O dia seguinte ao áudio do Caio nasceu carregado por uma eletricidade estática que fazia os pelos do braço arrepiarem a cada movimento. Ambas já estávamos mergulhadas em nossas rotinas de estágio, mas nossas mentes estavam a quilômetros dali. Eu, na agência de comunicação, trabalhava na criação de storytelling para comerciais, mas meu olhar se perdia nas janelas imaginando o enquadramento perfeito dos nossos corpos. Martina, na publicidade, parecia flutuar entre as artes digitais, seus olhos brilhando com a promessa do que estava por vir. O suporte da minha mãe e os nossos freelas nos davam o luxo de viver aquele sonho sem restrições, e foi com esse espírito de "missão" que matamos aula naquela tarde.
O salão de beleza foi o nosso santuário de preparação. O cheiro de produtos importados e o som das tesouras eram o prelúdio da nossa transformação. Eu me sentei na cadeira e deixei que retocassem meu rosa neon; queria que ele brilhasse sob a luz baixa do quarto como um farol. Fizemos uma escova impecável, deixando meus fios com um movimento fluido, uma seda rosa que descia pelas minhas costas. Martina, ao meu lado, estava decidida. O cabelo dela, que já passava do meio das costas, foi repicado em camadas que davam um ar selvagem e moderno, coroado por uma franjinha quadrada, reta e audaciosa, que emoldurava seu olhar predatório. Quando ela decidiu puxar mechas rosas exatamente no tom do meu, nossos olhares se cruzaram pelo espelho: agora éramos visualmente metades de um mesmo desejo. Enquanto fazíamos pé e mão — eu num bordô profundo, ela num preto ônix — Martina encarou a sessão de depilação na cera com uma determinação silenciosa, deixando sua pele impecavelmente lisa e pronta. Eu, já acostumado a me manter sem pelos, apenas a observava com um sorriso devasso, antecipando o toque daquela pele na minha.
Saímos de lá direto para o shopping. O objetivo era a nossa armadura de prazer. Paramos diante da vitrine de uma boutique de luxo e o modelo saltou aos nossos olhos. Era um conjunto de renda francesa, sutiã de taça que projetava o colo e uma calcinha que na frente era puro detalhe, mas atrás reduzia-se a um fio quase inexistente. — O modelo é perfeito, Nick. Mas a cor... — Martina ponderou, segurando o conjunto preto. — O preto é a sua cara, Tininha. É mistério, é poder — eu disse, pegando a versão em vermelho bordô, a cor do vinho e do sangue. — O meu precisa ser visceral. Imagine nós duas assim, lado a lado, esperando por ele. — Ele vai enlouquecer — ela sorriu, imaginando o contraste das rendas contra nossas peles. — Vai ser como um banquete visual antes de ele sequer encostar na gente.
Voltamos para casa, e às 19:55, o rugido do motor de Caio ecoou. O som dos passos dele na escada fazia o chão vibrar. Quando a porta abriu, ele encontrou o cenário que planejamos. No sofá, envoltos em aromas de vinho e queijo, guiei Martina até ele. O beijo deles foi uma colisão. Quando fomos para o tapete, eu me ajoelhei entre as pernas dele. O pênis moreno do Caio estava em riste, uma força da natureza que eu comecei a chupar com a devoção de quem busca a salvação. Martina se juntou a mim, e nossas cabeças rosas se moviam em sincronia. O rosto da Martina estava transformado pelo desejo; os olhos semicerrados, a boca entreaberta, a pele brilhando de um suor fino. Nossos fluidos começaram a se misturar — a saliva, o lubrificante natural, o perfume dela e o meu — criando um rastro de luxúria que melava nossos rostos. Estávamos no cio, movidos por um instinto que ignorava qualquer regra.
Quando ele penetrou na Martina, eu via os músculos das costas do Caio se contraírem e relaxarem a cada estocada potente. Era uma visão magnífica: a força bruta dele esculpida sob a pele morena, as escápulas se movendo como asas de um predador. Martina emaranhava os dedos com força no cabelo dele, puxando-o, enquanto ele gozava na boca dela com um rugido abafado. Logo em seguida, ela subiu e nos beijamos — um beijo triplo, melado de sêmen, quente e visceral, onde o gosto dele circulava entre nós três como um pacto de sangue.
A noite seguiu para o quarto, onde a adoração continuou. Eu o tomei por trás enquanto Martina o satisfazia na frente, e o ciclo de prazer se repetiu até a exaustão total. Quando o sol ameaçava surgir, finalmente desabamos. Caio deitou no meio, seus braços massivos nos envolvendo. Ele me abraçava por trás, seu peito quente colado nas minhas costas, enquanto eu abraçava a Martina pela frente, sentindo a respiração dela no meu pescoço. Éramos uma corrente humana de afeto e exaustão, dormindo como se tivéssemos finalmente encontrado o nosso lugar no mundo.
O banho que se seguiu àquela primeira explosão na sala foi apenas o intervalo necessário para que o oxigênio voltasse aos nossos pulmões. Martina, exausta e com um sorriso de satisfação plena, decidiu subir para o chuveiro primeiro, prometendo nos encontrar no quarto em instantes. Eu e Caio, porém, não conseguíamos nos desgrudar. Fomos para o banheiro do corredor juntos, onde a água quente batendo em nossos corpos só serviu para reacender a chama. Sob o vapor, entre o cheiro do sabonete e o toque das mãos deslizando pela pele molhada, a higiene virou preliminar. Eu o prensava contra os azulejos, sentindo o vigor dele retornar com uma força assustadora. Saímos de lá secando um ao outro entre beijos roubados, caminhando direto para o santuário que era o quarto dele.
Assim que entramos, o clima mudou da urgência para a adoração técnica e profunda. Caio, em um gesto de entrega que sempre me desarmava, posicionou-se de quatro na cama, os joelhos afundando no colchão. Eu me coloquei atrás dele, admirando a paisagem de suas costas largas e musculosas sob a luz fraca do abajur. Ao penetrá-lo devagar, vi a mágica acontecer: a cada estocada, os músculos das suas costas se contraíam de forma magnífica, as fibras se desenhando sob a pele morena enquanto ele soltava gemidos baixos. Suas escápulas se moviam como se ele estivesse escalando uma montanha de prazer, e eu era o guia.
Foi nesse momento que olhei para a porta e vi Martina. Ela estava parada, nua, o novo corte de cabelo levemente úmido e a franjinha quadrada dando a ela um ar de divindade moderna. Ela não disse nada; apenas caminhou com uma elegância felina até a cama e se posicionou exatamente na frente do rosto de Caio. Ele, sentindo o aroma dela, abriu os olhos e entendeu o sinal. Martina aproximou sua buceta — agora lisinha e sensível pela cera — da boca dele, e o que se seguiu foi uma cena que parecia pintada à mão. Enquanto eu trabalhava atrás dele, sentindo cada contração dos seus glúteos e da lombar, Caio a devorava com um desespero controlado. Martina emaranhava os dedos com força nos cabelos dele, puxando sua cabeça contra si, querendo que ele a sentisse por inteiro. Nossos olhares, o meu e o dela, se cruzaram por cima do corpo dele; éramos duas mulheres unidas pela posse daquele homem, compartilhando fluidos, gemidos e uma química que transbordava do quarto.
O ápice veio como uma avalanche. Eu e Martina nos demos as mãos, os dedos entrelaçados com força sobre o corpo do Caio, e gozamos em uníssono. Ele soltou um rugido gutural, um orgasmo tão forte que o fez desmanchar sobre a cama, os músculos finalmente relaxando em um tremor exausto.
A exaustão final foi doce. Caio deitou de lado e nos puxou para junto dele, formando a conchinha perfeita que selaria nossa união. Ele me abraçava por trás, e eu sentia sua respiração quente e pesada na minha nuca, um sopro de vida que me trazia uma segurança absoluta. Seus braços massivos me envolviam como um escudo. Eu, por minha vez, abraçava a Martina pela frente, sentindo o corpo dela ainda quente e o leve grunhido de satisfação que ela soltava enquanto se acomodava no meu peito. Sentir o ritmo cardíaco dos dois sincronizando com o meu foi o momento mais espiritual da minha vida. Eu fechei os olhos e apaguei, sentindo que, pela primeira vez, eu não estava apenas dormindo; eu estava descansando no céu.
Os meses seguintes foram o verão das nossas almas, um período de descobertas onde o sexo fluía entre nós três de todas as formas possíveis, fortalecendo nossa amizade e nosso amor. Mas a bolha estava prestes a estourar. Dezembro chegou, e com ele a viagem planejada para a Pérola do Oeste. Eu queria que eles conhecessem a minha mãe, a mulher que me criou e que agora veria o homem — e a mulher — que eu me tornara.
