Becca viu uma pequena caminhonete estacionada em frente à casa. Viu seu pai conversando com um homem e, junto dele, havia um rapaz magro, moreno e com cabelos enormes. Ela saiu para a varanda e se aproximou um pouco. O rapaz surgiu na varanda.
— Você deve ser a esposa do Frank — disse o rapaz, que surgiu silenciosamente atrás dela.
— Não, eu sou a filha dele.
— Ah, desculpa. Não sabia que o Frank tinha uma filha tão bonita.
Becca deu uma leve risada, puxando os cabelos para trás da orelha com um jeito tímido.
— Me chamo Jacob!
— Sou Becca!
Eles deram as mãos. Becca reparou nos braços do rapaz, que eram bastante cabeludos.
— Isso é genética. Nasci com muitos pelos. Moro aqui perto. Um dia desses podíamos sair, dar uma volta na cidade. Já foi ao cinema? Tem a estreia do filme de lobisomem esta semana.
— É um encontro?
— Não queria usar essa palavra...
— Está bem, eu aceito.
De repente, Becca estava em um encontro. No fim de semana, ela estava toda arrumada.
— Coloque essas camisinhas no bolso — disse Frank.
— Pai, eu não vou transar. Vou ver um filme!
— Filha, isso é um encontro. Óbvio que vai ter sexo. Ou você acha que um rapaz iria te convidar só para ver um filme? Não sabe que isso é código para foder? Eu fazia muito isso com sua mãe quando éramos mais jovens... Foi em um desses cinemas que fizemos amor e você acabou nascendo alguns meses depois. Para evitar gravidez, melhor levar bastante camisinha.
Becca guardou as camisinhas, esperando algo mais. Lá foi ela com o novo amigo que acabou de fazer. Durante todo o tempo no cinema, Jacob tocava nos ombros dela e a abraçava; parecia que o clima ia esquentar, mas nada aconteceu.
Depois do filme, eles foram surpreendidos por um grupo de rapazes playboys.
— Está com namoradinha nova, Jacob? — disse um rapaz de jaqueta e topete alto.
— Sim, Edward, esta é a Becca, minha namorada — disse Jacob, abraçando-a.
De repente, o grupo de rapazes riu.
— Quem você quer enganar? Você a trouxe apenas para fazer ciúme. Você não consegue me esquecer, não é, Jacob? Quantas vezes eu já disse que não vou comer o seu rabo novamente? Não gosto de bicha romântica.
— Ah, Edward, sabe que eu te amo. Por que não damos uma chance para a gente? Sei que você ficou com ciúme. Durante o filme todo, você ficou me olhando, me devorando com esses olhos lindos.
— Coisa da sua cabeça. Eu entrei na sessão achando que era um filme de vampiro, mas é uma merda de filme de lobisomem.
Jacob agarrou Edward.
— Por favor, faço qualquer coisa! Mas me dê mais uma chance. Posso até ser seu escravo.
— Escravo sexual? Está fechado! Vamos nessa, entre no carro. Tenho algumas fantasias que quero testar com você.
Jacob ficou animado e até esqueceu da Becca.
— Ei, Jacob... e eu?
— O que tem você, garota?
— Ora, como vou voltar para casa?
— Ora, vá a pé. Não posso perder esse boy. Adeus, Becca!
Becca voltou para casa furiosa. Chegando lá, viu o pai dormindo no sofá. Ela foi para o quarto, tomou banho e deitou-se. Viu as camisinhas ainda no bolso; nem teve tempo de usá-las. Ela voltou para a mesinha e pôs mais papel na máquina de escrever. Pensou por um bom tempo e teve uma ideia para uma história:
"Esta é a história de uma garota não muito popular na escola. Ela se apaixona por um rapaz estranho; mal sabe ela que ele é um vampiro. Logo nasce um romance proibido... Ela tem um amigo que também se apaixona por ela, e esse amigo pertence a uma linhagem de lobisomens que tenta protegê-la dos vampiros..."
— Gostei dessa ideia. Posso desenvolver melhor em um romance erótico...
Becca passou a noite toda escrevendo, explorando a ideia que estava bastante fresca em sua cabeça.
*
— Ficou uma bosta.
— Não gostou, pai?
— Tem romance demais. Os leitores não querem algo longo e complexo. Menos narrativa, menos aprofundamento nos personagens e mais ação. Eles querem putaria… Mas gostei dessa ideia de vampiro e lobisomem. Pode explorar isso. Tive uma ideia: o vampiro se excita com o sangue da vítima. Quando ele suga o sangue, aquilo o deixa de pau duro.O sangue vira um estímulo sexual para ele. E coloca que o lobisomem tem uma piroca gigante.…
— Sim, pai, vou explorar essa ideia que o senhor sugeriu — disse Becca, pegando os manuscritos e começando a fazer as correções.
"Melissa dormia profundamente quando sentiu um arrepio gélido. Ao abrir os olhos, ele estava lá. O vampiro, de pele pálida e olhos famintos, entrou no quarto sem fazer barulho. Ele não queria apenas o pescoço dela; estava visivelmente excitado. Assim que cravou as presas em sua pele e o primeiro gole de sangue quente desceu por sua garganta, Melissa viu o membro dele pulsar e endurecer instantaneamente. O sangue era o combustível da sua luxúria.
Mas a festa não durou muito. Com um estrondo, a janela explodiu e o lobisomem saltou para dentro, rosnando. A piroca gigante dele balançava entre as pernas enquanto ele avançava para tirar o rival de cima da garota. Os dois começaram uma briga bruta, rolando pelo chão, entre dentes e garras.
De repente, o ódio se transformou em algo mais sujo. No meio do combate, o vampiro segurou o rosto do lobisomem e, em vez de uma mordida fatal, tascou-lhe um beijo faminto, misturando sangue e saliva. O lobisomem retribuiu com a mesma violência. Melissa, observando tudo da cama, sentiu sua xota encharcar. Os dois monstros se viraram para ela, as feras agora unidas pelo desejo. A noite terminou em uma orgia selvagem, onde o sangue do vampiro e o vigor do lobisomem se fundiram no corpo de Melissa até o amanhecer."