A caminhada de volta para casa foi feita em um silêncio carregado, com o gosto de cigarro e sexo barato ainda na minha boca e a imagem de Clara queimando atrás dos meus olhos.
Cheguei bem mais cedo do que gostaria e a casa estava em silêncio, mas uma luz baixa vinha da sala de estar principal. Empurrei a porta pesada, que fez apenas um ruído áspero de atrito. O ar estava parado, cheiroso.
- Boa noite, Daniel.
A voz dela veio do sofá de couro grande, de costas para a entrada. Era plana, neutra, como se eu tivesse voltado de um passeio no jardim. Ela estava lendo um livro, com os pés pra cima. Fiquei confuso. “Será que o outro já foi embora? Ou talvez ela tenha desistido de chamar alguém”, pensei.
Me aproximei, os passos abafados pelo tapete. E então, vi.
Clara estava reclinada no sofá, lendo um livro, sim. Mas usava um vestido justíssimo de látex preto que brilhava sob a luz do abajur, moldando cada curva do seu corpo como uma segunda pele sedosa e proibida. Os pés, calçados em saltos altíssimos e finos, estavam apoiados... Não na mesa de centro. Estavam apoiados nas costas largas de um homem.
O homem estava de quatro no chão, vestindo um terno preto impecável. Sobre o rosto, uma máscara lisa de látex preto, sem feições, que o tornava anônimo, um móvel. Ele estava imóvel, uma estátua de submissão. Ao lado de Clara no sofá, repousava um chicote de couro trançado, com a ponta frouxa.
O sangue pareceu parar e depois correr com violência para a minha cabeça, latejando nas têmporas.
- Você chegou cedo - disse Clara, abaixando o livro. Seus olhos frios encontraram os meus. - Achei que tinha deixado claro que deveria passar a noite fora.
A voz dela era de tédio levemente irritado, como se eu tivesse interrompido uma sessão de leitura banal. A indignação, o ciúme e o ódio que eu pensava ter controlado na festa explodiram em uma labareda única e suja.
- Que porra é essa? - a frase saiu como um rosnado, mais alta do que eu pretendia.
Clara não se moveu, apenas ergueu uma sobrancelha perfeitamente desenhada.
- Não estou gostando do seu tom.
- Era essa sua "visita importante"? - cuspi as palavras, meu braço estendido em direção à cena grotesca.
Ela suspirou, um som longo e exasperado.
- Meus assuntos com minhas visitas são particulares, Daniel. Você não tem autoridade para questioná-los.
- Puta merda - eu respirei fundo, a raiva turvando minha visão. - Não tô acreditando nisso.
Ignorando minha explosão completamente, ela se virou no sofá, direcionando-se ao homem a seus pés. Em um gesto quase de despedida, falou com uma voz que era ao mesmo tempo doce e imperiosa:
- Marcos, pode ir. Nossa sessão acabou por hoje.
O reconheci pelos ombros largos. Provavelmente era o brutamontes das fotos, O Cão de Guarda. Ele se moveu pela primeira vez. Inclinando-se para frente, beijou a ponta de cada um dos saltos altos de Clara com uma reverência que era dolorosa de se ver. Em seguida, levantou-se com uma agilidade surpreendente para um homem de seu porte, fez uma curta reverência com a cabeça e disse, a voz abafada pela máscara:
- Obrigada, Madame Clara.
Sem um olhar para mim, sem um som além do farfalhar do tecido, ele atravessou a sala e saiu pela porta da frente, que se fechou com um clique suave.
O vácuo que ele deixou foi preenchido por um silêncio elétrico. Eu estava sozinho com ela. E a fúria era uma coisa viva, rastejando pela minha garganta. Eu já sabia que ela chamaria algum dos outros escravos pra vir hoje. Mas não achei que me sentiria dessa forma.
- Do que se tratava aquilo, Clara? - minha voz soou rouca, controlada à força.
- Você viu - ela respondeu, fechando o livro e colocando ao lado do chicote. - Um acordo mútuo. Treinamento. Relaxamento. Chame como quiser.
- Você tem um cara de quatro no chão, com uma máscara, e chama isso de relaxamento?
- Daniel - ela disse, se levantando do sofá com uma graça sinuosa. - Você achou mesmo que era meu único interesse? - ela caminhou em minha direção, os saltos ecoando no silêncio. - Muitos homens por aí, homens de verdade, com poder e dinheiro, gastariam fortunas para ter um décimo da atenção que eu te dou. Você tem a honra de ter sido escolhido, de estar dentro desta casa, convivendo comigo 24 horas por dia, e ainda fica aqui, com esse ar petulante de adolescente traído, reclamando?
- Honra? - eu ri, um som seco e sem humor. - Você acha que ser mais um na sua coleção de aberrações é uma honra? Vendo aquele... aquele negócio de joelhos aqui na minha casa?
- Sua casa? - ela riu debochadamente e parou a poucos centímetros de mim, seu perfume amadeirado e doce invadindo meu espaço, intoxicante e repulsivo. - Você precisa urgentemente reler o testamento, querido. E revisar seu conceito de posse. Nada aqui é seu. Nem a casa, nem os móveis... E muito menos eu.
Foi a última gota. A última palavra. O "muito menos eu" ecoou na sala como um desafio.
Algo dentro de mim estalou. A racionalidade, o medo, o jogo, tudo se desfez.
Com um movimento brusco que nem eu sabia ser capaz, agarrei seus pulsos. Ela soltou um grunhido de surpresa, seus olhos se arregalando por uma fração de segundo, não de medo, mas de choque. Era a primeira vez que eu a tocava com violência. Era a primeira vez que seu controle vacilava.
- Me solte! - a voz dela ainda tentava ser uma ordem, mas havia um trêmulo minúsculo, uma fenda no gelo.
Eu não soltei. Em vez disso, usei o impulso, o peso do meu corpo e a força bruta que o trabalho no jardim havia me dado. Girei e a empurrei para trás. Ela perdeu o equilíbrio, os saltos altos escorregando no tapete, e caiu de costas no sofá macio com um baque surdo.
Sem perder o ritmo, subi sobre ela, ajoelhando-me entre suas pernas, prendendo seus pulsos acima de sua cabeça contra o couro do sofá. Minha respiração era ofegante, o coração batendo como um martelo contra o peito. O vestido de látex rangia sob meu peso.
Ela estava debaixo de mim. Presa. Os olhos dela, agora, eram puros ódio e... algo mais. Alerta. Interesse predatório.
- Não - eu gritei, o rosto a centímetros do dela, minha voz um rugido abafado que não reconheci. - Não vou mais aceitar isso! Você não vai trazer mais nenhum desses lixos pra cá! Você vai ser só minha, Clara! Só minha! Entendeu?
Por um instante eterno, não houve som. Apenas o nosso olhar travado, a minha respiração ofegante, a dela contida e rápida. O cheiro do látex, do perfume, da minha raiva e do seu poder desafiado se misturavam no ar.
E então, lentamente, um sorriso começou a se formar nos lábios dela. Não era um sorriso de medo, ou de rendição. Era um sorriso lento, perigoso e incrivelmente excitado.
- Finalmente - ela sussurrou, a voz um fio de seda cortante.
A palavra ficou pairando no ar, um véu de seda jogado sobre a lâmina da minha raiva. Meus dedos, ainda cravados nos seus pulsos, afrouxaram um milímetro, não por ordem minha, mas pelo choque. Finalmente?
O sorriso dela se aprofundou, se transformando em algo que conhecia bem: a expressão de quem vê uma peça de xadrez se mover exatamente como previra.
- Você acha que isso é uma revolta? - a voz dela era baixa, íntima, como se compartilhássemos um segredo nojento. - Que está tomando o que é seu por direito? Que está me dominando?
Ela não tentou se soltar. Pelo contrário, arqueou o corpo sob o meu, num movimento calculado que fez o látex preto esticar sobre os seios. O contato era elétrico, um choque que percorreu minha espinha.
- Isso, Daniel - ela sussurrou, os olhos claros perfurando os meus. - É exatamente onde eu queria você. Toda essa fúria canalizada, direcionada. Para mim.
De repente, percebi. O cenário perfeito. O escritório destrancado, o notebook sem senha, a pasta dos “projetos” na área de trabalho, a visita do outro escravo. Ela o manteria aqui até eu voltar, independente do horário. Sabia que eu veria. Tudo era uma isca, e eu, como um idiota voraz, tinha mordido.
- Você... você armou isso - a acusação saiu rouca, mas era uma constatação, não uma pergunta.
- Armar? - ela riu, um som curto e seco. - Eu apenas criei as condições. Você forneceu o combustível. Sempre forneceu. Todo aquele ódio, todo aquele desejo por algo que não podia ter... eu apenas os refinei. Transformei seu rancor e sua fúria em algo polido.
Ela fez uma pausa, erguendo o queixo.
- E agora você está aqui. Exatamente onde eu queria que estivesse. Não mais um menino mimado esperando uma herança. Mas um homem que acha que pode tomar o que quer. Que acha que pode me ter.
A humilhação era um ácido correndo nas minhas veias, mas era diferente. Não era a humilhação passiva do escravo. Era a do guerreiro que descobre que sua espada é controlada pelos fios do inimigo. Minha raiva não esfriou, ela fervilhou, misturando-se a uma admiração doentia e a uma excitação ainda mais profunda.
- Então o que você quer? - minha voz soou estranha, rouca de desejo e frustração. - Que eu te force? Que finja que isso não foi seu plano desde o começo?
- Muito pelo contrário, quero que você pare de fingir - ela respondeu, e pela primeira vez, a máscara de controle absoluto rachou o suficiente para eu ver o brilho feroz por trás. - Quero que você aceite o que você é. O que nós somos. Você não quer me possuir, Daniel. Você quer conquistar algo que você acha inatingível. E eu... - ela parou, e seu próximo sussurro foi a coisa mais verdadeira que já ouvi dela - ...eu quero ser conquistada por alguém que vale o esforço. Alguém que provou da minha dominação e quer finalmente parar de ser a vítima.
Ela moveu os quadris de novo, deliberadamente, e eu senti meu corpo responder instantaneamente, uma traição física ao meu conflito mental.
- Então decida - ela desafiou, o sussurro se transformando em um comando. - Se vai ficar aí, segurando meus pulsos como um adolescente assustado, ou se vai fazer alguma coisa com toda essa fúria que você jurou que era sua.
O mundo se reduziu àquele ponto: ao calor do corpo dela sob o meu, ao cheiro do látex e da sua pele, ao abismo dos seus olhos claros que me puxava para dentro. Era uma armadilha. A armadilha mais bem armada do mundo. E o prêmio por cair nela era tudo que eu jamais soube que queria.
Meus dedos se fecharam com mais força em seus pulsos. Desci minha cabeça, até que nossos rostos estivessem separados por um fio de ar. Seu sorriso não desapareceu. Ele esperava.
- Sua megera - eu disse, a palavra saindo como um voto, uma maldição, uma oração. - Você vai ser só minha. E eu... - engoli seco, aceitando o sabor amargo e doce da verdade - ...eu serei só seu.
E então, fechando os olhos para o triunfo que certamente brilhava nos dela, afundei meus lábios nos seus num beijo que eu esperava há semanas. Minha língua forçou a entrada em sua boca, encontrando a dela, que não recuou, mas lutou, igualmente feroz. Ela enrolava sua língua na minha e mordia meus lábios.
Eu soltei seus pulsos, mas não para libertá-la. Minhas mãos desceram com fúria, agarrando o decote do vestido de látex. Aquele material caríssimo, brilhante, rasgou com um som agudo e satisfatório, como pele de uma fera. Seus seios enormes, pesados e pálidos, saltaram para fora, os mamilos já duros.
- Isso - ela arfou, os olhos ardendo. - Rasga. Destrói. Mostra que você pode.
Um som rouco saiu da minha garganta. Minha mão direita ergueu-se no ar e desceu com força aberta na lateral de seu seio esquerdo. O estalo foi seco, alto, e a marca de minha mão surgiu imediatamente, vermelha e quente sobre a pele de porcelana.
Ela gemeu, um som profundo e gutural, e arqueou as costas, oferecendo mais.
- Sim! Assim, Daniel! Mostra que você não é mais aquele menino mimado! Mostra que é um animal!
Eu realmente me sentia como um animal. A fúria, a humilhação, o desejo reprimido, tudo convergiu em um instinto primitivo e incontrolável. Meus lábios desceram do dela, afundando na curva do pescoço. Beijei, mordi, chupei, deixando uma marca roxa e dolorida que eu queria que fosse permanente. Puxei o rabo de cavalo que ela usava para trás, com força, expondo ainda mais sua garganta para minha boca faminta.
- Sua puta - grunhi entre mordidas, minha língua lambendo o suor salgado de sua pele. - Você é uma vagabunda interesseira que acha que me controla.
- Eu controlo! - ela gritou, os dedos dela se cravando nas minhas costas através da camiseta. - Eu te fiz isso! Eu criei esse monstro!
Ela tinha razão. E essa era a parte mais excitante. Dei outro tapa nela, dessa vez no rosto. Sua cabeça girou com o impacto, mas seu sorriso permaneceu, louco e desafiador. Um filete de sangue escorreu do canto de sua boca. Eu me inclinei e lambi, o gosto metálico misturando-se ao dela.
- Você gosta? - eu rosnava, minhas mãos agarrando a cintura fina do vestido rasgado. Com um puxão brutal, o látex preto se partiu ao meio, escorregando de seu corpo e a deixando completamente nua, exceto pelos saltos altos. - Gosta de ser tratada como a puta que você é?
- Eu gosto de ser tratada como a rainha que sou - ela respondeu, ofegante, as unhas cravando mais fundo em minhas costas. Senti a pele rasgar por baixo do tecido, um ardor quente e úmido. - E uma rainha só se curva para um rei.
Meu cinto abriu com um ruído de metal. A calça desceu o suficiente. Eu estava tão duro que doía, a cabeça da minha rola, latejando de tesão, estava pressionada contra a sua barriga. Sem cerimônia, empurrei suas pernas para cima e para os lados, abrindo-a completamente. Ela estava encharcada, o que aumentou ainda mais meu tesão. O cheiro dela, aquele perfume caro e doce agora misturado ao cheiro salgado e selvagem do sexo, era inebriante.
Não houve preparação, nem carícia. Alinhei minha pica na entrada e, com um rosnado que vinha do fundo do meu ser, enterrei tudo nela de uma vez.
Um grito rasgado, de dor e pura vitória, saiu da garganta dela. A buceta dela era quente, um aperto divino que quase me fez gozar na hora. Parei, enterrado até o fundo, tremendo com o esforço de me controlar.
- É isso? - ela provocou, os olhos incrivelmente focados. Suas unhas tinham encontrado meu couro cabeludo, puxando com força. - É só isso que o playboyzinho tem? Enfiou e já quer gozar?
Foi a faísca. Meus quadris recuaram e depois bateram nela de novo, com uma força que fez o sofá de couro ranger e deslizar alguns centímetros no piso. O som da nossa foda começou a encher a sala.
- Cala a boca! - gritei, começando um ritmo brutal, cada investida uma tentativa de alcançar o fundo da sua alma, de marcar cada centímetro dela como meu. - Sua cadela! Sua vadia! Você é minha! Só minha!
Minha mão esquerda segurou seu pescoço, não para estrangular, mas para dominar, para sentir o pulso acelerado sob meus dedos. Minha mão direita descia em tapas alternados: em seu rosto, já marcado, e nos seios que balançavam violentamente com o impacto, batendo na pele branca até ela ficar vermelha e quente.
- Isso! - ela gritava a cada tapa, a cada mordida que eu dava em seus ombros, seios, clavícula. Seu corpo era um mapa de violência e desejo, e eu estava determinado a cobri-lo todo. - Me domina! Me faz sua! Me dá o que nenhum daqueles medíocres conseguia! Eles me adoravam de joelhos, mas nenhum tinha coragem de me tomar!
Suas palavras eram gasolina. Eu estava possuído, um demônio de carne e osso. Arrastei ela para a beirada do sofá, a virando de bruços com uma força brutal. Sua bunda perfeita agora estava empinada diante de mim. Enfiei nela de novo, o ângulo dando ainda mais profundidade. Eu conseguia sentir, na cabeça da rola, o colo de seu útero. Ela gritou, seus dedos se agarraram ao couro do sofá.
Minhas mãos agarravam seus quadris, os dedos afundando na carne macia, guiando cada investida violenta. Eu batia no rabo dela com tapas fortes, deixando marcas vermelhas, quase roxas, e ela se deliciava com a minha agressão. O som era obsceno, úmido, animal.
Me estiquei, ainda dentro dela, e peguei o chicote que estava no sofá. Aquele chicote que provavelmente ela usaria em mim caso eu fosse o escravo obediente. Comecei a chicotear sua bunda, suas costelas e seus ombros.
- É isso que você quer, puta? Quer que eu te faça sentir a dor que você causava nos outros?
Ela gemia, sua buceta cada vez mais melada.
Me debrucei sobre suas costas marcadas do chicote, minhas mãos encontrando as dela, entrelaçando nossos dedos contra o sofá enquanto meu corpo martelava o dela.
- Você me fez assim, um monstro ninfomaníaco que só pensa em te comer - eu rosnava no ouvido dela, meu suor escorrendo e pingando no rosto dela. - Então agora aguenta. Toma pica nessa buceta de vadia. Vou jorrar leite em você, vagabunda.
- Isso, Daniel! - ela gemeu, virando o rosto para o lado, seus olhos encontrando os meus. Seu rosto estava destruído, lindo, triunfante. - Você é meu monstro! Meu animal! Goza! Me enche, seu desgraçado! Me marca por dentro!
Foi a ordem que eu não sabia que estava esperando. A visão dela completamente arruinada e desejando mais... acabou com o meu autocontrole.
Com um gemido alto, eu enterrei até as bolas e gozei. Jatos quentes e intermináveis a inundaram por dentro, cada espasmo uma afirmação de posse, uma vingança, uma rendição. Eu desabei sobre suas costas, ofegante, ainda pulsando dentro dela.
Por um longo momento, só houve o som da nossa respiração ofegante, da minha pulsação nas orelhas. Então, sussurrada contra o couro do sofá, veio a voz dela, rouca, destruída e incrivelmente doce:
- Nenhum deles... Nunca deixei ninguém me encher de porra assim.
E, devagar, ela se virou, me encarando. Sua mão encontrou meu rosto suado, me puxando para perto.
- Parabéns, Daniel - ela sussurrou, seu hálito quente contra minha boca. - Você finalmente conquistou seu lugar. Não como meu escravo. Como meu igual.
(N.A.: Estão preparados para o capítulo final? Já estou quase terminando, provável que poste amanhã.)
