Capítulo três - Desafio
Domingo, 11 de Março de 2007
“Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos.” (Efésios 5:3)
Fala sério Paulo, com todo respeito, mas lançar essa para o povo de Éfeso foi meio que vacilo. Muitos pastores usam alguns versículos bíblicos para condenar a bronha. Agora eu te pergunto, como eu faço para evitar de ter uma ereção no meio do café da manhã? Desde ontem tenho lutado contra mim mesmo para evitar me tocar pensando no senhor perfeitinho — a raiva de querer fazer isso até que tá ajudando — mas só de pensar que em algum lugar no multiverso das possibilidades possa rolar algo já me faz querer descabelar o palhaço desesperadamente.
Nunca tive nenhuma experiência sexual, só beijos e uma mão boba que rolou com meu primeiro e único namoradinho da escola, mas o que eu bati de punheta pensando nos colegas não tá no gibi — eu tenho uma mente fertil — porém desde que me batizei e meu pastor passou a condenar o ato eu tenho vivido um verdadeiro celibato. No começo foi um pouco mais difícil, só que minha sexualidade estava tão bem enterrada que eu já estava quase parecendo um impotente. Então o Isaac começou a falar bobagens para mim e agora eu quero muito me masturbar pensando no corpo magro e durinho dele.
Duvido o Pastor achar ele um bom exemplo se soubesse disso. Ele me mataria só por cogitar desviar um ovelhão tão perfeito e depois cairia no conto do senhor perfeito de que a culpa desse pecado era toda minha. Quero saber fantasiar com coisas que não vão acontecer, não vão me levar para lugar nenhum, o melhor que eu posso fazer agora é estudar.
Ontem eu escapei do vôlei dando uma desculpa de dor de cabeça, só que eu preciso mesmo é pensar em uma maneira de me manter longe do Isaac, o pior é que meu pai quer que a gente seja melhores amigos. Tudo que eu sei é que estou a beira de um colapso nervoso que vai acabar comigo no chuveiro mandando meus futuros filhos pelo ralo, depois uma semana na neura de que meu pai descubra o que eu diz e me mate, que nem ele tentou fazer com o próprio irmão — tá, pesei o clima, desculpa.
No meu quarto posso ter um tempo só para mim, quando estou estudando meu pai não costuma chamar para fazer nada, a não ser que seja realmente necessário. Só tenho que dizer que está um pouco mais difícil focar no meu plano de estudo hoje, sempre que me distraio vem o senhor perfeitinho na minha cabeça. Durante a manhã inteira não consegui render quase nada, por isso depois do almoço eu tiro para dormir. Pelo menos dormindo eu não vou fazer besteira.
No meu sonho entretanto, mas aí Eterno, não é culpa minha né. Não diretamente! No meu sonho Isaac me acorda deitando sobre mim, ele está trajado para o culto — que pecado Senhor — sua boca não encontra a minha, mas cada parte do meu corpo que ela toca é como se ardesse em brasa. Nunca tinha sentido tanto tesão assim, mesmo sabendo se tratar de um sonho é tudo muito real, o peso do seu corpo sobre mim, sua boca chupando minha pele. É tudo tão intenso que me tira do colchão, meu corpo tem urgência da sua pele, agora perdi tudo quando a dureza veio de encontro a minha. Não estava mais aguentando, comecei a arrancar sua camisa, quando estava prestes a revelar a imensidão de sua intimidade ouço a esposa do Pofifá me chamando.
— Jonas, acorda, seu pai quer sair daqui a pouco — ela esperou até o último momento para me chamar, tenho certeza que foi só para o Pastor brigar comigo quando eu me atrasar.
Pior que o sonho me fez acordar duro e totalmente suado. Mal entrei no banho e o pastor já começou a gritar comigo, na maior parte do tempo faço de tudo para não contrariá-lo, justamente por conhecer seu temperamento quando está bravo comigo. Ele fica menos amoroso ainda, se é que isso é possível.
Me visto o mais rápido que consigo, só que eu sou muito ruim na amarração da minha gravata e sob pressão fica pior, só que se eu apareço na sala com essa gravata mal colocada é pedir para ouvir ele reclamando comigo até o próximo domingo. Ele é o pastor não pode se atrasar e chegar sem sua família é muito ruim, sendo assim eu aceito minha derrota e saio com a gravata amarrada porcamente.
Os olhos do pastor me fuzilam, mas estamos tão atrasados que ele nem consegue brigar comigo.
— Tira essa gravata.
— Sim senhor.
— Nem amarrar uma gravata esse menino sabe Adalberto, parece que ele faz de propósito, não é possível que depois de tanto tempo ele não tenha aprendido ainda.
— Agora não tenho tempo para isso, você já me atrasou o suficiente, vai sentar lá atrás e não quero um pio seu até a gente voltar para casa ouviu Jonas?
— Sim senhor — abaixo a cabeça e tento engolir o meu choro, não fiz por mal, mas isso não importa, para ele eu vou ser sempre o errado.
No templo eu faço o que ele mandou, sentou atrás e ficou na minha. O culto ainda não começou, mas por ele ser o pastor tem que ser sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Esse trabalho mudou a vida do meu pai, por isso entendo sua devoção à igreja e ao seu chamado. Eu sei que posso parecer um filho rebelde, mas não sou, eu queria que ele me amasse, de verdade, eu não o odeio, afinal ele foi o que voltou por mim, bem diferente dela, aquela mulher que me largou para trás feito uma mobília velha.
Sentados na frente estão os Vasconcelos, o patriarca Ramon sentado no púlpito ao lado das lideranças, e na primeira fileira sua esposa irmã Soraia, o filho mais velho Isaac e a filha mais nova de uns sete anos, Felipa. Eles parecem tão perfeitos, exemplares, também puderam limpar o nome da igreja eles enviaram a elite crente para cá. Antes do culto começar vou no banheiro, preciso limpar meu rosto, não estou chorando, mas é por um fio que estou segurando minhas lágrimas, meu pai vai ficar puto comigo mais tarde quando me ver tocando bateria bem na frente.
Tento mais uma vez por minha gravata, mas isso é uma ciência que definitivamente eu não domino, parece que quanto mais eu tento mais torta ela fica, é um terror. Não devia está fazendo isso, pois cada vez que eu falho só me dá mais vontade de chorar, pior que agora não estou acertando mais nem o quase bom que normalmente eu uso.
— Problemas com a gravata? — Tomo um susto quando vejo o reflexo do Isaac no espelho do banheiro.
— Eu vou acertar.
— Deixa de ser orgulhoso, vem aqui — ele me vira para que eu fique de frente para ele — o mais importante é acertar na média.
— Claro que o senhor perfeitinho é craque em por gravata!
— Sabe de uma coisa, eu até que curto quando você me chama de senhor perfeitinho.
— Claro que você gosta, é convencido que nem o Nabucodonosor — Isaac adora rir das coisas que eu falo, isso é tão irritante, pois é o oposto do que eu espero que ele faça quando o insulto — qual a graça?
— É que você é muito marrento — sinto como se tivesse uma revoada de pássaros na minha barriga quando ele diz isso estando tão perto de mim com suas mãos quase no meu rosto — eu curto.
O nó da gravata está perfeito, mas ele não a solta ainda. Depois de dizer que curti eu ser marrento eu não sei o que fazer, mas ficar calado não é a melhor opção então me solto dele e mesmo nervoso o confronto, ele não vai continuar brincando comigo desse jeito.
— Devia tomar cuidado, quem brinca com fogo pode se queimar.
— Não tem problema, porque eu acho que vale a pena pular essa fogueira.
Isaac me puxa pela gravata e cola seus lábios no meu. Nesse momento meu cérebro reiniciou, literalmente. Seu hálito é de menta, até um pouco refrescante, ele não tem barba e nem eu, mesmo assim é diferente, eu não beijei tanta gente assim também para saber né, o que eu estou fazendo não sei, nem sei o que está passando na minha cabeça, também não foi um beijo, foi mais um selinho, não teve língua então não foi um beijo, estou totalmente certo disso. Eu já beijei, sei a diferença de um selinho para um beijo.
Foi só por uns segundos, mas para mim parece ter durado uma eternidade, no instante em que nossas bocas se afastaram sinto uma saudade avassaladora da boca dele na minha, que maluquice, ne? Isaac me beijou e depois saiu me deixando sozinho no banheiro. Levo a ponta dos meus dedos para tocar meus lábios, ainda não acredito no que rolou.
Me forço a sair do transe em que estou por causa da banda, eu tenho que tocar, vou correndo para a bateria — atrasado para variar — Isaac nem olha para mim, não sei o que pensar, foi um acidente? Não, não foi, ele me puxou. Será que ele está surtando que nem eu, mas olhando assim ele parece normal. Ele só está brincando comigo, será? Poxa, o que esse beijo significou para mim? São tantas perguntas e nenhuma resposta, estou surtando aqui, mas então nossos olhos se encontram e ele pisca para mim, de alguma forma isso me conforta um pouco e assim consigo focar em acompanhar a banda como no ensaio.
Meus olhos não conseguem se desviar dele, para mim só tem eu e o Isaac aqui, estou tocando para ele e acho que jamais toquei tão bem que nem hoje. Ele foi a primeira pessoa a ameaçar meu castelo de cartas, a estremecer as estruturas do meu armário, eu odeio esse medido, mas também o desejo. Estou perdido, o Senhor me ajude a lidar com esse tufão de sentimentos girando dentro da minha barriga, as tais borboletas estão em completo caos aqui dentro.
O culto termina. Toquei tão bem que isso parece até ter dado uma melhorada no humor do pastor. Mas não sou tão ingênuo, ainda sei que vem castigo por aí por ter feito ele se atrasar. Enquanto foi só castigo eu posso lidar, meu medo é que um dia ele me bata e que quando comecei não consiga mais parar como ele fez com o irmão dele. Sendo justo o Pastor nunca me bateu, mas mesmo sem levantar a mão para mim o medo que tenho do peso da mão dele já é suficiente para me manter sob pressão e alerta sempre que estamos perto um do outro.
— Você foi ótimo Jonas — elogia o Joaab.
— É filho do pastor, você deu o nome — se esse é o plano do Isaac para me fazer esquecer o selinho e voltar a detestar ele, parabéns funcionou muito bem, pois agora quero esganar ele por continuar me chamando de filho do pastor.
— Vamos comer pizza, você vem com a gente né Jonas? — Raabe insiste em ser legal comigo, me sinto até mal por ter uma antipatia inexplicada com a pessoa dela.
— Meu pai não vai deixar, mas na próxima vai dar certo — digo, mas dessa vez é o Henrique que questiona.
— Você sempre diz na próxima e depois nega o convite seguinte de novo Jonas.
— É verdade gente, meu pai não vai me deixar ir, eu estou quase certo que estou de castigo até — falo, pois sei que chateado do jeito que ele ficou, não tem nem perigo de me liberar para sair com o pessoal.
Certo de que não vou a lugar nenhum começo a organizar a igreja guardando as coisas e desligando o som e tudo mais, já estou tão acostumado com essa tarefa que o pastor nem precisa mais me pedir para fazer. Não sei quais são as intenções do Isaac, mas ele fica para me ajudar, assim como o pessoal da banda.
— Pastor, o culto hoje foi muito bom, estava mesmo precisando ouvir essa mensagem — o senhor perfeitinho é um puxa saco de marca maior é incrível a cara de pau que esse cara tem.
— Que bom que você gostou.
— Fazia tempo que não tinha uma pregação boa assim por aqui — ele dobra meu pai melhor do que a minha madrasta — pastor, a gente vai sair para comer pizza agora, o Jonas pode vir com a gente?
— Pode, mas Jonas, amanhã você tem escola então dez e meia quero você em casa, entendeu?
— Sim senhor — estou atônito, nunca pensei que ele fosse deixar.
Isaac exibe um sorriso vitorioso, só espero que meu pai não ache que eu quem pediu para ele perguntar se eu podia ir, enfim não quero comer pizza com eles, mas agora que o pastor deixou falar que não quero vai ser bem mais difícil, então né não me resta muito o que fazer além de sair com eles para comer essa tal pizza.
Raabe é uma moça legal, só que o grude dela com Isaac é irritante, ela devia se dar ao respeito, ficar se atirando assim nele é desesperado e fora que todo mundo sabe que ele não quer ela, ainda sim a menina guarda nele feito um carrapato, fala sério, alguém avisa. Henrique senta do meu lado, na ponta da mesa está o Isaac, de frente para mim Raabe e do lado dela o Joaab.
— Oi Isaac, tudo bem? — O garçom o cumprimenta — a de sempre?
— E ai Paulo, cara só um minuto — ele se vira para mim — filho do pastor você come pizza de frango?
— Como sim — só não o ignorei em respeito aos outros na mesa e também para não atrapalhar o trabalho do garçom, mas juro que vou chutar a bunda ele se continuar me chamando assim.
— Perfeito então, pode trazer a e frango, só que dessa vez, só frango mesmo viu Paulo! — Ele confirma o pedido, mas Raabe é a primeira a protestar.
— Ué e o catupiry?
— O filho do pastor é alérgico.
— A catupiry? — Joaab pergunta confuso.
— A lactose, ele é intolerante — eu sou, mas lembro que falei isso para ele quando estávamos nos aprontando na bike, mesmo assim Isaac lembrou e ainda pediu para pizza vir sem o catupiry, não esperava por isso.
— É, mas a pizza vem queijo — Raabe insiste que quer catupiry e seu argumento é válido, até já estou pronto para ceder e pedir qualquer outra coisa no cardápio, mas o senhor perfeitinho não ganhou esse apelido à toa.
— Por isso é melhor reduzir no leite que vai ter e assim o remédio faz efeito.
— Remédio? — Joaab falou um pouco antes de mim, mas quase fui eu quem perguntei primeiro.
— Lactase, aqui você toma um antes e comer — e simplesmente ele tira uma cartela de comprimidos do bolso e me entrega, estou em choque.
— Por que você está com o remédio do Jonas com você? — Henrique pergunta desconfiado, estou quase tendo uma síncope.
— Porque ele esqueceu de pegar com o pastor, aí ele me pediu que entregasse para o filho dele.
— Ah, lógico — Raabe aceitando a explicação dele e o peste vai além e diz enquanto olha para mim.
— Vocês pensaram o que? Que eu fui à farmácia e comprei um remédio para intolerância à lactose só para o caso do filho do pastor vir comer pizza com a gente — todos caem na risada.
Só que foi exatamente o que aconteceu, até porque para o pastor minha intolerância a lactose é só frescura, já que ele nunca conheceu ninguém que morreu por causa disso. Eu já tinha lido algo sobre esse remédio, só que nunca tinha comprado, estou meio dividido agora, ele me provoca depois me beija, isso me provoca de novo e agora está cuidando da minha alergia e agora ele pretende me provocar de novo?
A pizza chega e tenho que dizer que está uma delícia, estamos aproveitando a promoção, que na compra de uma grande a gente ganha outra pequena, ao todo dá doze pedaços, Raabe come apenas um, pois ela é magra do tipo que come pouco. Joaab como três pedaços, Henrique mais três, sobrando cinco, Isaac que resolveu me surpreender dividiu um dos pedaços no meio e assim eu e ele comemos três pedaços, ou melhor dois e meio.
Os meninos são legais vai, até a Raabe também, claro se não fosse o fato dela tentar chamar atenção do Isaac o tempo todo, ela só faltou pedir para ele servir a pizza na boca dela, pela amor do Eterno e o pior é que esse desviado percebe quando eu reviro os olhos e aí que dá corda para ela mesmo, a boba nem percebe que a intenção dele com ela é só me encher o saco — tá me passei de novo, não tem nada haver, ele pode até gostar dela vai, só uma peça não está encaixando — o selinho que ele me deu no banheiro.
— E ai Jonas, gostou da pizza? — Henrique pergunta.
— É muito boa sim — Isaac abre um sorriso todo orgulhoso por me ver admitir que gostei.
— Isaac, vai me levar para casa? — Raabe nem parece crente se jogando para ele dessa forta.
— Não, hoje eu vou com o Jonas, para ele não ir só, mas o Henrique pode te levar né Henrique?
— Levo sim — ela parece não gostar, porém não protesta.
— Se você quiser pode levar ela, eu sei ir para casa sozinho — aproveitou um momento em que o pessoal se distrai para cochichar para ele.
— Não falei que você não sabe.
— Então você quer me levar para casa? — Estou jogando o jogo dele, falo isso da forma mais insinuativa possível.
— Sim — sua resposta me pega de surpresa, mas isso nem é o pior, ele me deixa nervoso com uma das suas piscadelas.
— Sim, o que? — Filho dá mãe voltou o negócio para mim.
— Eu quero te deixar em casa — Isaac nem pensa, só fala, mas por sorte, ou nem tanta assim, Raabe nota que estamos falando de algo privado e entra no assunto.
— O que vocês estão falando?
— Nada, só o Jonas que esqueceu o dinheiro e está com vergonha me pedindo para pagar a parte dele — filho da mãe, ele sabe que não vou poder negar.
— Eu posso pagar sua parte se quiser Jonas — Henrique se oferece.
— Obrigado Henrique, eu acerto com você amanhã — Isaac parece não ter curtido, mas ele que se dane, não vou deixar ele vencer.
— Não precisa — Henrique é muito legal.
Nos despedimos do pessoal e seguimos nosso caminho para casa. Eu sei que o Isaac quer que eu brigue com ele por conta da mentira que ele contou na mesa, mas não vou fazer o que ele quer, sigo para casa em silêncio. Isaac caminha do meu lado sem dizer nada, pior que eu quero bater boca com ele, pois isso meio que virou uma coisa que eu gosto muito de fazer — mas não vou admitir isso para ele jamais.
— Jonas, tá chateado comigo?
— Não, estou de boas — digo tentando soar muito convincente — você devia ter ido com Raabe, tá na cara que ele quer ficar com você — ele fica calado olhando para mim, como se estivesse avaliando o que acabei de dizer.
— Nada haver, a gente é só amigo e não sou fura olho.
— E você iria furar o olho de quem? — Para mim ele só está de desculpas.
— O Henrique, ele é apaixonado por ele desde moleque.
— Tá falando sério? — Agora fiquei chocado.
— Estou — ele parece convincente e parando para pensar, Henrique parece mesmo caidinho por ele.
— Mas ela claramente gosta de você — insisto.
— Muitas me querem, mas sou pra casar.
— Ah tá, beleza senhor perfeitinho, tenho certeza que você vai ser um ótimo marido.
— Vou sim, quer casar comigo pra ver? — Ele diz só para me provocar, mas mesmo sendo piada, tudo dentro de mim começa a se revirar, meu corpo reagi a ele de formas inimagináveis.
Me pergunto se o Isaac faz ideia do efeito que ele tem sobre mim, o selinho desregulou tudo aqui dentro, nunca estive tão confuso sobre alguém como estou com ele, até onde ele iria só para me provocar, ou será que essa provocação tem um dedo de verdade? Tenho medo do que pode acontecer se eu me jogar demais nessa “brincadeira” e me ferrar depois.
— Caso sim, com certeza — me esforço para soar mais debochado.
— Eu quero te levar em um lugar — ele simplesmente muda de assunto — para comemorar nosso noivado.
— Claro, quando? — Continuo sendo debochado.
— Hoje, à meia noite para ser mais preciso.
— Ah claro!
— Tô falando sério — pior é que eu acho que ele está mesmo.
— Vai pedir ao pastor também?
— Não acho que ele iria deixar você sair comigo, mas eu entendo, você não é tão durão quanto eu pensei.
— Eu não sou uma criança Isaac, não vou cair na sua provocação, sair depois da meia noite o pastor me mata — digo.
— Tranquilo, só é uma pena, eu acho que você ia gostar — não sou uma criança, mas ele entrou na minha mente.
— Se ele descobrir você assume a culpa? — Digo, mesmo sabendo que o pastor me mataria mesmo assim.
— Claro!
— Quer saber, beleza, meia noite então — estendo minha mão para ele, quero ver até onde ele vai.
— Ai sim, você não vai se arrepender — isso é o que ele diz, mas já me sinto arrependido de apertar sua mão.
— Para onde vamos?
— Surpresa, me encontra na esquina da nossa rua, só vou te dizer isso.
Olha isso está me cheirando roubada, mas agora já fiz o vacilo de aceitar, voltar atrás agora só vai dar mais munição para ele me encher o saco — eu posso está um pouco curioso também, — cruzo os dedos torcendo para não dar merda — quer dizer para não dar ruim, desculpa Senhor!
