Linha Tênue

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 1942 palavras
Data: 19/02/2026 01:03:37
Assuntos: Lésbicas

Algumas semanas se passaram e a privação de sono seguiu a todo vapor, tanto para mim quanto para Júlia. Ela dormia quase sempre ao amanhecer, e eu, na maioria das vezes, ia para a filial sem pregar os olhos por mais de uma ou duas horas por noite.

Em um desses dias exaustivos, por volta das dez horas da manhã, eu estava tomando um energético enquanto preenchia um documento sozinha na sala de reunião quando ouvi a porta sendo aberta com certa pressa. Virei-me em direção a ela e vi uma mulher um tanto descabelada, cujos olhinhos vermelhos e marejados me encaravam fixamente.

Levantei e fui até ela, preocupada. Juh abraçava com força o próprio tronco e, quando minhas mãos tocaram seu rosto, ela desabou em choro, encolhendo-se em mim.

— O que aconteceu, amor? — questionei, com medo.

— Desculpa — ouvi-a responder após um tempo, com a voz cortada.

— O que houve, gatinha? — perguntei mais uma vez.

— Nada… Eu só… Desculpa te assustar… — ela disse.

— Tá bom… Então vem aqui… — e a trouxe para sentar comigo.

Não dava para entender muito bem o que tinha acontecido, porém eu não ia arrancar nada dela ali, em pé. Juh precisava se acalmar para me contar o que a deixou daquela maneira.

Ela se agarrou em mim, contra o meu peito, de uma maneira urgente. Parecia necessidade de estar perto, como se, sem minha presença, ela fosse desintegrar.

— Tão lindinha — falei, fazendo carinho em seu rosto.

— Não estou, não — Juh falou baixinho.

— Você é tão lindinha — corrigi e dei um beijinho nela.

— Vim parecendo que estava precisando ser internada — ela disse, e eu ri no automático.

— Eeeei, não fale assim — fingi protestar.

— Estou parecendo uma maluca — Juh continuou, indignada.

— Que feio isso que você está dizendo… — comentei, depositando beijinhos por todo o seu rosto.

— Hum — Júlia fingiu não ligar.

O biquinho que ela fez arrancou uma risadinha minha.

— Ai, quanto denguinho em uma muié só — falei, apertando as bochechas dela com uma mão e beijando-a.

— Vamos para casa comigo? Por favor, vamos às doze horas… Eu espero você almoçar… — Juh implorou assim que nossos lábios se soltaram.

— Amor… Não dá… Eu estou correndo contra o tempo para, lá na frente, poder te ajudar melhor, então preciso adiantar algumas coisas por aqui. Entende? É por nós… Por mim, por você e por nossos filhos, especialmente esse que está chegando — tentei explicar.

— Não… — ela lamentou, voltando a chorar.

— Aconteceu alguma coisa para meu amô estar assim? — quis saber.

— Eu só quero ficar com você — Júlia disse, com a voz falhando.

Respirei fundo e voltei a fazer carinho para que ela se acalmasse.

— Amor, você acha que isso está normal? Anda pontuando na terapia? — perguntei.

— Hunrum — ela confirmou.

— Foi? E sua psicóloga recomendou fazer algo a respeito ou você acha que é necessário mudar qualquer coisa? — insisti.

— Ela disse para eu ocupar o meu tempo — minha gatinha respondeu.

— E você está tentando praticar isso na sua rotina? — questionei, entre beijos.

— Não quero praticar isso, quero ficar com você — Júlia me respondeu.

— Você acha que está saudável? Saindo de casa assim, nesse desespero… Fica parecendo uma dependência da minha presença… E não faz bem, linda — expliquei.

— Lore, não é nenhum crime eu sentir saudade da minha esposa e aparecer no trabalho dela para pedir um abraço. Não faço isso sempre que me dá vontade. Hoje só estava insuportável ficar sem você — Juh falou, com a voz cortada.

— Entendi… Olha, vamos para minha sala e você toma um banho para se acalmar, pode ser? Tem algumas roupas minhas aqui também… — propus.

— E você vai para casa comigo? — Júlia insistiu mais uma vez.

— Posso tentar chegar mais cedo, pode ser? — perguntei, cheirando o pescoço dela.

Ela só saiu do meu colo lentamente e foi se dirigindo até a porta, nada satisfeita.

— Você vem ver seu amô e vai ficar brigada com seu amô? — questionei, aproximando-me por trás dela.

— Não estou brigada, estou chateada — ela falou, soltando o corpo no meu.

— Consegue dizer o porquê de estar chateada? — continuei perguntando.

— Porque você não quer fazer o que eu quero, não quer ficar comigo — Juh respondeu, e eu a virei para mim.

Não precisei dizer mais nada. Ela apenas me encarou e, no olhar dela, senti que Júlia compreendeu que era problemático, sim, o que estava acontecendo.

Arrumei o cabelinho dela e fomos caminhando pelos corredores. Foi engraçado vê-la forçando simpatia para quem nos parava durante o caminho. Claramente ela não estava no clima, porém é educada demais para inventar qualquer desculpa. Todo mundo perguntava sobre o bebê e contava que eu havia mostrado o vídeo e que falo a maior parte do tempo sobre ele.

Esses momentos são ótimos para aumentar a minha moral.

Entramos na minha sala e, assim que tranquei a porta, já fui abrindo o chuveiro enquanto ela tirava a roupa em silêncio, ainda com aquele restinho de choro preso na garganta. Dei um beijo na testa dela antes de fechar a porta do banheiro e me dirigi rapidamente para minha mesa, decidida a adiantar o máximo possível dos meus afazeres. Entre um parágrafo e outro dos documentos, levantei-me para separar uma toalha enquanto respondia mensagens no celular e distribuía assinaturas com a outra mão. Quando finalmente ouvi o chuveiro desligar, respirei fundo, satisfeita por ter conseguido render alguma coisa.

Júlia apareceu com o rostinho na porta. Ela tinha uma carinha mais calma e o jeitinho bem mais manso.

— Amor… me dá só uma blusa sua mesmo — pediu baixinho.

Peguei uma no cabide e entreguei para ela, observando-a vestir-se devagar.

— Parece que você mora aqui, tem tudo — Juh comentou.

— Às vezes eu moro mesmo. Tem dias em que passo metade do dia aqui — respondi.

— Se eu quisesse te trancar para fora de casa hoje nem teria graça, você tem quase tudo aqui — ela disse, pensativa.

— Oxe, e foi isso que você estava planejando no banho, foi? — questionei, rindo e agarrando-a.

— Aqui não tem filhos. Você ia sentir saudade — Juh continuou, toda convencida.

— Não tem filhos e geralmente não tem você… Mas, se bem que, algo me diz que durante a noite você daria um jeito de vir se trancar aqui comigo — brinquei, e Júlia sorriu, finalmente.

Eu segurei o rosto dela com as duas mãos e a trouxe para mim sem pressa. Ela suspirou baixinho contra minha boca, e nos beijamos devagar, diminuindo o pouco espaço que ainda existia entre nós.

Nos afastamos com calma. Juh deu uma mordidinha no meu lábio inferior e eu senti como se nenhuma de nós quisesse realmente encerrar aquele beijinho.

— Desculpa ter vindo aqui no hospital e atrapalhar o seu dia assim — ela falou, meio sem graça, cruzando os braços.

— Não tem nenhum problema você vir aqui. Você é muito bem-vinda e sabe disso. O problema são as circunstâncias que fizeram você chegar aqui daquela maneira. Foi assustador. Achei que tinha acontecido algo com você ou com nosso filho. Não é saudável essa dependência da minha presença, amor. Estou sempre disposta a te dar todo o carinho do mundo no momento certo, sem interferir na rotina que nós duas estabelecemos juntas — falei, fazendo carinho nela.

— Eu sei, você tem razão. Foi um surto de saudade e eu vou controlar isso melhor, seguindo as orientações — Júlia respondeu, retribuindo os toques em minha pele.

— Eu te amo muito, tá? Estou contigo, vamos nos ajudar — disse em seguida e roubei um selinho.

— Eu também te amo muito — Juh respondeu.

Ela começou a se ajeitar para sair e eu entreguei a chave do carro para ela.

— Vai com o nosso carro e venha me buscar no horário certinho. Aí podemos passar no shopping e comprar uma roupinha ou qualquer outra coisa para o nosso neném juntas. O que acha? — sugeri.

— Acho perfeito… Você é perfeita, amor… — Júlia falou e me abraçou.

Ela com certeza saiu mais tranquila do que entrou. Observei da janela enquanto atravessava o estacionamento e, depois que o carro deixou a vaga, voltei para a mesa e segui o dia normalmente. Resolvi pendências, finalizei documentos, participei de muitas reuniões e consegui adiantar quase tudo o que estava acumulado. Tentei permanecer focada para manter a mente organizada e cumprir o que tinha prometido a mim mesma.

No fim do expediente, peguei o celular para avisar que já podia me buscar, mas, antes mesmo de completar a ligação, percebi que havia uma mensagem dela avisando que já tinha chegado ao hospital. Desci e a encontrei esperando, encostada no carro, bem mais serena do que pela manhã. Parecia até outra pessoa.

Seguimos direto para o shopping e caminhamos sem pressa pelas lojas infantis. Escolhemos algumas camisetas com frases típicas e engraçadinhas e não ficamos sem imaginar nosso pequeno usando cada uma delas. Em outra loja, encontramos uma banheira pequena, cheia de acessórios, muito fofinha, que chamou nossa atenção por parecer prática e funcional, e acabou indo conosco para casa.

O ano letivo estava no finalzinho e Milena e Kaique estavam bem cansados. Na última unidade eles já estavam aprovados, mas precisavam cumprir o restante do calendário escolar para não terem problema com o colégio nem com a mamãe.

Estávamos olhando as notas no site e os parabenizando. Também veio um relatório individual de cada um. No de Kaique havia observações sobre ele ser conversador no chat da plataforma e um agradecimento por já ter ajudado a melhorar o funcionamento. No de Milena havia uma nota falando sobre a ansiedade dela com o retorno das aulas presenciais, avisando que todos estavam torcendo para isso também.

Logo depois, eles foram dormir e, depois de muito tempo sem saber o que era isso, nós também.

Eu tinha um total de zero compromissos para o sábado. Acordamos bem tarde e ainda ficamos bastante tempo na cama, trocando denguinho.

Esses carinhos foram ficando mais quentes e, quando me dei conta, estávamos completamente envolvidas.

Nos afastamos depois, ficamos abraçadas por um tempo e acabei pegando no sono pesado.

Quando despertei novamente, eu havia sido abandonada na cama. Fui seguindo os sons da casa e o cheiro bom que me levou até a cozinha. Dei um beijinho nos meus guris, que estavam assistindo a um filme de terror, e abracei minha muié, que estava preparando uma salada de frutas para ela e um cafezinho para mim.

— Fiz bolo para você — Juh disse, ao sentir minha presença.

— Cadê a saudade que você disse que estava, hein? Me largou sozinha lá na cama — brinquei, beijando o pescoço dela.

— Sai, dependente — Júlia brincou de volta, e nós rimos.

Foi um dia bem tranquilo. Não fizemos mais nada demais naquela tarde. Estávamos precisando de um dia inteiro de preguiça, Juh, eu, Mih e Kaká, ou a nossa casa entraria em combustão.

À noite, enquanto tomávamos banho e trocávamos alguns beijos, resolvi perguntar algo.

— O que aconteceu hoje de manhã? Não estava a fim? — perguntei.

— Ando sem vontade, mas quando você estava ali eu já queria muito. Relaxa, amor. Quando eu não quiser, eu digo — ela esclareceu.

— Ótimo. Não se sinta obrigada, porque você não é — falei no ouvido dela, para confirmar.

— Eu sei — Juh sussurrou de volta e me puxou para um novo beijo.

Mais tarde, já deitadas, brinquei:

— Chazinho para acordar, chazinho para dormir… Vou ficar mal-acostumada.

— Você merece esse chazinho… Eu fui um porre ontem — Juh falou, séria.

— Não diz isso, é injusto com você, amor — disse, passando a mão em seu cabelo.

— Te amo — ela quase miou, de tão fino que saiu.

— Te amo, te amo, te amo — repeti, imitando o tom, e rimos.

Minha mulher se ajeitou sobre o meu peito e novamente dormiu uma noite completa. Dessa vez eu demorei um pouco mais, contudo ainda estava escuro quando peguei no sono. Já era uma vitória!

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 163Seguidores: 48Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

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