# Capítulo 4: A Lição
A porta dos fundos rangeu quando empurrei. Entrei.
O cheiro me envolveu primeiro — tabaco, uísque, perfume amadeirado. Mas hoje tinha algo diferente. Ele tinha se preparado. Como eu.
As cortinas do jardim de inverno estavam semi-cerradas, a luz entrando em lâminas que cortavam a penumbra. Meus saltos ecoaram no piso de madeira. A cada passo, sentia a saia subir um pouco mais na coxa.
Não era uma saia qualquer. Era a saia que eu usei no fim do ensino médio, quando ainda achava que joelhos à mostra era ousado. Agora, com 33 anos e o corpo que eu tinha, ela mal cobria a metade das coxas. A barra roçava a pele a cada movimento, e eu sabia, sem olhar no espelho, que a curva da minha bunda aparecia quando eu andava. Sabia porque passei cinco minutos na frente do espelho antes de sair, virando de lado, olhando por cima do ombro, vendo o tecido subir, vendo a renda vermelha aparecer na lateral.
*Por que estou fazendo isso?* pensei, enquanto descia as escadas de casa.
Não tive resposta. Só tive a imagem do meu reflexo, os olhos brilhando, o batom vermelho que eu não usava desde o casamento.
A camisa social branca, antes comportada, agora tinha os punhos dobrados até os cotovelos e os três botões de cima abertos. A renda vermelha do sutiã aparecia no vão. Quando me olhei no espelho do corredor, antes de sair, vi o decote e pensei: *É muito. É demais.*
A sala se abriu e lá estava ele.
Valério estava sentado no sofá de couro preto. Pernas abertas. Braços esticados no encosto. Vestia apenas uma cueca samba canção, daquelas antigas, largas, de algodão amarelado. O tecido frouxo não escondia nada — o volume estava ali, pesado, alongado. E estava crescendo, sua barriga grande se movia com a respiração e seu olhar sínico continuava lá.
Eu vi. Não dava para não ver. O algodão começava a esticar, a cabeça arredondada pressionando o tecido de dentro para fora. Ele não fez nada para disfarçar. Apenas me deixou olhar.
Seus olhos começaram nos meus saltos e subiram devagar. Percorreram minhas pernas, demoraram na barra da saia que mal cobria a metade das coxas. Vi quando ele percebeu o caimento, o comprimento, o jeito que o tecido colava na curva da minha bunda.
Fiquei parada, esperando. Me sentindo exposta. Me sentindo vista.
— Atrasada — ele disse. — 13 minutos.
— Perdi a hora.
— Perdeu a hora. — Ele repetiu devagar, como se estivesse provando a palavra. — No tempo certo será castigada por isso.
*Verme nojento* pensei, presa ainda pela chantagem. Ele fez uma pausa. Me olhou de cima a baixo.
— Mulher que se arruma assim geralmente não perde a hora. Sabe por quê?
Como assim, onde ele quer chegar com isso. Não respondi.
— Porque sabe que tão esperando. Que tem homem esperando.
Outra pausa.
— Um saia incomum pra uma mulher de respeito não?
Olhei pra ele com olhar furioso.
— Tenho há anos. Da época do colégio.
— Ela sempre foi curta assim ou encolheu? Aposto que o corno do seu marido nunca te viu usando ela.
— Meu marido não é corno seu gordo filho da puta. — esbravejei com raiva.
Ele parou de falar, me olhou com ar de superioridade e calmamente falou.
— Vou deixar essa passar por ainda não saber seu lugar — Sua voz era firme e amedrontadora.
Ele fez outra pausa.
— Mulher que se veste assim geralmente quer mostrar alguma coisa. Não é?
— Não sei. — Disse impaciente.
— Sabe sim. Sabe que quando um homem vê uma saia desse tamanho, uma bunda dessa marcando o tecido, ele pensa uma coisa só.
— O quê? — *seu verme maldito*.
— Pensa que é puta.
A palavra bateu em mim como um choque. *Puta.* Minha mãe usava essa palavra. Usou naquela noite, com a revista, com a mão entre as pernas. *Sua vagabunda.*
— Não sou puta — respondi, de forma seca e direta olhando com raiva.
— Não falei que é. Falei que ele pensa. — Ele inclinou a cabeça. — Mas você parece saber bem como é que homem pensa.
Não respondi. Me indagando o que ele queria dizer com isso.
— É uma das coisas que você ensina pras meninas, não é? — ele continuou. — Postura. Controle. Saber que tão te olhando mas nunca deixar transparecer.
Ele fez uma pausa.
— Mulher que sabe disso geralmente aprendeu na prática.
— Aprendi com minha mãe.
— E sua mãe ensinou você a usar saia desse tamanho também?
— Não.
— Então quem ensinou?
Fiquei em silêncio. Pensei na noite em que descobri a revista. Pensei em Jefferson, no corredor da escola, a mão dele no meu pulso. Pensei em todas as vezes que me olhei no espelho e quis ser vista.
— Ninguém — respondi.
Olhei para ele. Ficamos em silêncio.
— O que mais você ensina? — ele perguntou.
— Regras de etiqueta social, gentileza e comportamento ético para promover uma boa convivência. — Disse com certo orgulho.
— E você segue suas próprias aulas?
— Sigo.
— Então me diz — ele se inclinou ligeiramente para frente — o que você tá sentindo agora?
Meu coração disparou. Resista Isabella, está aqui por conta de uma chantagem. Resista.
— Nada — menti.
Ele fez uma pausa.
— Que mulher estranha. A professora de etiqueta mais bonita do condomínio, toda arrumada, toda certinha… e veio me visitar.
— Estou aqui porque você está me chantageando seu verme.
O som do tapa que levei foi tão alto que devem ter ouvido do outro lado do condomínio. Foi forte, foi áspero e foi... inesperado.
— Eu te avisei piranha.
Era o primeiro tapa na cara que recebi na vida, nem minha mãe fez isso comigo, como ele ousa, esse vagabundo, nojento, gordo filho da puta. Comecei a lacrimejar, meu corpo estava tremendo, estava suando, com medo, e ainda assim senti minha buceta ficar mais úmida, por que isso está acontecendo comigo.
— Isso foi pelo que falou agora sua puta, e ainda não conversamos sobre seu atraso de hoje. Agora me diz por que veio vestida assim hoje.
— Você mandou.
— Não mandei usar uma saia tão curta. Não mandei abrir a camisa. Não mandei passar batom vermelho. — Ele fez uma pausa. — Isso tudo você escolheu e quero saber por que.
O ar faltou. Ele tinha razão, por que me vesti assim, pensei novamente, eu não estava raciocinando mais, meu corpo estava me traindo a cada noite em que me masturbava, me salva por favor Renato. Lá estava eu precisando dele novamente, *resista Isabella*.
— Foi você — ele repetiu. — Foi você que escolheu.
— Eu só…
— Só o quê?
— Me vesti.
Assim que terminei de falar veio outro tapa, agora do outro lado da face. Minha buceta agora estava pingando, o que esta acontecendo comigo, *Jesus me ajuda*, apelando agora pra minha religião segurando o crucifixo no meu pescoço que sempre uso.
— Pare de mentir, diga por que veio vestida assim sem eu pedir.
Silêncio. Senti o peso da resposta na boca.
— Eu gostei... — respondi baixinho.
— Mais alto.
— Eu gostei de me ver assim, me achei gostosa e achei que voc...
Não consegui terminei a frase.
— Achou o que puta. — #PAH# outro tapa, dessa vez a mão continuou no meu rosto segurando meu maxilar — Responde.
—Achei que... achei que fosse..
— Eu quero ouvir agora sua vagabunda — Nesse momento ele soltou meu queixo e deu um tapa forte na minha bunda, mesmo por cima da saia doeu muito e senti minha buceta jorrando de tão molhada. — Diga.
— EU ACHEI QUE FOSSE GOSTAR... — minhas pernas tremiam tanto que cai de joelhos.
Ele recostou no sofá. O volume na cueca já estava completamente evidente.
— Agora está sendo mais sincera.
Ele fez uma pausa.
— Mulher quando quer agradar homem assim geralmente quer uma coisa. — Não perguntei o quê. Ele respondeu mesmo assim. — Quer ser dominada. Quer que o homem mande nela.
*Não, não é verdade*, pensei sem convicção.
— Quer deixar de ser a esposa certinha por um tempo.
As palavras ficaram pairando no ar.
— E por baixo — ele continuou. — Por baixo dessa saia, dessa camisa, desse batom todo… o que você tá usando?
Minha boca secou. *A lingerie*. Involuntariamente levantei minha saia mostrando minha calcinha atolada em minha bunda gigante.
*Por que fiz isso*, pensei.
— A lingerie obscena que me enviou. Sr. Valério.
Valério fez uma cara de surpresa e pareceu meio confuso.
— Que porra é essa, quer dizer é uma bela de uma calcinha, mas o que te levou a achar que foi eu que te dei?
Como assim, não foi ele, só pode ser ele, esse conjunto sexy, vermelho da cor do pecado, depois de todas as provocações que vinha fazendo comigo. Está mentindo, está blefando.
— Eu recebi ela numa caixa sem remetente, só pode ter sido você, depois de todas aquelas provocações, as conversas inapropriadas, as palavras de duplo sentido, a sua exibiçãozinha nojenta no jardim com esse membro gigante mijando, então essa seria só mais uma das tuas provocações.
Valério deu uma risada alta e disse.
— Parece que o destino te pregou uma peça, por acaso você e seu marido corno não tem planos também? Estou ficando com ciumes hahaha.
De repente senti o peso de uma tonelada na minha consciencia. Como não percebi isso antes, estava tão inerte e preocupada com as insinuações de Valério que não relacionei nossos planos de ter filhos com a pro atividade e perfeição de Renato, obviamente ele poderia ter me enviado a lingerie pra apimentar nossa relação. Por isso ele não reclamou a noite, era impossível ele não ter percebido eu usando, ele quem me deu. E ainda me masturbei usando ela pensando em outro. Isabella sua nojenta, sua imoral, sua, sua puta.
— Desculpa moranguinho, a culpa foi minha, acho que entrei demais na sua mente. As insinuações foram demais pra puta que está adormecida dentro de você, 28 centímetros hahaha.
Meu corpo tremeu. *28 centímetros.* A medida. O gatilho.
— Você lembra, não lembra?
— Lembro — sussurrei, me perdendo nas palavras.
— Lembra do dia que me exibi pra você, você viu a silhueta dele não viu?
— Lembro. Vi. Você estava mijando mesmo?
— Estava, quem sabe um dia te mostro de perto.
Não respondi. Minha buceta pulsou.
— Pensa em como seria? Pensa em sentir isso dentro de você, bem no fundo, rasgando toda essa educação?
Minha resistência estava sumindo a cada palavra.
— Sim — a voz escapou antes que eu pudesse segurar.
Ele sorriu. Devagar, satisfeito.
— Então mostra.
— O quê?
— A lingerie. Quero ver o conjunto completo que colocou pra mim.
Minhas mãos não se moveram. Estava tremula.
— Foi meu marido quem me deu.
— Você veio até aqui vestida assim. Mostrando a bunda, mostrando os peitos, de batom vermelho. A professora de boas maneiras mais linda do condomínio, toda produzida pra mim. — A voz dele ficou mais dura. — Então me agrada.
Ele fez uma pausa.
— Obedece.
Meu corpo não me obedecia mais. Devagar, abrir os botões da saia deixando ela cair. Abrir os outros 4 botões da camisa e a deixei deslizar sozinha até o chão. Estava do jeito que ele pediu, somente de lingerie e meu colar com crucifixo, meus peitos estava quase saltando pra fora do sutiã, a calcinha atolada na minha bunda e minha buceta cada vez mais molhada.
Ele balançou a cabeça, devagar.
— Você é uma mulher interessante, Isabella. Diz que não quer nada disso. Diz que vem pela chantagem. Diz que é uma esposa fiel, uma professora direita.
Ele apontou para meu corpo.
— Mas olha pra você. Com esse conjunto vermelho, o rosto suando de tesão. Esperando...
Ele se levantou, ficou na minha frente, sua barriga encostou na minha, senti seu calor e seus pelos, seu cheiro, um cheiro forte de..
— Esperando o quê? — soltei rapidamente.
Valério então em um movimento brusco colocou a mão na minha virilha por cima da calcinha, quase que fosse como um tapa. Me fez gemer igual uma puta pela primeira vez. Um gemido fino, manhoso, embora curto.
— Esperando os 28 centímetros que você não para de pensar.
Minha buceta pulsou. Arrepiando todo meu corpo.
— Você gosta, não gosta?
Não respondi.
— Gosta ter alguém te dando ordens. Fazendo a mulher certinha virar puta nas mãos do macho certo.
Outra pausa.
— Mulher assim geralmente precisa de um macho de verdade.
A palavra entrou devagar. *Macho.*
— Agora vamos pro seu castigo. Você sabe o que acontece quando se atrasa? — ele perguntou.
— Se.. sei.
— Sabe o que acontece quando mente?
— Sei. Sei.
Não estava mais raciocinando.
— Sabe o que acontece quando a esposa exemplar do doutor Renato Oliveira se veste de puta e chega atrasada na casa do vizinho macho que o marido odeia?
Não respondi.
Ele esperou.
— Vira.
— O quê?
— Vira. De costas. Mão na parede.
Hesitei. *Se eu virar, estou aceitando. Se eu virar, estou dizendo que ele pode.* Isso tudo não passa de uma chantagem, resista Isabella. Pelo seu marido, sim é por ele.
Virei. Apoiei as mãos na parede ao lado do sofá. Curvei levemente o corpo. A bunda ficou mais empinada, a calcinha vermelha ainda mais exposta. Senti o tecido esticar, a renda arranhar a pele.
Fiquei ali, esperando.
Ele não disse nada. Apenas ficou olhando.
Senti o peso do olhar dele na minha nuca, nas minhas costas, na minha bunda exposta. Senti o silêncio como uma mão.
Então senti a mão dele de verdade. Quente, áspera, grande. Pousou na minha nádega direita, devagar, como quem avalia. Os dedos apertaram a carne, sentindo a textura da renda, o calor da pele.
— Delícia — ele murmurou. — Delícia de bunda. Delícia de esposa certinha se oferecendo.
E então veio o tapa.
— Aaaiiin...
Não foi fraco. Foi um tapa seco, forte, que ecoou na sala. Minha pele ardeu. Minha buceta encharcou.
— Um — ele disse. — Pelos 13 minutos. Vadia atrasada.
Outro tapa. Outra pulsão.
— Hmmm...
— Dois. Por usar a lingerie presente do marido com outro. Puta fingida de esposa fiel.
Outro tapa. Minhas pernas fraquejaram. Estava delirando.
— Três. Por fazer as suas alunas se engarem também. Professora mentirosa.
Outro. A pele estava em fogo.
— Quatro. Pela saia curta. Pela bunda que você quis que eu visse.
— Aaaiiin... sim... eu quis... queria que você visse minha bunda...
Estava entregue. A puta saiu.
— Gosta de apanhar, putinha?
— Gosto — sussurrei.
— Não ouvi.
— Gosto — repeti, mais firme.
Outro tapa.
— Hmmmm...
— Cinco. Porque você merece.
Ele fez uma pausa.
— Porque mulher bonita igual você merece ser tratada como o que realmente é por baixo da roupa comportada.
Outro tapa.
— Ooohh...
— Seis. Porque você veio aqui hoje querendo isso.
— Sim... queria... queria muito...
— Queria o quê?
— Queria você... queria suas mãos... queria seu pau...
Outro tapa. Sete.
— Aaaiiin... seu pau enorme... eu vi ele... mijando... grande... enorme... quero sentir...
— Oito. Porque a esposa certinha não consegue mais fingir que não existe essa outra.
— Ela... aaiiin... ela existe... as duas existem...
— Isso. As duas. A certinha e a puta.
Outro tapa. Nove.
— Hmmmm... sua puta... e a esposa dele...
— Minha puta. A vadia que vem aqui. E a esposa que volta pra casa.
— A esposa... hmmmm... ela ainda ama ele...
— Ama. E a puta ama meu pau. As duas moram no mesmo corpo.
— Macho...
— Macho?
— Você é um macho... que faz a puta sair da gaiola...
— E o que mais eu sou, putinha?
— É o macho do pau enorme... 28 centímetros...
— Isso. Você lembra.
— Lembro... hmmmm... não consigo esquecer... sonho com ele...
— Sonha com ele fazendo o quê?
— Sonho com ele dentro de mim... hmmmm... rasgando minha buceta de esposa certinha...gozando... mijando... não sai da minha cabeça...
Outro tapa. Dez.
— Aaaiiin... seu pau...
— Meu pau de 28. Você pensa nele?
— Penso... ooohh... penso toda noite... acordo molhada...
— Pensa em quê?
— Penso em você... penso em sentir... penso em como ia ser...
Outro tapa. Onze.
— Ia ser o quê?
— Ia ser enorme... hmmmm... ia rasgar tudo...ia me sujar inteira...
— Ia rasgar essa bucetinha de professora de etiqueta?
— Ia... aaiiin... ia rasgar... ia deixar toda arrombada...
Outro tapa. Doze.
— E você quer?
— Quero... macho... quero sim... quero muito...
— Quer ser puta de verdade?
— Quero... hmmmm... puta... quero ser sua puta... quero ser sua vadia...
— E a esposa? O que ela acha disso?
— Ela... ooohh... ela tem medo... mas ela também quer...
— Ela quer o quê?
— Ela quer sentir... quer saber como é... quer ser esquecida por um momento...
— Aqui você não é ela. Aqui você é só minha vagabunda.
— Sou... sua vagabunda... sua puta... sua vadia molhada...
Outro tapa. Treze.
— Aaaiiin... macho... macho...
— Meu pau de 28. Quer ele?
— Quero... hmmmm... quero muito... quero agora...
— Quer sentir ele te abrindo?
— Quero... ooohh... quero sentir... quero que você me foda...
— Quer ver ele mijando de novo?
— Aiinn... quero... parecia uma cascata... muita porra...
— Então geme. Geme que nem a puta que você é.
— Aaaiiin! Hmmmm! 28 centímetros... macho... me fode... me fode com esse pau enorme...
— Quatorze — ele disse. — Quinze. Dezesseis.
— Ooohh... sim... meu macho... me come...
— Dezessete. Dezoito. Dezenove.
Cada tapa me deixava mais desorientada, mais perdida, estava delirando de tesão.
— Aaaiiin... sou sua puta... mas também sou esposa... sou as duas... não consigo matar nenhuma...
— É minha puta. Minha vadia molhada. E quando sair daqui, vai ser a esposa dele de novo.
— Vinte. Vinte e um. Vinte e dois.
— Hmmmm... 28 centímetros... dentro de mim... quero sentir até o fundo...
— Vinte e três. Vinte e quatro. Vinte e cinco.
— Sim... ooohh... sua vagabunda quer seu pau enorme... quer engolir tudo... mas depois vai fazer jantar pra ele...
— VOU, VOU FAZER JANTA PRO COR... PRA ELE!
— Janta pra quem? Vinte e seis. Vinte e sete. Vinte e oito. FALA SUA PUTA!
— AAAIIINN! PRO CORNOOO! VOU FAZER JANTA PRO CORNOOO! MACHO! TO GOZANDO! GOZANDOO! MEU MACHO! 28 ! QUERO! QUERO! QUEROOO! AAAHHH!
Ele me soltou e cai tremendo, gozando, jorrando líquido da minha buceta. Minha respiração era só ofegos. Minha buceta pulsava. Eu estava encharcada, escorrendo pela coxa.
Ele parou.
Sua mão descansou quente na minha bunda ardida. O silêncio durou muito tempo. Recuperei a respiração. Fiquei olhando pro teto. Com o rosto característico do extremo prazer.
— Você é uma puta linda — ele disse, a voz baixa. — Uma vadia linda que passou anos fingindo ser uma coisa só. Não tinha coragem de deixar as duas existirem.
— Agora tenho. — Eu tinha me libertado, éramos duas finalmente.
— Tem coragem de quê?
— De ser as duas. De ser esposa dele e puta sua. De amar um e desejar outro. De não ter que escolher.
Ele ficou em silêncio. A mão dele ainda estava quente na minha bunda ardida.
— E o meu pau? — ele perguntou.
— É meu. É meu também.
— É seu o quê?
— É meu vício. Meu pecado. Minha perdição.
— Quer ele?
— Quero.
Disse ainda deitada olhando pro teto com o tesão aumentando. Ele ficou em silêncio.
— Olha no espelho.
Havia um espelho grande na parede à minha frente. Fiquei em pé, levantei os olhos e me vi.
A bunda marcada de vermelho, agora com marcas de dedos sobrepostas, a pele quase roxa em alguns pontos. O sutiã desarrumado, os seios quase escapando da renda. O batom completamente borrado, espalhado pelo queixo. O cabelo solto, despenteado. Os olhos brilhando, molhados.
Entre minhas pernas, um fio brilhante escorria pela coxa.
Atrás de mim, refletido, ele. A cueca esticada ao limite. O volume enorme, a cabeça do pau já totalmente exposta pela lateral do algodão, roxa, inchada, pulsando. 28 centímetros. Ele não se tocava. Apenas me olhava.
— Olha o que te espera — ele disse. — A esposa exemplar, a professora de etiqueta, a filha da mãe rígida vai ter o que merece.
Olhei. Fiquei olhando por muito tempo.
— Pode ir, vagabunda.
Não doeu. Era meu nome também. Eu estava livre após 19 anos de reclusão.
Me levantei devagar. Minhas pernas tremiam. A pele da bunda ardia a cada movimento. Me vesti com cuidado.
— Isabella.
Parei na porta.
— Quinta-feira.
Não era pergunta. Não era ordem. Era só a certeza dele. Eu era dele.
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Atravessei o jardim cambaleando. A saia subiu, a renda arranhou, a bunda doía a cada passo. O batom vermelho manchou o copo d'água que bebi na cozinha, mas eu mal sentia o gosto.
28 centímetros. A medida martelava na minha cabeça.
Meu corpo inteiro tremia. Não era frio. Era um calor que vinha de dentro, que subia do sexo pulsante e espalhava pelas coxas, pela barriga, pelos seios que ainda marcavam a renda do sutiã. Uma agonia doce, um desespero gostoso que não me deixava pensar direito.
Subi as escadas correndo. Me tranquei no quarto. As mãos não paravam de tremer enquanto eu tirava a saia, a camisa, os saltos.
Fiquei só de lingerie vermelha diante do espelho.
Meu corpo nunca pareceu tão bonito. A bunda marcada de vermelho e roxo, os seios quase escapando da renda, o cabelo desgrenhado, os olhos vidrados. Entre minhas pernas, a calcinha estava escura, encharcada.
— A esposa exemplar tá aqui — sussurrei para o meu reflexo. — Ela ainda existe. Ela ainda ama ele. Ainda quer os filhos, a casa, a vida certinha.
Pausa.
— Mas a puta também tá aqui. A vadia. A vagabunda que quer o pau do macho dela.
As palavras não doeram. Acenderam alguma coisa.
— As duas. As duas moram em mim. A que serve jantar e a que levanta a saia. A que reza na igreja e a que geme de quatro. A que escolheu o Renato e a que foi escolhida por você.
— 28 centímetros — falei alto. — Eu quero 28 centímetros. Quero sentir até o fundo. Quero que ele me rasgue toda. E depois quero voltar pra casa e fazer café da manhã pro meu marido.
Minha mão desceu sozinha. Toquei a renda úmida, senti o calor que escapava. Um gemido baixo escapou.
— Hmmmm...
Empurrei a calcinha para o lado. Meus dedos encontraram a carne molhada, inchada, pulsando. Eu estava aberta, pronta, doída de tanto tesão acumulado.
Comecei a me tocar devagar, mas não aguentei. A pressa tomou conta. Dois dedos entraram fundo, e eu arqueei as costas contra o espelho.
— Aaaiiin... meu macho...
A imagem dele não saía da minha cabeça. A cueca esticada. O pau enorme escapando pela lateral, roxo, latejando. 28 centímetros. O olhar dele fixo na minha bunda marcada.
— Meu macho... hmmmm... meu macho... 28 centímetros...
Meus dedos se moviam mais rápido. O som era molhado, obsceno. Minha outra mão apertou um seio, beliscou o mamilo duro através da renda.
— A esposa exemplar não faria isso... hmmmm... a professora de etiqueta não gemeria assim... não enfiaria os dedos na buceta pensando no pau do vizinho...
— Mas a puta faz... a puta geme... a puta se enfia... porque ela existe... ela sempre existiu...
— Quero que você me coma... aaiiin... quero sentir esse pau enorme me arrombando... quero você me fodendo até eu esquecer meu nome... até a esposa calar a boca e só existir a puta...
— Quinta... ooohh... quinta... 28 centímetros... meu macho... me fode... me fode gostoso...
Meus dedos entravam e saíam, rápidos, desesperados. O som era nojento, molhado, e eu amava cada segundo.
— Sou sua puta... sou sua vadia... sou a vagabunda que vai de joelhos pra você... mas também sou a esposa dele... volto pra casa... faço jantar... durmo do lado dele...
— As duas... hmmmm... as duas dentro de mim... a santa e a puta... a mãe dos filhos dele e a vadia que engole seu pau...
O orgasmo veio como um soco. Meu corpo inteiro se contraiu, as pernas fraquejaram, deslizei pela parede até sentar no chão frio. Meus dedos ainda estavam dentro de mim, apertados, sentindo as contrações que não paravam.
— Aaaiiin... aaaaiiiin... hmmmm... MEU MACHO! 28 CENTÍMETROS! SUA PUTA! SUA VAGABUNDA! GOZEI! GOZEI PENSANDO EM VOCÊ!
Fiquei ali, ofegante, suada, completamente nua exceto pela lingerie vermelha amassada e molhada. Meu reflexo no espelho mostrava uma mulher que eu não reconhecia.
Ela sorriu.
Eu sorri de volta.
As lágrimas vieram sem aviso. Não eram de vergonha, não eram de culpa. Eram de alívio. De alegria. De finalmente, depois de 19 anos, ter deixado a xícara cair.
Eu chorei sentada no chão do quarto, com a bunda ainda ardendo, o sexo pulsando, o coração batendo tão forte que parecia querer escapar do peito. Chorei pela menina de 14 anos que foi pega com a mão entre as pernas e aprendeu que sentir prazer era pecado. Chorei pela esposa exemplar que passou oito anos fazendo amor no escuro, certinha, educada, sem nunca ousar pedir mais. Chorei pela puta que ficou todos esses anos presa dentro de mim, esperando alguém com coragem suficiente para deixá-la sair.
Levantei do chão, as pernas ainda bambas. Olhei meu reflexo mais uma vez. A lingerie estava torcida, a renda amassada, a calcinha encharcada escorregando pelo quadril. Meus olhos estavam inchados de chorar, mas brilhavam.
Vejo uma notificação no celular, era mensagem de Renato, "vi ontem a noite que gostou do meu presente, até usou ele pra dormir, te amo, teremos nosso filho em breve"
"Então você então é o meu admirador secreto, estava achando que fosse algum vizinho ordinário, adorei o presente meu amor, não imagina como me imaginei usando ele, te espero pra estrear contigo dessa vez, te amo Renato" - Respondi.
Não senti remorso dessa vez, esse mundo de perfeição, estava cansando, planejamentos, primeiro casar, depois comprar uma casa, agora filhos, tudo planejadinho tudo no seu tempo, tudo perfeito, tudo metódico, eu escolhi isso mas agora tinha outras escolhas pra fazer.
Deitei, tranquila, leve e solta, dormi um sono pesado, estava exausta. E ansiosa pela adrenalina da vida dupla que estava assumindo.