Capítulo 4: O Veredito do Desejo: A Queda da Irmã Perfeita

Um conto erótico de João Vitor
Categoria: Heterossexual
Contém 1481 palavras
Data: 10/02/2026 22:45:43

O mês de julho começou sob o signo da tensão. A euforia das oitavas de final havia dado lugar a uma rotina de sombras no apartamento da Tijuca. Mariana, que antes era uma chama de provocação, tornou-se um bloco de gelo. Ela passou a me tratar com uma indiferença calculada, cortando o ar com frases curtas e ácidas sempre que éramos forçados a dividir a mesa.

— Passa o açúcar, "bom moço" — sibilava ela, sem nunca encontrar meus olhos, o tom carregado de um desprezo que ia muito além do desejo rejeitado.

No dia 8 de julho, o golpe final na alegria da cidade veio com o massacre dos 7 a 1. Enquanto a Alemanha empilhava gols na TV, o silêncio na nossa sala era absoluto e sufocante. Camila chorava baixinho, Ana Beatriz mantinha os braços cruzados com uma expressão de puro asco, e Mariana me olhava de soslaio, como se aquela humilhação nacional fosse o reflexo da minha própria derrota pessoal. A cidade silenciou, e nossa casa seguiu o mesmo ritmo.

Com o fim da Copa, a vida real bateu à porta e o clima tornou-se ameno, mas carregado de cicatrizes. Já não havia mais a excitação dos primeiros dias; o que restava era uma normalidade frágil. Em uma dessas noites de julho, enquanto ajudava Camila com a louça, o silêncio foi quebrado por um desabafo que me atingiu como um soco.

— Fico feliz em te ver focado nos livros de Direito, João — disse ela, secando um prato com as mãos trêmulas. — Mas às vezes eu acordo no meio da noite e vou até o seu quarto conferir se você ainda está lá. Depois que seu pai foi embora e você escolheu aquele caminho rebelde... eu me senti duplamente abandonada. Eu olhava para você e via o mesmo olhar de desinteresse dele por essa família.

— Mãe, eu mudei. Eu quero que as coisas sejam diferentes agora — tentei dizer, sentindo o peso da culpa sufocar minha voz.

— Eu espero que sim, meu filho. Porque eu não aguentaria passar por tudo aquilo de novo. A delegacia, as brigas... — Ela me olhou com olhos marejados, o trauma da minha saída para Curitiba ainda vivo em cada linha do seu rosto. — A faculdade é sua chance de ser o homem que o seu pai não foi.

Aquilo ecoou na minha mente durante o restante do mês. Eu mergulhei nos livros de introdução ao Direito com uma sede desesperada por redenção. Estudar as leis era minha forma de tentar consertar o caos que eu mesmo havia criado antes de ser mandado embora. A proximidade de agosto me trazia uma animação genuína; eu queria o peso da mochila, o cheiro das bibliotecas e, acima de tudo, a distância mental daquela casa que ainda exalava o perfume de baunilha da Mariana.

Mariana, por sua vez, fazia questão de me lembrar que o passado não se apaga. Em uma tarde, enquanto eu organizava meu material, ela parou na porta do quarto.

— Animado para fingir que é um santo na faculdade? — perguntou ela, encostada no batente. — Não adianta estudar o que é certo e errado, João. No fundo, você continua sendo o mesmo garoto que foge quando as coisas ficam quentes. Foi assim com a gente, foi assim quando você foi morar com o Ricardo.

— Eu não fugi, Mariana. Eu estou tentando reconstruir a minha vida.

— Reconstruir em cima de mentiras? — ela deu um risinho frio. — Boa sorte com isso.

O mês de julho foi se despedindo nessa paz armada. Eu seguia uma vida normal na medida do possível: jantares silenciosos, estudos de madrugada e o esforço hercúleo para não olhar demais para as curvas das minhas irmãs ou para o decote da minha mãe enquanto ela assistia TV. Eu achava que a rotina mataria o pecado.

Tudo seguia nesse equilíbrio tenso até que faltou exatamente uma semana para o início das aulas. Era uma tarde abafada, típica do pré-agosto carioca. Minha mãe, Camila, havia avisado que a corretagem estava uma loucura e que ela só chegaria tarde da noite. Mariana também não estava; havia partido dias antes para a casa de uma amiga na Região dos Lagos, querendo aproveitar os últimos cartuchos das férias.

Eu tinha combinado de reencontrar um velho amigo de infância para tomar uma cerveja e tentar, por algumas horas, ser apenas um cara comum de 18 anos. Me despedi de Ana Beatriz, que ficaria sozinha, e saí. Mas a sorte não estava ao meu lado; chegando ao local, meu amigo ligou avisando que teve um imprevisto sério e não poderia ir. Meio chateado e sem rumo, peguei o ônibus de volta. Mal sabia eu que aquele imprevisto mudaria a minha vida.

Entrei no apartamento em silêncio e notei a porta do quarto da Ana Beatriz entreaberta. O que ouvi me paralisou: respirações pesadas e a voz dela, geralmente tão séria e rígida como a do nosso pai, carregada de uma luxúria que eu nunca imaginei. Através da fresta, a imagem estraçalhou minha percepção da irmã "perfeita". Ana estava completamente nua, com as pernas abertas, gemendo obscenidades ao celular para o namorado que viajava a trabalho. Uma mão apertava o próprio seio enquanto a outra trabalhava freneticamente entre as coxas.

Ana Beatriz estava completamente nua, deitada de costas com as pernas abertas em um ângulo que deixava sua buceta totalmente exposta e úmida, brilhando sob a luz do abajur. Ela estava com os fones de ouvido brancos conectados ao celular, que estava jogado no travesseiro ao lado da sua cabeça, permitindo que ela ficasse com as mãos livres para o próprio prazer. Enquanto uma das mãos apertava o seio com tanta força que os dedos afundavam na carne branca, deixando marcas vermelhas, a outra trabalhava freneticamente lá embaixo; ela enfiava dois dedos com força dentro de si, fazendo um som úmido e ritmado que ecoava no quarto vazio.

— Porra, amor... eu queria o seu pau agora — ela gemia, a voz suja, sem qualquer rastro da postura educada que mantinha na sala. — Eu estou imaginando você me socando com força, me chamando de puta enquanto goza na minha cara... enfia mais, imagina que é você me rasgando... ai, caralho, está tão bom!

Ela começou a esfregar o clitóris com movimentos circulares rápidos, arqueando as costas e empurrando o quadril para cima a cada estocada dos próprios dedos. A visão daquela mulher intocável, herdeira da moralidade do meu pai, se acabando em prazer enquanto falava as maiores baixarias para o telefone, disparou um gatilho na minha mente. A moral e o Direito evaporaram. Escondido pela sombra do corredor, levei a mão à minha bermuda.

A visão da Ana Beatriz revirando os olhos e gemendo o quanto queria ser possuída me hipnotizou. Comecei a me masturbar ali mesmo, alimentado pelo voyeurismo proibido, devorando cada detalhe do seu corpo atlético e da sua intimidade exposta em seu momento mais vulnerável e depravado.

Eu estava quase no limite quando ouvi o tilintar de chaves na porta principal. Abri os olhos em pânico. Mariana estava parada no final do corredor, com a mochila de viagem no ombro; ela tinha voltado antes da hora. O choque no rosto dela foi instantâneo ao ver minha mão dentro da bermuda enquanto eu devorava com os olhos a cena da nossa irmã se masturbando.

O rosto da Mariana passou do choque para uma fúria incandescente. Sem dizer uma palavra, ela largou a mochila e correu para o quarto dela, batendo a porta com força. O terror frio tomou conta de mim. Desesperado, ignorei o risco da Ana Beatriz ouvir e fui atrás de Mariana, esmurrando sua porta.

— Mariana! Abre essa porta! — sussurrei alto, a voz falhando em pânico. — Me escuta, deixa eu explicar!

A ironia era brutal: enquanto minha vida desmoronava no corredor, a poucos metros dali, Ana Beatriz continuava em seu transe. Ela estava com os fones de ouvido brancos enterrados nos ouvidos, o volume certamente no máximo para abafar qualquer som externo e mantê-la conectada apenas à voz do namorado e aos seus próprios gemidos.

Somado a isso, o ar-condicionado de janela antigo, um monstro de metal que rugia no quarto dela, vibrava com tamanha intensidade que criava uma barreira de ruído branco absoluta. Para Ana, o resto do apartamento não existia. Ela não ouviu o tilintar das chaves de Mariana, não ouviu o baque da mochila no chão e, mesmo quando eu, em puro desespero, esmurrei a porta de Mariana e sussurrei em pânico, nenhum som atravessou aquela muralha de barulho técnico e prazer privado.

Ela continuou ali, mergulhada em sua luxúria, com o som úmido e ritmado de seus dedos ecoando apenas para as quatro paredes do quarto, completamente alheia ao fato de que o equilíbrio e a moralidade daquela casa acabavam de ser implodidos a poucos passos de sua porta. O meu destino agora não estava nas mãos da lei que eu pretendia estudar, mas trancado dentro do quarto de Mariana.

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Foto de perfil genéricaContos_do_LoboContos: 4Seguidores: 3Seguindo: 0Mensagem Onde o instinto encontra a escrita. Aqui, as fantasias mais profundas ganham vida em forma de contos. Entre e perca-se nas histórias de quem observa o desejo de perto.

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