Os dias que se seguiram foram uma coreografia de sombras e luzes. Na faculdade, eu mergulhava nos códigos e doutrinas, mas o Direito era um tédio comparado ao que eu vivia em casa. Fiz amizades, discuti teses e troquei olhares com a Vitória, mas nada apagava o magnetismo perverso da Tijuca. A proximidade com Ana Beatriz crescia a cada noite; ela se tornara minha confidente intelectual, mas seus olhos verdes eram sentinelas que vigiavam cada movimento meu e da Mariana, mantendo a tensão da casa em um nível insuportável.
A oportunidade surgiu em uma quinta-feira. Minha mãe, Camila, estava de folga, e Ana Beatriz tinha um julgamento longo. Era a brecha. Saímos separados para não levantar suspeitas. Encontramo-nos um quarteirão depois e pedimos um Uber para o Motel na Barra. Pegamos a suíte master: espelhos no teto, hidromassagem e uma cadeira erótica que prometia o caos.
Assim que a porta se fechou, Mariana se transformou. Ela arrancou o vestido em um movimento só, revelando que não usava sutiã e vestia apenas uma calcinha de renda minúscula que desaparecia no seu bumbum imenso.
— "Eu vou te drenar hoje, João. Quero cada gota de você," — ela rosnou, empurrando-me para a cama redonda.
Foram quatro rodadas de puro delírio. Na primeira, eu a possuí de quatro, segurando seus cabelos castanhos com força e socando o pau nela com uma fúria animal. O som da minha carne batendo contra a bunda dela era ensurdecedor. Mariana gritava palavras chulas, implorando para que eu a tratasse como a "putinha do irmão". Ela gozou de forma violenta, as paredes da buceta esmagando meu membro enquanto ela revirava os olhos. Eu não aguentei e descarreguei um jato quente e grosso dentro dela, sentindo nossos suores se misturarem.
Sem tempo para respirar, fomos para a cadeira erótica. Coloquei-a sentada sobre mim em um ângulo que permitia que eu entrasse até o fundo. Eu via os seios fartos dela balançando freneticamente enquanto ela subia e descia com uma maestria que me deixava sem ar.
— "O que a Ana diria se visse a irmãzinha dela assim, sendo arrombada pelo caçula?" — ela sussurrava, com um sorriso de perdição.
A terceira vez foi na hidromassagem. A água quente borbulhava enquanto eu a penetrava por trás, apoiada na borda de mármore. O contraste do calor da água com a pegada firme nas suas coxas grossas era o paraíso. Finalizamos a quarta rodada ali mesmo, com ela sentada no meu colo, gozando juntas em um espasmo que parecia eterno.
O banho foi um espetáculo à parte. Sob o chuveirão de alta pressão, nós nos ensaboamos com uma lentidão torturante. Minhas mãos exploravam cada curva do corpo violão dela, enquanto ela se ajoelhava para me dar um último boquete profundo, limpando o rastro do nosso sexo antes de sairmos.
Antes de nos vestirmos para encarar a realidade da Tijuca, desabamos exaustos na cama redonda. Ficamos abraçados sob o lençol de cetim, o ar-condicionado gelado contrastando com o calor que ainda emanava das nossas peles. Mariana apoiou a cabeça no meu peito, e o silêncio que se seguiu não era de luxúria, mas de algo muito mais denso.
— "João... você não tem ideia de como eu esperei por isso," — ela começou, a voz baixa, quase um desabafo. — "Não é só o sexo. Eu tenho esse sentimento guardado aqui dentro desde que a gente era criança. Eu te olhava e sabia que era errado, que você era meu irmão, mas o meu coração não entendia de leis. Eu escondi isso de todo mundo, até de mim mesma, tentando ser a irmã legal."
Eu fiquei em choque. As palavras dela me atingiram com mais força que qualquer estocada. Eu sempre a vi como a provocadora, a irmã do meio que queria quebrar as regras, mas nunca imaginei que houvesse uma raiz tão profunda.
— "Quando você foi embora para Curitiba, eu senti como se tivessem arrancado um pedaço de mim," — ela continuou, os olhos cor de mel fixos nos meus. — "Eu fiquei arrasada. E quando você voltou... Deus, quando você abriu aquela porta muito mais homem, para mim foi mágico. Parecia que o destino estava me dando uma segunda chance. Por isso que a vigilância da Ana dói tanto. Ela está jogando um balde de água gelada em algo que eu levei anos para conseguir tocar."
Eu não tinha reação. Fiquei mudo, processando a revelação. Eu nunca tinha visto maldade na Mariana até voltar a morar com elas; achava que era apenas a rebeldia do Rio. Mas, ao sentir o corpo dela colado ao meu, percebi que eu também sentia algo diferente. Não era apenas tesão; era uma conexão proibida que o tempo em Curitiba só fez fermentar.
— "Eu também sinto, Mariana," — sussurrei, apertando-a mais contra mim. — "É confuso e assustador, mas eu também sinto."
Ficamos ali, suspensos naquele momento de honestidade brutal, até que o relógio nos lembrou que o tempo no santuário da Barra estava acabando. Levantamos e nos vestimos devagar, cada peça de roupa parecendo uma armadura que éramos forçados a vestir novamente. Antes de abrirmos a porta da suíte, Mariana me puxou pela gola da camisa. Selamos nossa despedida com um beijo longo, lento e carregado de promessas — um beijo que carregava o gosto de tudo o que tínhamos vivido ali e a certeza de que, apesar da vigilância, não haveria volta.
Voltamos para casa separados. No jantar, Camila estava radiante, sem desconfiar de nada. Ana Beatriz, porém, estava alerta. Seu olhar inquisidor buscava qualquer falha na nossa atuação, mas o segredo estava bem guardado sob a pele.
Alguns dias depois, a barreira da "sentinela" finalmente rachou. Estávamos no quarto da Ana para mais uma mentoria. O ar-condicionado rugia no máximo, mas o ambiente parecia carregar uma eletricidade estática. Ana Beatriz estava deslumbrante em sua simplicidade: usava uma regata de seda preta que contrastava com a alvura de sua pele e deixava seus ombros atléticos à mostra. Enquanto ela explicava um conceito complexo, eu me perdi. O tempo parecia ter congelado. Eu não ouvia mais sobre Direito Civil; eu estava hipnotizado pelo movimento dos lábios dela e pelo brilho dos seus olhos verdes sob a luz do abajur.
A troca de olhares tornou-se insuportável. A fala dela foi diminuindo, perdendo a força, até que ela parou, com o livro ainda aberto. O silêncio que se seguiu queimava mais do que o sol da Tijuca. Ficamos nos encarando por segundos que pareceram horas, uma ponte de desejo sendo construída no vácuo.
— "João, o Direito exige... exige foco..." — a voz dela falhou em um sussurro quase inaudível.
Eu não recuei. Aproximei minha cadeira da dela, sentindo o perfume floral amadeirado inundar meus sentidos. Levei a mão ao rosto dela com uma lentidão reverente, acariciando sua bochecha. Para minha surpresa, a sentinela não se moveu; ela fechou os olhos, entregando-se ao toque. Inclinei-me e a beijei.
Não foi um beijo tímido. Foi profundo, urgente, uma colisão de línguas que carregava toda a repressão dos últimos anos. Minha mão desceu com firmeza para a cintura dela, puxando seu corpo atlético contra o meu, enquanto a outra subiu e, com uma ousadia que me fez tremer, apalpou seus seios por cima da seda fina. Senti o bico rígido contra a minha palma e ouvi um gemido agudo escapar da garganta dela. Ana não era inexperiente, ela sabia o que era prazer, mas o desejo que emanava ali era de uma natureza selvagem que ela nunca tinha permitido aflorar.
Ela retribuiu o beijo com uma fome desesperada, seus dedos se enterrando no meu cabelo, puxando-me para mais perto, como se quisesse fundir nossas peles. Por um momento glorioso, a moralidade foi esquecida.
Mas então, o choque da realidade a atingiu. Ela recobrou a consciência de forma violenta, como se tivesse levado um soco. Ana me empurrou com força, os olhos arregalados de pavor e o rosto tingido por um vermelho profundo de vergonha.
— "Sai daqui! Agora!" — ela gritou, a voz trêmula. — "Isso é errado! O que eu fiz? Sai do meu quarto, João! Fora!"
Minha mente era um turbilhão. Onde estava o João que buscava recomeçar? O gosto de Ana Beatriz era diferente do de Mariana; enquanto a do meio era fogo e urgência, Ana era algo denso, uma barreira de gelo que, ao derreter, revelava uma entrega assustadora. Eu estava preso entre dois polos: a paixão antiga e confessada da Mariana e a fenda na armadura da Ana, que agora carregava a marca do meu beijo junto com o peso da própria culpa.
Eu tinha acabado de provar o fruto proibido das duas extremidades daquela casa. Olhei para a porta fechada de Ana e depois para o corredor que levava ao quarto de Mariana. O jogo tinha mudado. Eu não era mais um convidado em busca de perdão; eu era o epicentro de uma guerra silenciosa de desejos. Respirei fundo, sabendo que, a partir daquela noite, cada encontro pelos corredores seria uma sentença. A Casa das Três estava em chamas, e eu era quem segurava o fósforo.
