​Capítulo VI: A Casa que Observa (e o Altar que se Abre)

Um conto erótico de Entre fogo e agua
Categoria: Heterossexual
Contém 1560 palavras
Data: 13/02/2026 06:00:58

A casa mudou de som quando a tarde começou a cair.

​Saímos da cozinha com o gosto do café e da promessa na boca, mas o corredor nos devolveu à realidade. O desenho animado foi desligado, passos pequenos cruzaram o tapete, uma risada breve escapou da sala. Percebi que agora havia testemunhas invisíveis daquele encontro — não juízes, mas camadas de vida que eu precisava respeitar.

​Ayandara transitava entre os cômodos com uma naturalidade que me deixava tonto. Ela não se explicava. Não performava. O vestido simples balançava nas coxas, escondendo a umidade que eu sabia — porque ela tinha me deixado sentir na cozinha — que estava lá.

​— Aqui não é hotel — ela disse, guardando uma caneca na estante, ficando na ponta dos pés e expondo a curva da panturrilha. — Quem entra precisa entender o tempo da casa. Se você veio só para gozar e ir embora, a porta é serventia.

​Assenti. Não como concordância automática, mas como quem reconhece uma regra antiga.

​Sentamos no sofá. A distância era respeitosa, mas o ar entre nós vibrava. Meu corpo ainda estava em chamas pelo toque dela na cozinha, meu pau roçando dolorosamente no jeans a cada movimento, mas eu precisava ficar imóvel.

​O pequeno apareceu por alguns segundos. Olhar atento, curiosidade breve de criança. Ayandara me apresentou sem floreios, sem títulos. Apenas Malik. Eu sorri. O menino me avaliou e voltou para o quarto, levando consigo a barreira da inocência.

​O silêncio que se seguiu era outro. Denso. Carregado de feromônios e responsabilidade.

​— Você ficou — ela comentou, sem olhar diretamente, os olhos fixos na janela onde o sol de Limeira se despedia. — Muita gente não fica quando a realidade bate.

​— Ficar dá mais trabalho — respondi, minha voz rouca, lutando para manter a compostura. — Mas eu não vim pelo caminho fácil.

​Ela virou o rosto, me avaliando. A luz dourada do fim de tarde atravessava a janela, desenhando sombras no colo dela, bem ali onde o tecido do vestido decotava. Percebi como o corpo dela ocupava o espaço sem pedir licença — firme, presente, uma rainha em seu trono doméstico.

​Ayandara percebeu meu olhar devorando a pele dela.

​— Não confunda silêncio com permissão, Malik.

​— Não confundo — respondi, sustentando o olhar. — Eu observo. E desejo.

​Ela estendeu a mão para pegar o controle remoto esquecido entre nós no sofá. No caminho, os dedos dela roçaram os meus. Dessa vez, nenhum dos dois recuou. O contato ficou. Curto. Intenso. Uma faísca que ameaçou incendiar o sofá.

​— Isso cansa... — ela murmurou, mais para si, a respiração alterando o ritmo do peito. — Fingir que não sente.

​— E fingir que não quer — completei, ousando deslizar meu dedo mindinho pelo dela.

​Ela respirou fundo, o mamilo marcando o tecido fino do vestido. Encostou as costas no sofá, abrindo levemente as pernas, num convite inconsciente que meu corpo leu imediatamente.

​— O que você espera daqui, Malik?

​A pergunta não era armadilha. Era o teste final.

​— Eu espero aprender o tempo — respondi, olhando para a boca dela. — O seu tempo. E espero que, quando ele chegar, você me deixe ser o dono dele.

​Ela fechou os olhos por um instante. Quando abriu, o olhar estava exposto, líquido, sujo.

​— Então fica. Mas fica inteiro.

​Ela se levantou. Por um segundo, achei que ela me mandaria embora.

​— Normalmente... — ela começou, a voz falhando — ...hoje não teria mais nada além disso. Presença. Café. Conversa.

​Meu coração falhou. Eu não me movi. Aceitei o veredito.

​— Mas... — ela continuou, parando no meio do corredor. Ela olhou para a porta do quarto do filho, fechada, e depois para mim. O sorriso de uma mulher madura e safada voltou aos lábios. — Mas você aguentou a estrada. Aguentou o pão. Aguentou a sala. E eu... eu estou molhada desde a hora que acordei.

​O ar saiu dos meus pulmões.

​— Vem — ela ordenou, apontando primeiro para o banheiro e depois para o quarto dela. — Vai se lavar. Tira o cheiro da estrada. O tempo da casa acabou. Agora começa o meu.

​A água fria no final do banho não foi suficiente para baixar a temperatura do meu corpo. Meu pau latejava livre, inchado e duro, desejoso. A vontade de me tocar ali e aliviar a pressão era insuportável, mas a água serviu para lavar a poeira e o suor da tensão. Enrolei a toalha na cintura, sentindo a pele vibrar, limpa, sensível, esperando pelo toque que me foi negado por horas.

​No espelho do banheiro, encarei meu reflexo. Os olhos estavam escuros, dilatados. Eu não parecia mais o homem que dirigiu duas horas com medo e desejo. Eu parecia um devoto prestes a entrar na cova dos leões.

​Abri a porta do banheiro.

​O corredor estava silencioso. O som do tablet do filho dela vinha abafado da sala, uma âncora de normalidade que tornava o que estava prestes a acontecer no quarto ainda mais profano.

​A porta do quarto dela estava aberta. Entrei. Assim que a tranca girou atrás de mim, a "casa que observa" ficou para trás. Ali, naquele santuário cheiroso a óleo e sexo contido, ela não era mais a mãe, nem a anfitriã. Era puramente mulher.

​Ayandara estava de pé, ao lado da cama, ainda vestida. A luz entrava filtrada pela cortina, pintando o cômodo de âmbar e sombra.

​Ela se virou para mim e, sem dizer uma palavra, puxou as alças do vestido. O tecido desceu devagar, acariciando a pele dela, desenhando o volume dos seios, a curva da cintura, até cair aos pés dela como uma oferenda.

​Lá estava ela. Monumental. A pele preta brilhando na penumbra, o ventre marcado pelas estrias prateadas da maternidade, os seios fartos e pesados, e o triângulo de pelos escuros que guardava a umidade que ela mencionou.

​Ela caminhou até a cama e se sentou na beira, completamente nua. Pegou um pote de óleo na mesa de cabeceira.

​O cheiro de manteiga de karité inebriava o ambiente. Eu assisti, hipnotizado, enquanto ela derramava o óleo na palma da mão e o espalhava entre as coxas, fazendo a pele negra reluzir sob a luz fraca. Os dedos dela deslizavam pela parte interna da coxa, abrindo caminho para o lugar que eu vinha imaginando obsessivamente.

​Meu olhar se deteve ao acompanhar a mão dela e observar o monte de Vênus: uma pequena faixa de pelos escura, aparada mas presente, nada daquela lisura infantil, demonstrando a feminilidade e a maturidade de uma verdadeira mulher.

​Parei, o fôlego preso na garganta. A toalha na minha cintura tornou-se um mero detalhe inútil diante daquela visão.

​Ayandara ergueu os olhos. Não havia vergonha nela. Apenas a certeza absoluta de sua própria magnitude.

​— Feche a porta — ela ordenou, a voz baixa, mas preenchendo todo o espaço. — E vem.

​Caminhei até ela. Minhas pernas tremiam. Não de fraqueza, mas de reverência. Parei a meio metro de distância, a altura da minha virilha alinhada com o rosto dela.

​— Você está limpo? — ela perguntou, estendendo a mão para puxar a toalha da minha cintura.

​O tecido caiu.

​Ela olhou. Sem pressa. Os olhos dela percorreram meu corpo nu, subindo das pernas, passando pelo pau que pulsava duro e escuro, apontando para ela como uma bússola, até chegar aos meus olhos.

​— Estou — respondi, a voz falhando.

​— Então cumpra sua promessa, Malik. — Ela recostou-se nos travesseiros, abrindo as pernas devagar, expondo a intimidade úmida, brilhante de óleo e desejo, um convite que cheirava a perdição. — Você disse que queria ler minha história. Disse que rei também se ajoelha.

​Não precisei de mais nenhum incentivo.

​Meus joelhos tocaram o chão frio do quarto. Ajoelhei-me entre as pernas dela, minhas mãos grandes e firmes pousaram em suas coxas quentes e escorregadias, ansiando tomar minha rainha. O contraste da minha pele com a dela, ali, sob a luz dourada, era a imagem que ela me mandou no chat, mas elevada à máxima potência.

​Inclinei a cabeça. Não fui direto para o centro. Primeiro, beijei o joelho dela. Depois, a coxa. Subi devagar, sentindo o gosto do óleo e do sal da pele dela.

​Quando cheguei à barriga, parei. Subi próximo aos seus seios, beijei a pele macia e desci com a língua sobre as estrias do baixo ventre, explorando cada detalhe do seu corpo no ritmo das suas contrações e de seu gemido. Eram as marcas da maternidade que ela usava como medalhas de guerra. Senti os músculos dela contraírem sob minha boca.

​— Isso... — ela sussurrou, a mão descendo para agarrar meu cabelo curto, os dedos se fechando com força contra meu crânio. — Tome a mulher, a mãe e a rainha... e me faça sua.

​O cheiro dela era inebriante. Uma mistura de doce e ferro, de terra molhada e desejo.

​Desci. Minha respiração bateu contra a virilha dela, quente contra quente. Ela estava encharcada. Olhei para cima, encontrando o olhar dela turvo de prazer, a boca entreaberta. Minha boca beijava o baixo ventre e as contrações dela ficaram mais fortes. Aquela mulher forte se entregava ao seu jovem rei.

​Beijei cada detalhe até o começo daquela faixa de pelos me levar ao seu altar. Minha língua, ávida de desejo, desceu rapidamente aos lábios de sua buceta.

​— Com licença, minha Rainha — sussurrei.

​A noite caiu lá fora. A casa acendeu as luzes. Mas ali, entre as pernas de Ayandara, a única luz que importava era a do prazer que eu estava prestes a arrancar dela. E, pela primeira vez, nenhum dos dois teve pressa de terminar.

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