Amigo Pauzudo de Namorado meu, pra mim, é Homem! Capítulo 7

Um conto erótico de drjack66
Categoria: Heterossexual
Contém 4069 palavras
Data: 20/03/2026 14:28:00

Maria tinha vinte e quatro anos, mas carregava marcas que ninguém via.

Aos dezessete, no ensino médio, ela conheceu Rafael. Ele era dois anos mais velho, fazia faculdade, usava óculos de grau como ela, tinha um sorriso fácil e uma lábia que desarmava qualquer um. Foi ele quem se aproximou primeiro — ela era tímida e se encantou por seu sorriso e jeito doce, um jeito que a fazia sentir que era a única pessoa no mundo. Nos primeiros meses, ele foi perfeito. Ligava à noite para saber como ela estava. Levava flores sem motivo. Apresentava-a aos amigos com orgulho. Maria se sentiu vista pela primeira vez na vida. Não como a nerd da escola, não como a menina que usava óculos fundo de garrafa. Rafael fazia ela acreditar que era especial.

Ela se entregou completamente. Passava noites em claro fazendo trabalhos para ajudá-lo. Abria mão de sair com os amigos para acompanhá-lo em eventos da pós-graduação. Deixou de frequentar as festas da faculdade porque ele dizia que se sentia desconfortável com os olhares dos outros homens sobre ela. “Você é minha”, ele dizia, “só minha”. E ela acreditava.

Até que descobriu que não era.

Foi num sábado qualquer. Rafael tinha dito que passaria o fim de semana na casa dos pais. Maria resolveu aproveitar para estudar. Mas esqueceu o carregador do notebook na casa dele. Foi buscar. A porta estava destrancada. Ela entrou sem fazer barulho, ouviu vozes no quarto, riu, pensando que ele tinha voltado mais cedo e estava assistindo alguma coisa. Abriu a porta.

Rafael estava nu na cama. Com uma garota do curso dela.

Maria ficou paralisada. Não conseguiu gritar, não conseguiu chorar, não conseguiu sair. Ficou ali, vendo os dois se beijarem, se tocarem, se perderem um no outro. Quando Rafael finalmente a viu, não teve nem a dignidade de fingir surpresa. “Maria...”, ele começou, mas ela já tinha saído correndo.

Nos dias seguintes, ele tentou justificar. Foi um erro, ela não significava nada, ele a amava, era só tesão. Maria, ainda apaixonada, quase acreditou. Até que descobriu que não era só aquela garota. Havia outras. Várias outras. Rafael colecionava mulheres como troféus e contava vantagem para os amigos.

O pior veio depois. Ele espalhou fotos dela na intenção de manchar a imagem dela e salvar a dele. Fotos íntimas que ela tinha enviado confiando nele. O colégio inteiro viu. Os comentários foram cruéis. “Bobinha”, “trouxa”, “achou que ia segurar ele”. Ela ouvia sussurros nos corredores, risadinhas no intervalo, olhares de pena e desprezo. Maria sofreu demais e teve que mudar de colégio. Quase desistiu da vida. Passou meses sem sair de casa, sem atender o telefone, sem abrir o computador. A mãe, preocupada, chegou a levá-la ao médico. Depressão, disseram. Ansiedade. Estresse pós-traumático.

O que salvou Maria foi a raiva, apesar de tudo ela era forte e criou uma casca que dificilmente ia se romper de novo. Ela passou no vestibular pra engenharia de computação, assumindo de vez sua verdadeira identidade nerd. Mais focada, mais fria, mais determinada. Arrumou um bom emprego. Mas nunca mais confiou em ninguém. Nunca mais se permitiu ser vulnerável. A menina que acreditava em amor morreu naquele quarto.

Quando conheceu Jonas, viu nele um tipo: o bonitão descolado que colecionava mulheres. Achou que seria fácil, que não se importaria. Mas Jonas a tratava bem, a respeitava, a levava para jantares, apresentava aos amigos. Ela começou a acreditar de novo. E começou a ter medo. Quando descobriu a traição de Jonas com Ana, não foi só a traição do namorado. Foi a confirmação de que o mundo continuava o mesmo. De que pessoas como Rafael, como Jonas, como Ana sempre existiriam. De que o único jeito de não ser vítima era estar no controle.

E agora ela estava.

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A reunião no apartamento de Jonas foi cirúrgica. Maria não perdeu tempo com rodeios. Sentou-se na poltrona, cruzou as pernas, colocou a pasta preta no colo e abriu o jogo com a frieza de quem já tinha ensaiado cada palavra centenas de vezes. Ao lado dela, André estava tenso, os braços cruzados, o olhar perdido em algum ponto da parede. Ele não olhava para Jonas nem para Ana. Ainda doía demais.

— Vocês vão fazer o que eu mandar. Sem questionar. Sem reclamar. Sem contar pra ninguém.

Jonas e Ana estavam no sofá, lado a lado, mas longe um do outro. O silêncio pesava como uma lápide.

— Por quê? — Jonas perguntou, a voz falhando.

Maria abriu a pasta. Dentro, cópias impressas das conversas. Fotos. Prints. Tudo que ela tinha recuperado do celular dele. E mais: um pendrive com os áudios, os vídeos, as provas.

— Porque isso aqui acaba com a carreira de vocês. Acaba com a família de vocês. Acaba com tudo.

Ana olhou para as folhas. Viu o próprio nome, as próprias palavras, as próprias fotos. Sentiu o estômago revirar.

— A minha mãe... — começou, a voz trêmula. — Ela tem problema no coração. Desde o ano passado, depois de uma cirurgia, qualquer emoção forte pode... pode matar ela. Se ela vir isso, se ela souber que a filha dela... minha reputação vai ser toda destruída... jamais vou arranjar um emprego...

Ana sabia do que isso causaria na vida dela, talvez Jonas se recuperasse, mas ela, ela era mulher, ficaria mal falada, seria excluida socialmente, mesmo nos dias de hoje o machismo imperava. As lágrimas escorriam silenciosas pelo rosto.

Maria sorriu. Um sorriso lento, calculista, que não chegava aos olhos.

— Então você já sabe o que fazer para isso não acontecer.

Ana baixou a cabeça. Os ombros tremiam.

— E você, Jonas? — Maria continuou, virando-se para ele. — Soube que você tá numa posição delicada no trabalho. Promoção em vista, não é? Chefe conservador, empresa de família... Se ele vir essas fotos, essas conversas... adeus promoção. Adeus emprego. E pelo que pesquisei, você tem dívidas. Não pode ficar desempregado agora.

Jonas empalideceu. A pele perdeu a cor como se o sangue tivesse escorrido para algum lugar escuro dentro dele.

— Como você sabe disso?

— Eu sei tudo. Pesquisei. Me informei. Vocês acham que eu ia fazer isso de qualquer jeito? Sem saber onde apertar?

Ela se levantou, andou lentamente pela sala, os passos ecoando no silêncio, os olhos percorrendo cada canto como se estivesse inspecionando um território conquistado.

— Primeiro: Jonas, você vai continuar indo trabalhar normalmente. Mas todo dia, quando voltar, vai ter uma lista de tarefas. Limpar o apartamento. Lavar a louça. Passar as roupas. Cozinhar.

— Cozinhar?

— É. E tem que ficar bom. Se não ficar bom, você repete. E enquanto você cozinha, a Ana vai estar na minha casa, fazendo a limpeza pesada. Banheiro, cozinha, quintal.

Ana ergueu os olhos. As mãos tremiam no colo.

— Três vezes por semana?

— Seis. Vocês vão todo dia. E vão deixar tudo brilhando. Eu vou fiscalizar.

Jonas apertou os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Mas não reagiu. Não podia.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. André, no canto, não disse uma palavra. Apenas observava, os braços cruzados, o rosto fechado. Não havia ninguém ali que ele quisesse defender. Não ainda.

Naquela noite, no apartamento de André, Maria se deitou ao lado dele na cama. Passou a mão no peito dele, devagar, em círculos lentos.

— Você tá calado — ela disse.

— Tô pensando.

— No quê?

— Neles. No que a gente fez.

Ela se apoiou no cotovelo, olhou para ele. Os olhos claros, por trás dos óculos, tinham um brilho diferente. Uma intensidade que ele ainda não sabia nomear.

— A gente não fez nada. Eles que fizeram. Eles que traíram. Eles que destruíram a confiança. A gente só tá dando o troco.

— Mas será que é assim que a gente devolve?

— Como é que devolve, então? Com um abraço? Com perdão? Eles te humilharam, André. Enquanto você dormia no sofá, eles estavam se pegando. Enquanto você confiava neles, eles tramavam contra você.

Ele fechou os olhos. As imagens vinham à mente como um filme em câmera lenta. As mensagens lidas no café da manhã. As fotos que ela tinha mostrado no notebook, uma a uma. A sensação de o chão sumir debaixo dos pés.

— Lembra da dor? — ela continuou, a voz mais baixa, mais íntima. — Lembra de quando eu te mostrei as mensagens? Lembra de como você chorou?

— Lembro.

— Então. Eles merecem sentir isso também. Merecem saber como é estar no chão.

André respirou fundo. A raiva subia do peito como lava, quente, lenta, destruindo tudo o que encontrava pela frente.

— Talvez você tenha razão.

— Claro que tenho. E vou estar com você o tempo todo. A gente vai fazer isso junto.

Ela beijou ele. Ele correspondeu. O ódio ia crescendo, alimentado por cada palavra dela, cada carícia, cada lembrança que ela trazia à tona.

— A gente precisa ser forte — ela sussurrou contra os lábios dele. — Se a gente fraquejar agora, eles vencem.

— Vencem o quê?

— A gente. A nossa história. O que a gente construiu.

Ele olhou para ela. Para os olhos claros por trás dos óculos. Para a mulher que tinha se tornado sua parceira, sua aliada, sua amante. A mulher que tinha aberto os olhos dele para a verdade.

— Eu confio em você — ele disse.

— Eu sei.

Os primeiros dias foram quase suportáveis. Jonas chegava do trabalho e encontrava a lista de tarefas na mesa. Limpar banheiro, lavar roupa, fazer jantar. Ele obedecia. Ana ia à casa de Maria e passava horas esfregando, lavando, organizando. André participava. Não com a mesma intensidade que Maria, mas estava lá. Dava ordens. Reclamava da comida. Ria quando eles tropeçavam na limpeza. No fundo, ainda doía. Ainda lembrava das mensagens, das fotos, da traição. E cada vez que via Jonas e Ana se humilhando, uma parte dele sentia que era justo. Uma parte pequena, mas presente, que se alimentava do sofrimento deles e pedia mais.

Numa noite, depois que Maria foi ao banheiro, Jonas levantou os olhos para André. Estava sujo, cansado, com olheiras tão fundas que pareciam feridas.

— André... posso falar uma coisa?

André cruzou os braços.

— Diz.

Jonas largou o pano, sentou no chão com as costas apoiadas no sofá. Parecia um homem derrotado, alguém que já não tinha mais forças para lutar.

— Você lembra quando a gente era moleque? Lembra da gente brincando de bola na rua, com aquele portão azul?

André não respondeu. Mas a memória veio sem ser convidada. A rua de paralelepípedos, o gol desenhado com giz, o portão azul que rangia quando a mãe de Jonas chamava para o jantar.

— Eu lembro — Jonas continuou, a voz mais baixa, como se estivesse falando sozinho. — Toda noite, antes de dormir, eu lembro. Da gente jogando videogame até tarde, da gente indo no mercadinho comprar salgadinho com o dinheiro do lanche, da sua mãe fazendo bolo e a gente comendo tudo antes de esfriar.

— Para com isso.

— Não vou parar. Porque eu preciso que você saiba que aqueles dias foram os melhores da minha vida. E que eu joguei tudo fora. Eu sei que não tem perdão. Eu sei que você nunca mais vai olhar pra mim do mesmo jeito. Mas eu precisava dizer.

André sentiu um nó na garganta. A raiva ainda estava ali, ardente, mas algo se movia embaixo dela. Algo que ele não queria nomear.

— Não adianta falar isso agora.

— Eu sei. Mas se eu não falar, vou morrer com isso dentro de mim. Você era meu irmão, André. Meu melhor amigo. E eu joguei tudo fora por causa de um tesão idiota.

A voz de Jonas falhou. Ele passou a mão no rosto, mas as lágrimas já escorriam.

— Eu não espero que você me perdoe. Não mereço. Só queria que você soubesse que eu me arrependo. Que eu me arrependo todos os dias.

O silêncio ficou entre eles. André não disse nada. Não conseguia.

Maria voltou do banheiro.

— Tão conversando?

— Nada. Só ordens.

Ela sorriu, satisfeita. Não notou os olhos marejados de André, nem o rosto molhado de Jonas.

No início, as coisas que Maria fazia pareciam apenas uma forma mais intensa de vingança. Ela passou a exigir que Jonas e Ana usassem roupas velhas, rasgadas, humilhantes, enquanto trabalhavam. Depois, passou a controlar os horários de refeição, o que podiam comer, quando podiam descansar. “Você vai comer depois que terminar. E só o que sobrar.” Jonas e Ana obedeciam.

André observava, dividido. Uma parte dele achava justo. Outra parte começava a se incomodar.

— Maria, você acha que não tá exagerando? — perguntou uma noite.

— Exagerando? Eles me traíram, André. Traíram a gente. Você esqueceu?

— Não esqueci.

— Então deixa eu fazer o que tenho que fazer.

Ele calou. Mas o incômodo continuava.

O primeiro sinal de que algo estava errado veio numa noite em que ele chegou no apartamento de Jonas e encontrou Maria com uma corda na mão. Jonas e Ana estavam sentados no chão.

— O que é isso?

— Vou amarrar eles.

— Pra quê?

— Pra aprenderem a ficar quietos.

— Isso não é parte do combinado.

— O combinado mudou.

André franziu a testa.

— Não foi você que decidiu isso sozinha.

Ela olhou para ele. Os olhos estavam diferentes. Havia um brilho ali que ele não reconhecia.

— Você quer que eles fiquem à vontade? Que eles continuem se amando escondido?

— Não é isso.

— Então me deixa fazer.

André hesitou. Mas deixou.

No dia seguinte André foi até o apartamento de Jonas para devolver uma ferramenta que ele tinha emprestado. Ana estava na sala, sozinha, terminando de passar as roupas de Maria. Quando o viu entrar, largou o ferro, sentou no sofá. As mãos tremiam.

— André... posso dizer uma coisa?

Ele parou.

— O quê?

Ela demorou para responder. Parecia escolher cada palavra como quem caminha sobre vidro.

— Eu sei que sou uma pessoa horrível. Eu sei que te machuquei de um jeito que não tem conserto. E não tô pedindo perdão, porque sei que não mereço.

— Então o que você quer?

— Que você saiba que eu pensei em desistir. Em contar tudo. Em te contar na hora. Mas eu fui covarde. Eu quis sentir. Eu quis experimentar. E agora olha onde a gente tá.

Ela olhou para as próprias mãos, como se não as reconhecesse.

— Eu passei três anos ao seu lado, André. Três anos sendo feliz. E você foi tudo que alguém podia querer. Leal. Bom. Presente. Eu não tenho desculpa. Não tem álcool, não tem momento de fraqueza, não tem nada que justifique. Eu só... quis. E isso é o pior.

André sentiu a raiva misturada com algo que ele não queria nomear.

— Você não precisa dizer isso.

— Preciso. Porque você pode estar pensando que foi por causa de você. Que faltou alguma coisa. Não faltou nada. Eu que sou uma pessoa ruim.

— Para, Ana.

— Eu só queria...

— PARA, ANA.

Ela calou.

— Vocês fizeram o que fizeram. Vocês vão pagar por isso. Mas não vem com esse papo de que a culpa é sua. A culpa é dos dois. E ponto.

Ele saiu.

Na semana seguinte André chegou mais cedo e encontrou Maria sozinha no apartamento. Jonas e Ana estavam no quarto, a porta fechada.

— Onde eles estão?

— Tão aprendendo.

— Aprendendo o quê?

Ela não respondeu. Apenas sorriu.

Ele abriu a porta. Jonas e Ana estavam deitados na cama, vestidos, mas com os rostos marcados. Não de violência — de choro.

— O que aconteceu?

— Nada — Jonas respondeu.

— Nada — Ana repetiu.

André olhou para Maria. Ela encolheu os ombros.

— Só conversamos.

Ele não acreditou. Mas não perguntou mais.

Os dias foram passando e André já não sentia mais a mesma raiva, o ódio estava se esvaindo. André chegou no apartamento e encontrou Jonas e Ana no chão da sala. Não estavam amarrados, mas havia hematomas nos braços e nas costas.

— O que foi isso?

— Eles tropeçaram.

— Tropeçaram?

— Caíram.

André olhou para Jonas. O amigo desviou o olhar.

— Jonas, olha pra mim.

Jonas levantou os olhos. Havia ali um pedido silencioso.

— O que aconteceu?

— Nada. Caí.

André sentiu o estômago revirar.

— Maria, preciso falar com você.

No quarto, ele fechou a porta.

— O que você tá fazendo?

— Ensinando eles.

— Ensinando ou machucando?

— É a mesma coisa.

— Não é.

Ela se aproximou, passou a mão no rosto dele.

— Você tá confuso. Tá com pena. É normal. Mas pensa em tudo que eles fizeram.

— Eu lembro.

— Então deixa eu fazer.

— Até onde? Até onde você vai?

Ela não respondeu.

Na quarta semana, numa noite em que Maria saiu para resolver algo, André ficou sozinho no apartamento com Jonas e Ana.

— André — Jonas chamou.

— O quê?

— Eu quero te mostrar uma coisa.

Jonas pegou o celular, abriu a galeria. Estendeu o aparelho.

— Olha.

André olhou. Era uma foto antiga. Eles dois, adolescentes, abraçados no portão da casa de Jonas. As bicicletas encostadas na parede. Sorrisos de quem não sabia que o tempo ia passar.

— Onde você achou isso?

— Minha mãe me mandou. Eu fiquei olhando pra essa foto todas as noites.

André sentiu um nó na garganta.

— Eu lembro desse dia — Jonas continuou. — Você caiu e ralou o joelho. Eu fiquei com medo de contar pra sua mãe. Você disse que ia contar que foi um carro.

— Eu disse isso?

— Disse. Porque não queria que eu levasse bronca.

André desviou o olhar.

— Eu não tô contando isso pra te fazer sentir pena. Só pra você saber que eu lembro. Que eu nunca esqueci quem você foi pra mim.

— E o que isso muda?

— Nada. Não muda nada. Eu fiz o que fiz. Eu mereço o que tá acontecendo. Só queria que você soubesse que, mesmo depois de tudo, você ainda é a pessoa que eu mais admiro no mundo.

André ficou em silêncio.

Jonas voltou a lavar a louça.

André ficou pensando no que fez, seu desejo de vingança já sumia e não conseguia mais pensar nas coisas ruins, somente nas coisas boas entre eles, isso o fez se entristecer, nunca mais voltariam ser amigos porém não queria continuar com aquela tortura, ele ia parar e sumir.

No dia seguinte André chegou no apartamento de Jonas e encontrou uma cena que o fez paralisar. Maria estava com um cinto na mão. Jonas e Ana estavam ajoelhados no chão, de costas para ela. As costas deles estavam marcadas.

— O que você tá fazendo?

— Ensinando eles.

— Com um cinto?

— Eles precisam aprender.

André avançou, tirou o cinto da mão dela.

— Já chega.

— O quê?

— Já chega, Maria. Isso passou do limite.

— Limite? Eles não tiveram limite quando te traíram.

— E você? Onde tá seu limite?

Ela recuou.

— Você não viu o que eles fizeram?

— Eu vi. Eu lembro. Mas isso não é justiça.

— E o que é justiça?

— Não isso.

Ela olhou para ele. Os olhos estavam vidrados.

— Você tá do lado deles agora?

— Tô do lado do que é certo.

— Certo? O que é certo nesse mundo?

André não respondeu.

Ela se aproximou.

— Você acha que eu gosto disso? Acha que eu quero ser assim?

— Não sei mais.

— Eu não quero. Mas é o único jeito de não sofrer. O único jeito de não ser vítima.

— Você não tá sendo vítima, Maria. Você tá sendo algo pior.

Ela recuou como se tivesse levado um tapa.

— Você não sabe o que eu passei.

— Me conta então Maria.

Ela foi para o quarto. A porta fechou.

André olhou para Jonas e Ana. Estavam no chão, abraçados.

— Vocês podem ir pro quarto.

André seguiu Maria e sentou ao lado dela. Maria estava diferente. Mais calma. Mais controlada. André a encontrou sentada na varanda, olhando o movimento da rua lá embaixo.

— Eu quero te contar uma coisa — ela disse, sem tirar os olhos do horizonte.

— O quê?

Ela contou. Rafael. As fotos. Os sussurros. A depressão.

— Você não sabe como é ser humilhada desse jeito. Não sabe como é todo mundo olhar pra você e rir.

André ouviu em silêncio.

— Eu jurei que nunca mais ia ser vítima. Nunca mais.

— E isso justifica o que você fez com eles?

— Eles merecem.

— Merecem ser espancados? Merecem ser tratados como lixo?

— Eles merecem sentir o que eu senti.

— Você quer que eles sintam? Ou quer se sentir no controle?

Ela não respondeu.

— Maria, você tá fazendo com eles o que ele fez com você. Só que do outro lado.

— Não é a mesma coisa.

— É sim. É exatamente a mesma coisa.

Ela ficou em silêncio por um longo tempo.

— Você não entende.

— Tenta me fazer entender.

Ela virou o rosto para ele. Os olhos estavam marejados.

— Quando eu bato neles, eu sinto alguma coisa. Pela primeira vez em anos, eu sinto alguma coisa.

— O que?

— Poder. Controle. Como se eu não fosse mais aquela menina no quarto, vendo aquelas fotos.

— Mas você ainda é. Só que agora você tá fazendo a mesma coisa com outras pessoas.

— Você acha que eu não sei? Acha que eu não penso nisso toda noite?

André se aproximou. A mão dele encontrou a dela.

— Então para. Antes que seja tarde demais.

Ela virou para ele.

— É tarde demais. Pra mim, pra você, pra eles. A gente já passou do ponto.

— Não. Ainda não. A gente pode parar agora.

Ela riu. Um riso amargo, cansado.

— Você ainda acredita nisso?

— Acredito.

— Você é muito ingênuo, André.

— Talvez. Mas não sou cruel.

O silêncio ficou entre eles.

Na manhã seguinte, André acordou mais cedo. Decidiu que ia conversar com Jonas e Ana. Ia dizer que o castigo tinha acabado. Ia pedir desculpas por não ter parado antes. Não avisou Maria.

Foi para o apartamento de Jonas.

A porta estava entreaberta. Ele entrou.

Maria estava na sala. Ela tinha um spray de pimenta na mão. Ao lado dela, no chão, Jonas e Ana estavam amarrados, amordaçados.

— Maria...

Ela se virou. Os olhos estavam diferentes. Não havia ali a mulher que ele conhecia.

— Você devia ter ficado em casa.

— O que você tá fazendo?

— O que eu sempre quis fazer.

Ele avançou. Ela ergueu o spray.

— Não faz isso, Maria.

— Para, André.

O spray atingiu o rosto dele. A dor foi imediata. Ele caiu de joelhos, gritando.

— Devia ter ficado do meu lado — a voz dela vinha de algum lugar distante. — Devia ter confiado em mim.

O mundo escureceu.

Quando acordou, estava amarrado. Sentado no chão, as costas apoiadas na parede. Ao lado, Jonas e Ana. Os três lado a lado.

Na frente, Maria. Sentada na cadeira, as pernas cruzadas, o cinto no colo. Sorria.

— Bom dia.

André tentou se mexer. As cordas seguravam.

— Não adianta. Usei nós melhores dessa vez.

— Maria, pelo amor de Deus...

— Pelo amor de Deus? Onde estava o amor de Deus quando eu precisei?

Ele não respondeu.

Ela levantou, andou lentamente na frente dos três.

— Vocês são iguais. Todos iguais. Acham que podem brincar com os outros, que podem trair, que podem humilhar.

— Maria, isso não vai consertar nada.

— Vai consertar o que está dentro de mim.

Ela parou na frente de André. Passou a mão no rosto dele.

— Eu gostava de você, sabia? Gostava muito. Você era diferente. Era bom. Era leal. Por isso doeu tanto quando eu descobri que você também podia ser fraco.

— Eu não sou fraco.

— É, sim. É fraco. Fraco demais para me impedir. Fraco demais para me parar. Mas agora não importa mais.

Ela voltou para a cadeira. Sentou. Cruzou as pernas.

— Agora quem manda sou eu. Agora vocês vão aprender o que é ser humilhado. Vão aprender o que é perder tudo.

— Maria, você não vai conseguir fazer isso.

Ela riu.

— Vou, sim. E você vai me ajudar. Porque se não ajudar...

Ela puxou o celular, mostrou a tela para ele.

— Eu tenho aqui tudo que preciso para te destruir. Mensagens. Áudios. E uma história muito convincente de como você se aproveitou de mim num momento frágil. De como você me manipulou, me usou, me obrigou a fazer tudo isso. Sabe como é, André? Uma mulher sozinha, vulnerável, contra um homem que abusou da confiança dela...

André empalideceu.

— Você não faria isso.

— Faria. E faria com prazer. Porque você foi fraco. Porque você me deixou chegar até aqui. Porque agora você é tão culpado quanto eles.

O sorriso dela era doce, quase maternal.

— Então, amor. Vamos começar?

Ela levantou. O cinto estalou no ar. Abriu uma maleta com alguns objetos que ela tinha, uma maleta com itens sadomasoquistas. Maria finalmente expôs sua verdadeira personalidade sádica.

NOTA DO AUTOR:

QUEM QUISER DAR UMA CONVERSADA E/OU VER FOTOS DOS PERSONAGENS NAS SITUAÇÕES DOS CONTOS, MINHAS REDES ABAIXO. SÓ ME MANDAR MENSAGEM QUE TAMBÉM FAÇO IMAGENS PERSONALIZADAS DOS PERSONAGENS NAS SITUAÇÕES DESCRITAS NOS CONTOS.

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Comentários

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Eu não gosto disso mas nesse capítulo não consegui colocar nada de erotismo pra desenvolver mais a Maria, muita gente aqui nos comentários vejo que tem essa cede de vingança igual ela, e cheguei a escrever esse capítulo com ela e André mais vingativos porém acabou indo pra um caminho que não condiz com a personalidade dele.

Dessa maneira no próximo capítulo posso explorar mais o lado erótico e sádico de Maria e dar uma redenção digna pro André e punitiva pra Jonas e Ana. Eles não sairão impunes, porém seguirão a vida com esse aprendizado. Penso também em terminar com um crossover com um outro conto. Acho que vai ficar legal.

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História indo por caminhos que não imaginava a príncipio. Mas agora vejo a tag Submissão... eita!

A traição foi foda, humilhante, mas quem tá fazendo a vingança todinha é a Maria. Ainda quero entender esses sentimentos confusos do André: bom coração ou fraqueza mesmo?

E Ana e Jonas, agora que estão sofrendo diante de uma maluca, resolvem falar coisas legais pro André? Duvido que teriam esses pensamentos do André se mantivessem o caso.

E por fim, a Maria. Lunática ou justiceira com as próprias mãos? Ela também foi traída, não podemos esquecer. Ainda assim, o que ela faz não fará bem nenhum a ela.

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Parei por aqui, e li pegando algumas partes desde o último. Tá ficando chato.

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Caralho, o André só se fode mesmo kkkkk, uma traidora e uma maluca, nesse ritmo o melhor para ele é o celibato kkkkk.

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