Reforma Completa I

Um conto erótico de Davil
Categoria: Trans
Contém 720 palavras
Data: 09/02/2026 09:14:37
Assuntos: Grupal, Trans, trisal

Eu, Adriana, e o Vinicius somos casados há dois anos, depois de outros dois de namoro bem gostoso. Sou morena, cabelos castanhos curtos, 1,60m, biotipo magro mas bem torneado graças ao yoga que faço religiosamente toda manhã. Sou advogada, trabalho de casa e amo meu corpo do jeitinho que ele é. O Vini é um pouco mais alto, 1,72m, uns 70kg, em forma sem ser daqueles malhados de academia que parecem propaganda de whey. Ele é programador numa empresa canadense, também home office. Quando casamos, percebemos que não precisávamos mais morar apertados na capital. Compramos um sítio pequeno na região metropolitana – pomar, piscina com quiosque, garagem e uma casa de três quartos. Um é a nossa suíte, outro de visitas e o terceiro… bom, o terceiro é o meu reino da bagunça. Sou acumuladora assumida, rs. Pilhas de revistas antigas, caixas de “um dia eu uso isso”, móveis velhos que “têm história”. A ideia era transformar esse quarto em escritório compartilhado, porque eu vivia na sala e o Vini numa mesinha apertada no nosso quarto.

Depois de quitar o imóvel, começamos as reformas devagar, priorizando o que dava. Contratamos uma empresa de arquitetura super bem recomendada. Não era a mais barata, mas os trabalhos deles eram incríveis. Marcamos uma reunião para uma sexta à noite com a proprietária, Vanessa.

Estávamos eu e o Vini tomando um vinho na varanda, relaxados depois do expediente. Eu de vestidinho florido soltinho, sem nada por baixo – em casa só uso calcinha quando estou naqueles dias, fora isso sou livre. O Vini de bermuda e camiseta básica. O telefone tocou: Vanessa já estava no portão. Pedimos para ela entrar com o carro. O Vini foi abrir e eu fiquei esperando na varanda.

Entrou um SUV preto reluzente, daqueles que gritam “eu ganho bem”. Dela desceu uma loira de 1,80m, corpo escultural, saia executiva cinza justa e camisa social branca impecável. Cabelos lisos até os ombros, maquiagem perfeita, sorriso tímido apesar da imponência. Meu Deus, que mulher.

Ela se apresentou com um aperto de mão firme mas delicado. Extremamente simpática, quase tímida. Sentamos, oferecemos vinho. Ela recusou educadamente: “Estou trabalhando e ainda dirijo de volta, mas confesso que adoro um bom vinho. Quem sabe outra hora?” Conversamos sobre o projeto inicial que o Vini tinha feito no computador. Depois ela pediu para conhecer a casa e tirar medidas.

Enquanto andava pelos cômodos, eu não conseguia parar de olhar. O jeito como ela se movia, a voz grave e suave ao mesmo tempo… Eu sempre me considerei bissexual, mas na prática tinha ficado muito mais com homens. Naquele momento, alguma coisa antiga acordou dentro de mim.

No final da reunião, tudo fechado: projeto ajustado, valores ok. Vanessa então pigarreou.

— Gostei muito de vocês e do projeto. Eu mesma vou acompanhar as obras, estarei aqui pelo menos duas vezes por semana. Mas tem uma coisa que preciso dizer antes de assinarmos. Eu sou uma mulher trans. Já tive cliente que se sentiu “enganado” e até me processou. Prefiro ser transparente desde o início.

Eu e o Vini nos olhamos e caímos na gargalhada discreta. Não de deboche, de alívio e surpresa com a sinceridade dela.

— Fique tranquila, Vanessa — eu disse, colocando a mão no braço dela. — Não temos nenhum problema. Pelo contrário. A gente sempre tenta dar preferência para profissionais de minorias quando possível. Você é super bem-vinda.

Ela relaxou visivelmente, os ombros descendo. Acabamos convencendo-a a tomar meia taça de vinho “só para brindar”. A conversa fluiu. Falamos de tudo: vida no sítio, o caos da reforma, nossas profissões. Vanessa contou um pouco sobre as dificuldades de ser trans no mercado, mas sempre com leveza, sem vitimismo. Rimos bastante quando contei da vez que o Vini quase derrubou a parede errada tentando “ajudar” numa reforma anterior.

Quando ela foi embora, nos abraçamos na porta. O abraço dela foi quente, demorado. Senti o corpo firme contra o meu e um arrepio subiu pela espinha. O Vini também a abraçou e, quando ela saiu, ele me olhou com aquele sorrisinho safado que eu conheço bem.

— Cara… ela é gata pra caralho, né?

Eu ri, dando um tapa no braço dele.

— É. E eu sou bi, lembra? Não me julga.

— Julgar? Tô é imaginando coisas impróprias agora.

Brincamos a noite toda, mas foi só brincadeira. Ou quase.

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