Verão no Sítio (Capítulo 13)

Da série Verão no Sítio
Um conto erótico de Hot♡
Categoria: Homossexual
Contém 941 palavras
Data: 12/02/2026 11:10:00
Assuntos: Gay, Homossexual

“Rotina”

Os primeiros dias depois da volta de Tiago foram uma mistura doce de descoberta e ajuste. O sítio, que antes parecia grande e vazio para Daniel, agora estava preenchido pelo som de passos leves no corredor, risadas baixas na cozinha, o barulho suave de pratos sendo lavados juntos. Tiago trouxe consigo uma rotina nova: acordava cedo para preparar o café, arrumava a mesa com cuidado, colocava flores do pomar num vaso improvisado. Daniel, que sempre tinha vivido de forma prática e solitária, descobria o prazer de chegar da lida com as vacas e encontrar a casa cheirando a pão torrado e café fresco.

Naquela manhã de domingo — o nono dia desde a volta —, o sol entrava forte pela janela da cozinha. Tiago estava de avental improvisado (uma camisa velha de Daniel que ficava enorme nele), mexendo ovos na frigideira. Daniel entrou pela porta dos fundos, suado da ordenha, camiseta colada no peito, boné na mão.

— Cheiro bom pra caralho — disse Daniel, parando na porta e olhando Tiago com um sorriso lento.

Tiago virou o rosto, corando um pouco.

— Tô tentando não queimar. Senta aí.

Daniel lavou as mãos na pia, depois se aproximou por trás e abraçou Tiago pela cintura, queixo no ombro dele.

— Tu tá ficando perigoso com esse avental… parece dona de casa.

Tiago riu baixo.

— Se tu continuar me chamando de dona de casa, eu te faço lavar louça.

Daniel beijou a nuca dele.

— Eu lavo. Eu faço qualquer coisa pra te ver assim todo dia.

Eles comeram na varanda, pernas entrelaçadas sob a mesa pequena. Daniel contou sobre a vaca que quase fugiu de novo, Tiago falou sobre um e-mail que recebeu de um amigo da agência oferecendo freelas remotos. Conversas leves, mas cheias de futuro.

Depois do café, Daniel levou Tiago para o galpão. Mostrou as ferramentas, explicou como consertar cercas, como cuidar das jabuticabeiras. Tiago ouvia atento, fazendo perguntas, tocando nas coisas com curiosidade genuína.

— Tu vai aprender tudo isso? — Daniel perguntou, erguendo uma sobrancelha.

— Vou. Quero ajudar. Quero que isso seja nosso.

Daniel parou o que estava fazendo, puxou Tiago para si e o beijou devagar, ali mesmo no meio do galpão, entre cheiro de óleo e madeira.

— Já é nosso.

À tarde, o calor apertou de novo. Eles foram até o riacho, mas dessa vez sem pressa para sexo. Deitaram na grama à sombra, Tiago com a cabeça no colo de Daniel, lendo um livro velho que encontrou na estante da casa. Daniel acariciava o cabelo dele devagar, olhando o céu.

— Sabe o que eu mais gosto? — Daniel perguntou de repente.

Tiago baixou o livro.

— O quê?

— De te ver aqui. Não só na cama. Aqui fora. Rindo. Fazendo café. Perguntando sobre as vacas. Parecendo… em casa.

Tiago fechou o livro e virou o rosto para cima, olhando Daniel de cabeça para baixo.

— Eu tô em casa. Pela primeira vez na vida, eu sinto que tô no lugar certo.

Daniel se inclinou e beijou a testa dele.

— Então fica. Pra sempre.

Tiago assentiu.

— Pra sempre.

O fim de tarde trouxe uma chuva fina, daquelas que refrescam sem molhar muito. Eles voltaram para casa correndo, rindo, roupas grudadas no corpo. Na cozinha, Daniel preparou um chocolate quente enquanto Tiago secava o cabelo com uma toalha.

Sentaram no sofá da sala, canecas quentes nas mãos, pernas entrelaçadas. A chuva batia leve no telhado, criando um som ritmado e calmo.

— A gente precisa conversar sobre dinheiro — Tiago disse, voz baixa. — Eu tenho uma reserva, mas não é muita. Os freelas ajudam, mas…

Daniel interrompeu, pousando a caneca.

— A gente divide tudo. O sítio dá lucro suficiente pra nós dois. Eu vendo leite, queijo, algumas frutas na cidade. Se precisar, a gente expande. Abre uma lojinha online. Ou tu usa teu talento de design pra fazer algo nosso. Não tem “meu” e “teu” mais.

Tiago olhou para ele, olhos brilhando.

— Tu não tem medo de eu pesar?

Daniel pegou a mão dele, entrelaçou os dedos.

— Medo de tu pesar? Medo é tu ir embora de novo. O resto a gente resolve.

Tiago se inclinou e beijou Daniel devagar, língua entrando com calma, gosto de chocolate na boca dos dois.

Quando se afastaram, Tiago murmurou:

— Eu quero te mostrar uma coisa.

Ele pegou o celular na mesinha, abriu a galeria e mostrou fotos: o apartamento vazio em Joinville, as malas prontas, uma selfie dele na rodoviária com um sorriso nervoso mas feliz.

— Eu trouxe tudo que importa. O resto ficou lá. Pra trás.

Daniel passou o polegar na tela, como se tocasse o rosto de Tiago na foto.

— Tu é corajoso pra caralho.

Tiago riu baixo.

— Corajoso ou louco. Mas eu não me arrependo.

A noite caiu devagar. Eles jantaram uma sopa quente que Tiago fez, assistiram um filme antigo na TV pequena da sala, deitados no sofá. Não houve urgência para sexo — só proximidade. Mãos se tocando, beijos preguiçosos, risadas baixas.

Quando subiram para o quarto, deitaram nus, de conchinha. Daniel atrás, pau mole encostado na bunda de Tiago, braço envolvendo a cintura, mão aberta na barriga macia.

— Amanhã a gente pode plantar aquelas mudas de limão que eu comprei — Daniel murmurou no escuro.

Tiago sorriu, apertando a mão que estava na barriga dele.

— Amanhã. E depois de amanhã. E todos os dias.

Daniel beijou a nuca dele.

— Todos os dias.

Eles adormeceram assim.

A chuva continuava caindo leve lá fora.

Dentro da casa, o silêncio era preenchido pelo som de respirações sincronizadas.

Era a rotina nascendo.

Era o amor se enraizando.

Era o começo de uma vida que nenhum dos dois imaginava que teria.

Mas que agora não conseguiam mais imaginar sem o outro.

Continua…

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