A luz fraca do meu escritório mal ilumina as pilhas de processos empilhados sobre a mesa de mogno, mas eu não consigo me concentrar neles. Meus dedos tamborilam sobre a madeira polida enquanto meu olhar se perde na janela, onde a chuva fineza desce em cortinas prateadas, borrando as luzes da cidade. O ar está pesado, carregado com aquele cheiro úmido de papel velho e café frio que nunca me incomodou antes, mas hoje parece sufocar. Respiro fundo, ajustando os óculos no nariz, quando um som suave—quase imperceptível—rompe o silêncio.
Um riso.
Não é um riso humano. É melódico, como o tilintar de sinos de cristal, mas com uma profundidade que faz minha nuca formigar. Viro-me lentamente, os dedos agora imóveis, e lá está ela.
Uma mulher.
Não, não uma mulher—algo na forma de uma mulher. Sua pele é de um tom pálido, quase translúcido, como mármore polido sob a lua, e brilha com um leve fulgor prateado que parece sugar a pouca luz do cômodo. Seus cabelos são longos, negros como tinta fresca, e caem em ondas sedosas sobre seus ombros, movendo-se como se estivessem submersos em água, mesmo no ar parado. Seus olhos... Deus, seus olhos são duas fendas verticais, como os de um felino, mas brilhando em um amarelo-dourado que parece queimar por dentro. E ela está nua. Completamente nua.
Seus seios são cheios, arredondados, com mamilos rosados e duros como pedras preciosas. A cintura é estreita, os quadris largos, e entre suas coxas—lisa, sem um único pelo—eu vejo o contorno úmido de uma buceta que parece respirar, os lábios entreabertos revelando um rosa escuro e brilhante, como carne fresca. Seus lábios carnudos se curvam em um sorriso que é ao mesmo tempo um convite e uma ameaça.
— Gabriel... — Sua voz é como seda rasgando, doce e cortante. — Você tem desejos que nem mesmo você ousa nomear.
Minha garganta seca. Não deveria estar com medo. Não deveria estar excitado. Mas meu corpo reage antes que minha mente possa processar: a calça social aperta contra minha ereção crescente, e sinto o suor frio escorrer pelas costas. Ela dá um passo à frente, os pés descalços não fazem barulho no chão de madeira, como se flutuasse.
— Eu sei o que você esconde. — Sua mão—longa, dedos afilados como garras cobertas por pele—desliza sobre o próprio corpo, acariciando um seio antes de descer, lentamente, até sua buceta. Ela afasta os lábios com dois dedos, revelando o interior úmido, brilhante, e eu engulo em seco quando vejo um filete de líquido escuro escorrer por sua coxa. — Você gosta de observar, não é? De estudar. De... tocar, sem ser tocado.
— Quem... quem é você? — Minha voz sai rouca, quebrada.
Ela ri novamente, e desta vez o som faz minhas entranhas vibrarem.
— Um presente. — Sua outra mão se ergue, e entre seus dedos aparece um objeto: um espelho. Não é um espelho comum—o quadro é preto, esculpido com runas que parecem se mover quando pisco. O vidro não reflete a luz; em vez disso, parece absorvê-la, como um poço sem fundo. — Um espelho para os seus desejos mais profundos. Tudo o que você quiser ver... tudo o que você quiser sentir.
Estendo a mão sem pensar. Meus dedos tremem quando toco a superfície fria do espelho. No momento em que o seguro, uma corrente de energia percorre meu braço, como um choque elétrico, mas quente, vivo. A mulher—a coisa—se aproxima, seu hálito quente em meu ouvido.
— Basta pensar no que deseja. E então... toque. — Sua língua, longa e úmida, lambe o lóbulo da minha orelha, e eu estremeço. — Ela não saberá que é você. Mas sentirá cada coisa que você fizer.
Antes que eu possa responder, ela se afasta, dissolvendo-se no ar como fumaça, deixando apenas o cheiro de enxofre e algo doce, como mel podre. Fico sozinho, com o espelho pesando em minhas mãos e meu coração batendo tão forte que sinto nas têmporas.
— Putinha do caralho... — sussurro, ajustando a calça para aliviar a pressão do meu pau, que lateja contra o tecido.
Não deveria. Não deveria.
Mas eu olho.
E penso nela.
Aquela garota do ônibus.
O ar condicionado do coletivo está quebrado novamente, e o cheiro de suor misturado a perfume barato enche o espaço apertado. Estou encostado na janela, fingindo ler um processo, mas meus olhos não saem das coxas dela.
Ela está sentada duas fileiras à frente, vestindo uma saia curta de tecido leve que se levanta cada vez que ela cruza as pernas. Suas coxas são grossas, macias, a pele morena marcada por veias finas que desaparecem sob a barra da saia. Usa uma blusa justa, branca, que gruda em seus seios cada vez que se move, e seus cabelos castanhos estão presos em um rabo de cavalo desleixado, alguns fios soltos grudados na nuca suada.
Não sei seu nome. Nunca falei com ela. Mas a vejo toda semana, sempre neste horário, sempre neste ônibus. E toda semana, eu observo.
Hoje, porém, é diferente.
Hoje, tenho o espelho.
Ele está escondido dentro da minha pasta, aberto apenas o suficiente para que eu possa ver o reflexo distorcido do interior do ônibus. Mas quando focalizo ela, a imagem muda. A perspectiva se aproxima, como uma câmera ajustando o zoom, e de repente estou olhando direto para entre suas coxas.
Sua calcinha é de algodão, branca, simples, mas manchada no centro por uma umidade escura. Os lábios de sua buceta pressionam contra o tecido, e eu posso ver o contorno dos grandes lábios, inchados, como se estivessem implorando para serem tocados. Um fio de suor escorre por sua coxa interna, e meu pau lateja novamente, dolorido.
— Toque. — A voz da demônio ecoa em minha mente, como um sussurro venenoso.
Não deveria.
Mas eu toco.
Meu dedo indicador desliza sobre a superfície do espelho, e no mesmo instante, ela estremece. Seus dedos se cravaram no banco, as unhas pintadas de vermelho escuro afundando no plástico gasto. Ela morde o lábio inferior, os olhos se fechando por um segundo, como se tentasse entender o que acabou de sentir.
— Porra... — Minha respiração acelera.
Experimento novamente. Desta vez, passo o dedo em círculos, bem onde seu clitóris deve estar, e seus quadris se levantam levemente do banco, como se algo a estivesse empurrando para cima. Um gemido baixo escapa de seus lábios, quase abafado pelo barulho do motor, mas eu ouço. Eu ouço.
— Isso... — sussurro, minha voz um rosnado.
Ela olha ao redor, confusa, os olhos vidrados. Suas mãos tremem quando ela cruza as pernas, como se tentasse aliviar a pressão, mas só piora. A saia sobe mais, revelando a calcinha molhada, e eu posso cheirar—ou pelo menos imaginar—o aroma ácido de sua excitação.
Meu dedo afunda no espelho.
E ela arfa, as costas arqueando, os seios pressionando contra a blusa. Sua boca se abre em um "O" silencioso, e eu vejo o momento exato em que ela sente algo entrando nela. Não é um dedo—não pode ser, não aqui, não agora—but ela sente. Seus quadris se movem em pequenos círculos, como se tentasse se livrar da invasão, mas ao mesmo tempo se entregando a ela.
— Você gosta, não é? — murmuro, meu pau latejando tão forte que dói. — Gosta de ser tocada sem saber por quem.
Ela morde o lábio até quase sangrar, as coxas tremendo. Suas mãos se movem para baixo, como se fosse tocar ela mesma, mas param no meio do caminho, como se tivesse medo do que encontraria. O ônibus balança em uma curva, e ela se inclina para o lado, a saia subindo ainda mais.
Agora vejo tudo.
Sua calcinha está encharcada, o tecido grudado nos lábios inchados da buceta. Posso ver o contorno do meu dedo—meu dedo—dentro dela, empurrando, explorando. Ela geme novamente, mais alto desta vez, e uma mulher mais velha ao seu lado franze o cenho.
— Tá bem, moça? — pergunta a senhora, e ela balança a cabeça rapidamente, as bochechas coradas.
— Tô... tô bem. Só... só um pouco de calor.
Mentira.
Ela não está bem.
Ela está molhada. Está ardendo. Está sendo fodida por um dedo que não existe, que só eu posso ver.
E eu amo isso.
Empurro mais fundo.
Seus olhos se fecham, e desta vez ela não consegue segurar o gemido. É um som suave, abafado, mas carregado—como um animal ferido, ou uma mulher à beira do orgasmo. Sua respiração está ofegante, os seios subindo e descendo rapidamente, e quando ela abre os olhos novamente, eles estão vidrados, as pupilas dilatadas.
— Você quer mais, não é? — Minha voz é um rosnado no meu próprio ouvido. — Quer sentir isso de verdade.
Movo o dedo para cima, encontrando aquele ponto rugoso dentro dela, e seus quadris se levantam do banco, como se algo a estivesse puxando. Ela morde a mão, sufocando um grito, e eu sinto o gosto do poder em minha língua—intoxicante.
— Vai gozar pra mim, putinha? — sussurro, meu pau latejando, implorando para ser libertado. — Vai gozar aqui, no meio de todo mundo, sem nem saber por quê?
Ela balança a cabeça, como se lutasse contra isso, mas seu corpo traí seus pensamentos. Seus quadris começam a se mover sozinhos, em pequenos empurrões, como se estivessem fodendo o ar. Sua buceta pulsa, e eu posso ver—mesmo através da calcinha—o momento em que seus músculos internos se contraem, apertando meu dedo fantasma.
— Isso mesmo... — Minha outra mão desce, esfregando meu pau através da calça, a pressão quase insuportável. — Gozar pra mim. Agora.
E ela goza.
Não é um orgasmo alto, gritado; é silencioso, violento, sujo. Seu corpo inteiro treme, os dedos se cravando no banco até os nós dos dedos ficarem brancos. Um fio de saliva escorre de seu lábio inferior, e seus olhos se fecham enquanto ela se contorce, como se estivesse sendo devorada por dentro. Posso ver o momento em que seu suco escorre pela calcinha, molhando o banco abaixo dela.
E então ela se prepara para descer em seu ponto.
Seus olhos encontram os meus por um segundo—apenas um segundo—e eu vejo vergonha, confusão, desejo neles. Ela desvia o olhar rapidamente, ajustando a saia com mãos trêmulas, e praticamente corre para a porta assim que o ônibus para.
Eu a observo ir embora, as coxas ainda tremendo, a calcinha ainda molhada.
E sorrio.
Porque agora eu sei.
Este espelho não é só para olhar.
É para possuir.
