Transição - Capítulo 27 - Pontas soltas e magoas antigas!

Da série Tendencias
Um conto erótico de Cigana CD
Categoria: Crossdresser
Contém 2030 palavras
Data: 21/03/2026 21:23:38

Transição - Capítulo 27 - Pontas soltas e magoas antigas!

Transição, Transex, Crossdresser, Aventuras e Bissexualidade

(Esta série é uma continuação de Aventura na Universidade e Sendo Livre, muitos fatos aqui relatados tem relação com elas, recomendo ler, mas pode ser lida separadamente.)

Acordei tão tarde, mas descansada, do jeito que levantei fui e pelo celular pedi um iFood, só me esqueci que estava de camiseta e calcinha e recebi o entregador assim, e aquele mesmo calor que vinha do início do curso, com meu iFood favorito veio com um fogo.

O Entregador me olhou, comeu com os olhos, e eu me virei, peguei o lanche e fui em direção a mesa, rebolando e ao voltar ele estava com seu pênis mega duro então falei.

– Qual seu nome? Tem mais entregas na Bag?

– Sou José, não é a última, to indo embora direto daqui.

– Humm, peguei um lanche grande, quer dividir comigo?

– Não, melhor não.

Disse isso com medo, acho que ele queria mas tinha medo do assédio, então em vendo que ele queria mas não assumiria o domínio falei.

– Entre, feche a porta, vamos conversar, aí vamos nos conhecer e caso ainda queira comer algo a gente improvisa.

Ele soltou a bag, logo que fechou a porta. Veio e ficou em pé encostado no vão da porta do lado e eu fui a cozinha, peguei um refri, dois copos e servir ele, me posicionei por sobre ele para sentar, pressionei seu corpo, senti seu pênis quente então olhei, voltei e mudei para outra cadeira que ficava do outro lado e assim tinha uma visão plena do seu corpo e enquanto mordia o primeiro pedaço fui secando ele e parando o olhar no pênis e abrindo bem a boca, mordi o lanche de forma clara do que queria.

– Nossa está com fome hein, ainda bem que não aceitei seu lanche, ia ficar com fome?

– Que nada, se pegasse um pedaço eu ia encontrar algo a mais para comer e pelo que vejo já estou querendo acabar este lanche e comer algo mais quente.

Ele instintivamente, manipulou seu pênis por sobre o agasalho, e olhando para mim pela primeira vez disse.

– Olha, não estou me sentindo bem, se eu entendi errado, perdão, mas a moça está me provocando ?

– Sim, mas quem me provocou antes foi me olhando com uma olhar de quem queria me ver nua e me foder.

– Olha, é direta, legal, sim você está muito deliciosa assim.

– Bom, pra não tirar seu tesão, mas pra deixar tudo às claras.

– Perdão, não queria ser indelicado, vou embora.

– Não seu bobo, é que eu estou com tesão por você, sou uma transexual, vou entender se não for o que queria, tudo bem, mas parece um cara legal, o que me diz.

– Olha, na verdade, acho que não tem um motoboy que não tenha pego uma trans, uma patricinha, um boy em alguma entrega, não vejo problemas inclusive no meu caso eu curto sim uma transex, minha antiga namorada era trans, mas a família surtou, mudaram de cidade e não vi mais.

– Não teve jeito, era mais um motoboy que a antiga Valentine não pensaria duas vezes para dar com uma trans, biscate ou vadia, mas agora assim que eles partiram pro beijo e em seguida ela chupou ele a culpa veio, as suas lembranças, logo em seguida as lembranças de Robson, que ela pediu um tempo e nunca mais retornou, Vanessa que sentia sua ausência e não cobrava nada, mas estava sempre ali.

O Universo dá seus pulos.

O celular vibrou sobre a mesa. Simone olhou de canto, já sabendo quem era antes mesmo de ver o nome. Robson.

Deixou tocar. Parou. Vibrou de novo.Ela fechou os olhos por um segundo, como se aquilo cansasse mais do que deveria.

O Motoboy percebeu que ela mudou, como também para ela era apenas mais uma gozada e já tinha feito o serviço, olhou para ela , para o celular e falou.

– Gata vou indo, bom foi top, quando quiser, só pedir comida lá, sou sempre eu que entrego entao nos vemos, vou indo, só avisa o porteiro pra não embaçar na saida tá gata.

Tocou novamente. Atendeu.

— Oi…

Do outro lado, um silêncio curto. Não era falta de sinal. Era ele medindo o que ia dizer.

— Você sumiu.

Direto. Sem rodeio. Mas a voz vinha mais baixa do que o normal.

Simone encostou na cadeira.

— Eu só… fiquei na minha esses dias.

— Desde o fim de dezembro, Velentine..

Agora tinha um leve peso, afinal ela tinha já oficializado seu nome Mulher, Simone Bueno, lembrou que ninguém do seu circulo inicial sabia de tudo isso, as burocracias e os tempos com sua mãe somados aos hormônios e as mudanças a deixam perdida no tempo e no espaço.

– Verdade, ela falou. Desculpa, estágio e tudo, tá muito confuso na minha vida, desculpa meu amor.

Falou mas nem ela confiou no tom ou na forma de falar.

— Você não atende direito, responde seco, não aparece… — ele respirou — aconteceu alguma coisa?

Ela olhou pra frente, fixa em nada. Aconteceu. Mas não foi de um dia pro outro.

— Não. Eu só precisava de um tempo.

Outro silêncio.

— Tempo… de mim?

Ela não respondeu.

— Valentine — agora ele estava mais tenso — a gente não tava bem, eu sei, mas você simplesmente desaparecer assim…

Ela fechou os olhos.

— Eu não desapareci.

— Pra mim, sim.

Aquilo bateu mais do que ela esperava. Ele continuou, agora mais direto:

— Eu preciso te ver. Hoje.

— Robson…

— Não, por favor — ele interrompeu, pela primeira vez com urgência — não me deixa tentando entender isso sozinho.

Silêncio. Ela passou a mão no rosto. Já sabia que aquela conversa ia chegar. Só não queria que fosse hoje. Mas também sabia que adiar não ia mudar nada.

— Tá…

A resposta saiu mais baixa.

— A gente conversa.

Ele soltou o ar do outro lado, quase como alívio.

— Eu passo aí? Eu na verdade estou no shopping aqui perto, em 15 minutos estou ai.

Ela pensou por um segundo.

Entrar no espaço dela… não.

— Não. Melhor a gente se encontrar fora.

Pequena pausa.

— Pode ser.

— Onde?

Ela escolheu rápido, sem pensar muito.

— Aquele café perto da faculdade.

— Eu sei.

Silêncio curto.

— Daqui uma hora?

Simone olhou o relógio.

Tempo suficiente pra se preparar… ou tentar.

— Tá.

Mais um silêncio. Dessa vez mais carregado. Na cabeça dela tempo suficiente para ela pensar em como ou o que falar, explicar as mudanças que ele iria perceber e principalmente, as decisões que a família apoiou e fizeram.

— Val!

Ele falou, mas não com a mesma intensidade. Ela não respondeu.

— Você tá bem?

Pergunta simples. Tarde demais.

Ela respirou fundo.

— Tô.

Não era mentira completa. Mas também não era verdade inteira.

— Então tá — ele disse, mais quieto.

A ligação terminou.

Simone ficou alguns segundos com o celular na mão, olhando pra tela apagada, doía ouvir ele falar Valentine, culpa dela não ter pelo menos falado sobre isso com ele.

Ela já sabia. Não era mais uma conversa pra tentar salvar.Era uma conversa pra terminar direito. E, pela primeira vez desde que decidiu se afastar…o peso veio inteiro. Não pela dúvida. Mas pela certeza.

O café estava movimentado, gente entrando e saindo, vozes misturadas, xícaras tilintando. Robson já estava sentado há alguns minutos, olhando o celular, impaciente. Ele levantou os olhos quando alguém se aproximou da mesa.

Uma mulher. Ele olhou rápido… e voltou pro celular. Não era quem ele esperava.

— Robson.

A voz fez ele travar. Ele levantou o olhar de novo. Agora com atenção. Demorou um segundo a mais do que deveriaO reconhecimento veio devagar — primeiro a dúvida, depois o choque.

— …Valentine ?

Ela puxou a cadeira com calma e se sentou.

— Simone Bueno.

A correção veio tranquila. Sem ataque. Sem hesitação. Ele ficou olhando, completamente desarmado.

— Eu… — ele tentou, mas não conseguiu completar. Ela não deu espaço pro desconforto crescer. Foi direto.

— Eu finalizei meus documentos, primeira fase de minha transição final.

Silêncio.

— Nome, registro… tudo. Já está oficial.

Ele ainda parecia preso na imagem dela ali, na frente dele.

— Você… você fez isso tudo…?

— Fiz.

Simples. Firme. Ela apoiou as mãos na mesa.

— E não foi só isso.

Ele piscou, tentando acompanhar.

— Eu praticamente já terminei o estágio.

— Estágio?

— Deu certo.

Uma pausa curta.

— Eu recebi duas propostas de trabalho.

Agora ele se inclinou levemente, ainda confuso, mas começando a voltar pra conversa.

— Propostas… tipo emprego?

— Sim.

— Onde?

— Uma numa empresa, mais estruturada… carreira, crescimento.

— E a outra numa fazenda. Campo mesmo. Mais direto, mais pesado.

Silêncio. Ele respirou fundo, tentando organizar tudo.

— Simone… eu… eu nem sabia de nada disso.

Ela assentiu.

— Eu sei.

— Você simplesmente sumiu.

— Eu precisava fazer isso sem dividir.

Aquilo incomodou.

— Sem dividir… comigo?

Ela sustentou o olhar.

— Principalmente com você.

Silêncio.

— Por quê?

Ela respirou fundo.

Ali era o ponto.

— Porque eu precisava entender quem eu sou… sem me ajustar ao que você precisava de mim.

Ele travou o maxilar.

— Eu nunca te pedi pra se ajustar.

— Não com palavras.

Agora a voz dela ficou mais firme.

— Mas eu sentia. O tempo todo.

— Na sua casa.

— Nos olhares.

— Nos silêncios.

Ele desviou o olhar por um segundo.

— Minha família…

— Eu sei.

Ela não deixou ele terminar.

— Sua mãe me evitava.

— Seu pai já me desrespeitava… imagina se soubesse de tudo.

— Sua mãe… você sabe. Ela gostava da ideia, não da realidade.

Parou, sabia que era muita coisa, mas tinha que evitar que ele mudasse o contexto então continuou.

— E você… ficava tentando equilibrar.

Ele voltou o olhar, agora mais irritado.

— Eu tava tentando fazer dar certo!

— Pra quem?

Silêncio. Aquilo pegou.

— Pra gente!

— Pra uma versão de mim que não existe mais.

Agora a tensão subiu.

— Você mudou tudo, Simone!

— Eu me tornei quem eu sou.

— De uma vez só!

— Não foi de uma vez. Você só não quis ver enquanto acontecia.

Silêncio pesado. Ele passou a mão no rosto, nervoso.

— E onde eu entro nisso agora?

Ela respondeu sem hesitar:

— Você não entra mais. Tá vendo, “Isso” é sério que falou esta palavra ISSO!

Aquilo caiu seco.

— Sério isso?

— Eu tentei fazer caber, Robson.

Agora a voz dela ficou mais baixa, mas não mais fraca.

— Tentei ser a Simone que você conseguia lidar… a que sua família toleraria, mas até quando mentiria para eles e diria, sou uma mulher trans.

Ele baixou a cabeça e ela finalizando, ou acreditando que tinha terminado falou.

— Mas essa não sou eu.

Ele riu, desacreditado.

— Então pronto. Você decide tudo e eu só aceito?

— Eu decidi sobre mim.

— E eu?

— Você nunca decidiu de verdade.

Aquilo acendeu ele de vez.

— Ah, claro. Agora a culpa é minha.

— Não é culpa. É escolha.

— Minha família nunca vai aceitar isso!

Ali. O ponto de ruptura. Ela ficou em silêncio por um segundo. Ele mesmo tinha a resposta, não aceitava, mas era a realidade.

— Eu sei.

— Então como você achava que isso ia funcionar?

Ela olhou direto pra ele.

— Não ia.

— Eu só não queria admitir antes.

Ele levantou da cadeira, irritado.

— Então você me fez perder tempo?

Ela também se levantou, mais calma.

— Não. Eu tentei.

— Tentou nada! — ele elevou a voz, algumas pessoas olharam — você já tava decidida!

Ela manteve o controle.

— Eu decidi quando percebi que precisava me diminuir pra ficar com você.

Ele balançou a cabeça, nervoso.

— Eu não vou viver brigando com minha família por causa disso!

— E eu não vou viver sendo diminuída por causa deles.

Silêncio. Pesado. Final. Ele pegou o celular e a chave de forma brusca.

— Eu não consigo viver assim.

— Eu sei.

— Então acabou.

Ela sustentou o olhar.

— Acabou.

Sem tremor. Sem volta. Ele ficou mais um segundo, como se esperasse reação. Não veio. Virou e saiu, empurrando a cadeira com força.

O barulho ecoou pelo café. Simone permaneceu ali, de pé por um instante. Respirou fundo. Devagar. Não havia dúvida. Só consequência. Sentou-se, sozinha chorando, olhando ele partir sem olhar para trás, tinha sido pior do que imaginava, mas pelo menos não houve violência, não a física, mas algumas palavras dela e dele deixariam grandes feridas.

No meio do choro eu repensei tudo até ali, ainda teria mais uma conversa séria, com Vanessa e para essa, nem ela estava preparada.

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