Chamego

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 2137 palavras
Data: 13/02/2026 21:56:56
Assuntos: Lésbicas

À noite, Iury se preparava para o encontro com Thaís, e Júlia e eu ficamos rindo do nervoso dele. Minha sogra não gostava da ideia de ficar; para ela, o filho teria que apresentar a moça em casa e pedir em namoro, mas também não implicou muito.

— Não faz besteira, ela é filha da minha amiga — Juh falou.

— Faça várias besteirinhas gostosas com ela — brinquei, e ele riu.

Chamei um Uber para ele, e os dois voltaram durante a madrugada. Juh e eu tínhamos acabado de sair do banho, porque não foi só o meu cunhado que se divertiu naquela noite, e ouvimos os passos deles subindo a escada.

— Agora o pau vai torar — falei.

— Ai, que nojo, não vamos falar disso — minha gatinha disse, com uma expressão engraçada.

Fomos dormir e, poucas horas depois, meu despertador tocou para eu ir para o hospital. Me arrumei e, quando saí do quarto, dei de cara com o casalzinho se despedindo na porta do quarto.

Eu tinha duas opções: deixá-los envergonhados ou fingir naturalidade. Adoraria ter abusado um pouco, porém decidi não pegar no pé naquele momento. Pelo que aparentava, tudo havia corrido bem, e eu desejei de verdade que fosse uma memória boa por completo para os dois.

— Bom dia, pessoal, vou tomar um cafezinho... Qualquer coisa, estou lá embaixo — falei em um tom baixo, e eles acenaram positivamente.

D. Jacira não sabia dessa parte da história, e eles deram um jeito de sair pela porta do fundo, que tem acesso à garagem.

— Quer que eu deixe ela em casa? — cochichei para Iury.

— Chamei um Uber para ela — ele sussurrou de volta.

— Deu tudo certo? — questionei.

— Hunrum... — meu cunhado confirmou, com um sorrisão no rosto.

— Além dela ter te engolido, você serviu um cafezinho para ela, não foi? — perguntei.

— Claro que sim, levei na cama... — ele respondeu, todo bobão ainda.

— Muito bem... Vou indo, e depois a gente conversa mais — falei, quando ia saindo.

Mas minha gatinha apareceu, e eu fiquei por mais um tempinho. O chá revelação seria no outro dia, e ela estava um pouco ansiosa com tudo. A gente trocou alguns beijinhos, e fiquei conversando com meu neném.

— Amanhã a gente vai saber se você é menino ou menina — disse, agachando até ficar na altura da barriga.

— Sonhei que era menino hoje — Juh falou, fazendo carinho no meu cabelo.

— Suas mamães te amam muito, viu, meu amorzinho? — falei e deixei uma sequência de beijinhos.

— Não vai, não... — Júlia pediu, toda dengosa, já nos meus braços.

— Tenho que ir para comprar o berço do(a) nosso(a) bebê — brinquei, rindo.

— Me dá mais um beijinho — ela pediu.

Segurei no queixo da minha amada e a beijei lentamente, sentindo o cheirinho gostoso dela... Realmente, dava vontade de ficar.

— Você... é uma delícia — suspirei entre seus lábios e a senti sorrir.

— Não demora muito, por favor... — Juh falou.

— Vou tentar — disse, enchendo-a de selinhos e entrando no carro.

O combinado entre Júlia e eu era simples e muito claro: eu estaria mais presente na rotina com o bebê. A partir disso, comecei a planejar de forma objetiva como reorganizaria meus próximos meses. Liguei para minha secretária, pedi que verificasse a questão das funcionárias para casa junto a uma empresa terceirizada e deixei meus companheiros de trabalho cientes de que, a partir do sétimo mês de gestação, minha presença na filial seria reduzida de maneira gradual e organizada.

Com o general, a conversa foi tranquila (quem já teve a experiência de trabalhar com alguém da reserva entende do que estou falando). O que ele desejava já estava em andamento, a equipe estava bem estruturada e o funcionamento seguia estável. Minha atuação se concentrava, principalmente, na coordenação do projeto: garantir que nada saísse do eixo, acompanhar os processos mais delicados e manter o padrão de qualidade que nunca foi exigido, mas conseguimos alcançar. Ainda assim, era possível conciliar o acompanhamento dos pacientes considerados principais durante o período da tarde, sem prejuízo ao andamento geral.

Foi um dia produtivo e coerente com tudo o que eu vinha construindo em pensamento. Eu falava da minha família com naturalidade, ao mesmo tempo em que cuidava para que cada ajuste profissional fosse feito com responsabilidade. Não queria ser um entrave, tampouco comprometer o funcionamento de uma renomada filial. Muito menos desejava falhar ou decepcionar um amigo que confiou em mim um trabalho sensível. O meu objetivo era estar o máximo possível com minha família e viver a maternidade ao lado da minha gatinha mais uma vez, agora em um contexto diferente, com desafios maiores, já que se tratava de um bebê, e eu sabia exatamente o que isso significava por experiência própria.

Para mim e para Júlia, comunicar a gravidez foi um processo surpreendentemente simples. Júlia é praticamente idolatrada na rede em que trabalha; percebe-se nitidamente o esforço dos superiores em mantê-la, a preocupação constante em não perdê-la e a confiança que depositam em seu trabalho. Eu observo tudo isso com atenção e não tenho dúvidas da competência dela. O reconhecimento que recebe é merecido, e sou grata por ver o trabalho da minha gatinha valorizado como deve ser.

Com o Psiquilord, a reação foi igualmente positiva. Ele ficou genuinamente feliz, pediu que eu organizasse uma escala, deixasse um esquema bem definido com a equipe e, prontamente, se colocou à disposição para me liberar quando fosse necessário. Eu o tranquilizei, explicando que ainda não havia essa urgência. Ele não tem filhos, e talvez por isso a alegria dele tenha sido ainda mais evidente, visto que já havia me confidenciado que o único arrependimento dele foi ter procrastinado até não ser mais possível. No almoço, comentei esse detalhe da atenção dele com uma colega, e ela me contou que o conhecia desde a juventude, pois seu pai era amigo dele. Quando o pai faleceu, foi o Psiquilord quem arcou com o restante das despesas da faculdade dela.

São esses gestos discretos, quase invisíveis, que fazem dele, para mim, um grande ser humano. Ele é reconhecido pelo mundo por inúmeros motivos, mas, na minha perspectiva, é enorme simplesmente por ser quem é.

Assim que cheguei em casa, tomei um banho e dei um beijo na minha mulher, que estava em reunião com Rafael. Para não atrapalhar, fui para a sala e fiquei com o restante da família. Minha sogra estava preparando uma coisinha diferente para Júlia, porque ela havia enjoado de tudo, e me juntei a Kaique, Milena e Iury, que estavam jogando Uno.

— Esse tio de vocês é o cão, cuidado — brinquei.

— Tá falando isso porque perdeu para mim — ele disse.

— Você fingiu que não sabia jogar direito para ganhar uma aposta, seu sacana... — falei, cerrando os olhos.

— Ele não sabe mesmo não, Uno! — exclamou Mih.

— Dá uma surra nele, filha — incentivei.

— Vou te vingar, mãe — ela respondeu, virando a cabeça para cima para me dar um beijo na testa.

E Milena ganhou mesmo.

— O que o tio Iury ganhou na aposta, mãe? — Kaká me questionou.

Desconfigurei por alguns minutos e retornei para a conversa.

— Pedi para dirigir o carro dela por aqui, vamos marcar ainda — Iury falou rapidamente.

Após algum tempo, Juh desceu com D. Jacira. Estava toda dengosa, caiu molinha nos meus braços e ficamos de conchinha no sofá. Depositei vários beijinhos suaves na nuca dela e, com as mãos, iniciei carinhos lentos na barriguinha, por baixo da camisa, e logo Juh entrelaçou os dedos nos meus, deixando escapar um suspiro.

— O que foi, hein, amorzinho? — perguntei, enquanto intercalava beijos entre as palavras.

— Eu estava ansiosa para esse momento do dia chegar logo — ela respondeu, toda manhosa.

— Mas assim eu sou obrigada a morrer de amor... — falei, na curva do pescoço da gatinha.

— A mamãe falou o dia toooodo que estava com saudade — Mih comentou.

— E o nosso carinho nem servia — Kaká completou, convencido.

— Essa parte é mentira... — Júlia respondeu de imediato, e eu ri.

— Tá com ciúme, é? — questionei, e ele riu.

— Poder ter o carinho de vocês durante o dia todo é reconfortante — Juh continuou.

— Vou levantar rapidinho aqui... — ameacei, soltando-a por meio segundo.

— Naaaaaaao, já fez tudo hoje — ela rapidamente puxou meus braços de volta.

Todos nós caímos na risada.

— Não vou sair, não, meu amô — garanti, afundando meu rosto em seu pescoço.

Entre uma resenha e outra, minha sogra e os meninos foram dormir, restando somente Iury e nós duas na sala.

— E aí, como foi? — perguntei.

— Na frente dela? — Iury questionou.

— Vou mandar mensagem pra Sabrineee — Juh cantarolou.

— Não! Nem pensar! — ele exclamou, levantando.

— Tá lascado, boy — zoei.

— Calminha que AINDA é brincadeira — Júlia enfatizou, e Iury revirou os olhos, voltando a sentar-se.

— Tô curiosa... Ela foi legal contigo? — perguntei.

— Nossa, demais... Depois que eu falei aquelas... questões... fiquei bem menos nervoso pela maneira que ela me tratou depois... Nem ligou, a gente conversou pra caralho antes de vir para cá... Foi muito bom mesmo — meu cunhado falou, todo bobo.

— Ohhhhhh, o pivete tá apaixonadinho — brinquei.

— Não estou — ele tentou, mas estava estampado na cara dele.

— Nem dá para continuar zoando... Você se apaixonou, meu amoooor — Juh disse, indo até ele.

Foi muito engraçado ver Iury não aceitando muito bem a ideia e tentando desviar dos carinhos de Júlia.

— Não sou você, não... Eu, hein — ele disparou.

— Amor, seu projeto Lore 2.0 falhou porque ele se apaixonou de cara — Juh me disse.

— Então deu mais que certo — brinquei.

— A gente só ficou, como eu fico com várias outras — meu cunhado insistia.

— Ela é diferente, é importante — minha gatinha falou.

— Por isso que não dá pra conversar quando ela tá perto, tá vendo? Por isso eu preferi sair para falar sobre — ele falou, impaciente.

— Por que a ideia de ter se apaixonado te causa tanta repulsa? — perguntei.

— Não estou apaixonado, e até amanhã! — Iury se apressou em dizer e subiu as escadas.

— Liga pra sua namorada para ela te acalmar, irmão — Juh o alfinetou.

Nesse momento, Iury fervilhou de raiva; ele se virou e ia voltando, mas, em algum momento, desistiu do que quer que tenha pensado em fazer e mostrou o dedo do meio para ela.

— Chega... — falei, antes que aquilo passasse dos limites.

— Também te amo!!! — Júlia falou, rindo e voltando para mim.

— Tá abusadinha, né? Fica aí provocando — disse, rindo e a abraçando.

— Ele que está afetado e tudo tá doendo — Juh me respondeu.

Fomos para o quarto, minha gatinha foi tomar banho e eu fiquei esperando na cama. Cochilei ligeiramente algumas vezes até ela retornar minutos depois, com o cabelo úmido preso em um coque frouxo, vestindo uma camisola leve de seda que, transparente o suficiente para deixá-la ainda mais irresistível, parecia ter saído diretamente de um sonho meu.

— Que issssso? Vestida pra me matar? — perguntei, animada, sentando-me na cama e estendendo os braços para ela.

— Só queria algo que não me apertasse... — Juh respondeu, se jogando nos meus braços com um sorrisinho manhoso, virando-se para mim e aninhando a cabeça no meu peito.

Puxei-a para mais perto, e minhas mãos traçaram a seda fina até encontrar a pele quente da barriguinha dela, depositando beijinhos leves no ombro exposto. Segurei firme em sua cintura e a deitei na cama.

— Amor... não... — ela falou, um pouquinho sem graça.

— Sério? — perguntei, retomando os beijinhos, mas descendo para seu colo.

— Hunrum — Juh confirmou.

Segurei levemente em seu seio, aguardando uma reação diferente, porém ela não veio. Júlia apenas sorriu e levou a mão até a minha.

— Outro dia, tá bom? — ela perguntou.

— Ok, então... — confirmei, deitando ao seu lado.

— Ficou chateada, foi? — Juh quis saber.

— Não, mas acho um desperdício — falei, rindo e a puxando para dentro do meu abraço.

— Quero isso aqui — ela falou, se aconchegando totalmente em mim.

— Prova de resistência o nome disso aqui — brinquei.

— Não, é chamego — Juh disse, me dando um selinho.

— Nesses trajes? — questionei e não tive tempo para resposta, pois tomei os lábios dela em um beijo.

— Isso, nesses trajes — Júlia me respondeu, em um tom divertido.

— Eu te amo, sabia? — falei, encostando nossas testas.

— Eu também te amo, sabia? Muito! — Juh exclamou.

Naquela noite, apesar do cansaço acumulado, eu exausta por uma semana de sono fragmentado e Júlia lutando contra um mal-estar persistente, o repouso não veio fácil para nós. Eu mergulhava em um sono leve, acordando a cada instante com contrações musculares que me impediam de relaxar por completo.

Sempre que abria os olhos, encontrava dois olhinhos me fitando no escuro ou sentia os dedinhos dela se entrelaçando nos meus fios de cabelo, traçando carinhos suaves para me embalar de volta ao sono. Júlia também não pegava no sono, o desconforto a mantendo acordada, e acabamos trocando uma vigília compartilhada na madrugada.

Aquela insônia parecia um prelúdio ansioso ao que viria, porque, ao fim daquele dia, saberíamos se o(a) nosso(a) bebê era menino ou menina. Mas, voltando ao início dele... Adormecemos de verdade apenas ao amanhecer.

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 161Seguidores: 47Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

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