Prometeu foi um titã que roubou o fogo dos deuses para dar aos homens e, como punição, passaria a eternidade tendo seu fígado comido por águias. Mas, antes disso, ele foi responsável por ajudar a criar os homens.
Antes de terminar de moldá-los em barro, e tendo ficado bêbado com seu amigo Dionísio (deus do vinho), ele teve de deixar de lado sua obra. Mais tarde, ao voltar para terminar sua criação, ele colocou acidentalmente parte da genitália errada nas pessoas erradas. Por isso, alguns homens acabariam atraídos por outros homens, assim como as mulheres, por outras mulheres. E haveria ainda aqueles que desejariam mudar de sexo, para voltarem a ser o que deveriam ter sido.
No hospital, meu filho entregou pra mãe o seu primeiro netinho e a Beth de repente parecia ter esquecido que odiava aquela palavra. Ser chamada de “vó” era algo que ela ainda teria de se acostumar, mas naquele momento isso pouco importava, enquanto segurava o bebê de olhos sonolentos, que tentava dormir em meio a todo aquele paparico.
Uma semana depois, quando o telefone tocou lá em casa, pra minha surpresa, a voz me chegou como de uma lembrança distante. Parecia um tanto mais macia e aveludada, mas ainda era a mesma voz que me chegava no mais profundo da minha alma, e ainda capaz de me tocar como nada mais neste mundo.
Ele dizia que viajaria na quinta-feira à noite e deveria chegar na sexta, mas que precisaria voltar e já tinha viagem de volta marcada pra segunda. Apenas um fim de semana, era o tempo que eu teria pra matar a saudade do Luca, mas meu coração mal cabia no peito, e não via a hora de revê-lo. Tanto que aquela semana parecia se arrastar e não ter fim.
Na sexta-feira então, fui buscá-lo no aeroporto, com a expectativa de que aquele poderia ser o começo de um novo rumo na minha vida. Mesmo que ele tivesse dito que só ficaria pro fim de semana, no fundo ainda tinha alguma esperança de que pudesse convencê-lo a ficar.
Na verdade, eu pouco sabia da vida que o Luca levava na Europa. A princípio ele devia ficar alguns meses, primeiro estudando inglês em Londres e, quem sabe, se tudo desse certo, eu o ajudaria a pagar a faculdade pra ele terminar os estudos por lá. Mas, terminado o curso, ele decidiu realizar o antigo sonho de viajar por toda a Europa, meio sem destino certo, além de um pequeno mapa com lugares marcados, que ele sonhava conhecer.
E tudo o que eu sabia era que, a cada contato que mantinha, ele estava num lugar diferente. Mas depois de conhecer alguns países, acabou se estabelecendo na Alemanha, e já falava bem o idioma depois de alguns anos morando lá.
No saguão de desembarque internacional do aeroporto, eu olhava ansioso, esperando a chegada do voo 357. Mas acho que tinha me antecipado, porque o voo dele só pousava às três da tarde. O tempo passava e cada minuto de espera me levava de volta ao passado, quando pela primeira vez o vi, quando pela primeira vez o toquei e senti o seu corpo franzino contra o meu.
Eu sei que não fui o primeiro que o tocou, não fui o primeiro a tê-lo em meus braços. Mas sei que fui o primeiro a amá-lo, com um amor tão desmedidamente intenso, que chegava me doer o peito a espera de vê-lo de novo. O que ele deixou em mim, o vestígio que ficou, isso permaneceu comigo até hoje.
Eu olhava as pessoas que passavam por mim no portão de desembarque e tentava reconhecer nelas o seu olhar, o seu jeito de andar. Não é possível que já não mais o reconhecesse. Nem havia se passado tanto tempo assim. Em meio ao desfile de pessoas que chegavam e cruzavam o saguão, um menino de não mais que cinco ou seis anos, conduzido pela mãe, passa à minha frente e, de repente, ao me ver, o pequeno consegue se desvencilhar dela e corre na minha direção, agarrando-se à minha perna.
Em sua ingênua e espevitada reação, provavelmente devia ter me confundido com seu avô, e me estende os braços, me pedindo colo. Sorrindo pra ele, eu pouso no seu cabelo minha mão e sinto a maciez do seu rostinho corado. Sua mãe corre atrás dele e, meio constrangida, se desculpa, pegando o menino no colo, “É que ele não vê o avô há algum tempo”, ela sorri meio sem jeito.
“Que bom que ele ainda lembra do avô. Nessa idade, as crianças logo acabam esquecendo”, com o dedo polegar, eu acariciava novamente o seu rostinho. “Ele era muito apegado ao avô”, me explica. “Também tenho um netinho. Meu primeiro”, sorri de volta. E assim que os dois seguiram pelo saguão até encontrar o resto da família, junto com o verdadeiro avô, minha pequena viagem no tempo de repente terminou.
Acho que aquele dia estava me deixando um tanto nostálgico, e a minha impressão era de que estava mesmo ficando velho, já sendo chamado de vovô por um garotinho. Esse pequeno incidente acabou me distraindo e já não sabia se o voo do Luca estava atrasado ou se ele já tinha passado por mim e eu não o tinha visto.
Até que duas mãos me chegam por trás e me cobrem os olhos, feito brincadeira de criança. A primeira coisa a me chegar aos sentidos foi o seu perfume, num toque de canfora que deixava no ar. E quando me virei, pra minha surpresa, me deparei com uma loira de cabelos pouco abaixo dos ombros, em sua blusinha de seda sob um terninho bege.
Além do novo corte de cabelo, mais comprido e descendo até os ombros, não conseguia tirar os olhos dos seus seios, pronunciados sob a roupa, e que me tocavam o peito no seu abraço. “Pelo visto, continua encantando garotinhos!”, ela me sorri, tirando os óculos escuros. E só agora me dou conta de que era o Luca.
No saguão do aeroporto, diante de uma loira estonteante, eu me sentia como que de volta no tempo. A sua voz me chegava de uma lembrança guardada, que eu ainda reconhecia. Ainda era o mesmo garotinho que eu conhecia no seu sorriso. Mas agora no corpo de uma linda jovem pouco mais alta que eu lembrava, talvez devido aos saltos altos. E no instante seguinte, o seu perfume me enchia os sentidos, quando ela voltou a me abraçar, dessa vez colando sua boca na minha pra me beijar.
Nenhuma das pessoas em volta sabia ou mesmo suspeitava de que a linda mulher que me beijava era o mesmo garotinho que um dia eu tive nos braços no portão da escola, e que agora se atrevia a me seduzir à vista de todos. Enquanto a abraçava pela cintura, partilhando da sua respiração, quem olhasse diria que não passávamos de um casal que se reencontrava depois de uma viagem, numa cena romântica de um filme de sessão da tarde.
Ao passar por nós, alguns olhares acabavam se desviando pra loira deslumbrante nos meus braços, e eu os deixava olhar, com certo orgulho. Depois então peguei a sua mala e fomos pra casa, e enquanto eu dirigia ela me contava tudo da sua vida pelo mundo. Ao chegarmos, ainda na portaria do prédio, alguns olhares continuavam a nos seguir e, finalmente, ao entrarmos, estava de volta no tempo, quando aquela casa era o seu refúgio.
Fui então apanhar uma toalha pra ela tomar um banho e trocar de roupa. No seu antigo quarto, sua cama ainda estava lá, como se eu soubesse que ele voltaria, e ainda nas paredes aquele mesmo retrato seu de quando era criança, que eu havia trazido da casa do seu pai. Mas então, ao abrir a porta do banheiro, me deparei com aqueles olhos azuis mais uma vez e estaquei diante dela.
Era ainda o meu menino, com o mesmo brilho no olhar que me tirava do sério. Seu corpo, já não tão franzino, revelava certas curvas que eu não conhecia, desde a cintura mais fina, passando pela silhueta de dois peitinhos de adolescente que se pronunciavam sob o sutiã de renda preta. Se ainda me atrapalho, chamando de ele ou ela, é apenas o meu desejo que me confunde os sentidos.
Ainda me tendo no seu olhar, ela alcançou o fecho do sutiã em suas costas e, ao abri-lo, deixou cair no chão, ficando apenas em sua calcinha de renda preta. Não eram mais que duas pequenas peras que se podia colher do pé aqueles seus dois peitinhos, e de um ligeiro rosado o tom de pele em torno dos pequenos mamilos, que ela tocava timidamente, como se insegura do que eu acharia deles.
E, de tão delicados, só podiam ter sido colocados ali por mãos de anjos, como se um milagre. A calcinha de renda preta que usava contrastava com sua pele branquinha, e eu não resisti mais e fui até lá. Abraçá-lo mais uma vez ali, naquele lugar onde tudo começou, era mais do que um sonho. Minhas mãos desciam pelas suas costas, tendo contra o meu peito seus dois peitinhos durinhos, e ao beijá-lo mais uma vez, me dominava a urgência de possuí-lo ali mesmo.
Ao mesmo tempo em que me apresso em tirar o cinto e me livrar das calças, ela me tira a camisa e, de encontro à parede de azulejos do banheiro, eu acaricio seu cabelo e beijo seu pescoço, pra em seguida ir puxando a calcinha. No contorno perfeito da sua bundinha, de carne mais branca, minhas mãos querem abri-la ao meio e, guiando meu pau entre as suas pernas, consigo enfim chegar ao seu cuzinho, que ao primeiro contato, tenho a sensação de reconhecer algo familiar, um lugar onde já estive antes.
E mesmo de olhos fechados, eu percorro o caminho que leva às suas entranhas, penetrando o seu anelzinho que se abre docemente. Com metade do meu pau já dentro dela, pra minha surpresa, minhas mãos se deparam com seu pequeno sexo de menino ainda lá, e eu começo a masturbá-lo, enquanto mais alguns centímetros do meu pau adentram nela.
Não sei como, mas finalmente estou com meu pau todinho enfiado no seu cuzinho, e ao penetrá-la, o seu pau cresce na minha mão, já bem durinho. Ela então me pede a minha boca, me oferecendo a sua, eu a beijo, sentindo seu hálito quente e o cheiro do seu perfume a me dominar. Então, sem mais conseguir me conter, ao mesmo tempo em que eu começo a gozar dentro dela, sinto seu corpo tremer e logo sinto o seu gozo na minha mão, enquanto o masturbo.
Até que já um tanto sem forças, me deixo ficar ali atrás dela, com meu pau ainda no meio das suas pernas, acariciando e beijando a singela borboleta tatuada na parte de trás do seu ombro. Minha mão, cheia do seu gozo, é o meu carinho por entre os seus peitinhos quando ela se vira pra mim, e eu não resisto a lamber e chupar o biquinho eriçado do seu mamilo, coberto de porra, pra em seguida beijá-la mais uma vez.
Depois de uma ducha, nos secamos e fomos pra cama, onde a deitei pra, dessa vez me deliciar chupando o seu pau, que logo já está de novo pulsante na minha boca. Ela então se vira e sobe em cima de mim pra também me chupar, num delicioso meia-nove. E, no instante em que eu consigo encontrar a entradinha do seu cuzinho, metendo meu dedo, ela também responde metendo ainda mais na minha boca, e começa a me penetrar. Mas, no auge do seu tesão, ela desce de cima de mim e, de quatro na cama, me pede pra fodê-la de verdade.
E com meu pau devidamente lubrificado com a sua saliva, não tenho nenhuma dificuldade em meter tudinho. Ela então começa a gemer e pede mais de mim dentro dela, até que mais uma vez eu sinto meu gozo enchê-la todinha. Por um instante, sem querer mais nada na vida, nos deixamos ficar ali na cama, ainda ligados no contato do meu sexo e do seu cuzinho, meio ofegantes.
Depois então, fomos pro banheiro tomar uma ducha, mas, por um instante, levantei o seu corpo em meus braços e a coloquei sentada sobre a pio e comecei a beijá-la. Seus cabelos loiros caíam sobre o meu rosto enquanto lhe dava a língua pra ela chupar. E, da sua boca, minha língua percorria o seu pescoço até os seus peitinhos, que me cabiam todinhos na boca.
Não era muito diferente de chupar os peitinhos de uma garotinha. E, com isso em mente, acho que eu mesmo também já o via como mulher, e não mais como o menino que ele um dia foi. Talvez, por ainda estar numa fase de transição, ele ainda não havia adotado um nome feminino, mas talvez nem precisasse, afinal, Luca servia pros dois. E acho que a partir dali eu comecei a de fato aceitar a sua mudança de gênero. Não como uma fase passageira, uma experimentação, mas como uma mudança definitiva, e que, mais do que nunca, eu tinha de apoiá-lo.
A única diferença, ao menos por enquanto, era que ainda tinha o seu pau duro, que agora, mais que tudo, eu queria mais uma vez provar. E enquanto o chupava, ela gemia, me envolvendo com suas pernas. Até finalmente me dar o que eu tanto ansiava.
Depois de fazê-la gozar, me enchendo do seu néctar, eu me saciava do seu último resquício de masculinidade. Até beijá-la mais uma vez, partilhando com ela o sabor do seu próprio gozo.
No dia seguinte, o Fabinho veio trazer a mulher e seu filhinho pro irmão conhecer. É claro que em torno da mesa, na hora do almoço em família, a mulher dele nem se dava conta da nossa relação, mas parecia aceitar, um tanto surpresa, a mudança de sexo do cunhado.
E, na mesma tarde, eu estava me despedindo dele no saguão do aeroporto. Mais uma vez ele se foi da minha vida, deixando na boca o gosto doce dos seus lábios, mas o amargo da lembrança de vê-lo partir.
“Seja qual for a sua decisão, se amanhã você voltar pra mim como o que quiser ser, eu vou estar aqui esperando!”, sussurrei no seu ouvido ao abraçá-la e beijá-la mais uma vez, até acompanhar os seus passos pelo corredor, entre as pessoas, quando já no final ela se virou e acenou sorrindo, até atravessar a porta de vidro.
E foi assim que se foi da minha vida o meu pequeno loirinho, o que primeiro me tocou a alma e o que me fez crer ainda ser possível que os sonhos se realizem. Pra ele, acho que o seu sonho começava a se realizar. Pois, com certeza, Prometeu deve ter se enganado. O Luca era muito mais que um mero garotinho de olhar doce; ele era o meu pequeno Eros, o meu sonho, o meu mais belo sonho. E eu ainda estaria à sua espera, ansioso por um dia revê-lo de novo.
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