Vida de Mulher # 3

Um conto erótico de Pamela D
Categoria: Heterossexual
Contém 1810 palavras
Data: 12/02/2026 10:10:00
Assuntos: Heterossexual

Seu Antônio era parte da paisagem do prédio fazia quinze anos. Negro, calvo, aquele sorriso largo que mostrava a falta de um dente do lado esquerdo, barriga protuberante apertada no uniforme azul-marinho que a administração insistia em comprar dois números menores. Todo mundo no edifício gostava dele. Prestativo, brincalhão, daqueles que lembram seu aniversário e o nome do seu cachorro.

— Bom dia, Dona Pamela! E esse cheirinho de bolo?

Eu esticava o pratinho coberto com papel-alumínio.

— Fiz um fubá com goiabada, Seu Antônio. Esse é pro senhor.

— Deus lhe pague, moça. Casada e ainda me alimenta… cê vai acabar me estragando! — Ele ria, aquele riso gostoso, e eu ria junto.

Meu marido brincava:

— Toma cuidado, Antônio, ela vai acabar achando que você gosta mais dela do que do meu café.

E ele, soltando outra gargalhada:

— Impossível, Seu Fernando! Mas confesso que o bolo da Dona Pamela é imbatível.

Era assim. Sempre foi assim. Durante anos.

---

Mas eu sabia.

Desde muito antes daquela tarde, eu sabia do olhar dele. Não era algo que a gente conversasse, óbvio. Era daquelas coisas não ditas que ficam pairando no ar, invisíveis mas presentes. Eu descia de legging no calor, a blusinha mais decotada, o cabelo solto, e sentia os olhos dele me acompanhando até a porta do elevador. Não era invasivo. Não era assédio. Era… admiração. Respeitosa, silenciosa, mas quente.

E confesso: eu gostava.

Tinha dias que meu corpo parecia invisível, dias que a maternidade me engolia e eu me sentia só um par de peitos que serviam pra amamentar e uma buceta que servia pra obrigação conjugal. Nesses dias, o olhar do Seu Antônio me salvava um pouco.

Eu provocava disfarçadamente. Um botão a mais desabotoado quando ia buscar encomenda. Uma curvada a mais no balcão pra ele olhar meus peitos. O shortinho subindo um pouco quando eu me esticava pra pegar algo. Coisas bobas, quase infantis. Mas quando eu me endireitava e via o olhar dele desviando rápido, a respiração dele um pouco mais grossa, o sorriso um pouco mais travado, eu pensava: *Pronto, ainda existo. Ainda sou desejada.*

Nunca passou disso. Era meu segredinho sujo e inofensivo. Meu jeito de lembrar que, embaixo da mãe exausta e da esposa resignada, ainda morava uma mulher.

---

Até aquela tarde.

Era quarta-feira. Fernando tinha levado o carro pro conserto e eu desci pra buscar uma encomenda. Cabelo preso de qualquer jeito, pijama — aquela blusa de botão meio aberta e o shortinho pequenino estampado, chinelo. A roupa que eu usava desde a gravidez, macia de tanto lavar. Nada sensual. Nada planejado.

Entrei no hall e ele estava sentado na cadeira giratória atrás do balcão, anotando alguma coisa num cadernão velho.

— Boa tarde, Seu Antônio. Veio a encomenda do meu marido?

Ele ergueu os olhos devagar.

E foi ali que algo mudou.

Seu Antônio me olhou.

Não era o olhar de afeto misturado com tesão contido de sempre. Não era a admiração discreta que eu provocava e controlava. Era um olhar que me percorreu inteira — dos meus cabelos bagunçados, descendo pelo decote que a blusa entreaberta escancarava sem querer, demorando nos meus seios pesados de leite que se empinavam com a respiração, contornando a curva da minha cintura, descendo pros meus quadris, pra fenda escura entre as minhas coxas que o shortinho pequeno marcava sem piedade.

O sorriso dele não se apagou. Mas agora era outro. Era o sorriso de quem sabe o que quer. De quem queria *me macetar até me partir no meio na pirocada.*

— Veio, sim, Dona Pamela. — A voz saiu mais grossa, mais lenta, um grão de areia rolando na garganta. — Tô separando aqui pra senhora.

Ele demorou pra se levantar. Os olhos não saíram de mim. Não era assédio escancarado, daqueles que a gente sabe como reagir. Era mais sutil, mais fundo. Era um *reconhecimento*. Ele estava me vendo. Pela primeira vez, Seu Antônio estava me vendo como homem vê mulher que quer possuir.

E meu corpo respondeu antes da minha cabeça.

Um calor subiu do meu estômago, líquido e pesado. A nuca formigou. Meus mamilos roçaram o tecido fino da blusa e endureceram — imediatamente, visivelmente, dois bicos duros marcando o pijama — e eu juro que vi o olhar dele descer pro lugar exato onde isso aconteceu. A boca dele entreabriu um pouco, quase num suspiro.

Me senti como se estivesse pelada.

*Ele tá me comendo com os olhos.*

O pensamento veio nítido, cortante. E, ao invés da indignação, ao invés do constrangimento moral, veio uma onda de tesão tão brusca que minhas pernas fraquejaram. Uma vergonha profunda se instalou no mesmo instante — *Pamela, pelo amor de Deus, ele tem sessenta anos, é seu porteiro, é casado, é o Seu Antônio, o homem que ganha bolo de fubá da sua mão* — mas a vergonha, em vez de apagar o fogo, só o alimentou. Eu ardi inteira.

Fiquei parada. Podia ter olhado pro lado, pro celular, pro chão. Podia ter puxado a blusa, cruzado os braços. Podia ter feito qualquer coisa. Mas fiquei.

E vi.

Seu Antônio se levantou, finalmente. O uniforme era realmente pequeno demais. Quando ele se moveu pro almoxarifado, a luz do fim de tarde entrou pela porta de vidro e iluminou, por um segundo cruel e maravilhoso, o volume estufado na calça azul.

Não era algo sutil. Não era uma dobra do tecido.

Era um pau duro. Grosso. Evidente. A calça esticada, o contorno nítido, a cabeça grossa pressionando o zíper.

Meu coração parou. Meu corpo inteiro queimou.

Ele me desejando já era uma coisa. Mas a prova física — o *tamanho* daquilo — me atingiu como um soco no estômago. Engoli em seco, a boca seca de repente. Senti umidade quente entre as pernas, uma contração involuntária, profunda. Minha calcinha ficou colada em mim na mesma hora.

Senti o shortinho preso na minha rachadinha, o tecido fino entrando na fenda, molhado, grudento. Tive vergonha de tirar. Tive vergonha de qualquer movimento que denunciasse o quanto eu estava encharcada. Fiquei imóvel, apertando as coxas, tentando disfarçar o óbvio.

Ele voltou segurando a caixa, e agora era ele quem não conseguia me olhar direito. A excitação tinha sido tão brusca quanto a minha — e agora os dois estávamos ali, envergonhados, cientes, calados.

— Aqui está, Dona Pamela. — A voz dele falhou um pouco. Ele esticou a caixa, os dedos grossos e escuros tremendo levemente.

Estiquei a mão. Nossos dedos se tocaram. Foi um segundo. Um toque bobo, acidental.

Meu corpo acendeu igual palha seca.

— Obrigada, Seu Antônio. — Minha voz saiu estranha. Abafada. Quase um sussurro. Eu não era a Pamela comunicativa, a Pamela que conquistava todo mundo com sorriso. Eu era uma mulher com a calcinha encharcada, o shortinho enfiado na xota, parada na frente de um homem que tinha acabado de me despir com os olhos e que agora escondia um pau enorme na calça apertada.

— Às ordens. — Ele não disse "Dona Pamela" dessa vez.

Me virei. Senti o olhar dele nas minhas costas, descendo pela minha bunda marcada no shortinho, pela polpa que sobrava, nas minhas pernas torneadas. Cada passo em direção ao elevador foi uma eternidade. Sabia que ele estava me vendo. Sabia que o pau dele ainda estava duro. Sabia que, se eu olhasse pra trás, tudo poderia mudar de lugar.

Não olhei.

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A porta do elevador abriu e eu entrei como quem foge. Apertei o sétimo andar uma, duas, três vezes. Meu dedo tremia no botão.

Meu cabelo preso, meu decote, meus peitos duros ainda marcando o pijama, meu shortinho minúsculo, minhas pernas abertas. Ele não disfarçou.

Meu corpo, estava em brasa, um fogo na piriquita incontrolável.

*Que porra é essa, Pamela?*

Senti o calor subir das minhas coxas, senti mais umidade escorrer, senti o mamilo endurecer ainda mais. A vergonha me engoliu inteira. Senti o cheiro de buceta que saía de mim se espalhando pelo elevador e só pensava se ele tinha sentindo também.

Senti vergonha e tesão.

O elevador parou no sétimo andar.

Saí sem olhar pra trás. As pernas bambas. A caixa suada na mão.

Coloquei a mão entre as pernas, pressionando, no trajeto até o meu apartamento.

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Quando entrei em casa, Fernando ainda não tinha voltado. Meu filho dormia.

Fechei a porta, encostei nela, joguei a caixa no chão. Respiração curta, corpo em chamas.

Puxei o shortinho e a calcinha juntos, numa pressa ridícula. Desci os dedos e encontrei minha xoxota latejando, babando, completamente encharcada. A gosminha escorreu pelos meus dedos, transparente, quente, nojenta e deliciosa. Passei os dedos devagar, sentindo a textura, brincando com aquela meleca que escorria pelo meu períneo.

E comecei a rir.

Sozinha no corredor, de pernas abertas, a mão entre as coxas, rindo que nem louca. Da situação. De mim. Do absurdo de tudo.

Me imaginei de joelhos na portaria. Me imaginei mamando Seu Antônio enquanto ele atendia o interfone, a cara mais séria do mundo, enquanto eu chupava o pau enorme dele escondida atrás do balcão. Me imaginei ele gozando na minha boca, segurando minha nuca, a calça azul amarfanhada no tornozelo, o volume finalmente livre, finalmente na minha língua.

Ri mais alto.

*Puta que pariu, Pamela.*

E eu ali, com os dedos enterrados na boceta, gozando

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Fui pro quarto, sentei na cama, a caixa ainda na mão. Abri devagar. Era um vibrador novo, daqueles caros, que meu marido comprou achando que ia apagar o incêndio que ele mesmo tinha deixado apagar.

Ri de novo, sem graça. Olhei pro teto, sentindo o corpo ainda pulsando, latejando, pedindo algo que eu não sabia nomear.

Deitei na cama, espalhei aquela gosminha na boceta, fechei os olhos e deixei vir. Seu Antônio, o volume estufado na calça. Ju Aquele velho feio, careca e barrigudo me comendo com os olhos, me desejando, me querendo.

Gozei ali mesmo, sozinha, sem nem tocar direito, só na força da imaginação. O orgasmo veio em ondas, meu corpo arqueando no colchão, um gemido preso na garganta.

Cochilei e acordei com uma lambida na xoxota do meu cachorro. Afastei ele e fui pro banho.

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Naquela noite, quando Fernando chegou, eu o puxei pra cama com uma fome que ele não via em mim fazia meses. Ele estranhou, riu, perguntou o que tinha acontecido.

— Nada — eu menti. — Só saudade.

Enquanto ele me comia, fechei os olhos. Não vi o rosto dele. Vi o balcão da portaria. Vi o uniforme azul. Vi o pau duro escapando do zíper. Me imaginei ajoelhada, a boca cheia, a mão do Seu Antônio na minha nuca.

Depois, quando ele gozou dentro de mim e caiu ao lado, ofegante, eu ainda estava longe. Meu corpo ainda pedia. Meu pensamento ainda vagava.

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No dia seguinte, passei na portaria sem olhar pro balcão.

— Bom dia, Dona Pamela. — a voz dele veio, mais contida.

— Bom dia, Seu Antônio.

Atravessei o hall rapidamente. O sol batia nos vidros da entrada. Não tinha bolo dessa vez.

Mas no elevador, sozinha, senti meu corpo queimar exatamente do mesmo jeito.

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Comentários

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Que delicia, sua narrativa é cativante, espero ansioso pela continuação

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