O silêncio que se seguiu à afirmação de Lucas na sala dos professores era denso, quase palpável. Eu ainda sentia o rastro do seu olhar castanho-claro percorrendo o meu rosto, uma curiosidade que não era apenas acadêmica. Lucas inclinou o corpo levemente para trás, a polo azul-marinho esticando sobre o peito largo e bem desenhado, os braços negros e fortes cruzados com uma confiança que parecia desafiar a sua própria idade.
— Como assim, Lucas? "Surpreso com o que você curte"? — perguntei, tentando manter o tom profissional, embora minha pulsação tivesse acelerado.
Lucas soltou uma risada curta, um som aveludado que pareceu vibrar nas paredes da sala.
— Ah, é verdade... não é nada demais, Bernardo. É que eu sou uma pessoa muito eclética. Eu me divirto com pouca coisa, sabe? Qualquer coisa me atrai. Seja parar para beber algo num barzinho sujo, sair para comer... ou uma balada. Pô, eu adoro uma balada à noite. Música alta, gente se curtindo... Eu vivo a vida no máximo. Por isso eu disse que você não imaginaria o quanto eu curto.
Eu ri, sentindo uma pontada de admiração. A energia dele era contagiante, um contraste direto com a minha postura mais contida.
— Tudo bem, eu entendi perfeitamente — respondi, observando a linha do seu maxilar definido. — Eu sempre fui um pouco careta, focado demais nos livros, no concurso. Mas acho que agora, com a nomeação, eu quero me soltar um pouco mais. Aproveitar.
Lucas levantou-se num movimento ágil, revelando sua estatura imponente. Ele se aproximou e me deu um leve "ombreio", um toque de camaradagem masculina que enviou um formigamento pelo meu braço.
— Você é novo, cara. Tem que aproveitar. Mas eu também deveria focar mais como você. Passar para esse estágio já foi uma luta, imagina conseguir um cargo fixo aqui.
— É questão de disciplina, Lucas. Você chega lá — falei, sentindo o calor que emanava dele.
Nesse momento, a porta se abriu e o burburinho dos professores retornando do turno da manhã invadiu a sala. Beto entrou logo em seguida, com seu andar elegante e aquele aroma amadeirado que parecia precedê-lo. Seus olhos grisalhos brilharam ao nos ver juntos.
— Ah, vocês já estão aí, conversando... que ótimo — Beto disse, aproximando-se. — Daqui a pouco o refeitório abre. Vocês vão almoçar por aqui hoje?
— Eu vou — Lucas prontificou-se. — Não trouxe nada de casa.
— Eu também. É bom para conhecer o ritmo da escola — concordei.
— Perfeito. Depois do almoço, temos o costume de ir à sorveteria aqui do lado. É quase um rito de passagem para os novos — Beto piscou para mim, e eu não pude deixar de notar como a aliança em seu dedo brilhava sob a luz fluorescente.
O almoço foi simples, a típica comida de colégio estadual, mas a companhia tornava tudo mais interessante. Sentamos em uma mesa reservada, nós três. Beto falava sobre as burocracias com uma paixão que eu raramente via em coordenadores, enquanto Lucas ouvia atentamente, ocasionalmente lançando olhares furtivos para mim.
— Vamos ao sorvete? — Beto chamou assim que terminamos.
Fui rápido até a sala dos professores pegar minha carteira. Quando cheguei ao portão, os dois já estavam lá, conversando de forma animada. Notei uma certa eletricidade na forma como Beto gesticulava perto de Lucas, uma vibração que eu ainda não sabia decifrar.
— Vamos — anunciei, aproximando-me.
A sorveteria era pequena, mas colorida, cheia de opções. O calor pedia algo gelado.
— Vocês são novatos, então aproveitem. Hoje eu pago — Beto declarou, generoso.
— Nossa, tantas opções... — murmurei, correndo os olhos pelos potes.
— O melhor daqui é o de Ovomaltine. É o meu vício — Beto sugeriu, olhando para mim com uma intensidade que parecia sugerir que ele também gostaria de provar outros sabores.
— Ah, eu vou no tradicional — Lucas disse, com um sorriso sacana. — Chocolate. Um pretinho sempre cai bem, né?
Olhei para ele e ri da brincadeira óbvia.
— É, chocolate sempre cai bem... mas eu vou querer maracujá.
— Maracujá? — Beto e Lucas perguntaram em coro, estranhando.
— Gosto de frutas. Acho mais leve, mais elegante para o pós-almoço — expliquei.
Beto riu, encostando levemente o ombro no meu enquanto esperávamos o atendente.
— Faz sentido. Você é um cara elegante, Bernardo. Professor de Francês também, afinal.
Lucas arregalou os olhos castanhos.
— Você dá aula de Francês também?
— Oui, je donne des cours de Français — respondi com uma pronúncia perfeita, sentindo o prazer de ver a surpresa no rosto dele. — Sim, eu dou aulas de francês.
— Que massa! Mas aqui você vai dar também?
— Não, aqui foco em Literatura e Português. Por isso somos parceiros — respondi enquanto saboreava o azedinho do maracujá.
Voltamos para o colégio sob o sol forte. O tempo estava curto. Beto despediu-se de nós no corredor principal.
— Preparados para a primeira turma? — ele perguntou, sua mão descansando por um segundo a mais no meu ombro.
— Sempre — respondi.
Subi as escadas com Lucas ao meu lado. Ele parecia inquieto.
— Você está nervoso, Lucas? É sua primeira vez em sala?
— Ah... eu já fiz monitoria, mas aula real, com diário e tudo, não.
— Relaxa. Tenho um exercício de primeiro dia que sempre funciona. Quero que você participe como aluno, para quebrar o gelo. O que acha?
— Fechado — ele disse. — A turma é de terceiro ano, né? Quase minha idade.
— E quase a minha também — lembrei, rindo.
No meio da escada, Lucas parou e me olhou seriamente, a voz baixando de tom.
— O Beto é tão legal, né? E bonito também... com aquele cabelo grisalho, estilo coroa gato.
Eu ri, surpreso com a franqueza.
— Você... achou ele bonito?
— Ah, Bernardo... você não percebeu? Eu gosto de homem também.
Parei o passo, olhando para aquele jovem negro imponente diante de mim. O vigor físico dele agora ganhava um novo contexto na minha mente.
— Para ser sincero, eu fiquei na dúvida quando você falou que eu ficaria surpreso com o que você curte... mas agora está claro.
Lucas riu, batendo a palma da mão na minha num aperto nervoso.
— É que eu fiquei sem jeito. Eu não sou assumido, entende? Especialmente no trabalho. Mas como temos a mesma idade, achei que podia falar.
— Fica tranquilo, Lucas. Seu segredo está guardado comigo. Ninguém tem preconceito aqui, mas eu respeito seu tempo.
— Ufa! Não quero perder o emprego. Mas que tem uns garotos bonitinhos nesse colégio, ah, isso tem. E o Beto... para a idade dele, ele é um gato. Pena que é casado, né? Você viu a aliança.
— Eu vi — respondi, sentindo uma pontada de curiosidade sobre a vida secreta daquele coordenador. — Chegamos. Sala 3004. Vamos?
Entramos. A sala estava um caos de vozes adolescentes. Lucas pegou uma carteira e a colocou estrategicamente ao lado da minha mesa. Fui até o quadro negro e, com o giz, escrevi em letras grandes e firmes:
OLÁ. QUEM É VOCÊ?
Esperei cinco minutos em silêncio, observando as expressões de espanto dos alunos que entravam. Lucas fechou a porta a meu pedido. Eu me levantei, ajustando a camisa que marcava meu peito, e encarei a turma com um olhar que misturava autoridade e sedução intelectual.
— Oi, turma. Boa tarde.
O burburinho na sala diminuiu assim que dei o comando. Os olhares curiosos dos adolescentes de terceiro ano saltavam entre mim e o Lucas, que estava sentado ao meu lado com uma postura que mesclava a autoridade de um instrutor com o vigor de um atleta. A polo dele, agora um pouco mais úmida pelo calor, marcava a definição dos seus ombros, e eu podia sentir a energia vibrante que ele emanava.
— Bom, eu sou o Bernardo, o novo professor de Literatura de vocês — anunciei, minha voz ecoando com uma firmeza que me surpreendeu. — A ideia hoje é uma dinâmica para nos conhecermos. Não precisam de papel ou caneta. Hoje, o duelo é de vozes.
Apresentei Lucas como meu braço direito. Quando ele se levantou para falar, o efeito foi imediato: um coro de sussurros das garotas percorreu as fileiras. Ele era uma presença magnética. Dividi a turma pelo número da chamada — pares com Lucas, ímpares comigo.
— O primeiro duelo será entre os mestres — provoquei, olhando para ele. — Lucas, comece.
Ele se apresentou com uma facilidade invejável. Aos 19 anos, ele tinha uma segurança que muitos homens de trinta não possuem. Quando revelou que seu livro favorito era da saga Crepúsculo, não pude evitar uma risada baixa.
— Que jovial, Lucas... — brinquei.
Eu contra-ataquei com o peso de Dom Casmurro. Mas, naquele ambiente de jovens efervescentes, a paixão imortal de Edward Cullen esmagou a dúvida de Bentinho. Perdi o primeiro duelo. A dinâmica seguiu frenética pelas próximas turmas. Lucas trabalhava com uma agilidade impressionante, seus olhos castanho-claros sempre buscando os meus para validar seus movimentos. Entre uma aula e outra, descemos para a sala dos professores.
— Cara, isso é animal! — ele disse, bebendo água e deixando algumas gotas escorrerem pelo pescoço. — Eu estou adorando esse ritmo.
Na última aula, o cansaço começou a pesar. Pedi licença a Lucas e fui ao banheiro, buscando um momento de silêncio. Foi a primeira vez no dia que olhei o celular. Mensagens carinhosas dos meus pais brilhavam na tela, mas eram as outras que faziam meu sangue correr mais rápido.
Havia um áudio de Arthuro, a voz grossa e decidida:
— Bêr, me avisa o horário que tu vai sair. Vou te buscar de moto. Já te disse que é caminho, não adianta negar. Pelas 17h já estou passando aí. Me confirma.
Arthur também havia mando uma mensagem. Ele também mencionou que estava no médico para, finalmente, aposentar a bota ortopédica. Logo abaixo, uma mensagem de Yan, o contraste perfeito:
— Como está o seu dia, sumido? Saudade... Vou treinar com o Arthuro hoje à tarde. Beijo.
Respondi a todos brevemente, sentindo a estranha teia de relações que eu havia tecido. Voltei para a sala, finalizei os trabalhos e dispensei os alunos e o Lucas com alguns minutos de antecedência. Na saída, a silhueta de Arthuro sobre a moto já era visível.
— E aí, professor? — ele saudou, entregando-me o capacete. — Como foi o batismo?
— Cansativo, mas bom — respondi, subindo na garupa e segurando sua cintura firme, sentindo o calor do seu corpo através da regata de academia.
— Treinei com o Yan hoje — ele comentou enquanto cortávamos o trânsito. — O moleque não para de falar de ontem. Veio comentar sobre o que rolou entre a gente...
— Estranho — comentei, sentindo um sopro de ciúme ou talvez apenas fadiga. — Da última vez que vocês ficaram, ele não abriu a boca.
— É... ele deu uma comentada por alto. Eu só ignorei e foquei no treino — Arthuro riu, acelerando.
Ele me deixou em casa com a promessa de que agora. Tomei um banho demorado, lavando o giz e o suor do dia. Comi algo rápido e desabei no sofá, mergulhando em um cochilo profundo. Acordei com uma nova mensagem do Arthur, confirmando que estava 100% recuperado e querendo marcar algo.
Respondi que a semana seria caótica, mas que daríamos um jeito. Saí para o quintal, olhando para o céu que escurecia. O silêncio de Jonas ainda me incomodava. Era um vácuo persistente no meio de tantas novas presenças. Jantei com meus pais, uma refeição tranquila que servia de âncora para a minha realidade, e logo me recolhi.
A noite passou como um flash. Quando abri os olhos, o despertador já anunciava uma nova jornada. Mas hoje o cenário era outro: o colégio particular onde eu já lecionava.
A terça-feira começou com aquele incômodo persistente na boca do estômago. O silêncio de Jonas durante o hiato do fim de semana era um ruído branco que eu não conseguia ignorar. No colégio particular, o ambiente era mais controlado, mas meus olhos buscavam a figura dele em cada corredor. Quando a mensagem finalmente chegou, vibrando no meu bolso como uma pequena descarga elétrica, o alívio foi imediato.
— Oi Bernardo, hoje vou chegar um pouquinho mais tarde... mas o nosso almoço está de pé, tá? Desculpa, eu não tinha visto sua última mensagem. Eu compenso depois. Bom dia.
A aula da manhã fluiu muito bem. Ao meio-dia, bati na porta da sala dele. Jonas abriu-a com um sorriso que iluminava seu rosto maduro e bem cuidado.
— Entra aí — ele disse, com uma voz que carregava uma intimidade que me fez lembrar, por um segundo, do calor dos nossos encontros.
— E aí, como é que você está? — perguntei, fechando a porta atrás de mim.
— Estou bem. Viu que o Flamengo ganhou no final de semana? — A pergunta dele foi o gatilho. No instante em que ele mencionou o jogo, uma enxurrada de memórias do domingo me atingiu: o suor de Arthuro, a pele de Yan, o cheiro de sexo e a brutalidade deliciosa daquela tarde.
— É... eu vi o jogo — respondi, tentando manter a voz neutra, enquanto minha mente ainda processava o banho de porra que tínhamos dado no Yan.
Fomos almoçar a pé. Jonas caminhava ao meu lado, a postura ereta de quem comanda, mas com um brilho sacana no olhar.
— Foi mal o vácuo. Eu peço desculpas.
— Talvez você estivesse cansado — provoquei, dando um leve soco no seu abdômen rígido.
— Cansado? — ele riu, baixando a voz. — Você me deixou um pouco destruído, para ser sincero. Foi tudo muito intenso.
No restaurante, o clima era de celebração silenciosa. Jonas revelou que minha nova escala no Pascoal Catalão não afetaria nada no quadro acadêmico.
— Vou assumir suas turmas de língua estrangeira. E te dar um presente: sexta-feira à tarde livre. O que acha?
— Caralho, sério? Isso é perfeito!
E então, o garçom surgiu com um bolinho e uma vela. Um gesto simples que Jonas coroou com um abraço apertado e um sussurro que arrepiou os pelos da minha nuca: "Que saudade do seu beijo". Olhei em volta e lhe dei um selinho rápido, mas definitivo.
— Não se acostuma, Jonas. Temos que aproveitar o agora.
— Esse é o agora — ele piscou.
A quarta-feira me trouxe de volta ao ambiente vibrante do colégio estadual. Ao chegar, encontrei Beto no corredor. Ele vestia uma camisa de linho cinza que destacava os fios grisalhos do seu cabelo e exalava aquele perfume amadeirado que já se tornara uma marca registrada nos meus sentidos.
— Bernardo, bom dia — ele disse, detendo-me com um toque suave no braço. A pele dele era quente. — Vi que suas turmas da manhã foram um sucesso. Como está o entrosamento com o Lucas?
— Excelente, Beto. Ele é muito esforçado.
— Fico feliz. — O olhar dele desceu pelo meu corpo, demorando-se na linha da minha cintura antes de voltar aos meus olhos. — Lembre-se: qualquer dificuldade, minha sala está sempre de portas abertas. Para qualquer coisa.
Mais tarde, em sala, Lucas trabalhava comigo. Ele estava de regata por baixo de uma camisa aberta, e cada vez que ele se inclinava para ajudar um aluno, a musculatura das suas costas se movia com uma fluidez que me distraía.
— Bernardo, você viu o que eu postei ontem? — ele sussurrou durante o intervalo, aproximando-se tanto que eu podia sentir o calor da sua pele negra. — Achei que você ia curtir.
— Vou olhar depois, Lucas. Foco aqui — brinquei, mas o sorriso dele indicava que ele sabia exatamente o efeito que sua presença causava.
Arthur (14:30): Sem a bota eu sou outro homem. Já estou de volta ao trabalho. Preciso descarregar essa energia em algum lugar... ou em alguém. O que vai fazer no fim de semana?
Yan (16:15): Oi lindo! Treinei com o Arthuro hoje. Ele está um bicho. Mas eu sinto que ele está mais agressivo depois de domingo... no bom sentido. A gente se vê quando?
Respondi a Arthur com uma provocação sobre sua energia acumulada e a Yan com um emoji de sorriso, mantendo-os em órbita, mas sem ceder completamente. Eu precisava respirar. A rotina de aulas era exaustiva, mas gratificante. O contato com os alunos e a parceria com Lucas me mantinham aterrado, enquanto as mensagens de Arthuro, Arthur e Yan me puxavam de volta para o caos do que minha vida estava.
A manhã de sexta passou em um flash. Dei minhas últimas aulas da semana no colégio particular com uma leveza nova, sabendo que a tarde seria minha. O presente de Jonas — a tarde livre — era o troféu de uma semana bem executada.
Ao sair do colégio, o sol brilhava intensamente. Eu estava exausto, mas a sensação de dever cumprido era inebriante. Entrei no Uber, o ar-condicionado no máximo, e deixei o corpo relaxar no banco de couro.
Havia uma mensagem de Arthur, enviada há poucos minutos:
— Sextou, né? Passa lá em casa mais tarde. Quero te mostrar como estou caminhando bem... e outras coisas.
E outra de Arthuro, :
Aproveita sua sexta livre, professor. Se precisar de companhia só chamar.
Fechei os olhos por um segundo. A semana de rotina tinha sido necessária para consolidar meu novo status profissional, mas as pontas soltas do prazer continuavam a me cercar. Eu era o professor Bernardo, o concursado, o homem elegante que falava francês. Mas, por dentro, eu era o Bernardo que ainda sentia o gosto do domingo...
A sexta-feira à tarde se estendia diante de mim, vasta e cheia de possibilidades. A rotina havia acabado. O jogo, agora, estava prestes a recomeçar.
Ao chegar em casa, o silêncio do ambiente foi o primeiro sinal de que a rotina, por algumas horas, não tinha jurisdição sobre mim. A liberdade daquela tarde de sexta-feira pesava de um jeito doce. Esquentei o almoço no micro-ondas, o som rítmico do prato girando servindo de trilha sonora para meus pensamentos que ainda flutuavam entre as opções do dia de hoje.
Tomei um banho demorado, deixando a água quente escorrer pelas costas, tentando lavar a exaustão da semana. Nu diante do espelho, com a pele ainda úmida, chequei minha agenda. Nada de correções, nada de burocracia. Eu era, enfim, dono do meu tempo. Mas o que fazer com ele?
O visor do celular brilhou. Era Lucas. A mensagem do meu estagiário foi direta, sem os rodeios que a hierarquia escolar exigia:
— Oi Bernardo, que que você acha de hoje fazer alguma coisa? Eu vou cantar num barzinho e seria bom ter amigos me assistindo.
Sorri, surpreso.
— Não sabia que você cantava, Lucas — respondi, enquanto passava a toalha pelo peito, sentindo o atrito do tecido. — Mas eu não sou muito de beber.
— Fica tranquilo — ele rebateu quase instantaneamente. — Eu canto pagode, samba... acho que já te falei. Começa pelas 21h30, 22h. Passa lá, eu ia adorar sua presença. Pode levar quem você quiser.
O convite era tentador. Imaginei Lucas no palco, o suor brilhando naquela pele preta magnífica, o ritmo do samba pulsando no corpo que eu vi trabalhar sob a camisa no colégio.
— Tá bom, eu vou. Passo lá pelas 22h.
Imediatamente, decidi que não iria sozinho. A ideia de ter um escudo ou talvez apenas companhia para aquela noite me fez digitar para Arthuro.
— Oi, Arturo. Tenho um compromisso à noite, um amigo de trabalho vai cantar num bar. O que acha de ir comigo?
— Nem precisa falar muito, Bêr. Perfeito. Me passa o endereço e mais tarde te encontro. Beijo, se cuida.
Aproveitei o embalo e sugeri que ele trouxesse o Yan. Arthuro confirmou que estavam trabalhando próximos e que o Yan já estava fechado" com a ideia.
— Vou gostar muito — Yan mandou logo em seguida, com aquela aura de quem sempre está pronto para o prazer.
Mas a tarde ainda estava começando, e o convite de Arthur ainda ecoava. Eu me sentia em dívida com ele. O tempo em que ele ficou limitado pela bota ortopédica criou uma tensão de compensação que precisava ser resolvida. Mandei uma mensagem e ele não demorou a ligar.
— Oi Bernardo. Já voltei a trabalhar, mas hoje saí mais cedo. Que tal a gente fazer algo agora? Para você ver que as coisas estão andando... bem.
— O que você tem em mente? — perguntei, sentindo minha voz baixar de tom.
— Saio daqui em 30 minutos. Pelas 14h30 estou em casa. Passa aqui, vamos assistir um filme... qualquer coisa.
Ri, sentindo um calafrio na espinha.
— Igual da última vez, Arthur?
— É — ele respondeu com uma risada rouca, carregada de intenção. — Só que agora com mais movimento.
A promessa de mais movimento fez meu sangue latejar. Enquanto me vestia com uma bermuda leve e uma camiseta que realçava meus ombros, um peso ético começou a se formar na minha mente. A situação era perigosa: eu estava me envolvendo com dois irmãos, dois homens que não eram assumidos, e cada um deles via em mim um porto seguro ou um playground secreto.
Eu olhava para o teto, o ventilador girando rápido, e pensava: Que que eu tô fazendo?. Arthuro é meu amigo, um pilar. Arthur é o desejo reprimido que agora ganhava mobilidade total. Eu não achava justo esconder isso, mas como falar de um para o outro sem o consentimento deles? A minha lealdade e éticas, colidia frontalmente com o desejo com meu desejo, de homem livre. Eu precisava tomar uma decisão, mas a carne falava mais alto que a moral naquele momento.
Eram cerca de 14h45 quando ouvi o som de um carro parando em frente à minha casa. Olhei pela janela e vi o Arthur saindo do banco do motorista. Foi um choque visual. Ver ele caminhando sem a bota ortopédica, com um passo firme, decidido e sem qualquer sinal de hesitação, mudava completamente a aura dele. Ele não era mais o cara limitado que eu precisava apoiar; era um homem em sua plenitude física, exalando uma testosterona que parecia vibrar até do outro lado da calçada.
Ele tocou a campainha e eu abri a porta. Arthur estava com uma bermuda de tactel que deixava suas coxas grossas e definidas à mostra, e uma regata que parecia pequena demais para o seu tronco.
— E aí, Ber? — ele disse, com um sorriso vitorioso. — Eu disse que vinha te buscar. Vamos?
Eu apenas assenti, pegando minha chave e saindo. Durante o trajeto até a casa dele, o clima dentro do carro era denso. Eu observava o movimento das mãos dele no volante e a forma como ele usava a perna direita para acelerar e frear — a mesma perna que antes estava presa na bota. Aquela visão me dava um calor estranho. Era o"movimento que ele havia prometido.
Chegamos na casa dele e, assim que entramos, o silêncio do ambiente pareceu amplificar o som da minha própria respiração. Eu estava nervoso. Não apenas pelo desejo, mas pelo peso do que eu sabia e ele não: a minha proximidade com o irmão dele, o Arturo.
— Finalmente em casa... e finalmente livre — ele murmurou, fechando a porta e se virando para mim.
Ele não esperou. Deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal, e envolveu minha cintura com os braços. A pegada era bruta, possessiva. Senti o calor do corpo dele chocando-se com o meu, e o cheiro de suor limpo e perfume cítrico me embriagou instantaneamente. Arthur grudou sua boca na minha em um beijo que era pura urgência. Não era um convite, era uma reivindicação.
Enquanto a língua dele explorava a minha com uma fome insaciável, as mãos dele desceram para minhas nádegas, apertando o tecido da minha bermuda e me puxando para cima, forçando meu quadril contra o dele. Senti o volume rígido dele batendo na minha coxa, latejando, e soltei um gemido baixo contra seus lábios.
Eu queria me entregar, queria sentir cada centímetro daquela nova força dele, mas minha mente traidora me levava para o Arthuro. "O que eu estou fazendo?", eu pensava, enquanto as mãos do Arthur subiam por dentro da minha camisa, arranhando levemente minhas costas. Eu sentia que precisava ser sincero, que não era justo brincar com dois irmãos dessa forma, mas como parar um incêndio daqueles?
— Arthur... espera — eu sussurrei, tentando afastar meu rosto, embora meu corpo estivesse colado ao dele.
— Esperar o quê, Bernardo? — ele respondeu com a voz rouca, descendo os beijos para o meu pescoço e mordendo o lóbulo da minha orelha. — Eu passei dias travado naquela bota. Agora eu quero tudo. Eu quero você do jeito que eu imaginei todo esse tempo.
Ele me empurrou em direção ao sofá, me fazendo cair sentado, e se ajoelhou entre as minhas pernas. Seus olhos claros, tão parecidos com os do Arthuro, mas com um brilho muito mais selvagem, fixaram-se nos meus. Ele segurou minhas coxas com força, os dedos afundando na minha pele, e começou a subir a bermuda, expondo a musculatura da minha perna.
— Você não tem noção do que eu vou fazer com você hoje — ele prometeu, e o tom de sua voz me fez estremecer.
Eu o olhava de cima, as mãos trêmulas apoiadas no ombro dele, sentindo o conflito ético ser esmagado pela luxúria pura que ele emanava. Eu precisava conversar com os dois, precisava colocar as cartas na mesa, mas naquele momento, sob o olhar faminto do Arthur e o toque de suas mãos calejadas, a única coisa que eu conseguia sentir era o desejo desesperado de ser possuído por aquele "movimento" sem freios.
A tensão entre nós era um fio de alta voltagem prestes a arrebentar. Eu via no olhar do Arthur uma urgência que não era apenas física, era uma fome acumulada, um grito de liberdade após semanas de imobilidade. Quando ele me prensou na sala, a autoridade dele era quase palpável, um comando que me deixava sem fação.
— Arthur, nós estamos no meio da sala da sua casa. Eu acho que... — tentei argumentar, sentindo o calor da pele dele atravessar minha camisa.
Ele não me deixou terminar. Selou meus lábios com um beijo possessivo, profundo, que calou qualquer resquício de lógica. Quando se afastou apenas alguns milímetros, sua respiração estava pesada.
— Você não acha nada — ele sussurrou contra minha boca.
— Como assim, Arthur? — perguntei, a voz já vacilando.
— Você não precisa achar nada. Não vai chegar ninguém aqui. Não agora.
— Mas eu fico constrangido. Eu não quero...
Ele parou, seus olhos claros fixos nos meus, buscando qualquer sinal de recusa real.
— Você não quer ficar comigo hoje?
— Não é isso que eu quis dizer — respondi, sentindo o volume dele pressionar meu quadril. — Eu só não quero desse jeito, aqui onde qualquer um pode entrar.
Ele deu um sorriso de lado, aquele sorriso que desarmava qualquer resistência minha.
— Vamos lá pro quarto. Lá a gente fica tranquilo.
Assenti. A essa altura, Arthur já estava apenas de cueca, exibindo um corpo que parecia esculpido e transpirando, a musculatura das pernas agora totalmente simétrica, sem o peso da bota. Ele me estendeu a mão, me ajudando a levantar do sofá, mas não me soltou. Puxou-me para um abraço apertado, sentindo meu coração galopando contra o peito dele.
— É o momento que eu mais esperei, Ber — ele confessou, a voz rouca no meu ouvido. — Eu quero ser seu e eu quero que você seja meu.
Segurei a mão dele com mais força, sentindo meus dedos se entrelaçarem nos dele, e começamos a subir as escadas. Cada degrau parecia aumentar a pressão no meu baixo ventre. No meio do caminho, ele parou e me olhou com um brilho travesso e perigoso nos olhos.
— Você topa fazer uma coisa diferente?
— Como assim diferente? — perguntei, sentindo um calafrio de antecipação.
Sem dizer uma palavra, ele empurrou a porta de madeira pesada. Não era o quarto dele. Era o quarto do pai dele.
— Vamos transar aqui — ele afirmou, com uma audácia que me deixou sem ar. — Vamos transar aqui no quarto do papai.
Meu sangue gelou por um segundo.
— Arthur, é arriscado. Eu acho que a gente não...
Ele me puxou para dentro com um movimento ágil, encostando a porta atrás de nós com o pé.
— Eu já disse que você não precisa achar nada. Fica tranquilo, ele não vai chegar agora. Tenho certeza.
— Você tem certeza? Mas é o quarto do seu pai, Arthur... eu...
— Você é nada, Ber. Fica tranquilo, relaxa. Vamos aproveitar esse momento. Eu sei que você vai gostar, porque eu também vou gostar. Vamos?
Olhei em volta, sentindo o peso daquele ambiente familiar. Era um quarto amplo, com cheiro de madeira antiga e um ar de sobriedade que tornava a nossa presença ali quase profana. A transgressão de estar no santuário do pai dele adicionava uma camada de adrenalina que eu não conseguia ignorar.
— Tem certeza que seu pai não vai chegar? — insisti, a voz saindo quase como um sussurro.
— Não. Papai só chega bem tarde, hoje é sexta-feira. E o Arthuro hoje trabalha até às sete. O máximo que pode acontecer é o Arthuro chegar, mas ele não vai desconfiar de nada.
— No quarto do seu pai? — perguntei, incrédulo.
— Não, não vai. O quarto do Arthuro é lá embaixo, o meu é aqui em cima. Ele não teria motivo nenhum para subir até aqui... a não ser que você faça muito barulho.
Senti meu rosto esquentar.
— Mas você sabe... eu costumo fazer barulho.
— É — ele riu, uma risada baixa e carregada de desejo. — Ainda mais hoje que eu vou me soltar mais.
— Vamos pro seu quarto, Arthur... por favor.
— A cama do papai é mais gostosa — ele insistiu, encurtando a distância e me prensando contra a parede fria do quarto. — Vamos fazer aqui, só hoje... uma coisa de adolescente.
Antes que eu pudesse protestar novamente, as mãos dele já estavam na minha camisa, puxando-a para fora com uma urgência febril. Ele começou a me despir com uma habilidade que me deixava tonto, beijando meu pescoço, mordendo o lóbulo da minha orelha enquanto meu corpo se entregava. Em poucos segundos, eu também estava apenas de cueca, exposto sob o olhar faminto dele.
— Vamos ver... vamos aqui — ele murmurou, me conduzindo para a cama de casal enorme. — Olha essa camona. A gente tem tempo. Fica comigo.
Ele me jogou sobre o colchão macio e subiu por cima de mim, o peso do seu corpo sendo um alívio e um tormento ao mesmo tempo. Suas mãos grandes começaram a mapear cada centímetro do meu peito, descendo pelo meu abdômen, apertando minha bunda com uma possessividade que me fazia arquear o corpo. Ele me beijava com uma paixão avassaladora, uma mistura de agressividade e ternura que me desarmava por completo.
Senti a pele dele, quente e levemente suada, roçando na minha. O contraste do meu corpo com o dele, a sensação de proibição daquele quarto, e a força física que ele agora exibia sem restrições... tudo isso se fundiu em uma sensação única de entrega.
— Tá bom, Arthur... — gemi entre um beijo e outro, sentindo as mãos dele buscarem o elástico da minha cueca. — Tudo bem. Só hoje.
— Só hoje, Ber — ele prometeu, os olhos brilhando como brasas. — Mas hoje eu vou te mostrar exatamente o que eu estava sentindo falta.
As mãos dele mergulharam para dentro da minha cueca, encontrando meu pau já latejante de desejo. O toque foi firme, seguro, um movimento de quem conhecia exatamente os pontos que me levavam à loucura. Eu fechei os olhos, deixando minha cabeça afundar no travesseiro do pai dele, enquanto o som da nossa respiração pesada preenchia o quarto silencioso. Eu estava no centro de uma tempestade, e o Arthur era o trovão que não me deixava escapar.
A partir dali, o mundo lá fora, o Arthuro no trabalho, o meu cargo de professor e o dilema dos dois irmãos desapareceram. Restava apenas o calor daquela cama, o cheiro de pele e a promessa de um prazer que desafiava qualquer regra de segurança.
A atmosfera naquele quarto era pesada, carregada por um cheiro de madeira antiga e uma sobriedade que tornava o que estávamos prestes a fazer algo quase sacrílego. Estar ali, no santuário do homem que era o pai do meu amigo Arthuro e do próprio Arthur, adicionava uma descarga de adrenalina e lembranças que fazia meu sangue latejar. Quando cedi e me deixei levar, a negação deu lugar a um desejo cru, mas a forma como o Arthur se posicionou sobre mim, com uma autoridade nova e sem o freio da lesão, acionou um alerta na minha mente.
— Deixa que eu cuido de você hoje. Você cuidou de mim da última vez — ele sussurrou, a voz carregada de uma firmeza que me fez estremecer.
Quando ele se livrou da última peça de roupa e se revelou totalmente nu sobre mim, a visão foi impactante. O corpo dele era uma coluna de músculos tensos. O pau dele, já rígido e vertendo um pré-gozo transparente que brilhava sob a luz filtrada das cortinas, parecia pulsar. Tentei tomar as rédeas, tentei descer para chupar, mas ele me barrou com um braço firme.
— Não, deixa eu te foder — ele disse, com um sorriso que não era de convite, mas de comando.
— Arthur, hoje eu não quero assim — protestei, sentindo o perigo daquela entrega total.
— Eu já disse, Ber. Você não tem que querer, só aceita — ele rebateu, e aquelas palavras soaram como um desafio direto.
Engrossei a voz, sentindo a minha dignidade se chocar com a luxúria dele.
— Se for assim, eu não quero.
— Deixa eu te mostrar o que eu sei — ele continuou, ignorando meu protesto, a mão descendo pela minha barriga. — Deixa eu te mostrar que eu posso ser melhor do que todos os outros.
Aquilo foi o limite. A comparação, o ciúme implícito dele com as sombras de outros homens que ele desconfiava existir. Fiz força contra o peito dele, empurrando-o com firmeza.
— Não! Desse jeito eu não quero. Não vou deixar você falar assim comigo. Não é a primeira vez que você se compara com outras pessoas, Arthur. Se for assim, a gente volta a ser apenas amigo. Por favor, não repita isso.
Houve um segundo de silêncio tenso. Então, Arthur riu — uma risada curta, perigosa. Antes que eu pudesse reagir, ele avançou. Sua mão grande e fechou-se com firmeza no meu pescoço — não para sufocar, mas para me imobilizar — enquanto a outra mão enroscava-se no meu cabelo, puxando minha cabeça para trás para que eu olhasse diretamente para ele.
— Mas vai ser do meu jeito — ele rosnou, os olhos claros fixos nos meus.
— Arthur, você está me machucando! — protestei, meu corpo reagindo com uma mistura de susto e um tesão traidor. Levantei-me da cama num impulso, tentando recuperar o controle e o fôlego.
— Mas eu quero desse jeito, Ber. É desse jeito que eu gosto — ele disse, ainda sentado na cama do pai, a nudez expondo toda a sua virilidade afrontosa naquele ambiente proibido.
Eu o empurrei de volta contra o colchão. Dei um passo à frente, ofegante. Ele não se moveu. Ficou ali, esperando meu próximo passo. Olhei para ele e a verdade me atingiu: eu o queria, mas precisava que ele entendesse os meus limites.
Aproximei-me e, num movimento decidido, subi sobre o corpo dele. Sentei-me bem em cima do seu pau, sem deixar que houvesse penetração ainda. Senti o calor do pré-gozo dele molhar a palma da minha mão e a base da minha bunda, uma textura viscosa e quente que me fez soltar um suspiro curto.
— Eu deixo ser do seu jeito — comecei, sentindo o latejar dele contra a minha entrada — desde que você não me machuque. Desde que respeite o meu limite. E desde que...
Ele usou o quadril para dar um solavanco para cima, me provocando.
— O quê?
— Desde que você não se compare com ninguém. Pode ser?
— Pode ser — ele anuiu, com os dentes cerrados e os olhos devorando meu rosto. — Mas eu não vou me controlar, tá bom, Ber? Eu tô com fome de você. Quero te comer. Já tem dias que não consigo parar de pensar nisso.
Comecei a mexer minha bunda devagar, para cima e para baixo, fazendo o pau dele deslizar entre as minhas nádegas. O melado do pré-gozo dele agia como um lubrificante natural, espalhando-se e criando um som úmido a cada movimento meu. As mãos dele desceram para a minha cintura, cravando os dedos ali, me forçando a sentir cada centímetro daquela rigidez que me molhava.
— Você pode me ter — sussurrei, sentindo o prazer subir pela minha espinha — mas controla sua força. Controla seus ciúmes. Eu já te falei: eu não sou seu. Sou apenas meu. E se for pra acontecer, vai ser desse jeito. Caso contrário...
Ele puxou minha cintura com força, me obrigando a rebolar com violência sobre ele. Soltei um gemido alto, a respiração escapando num "Ah..." que ecoou pelo quarto silencioso.
— Caso contrário, o quê? — ele desafiou.
— Foda-se — respondi, selando nossos lábios num beijo que era pura guerra.
Empurrei-o para cima, ficando de quatro sobre ele. A visão da minha própria bunda, brilhando com o fluido dele bem diante dos seus olhos, fez Arthur soltar um rosnado. Ele deu um tapa estalado na minha pele, deixando uma marca vermelha que ardeu deliciosamente.
— Posso te comer? — ele perguntou, a voz rouca.
— Você deve me comer — respondi, olhando para ele por cima do ombro. — Mas não me fode com tanta força. Me fode com sentimento. Me fode com esse caralho aqui...
Segurei o pau dele, sentindo-o todo melado, minha mão escorregando por aquela extensão quente. Levei a mão ao rosto e chupei um dos meus dedos, saboreando o gosto salgado dele. Na minha cabeça, eu só queria que aquele ato amenizasse tudo o que eu estava sentindo. Queria que o sexo com o Arthur, ali naquele quarto proibido, calasse a culpa de estar com o irmão dele e a confusão de uma semana exaustiva. Queria apenas ser preenchido até não sobrar espaço para pensar em mais nada....