Roberto voltou no horário do almoço no dia seguinte. Eu o recebi com a mesa do almoço posta, tinha feito frango à parmegiana, um de seus pratos favoritos. Ele comeu como se não houvesse amanhã, deixando o bigode cheio de molho.
- ...e aí o gerente de logística, um cara novo, começou a falar de indicadores de produtividade como se eu fosse um estagiário. Tive que colocar ele no lugar, claro.
- Claro - concordei, levando um garfo à boca sem sentir gosto de nada.
- Estou com o dia livre hoje, querida - ele falou com a boca cheia, um péssimo hábito que eu já havia desistido de consertar. - Podemos ir ao parque, o que acha?
Parque. Era sempre isso. Ele nunca me levava em nenhum encontro romântico, nenhuma escapada para uma cidade maior onde poderíamos ir a um restaurante chique ou algo do tipo.
- Podemos ir às três - respondi, automática. - O sol está forte agora.
- Vou deitar um pouco então.
Ele se levantou, deu um beijo seco na minha têmpora, e subiu as escadas arrastando os pés. Ouvi o rangido da cama, o suspiro pesado, o silêncio que precedia o ronco.
Lavei a louça. Guardei as sobras. Limpei o fogão. Cada movimento era um exercício de esquecimento do que havia acontecido na sala e na cozinha nos últimos dois dias.
Subi para o quarto. Roberto roncava de boca aberta, um fio de saliva escorrendo pelo canto dos lábios. Parei no meio do quarto e abri o closet. Meus olhos percorreram as fileiras de roupas. Calças de linho bege, blusas de manga comprida, vestidos discretos em tons de cinza e azul-marinho. O uniforme de uma mulher que desistiu de ser vista.
No fundo do closet, quase escondido atrás de um casaquinho de lã, avistei um tecido diferente. Era um vestido que eu não usava há anos. Comprei numa viagem a São Paulo, antes do casamento, numa época em que eu ainda gostava de me olhar no espelho. Vermelho, com alças finas, a saia leve que dançava quando eu andava. Não era extravagante, mas era bonito. Era jovem.
Experimentei. O tecido deslizou pelo corpo, abraçando a cintura, marcando os seios que ainda continuavam firmes. A barra batia acima do joelho, mostrando as pernas que eu mantinha definidas nas caminhadas matinais.
Me virei de lado no espelho. A bunda grande, sempre foi meu traço mais... pronunciado. O vestido acentuava as curvas, desenhava a silhueta de uma mulher que, aos quarenta anos, ainda tinha um corpo de dar inveja.
Fui tomar banho e, quando saí, Roberto já não estava mais no quarto.
Me vesti com agilidade e desci as escadas.
- Pronta? - ele perguntou, sem levantar os olhos. Estava calçando um par de tênis na poltrona.
- Pronta.
Ele ergueu a cabeça. Seus olhos pousaram em mim por um segundo, dois. Depois voltaram para o cadarço.
- Bonito esse vestido - disse, num tom tão casual que doeu. - Não lembrava que você tinha ele.
- É antigo.
- Ficou bom. Vamos?
Ele passou por mim e abriu a porta da rua. Nem um olhar a mais. Nem um comentário sobre minhas pernas de fora, sobre a cintura marcada, sobre o decote simples que mostrava o começo dos seios, nem mesmo sobre a minha bunda apertada pelo tecido. Nada. Meu coração apertou. Mas eu sorri, como sempre sorri, e o segui.
Roberto estacionou o carro na sombra de uma árvore.
- Ar puro - disse, inspirando fundo. - Faz bem.
Caminhamos pela trilha de cascalho. Casais de mãos dadas, crianças correndo, idosos no banco conversando sobre a vida. O cenário perfeito da tranquilidade interiorana.
Roberto falava sobre a possibilidade de comprar um cachorro.
- Um labrador, quem sabe. Ou um golden. O Felipe, quando vem nos visitar, vai adorar. Ou talvez um gato. Dá menos trabalho. O que você acha?
- Acho que...
Meu corpo parou antes que meu cérebro processasse o motivo.
Num banco de madeira em frente ao lago, três figuras conhecidas estavam sentadas. Adriana, com um vestido longo estampado de girassóis. Vicente, ao lado dela, lendo um livro. E Victor.
Ele estava de frente para o lago, os braços apoiados nas costas do banco, o corpo relaxado. Os óculos escuros escondiam os olhos, mas deve ter me visto, pois algo mudou na postura dele. Um pequeno ajuste, quase imperceptível. Mas eu vi.
Roberto seguiu meu olhar.
- Olha só, nossos vizinhos! - exclamou, com um entusiasmo genuíno. - Que coincidência. Vamos cumprimentar.
- Roberto, eles estão...
Mas ele já estava andando, com aquela passada larga e desengonçada que eu conhecia tão bem. Não tive escolha. Meus pés se moveram atrás dele.
- Adriana! Vicente! - Roberto acenou, a voz alta demais para o ambiente calmo do parque. - Que coincidência!
Adriana se levantou, o sorriso largo e caloroso.
- Roberto! Que bom ver você! A Beatriz disse que você tinha viajado.
- Voltei hoje mesmo. Resolvi trazer minha esposa para um passeio - ele passou o braço por cima do meu ombro, um gesto que deveria ser carinhoso, mas que caiu como um peso. - Vocês também estão aproveitando o dia?
- Esse menino aqui - Vicente apontou para Victor com o queixo - insistiu em vir correr. Disse que estava precisando se exercitar. Aí resolvemos ficar por aqui um pouco também.
Victor se levantou devagar. Tirou os óculos, dobrou com cuidado, prendeu na gola da camisa. Os olhos escuros percorreram meu corpo dos pés à cabeça. Foi um exame completo, mas diferente do outro dia na cozinha. Dessa vez, não havia só provocação. Havia admiração. Havia fome.
- Boa tarde Seu Roberto, Dona Beatriz - disse, a voz grave e educada. - A senhora está linda hoje.
O elogio veio limpo, direto, sem malícia aparente. Roberto riu, batendo no ombro de Victor.
- Esse menino é educado, hein?
- Foi só a verdade - Victor respondeu, os olhos ainda em mim.
Meu rosto queimou. Abaixei o olhar para o chão de cascalho.
- E aí, Victor - Roberto continuou, sem perceber nada. - Vai correr?
- Ia começar agora, seu Roberto. Mas tava pensando... - ele fez uma pausa, o olho escorregando para mim de novo. - Outro dia vi a dona Beatriz caminhando na rua de manhã cedo. Ela parece manter uma rotina de exercícios.
- Caminha todo fim de semana - Roberto confirmou, orgulhoso, como se estivesse falando de um carro bem conservado. - É disciplinada.
- Pois é - Victor disse. E então, como se a ideia tivesse acabado de surgir: - Seu Roberto, o senhor se importa se ela me acompanhar? Só uma volta rápida, apresentar o parque. Tô meio perdido ainda, nem sei onde ficam as quadras direito.
O ar parou nos meus pulmões. Roberto olhou para mim, depois para Victor, depois para o parque.
- Não vejo por que não! - exclamou, com um entusiasmo que me perfurou o peito. - Querida, faz companhia pro Victor. Mostra pra ele aquela parte ali perto do outro lago, onde tem as barracas de comida. O pastel de palmito é bom.
Adriana riu, abanando a mão.
- Ah, deixa o menino andar sozinho, Roberto. A Beatriz veio passear com você.
- Não, não, pode ir - Roberto insistiu, me empurrando suavemente para a direção de Victor. - Eu fico aqui batendo papo com vocês, Adriana. Faz bem ela se movimentar também, passar o dia em casa não é bom.
Meu olhar encontrou o de Victor. Seus olhos escuros brilhavam com uma luz que só eu podia ver.
- A senhora topa, dona Beatriz? - perguntou, educado, respeitoso.
Atrás de mim, Roberto já tinha sentado no banco ao lado de Vicente, puxando conversa sobre a fábrica de papel. Adriana sorria, alheia a tudo.
Eu estava encurralada. Pela educação. Pelo papel de boa vizinha. Pelo marido que acabava de me entregar de bandeja.
- Tudo bem - ouvi minha própria voz dizer. - Vamos.
Victor sorriu. Um sorriso pequeno, controlado, que não mostrou os dentes. Mas os olhos... os olhos prometiam tudo.
Caminhamos em silêncio pelos primeiros metros. A trilha de cascalho estalava sob nossos pés. Ele usava um shorts de corrida preto, tênis caro e uma camiseta regata que mostrava os ombros largos e os braços musculosos. Eu tentava não olhar, mas meus olhos me traíam.
- Gostei do vestido - ele disse, quando nos afastamos o suficiente.
- Não devia estar olhando.
- Impossível não olhar - a voz dele baixou. - Toda vez que te vejo, você tá mais bonita. Hoje então... Caralho, Bia.
O apelido, dito ali, à luz do dia, em público, foi um choque elétrico.
- Não me chama assim aqui - sussurrei, olhando em volta. - Alguém pode ouvir.
- Quem? - ele riu baixinho. - Seu marido? Tá lá no banco, contando vantagem sobre você. Nem percebeu que a mulher dele tá andando com outro homem.
- Ele confia em mim.
- Ele não te enxerga - Victor corrigiu, suave. A verdade doía.
A trilha fez uma curva, contornando um bosque de árvores. Por um momento, ficamos fora da vista do banco onde os outros estavam. As copas frondosas criavam uma penumbra verde, um pequeno oásis de privacidade no meio do parque movimentado.
Ele parou.
- Victor, o que...
Não terminei a frase. A mão dele encontrou meu pulso, os dedos fechando com firmeza, e, num movimento rápido e decidido, me puxando para trás de uma árvore mais grossa. Minhas costas bateram contra o tronco áspero, e antes que eu pudesse respirar, o corpo grande dele já estava colado no meu, me comprimindo.
- Victor...
A boca dele cobriu a minha.
Ele me devorou. Os lábios quentes e carnudos pressionaram os meus com uma fome que parecia acumulada há anos, não dias. A língua encontrou a minha sem pedir licença, se entrelaçando num movimento lento, profundo, que fez meu corpo inteiro derreter.
Minhas mãos, traidoras, subiram para os ombros dele. A pele quente sob a regata, os músculos duros, a textura macia e fina do tecido. Meus dedos se cravaram em seus ombros, puxando ele para mais perto, como se fosse possível ficar mais perto do que já estávamos.
Ele gemeu dentro da minha boca. Um som grave, animal, que vibrou no meu peito e desceu direto para minha buceta. A mão dele, a que não estava segurando meu pulso, encontrou minha cintura. Os dedos quentes apertaram a curva, deslizaram para baixo, e então encontraram o volume generoso da minha bunda.
- Porra - ele murmurou contra meus lábios, a voz rouca, os dedos afundando na carne macia como se quisesse garantir que era real. - Que bunda deliciosa, Bia.
Apertei os lábios contra os dele, sem jeito de responder. A língua dele invadiu minha boca de novo, mais fundo, mais lento, enquanto as mãos massageavam minha bunda com uma intimidade que me tirava o fôlego.
Nossas salivas se misturaram. O gosto dele, salgado e doce ao mesmo tempo, inundou minha boca. Eu bebia daquela boca como se fosse água no deserto, como se vinte anos de sede pudessem ser saciados em segundos.
A mão dele apertou com mais força, os dedos se cravando na carne, puxando meu quadril contra o dele. Eu senti. Mesmo através do shorts, o volume era inconfundível. Duro, grosso, pressionando minha coxa como uma promessa.
- Victor... - consegui murmurar entre os beijos. - A gente precisa voltar.
Ele não parou. A boca desceu para o meu pescoço, os lábios quentes sugando a pele, a língua traçando um caminho de fogo até a curva do ombro.
- É verdade - ele concordou, a voz abafada contra minha pele. - Mas primeiro me diz: que horas o Roberto dorme?
- Isso é inapropriado - sussurrei, as mãos ainda nos ombros dele, sem forças para empurrar.
Ele ergueu a cabeça. Os olhos escuros queimavam nos meus, e havia um sorriso lento, torto, no canto da boca carnuda.
- É sim - concordou, sem nenhum arrependimento. E repetiu, a voz mais baixa, mais grave: - Mas você vai responder.
Meu corpo queimava. A boca inchada, o pescoço marcado, a bunda ainda doendo de tanto que ele apertou. A razão gritava para eu fugir, correr de volta para a segurança do banco, para a mediocridade conhecida do meu casamento. Mas minha boca abriu, e as palavras saíram antes que eu pudesse conter:
- Nove e meia. Mais ou menos.
O sorriso dele se alargou. Satisfeito. Vitorioso.
Ele se afastou um passo. Apenas um. O suficiente para me dar ar, mas não suficiente para quebrar o feitiço. A mão dele encontrou a minha, dessa vez com suavidade, os dedos entrelaçados.
- Você é gostosa demais, Bia. Não aguento ficar perto de você sem querer te beijar toda.
Minha respiração ainda voltava ao normal. A boca latejava, inchada. O corpo inteiro parecia em chamas.
- A gente não pode... - tentei, mas a voz saiu fraca, sem convicção. - Isso é loucura - murmurei.
Ele apertou minha mão, o polegar fazendo círculos lentos na minha pele.
- É - ele concordou, sem hesitar. - Mas é bom, né?
Não respondi. Não precisava. O calor entre minhas pernas falava por mim.
Ele se aproximou de mim de novo, o corpo grande bloqueando a luz que filtrava pelas folhas. A mão livre dele encontrou meu queixo, os dedos quentes erguendo meu rosto para que nossos olhos se encontrassem.
- Vou te contar um segredo - ele sussurrou, e eu sentia o seu hálito em minha boca, e instintivamente lambi os lábios. - Ontem, vendo você com aquela carinha de surpresa olhando minha pica... Puta que pariu, foi sensacional - ele revirou os olhos, revivendo a memória. - Fiquei com vontade de te colocar de quatro, com essa bunda enorme toda empinada pra mim, e te foder ali na sua sala mesmo.
Minhas pernas fraquejaram. O ar pareceu sumir dos meus pulmões.
- Você é louco - consegui murmurar.
- Louco por você - ele corrigiu, os olhos escuros queimando nos meus. - Desde que te vi naquela janela. Desde que você abriu a porta com esse corpo delicioso coberto com aquele roupão besta.
A mão dele desceu do meu queixo, passou pelo pescoço, encontrou a alça fina do vestido. O dedo deslizou por baixo do tecido, tocando a pele nua do ombro.
- Sabe o que eu mais quero, Bia?
Balancei a cabeça, incapaz de falar.
- Ver você gemer. Quero ouvir você fazendo barulho pra mim. Quero que esqueça essa cara de santa, essa postura de mulher certinha. Quero ver você virar puta nas minhas mãos.
A palavra chocou contra meu peito como um soco.
- Eu... Nunca faria isso. E nunca vou fazer. Nunca vou ser esse tipo de mulher - respondi, tentando manter o pouco de dignidade que ainda sentia que tinha.
- Toda mulher tem uma puta dentro dela. Só precisa de quem tenha coragem de achar.
Meus lábios tremeram. Não de medo. De desejo.
- A gente precisa voltar - consegui dizer, mas era um fio de voz.
Caminhamos rápido e voltamos para o banco. Roberto acenou, satisfeito.
- E aí, gostaram do pastel?
- Muito bom, seu Roberto - Victor respondeu, sentando-se ao lado do pai. - Gostoso demais. Suculento. Dá água na boca só de lembrar.
Adriana riu, afetuosa.
- Que bom, filho. Agora senta e descansa, não fica enchendo a vizinha.
Sentei ao lado de Roberto. A mão dele encontrou a minha, distraída, automática. O gesto de sempre. O toque de sempre.
Mas minha mão ainda queimava onde Victor tinha tocado. Minha boca ainda ardia. E eu ainda conseguia sentir na buceta um calor úmido e insistente se recusava a ir embora.
O resto da tarde passou em um borrão. Conversas banais, risadas, despedidas. Roberto comentou no carro:
- Gosto demais deles, viu? São gente boa.
- É - concordei.
- E o Victor parece um bom menino. Educado, esforçado.
- Sim, parece.
Roberto estacionou na garagem. Entramos em casa. A rotina me engoliu: dobrar roupas e guardá-las, preparar o jantar, comer, lavar a louça.
Nove horas. Roberto bocejou na poltrona e desligou a televisão.
- Vou deitar. Você vem? - ele perguntou.
- Já vou. Só preciso terminar de arrumar a cozinha.
- Tudo bem. Boa noite então, querida - ele veio até mim e me deu um beijinho seco na bochecha.
Alguns minutos depois de Roberto subir, me olhei no espelho do lavabo ao lado da sala. Conseguia sentir meu coração bater descompassadamente enquanto meu próprio reflexo me olhava com aqueles olhos claros, como se estivesse me julgando.
Às nove e meia em ponto, do pé da escada, já conseguia ouvir roncos ocasionais de Roberto. Victor chegaria a qualquer momento.
Eu queria mesmo aquilo? Queria manchar minha jornada de esposa dedicada e casta?
Eu já havia tido oportunidade de flertar com outros homens antes, homens até mais bonitos que Victor, homens de verdade, não moleques rebeldes. Mas sempre me mantive firme. Sempre dormi com a consciência tranquila. Eu estava me deixando levar pela luxúria, um pecado que nunca passou pela minha cabeça cometer.
Depois disso, dessa aventura que mais parecia uma crise de meia idade de uma dona de casa cansada da rotina, como eu poderia dormir ao lado de Roberto? Como poderia me ajoelhar na igreja? Pior ainda, como poderia me confessar com o padre Mauro uma vez ao mês? Como ele me olharia dali em diante? Como Deus me julgaria?
Todo esse turbilhão de pensamentos passou pela minha cabeça em menos de dois minutos. Não deu tempo de tentar responder às perguntas, porque ouvi duas batidas baixas na porta dos fundos.
Passei a mão pelo vestido, tentando em vão alisar as partes que já estavam amassadas. Percebi que minha respiração estava ofegante, e minhas mãos suadas.
Eu podia simplesmente não abrir a porta. Era só deixar ele lá plantado, uma hora ele iria embora. Eu podia não jogar o jogo dele. Mas minhas pernas já estavam traindo meu pensamento racional, me levando em direção à porta. Girei a maçaneta.
- Boa noite, Bia - Victor falou, sussurrando. Carregava uma sacola.
Ele passou por mim, entrando na cozinha. Estava vestindo uma camiseta preta e bermuda cinza. Usava um perfume com aroma jovial, másculo e amadeirado. Somente seu cheiro foi suficiente para eu sentir as pernas bambearem, mas tentei me controlar. Fechei a porta.
- Você veio mesmo - eu murmurei, mais pra mim mesma do que pra ele.
- E ainda trouxe uma coisa pra você - ele sorriu, erguendo a sacola.
Tirou de dentro um pequeno embrulho de presente e uma barra de chocolate importado.
- Espero que goste, é só uma lembrança - disse, me entregando o embrulho e, logo após, apontando para o chocolate. - Esse aqui comemos juntos depois.
Olhei desconfiada para Victor antes de abrir a caixa. Uma pulseira. Ele havia comprado uma pulseira pra mim. E era coisa boa, meu olho treinado conseguia diferenciar o que era bijuteria e o que valia algo.
- Não posso aceitar - estendi o braço com a caixinha na mão.
Victor pegou a caixinha da minha mão, abriu com facilidade e pegou a pulseira, que brilhava sob a luz da cozinha. Pequenos reflexos dourados dançaram enquanto ele a tirava do veludo.
Segurou meu pulso com uma delicadeza que contrastava com tudo que eu sabia dele. Os dedos grandes, escuros, envolvendo meu braço com uma facilidade que fazia minha mão parecer de criança. Ele colocou a pulseira em mim, e então levou meu pulso aos lábios. O beijo foi leve. Apenas um toque. Mas foi como se uma corrente elétrica tivesse percorrido meu braço inteiro, descido pela espinha, acendido alguma coisa no fundo da minha barriga.
Meus olhos encontraram os dele. Escuros, profundos, me olhando de um jeito que ninguém me olhava há anos.
- É sua, Beatriz - disse com o rosto sério. - Passei em uma loja e lembrei de você. É só um agrado.
- Bem... obrigada - consegui murmurar.
Ele não soltou minha mão. Pelo contrário, entrelaçou os dedos nos meus. A mão dele era tão grande que a minha desapareceu completamente, engolida por aquela pele quente, por aqueles dedos longos que agora apertavam de leve.
- Aposto que faz muito tempo que o Roberto não te dá um presente assim - ele disse.
A voz não tinha provocação. Era constatação. Como se ele soubesse.
Era verdade. Fazia tanto tempo que eu nem lembrava mais a última vez que Roberto me olhou, me viu, ou pensou em mim. Fiquei em silêncio. Não precisava responder.
Ele deu um passo mais perto. A mão livre encontrou meu rosto, os dedos quentes na minha nuca, puxando meu olhar para cima.
- O que acha de a gente ir pro quarto de hóspedes?
O quarto onde eu ficava toda noite o espiando pela janela. Onde ele me viu, todas as vezes.
- Eu... não sei... - a voz saiu fraca. - Fica do lado do meu quarto. O Roberto pode ouvir.
Ele não pareceu preocupado. A boca dele encontrou a curva do meu pescoço, os lábios quentes pressionando a pele, e eu senti as pernas amolecerem.
- Sua casa tem as paredes grossas. É só a gente não fazer tanto barulho - murmurou contra mim. - Acha que consegue isso, Bia?
Eu não respondi. Mas também não me afastei.
- Me mostra o caminho - ele disse, me puxando em direção a escada.
Minhas pernas se moveram sem que eu mandasse. Ele ainda segurava minha mão, os dedos entrelaçados, me puxando com uma confiança que eu não tinha. Subimos as escadas devagar e cada degrau parecia, pra mim, um pecado novo.
A porta do meu quarto estava fechada. Lá dentro, Roberto ressonava baixo, aquele som familiar que eu ouvia há vinte e dois anos. Parei no corredor, olhando para a porta do outro quarto, depois para Victor.
- É ali - eu falei.
Entramos, e Victor fechou a porta, trancando-a com um clique suave da chave.
Ficamos parados no escuro por um segundo. A luz da rua entrava pela janela, desenhando sombras no chão. A persiana estava aberta. Dava pra ver o quarto dele do outro lado.
Victor me puxou para perto antes que eu pudesse pensar em fugir. As mãos grandes encontraram minha cintura, e enquanto me beijava, um beijo lento, quente, que começou manso e foi ficando mais profundo, os dedos dele encontraram o zíper do vestido.
Ele puxou devagar, os lábios ainda nos meus, a língua dançando com a minha. O zíper desceu, o tecido se abriu, e a mão livre dele empurrou o vestido pelos meus ombros.
- Desde que te vi hoje no parque - murmurou contra minha boca -, estava doido pra tirar esse vestido de você.
O vestido vermelho escorregou pelo meu corpo, acumulou na cintura, e então caiu no chão. Fiquei só de lingerie bege na frente dele. Sutiã simples, calcinha de algodão, as mesmas cores que eu usava todo santo dia.
"Que cor sem graça", pensei, com uma ponta de vergonha. Mas ele não pareceu se importar. Os olhos escuros percorreram meu corpo de cima a baixo, demorando nas curvas, nos volumes, na pele clara contra o tecido bege.
- Caralho, Bia - a voz saiu mais grossa. - Você me deixa louco. Que corpo perfeito.
Antes que eu pudesse responder, a boca dele encontrou a minha de novo. Dessa vez com mais fome, mais pressa. A língua quente invadiu minha boca, e eu senti a rola dele endurecendo contra minha barriga, pressionando através do short.
A mão dele agarrou minha bunda com força, os dedos afundando na carne macia, puxando meu quadril contra o dele. A outra mão subiu e cobriu meu peito, apertando por cima do sutiã. Nós nos beijávamos com uma voracidade que eu não sabia que existia, nossas salivas se misturando, as línguas se enrolando, e no meio daquele beijo, eu senti minha buceta latejar. Pulsar. Uma sensação quente, úmida, que se espalhava do centro do meu corpo para as coxas. Eu nunca tinha sentido nada igual com Roberto. Nunca.
Ele sentiu minha respiração mudar, sentiu meu corpo responder, e descolou a boca só um pouco.
- Tá com medo? - perguntou, a voz rouca.
- Estou... nervosa - respondi, e era verdade.
- Não precisa - ele disse, os olhos nos meus. - Não vou fazer nada que você não queira.
A mão que estava no meu peito desceu para as costas. Os dedos encontraram o fecho do sutiã e desabotoaram com um clique seco. Meus seios pularam, pesados, e ele não desviou o olhar.
A boca dele desceu. Beijou meu pescoço, o começo dos ombros, depois desceu mais, seus lábios quentes traçando um caminho de fogo pelo colo, até finalmente encontrar meu mamilo. Os lábios carnudos dele se fecharam em volta, e ele sugou com força. Devorou. Mamou como se tivesse fome, como se meu peito fosse a única coisa que importasse no mundo.
Joguei minha cabeça para trás, os dedos cravados nos ombros dele. Um gemido escapou, baixo, abafado, mas escapou. Roberto nunca tinha nem tocado meus peitos dessa forma. Ele apenas me usava. Raramente me beijava. Eu não sabia que podia ser tão bom. Não sabia que meu corpo podia sentir isso.
Victor alternou entre os seios, chupando, lambendo, mordiscando de leve. Cada vez que eu gemia, ele repetia o movimento, como se estivesse aprendendo o que me fazia perder o ar.
- Deita na cama, Bia - pediu, a voz grossa.
Obedeci sem pensar. Deitei de costas na cama de hóspedes, a colcha fria contra minha pele quente. Assim que me vi ali, nua da cintura pra cima, com ele me olhando, levei as mãos instintivamente para cobrir os seios.
Ele segurou meus pulsos com delicadeza e afastou.
- Não precisa disso - disse, sério. - Você é linda. Olha seu corpo - ele passou os olhos por mim devagar. - Você é muito gostosa, Bia. É uma cavala gostosa do caralho. Devia ter orgulho desse corpo.
Cavala. A palavra ecoou na minha cabeça. Que vulgar. Que palavra indecente. Era dessas que ele ouvia nos funks que tocavam na casa dele, aquelas letras que me fizeram reclamar no primeiro dia. Mas, saindo da boca dele, me olhando daquele jeito, como um elogio... fez alguma coisa esquentar dentro de mim.
Tesão. Era isso que eu estava sentindo. Tesão. Uma palavra que eu sempre achei que não existia para mulheres. Achava que era uma coisa que os homens sentiam, que os meninos sentiam, mas que para as mulheres era só... dever. Obrigação. E agora um moleque de dezoito anos estava despertando isso em mim.
Ele subiu na cama e ficou sobre mim. As mãos encontraram minha calcinha e puxaram devagar. O tecido desceu pelas minhas coxas, pelos joelhos, e eu levantei os quadris para ajudar sem pensar. Fiquei completamente nua debaixo dele.
Senti as bochechas queimando. "O que estou fazendo?", pensei. "Isso é errado. É completamente errado. É vulgar, indecente, blasfemo."
- Abre as pernas - ele pediu.
Meu corpo obedeceu antes que minha mente pudesse reagir. As coxas se abriram, me expondo completamente para ele.
Eu sempre mantinha os pelos aparados. Não gostava de tirar tudo, nunca gostei. Deixava um triângulo de tufos ruivos, bem cuidado, mas presente. Quando Victor olhou para minha buceta, toda aberta para ele, os olhos dele arregalaram.
- Puta que pariu, Bia - a voz saiu quase um sussurro. - Que buceta perfeita. Toda rosinha, latejando de tesão.
Ele passou o dedo devagar na minha entrada. Quando ergueu, um fio fino e transparente brilhava na ponta. Meu mel. Meu próprio mel, escorrendo de mim, mostrando para ele o que eu sentia.
- E você tá toda melada ainda por cima - ele mostrou o dedo para mim, o líquido brilhando sob a luz da rua.
- Eu... - a voz falhou. - Nunca achei que meu corpo era capaz disso. Eu nunca fiquei assim...
Ele levou o dedo à boca. Lambeu devagar, com calma, como quem prova algo precioso. Os olhos escuros se fecharam por um segundo, e quando se abriram, estavam ainda mais escuros.
- Deliciosa - murmurou.
E então ele afundou a boca na minha buceta. A sensação foi tão intensa que eu tive que morder o próprio braço para não gritar. A língua quente, macia, incansável, lambia meu grelinho com uma precisão que parecia impossível. Ele chupava, sugava, devorava como tinha feito com meus peitos, mas ali era mais. Era muito mais.
Eu me contorcia na cama, os quadris querendo fugir e ao mesmo tempo buscar mais. Minhas mãos puxavam o cabelo crespo e curto dele, sem saber se queriam que ele parasse ou continuasse. Ele ria contra mim de vez em quando, sentindo minhas reações, e continuava.
Não durou cinco minutos. A onda veio de repente, me pegou desprevenida. Meu corpo inteiro arqueou, espasmos começaram no fundo da barriga e se espalharam como fogo. Minha respiração ficou ofegante, os gemidos abafados no meu antebraço.
Quando os espasmos passaram, caí na cama como uma boneca de pano. Victor se ergueu, o rosto brilhando, me olhando de cima com uma expressão que eu não sabia decifrar.
- Meu Deus - consegui murmurar, sem fôlego. - O que foi isso?
Ele franziu a testa.
- Não me diz, Bia... você nunca gozou antes? Nem sozinha?
- Eu... - a vergonha subiu ao rosto. - Eu não sei. Achei que já tinha gozado sim. Mas nunca senti desse jeito. Tão... intenso.
Ele ficou me olhando por um momento, processando a informação. Depois um sorriso lento apareceu no canto da boca, mas não era de deboche. Era quase... orgulhoso.
O beijo veio mais calmo agora. A boca dele ainda tinha meu gosto, e eu senti meu estômago revirar de um jeito bom, um jeito que não acontecia há anos. A mão dele deslizou pela minha barriga, devagar, sentindo minha pele, as curvas, os lugares que Roberto ignorava.
- Agora quero sentir você - ele disse. - Pode ser?
Eu assenti, sem palavras.
Ele se sentou na cama, tirou a camiseta de uma vez. Sua pele retinta brilhando na penumbra, os músculos definidos, tudo aquilo me enchia com um fogo que eu não sabia de onde vinha. Como se fosse uma fênix adormecida por todo esse tempo e, então, finalmente, voltava à vida.
Seu shorts desceu. A cueca desceu junto.
Eu já tinha visto pela janela. Já tinha visto na sala. Mas ali, na cama, a poucos centímetros de mim, era diferente. Era maior do que eu lembrava. Muito maior. Grosso, comprido, a cabeça escura e brilhante, as veias contornando o volume. Subia apontando pra barriga dele, duro, pesado.
Ele se inclinou, pegou o short no chão e tirou uma carteira do bolso. De dentro, puxou uma camisinha, rasgou o plástico com os dentes, sem tirar os olhos de mim.
Fiquei vendo ele colocar. Os dedos grandes trabalhando rápido, acostumados. Quando a camisinha desceu, não cobriu tudo. Chegou até a metade, e o resto do comprimento ficou de fora, pele contra pele.
Ele viu onde eu estava olhando.
- É grande pra caralho, né? - disse, sem vergonha. - Relaxa que cabe.
Subiu na cama, ficou sobre mim. O corpo grande me cobrindo, os braços apoiados de cada lado da minha cabeça. A cabeça gigante da rola dele pressionou minha entrada.
- Olha pra mim - pediu.
Obedeci. Os olhos escuros encontraram os meus.
Ele se inclinou e me beijou. A língua quente invadiu minha boca no mesmo momento em que a rola começou a entrar.
Era grande demais. A cabeça grossa abriu caminho, esticou tudo, me preencheu de um jeito que doía e arrepiava ao mesmo tempo. Eu sentia cada centímetro, todo aquele comprimento entrando em mim.
A língua dele dançava com a minha enquanto ele continuava empurrando. Devagar. Profundo. Até estar inteiro. Quando parou, arfei contra a boca dele. Meu corpo inteiro tremia. Parecia que eu ia explodir de tão cheia.
Ele não se mexeu. Ficou ali, me beijando, deixando eu me acostumar com o tamanho.
- Tá doendo? - murmurou contra meus lábios.
Balancei a cabeça. Não. Não estava doendo. Ele sorriu.
- Agora vou te foder, gostosa.
E começou.
As primeiras estocadas foram lentas. Longas. Ele saía quase inteiro e voltava devagar, me enchendo de novo, cada vez mais fundo. A língua não parava, se enrolando na minha, trocando saliva, e eu ouvia os gemidos dele, baixos, se misturando com os meus.
- Delícia de buceta - ele murmurou na minha boca. - Você é uma delícia, Bia. Toda apertadinha na rola do negão, toda molhada.
Victor acelerou. As estocadas ficaram mais fortes, mais rápidas, e eu sentia a rola dele batendo num lugar que o pau de Roberto nunca alcançou. Minhas pernas subiram, se enroscaram na cintura dele, puxando ele mais fundo.
- Isso - ele gemeu. - Isso, cavala. Sente o novinho te arrombando.
A palavra suja na boca dele, dita enquanto me comia, fez meu corpo inteiro queimar.
Ele apertou minha bunda com uma mão, erguendo meus quadris, mudando o ângulo. A próxima estocada foi mais fundo ainda, e eu arqueei as costas, um gemido alto escapando.
- Calma - ele riu contra minha boca. - Vai acordar o velho.
Mordi o lábio, tentando me controlar, mas ele não facilitou. Continuou naquele ritmo, forte, profundo, me enchendo toda, me levando a um lugar que eu nunca tinha ido.
- Vou gozar - avisei, a voz falhando.
- Goza, minha puta - ele ordenou. - Goza na minha pica.
O orgasmo veio como uma onda gigante, me arrastando, me afogando. Minha buceta se contraiu ao redor da rola dele, e eu ouvi ele gemer enquanto continuava se movendo. Eu não consegui segurar os gemidos, e acabei soltando alguns mais altos que outros. Quando terminei de tremer, ele ainda estava duro dentro de mim.
- Agora vou gozar também - disse, a voz mais grossa. - Pode ser?
Assenti, sem fôlego.
Ele acelerou. As estocadas ficaram mais urgentes, mais profundas. A respiração dele ficou pesada, os gemidos mais frequentes.
- Puta que pariu, Bia - falou, a voz falhando. - Bia, vou...
Senti os espasmos da rola dentro de mim, senti o calor do leite mesmo através da camisinha, senti o corpo dele tremer por cima do meu. Ele gemeu meu nome de novo, abafado no meu ombro, enquanto se esvaziava.
Quando terminou, ficou ali por cima de mim, o corpo pesado, a respiração ofegante. Depois rolou para o lado e me puxou contra ele. Fechei os olhos, sentindo o corpo inteiro vibrar com o que tinha acabado de acontecer. Ainda sentia ele dentro de mim, mesmo depois de ter saído. Ainda sentia a boca dele, as mãos, aquele jeito de me olhar como se eu fosse a única mulher no mundo.
Foi então que ouvi: passos no corredor.
Meu corpo inteiro congelou. Victor sentiu, porque o braço dele apertou minha cintura.
- Beatriz?
A voz de Roberto. Do outro lado da porta.
Meu coração disparou e senti um frio de menos quarenta graus percorrendo meu corpo. Olhei em volta: a roupa no chão, a cama bagunçada, Victor nu atrás de mim, eu nua nos braços dele.
- Querida, você está bem? Achei que ouvi você gritar.
A voz dele estava preocupada. Preocupada de verdade. Meu marido, o homem com quem eu passei vinte e dois anos estava bem ali, do outro lado da porta, enquanto eu estava na cama com um moleque de dezoito anos.
Victor não se mexeu.
Era isso. O fim da minha vida como uma perfeita dona de casa estava prestes a acontecer.
