*E aí, pessoal. Para qyem ainda não sabe, sofri um acidente de carro, por isso as atualizações não estavam mais saindo. Tô um pouco menos chapado nos remédios pra dor hoje. Tem sido umas semanas bem difíceis ultimamente. Além da clavícula quebrada e do úmero esquerdo, tenho tido enxaquecas bem ruins. Com a ajuda do plano de saúde e das economias, consegui um carro novo.
*Enquanto tô tentando me livrar dos remédios pesados, talvez consiga começar a escrever de novo, mas não quero forçar. Aqui tem algo que aconteceu na sexta e achei que vocês iam curtir. Não é o mais longo... mas é alguma coisa por enquanto.*
Acordar às 6:30 da manhã de ressaca é uma coisa. Acordar às 6:30 da manhã de ressaca que também é uma concussão de acidente de carro é outra. Minha cabeça parecia que tinha sido colocada numa betoneira, depois deixada no ciclo de centrifugação a noite toda. Toda vez que piscava, conseguia sentir os músculos atrás dos olhos reclamando de hora extra não paga.
Por um segundo achei que tinha tido sorte. Talvez hoje fosse o dia que acordasse e minha dor de cabeça tivesse ido embora, talvez minhas células cerebrais tivessem silenciosamente se organizado enquanto eu dormia, tipo meias dobradas por uma mãe bem-intencionada. Mas não. Lá estava ela, ainda batucando, bem acima da sobrancelha direita, tipo um lembrete: "Não fode com Corollas e/ou karma."
Fiquei ali deitado, encarando o teto, os lençóis torcidos ao redor das pernas de um jeito que tornava impossível ficar confortável. Minha boca tinha gosto de algodão e Oxicodona de ontem. Em algum lugar pela casa, ouvi o chuveiro ligar, canos chocalando e tábuas do piso rangendo de um jeito que dizia que a Manda já estava acordada e em posse total do único cérebro funcional entre nós.
Minha bexiga fez a chamada por mim. Rolei pra beira do colchão, fazendo careta enquanto o mundo inclinou quarenta e cinco graus, e arrastei os pés descalços pro banheiro. A porta estava fechada, mas não trancada e conseguia ver a luz por baixo da fresta, e o som da água era quase alto o suficiente pra abafar o gemido baixo que escapou quando finalmente consegui mijar.
— Consegue acreditar que já é sexta? — eu disse, sem realmente esperar uma resposta.
A água parou. A voz da Manda filtrou pelo vidro embaçado. — Você tá parecendo que vai narrar um episódio depressivo num podcast.
Sorri, o que doeu. — Talvez eu esteja.
Ela provavelmente estava revirando os olhos lá dentro. — Talvez tenta cafeína antes da espiral existencial, Bruno.
Ouvi ela se mover, o baque afiado de um frasco de xampu batendo no chão, depois a voz dela de novo: — Você dormiu bem?
— Define 'bem'. — Abaixei a tampa, e fui pra pia lavar as mãos, me apoiando no balcão enquanto o piso girava sob meus pés. — Acho que minha cabeça ainda tá numa batida de leve, mas todo o resto tá... beleza.
A Manda riu, o tipo de risada que era mais 'você é um idiota' do que 'tô achando graça'. — Você tem sua telemedicina às onze, né?
— É.
— Fala pra eles que você ainda tá com dor de cabeça. — Ela soou estranhamente severa, como se já tivesse ensaiado essa bronca.
Joguei água no rosto e olhei pra cima. O espelho já estava embaçando, mas ainda conseguia ver o crescente roxo sob o olho direito, o corte meio curado acima da sobrancelha, os arranhões com casca na bochecha. Não era meu melhor visual, mas pelo menos não era o pior.
— Vou falar — eu disse, depois, — Obrigado, Mãe.
Dessa vez ela realmente revirou os olhos, alto o suficiente pra ouvir. — De nada, criança.
O chuveiro chiou pra desligar, e teve um momento de silêncio, só o zumbido baixo do exaustor e o pinga-pinga-pinga da torneira. Eu ia sair quando a Manda abriu a porta, toalha enrolada no peito, cabelo alisado grudado na cabeça.
Ela olhou pra mim, depois pro vaso, depois pra mim de novo. — Dá descarga da próxima vez, degenerado.
Dei de ombros. — Não queria matar a pressão da água pra você.
Ela sorriu de canto, depois pegou outra toalha e começou a secar o cabelo. Observei ela, só por um segundo, do jeito que sempre fazia agora tentando catalogar cada curva e pinta e microexpressão, tipo se eu memorizasse o suficiente dela, poderia conjurá-la do nada mesmo se o universo a levasse embora. Nunca me cansava disso.
Ela terminou com o cabelo, depois ficou ao meu lado na pia. Colocou a toalha no balcão, deixou cair pros quadris, e começou a escovar os dentes. Ela estava nua da costela pra cima, e o espelho me deu uma visão lateral perfeita e acidental dos peitos, a constelação de pintas pela clavícula, e a marca de mordida fraca e em cicatrização logo abaixo do mamilo esquerdo (obra minha).
Ela me viu encarando, e não disse nada. Só cuspiu, enxaguou, e disse: — Você devia voltar pra cama. Você tá parecendo uma enxaqueca em forma humana.
Queria argumentar, ou fazer uma piada, ou só continuar olhando pra ela, mas ela se inclinou e beijou minha bochecha, depois minha boca, pasta de dente e tudo. — Vai — ela disse, suave mas insistente, e me empurrou pro corredor.
Obedeci, mas não antes de dar uma olhada enquanto ela ajeitava a toalha ao redor dos quadris. Peguei um flash de pele pálida, a curva da bunda, então ela piscou e fechou a porta do banheiro.
Fui pra cozinha no piloto automático, ainda atordoado da dor de cabeça e do whiplash de ver os peitos da minha irmã antes do nascer do sol. A cozinha cheirava a café e o traço fraco da pipoca da noite passada. Achei minha garrafa squeeze, aquela com o adesivo que ela tinha colado que dizia "Se Hidrata Porra ou Morre Tentando", e enchi até a boca com água gelada.
A Mãe já estava acordada e em modo trabalho total, o celular preso entre orelha e ombro, socando um notebook enquanto esquentava um salgado congelado no microondas. Ela olhou quando entrei, rosto franzido de um jeito que dizia que não tinha tomado os primeiros três goles de café ainda.
— Bom dia — ela disse, voz apertada. — Como tá o paciente?
— Ainda vivo — eu disse, pegando uma maçã do balcão de fachada. — Cabeça dói, mas nada novo.
Ela acenou, depois voltou pra ligação. — ...não, isso não vai funcionar a menos que você adiante o prazo, eu disse segunda, não quarta... — e me dispensou com a mão que não estava segurando a caneca.
Eu ia sair de fininho quando ela encerrou a ligação, fechou o notebook, e me fixou com o olhar completo de Mãe. — Você não vai dirigir hoje, né?
— Não. Trabalho remoto até nova ordem. — Falei como se não tivesse falado cem vezes já.
— E você vai entrar na sua consulta?
— Prometo — eu disse. — A Manda é minha oficial de prestação de contas.
A Mãe amoleceu, só um pouco. — Sabe, ela realmente se preocupa com você.
— Eu sei — eu disse, rápido demais.
Ela sorriu, cansada. — Só checando. Alguns dias, ela age como se você fosse a única coisa mantendo ela em pé.
Acenei, não confiando em mim mesmo pra dizer mais nada. Meus olhos já estavam vidrados da dor de cabeça, mas agora pareciam suspeitosamente molhados. A Mãe não notou — ela estava de volta no celular em um segundo, digitando emails mais rápido que a maioria das pessoas respira.
Peguei a garrafa, a maçã, e meu corpo surrado e recuei escada acima, de volta pro meu quarto. A cama ainda estava quente, lençóis emaranhados do jeito que acontece quando você rola a noite toda.
Nem me dei ao trabalho com pijamas. Tirei tudo menos a cueca boxer, me joguei no colchão, e encarei o teto. A luz entrando pela janela estava fraca e cinza, mas por um segundo, me senti bem. O tipo de bem que vem de estar vivo quando não deveria, e ter alguém que te quer por perto o suficiente pra te intimidar até a saúde.
Estava flutuando, não bem dormindo, quando a porta rangeu aberta. Não precisei olhar; conhecia o som dos passos dela melhor que os meus.
— A Mãe foi embora — a Manda disse, voz suave.
Rolei um pouco, e sorri. — Você tá checando se eu tô morto?
Ela estava parada na porta, cabelo seco com toalha mas ainda úmido, vestindo nada além de uma calcinha azul clarinha. Ela deu de ombros, depois cruzou o quarto em duas passadas e mergulhou na cama ao meu lado, membros espalhados, pele fria e fresca do chuveiro.
Ela se enterrou debaixo do cobertor, pressionando os peitos no meu peito, as pernas emaranhadas nas minhas. A cabeça dela se encaixou perfeitamente no vão do meu pescoço, e ela soltou um suspiro que foi metade contentamento, metade exaustão.
— Sabe — ela disse, traçando um círculo preguiçoso ao redor do meu mamilo com o dedo, — eu podia matar a primeira aula e só ficar aqui com você.
— Você não ia se ferrar?
Ela bufou. — Só se você me dedurar.
Fechei os olhos, deixando o toque dela expulsar a dor da minha cabeça. — Nunca te entregaria.
Ela sorriu, depois beijou meu maxilar, o lado do meu pescoço, o lugar logo abaixo da orelha que ela sabia que me fazia estremecer. — Bom. Porque acho que você precisa de uma cuidadora mais do que um X9 agora.
A mão dela derivou mais baixo, do meu peito pro estômago, dedos leves como ar, depois mais pra baixo onde o cobertor estava começando a fazer tenda. Eu já estava meio duro, do jeito que você fica quando nem tá tentando, e ela parecia saber antes de mim.
Ela olhou pra cima pra mim, cabelo caindo nos olhos, e disse: — Você quer que eu cuide de você?
Hesitei, envergonhado de o quão rápido eu queria, o quanto tinha sentido falta, mesmo a gente tendo metido feito coelhos há apenas mais de 2 semanas atrás. — Tem certeza que você não tem que estar em algum lugar?
Ela sorriu, depois beijou descendo minha barriga, a língua traçando cada hematoma, cada centímetro de mim. — Tenho trinta minutos. E você precisa.
Gemi, mais da antecipação do que qualquer coisa. — Você é uma facilitadora, sabia disso?
Ela puxou minha cueca boxer pra baixo, libertando meu pau, depois acariciou uma vez, devagar, só pra assistir crescer. — Você sempre usa cueca pra dormir agora? — ela provocou, rolando o elástico sobre meus quadris.
— Não esperava companhia — eu disse, mas minha voz quebrou no meio.
Ela lambeu a ponta, depois sorriu pra cima pra mim, olhos brilhando. — Você é fofo quando tá indefeso.
Não tinha resposta. Ela pegou a cabeça na boca, circulando com a língua, depois desceu, me levando mais fundo do que achei possível. As mãos seguraram minhas bolas, dedos massageando gentilmente, e cada movimento mandava um pulso de prazer pelo meu corpo todo.
Me apoiei no cotovelo bom, observando ela, o jeito que os lábios esticavam ao redor do eixo, o jeito que os olhos dela olhavam pra cima pra encontrar os meus toda vez que engolia mais. Ela era fodidamente boa nisso. Sempre foi competitiva, mas agora era competitiva em me fazer gozar mais rápido do que qualquer homem são conseguiria aguentar.
Ela saiu com um estalo molhado, me acariciou com a mão, e disse: — Sentiu minha falta?
Acenei, sem fôlego.
Ela sorriu, depois mergulhou de volta, chupando mais forte, torcendo o pulso em sincronia perfeita com a boca. Conseguia sentir a pressão construindo já, calor empoçando na barriga, mas não queria que acabasse ainda.
— Vai devagar — eu disse, voz apertada. — Quero durar.
Ela recuou de novo, sorrindo de canto. — Então me ajuda. — Ela passou uma perna sobre mim, montando na minha cintura, a buceta pressionada no meu estômago, calcinha já úmida.
Ela se inclinou pra frente, me beijando, os peitos esmagados contra meu peito, as mãos de cada lado da minha cabeça.
— Posso cavalgar você? — ela sussurrou, não realmente uma pergunta.
— Sempre — eu disse.
Ela desceu, me alinhou, e empurrou meu pau entre as pernas, se esfregando contra ele através da calcinha. O calor, a viscosidade, o desespero — era avassalador.
Ela puxou a calcinha pro lado, depois afundou em mim num movimento suave, a buceta quente e apertada e perfeita.
Ambos gememos, o som abafado pelos cobertores e a manhã cedo. Ela começou a se mover, devagar no começo, balançando os quadris, depois mais rápido, caçando o atrito. O cabelo caiu no rosto, selvagem e úmido, os olhos espremidos fechados em concentração.
Agarrei um dos quadris dela, guiando, sentindo o jeito que ela apertava ao meu redor com cada movimento.
Ela se inclinou pra frente, me beijando, mordendo meu lábio, depois disse: — Você vai gozar pra mim, né?
— É — arfei, mal segurando.
Ela alcançou pra baixo, esfregando o clitóris com dois dedos, a outra mão apoiada na minha coxa. — Quero dentro de mim. Tudo.
As palavras me empurraram pela borda. Deitei a cabeça pra trás, martelei pra cima nela, e soltei. Ela gozou ao mesmo tempo, o corpo todo tremendo, a buceta ordenhando cada gota de mim.
Ela caiu de volta entre minhas pernas, meu pau deslizando pra fora dela, respirando forte.
Ficamos ali, sem se mover, pelo que pareceu uma eternidade.
Eventualmente, ela rolou, pegou um lenço da mesa de cabeceira, e limpou nós dois. Ela se enroscou ao meu lado, cabeça no meu ombro, a mão traçando círculos lentos no meu peito.
— Acha que isso vai curar sua dor de cabeça? — ela disse, voz sonolenta.
Ri, o que doeu. — Se não curar, vou precisar de outra dose em algumas horas antes da mãe chegar em casa.
Ela sorriu, olhos já fechando. — Vou ligar pra farmácia.
Flutuei, meio dormindo, o sol da manhã rastejando pela cama.
Pela primeira vez desde o acidente, me senti bem.
Sabia que não ia durar pra sempre. Mas por enquanto, era suficiente.
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Nota: gente, assim que eu estiver melhor eu volto a publicar com a mesma frequência que antes!
Nota2: obrigado pelas mensagens que tenho recebido de apoio!