Acordei com o sol da Tijuca invadindo o quarto e o som do ventilador ainda girando, mas o lado direito da cama estava vazio. Não vi a hora que a Mariana levantou; o lençol estava apenas levemente bagunçado, mantendo um rastro quase imperceptível do perfume de baunilha dela. Fiquei alguns minutos olhando para o teto, sentindo meu corpo ainda sob o efeito da noite anterior, processando o que parecia ter sido um sonho.
Levantei e fui para a cozinha apenas de bermuda. Mariana estava lá, sentada à mesa, segurando uma caneca de café com as duas mãos. Ela usava um short jeans e uma regata branca, mas, ao contrário da noite anterior, ela mal desviou os olhos da caneca quando entrei.
— Bom dia — eu disse, com a voz ainda rouca de sono.
— Bom dia — ela respondeu baixo, sem me olhar.
O clima estava pesado, carregado de uma vergonha que eu não esperava vindo dela. Ela parecia estar evitando qualquer contato visual, focada demais no café, como se estivesse tentando apagar a memória do corpo dela pressionando o meu no escuro. Sentei-me à frente dela e o silêncio só foi quebrado quando Camila entrou na cozinha, radiante, já com uma camisa da seleção brasileira por cima da roupa de pilates.
— Hoje ninguém sai de casa! — exclamou minha mãe, servindo-se de suco. — O Brasil joga as oitavas contra o Chile daqui a pouco. Já combinei com a Ana Beatriz: vamos ver o jogo aqui na sala, com petiscos e cerveja gelada. João, você vai ser o nosso amuleto.
O clima na casa mudou com a animação da minha mãe. Logo, Ana Beatriz apareceu, também com as cores do Brasil, mas mantendo aquela postura imponente de sempre. O apartamento foi tomado por um ar de festa: bandeiras na janela, o som das vuvuzelas vindo da rua e a mesa da sala cheia de coxinhas, quibes e baldes de cerveja.
Quando o jogo começou, sentamos os quatro no sofá. Camila e Ana Beatriz em uma ponta, e eu e Mariana na outra. O jogo foi tenso. O Brasil abriu o placar, mas o Chile empatou logo em seguida. A cada ataque perigoso, a sala virava um caos de gritos. No meio daquela euforia, o clima estranho entre eu e Mariana começou a derreter, substituído pela adrenalina da torcida.
— Não acredito que esse gol não saiu! — gritou Mariana, pulando no sofá e, na empolgação, segurando o meu braço com força.
Ela percebeu o que fez e me olhou por um segundo. A vergonha da manhã tinha dado lugar ao brilho nos olhos. O jogo foi para a prorrogação e, depois, para os pênaltis. O estresse era total. Camila estava abraçada a uma almofada, e Ana Beatriz, que raramente perdia a pose, estava de pé, roendo as unhas.
Na hora do último pênalti chileno, aquele que bateu na trave e garantiu a vitória do Brasil, a sala explodiu. Camila e Ana Beatriz se abraçaram gritando, e Mariana pulou em cima de mim, circulando meu pescoço com os braços e as pernas na minha cintura. O impacto me jogou para trás no sofá.
— Ganhamos, João! Ganhamos! — ela gritava, o corpo quente colado ao meu, o cheiro de suor e cerveja se misturando ao perfume dela.
Ficamos abraçados por mais tempo do que o necessário para uma comemoração de irmãos. Senti o seio dela pressionado contra o meu peito e as coxas grossas apertando meu quadril. Ela se afastou devagar, mas continuou sentada no meu colo por alguns segundos, com o rosto a centímetros do meu, enquanto minha mãe e Ana Beatriz ainda pulavam perto da TV.
Com a euforia baixando, minha mãe, suada e ofegante, decidiu ir direto para o banho. Eu fui buscar outra cerveja e, ao passar pelo corredor, notei que a porta do banheiro não tinha fechado completamente. Parei, o coração disparando, incapaz de seguir caminho.
Minha mãe estava de pé, completamente nua sob a luz branca. De costas, a visão era avassaladora: a bunda dela era imensa, madura e firme, com uma pele clara que brilhava sob a luz. Quando ela se virou para alcançar a toalha, eu vi tudo. Os seios eram fartos, com aréolas grandes e escuras que se destacavam na pele perfeita.
Meus olhos desceram para onde a depilação impecável deixava sua buceta totalmente exposta. Os lábios eram carnudos e de um tom rosado, uma visão de pura feminilidade madura que me atingiu como um soco. O tesão subiu como uma martelada, misturado a uma culpa que fazia minhas mãos tremerem. Ela não me viu; estava absorta no seu próprio banho, mas a imagem dela nua ficou queimada na minha retina.
Ainda atordoado, continuei pelo corredor e passei pelo quarto de Ana Beatriz. A porta estava apenas encostada. Através da fresta, vi que ela estava de costas, retirando a camisa da seleção grudada de suor. Num movimento rápido, ela soltou o sutiã. Quando ela se virou para pegar uma regata na cama, seus peitos ficaram totalmente expostos.
Eram lindos, firmes, com bicos rosados apontando para frente. Ela estava concentrada em se trocar, sem imaginar que eu estava ali, devorando cada detalhe do seu corpo atlético e escultural. A genética daquelas mulheres era uma covardia.
Entrei no meu quarto tentando respirar, o sangue latejando em todos os lugares errados. Mas a paz não veio. Mariana já me esperava lá dentro, encostada na porta, que ela fechou assim que eu entrei. Ela olhou para o volume evidente na minha bermuda e deu um sorriso que dizia que, embora não tivesse visto o que eu vi, ela sabia exatamente o que eu queria.
— O Brasil ganhou, João... — ela sussurrou, caminhando em minha direção e puxando a regata branca para cima, revelando seus próprios seios fartos e livres — Mas eu ainda não recebi meu prêmio.
Mariana não esperou um convite. Ela caminhou até mim com uma naturalidade que me assustava, os seios fartos balançando levemente a cada passo até pararem a milímetros do meu peito. O cheiro de cerveja e a adrenalina do jogo ainda pairavam no ar, e o álcool que eu havia bebido durante os pênaltis parecia ter anestesiado minha capacidade de dizer "não".
— Mariana, a gente não devia... — tentei começar, mas a frase morreu quando ela selou meus lábios com um beijo faminto.
Não era um beijo de irmã; era urgente, quente e carregado de uma luxúria que me fez esquecer quem éramos por alguns segundos. Minhas mãos, agindo por instinto, encontraram a cintura fina dela e a puxaram para o encaixe perfeito dos nossos corpos. Cedi ao impulso e a joguei contra a cama. Em segundos, eu estava devorando seus peitos, sentindo a textura da pele dela e o bico rígido entre meus lábios, enquanto ela soltava gemidos baixos, abafados pelo travesseiro.
Minha mão desceu para o short jeans dela, encontrando o caminho por baixo do tecido. Comecei a dedilhá-la com força, sentindo que ela já estava completamente ensopada. Mariana retribuiu o gesto enfiando a mão por dentro da minha bermuda, me masturbando com uma rapidez que me fazia perder o fôlego. O quarto parecia girar, o calor era insuportável e a sensação era de um prazer proibido que queimava tudo ao redor.
Porém, no auge da excitação, quando ela começou a tentar abrir o botão da minha bermuda para terminar o que tínhamos começado, o barulho de uma risada da minha mãe na sala ecoou pelo corredor. Foi como um balde de água gelada. A imagem da Camila nua no banho e da Ana Beatriz se trocando voltou à minha mente como um flash de culpa.
Eu recobrei a consciência de forma violenta. A loucura do álcool deu lugar ao peso do erro. Segurei os pulsos da Mariana e, com um movimento brusco, a afastei.
— Para! Chega, Mariana. Isso é loucura — eu disse, levantando-me da cama e tentando controlar a respiração descompassada.
— O que foi, João? Você estava adorando até agora — ela retrucou, sentando-se com o cabelo desgrenhado e os olhos brilhando de fúria e frustração.
— É errado. A gente mora na mesma casa, somos irmãos... Eu não consigo fazer isso — respondi, sem conseguir olhá-la nos olhos.
Mariana se levantou, ajeitando a regata com um movimento ríspido, o rosto vermelho de ódio. O clima de sedução tinha morrido, substituído por uma tensão elétrica e amarga.
— Você é um covarde, João Vítor. Sempre foi — ela sibilou, caminhando até a porta. — Foi covarde quando deixou as três sozinhas e fugiu para morar com o papai em Curitiba, e é covarde agora. Vai lá, continua sendo o "bom moço" enquanto morre de tesão por baixo dessa máscara.
Ela saiu batendo a porta com força. Fiquei ali, sozinho no escuro, ouvindo o som do ventilador. O sol da tarde já começava a baixar na Tijuca quando a adrenalina da vitória finalmente deu lugar ao cansaço. Entre os gritos dos pênaltis, as cervejas extras para comemorar e o calor abafado do Rio, o dia tinha passado voando. Eram quase oito da noite quando lavei o rosto e fui até a sala. Camila e Ana Beatriz estavam terminando de arrumar a bagunça do jogo.
— Já vai deitar, João? — Camila perguntou com um sorriso doce.
— Vou sim, mãe. O jogo acabou comigo — respondi, tentando manter a voz firme. — Boa noite, Ana.
— Boa noite, maninho — Ana respondeu, sem tirar os olhos da tela.
Deitei na cama e fechei os olhos, mas o sono não veio. A "Casa das Três" não era mais um refúgio; era uma prisão de desejos que eu não sabia se conseguiria conter por muito mais tempo.