Quando o amor incomoda - 25

Um conto erótico de mrpr2
Categoria: Gay
Contém 1271 palavras
Data: 16/02/2026 19:08:57

Na loja Elegance, o ar-condicionado zumbia baixo, mas o clima entre os três era mais gelado que o freezer da geladeira de casa. Marilda arrumava as vitrines com gestos mecânicos, batendo as portas de vidro um pouco mais forte do que o necessário, enquanto Rogério contava o troco na caixa registradora com uma cara de quem mastigava limão azedo. Gurizão, fingindo ser o funcionário-modelo do mês, passava e repassava as mesmas camisas na arara do fundo, olhos saltando de um lado pro outro como se estivesse assistindo a um jogo de tênis invisível.

Ele quase deu um pulo mortal quando sentiu uma presença pesada ao seu lado. Virou devagar, coração na garganta, e lá estava Rogério, braços cruzados, olhando fixo pra ele.

— E aí, Gurizão... — começou Rogério, voz baixa e suspeita. — Cadê o Luiz Felipe? Ele não vem hoje?

Gurizão engoliu seco, forçou um sorriso torto e coçou a nuca com força exagerada.

— Ah, pai... quer dizer, seu Rogério... — gaguejou, rindo nervoso. — Eu não sei dele não. Mas ele deve tá chegando, sabe como é, ele é pontual... mais ou menos.

Rogério estreitou os olhos por uns segundos eternos, depois bufou e virou as costas, voltando pra caixa. Gurizão soltou o ar que nem sabia que estava segurando, encostou na arara como se as pernas fossem virar gelatina e murmurou pra si mesmo:

— Caralho, quase infartei... esse homem tá com radar de corno ativado.

Enquanto isso, na rua, Luiz Felipe avistou Gustavo correndo de forma estranha — passos curtos, ombros encolhidos, como quem foge de fantasma e Marcelo atrás. O coração dele apertou na hora.

— Gustavo! — chamou, já começando a correr atrás. Mas parou de repente, olhou pro relógio de pulso e praguejou baixinho. — Merda... loja... — Resmungou, deu meia-volta e seguiu apressado pra Elegance, o peito apertado de preocupação.

Chegando na loja, mandou mensagem atrás de mensagem pro Gustavo:

“Amor, o que aconteceu?”

“Me responde, por favor”

“Tô preocupado”

“Gustavo???”

Nenhuma resposta. Gustavo lia, mas deixava no vácuo.

Rogério no caixa observando cada detalhe Luiz Felipe inquieto, nervoso mandando milhares de mensagens, Gurizão fingindo organizar roupas, Marilda recebe mensagem, Rogério fica atento, Luiz Felipe largou o celular no balcão com um baque surdo, passou as mãos no rosto e soltou um suspiro longo, como se o ar doesse. Rogério desconfiado passa a mão no rosto.

Marcelo, sem saber o que fazer com Gustavo chorando no banco da praça, pegou o celular e ligou pra Manu.

— Manu, vem pra cá urgente! O Gustavo tá um caco, tá falando que o Luiz Felipe é um babaca... — sussurrou, olhando pro amigo encolhido.

Manu chegou rápido, abraçou Gustavo forte, passou a mão nas costas dele em círculos lentos.

— Calma, amigo... respira... — Murmurou ela, voz suave. — Vamos pro estúdio, lá você descansa, toma um chá, e depois a gente vê isso direito.

Gustavo assentiu, fungando, e deixou ela guiá-lo pelo braço.

No horário de almoço, Marilda se despede de Rogério dizendo que vai buscar marmita, Luiz Felipe momentos depois, não aguentou mais. Largou a loja nas mãos de Gurizão.

_ Se o Rogério perguntar, eu fui no banheiro!

Luiz Felipe correu pro Studio de fotos. Chegou ofegante, bateu na porta de vidro. Manu saiu, braços cruzados, olhar de quem não ia facilitar.

— Ele não quer falar com você agora, Luiz — Disse ela, firme, mas sem raiva. — Tá magoado pra caramba.

Luiz Felipe sentiu o chão sumir. Passou as mãos no cabelo, puxando os fios com desespero.

— Então você sabe?

— Óbvio

— E o Eduardo?

— Nem imagina.

— Manu, por favor... eu preciso explicar... foi tudo um mal-entendido... — implorou, voz tremendo. — Eu amo ele, caralho. Me deixa falar com ele só um minuto...

Manu suspirou, amolecendo um pouco ao ver os olhos vermelhos dele.

— Tá bom... mais tarde. Eu convenço ele. Mas agora deixa ele respirar, ok? Vai embora antes que ele veja você e piore.

Luiz Felipe assentiu, derrotado, e saiu arrastando os pés.

No final da tarde, Miguel e Brian apareceram na porta da casa de Romário. O negro já saiu de dentro da casa debochando com seu sorriso sínico sem dizer uma palavra, o moreno fechou o punho e acertou um soco direto na cara do primo, que voou pra trás e caiu sentado na grama.

— Porra, Romário! — berrou Miguel, veias saltando no pescoço. — Por que cê tá perturbando o Kenji, seu filho da puta?!

Romário limpou o sangue do lábio, riu debochado mesmo com o beiço inchando.

— Calma, primo... só tava zoando o monge viadinho. Vocês dois defendendo ele... Hummmm que fofo, hein?

Miguel avançou de novo, punhos cerrados, rosto vermelho de fúria. Brian agarrou ele por trás, braços fortes em volta da cintura, misturando português e inglês num desespero cômico:

— Para, Miguel! Stop it, amor! Não vale a pena, ele é um idiota! Calma, por favor... don’t do this!

Longe da confusão Luiz Felipe segue para a praça dos namorados.

_ Hummmm onde você vai com tanta pressa assim gatinho?

Pergunta Milena, sendo ignorada por Luiz Felipe.

Romário continuou rindo, mesmo com sangue escorrendo.

— Olha só... o gringo segurando o maricas. Que lindo... vai virar novela das oito?

Miguel se debateu, mas Brian o segurou firme, Kenji chegou correndo e sussurrando no ouvido de Miguel até ele parar de tremer de raiva o convenceu a ir para casa.

Gustavo passa em frente a casa de Romário e o vê se levantando limpando a boca.

_ Está olhando o que? Perdeu alguma coisa aqui?

Grita Romário. Gustavo segue seu caminho sem nada responder.

Enquanto isso, no bairro mais afastado, a Praça dos Namorados brilhava no fim de tarde: rosas vermelhas e brancas em canteiros bem cuidados, flores coloridas balançando na brisa leve, bancos de madeira sob árvores antigas. Um lugar feito para ser contemplado iniciar namoros, fotos de casamento e reconciliações.

Gustavo chegou, mãos nos bolsos, olhar baixo. Luiz Felipe já estava lá, sentado num banco, joelhos tremendo de ansiedade. Quando viu Gustavo, levantou num pulo, olhos marejados, correu e abraçou Gustavo.

— Gustavo... — começou, voz rouca. — Me deixa explicar...

Gustavo cruzou os braços, mas não fugiu. Ficou parado, esperando, enlaçado pelos braços fortes de Luiz Felipe.

Luiz Felipe falou devagar, como quem anda em campo minado.

— Eu não quis magoar você... nunca. O que aconteceu com o Romário foi só briga de rua, eu tava defendendo o Kenji porque ele é meu amigo. Juro que não tenho nada com o Kenji. Você sabe como o escroto do Romário é um idiota.

Gustavo fungou, olhos brilhando.

— Você me deixou de lado, Luiz... de novo. Eu me senti... invisível.

Luiz Felipe deu mais um passo, estendeu a mão trêmula e tocou o rosto dele com carinho, polegar limpando uma lágrima que escorria.

— Você nunca é invisível pra mim. Você é tudo. Eu te amo tanto que dói... — sussurrou, voz falhando. — Me perdoa? Por favor...

Gustavo hesitou, mas depois se rendeu. Deixou Luiz Felipe puxá-lo pra um abraço apertado, rosto enterrado no pescoço dele. Luiz Felipe beijou a testa, depois a bochecha, depois os lábios, um beijo lento, desesperado, cheio de alívio e amor. As mãos dele subiram pelas costas de Gustavo, apertando como se nunca mais fosse soltar.

— Eu te amo... — murmurou Luiz Felipe entre beijos. — Nunca mais fuja de mim por um mal entendido.

Gustavo retribuiu, mãos no rosto dele, beijando de volta com a mesma intensidade.

— Eu também te amo...

Os dois riram baixinho, ainda abraçados, testa colada na testa, respirando o mesmo ar.

Mas, escondido entre os arbustos altos da praça, uma silhueta agachada ajustava o celular. O zoom aproximou, capturando o beijo longo, as mãos entrelaçadas, os sorrisos tímidos depois. A pessoa apertou gravar, um sorriso maldoso se formando nos lábios.

Autor Mrpr2

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