O Chefe Bilionário Da Minha Mulher Grávida Ofereceu Um Valor Absurdo Para Que Ela Se Transformasse Na Puta dele: Você Aceitaria? (Parte 2)

Um conto erótico de aliciador
Categoria: Heterossexual
Contém 6218 palavras
Data: 18/02/2026 20:20:58

# CAPÍTULO 2: A EDUCAÇÃO DE UM PRÍNCIPE

## PARTE II.I: A EROSÃO INICIAL

Gabriel Cavalcanti Junior não era um homem impulsivo, apesar da aparência de playboy mimado que cultivava com maestria. Ele era um estrategista nato, um predador que compreendia que a verdadeira dominação não se conquista com força bruta, mas com a erosão gradual das defesas, como água sobre rocha, gota após gota, até que a superfície original desapareça completamente. Larissa, com sua barriga de gravidez incipiente, seu sotaque simples de mulher da periferia, seu amor idealizado por um professor pobre, representava para ele o troféu perfeito: não uma mulher fácil de luxo, mas uma alma pura para corromper, uma narrativa romântica para profanar. Ele observava-a na cozinha, onde ela se movia com a eficiência treinada da sobrevivência operária, e calculava cada passo, cada toque, cada palavra para maximizar o impacto psicológico.

O primeiro "acidente" ocorreu numa segunda-feira chuvosa, quando São Paulo se dissolvia em névoa cinzenta lá fora, e o triplex parecia um aquário de luxo isolado do mundo. Larissa estava debruçada sobre o forno industrial, verificando o ponto de um assado de porco com limão siciliano que Helena havia pedido para o jantar — uma receita que ela adaptara de sua infância em Osasco, onde o porco era de segunda, mas o tempero fazia milagre. O calor do aparelho competia com o ar-condicionado, fazendo-a suar levemente sob a blusa branca de uniforme e a calça jeans de maternidade que apertava na barriga aos dois meses. Ela cantarolava baixinho "Evidências", uma música velha de Roberto Carlos que Rafael adorava, um resquício de normalidade em meio ao opulento desconhecido.

Gabriel entrou sem aviso, mascando chiclete de menta com a indiferença de quem é dono do tempo e do espaço. Vestia apenas uma calça de moletom cinza de algodão egípcio, pendurada tão baixo nos quadris que a linha de pelos escuros subia do umbigo até o peito definido, desaparecendo na borda do tecido como um convite obsceno para o proibido. Seu torso nu exibia músculos esculpidos em academias privadas, pele bronzeada artificialmente em cabines de sol suíço, tatuagens discretas no antebraço esquerdo — um leão com coroa, símbolo de linhagem real autoatribuída. Ele fingiu buscar água na geladeira lateral, passando por trás dela num espaço que era amplo como uma sala de jantar comum, mas que ele transformou em corredor estreito pela mera presença física.

Ao passar, ele parou. "Hesitou", como se tivesse esquecido algo. Nesse momento de pausa milimétrica, calculada ao segundo, deixou que seu corpo tocasse o dela. Não um esbarrão casual, mas um roçar deliberado, lento, onde a ereção — dura como pedra, evidente sob o tecido macio, propositalmente não contida — pressionou-se contra a curva das nádegas dela. Larissa congelou. A música morreu em sua garganta. Ela sentiu o calor dele através das roupas, a rigidez inegável que pulsava como um coração vivo, a intenção que não precisava de palavras para ser compreendida.

— Desculpe — ele murmurou, a voz rouca de sono recente e tesão contido, sem a menor sombra de arrependimento genuíno. — A cozinha é apertada.

A mentira era tão flagrante que transcendia a falsidade para se tornar uma declaração de soberania. Ele não estava se desculpando; estava informando-a que as leis da física, da etiqueta e do respeito mútuo não se aplicavam a ele naquele território. Ele era o dono da gravidade, o legislador das distâncias. Larissa não respondeu verbalmente. Suas mãos, que seguravam uma colher de pau úmida de molho, apertaram o utensílio até os nós dos dedos ficarem brancos como mármore. Ela sentiu o calor irradiando dele, o cheiro de pele limpa misturado a hormônios masculinos potentes, a dureza que a tocava com uma precisão que não podia ser acidental. E sentiu, para seu horror visceral, uma resposta biológica involuntária.

O corpo humano é uma máquina traiçoeira, programada por milhões de anos de evolução para responder a estímulos de dominância e virilidade, independentemente da mente ou da moralidade. A proximidade de um macho alfa — jovem, rico, fisicamente perfeito, exalando confiança absoluta — ativou nela circuitos ancestrais que nada tinham a ver com seu amor profundo por Rafael, com os votos de fidelidade que ainda não haviam sido pronunciados no altar, com a imagem de si mesma como mulher virtuosa e mãe dedicada. Seu coração acelerou em ritmo de caça. O sangue correu para a superfície da pele, tingindo as bochechas de vermelho. Uma umidade vergonhosa, incontrolável, brotou entre as pernas, lubrificando o que a mente repelia.

— Você está tremendo — Gabriel observou, sussurrando perto do ouvido dela, o hálito quente de menta batendo na nuca sensível, enviando arrepios involuntários pela espinha. — É medo? Ou é o corpo reconhecendo o que ele quer, mesmo que a cabeça diga não? O medo deixa mulheres rígidas, defensivas, como estátuas. A excitação... — ele empurrou levemente contra ela, fazendo-a apoiar-se nas mãos sobre a bancada de mármore para não perder o equilíbrio completamente — ...a excitação faz o corpo buscar mais, mesmo quando a mente grita para parar. Faz o corpo trair a mente. Faz a buceta molhar para o predador.

Ele se afastou então, abruptamente, como se nada tivesse acontecido, bebendo a água da garrafa com a tranquilidade de quem acabou de plantar uma semente venenosa e sabe que ela vai germinar no solo fértil da dúvida e da necessidade. Larissa ficou ali, debruçada sobre o forno, sentindo o calor artificial do aparelho contrastar com o frio da excitação abandonada, o suor agora misturado a um rubor que não era apenas térmico. Pela primeira vez, reconheceu com um horror que a deixou nauseada que havia gostado. Não da violação em si, que ainda repelia intelectualmente, mas da sensação paradoxal de poder que a acompanhava — o poder de fazer um homem daquele porte, daquele dinheiro, daquela beleza inalcançável, perder o controle o suficiente para roçar-se nela como um animal no cio. Era uma forma perversa de poder, ela sabia, uma ilusão alimentada pela própria submissão, mas era poder, e para alguém que passara a vida inteira sendo impotente diante das contas, dos patrões medíocres, da pobreza crônica, isso era mais intoxicante que qualquer vinho francês que ela jamais provara ou provaria.

Os dias seguintes foram um bombardeio sistemático de microagressões disfarçadas de intimidade casual, cada uma projetada para normalizar o toque, para tornar o proibido rotina, para redefinir o aceitável. Os tapas na bunda tornaram-se frequentes, quase rituais. Ele a surpreendia quando ela estava de costas — lavando louça na pia profunda de aço inox, organizando a despensa com seus armários modulares de madeira freijó importada, ou pegando algo em prateleiras baixas onde precisava se agachar. A mão dele descia rápida, assertiva, fazendo um som seco e inequívoco — *plap* — contra a carne da nádega esquerda ou direita, a ardência imediata irradiando como um choque elétrico. Quando ela se virava, indignada, chocada, pronta para protestar verbalmente pela primeira vez, ele tinha um sorriso inocente, de menino travesso que sabe que sua beleza e seu status o tornam adorável demais para ser punido de verdade.

— Desculpe, nona — ele usava o diminutivo maternal, italianizando o apelido com um sotaque fingido que a infantilizava e a sexualizava simultaneamente, transformando-a em uma figura de autoridade familiar degradada a objeto de brincadeira. — Você tem uma bunda que pede isso. É culpa sua, de certa forma. Objeto de desejo causa desejo. É física básica. Ação e reação newtoniana, aplicada ao tesão humano.

A ambiguidade retórica era genial, uma armadilha perfeita que ele havia aprendido não em livros de psicologia, mas em anos de observação de relações desiguais na alta sociedade paulistana. Se ela reclamasse abertamente, seria a empregada sem senso de humor, a ingrata que ganhava sete mil reais por mês — mais do que o salário combinado dela e de Rafael em qualquer mês anterior — e não aguentava uma "leve intimidade", uma "brincadeira inofensiva". Se ficasse brava, seria "histérica", "hormonal por causa da gravidez", "ingrata com a generosidade da família". Se ela não reclamasse, estava dando permissão tácita, abrindo a porta para o próximo estágio da escalada, normalizando o toque como parte do "contrato implícito" do emprego. Ele a via dividida, via o cálculo frenético nos olhos verdes dela — o aluguel que venceria em dez dias, o ultrassom particular marcado para a semana seguinte custando trezentos reais, o enxoval que começava a se formar com fraldas e roupinhas compradas em promoções versus a dignidade abstrata, o respeito próprio que não pagava contas, o marido que a amava mas não podia protegê-la desse mundo — e isso o excitava mais do que a carne em si. A hesitação dela, a negociação interna visível em cada microexpressão facial, a derrota gradual dos princípios morais diante da necessidade material imediata era o verdadeiro afrodisíaco para seu narcisismo patológico.

A punheta "acidental" marcou o ponto sem retorno, o momento em que o toque casual evoluiu para o contato sexual explícito, ainda envolto em uma camada fina de negabilidade para que ela pudesse racionalizar e continuar. Ele a chamava para o quarto com pretextos cada vez mais frágeis — uma camisa que precisava de um botão costurado com urgência para um evento da noite, um terno que precisava ser passado a vapor para um jantar importante com investidores estrangeiros, tarefas domésticas que eram claramente pretextos para isolá-la em um espaço privado, longe dos olhos de Helena ou dos empregados eventuais. Quando ela entrava no quarto dele — um santuário de minimalismo opulento, com cama king-size coberta de lençóis de linho egípcio, paredes de vidro com vista para a cidade, um home theater embutido e um closet que rivalizava com lojas de grife, cheirando a couro italiano, madeira de lei brasileira e o perfume amadeirado dele —, ele estava sempre em algum estado de desarrumação calculada que beirava a obscenidade: acabando de sair do banho com a toalha branca perigosamente baixa na cintura, revelando a base do pau semi-ereto; ou deitado na cama king, lendo um livro de economia comportamental de Daniel Kahneman, com as pernas abertas casualmente em uma pose que convidava o olhar para o volume entre as coxas; ou, naquela tarde específica de quarta-feira abafada, sentado na cadeira ergonômica de couro preto em frente ao laptop MacBook Pro, completamente nu da cintura para cima, exibindo o torso perfeito, e da cintura para baixo coberto apenas pelas mãos, que se moviam ritmicamente, obviamente, inquestionavelmente, masturbando-se com uma lentidão deliberada que transformava o ato em espetáculo.

— Ah, Larissa — ele disse, sem parar o movimento da mão direita que subia e descia pelo pau grosso, veias pulsantes, glande brilhante e úmida de pré-gozo que escorria em fios transparentes —, justo a pessoa que eu queria ver. Preciso de sua opinião sobre algo urgente. Mas dê-me um segundo, estou quase terminando esta... sessão de relaxamento.

Ela deveria ter saído correndo. Deveria ter gritado, denunciado ao RH imaginário daquela casa, fugido para o elevador de serviço e nunca mais voltado. Mas ficou parada na porta, o corpo paralisado por um misto de choque, medo e uma curiosidade mórbida que ela odiava em si mesma. A porta do quarto fechou-se automaticamente atrás dela com um clique suave e definitivo que soou como a tranca de uma prisão de segurança máxima ativada remotamente. Ele a observava enquanto se masturbava, os olhos azuis fixos nos dela com uma intensidade hipnótica, e a mão que segurava o pau — grande, rosado, a glande inchada como uma cereja madura brilhando de fluido — movia-se em movimentos lentos, deliberados, demonstrativos, educando-a visualmente sobre o que ele esperava dela, sobre o que ela agora devia fornecer, sobre o contrato implícito que ela havia assinado ao aceitar o primeiro cheque.

— O que... o que o senhor está fazendo? — ela conseguiu sussurrar, a voz presa na garganta seca, embora a resposta fosse óbvia para qualquer ser senciente com mais de dez anos de idade.

— O que parece que estou fazendo, Larissa? — ele respondeu, a voz levemente rouca e ofegante de tesão, sem o menor vestígio de constrangimento ou vergonha, como se estivesse apenas coçando uma coceira incômoda em público. — Estou aliviando uma tensão acumulada. Você causa essa tensão, sabia? Desde que você entrou nesta casa com essa barriga crescendo dia após dia, eu acordo duro como pedra todas as manhãs. Duro e dolorido. E fico pensando... pensando em você neste estado. Grávida. Fértil. Disponível para quem pode pagar o preço. Tão próxima fisicamente e tão distante moralmente. É quase insuportável essa distância. Você me deixa assim o dia inteiro. É justo que eu me alivie na sua frente.

Ele se levantou devagar, ainda se tocando com uma mão enquanto a outra apoiava no braço da cadeira, exibindo o pau ereto em toda sua glória — vinte e dois centímetros de comprimento, circunferência grossa como o pulso dela, veias proeminantes pulsando com o sangue acelerado, a glande rosada e brilhante de pré-gozo que escorria em gotas lentas, pingando no carpete persa importado sem que ele se importasse minimamente. Ele caminhou em direção a ela com passos lentos, deliberados, como um felino aproximando-se da presa paralisada pelo medo. Ela recuou instintivamente até bater nas costas na porta fechada de madeira maciça, sentindo a superfície fria e lisa contra a blusa úmida de suor, enquanto ele parava a centímetros de distância íntima demais para ser acidental, o pau apontando diretamente para ela, quase tocando a blusa de algodão branco que ela usava como uniforme, a ponta úmida deixando uma gota translúcida de fluido que manchou o tecido em um ponto escuro e irregular, marcando-a permanentemente.

— Toque — ele ordenou, ofegante, a voz um rosnado baixo de comando absoluto. — Só um toque. Para eu saber que você aceita isso. Que você entende o contrato implícito que assinou no primeiro dia. Que você está disposta a ser... completa. Não apenas cozinheira de comida caseira. Mas minha. Totalmente minha. Toque e veja o que você faz comigo.

— Eu sou noiva... — ela sussurrou, invocando o título como um escudo mágico, uma última defesa verbal contra o inevitável, mas a mão dela já subia, já se estendia contra a vontade consciente, traída pelo comando hipnótico da voz dele, pela curiosidade mórbida que crescia como erva daninha, pela excitação proibida que o corpo dela já secretava.

— Noiva — ele riu, uma risada curta e cortada pelo prazer de seu próprio toque e do dela agora, porque ela estava movendo a mão, hesitante no início, insegura como uma criança tocando fogo pela primeira vez, mas movendo, estimulando-o, sentindo a textura aveludada da pele esticada, a temperatura febril, a realidade pulsante dele que parecia vivo, independente, faminto. — Noiva de quem, exatamente? De um homem que não pode comprar nem os sapatos que você usa agora? Que não pode pagar o parto particular no Albert Einstein que você marca para a próxima semana? Que não pode dar ao seu filho o berço ortopédico importado da Itália, as roupinhas orgânicas da França, a babá particular que você já está considerando? Você está casada com a pobreza, Larissa. Casada com boletos, com noites sem dormir contando moedas, com a humilhação de ser "pobre mas feliz". E eu estou oferecendo o divórcio. O divórcio com todos os benefícios.

Ele gozou na mão dela então, jatos quentes, espessos, viscosos que escorreram entre os dedos trêmulos dela, pingando no carpete persa importado sem que ele se importasse minimamente com o custo da limpeza especializada que seria necessária depois, manchando a blusa de algodão branco que ela usava como uniforme em pontos irregulares e permanentes que gritavam culpa. Ele gemeu alto, um som gutural de rendição masculina absoluta que a excitou profundamente, porque era ela que o causava, ela que o fazia perder o controle tão completamente, ela que tinha esse poder sobre o corpo dele, mesmo estando de pé, imóvel contra a porta, com a mão suja de porra e culpa misturada.

— Limpe — ele disse depois, recuperando o fôlego em segundos, a arrogância retornando instantaneamente ao rosto como uma máscara que nunca caía realmente por muito tempo. — Com a boca. Limpa sua mão. É educado. Não se desperdiça nada nesta casa. Não se desperdiça o que é meu.

E ela fez. Levantou a mão trêmula à boca e lambeu devagar, o gosto salgado, metálico, único dele preenchendo sua boca como uma comunhão profana, e enquanto fazia isso, ele a observava com um sorriso de posse absoluta, de conquista total, sabendo que havia cruzado uma linha irreversível, que ela agora era cúmplice ativa de sua própria degradação, que o primeiro toque sexual havia sido dado, e que os próximos seriam inevitáveis.

## PARTE II.II: O CICLO DO SILÊNCIO

Por que ela não pediu ajuda a Rafael? Essa é a pergunta que os observadores externos fazem, que os juízes fazem em tribunais vazios de contexto, que a sociedade faz para se isentar da culpa coletiva de criar sistemas onde a pobreza é violência em si. O silêncio de Larissa não era consentimento explícito; era sobrevivência estratégica e vergonha estrutural, um mecanismo de defesa construído ao longo de gerações de mulheres condicionadas a carregar o peso do mundo sem reclamar.

Rafael era um homem bom, no sentido clássico e trágico do termo. Um professor de História que acreditava na educação como ferramenta de transformação social, que lia Paulo Freire nas madrugadas, que corrigia provas até as três da manhã com uma caneta Bic barata, sonhando com um Brasil onde o conhecimento nivelasse as desigualdades. Ele amava Larissa com uma devoção quase religiosa, uma fé inabalável que via nela não apenas uma parceira, mas uma santa laica, a portadora de seu futuro. Ele beijava a barriga dela toda noite, sussurrava histórias para o bebê ainda não nascido — "um dia você vai ser engenheiro ou médico, filho, ou o que quiser, mas vai ter o que eu não tive" —, fazia planos impossíveis com o salário contado nos dedos.

Como Larissa poderia chegar em casa depois de um dia no triplex — com o cheiro de Gabriel ainda impregnado em seus poros apesar dos três banhos, com o gosto fantasma de sêmen na boca mesmo após escovar os dentes até sangrar —, e dizer a esse homem: "Hoje o filho do meu patrão roçou o pau duro na minha bunda enquanto eu cozinhava, e eu fiquei molhada"? Ou "Hoje eu segurei o pau dele na mão e senti ele pulsar, e parte de mim gostou do poder que isso me dava"? Contar seria destruir Rafael, quebrar a única coisa pura que restava na vida dela, admitir em voz alta para si mesma que estava sendo violentada e, ao mesmo tempo, cedendo voluntariamente a partes dela.

Ela não pediu ajuda a Rafael porque, quando percebeu, já não acreditava que tivesse direito a ajuda. O processo de corrupção não foi apenas sexual; foi, sobretudo, perceptivo. Aos poucos, o que Gabriel foi destruindo nela não foi simplesmente a fidelidade, mas a capacidade de nomear o que estava vivendo como abuso, como violência, como algo que *merecesse* ser dito em voz alta para alguém que a amava.

Na superfície, a vida com Rafael permanecia quase igual. Ele continuava acordando às cinco e meia, preparando um café rápido antes de sair para a escola com a mochila pesada de provas e livros. Ela continuava mandando mensagens no meio da manhã — "comeu?", "não esquece do boné, o sol tá forte" —, e ele respondia com fotos de quadros negros cheios de datas e setas, piadas sobre alunos sonolentos e diretores incompetentes. Aos olhos de vizinhos, parentes, colegas, eles eram o casal de sempre: pobres, cansados, mas cúmplices, com um brilho novo nos olhos por conta do bebê que crescia.

As noites, no entanto, mudaram de textura. Antes, eram o espaço de intimidade, o lugar do toque, do sexo simples e desajeitado na cama estreita, do abraço depois, das conversas sussurradas no escuro sobre o futuro. À medida que a gravidez avançava e o envolvimento dela com o triplex se aprofundava, essas noites foram sendo corroídas por uma exaustão que não era apenas física, mas moral.

Larissa chegava em casa depois de doze, treze horas de trabalho, muitas delas consumidas não pela cozinha, mas pela lógica distorcida de servidão sexual que Gabriel impunha. O corpo doía, a garganta ardia, a cabeça latejava. O bebê se mexia mais à noite, como se protestasse contra as tensões do dia. Rafael, que não sabia de nada, interpretava aquele cansaço como resultado do esforço de uma mulher grávida que trabalhava demais, e redobrava a gentileza: fazia massagem nos pés dela, aquecia a comida, lavava a louça, insistia para que ela deitasse cedo.

— Você não precisa se matar de trabalhar — ele dizia, passando a mão pela barriga dela, com uma ternura que doía. — Eu dou um jeito. Pego mais aulas, mais reforços. Esse dinheiro é bom, eu sei, mas não vale sua saúde.

E era exatamente aí que a armadilha de Gabriel se fechava. Porque a cada gesto de cuidado honesto de Rafael, a culpa crescia em Larissa como um tumor. E a culpa, combinada com a dependência financeira e emocional que o apartamento gerava, produzia o isolamento perfeito. Ela começou a evitar falar do trabalho em detalhes. Quando Rafael perguntava sobre Helena, sobre Gabriel, sobre a rotina, ela respondia com generalidades:

— É muito chique lá... — dizia, rindo sem graça. — Tudo grande demais. Dá até medo de quebrar as coisas.

— Eles te tratam bem? — Rafael insistia, olhando nos olhos dela, procurando o mínimo sinal de desconforto.

— Tratam — ela mentia, e a mentira doía mais nela do que qualquer estocada de Gabriel. — A dona Helena é exigente, mas justa. E o filho... ele quase não aparece. Só reclama da comida de vez em quando. Coisa de playboy, nada demais.

Não era que Rafael fosse cego; era que ela o cegava para preservá-lo. E, num nível mais fundo, para preservar a si mesma. Porque admitir para Rafael o que estava acontecendo significaria admitir, em voz alta, para si mesma, que estava sendo violentada e, ao mesmo tempo, cedendo. Significaria ouvir a própria voz dizer: "eu deixei". E isso, naquele momento, era insuportável.

Havia também um medo mais prosaico e brutal: medo de que Rafael, ao saber, reagisse. Que fosse até o prédio na Faria Lima, que enfrentasse Gabriel, que fosse esmagado — física, econômica e simbolicamente — por aquele mundo que não era o dele. Ela imaginava o marido, magro, óculos tortos, camisa social barata, enfrentando o herdeiro e o patriarca de um império imobiliário com segurança privada, advogados, polícia na folha de pagamento. Via o rosto dele machucado, via a humilhação de ser demitido da escola por "confusão", via o nome dele no SPC porque não poderia mais pagar as contas. E via o bebê no colo, sem pai, sem dinheiro, sem futuro.

Mais fundo ainda, havia a vergonha. A vergonha que não é lógica, mas estrutural, cultural, martelada desde sempre na cabeça das mulheres: se aconteceu, é porque você deixou. Se você "ainda está indo lá", é porque, no fundo, quer. Se o corpo gozou, então não foi tão violência assim. Essa mistura tóxica de crenças tornava quase impossível que Larissa se visse como vítima pura. Ela se via como cúmplice, pecadora, "mulher fácil" — todas as categorias que a sociedade reserva para deslegitimar o sofrimento de quem foi violentada.

Então, quando Rafael a abraçava na cama e perguntava, com o que ele achava ser apenas curiosidade carinhosa:

— E aí, amor, como foi o dia?

Ela respondia:

— Cansativo, mas bom. Cozinhei muito. Eles gostaram.

E calava.

O sexo entre os dois rareou. Primeiro por causa da gravidez — cansaço, enjoo, desconforto —, depois por causa de algo mais viscoso. Larissa não suportava o contraste. O corpo dela, agora treinado para responder às intensidades brutais de Gabriel, às humilhações que vinham com orgasmos devastadores, às situações-limite de asfixia e submissão, tinha dificuldade em se excitar com a delicadeza de Rafael. O cuidado dele, que antes era afrodisíaco, passou a ser doloroso. O amor honesto destacava, por contraste, a sujeira em que ela vivia no triplex. Cada vez que ele a tocava com reverência, como se ela fosse um vaso frágil carregando o filho deles, ela sentia como se estivesse sujando as mãos dele com algo que não poderia ser lavado.

Ele notou. Não era burro, nem insensível.

— Você não quer? — perguntou uma noite, afastando-se imediatamente quando sentiu o corpo dela endurecer ao toque. — Tudo bem, amor. Eu entendo. Você está cansada. A gravidez muda tudo.

Ela virou de costas e fingiu dormir, o peito apertado, os olhos ardendo no escuro. Quis dizer: "Não é a gravidez. É que estão me usando como um objeto enquanto você dá aula para adolescentes. É que eu gozei hoje com a boca cheia de outro homem, e agora não consigo deixar você me beijar sem sentir o gosto dele ainda." Mas o que saiu foi:

— É só cansaço mesmo. Te amo. Dorme.

O silêncio na casa deles começou a crescer. Não o silêncio confortável de dois que se conhecem bem, mas aquele silêncio tenso entre perguntas não feitas e respostas que não podem ser dadas.

## PARTE II.III: O BATISMO DE FOGO

A humilhação de Rafael começou em seguida, não presencialmente, mas espectralmente, como uma forma de consolidar a dominação mental sobre Larissa. Gabriel começou a fazer perguntas sobre o noivo, insistindo em detalhes íntimos, comparando-se favoravelmente, destruindo a imagem do homem que Larissa amava com a precisão de um cirurgião removendo um tumor. Ele perguntava enquanto a penetrava com os dedos na cozinha, ou enquanto ela o mamava no escritório, ou enquanto simplesmente a segurava contra a parede, imóvel, vulnerável, exposta.

— Ele te come quantas vezes por semana? — Gabriel perguntou uma noite, o dedo médio dentro dela, profundo, massageando o ponto G, fazendo-a arfar contra a bancada fria. — Duas? Três? Ou o professorzinho está sempre cansado? Sempre preocupado com boletos? Sempre sem tesão de verdade?

— Não... não fale dele... — ela suplicava, mas o corpo respondia aos dedos dele, não aos protestos verbais. A vagina contraía-se ao redor da invasão, úmida, receptiva, traidora.

— Ele te faz gozar? De verdade? Ou você finge, como boa moça que é, para não magoar o ego frágil dele? — Gabriel acelerava o ritmo, encontrando o ritmo exato, fazendo as pernas dela tremerem. — Eu aposto que você finge. Que você nunca gozou de verdade com ele. Que você nem sabia o que era gozar até eu te mostrar. Não é verdade? Diga que é verdade. Diga que ele é incompetente. Diga que ele é pobre e incompetente e incapaz de te satisfazer como você merece.

— É... é verdade... — ela mentia, ou talvez não mentisse, já não sabia mais, a memória do prazer com Rafael sendo borrada pela intensidade brutal do prazer com Gabriel, o orgasmo se aproximando como uma locomotiva desgovernada. — Ele não... não consegue... como você...

— Como eu — Gabriel repetiu, triunfante, e a fez gozar naquele momento, apertando o clitóris com o polegar, mergulhando os dedos fundo, sentindo as contrações da vagina dela ao redor deles, ordenhando-a. — Goza pensando em mim. Goza sabendo que você é minha. Que ele é corno, que não sabe, que está preparando aula enquanto você goza com os dedos do patrão na sua buceta grávida.

Ela gozou, e chorou, e ele a segurou, e pelo momento, pareceu quase terno, quase humano, se não fosse pelo sorriso de predador que acompanhava a ternura, se não fosse pela forma calculada como ele a segurava, não para confortar, mas para sentir o peso dela em seus braços, a evidência física de sua posse, o troféu vivo de sua vitória sobre a moralidade alheia.

Foi em uma tarde de quinta-feira, quando a gravidez estava com seis meses, a barriga proeminente, redonda, a pele esticada e brilhante, que Gabriel decidiu que era hora de elevar o ritual, de transformar a submissão em espetáculo total. O calor de São Paulo transformava o triplex em uma estufa de luxo, onde o ar-condicionado parecia lutar em vão contra a temperatura. Larissa sentia o suor escorrendo pelas costas enquanto preparava um almoço que ninguém comeria.

— Fique de joelhos — ele ordenou, entrando na cozinha nu da cintura para baixo, o pau duro apontando para ela como uma acusação. — Agora. Aqui. No chão de mármore.

— Por favor... aqui não... a cozinha... alguém pode entrar... — ela tentou, recuando.

— Aqui. Exatamente aqui — ele insistiu, a voz dura, impaciente. — Quero que você engula o meu gozo enquanto eu penso no que vou almoçar. Quero que você seja o aperitivo. A entrada.

Ele avançou, agarrou o cabelo dela — soltando-o do coque com um puxão que arrancou alguns fios — e a forçou de joelhos. A barriga grávida tornava a posição desconfortável, dolorosa, a pressão do peso do útero sobre as coxas, a necessidade de abrir as pernas para equilibrar-se.

— Abre — ele rosnou, e quando ela hesitou, ele apertou a mandíbula dela, forçando a boca a se abrir. — Disse abre. Não é pedido. É ordem.

Ele enfiou o pau de uma só vez, profundamente. A glande atingiu a parte posterior da boca, bloqueando o ar. Ele continuou empurrando, mais fundo, sentindo a resistência da garganta, o reflexo de engasgo.

*Gluck!*

— *Ahn...* tão quente... tão apertado... — ele gemeu, segurando a cabeça dela, começando a foder a boca com estocadas rítmicas, brutais. — Toma. Toma tudo. Sem ar. Sem respirar. Só o meu pau. Só a minha vontade.

Larissa tentava respirar, mas ele estava muito fundo. Suas mãos subiram, batendo contra as coxas dele, empurrando, mas ele riu, apertando mais forte o cabelo, penetrando ainda mais fundo.

— *Gluck... gluck... gluck!* — Os sons eram animalescos. Saliva e pré-gozo escorriam, pingando no chão. Seus olhos lacrimejavam, o rosto vermelho, as veias saltadas, a língua tentando em vão empurrar o invasor.

— Não lute — ele sussurrou, ofegante. — Aceita. Deixa acontecer. É mais fácil. É mais gostoso.

Ele aumentou o ritmo, transformando a boca dela em um objeto. Larissa sentia a visão escurecer, a asfixia criando uma euforia química. Suas mãos pararam de bater, caindo flácidas. Ela sentiu uma onda de rendição absoluta.

— *Isso...* — ele sentiu a mudança. — *Isso, sua putinha. Desmaia para mim. Deixa o ar acabar. Deixa eu te sentir desmaiar no meu pau.*

Ele empurrou a última estocada, a mais profunda, bloqueando completamente a respiração, e gozou. Jatos copiosos de esperma quente desceram diretamente para a garganta, para o estômago, enquanto ela convulsionava, engasgava, perdia a noção do tempo.

Quando ele se retirou, um fio de saliva e gozo conectava a glande aos lábios inchados dela. Larissa desabou no chão, colapsando de lado, ofegante, buscando ar em respirações desesperadas, o rosto molhado de lágrimas e sêmen.

Ele a observou cair, com uma fascinação clínica. Abaixou-se, tocou o rosto dela com uma delicadeza obscena.

— Meu Deus... — ele sussurrou, num teatro de preocupação psicopata. — Larissa... querida... você está bem? Fale comigo. Respire. Eu me deixei levar... fui muito longe... você desmaiou? O bebê... meu Deus, o bebê... — Ele colocou a mão sobre a barriga dela. — O bebê está bem? Sinta... sinta se está tudo bem. Eu não queria machucar você... machucar *eles*... foi a paixão... você me deixa louco.

A preocupação falsa era pior que a violência. Ele a fazia sentir culpada por ter desmaiado. Larissa ofegava, incapaz de falar.

— *A-ah...* — ela gemeu.

— Não fale — ele ordenou suavemente, limpando uma gota de sêmen do queixo dela. — Descanse. Deixe-me cuidar de você.

Ele mudou de posição. Ajoelhou-se estrategicamente, posicionando as bolas — grandes, pesadas, úmidas — suspensas acima do rosto dela. E então, baixou-se, esfregando-as contra a bochecha, o nariz, a boca dela, marcando-a com o cheiro dele.

— Diga-me — ele murmurou, esfregando as bolas contra a boca dela. — Como está o bebê? Os exames... estão tudo bem? O médico... disse que é menino ou menina? Me conte... quero saber se está saudável.

Ele a silenciava com as bolas, transformando cuidado em violação.

— É... é menino... — ela sussurrou, a boca movendo-se contra a carne dele. — Os exames... estão bons... Rafael... está feliz...

— Rafael — Gabriel repetiu, esfregando as bolas mais forte. — Ele está feliz, sim. Feliz e ignorante. Acreditando que é o pai orgulhoso. Coitado... ou sortudo? Talvez sortudo. Porque enquanto ele sonha com berços, eu tenho a mãe de joelhos. Eu tenho a boca dela. Eu tenho... tudo.

Ele se levantou, ajustando-se. Estendeu a mão para ajudá-la, a gentileza do carrasco.

— Vamos, querida. Levante-se. Arrume-se. Meu pai está chegando, e ele detesta ver desordem.

## PARTE II.IV: O CHEGADA DO PATRIARCA

A porta do apartamento se abriu com um som de trava eletrônica, e o ar da sala pareceu mudar, tornando-se denso, carregado. A figura de Gabriel Cavalcanti Senior atravessou o vão da porta, ocupando o espaço com a naturalidade de um imperador. Ele era uma versão fossilizada do filho: a mesma estatura, mas com a gravidade de quem já destruiu impérios antes do café. Vestia um terno de lã italiana cinza-chumbo, gravata de seda azul-marinho, o rosto um mapa de poder — mandíbula quadrada, barba por fazer cinza-escura, olhos cinza-azulados glaciais que avaliavam o ambiente como um software contábil.

Ao ver Larissa — rosto vermelho, lábios inchados, avental manchado —, ele não demonstrou surpresa. Pareceu satisfeito. Como quem encontra uma mercadoria no estado encomendado.

— Então você é a menina — ele disse, a voz grave, modulada. — A cozinheira. A grávida. A noiva do professor.

Pronunciou "professor" com um desdém tão sutil que Larissa sentiu-se diminuída.

— S-sim, senhor — ela balbuciou.

Gabriel Senior aproximou-se com precisão milimétrica. Parou a um metro, cheirando a uísque envelhecido, couro e dinheiro. Exigiu que ela erguesse o rosto, encontrando seus olhos com dominância econômica.

— Meu filho tem bom gosto — ele disse, e o filho riu baixinho. — Embora goste de brincar demais com a comida antes de comê-la. É impaciente. Mas isso é juventude. — Ele estendeu a mão, mas parou no ar, apenas apontando. — Você tem um brilho nos olhos que não é completamente quebrado. Isso é raro. A maioria, no seu nível de... "dificuldade financeira"... já tem o olhar vitrificado. Mas você ainda luta. Ainda espera pelo "felizes para sempre". É... romantismo. Aquela doença dos pobres.

Ele sorriu, afiando as arestas do ambiente.

— Mas não se preocupe — continuou, caminhando até a ilha central, servindo-se de uísque. — O romantismo é tratável. É uma questão de dosagem correta de realidade. Um pouco de realidade econômica por dia, e logo você estará... curada.

Virou-se, copo em mão, observando-a.

— Gabriel — disse ao filho. — Você está sendo generoso demais. Generosidade sem contrapartida clara é má gestão. Se você quer a moça, precisa formalizar a transação. Deixar claro o que está sendo comprado e quais são as cláusulas de rescisão.

— Eu tenho formalizado — Gabriel Junior respondeu, passando o braço pelos ombros do pai. — Ela aceita o dinheiro. Aceita os presentes. Aceita... mim.

— Ah, mas aceitar sob coação não é aceitar de verdade — o pai corrigiu, os olhos fixos no filho, transferindo conhecimento antigo. — Aceitar de verdade é quando a outra parte tem alternativa e mesmo assim escolhe você. É quando você oferece tanto que a dignidade se torna um custo irrecuperável. É quando você transforma a resistência moral em... oportunidade de investimento.

Voltou a olhar para Larissa, com avaliação fria.

— O noivo — disse como conclusão. — O professor. Ele sabe?

— Não — Larissa sussurrou.

— Ele vai saber — Gabriel Senior declarou. — E quando souber, vai perdê-la. Ou melhor, ele vai perdê-la, porque você já não é a mesma. Já não é a noiva pura. Você é... complicada. Tem segredos. Dívidas. E dívidas, querida, precisam ser quitadas.

Deu um passo em sua direção e tocou-a. Não como o filho, mas como quem avalia gado. Segurou o queixo dela, virou o rosto para a luz, examinando os olhos vermelhos, a pele marcada pelo sexo.

— Bonita — avaliou, soltando-a. — Mas comum. Não vale o que meu filho está pagando, objetivamente. A não ser... pelo valor adicional da humilhação. Do espetáculo. Da... performance.

Caminhou até a mesa, sentou-se, cruzando as pernas impecavelmente.

— Aqui está o que vamos fazer. Você, menina, vai continuar trabalhando. Vai continuar recebendo bônus. Meu filho vai continuar... usufruindo. Mas vamos elevar isso. Vamos tornar isso... educativo.

Tirou do bolso um maço de notas de quinhentos reais e jogou sobre a mesa.

— Vou convidar o noivo para jantar — anunciou com um sorriso frio. — Vou oferecer a ele uma aula de economia prática. Vou mostrar o que é a elasticidade-preço da dignidade. Vou demonstrar como a teoria do valor-trabalho foi superada pela teoria do valor-subjetivo, onde tudo vale aquilo que alguém está disposto a pagar. Inclusive a honra. Inclusive o amor.

Olhou para o filho com cumplicidade de predadores.

— E ele, o professor, vai nos pagar para destruir a história dele. Vai nos pagar para reescrever a narrativa do amor dele como transação comercial. Vai sentar-se nesta cadeira e vai assistir, e vai agradecer pela oportunidade. Porque é isso que fazemos, Gabriel. Nós educamos. Nós mostramos às pessoas quem elas realmente são: o preço que elas aceitam.

Olhou finalmente para Larissa, que estava imóvel, sentindo o mundo desmoronar.

— Prepare-se, querida. A próxima fase da sua educação começa quando o seu noivo aceitar o convite. E ele vai aceitar. Eles sempre aceitam. Todos querem saber quanto valem. E eu vou mostrar a ele. Vou mostrar que ele vale exatamente o que eu estiver disposto a pagar. E que ela... — apontou para Larissa — ...ela vale muito mais do que ele imagina. Mas muito menos do que ela mesma acredita.

O silêncio foi preenchido pelo zumbido do ar-condicionado. Um novo acordo era feito, uma nova aliança selada. Larissa sentia que nunca mais seria a mesma, que o bebê cresceria sob a sombra de um pacto não de amor, mas de economia pura e implacável. Ela olhou para Gabriel Junior, buscando algum sinal, mas encontrou apenas o espelho do pai: a certeza absoluta de quem compra almas no atacado.

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Comentários

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A história esta sensacional e capturou muito bem o eterno ego de alguns ricos que acham que podem tudo com seu dnheiro Obs : Mude o valor das células pois ficou exagerado 500 reais kkk

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Não sabia que já tinham sido impressas cédulas de 500 reais.kkkkk

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