calor do hálito dela na minha cabeça me fez soltar um rosnado abafado.
Ela o envolveu com as duas mãos, apertando a base enquanto deslizava a língua por toda a extensão, saboreando o melaço que já brotava no topo. Logo em seguida, ela abriu a boca e me engoliu de uma vez, descendo até o fundo da garganta. O calor era absurdo. Sônia me chupava com uma fome voraz, as bochechas encovadas pelo vácuo que ela criava, enquanto seus olhos castanhos permaneciam fixos nos meus, brilhando sob o luar.
Suas mãos pequenas e ávidas não paravam; elas massageavam minhas coxas, subindo até apertar meus sacos, enquanto ela acelerava o ritmo. O som úmido daquela felação no silêncio da madrugada era a música mais suja que eu já tinha ouvido. Eu sentia cada nervo do meu corpo disparar. Segurei os cabelos dela com força, puxando sua cabeça contra o meu quadril, ditando o ritmo enquanto ela gemia abafado, engolindo cada centímetro do meu ferro.
O prazer era um soco no estômago, uma explosão de testosterona e pecado que me fazia esquecer que o Delegado estava lá fora nos caçando. Eu era o Rei, e ela era minha serva de sangue. Quando senti que o ápice era inevitável, as pernas tremeram e eu empurrei o quadril fundo, gozando jatos quentes e espessos direto na garganta dela.
Sônia recebeu tudo sem recuar. Ela continuou sugando até o último pingo, ordenhando meu pau com a língua enquanto eu tentava recuperar o fôlego. Quando ela finalmente se afastou, um fio de porra escorria pelo canto da sua boca. Ela o limpou com o polegar e, num gesto de pura devassidão, lambeu o próprio dedo, saboreando o gosto do irmão.
— "Até amanhã, irmão," — sussurrou ela, com a voz rouca de quem acabara de selar um pacto.
Ela se levantou, ajeitou a camisola curta que revelava suas coxas suadas e voltou para dentro da casa, deixando o cheiro de sexo e o rastro do meu sêmen impregnados na varanda. Fiquei sozinho na vigília, o pau ainda pulsando e a mente um caos. A imagem de Sônia ajoelhada se misturava à de Lúcia sob a água, e o peso do império do meu pai parecia cada vez mais esmagador. Eu era o novo Rei do Ferro, mas a coroa estava sendo forjada no pecado.
