​Capítulo 5: O Peso do Primeiro Toque ​(O pão, a carne e a permissão)

Um conto erótico de Entre fogo e agua
Categoria: Heterossexual
Contém 697 palavras
Data: 09/02/2026 11:25:03

O silêncio depois que ela serviu o pão não foi abandono. Foi aviso.

​Terminei o café devagar, não por educação, mas porque cada gesto agora parecia observado, mesmo com ela encostada na pia, os braços cruzados, o tecido do vestido esticando sobre o peito que subia e descia numa respiração lenta.

​A casa tinha um ritmo próprio. Um pulso que não se apressava por causa do meu pau duro ou da minha viagem de duas horas. O som do desenho animado na sala era a única coisa inocente ali; todo o resto era tensão elétrica.

​— Gostoso? — ela perguntou, os olhos fixos na minha boca enquanto eu limpava um farelo de pão com o polegar.

​— Perfeito. Mas só abriu o apetite.

​Ayandara desencostou da pia. Não trouxe palavras. Trouxe presença. O cheiro de manteiga de karité e pele quente inundou a cozinha pequena, misturando-se ao cheiro do café, criando uma atmosfera densa, quase mastigável.

​— Vem — disse apenas.

​Eu a segui pelo corredor estreito, atento ao espaço, aos sons, à forma hipnótica como o quadril dela desenhava o caminho. Paramos diante de uma porta entreaberta. Não era o quarto. Não era a sala. Era um espaço intermediário — um limbo entre a visita comportada e o amante faminto.

​Ela encostou na parede, bloqueando minha passagem.

​— Aqui — disse, a voz rouca, baixando o tom para não alertar o filho. — É onde eu paro pra sentir se alguém tá comigo de verdade. Ou se é só garganta.

​Fiquei a um passo de distância. Perto o bastante para sentir a temperatura febril que emanava dela. Longe o suficiente para ainda ter que me segurar para não prensá-la contra aquela parede.

​— Olha pra mim — pediu.

​Eu olhei. Encarei a profundidade daqueles olhos escuros, o brilho de quem sabe que está no comando.

​O tempo se esticou. O tipo de silêncio que pesa no corpo. Ayandara ergueu a mão devagar, como quem testa o ar antes da tempestade. Tocou meu braço. Primeiro com as pontas dos dedos, roçando a pele, fazendo os pelos do meu antebraço se eriçarem. Depois com a palma inteira, firme, possessiva.

​Não foi carícia. Foi reconhecimento de território.

​— Respira — ela sussurrou, vendo meu peito inflar rápido demais. — Não foge.

​A mão dela subiu até meu ombro, apertou o músculo tenso, e então... desceu.

​O movimento foi deliberado, lento, uma tortura calculada. A mão dela deslizou pelo meu peito, passou pelo abdômen contraído e parou no cinto da minha calça. Eu travei, a respiração presa na garganta.

​— Você disse que obedeceu a regra da estrada, Malik... — Ela não perguntou. Ela afirmou.

​A mão dela espalmou sobre o volume no meu jeans. Não houve delicadeza naquele toque. Ela apertou. Sentiu a dureza da minha ereção, o latejar violento que respondeu imediatamente ao contato dela. Ela apertou com força, medindo a grossura, sentindo o calor atravessar o tecido grosso.

​Fechei os olhos, a cabeça tombando para trás, um gemido rouco morrendo na minha garganta.

​— Porra, Ayandara...

​— Grande... — ela murmurou, satisfeita, o polegar acariciando a cabeça do meu pau por cima do pano, arrancando de mim um espasmo involuntário. — E pulsando. Isso... é o máximo que eu dou pra quem acabou de chegar. O cheiro do perigo.

​Ela se aproximou mais. Encostou a testa na minha. Nossas respirações se misturaram, quentes, úmidas. Eu podia sentir o cheiro da excitação dela agora, mais forte que o café, mais forte que tudo.

​— O resto — ela sussurrou contra a minha boca, sem me beijar, roçando os lábios nos meus com uma crueldade deliciosa — não se toma. Se constrói. Mas hoje... hoje eu quero destruir um pouco.

​Ela retirou a mão da minha virilha devagar, deixando um rastro de fogo e vazio.

​— Agora vai — disse, apontando para a porta do banheiro logo atrás de mim. — Se lava. Tira o cheiro da estrada. Quero você limpo no meu quarto em cinco minutos. O pequeno vai ficar no tablet. E eu... eu vou estar te esperando para ver se esse volume todo sabe trabalhar ou se é só enfeite.

​Malik obedeceu sem se sentir menor por isso. Caminhou para o banheiro com o corpo em chamas, entendendo, agora, que aquele toque não era apenas um teste.

​Era o início do abate.

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