Beatriz...
Já sentiu uma dor seca no estomago, daquelas que parece que tá sendo arrancado? Foi exatamente o que senti quando ouvi ela mandando lembranças pra todo mundo, inclusive pra mim, como alguém pode virar a cabeça de outra em tão pouco tempo? Sai dali sem falar nada, sem esboçar nada e um ódio por ter caído feita de idiota.
Marília:- Quer ficar sozinha ou eu posso?( Disse apontando para o meu lado).
Beatriz:- Já sabia de algo que não sabia?
Marília:- Não! Por isso pedi pra você aguardar!
Beatriz:- Olha, isso não era coisa que fizesse, não custava uma mensagem, ou qualquer coisa. Marília eu fui atrás dela, ela me mandou um monte de mensagens pra que? No final das contas ela só queria brincar com a perrapada do interior!?
Maria:- Beatriz, bora pra casa! Estamos indo meu anjo, depois vocês conversam.
Minha mãe saiu de dentro da casa, falou isso, deu um beijo em Marília e me levou pra casa. Chegando lá ela me mandou tomar banho, desci para comer o que ela havia feito, sempre em silêncio até que...
Beatriz:- Mãe, eu vou voltar a estudar na cidade!
Maria:- Tá bom! Já era hora, só espero que não esteja indo por causa de Amanda!
Beatriz:- Tô indo pra ocupar minha cabeça e ficar longe desse povo! Já chega, a gota d’água foi Amanda, depois de tudo me manda lembranças? Quer saber eu vou voltar pra vaquejada, de onde nunca devia ter saído!
Maria:- Você vai pra sua cama, dormir, amanhã é outro dia! Não acho uma boa ideia você tá vindo com essa história de vaquejada.
Beatriz:- Qual era seu sonho mãe?
Maria:- Vê você e seu irmão felizes, formados e bem! Ganhando o dinheiro de vocês.
Beatriz:- Te entreguei meu diploma, ele tá pendurado num quadro lá na sala, abri uma empresa com meu irmão, onde está indo muito bem, tentei ficar aqui, cuidando de animais e da fazenda, mas não tô feliz, ainda mais agora!
Maria:- E com quem você vai?
Beatriz:- Mãe, a equipe novilho de ouro ainda existe, e o Sr. Teixeira disse que ia me esperar, vaqueira nunca deixa a vaquejada, tenho uma grana guardada, aí me deixa ir!
- É isso que você quer?
Beatriz:- Seu André?
André:- Responda!
Beatriz:- É.
Maria:- André...
André:- Deixa a menina Maria, Marília conversou comigo, Beatriz é a pessoa que mais confio pra cuidar do meu haras, ela e Marília se entendem, mas tenho que aceitar, minha filha vacilou em deixar uma menina de ouro escapar, sei lá se por medo da mãe, mas o seu trailer e o carro do seu cavalo é meu presente, ligue pro Teixeira, tem vaquejada em João Pessoa, você vai correr. Tu é como filha pra mim.
- E como uma irmã pra mim!
Beatriz:- Marília?
Marília:- Na verdade, agora é minha filha! Neném da mamãe!
Beatriz:- Mãe, manda essa idiota parar! E o que é isso mesmo? Uma despedida? Não precisa do caminhão Sr. André, eu já tenho, mas aceito o senhor ser minha dupla.
André:- Sabemos que o que você ouviu não foi legal, minha filha falou como se você não existisse, ela está com a mãe, não cuidei bem da minha princesa e ela se tornou alguém que não conheço. Eu gosto muito de vocês, são como da família, minha Marília sempre foi doce apesar de durona, mas Amanda é na barra da saia da mãe e sabemos que ela não presta.
Beatriz:- Não precisa defender, ela fez a escolha dela! Bom, vou para meu quarto, obrigada por virem, vou me recolher, obrigada de verdade Sr. André,
Fui para o meu quarto e ali chorei, como se não houvesse amanhã, perguntas paravam em minha cabeça, eu não tinha sossego, virava de lado para o outro até não ter mais forças e dormir, acordei no outro dia, os olhos ainda inchados, o rosto abatido e sem forças. Levantei e fui até o banheiro me espreguiçando no caminho, parei em frente a pia e me olhei no espelho, minha cara não estava das melhores, os olhos ainda vermelhos, um entalo que insistiu em ficar, mas que desceu junto com a água que bebi da torneira. Agora vou fazer o que sempre amei, vou honrar o nome de minha mãe, que minha avó sempre escondeu que era vaqueira. Tomei banho, e quando sai do quarto era outra mulher, fui até a cozinha minha mãe Maria estava sentada na mesa catando o feijão, dei um beijo em sua cabeça, botei meu café e meu cuscuz, energias carregadas, fui buscar meu caminhão, liguei pra Marília ir comigo, no caminho...
Marília:- Como você tá?
Beatriz:- Vou ficar zero.
Marilia:- Tenho uma coisa pra te falar!
Beatriz:- Fala.
Marília:- Eu vou com você, aqui sem você é muito ruim!
Beatriz:- Tá maluca? E sua vida? E minha mãe?
Marília:- Eu e sua mãe era fogo de palha, ela num quer nada sério, depois meu pai vai e fala que te tem como filha, minha irmã fez o que fez, enfim acho que sempre foi desculpa, ela nunca aceitou pela diferença de idade. Vou com você, bater esteira e viver mundo a fora!
Beatriz:- E quem te disse que eu quero você vá?
Marília:- Não?
O olhar dela foi de uma tristeza sem fim.
Beatriz:- Você num vai chorar né?
Marília:- Desculpa, pensei que...
Beatriz:- Eu quero que você venha comigo, estava brincando. Não tomei mais decisões assim, você é importante pra mim eu amo muito você mas não quero você ditando regras nem tomando decisões sem falar comigo, sei bem como você é, se for assim estou com você!
Marilia:- Fechou!
Nos abraçamos e
Nos abraçamoSas e ali começava nossa nova jornada.
(Amanda)
Depois que desliguei a ligação com meu pai, minha mãe foi uma felicidade, sabia que naquele momento havia conquistado a confiança dela.
Sandra:- Minha princesinha voltou. Rian chega daqui a pouco, trate de criar juízo.
Amanda:- Tá bom mãe.
Rian não demorou muito, fomos dar uma volta no shopping, na praça de alimentação um rapaz passou por nós e o semblante de Rian mudou, ele estava pálido.
Amanda:- Tá tudo bem?
Rian:- Vamos em bora, por favor?
Amanda:- Só se eu for dirigindo, você tá nervoso, tem algo que possa te ajudar??
Rian:- Pode, indo embora comigo!
Saímos em direção ao carro, alguém gritou.
Continua...
