Manual do Sexo

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 3520 palavras
Data: 09/02/2026 18:56:31
Assuntos: Lésbicas

Para a sexagem, fomos a um laboratório fazer a coleta, e Sabrine ficou encarregada de ser a guardiã do segredo, ou seja, somente ela teria acesso ao resultado. A gestação havia acabado de completar dez semanas no dia.

Milena e Kaique planejaram da seguinte maneira: Júlia e eu sentaríamos uma de frente para a outra, e eles dois ficariam entre nossas pernas. Vendados, íamos passando tinta rosa ou azul um no outro, e eles dois abririam os olhos e veriam o resultado. Depois, ainda seguiríamos uma dinâmica de partir um bolo com duas taças e, aí sim, o recheio nos revelaria o sexo do bebê.

— Esse é o total da dinâmica — Mih me mostrou em sua planilha.

— Dentro do teto de gasto, está vendo?! — brinquei.

— O problema é a filmagem, precisa de uma equipe para fazer um trabalho bonitinho, mãe — ela me explicou.

— Vai, mãe, tem muito tempo que vocês não têm filho... Por favor... — Kaká pediu.

— O neném merece. Quando ele estiver crescendo e entender as coisas, eu vou amar contar esse tipo de coisa para ele — minha filha continuou.

— Ou ela — meu filho acrescentou.

— Huuuuum... Tá bom... Orçamento... — aceitei.

— Está na mão, ministra da economia — Milena brincou, passando para outra janela.

— Meu Deus... Eu ia economizar tanto apenas olhando o resultado em um papel... Mas fazer o quê, né? Está liberado! — confirmei, e eles comemoraram, me abraçando.

Fui para a Filial com a mente presa na sessão de terapia que, mais uma vez, precisaria ser adiada.

Não sei exatamente quando as coisas começaram a sair do eixo, porque não houve um grande evento, um marco claro. Foi silencioso e aos poucos. Acho que tudo começou no instante em que passei a ser negligente comigo mesma sem perceber. Adiava uma coisa aqui, empurrava outra ali; sempre havia algo mais urgente, alguém precisando mais, alguma demanda que parecia não poder esperar. Eu resolvia, organizava, dava conta e, nesse movimento, ia me deixando para depois.

O cuidado comigo virou exceção, e eu fui me acostumando a isso.

Não gosto de me perder em pensamentos sobre o “e se”. Eles costumam ser cruéis e pouco produtivos. Ainda assim, hoje é inevitável reconhecer que, talvez, se eu tivesse insistido um pouco mais, se tivesse me priorizado em alguns momentos, não teria chegado ao ponto em que cheguei.

Às vezes, o adoecimento não vem do excesso de sintomas, mas da ausência de cuidado e, infelizmente, eu só percebi isso quando já estava exausta demais para fingir que estava tudo bem e perturbada o suficiente para entender que eu precisava de ajuda — e bota ajuda nisso.

~ Do nada, uma reflexão 🤣

A verdade é que eu não sei muito como abordar o assunto. Eu só fui me deixando de lado...

É importante que vocês notem a ausência, o que não estará no texto, e como o resultado das minhas ações apareceu anos depois.

À tarde, eu fui para o Quartel acompanhada da minha gatinha. Nesse dia, ela estava com um vestido muito bonito, que valorizou bastante a barriguinha; eu fiquei babando o caminho inteiro.

Júlia sempre sonhou em ter um barrigão durante a gravidez, daqueles que anunciam de longe a vida crescendo ali, mas isso nunca aconteceu. O corpo dela simplesmente não responde dessa forma.

Eu acho minha gatinha absolutamente esplendorosa grávida. Um tesão de mulher! Há algo nela — na pele, no jeito, no cheiro, na voz, no brilho — que fica ainda mais intenso. Ainda assim, para quem olha de fora, quase nunca é fácil decifrar se ela está mesmo grávida. O corpo não entrega.

Por isso, nas duas gestações, ela escutava o mesmo comentário: “Nossa, você nem parece que está grávida.” E eu sempre enxerguei isso como um elogio. Em alguns momentos, cheguei a repetir a frase.

— Vocês estão muito lindas hoje! — comentei quando ela entrou no carro.

— Obrigada, amor, e você, uma delícia de farda! — Juh respondeu, rindo.

— Safada! — exclamei, também rindo.

Chegamos no turno em que a criançada estava em uma das oficinas. Não me recordo muito bem, mas acho que, nesse dia, estavam em um momento de recreação com argila.

— Se não fosse você, nenhuma dessas oficinas estaria funcionando — disse-lhe, dando um beijo na bochecha.

— E se não fosse você, nada disso existiria — Juh respondeu, e seguimos abraçadas.

Ela ia ficar ajudando na oficina, e eu iria ler o relatório psicológico de um dos pacientes “principais” e, depois, atendê-lo.

Mas, assim que cheguei, o coronel me chamou, praticamente para um interrogatório, por eu não estar portando ao menos uma pistola, já que estava em serviço dentro da unidade.

Eu não achava aquilo necessário porque, na minha cabeça, minha função clínica não exigia porte ostensivo naquele contexto. Meu público era infantil e juvenil; muitos ali carregavam traumas justamente causados por pessoas armadas que lhes fizeram mal. Eu não queria ser um lembrete constante disso.

Mas aquele desgraçado insuportável insistiu tanto que, para não perder mais tempo, eu acabei cedendo.

Quando terminei o atendimento, fiz questão de esclarecer para todas as crianças que aquilo ali era só para cumprir uma imposição e que ninguém precisava temer.

Foi engraçadinho porque isso abriu uma caixinha de perguntas fofas na cabeça deles. Lembro de uma menina questionando se era pesada, de um garoto querendo saber se eu demorava muito para vestir tudo aquilo e de inúmeras crianças expondo o desejo de ser policial ou fazer parte das forças armadas de alguma maneira.

— Eles são TÃO fofos — Juh comentou.

— Um dia mais calmo a gente poderia trazer Kaká e Mih; eles vão curtir demais, e fará bem que conheçam realidades paralelas às que vivem — sugeri.

— Ideia incrível, amor — Júlia disse, fazendo carinho em minha mão que estava sobre a coxa dela.

Fomos conversando, conversando, conversando, e chegamos a dois assuntos que ainda não havíamos compartilhado: Lana e Iury!

— Amor, seu irmão está esquisito... Ele ganhou uma aposta e disse que vai pedir o prêmio quando estiver aqui. Falei logo que não deveria colocar você no meio, e ele disse que não tem nada a ver contigo — comentei.

— Ai, amor... Ele é esquisito por vida, não pilha, não — Júlia disse.

Fiquei pensativa; entretanto, resolvi deixar para lá.

— E com Lana? Como foi? — quis saber.

— Amoooooor... Eu acreditei fielmente que seria um terror, porque eu estava supernervosa no início da conversa, morrendo de vergonha e sem me expressar direito... Quando ela entendeu ao que eu estava me referindo, queimou de vergonha também — Juh começou.

— Meu Deus, eu adoraria ter visto vocês duas assim — comentei, rindo bastante.

— Já rolou... — Júlia me contou.

— Sabia! — exclamei, batendo no volante.

— Expliquei sobre métodos contraceptivos e de proteção; ela disse que eles usaram camisinha e, a partir daí, nosso papo foi fluindo melhor — Juh disse, com um sorrisinho.

— Foi a primeira vez dela? — perguntei.

— Foi, e ela parece gostar muito dele. Me mostrou algumas conversas, e ele parece legal. O medo de Lana é apresentar para meus pais. Falei para ela que, nesse caso, eles são tranquilos; é só ela marcar com o menino e dizer em casa que vai apresentar alguém — Juh seguiu falando.

— Problema só seria em 2016, caso ela apresentasse uma garota — brinquei, e nós rimos.

— Se fosse uma menina agora, tenho certeza de que não teria problemas — Juh comentou, com um sorriso satisfeito nos lábios.

— Também tenho certeza disso — concordei e dei um beijinho nela.

— Espero que Lana conte logo e me diga como foi — Juh comentou.

— Oh, amor... Queria estar lá para ver essa fofoca de perto... — falei, e Juh riu de mim.

— Vou ver com ela, então — minha gatinha me tranquilizou, ainda achando graça da minha curiosidade.

Mais ou menos uma semana depois, saindo do hospital, fui buscar minha sogra e, consequentemente, Iury, na casa deles. Dessa vez, ela passaria menos tempo com a gente, porque uma equipe estava chegando para fazer alguns retoques na Pousada, e D. Jacira faz questão de acompanhar de perto. Júlia não foi porque, no horário, estava na aula de pilates.

— Não vem com a gente, Lana? — perguntei, rindo maliciosamente.

— Não, deixa para a próxima, Lore — ela respondeu, rindo de mim.

— Claro que não vai — Iury comentou, impaciente.

— Deixa sua irmã, rapaz... Vocês não nasceram grudados — disse para meu cunhado.

— Deixa ela com seu pai, amor. É bom que ele não fica sozinho — minha sogra comentou.

— Isso tudo é saudade porque ele não dorme se Lana não ninar ele — zoei, e todos riram, com exceção de Iury, que revirou os olhos.

Ele foi o caminho inteiro questionando minha agenda para saber quando eu estaria livre e eu não sou besta; saquei que isso tinha a ver com o tal pedido, e marcamos para uns três dias depois daquele, porque eu teria a tarde sem compromissos.

Nós havíamos comprado alguns aparelhos básicos de academia para Juh dar continuidade aos seus treinos sem tanta limitação, e eles chegaram bem no dia em que eu iria saber o que aquele moleque estava planejando. Enquanto a gente colocava as coisas no lugar, fomos conversando.

— Lore, eu preciso que a gente vá a um bar — Iury falou.

— Tá maluco? Não podemos estar indo em barzinho assim ainda, não — comentei.

— Tenho certeza de que você conhece algum que a gente possa ir, sim — ele disse, confiante.

— Esse é seu pedido? Um bar? — questionei.

— Não... A gente precisa conversar lá... Tem que ser um local reservado, como se fosse... Um encontro — meu cunhado falou.

Imediatamente, eu parei o carrinho que estava dirigindo para carregar os equipamentos.

— Você quer um encontro comigo?????? — questionei, incrédula.

— NÃO!!!! — Iury gritou, desesperado.

Respirei aliviada.

— Você precisa urgentemente aprender a ser mais claro com as informações que quer passar. Desembucha! — exclamei.

— Preciso ir a um bar contigo para a gente conversar sobre algo que é importante para mim, mas não quero que as pessoas escutem, só você, porque você é a pessoa com quem eu mais me identifico — ele disse, olhando para o chão.

— Isso foi fofo, eu vou dar um jeito — concordei, passando a mão no cabelo dele, que sorriu de um jeito doce.

Quando terminamos de arrumar tudo, saímos em busca de um barzinho reservado. Na verdade, eu tinha alguns em mente. Não sabia como ou se estavam funcionando, porém a mina alternativa era tentar.

Passei na frente de três, e tudo parecia normal. Entramos em um dos que eu mais gosto e subimos pelo elevador.

— Tem um elevador no bar? — Iury me questionou.

— Você não pediu um para um encontro? Tem que impressionar, uai — brinquei, e ele riu.

Sentamos, e meu cunhado ficou olhando tudo ao redor. É um barzinho bem nutela, digo, gourmetizado. Dá para ir, pegar, beber, petiscar quando se está no armário ou fazer um programinha diferente e discreto.

Ele pediu uma água tônica zero açúcar, e eu, uma Coca-Cola, e ficamos bebendo.

— Vem cá, aqui não tem puta, não, né? — ele me perguntou, cochichando do outro lado da mesa.

— Por quê? Vai ficar sem saber o que fazer se uma garota de programa sentar no seu colo? — perguntei, rindo.

— Não... É que eu vou trazer uma pessoa aqui amanhã... — ele finalmente explicou.

— É? Quem? Eu conheço? — perguntei, interessada.

— Conhece... — meu cunhado respondeu, enigmático.

— Fala logo! É do colégio??? — questionei.

— Eu vou dizer, mas preciso pedir o meu prêmio primeiro — ele falou.

— Prossiga, criatura! — exclamei, impaciente.

— Você estava entendendo tudo errado naquele dia lá em casa. Eu não queria dar a entender que Juh não merecia você ou desmerecer qualquer coisa... Eu só estava fascinado por quem você era... Queria ser igual! — Iury falou.

— Pela fama horrível? — questionei, incrédula.

— Saber ter o mel — ele falou, se esticando na cadeira.

— Tá... Eu não esperava ouvir isso, não... — falei, reflexiva.

— Amanhã eu vou sair com alguém de quem eu gosto, e eu tenho certeza de que, depois daqui, a gente vai fazer outras coisas... Eu nunca gostei de ninguém antes e quero me sair bem — ele prosseguiu.

— Você quer o quê? Uma aula? — perguntei, rindo.

— Tipo isso! — Iury disse, animado.

Eu estava estática.

— Você é virgem, é? — perguntei.

Pelo que andavam comentando, meu cunhado estava fazendo a festa pela região da Pousada. Poderia ser conversa do povo ou realmente verdade; só ele poderia me dizer.

— Não! — ele exclamou, sério.

Eu até achava que não era mesmo, mas aquele “não” dele me soou estranho.

— Então... Você sabe o que fazer já... — falei.

— Eu nunca transei com alguém de quem eu gostasse de verdade. Vai ser diferente com ela, e eu quero que ela goste também — Iury disse.

— Olha, escuta, sente o corpo da pessoa... Vai percebendo o que ela gosta ou não e prossegue... — fui falando.

Ele olhou ao redor e percebeu um casal que se beijava. Apontou com o queixo para que eu visse também.

— Ela é uma menina muito... Gostosa e... Para frente... Aqui é um bom lugar para a gente se pegar? Qual o limite? — meu cunhado quis saber.

— Dá para dar uns beijos ali — apontei para um determinado local — quando estiverem saindo, é um bom lugar para colocar contra a parede e meter um beijão — disse-lhe, lembrando de algumas vezes em que Juh e eu havíamos feito isso.

— É desse tipo de coisa que eu estou falando, entendeu? — ele perguntou, animado. — Mãos na... bunda, ok?

— Não é para tanto também... Em público, não precisa esse agarramento todo. Às vezes, é muito melhor saber pegar na cintura e dar um cheiro no pescoço do que parecer um desesperado — falei.

— Ok... — Iury comentou, como se estivesse fazendo uma anotação mental.

~ Ê hipocrisia... Eu concordo com tudo isso que eu disse para ele, mas, quando o tesão toma conta de mim, adeus pudor. Perco completamente o raciocínio e esqueço do mundo ao redor 🤣

— Se você gosta mesmo dela, foca na conversa também. Escuta o que ela tem a dizer, saiba ser interessante e mostre que está interessado nela... Não foca só no sexo, até porque ela pode nem querer — disse-lhe.

— Ela quer, tenho certeza — meu cunhado confirmou.

— Se divirtam aqui primeiro; depois você pensa no resto — falei.

— Vou te contar quem é, mas é segredo — ele deixou claro.

— Não tenho segredo com minha mulher. Se ela quiser saber, eu vou contar. Se o seu desejo é que ela não saiba, melhor não me dizer — falei, apesar da curiosidade.

~ Nome fictício.

— Thais, a filha de Sabrine — Iury revelou.

Eu quase caí para o lado. Tanta gente no mundo, e Iury resolveu ficar com a filha da melhor amiga da irmã dele, com quem Juh já confidenciou as inúmeras e improváveis situações vividas no convívio deles.

— Puta que pariu... Moleque maluco do caralho... — falei, com as mãos na cabeça.

Ele riu da minha reação.

— Sério, eu quero muito que seja legal amanhã — ele falou.

— Você tem noção de que a mãe dela sabe de tudo o que aconteceu entre você, Juh e Lana, não é???? — questionei.

— Não ligo! — Iury exclamou.

— E daqui vocês vão para onde? — perguntei.

— Menor de idade entra em motel? — ele quis saber.

— Óbvio que não... — falei, impaciente.

— Então vamos para a casa de uma amiga dela. É em um lugar um pouco distante daqui — Iury falou, meio chateado.

Pensei um pouco e cedi.

— Quer ir lá para casa? — perguntei, querendo ajudar.

— PODE? — meu cunhado perguntou, animado.

— Bom... Não é algo que eu ache legal, mas... se for para te ajudar a não cair em enrascada — falei.

— Tem outra coisa — ele disse, mas agora parecia extremamente envergonhado.

— Pode dizer — disse-lhe.

— É... diabetes, HIV... Falo essas coisas? Eu queria perguntar para Lana se ela falaria, porém... Não gosto de discutir esses assuntos com ela; depois sobra para mim — Iury falou, com o rosto enterrado na mesa.

Eu fiquei com o coração molinho, vendo um garoto se abrir sobre assuntos tão sensíveis e que o deixavam vulnerável comigo.

— Olha, diabetes e esse sotaque carioca você pode usar como vantagem... O povo daqui adora esse chiado pertinho do ouvido — disse-lhe, e ele riu. — E a diabetes: quando vocês forem pedir algo para comer, pede ajuda para aplicar a insulina e bota esse tanquinho para jogo — finalizei, dando um soquinho no ombro dele, que ficou animado com as possibilidades.

Drasticamente, ele mudou de expressão novamente, voltando a ficar triste.

— E o HIV? Conto? — ele me perguntou.

— É uma decisão exclusivamente sua. No seu caso, até sem camisinha, não é transmissível; você sabe disso — falei.

— Mas as pessoas têm nojo e não entendem... Tem gente que acredita que eu tomo inúmeros remédios e outras que acham que só em me tocar eu vou passar doença para elas... Imagina sexo... — Iury falou, debruçando o rosto na mesa.

— Calma... É uma decisão sua... Observe como a conversa for fluindo e, se achar necessário, diga a verdade... Não a conheço muito bem, mas, com a mãe que tem e pela maneira como você fala sobre ela... Se ela for tão legal assim, vai te entender e te tratar do jeito certo — tentei tranquilizá-lo.

— Eu estou nervoso porque gosto dela — ele disse, finalmente voltando a olhar para mim.

— É normal ficar nervoso, significa que você se importa... Você costuma avisar do HIV para suas parceiras? — perguntei.

— Não... — ele respondeu, vacilante.

— Ela é importante — falei.

— Ela é importante — meu cunhado repetiu, confirmando.

Fui pagar a conta e chamei o garçom. Perguntei se ele estaria ali no dia seguinte, e ele confirmou.

— Olha, amanhã esse rapaz chamado Iury, que é meu cunhado, vai trazer alguém muito especial aqui, e eu quero que ele tenha a melhor experiência possível. Vou deixar tudo acertado, e, quando ele chegar, você pode fazer alguns comentários como se o conhecesse, para elevar a moral dele com a moça? — perguntei, rindo.

— Claro que posso! — o garçom exclamou, rindo, e virou-se para meu cunhado. — Grande, Iury! O senhor é sempre muito bem-vindo aqui, pode deixar que hoje é tudo por conta da casa!

— Perfeito! — falei, rindo e já fazendo o acerto de contas.

O bichinho voltou para casa extremamente feliz. Não foi só o prêmio de uma aposta; ele precisava conversar tudo aquilo com alguém. Aconteceu que eu fui a escolhida, e que bom que foi eu, porque Iury se abriu completamente, pelo menos foi o que eu pude sentir.

— Já tem camisinha? — perguntei, já no caminho para casa.

— Não — ele respondeu.

— Vou parar ali, e você compra — disse, apontando para uma farmácia.

— Ah, compra lá, tenho vergonha — Iury falou.

— Ué, tira uma onda retada de transante e tem vergonha de comprar camisinha??? — questionei.

Houve um grande silêncio até chegarmos à farmácia.

— Das outras vezes, quem comprou? Seu sogro, sua sogra ou Lana? Porque, se você deixou as gurias comprarem, é uma vergonha para sua espécie, macho... — quis saber.

Mais silêncio.

— Eu menti, me considero virgem porque... Nunca fiz nada de maneira consentida, só sofri abuso — Iury então falou.

— É, você é virgem — comentei.

— Não me zoa e não conta para ninguém — ele prosseguiu.

— Não vou zoar, até porque isso muda amanhã e não existe nada anormal em ser virgem. Você finalmente vai poder ter a liberdade de fazer as coisas do jeito correto, vai sentir prazer de verdade e se livrar de um trauma — Disse-lhe, apertando seu ombro.

— Tá, eu vou comprar — Iury disse, animado, e desceu do carro.

Minha cabeça estava fervilhando... Imagina conviver com tantas cargas nas costas? Complicado!

Ele voltou com várias, uma de cada sabor, e um lubrificante bem ruinzinho.

— Esquece esse, lá em casa tem um top. Pena que Juh não... Ahhhhh, deixa quieto — imediatamente parei.

— É, prefiro não saber também — meu cunhado concordou.

O restante do caminho, ele foi me mostrando partes das conversas. Realmente, os dois estavam bem para frente. Já haviam trocado nudes e tudo, horas e horas em chamadas de vídeo; só restava mesmo um encontro presencial.

Assim que chegamos, ele me abraçou e agradeceu. Aposto que, sozinho, ele chorou, porque os olhos dele denunciavam que isso aconteceria.

Juh estava no banho, e eu fui até lá.

— Onde você estava, amor? Demorou, eu estava com saudade e preocupada... É a sua folga, e você não ficou comigo — ela falou, toda manhosa.

Tirei a roupa e me juntei à minha gatinha.

— Eu tenho tanta fofoca para te contar que você vai me perdoar rapidinho — falei no ouvido dela.

— É? Conta! — Juh pediu, virando de frente para mim e me beijando.

— Chuta aí quem seu irmão vai ficar amanhã — falei, com uma expressão convencida.

— Não faço ideia... — ela disse, pensativa.

— Thais — respondi, rindo.

— Thais? THAIS? THAIS DE SABRINE? — Júlia me questionou, e eu fiquei acenando positivamente com a cabeça, confirmando.

— Também fiquei chocada — disse-lhe, rindo.

— Sabrine vai odiar, ela não gosta de Iury — minha gatinha falou.

— Talvez eles só fiquem uma vez... Mas Iury realmente gosta dela, está dizendo que vai ser especial — e contei tudo o que conversamos.

Juh também ficou tocada com tudo e achou bonito ele encontrar refúgio em mim. Só odiou a ideia de eles transarem na nossa casa, porque ia parecer que ela acobertou, mas eu a convenci de que seria melhor assim, pela segurança de ambos.

Finalizei esse dia entregando o lubrificante para Iury e indo descansar. Meu corpo até que estava bem, mas minha cabeça estava doendo, aquela dor de cansaço. Comentei com Júlia, e ela ficou acarinhando a raiz do meu cabelo até eu dormir no melhor travesseiro do mundo, vulgo os seios dela.

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 160Seguidores: 47Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

Comentários

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Mil vezes conversar com Lana do q com Iury, olha os papos 😂🤦🏻‍♀️

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Seria incrível contigo 😂😂😂😂😂

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Pena de quem vai comentar sobre, porque tem tanta coisa nesse capítulo 😂😂😂😂😂

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O próximo é 🩷💙

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Acabei de ler mas não vai dar tempo de comentar adequadamente, tenho que trabalhar. A tarde comento com calma,mas já adianto que o capítulo está ótimo! 😘

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Tranquilo, Jú, quando der você comenta.Bom trabalho, amô! Arrase!!! 😘

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