Capítulo 2
E tu acha que ele fez escândalo? Não. Dedé ficou parado ali na porta do quarto, quieto, imóvel, um tempão. Eu que o vi primeiro. No começo achei que era ilusão, um golpe de vista, um fantasma na minha cabeça cheia de tesão. Pisquei forte, olhei de novo. Era ele mesmo. Meu corpo inteiro congelou por um segundo, mas o Daniel continuou metendo, alheio, o pau ainda fundo no meu cu, ritmado, gostoso.
Dei um berro alto, daqueles que saem sem pensar:
— Sai de dentro do meu cu, caralho! Meu marido tá atrás de você!
O menino ficou branco na hora. Parou no meio da estocada, o pau ainda pulsando dentro de mim, os olhos arregalados de pavor. Eu não sabia o que fazer. Não tinha o que dizer. Nada que saísse da minha boca ia justificar aquilo. O tesão evaporou num segundo, e veio uma culpa pesada, esmagadora, apertando o peito. Chorei. Chorei de verdade, lágrimas quentes escorrendo pelo rosto, o corpo tremendo enquanto eu tentava me cobrir com o lençol embolado.
Daniel fez menção de sair de cima de mim, de pegar as roupas jogadas no chão, mas Dedé interrompeu ele com uma voz calma, baixa, quase gentil:
— Vocês podem continuar. Eu só queria ter certeza. Eu volto na quarta-feira. Aproveitem bastante.
E saiu. Simplesmente virou as costas e saiu. Não xingou, não gritou, não quis bater em ninguém, não falou merda nenhuma. A porta fechou com um clique suave, e o silêncio que ficou foi pior que qualquer gritaria.
Eu fiquei sentada na cama, a bunda ainda ardendo, dolorida de tanto levar, a cabeça vazia, o corpo fedendo a suor e porra. Queria correr atrás dele, explicar, pedir desculpa, qualquer coisa. Mas como? Vestida que nem puta, suja, com o cu latejando e o cheiro dele ainda em mim. Eu não ia fazer barraco na rua, não ia descer assim. Isso era a última coisa que eu queria.
O Daniel, coitado, moleque novo, ficou me olhando com a cara mais idiota do mundo. Uns vinte minutos depois que o Dedé saiu, ele abriu a boca:
— Ei… vamos continuar? Ele disse que só volta quarta…
Eu olhei pra cara dele. Olhei bem. E ri. Ri alto, de nervoso, de absurdo, pra não chorar mais. Ri até a barriga doer.
Foi assim que eu fui pega no flagra a primeira vez. E foi ali, naquele momento ridículo e doloroso, que tudo começou de verdade.
Durante os dias que Dedé esteve fora, o celular não parava de vibrar com mensagens dele. Fotos de pratos em restaurantes chiques, “o filé aqui é incrível, pena que você não veio”, relatos do hotel “o quarto tem vista pro mar, mas a cama é dura pra caralho”, coisas banais de viagem que qualquer marido mandaria pra esposa. Eu respondia tentando ser normal, mas toda vez que eu tocava no assunto — tipo “André, a gente precisa falar sobre sábado” —, ele cortava seco:
“Eu não vou comentar sobre isso, Juliana. Não tem motivo.”
Eu tentava puxar briga, cutucava, mandava áudio irritada, porque não era normal. O cara fingindo que não viu nada, que não me pegou de quatro na nossa cama com outro pau no meu cu. Parecia castigo. E se era isso que ele queria, estava conseguindo. Cada mensagem fria dele me deixava mais inquieta, mais molhada de raiva misturada com um tesão estranho que eu não queria admitir. Meu corpo lembrava do Daniel me fodendo enquanto ele assistia, e eu odiava como aquilo ainda me excitava.
Na quarta, no final do dia, ele voltou. Entrou carregando as malas, largou tudo perto da porta, veio até mim na sala e me deu um beijo na boca. Um beijo normal, de quem chega de viagem. Como se nada tivesse acontecido. Eu segurei o choro com força, sentindo o peito apertar. Meu casamento tinha acabado, eu via ele saindo pela porta da frente na minha cabeça, me dando um gelo que doía mais que qualquer grito.
— André, para com esse caralho. Eu sei que você tá puto, mas conversa comigo?
— Juliana, eu disse que não tem o que conversar. Você pode continuar com seu amante. Eu não me importo. Só tenho uma exigência.
Na hora que ouvi aquilo, meu sangue ferveu. Ele nem terminou de falar e eu já explodi:
— Como assim pode continuar? Tá maluco? E que exigência é essa, André? Porra, dá pra falar que nem gente?
Ele empurrou as malas pro canto com o pé, tirando elas do caminho. Estávamos os dois de pé no meio da sala, bem do lado da porta, o ar pesado entre a gente.
— É isso. Você não tá satisfeita comigo. Escolhe um dia, sai com quem quiser. Eu já pensei em tudo. Só quero saber com quem e onde. Pra sua proteção…
— Proteção é o caralho, seu filho da puta! Tá maluco? Dá pra você reagir que nem homem? Me bater, sei lá, falar que vai matar alguém?
Ele riu. Uma risada baixa, sem graça, olhando pro chão, depois pro teto, como se estivesse cansado.
— Que dia você quer? Vai ser com aquele menino de novo? — Fez uma pausa longa, pensativa. — Ele é de maior?
— Vai se foder, André.
Eu me segurei com as duas mãos pra não avançar nele e começar a esbofetear. Meu corpo tremia de raiva, de humilhação, mas também de um calor traiçoeiro subindo pela barriga. Porque, no fundo, ouvir ele falar aquilo com tanta calma me deixava louca. Louca de tesão misturado com ódio. Eu queria gritar, queria chorar, queria montar nele ali mesmo na sala e foder até ele lembrar que era homem. Mas fiquei parada, respirando pesado, sentindo a buceta pulsar só de imaginar o que viria depois.
E passaram umas semanas depois daquela conversa na sala. Eu tentei puxar o assunto de mil jeitos diferentes: no café da manhã, na cama antes de dormir, mandando mensagem no meio do dia, até numa janta romântica que eu mesma preparei pra tentar “consertar”. Mas sempre chegava no mesmo lugar. Ele cortava seco, voz calma, sem raiva:
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