🌙 A Decisão
Daniel passa o dia inteiro segurando a promessa: ele precisa fazer Robinson pecar. Precisa avançar no acordo com Dante. Mas cada vez que imaginava o rosto do atleta…algo apertava dentro dele.
Culpa?
Medo?
Excitação pura?
Ele não sabe.
Só sabe que hoje…é o dia do terceiro pecado, e Dante está diferente, quase calado. Olhos em tons que ele nunca tinha visto: um azul pálido, meio quebrado, meio preocupado.
— “Então você vai fazer isso?” – Dante pergunta com voz baixa.
— “A gente tem um acordo, não tem?” - Daniel responde, tentando parecer confiante.
Dante assente… mas o olhar dele diz outra coisa, algo estranho, quase doloroso.
Robinson encontra Daniel no corredor, sem avisar, sem motivo. Ele só aparece, alto, forte. Cheiro de sabonete caro, cabelo ainda úmido do treino. E com aquela expressão confusa que já virou marca registrada.
— “Daniel… a gente precisa conversar.”
Daniel força um sorriso gentil.
— “Eu sei. Eu também quero.”
Robinson suspira, aliviado demais.
Ele chega tão perto…mas tão perto…que Daniel sente o calor do corpo dele e fica excitado. Robinson não percebe mas Dante, de longe, percebe tudo, os olhos dele ficam verdes — um verde de… ciúme?
Robinson insiste em levá-lo para comer algo na lanchonete Babalu "só pra conversar", ele diz.
Mas Daniel…ele tem um plano, uma forma inocente de gerar o terceiro pecado. Ele pega uma bandeja e lota de comida:
coxinhas, salgados, empadões, tortas, mousse, milkshake duplo…Tudo exagerado.
Robinson arregala os olhos.
— “Daniel… isso tudo?”
Daniel sorri doce, com um toque de malícia que ele mesmo não reconhece.
— “Come comigo.”
E Robinson… obedece, ele come, come muito, e Daniel observa. E quanto mais Robinson come, mais Daniel acha fofo.
As bochechas cheias.
A boca que mal fecha.
Os olhos brilhando de prazer e gula.
A forma como ele lambe os dedos sem perceber que Daniel está olhando.
Isto é perigoso.
Muito perigoso.
E Dante, encostado numa pilastra, vê tudo, a mandíbula dele trava. Os olhos ficam vermelho-rosados — um vermelho de ferido. Algo que ele mesmo não entende.
Robinson leva a mão ao estômago.
— “Acho que… exagerei.”
É quase instantâneo. A dor, a tontura e o desespero de Daniel.
— “Meu Deus, Robinson… desculpa! Eu não devia ter—”
— “Não… fica… comigo…” Robinson murmura, suado, pálido.
E Daniel fica.
Ele passa o braço na cintura do atleta e o leva para fora. Robinson se apoia nele totalmente, fraco, vulnerável. Dante dá um passo à frente, querendo intervir…mas para.
Os olhos ficam lilás — cor de dor emocional.
No quarto de Robinson, a luz é baixa. A janela aberta deixa entrar uma brisa suave, Daniel o ajuda a deitar, segura sua mão, coloca um pano frio na testa dele. Robinson aperta os dedos do Daniel com força.
— “Desculpa ter falado aquilo na festa…” – a voz dele é baixa, arrependida, verdadeira. — “Você não merecia.”
Daniel engole seco.
— “A gente briga, mas… eu me importo com você.”
Robinson abre os olhos devagar. E sorri um sorrisinho tão fofo que Daniel pensa: "Ele é o doentinho mais fofo desse mundo..."
— “Eu sei.”
E pela primeira vez…ele olha para Daniel como se estivesse vendo claramente. Perto demais, calor demais, sentimento demais. Eles quase se beijam. Mas Daniel recua no último momento, culpado, confuso, desesperado com o próprio coração. E é aí que Dante aparece, materializado no canto do quarto, olhos completamente vermelhos.
Quando Daniel volta para casa, Dante o encara com um olhar que ele nunca viu.
— “Você se importa demais.” – A voz dele é baixa, sombria, quebrada.
— “Ele tava passando mal!” Daniel retruca.
— “E você correu pra ele… como se ele fosse tudo pra você.” – Dante dá um passo à frente.— “E eu? Eu fiquei te esperando como um idiota.”
Daniel pisca, surpreso.
— “Dante… você tá com ciúmes?”
Os olhos de Dante ficam negros, sem cor, sem luz.
— “Demônios não sentem ciúmes.” – Mas a voz treme e Daniel percebe. Só Dante não percebe. A espiral emocional está começando.
A rivalidade.
O triângulo.
A confusão.
E o amor — sim, o amor — começa a nascer onde não deveria.
Dante sai do quarto em um estalo de luz colorida, deixando Daniel sozinho, arrependido…
e completamente dividido.
CONTINUA...
