Tivemos que deixar a pequena propriedade rural que minha mãe e um tio herdaram no distrito agrícola de Sultanhistar na província turca de Aydin porque não dávamos conta de cuidar das figueiras e olivais, depois que o tio Aziz foi ferido na guerra civil do Curdistão iraquiano, ficando com a mobilidade bastante reduzida devido aos estilhaços de uma granada que fragmentou o osso da bacia em diversos pedaços, passando a mancar e depender de uma órtese para se movimentar. O soldo que recebia como militar reformado e o que minha mãe ganhava cozinhando para fora mal dava para o sustento das quatro bocas, tio Aziz, minha mãe, eu e minha irmã caçula.
Eu fazia o máximo que minhas forças permitiam para manter as figueiras em produção em longas jornadas após as aulas que, a depender da estação, avançavam noite adentro. Minha mãe e minha irmã também ajudavam, mas aquilo não era um trabalho para mulheres, enquanto o tio Aziz, devido a órtese, logo precisava se sentar por não suportar as dores da sequela que a granada deixou.
Minha mãe tinha a resposta pronta na ponta da língua toda vez que eu ou minha irmã perguntávamos pelo nosso pai – Seu pai foi morto em batalha quando sua irmã era recém-nascida – asseverava ela, supostamente na coalisão de países que participaram da Guerra do Kosovo, embora eu duvidasse dessa versão que ela contava para justificar a inexistência de um marido. O que me levava a essa desconfiança, era o fato de eu ter uma vaga lembrança de um sujeito forte que usava uma barba densa que sempre me pinicava o rosto quando me pegava no colo e me beijava ao me colocar para dormir. Eu tinha certeza que ele era meu pai, embora minha mãe tentasse me ludibriar dizendo que só podia ter sido o tio Aziz, mas eu não era tão bobinho assim apesar de muito jovem para saber que não era ele. O que ela escondia era o fato daquele sujeito viver na esbórnia, voltar para casa e a agredir por qualquer contrariedade. Ele nunca foi militar ou esteve nas fileiras de qualquer exército, era um vagabundo que meu avô pôs a correr com uma arma apontada em sua cabeça quando se cansou de ver a filha apanhar do marido.
- Se ele foi morto em batalha e condecorado, onde está a medalha, as fotografias dele com uniforme? – perguntava eu, numa insistência que a aborrecia.
- Outra vez essa conversa, Serkay? Você não se cansa de me perguntar sempre a mesma coisa? – retrucava ela sem paciência.
- É porque eu quero ver a condecoração, as fotografias! – respondia eu, cada vez mais curioso à medida que crescia.
- Seu pai nunca tirou fotografias, e a condecoração deve estar no meio daquelas caixas cheias de tralhas no sótão.
- Não está, eu já vasculhei todas elas, não tem nenhuma condecoração lá!
- Então vai ver que acabou se perdendo!
- Isso não pode ser, você está mentindo! – acusava eu, ao sentir que ele estava me enganando para despistar.
- Quer que eu te dê uns safanões, seu moleque malcriado e respondão? Não me custa nada encher esses fundilhos com umas boas chineladas! Agora suma daqui, ou vai me fazer errar no tempero dessa comida, vai moleque, vai caçar o que fazer! – era assim que ela encerrava a discussão quando já não tinha mais argumentos.
- Um dia eu vou descobrir toda a verdade! Não adianta me enganar! - revidava eu ao sair correndo de perto dela, antes que alguma coisa pesada que ela lançava na minha direção me atingisse.
Comecei a instigar minha irmã a interrogá-la quando já tinha eloquência suficiente para formular as perguntas, mas se havia algo que minha irmã nunca soube guardar foi um segredo ou um pedido para que não me denunciasse como mandante daquelas perguntas. Assim que minha mãe a prensava contra a parede, ela abria o bico e revelava que tinha sido eu a mandar que fizesse aqueles questionamentos.
Quem comprou a nossa propriedade foi um vizinho que se dizia muito amigo do meu avô, mas que pagou um valor bem abaixo do que ela valia quando percebeu que minha mãe e o tio Aziz não tinham mais como manter o lugar, e precisavam de dinheiro para se mudarem para Istambul onde minha irmã e eu teríamos mais chances de frequentar colégios melhores e, talvez até uma universidade. Depois de dois anos sem nenhum outro comprador aparecer, a propriedade foi vendida para o avarento, e nos mudamos para uma casa modesta que o dinheiro deu para comprar no bairro Balikyolu no distrito de Esenyurt, na parte europeia de Istambul. O bairro é majoritariamente ocupado por habitações simples da classe operária da cidade, permitiu que minha mãe pudesse continuar cozinhando e vendendo as refeições. A situação não era muito diferente da que vivíamos em Sultanhistar, mas já não havia mais aquele tanto de trabalho a ser feito como antes. Minha irmã e eu estudávamos numa boa escola pública e, toda vez que eu passava pelo campus Beyazit da Istanbul Üniversitesi jurava para mim mesmo que teria um diploma daquela universidade.
Meu sonho começou a se realizar quando consegui uma vaga na faculdade de economia e me sagrei o melhor aluno da turma. Tutelado por um dos meus professores, que me indicou a uma agência de empregos no final do curso, consegui meu primeiro emprego numa holding internacional de um dos empresários mais ricos da Turquia, Hasan Aksoy Karal*. Eu já antevia nós nos mudando para uma casa melhor em um bairro de classe média, minha mãe podendo deixar de passar horas infindáveis na cozinha, e minha irmã podendo ingressar na faculdade de medicina como era seu sonho. Assumi o compromisso comigo mesmo de dar o melhor de mim, de me dedicar à carreira e alcançar postos cada vez mais significativos e bem remunerados.
Trabalhando na sede da holding, junto à cúpula administrativa e dos tomadores de decisões, eu sabia que tinha muito a aprender, mas também a chance de mostrar meu trabalho e dedicação. Os primeiros dez meses não poderiam ter sido mais recompensadores e felizes, eu havia caído nas graças de dois dos mais importantes diretores e me sentia valorizado por eles. Até o dia em que cruzei pela primeira vez com nada mais, nada menos do que o próprio Hasan Aksoy, durante uma reunião à qual um dos diretores me levou por ter sido eu a compilar uma série de gráficos financeiros da uma das empresas da holding.
Hasan era um homem enorme de cinquenta e tantos anos, alto, ombros largos, cintura abaulada, ossatura larga, cabeça redonda com uma calvície em desenvolvimento, e uma expressão que oscilava entre carrancuda e cínica. A fortuna não lhe trouxe nenhum refinamento, era grosseiro no falar, no trato com as pessoas e na maneira de se vestir. Nem mesmo os ternos caríssimos que trajava escondiam o homem tosco que estava dentro deles. Tinha fama de ser implacável nos negócios e com os empregados que julgava não estarem à altura de suas empresas, destratando-os sem papas na língua onde quer que estivesse. Muitos o temiam, especialmente aqueles que já haviam presenciado seus rompantes de fúria e vingança contra desafetos. Até a mídia o temia, depois que alguns meios de comunicação levantaram suspeitas quanto a ele estar por trás de negócios escusos com armamentos contrabandeados e assassinatos de dois ex-sócios que teriam tentado passar a perna nele, os repórteres dessas matérias sumiram do mapa como que por encanto, ou tiveram acidentes fatais poucos meses após divulgarem as notícias. Somente as matérias que o endeusavam e citavam sua benevolência com entidades filantrópicas ganhavam seu respeito, bem como os meios de comunicação que os divulgavam.
Ao final da apresentação dos meus gráficos, ele quis me conhecer. Tinha prestado atenção em mim durante toda a reunião, com um olhar aquilino e perturbador, pois me levou a crer que não estava dirigido à minha capacitação técnica, mas ao meu corpo esguio de vinte e cinco anos. Ele me cumprimentou com um aperto de mão que me causou repulsa, úmido e pegajoso, enquanto usava força excessiva para espremer meus dedos. Encarou-me como um predador encara uma presa, com vontade de a destroçar, de a aniquilar, embora estivesse sorrindo e usando palavras gentis para me elogiar. Isso nunca tinha me acontecido antes, sentir um arrepio descendo pela minha coluna, enquanto ele mantinha mão presa entre as dele.
Três semanas depois desse encontro, meu diretor me chamou na sala dele e me deu a notícia.
- A partir de segunda-feira, você vai trabalhar diretamente com o Sr. Hasan. – comunicou ele, num tom de voz cauteloso, como de quem sabe que aquilo me reservava tempos menos tranquilos. – Esteja no escritório dele logo pela manhã, a secretária vai cuidar de tudo depois que conversar com ele. – acrescentou.
- Eu gostei muito de trabalhar com o senhor! Sou grato por tudo que me ensinou, pela paciência que teve para comigo! Muito obrigado! – agradeci
- Vou sentir sua falta, Serkay! Lamento que esteja nos deixando. – devolveu ele, visivelmente insatisfeito com aquele arranjo.
O senhor Hasan me fez esperar na sala da secretária dele por mais de três horas, antes de me receber. Parecia estar bem humorado, fez duas piadas sem-graça, para as quais ri junto com os três assessores que o acompanhavam, embora não tivesse achado graça alguma no que havia dito.
- Serkay, não é? – indagou, fingindo ter esquecido meu nome. Confirmei com voz firme e olhando diretamente em seus olhos. – Esplendida a sua apresentação meu rapaz, esplendida! Estou cercado por um bando de incompetentes aos quais pago verdadeiras fortunas e eles jamais me trouxeram um material tão bem produzido. – continuou, encarando os assessores que baixaram covardemente as cabeças, embora eu tenha para mim que o estavam xingando com um arsenal de palavrões em seus íntimos.
- Muito obrigado! Fico contente que tenha gostado do meu trabalho! – agradeci
- Não sei se já o informaram, mas você passa a trabalhar diretamente comigo a partir de hoje. Preciso de gente nova, de mentes puras ainda não contaminadas pela incompetência, de um rapagão bonito como você para embelezar meu entorno. – a fala dele era vulgar, a maneira como me olhava me fazia sentir um objeto, e não alguém cuja capacidade ele queria desenvolver.
- E como o senhor quer que eu me posicione para isso? Devo montar uma equipe ou serei apenas eu, seguindo suas ordens? No que especificamente pretende que eu atue? – questionei, visto que nada havia ficado definido nessa transferência.
- Será apenas e tão somente você, colado em mim 24 horas por dia, sete dias por semana! – respondeu, com um risinho sarcástico, antes de um dos assessores o lembrar, também fazendo piada, que havia leis trabalhistas a serem respeitadas.
- Eu quero que as leis se fodam! Eu faço as minhas próprias leis dentro das minhas empresas! – respondeu o Hasan. – Brincadeira, meu rapaz! Não faça essa cara de assustado! Só vou me aproveitar de você dentro das leis desse país, não tenha medo! – emendou ligeiro. – O que quero dizer com isso, é que estará inteiramente ao meu serviço e de ninguém mais, estamos combinados?
- Sim, senhor! Entendi! – respondi, embora ainda não tenha entendido que trabalho seria esse, era esperar para ver.
Passei os três meses seguintes feito uma sombra do Hasan, onde ele estava, lá estava eu. Não demorei a perceber que não estava aprendendo nada de novo; na verdade, me sentia estagnado e, em alguns aspectos, até retrocedendo, uma vez que virei um serviçal de seus caprichos. Já não era mais a secretária quem lhe trazia o café, quem atendia suas ligações e filtrava as que seriam atendidas, quem fingia não perceber ele se encostando atrás de mim, quem devolvia um sorriso amarelo quando ele passava a mão pelo meu rosto de maneira licenciosa, após tirá-la de dentro da braguilha onde vivia ajeitando a rola. Eu me tremia todo cada vez que ele dava uns apertões na pica esticada durante ereções constantes e nada discretas. Tudo isso só confirmava a primeira impressão que tive dele, um homem machista e grosseiro que se valia do poder e da riqueza para subjugar os outros.
Houve uma ocasião na qual cogitei pedir demissão depois de ele me dar uma encoxada acintosa na frente de uns clientes ao final de uma reunião que o deixou particularmente tenso. Foi pura demonstração de dominância, sabedor que eu não reagiria, tanto devido a nossa diferença de idade, quanto pelo seu status de patrão. A intenção dele foi me humilhar diante de todos, em resposta aos elogios que dois desses empresários fizeram ao meu trabalho de compilar numa planilha de fácil entendimento com toda a proposta da transação. No final do expediente, por sinal bem avançado na hora, quando me encontrava a sós com ele, cheguei a entrar no assunto. Porém, ele me interrompeu logo nas primeiras frases, não me dando chance de pedir a demissão.
- A partir de amanhã você passa a morar na minha casa! – começou ordenando. – Não tolero atrasos e este mês já foram dois! Preciso dos relatórios, das informações e fico à mercê de sua boa vontade em chegar ao trabalho! – despejou, se mostrando irritado, apesar da inverdade que estava afirmando.
- Me perdoe, Sr. Hasan, mas nesses três meses que estou trabalhando diretamente com o senhor, eu nunca cheguei atrasado. Fico diariamente a sua espera pra iniciarmos a jornada! Aliás, desde que fui contratado nunca cheguei sequer um minuto atrasado ao trabalho. – afirmei, encarando-o.
- Está me chamando de mentiroso, moleque? Não faz mais que sua obrigação esperar por mim, ou quer subverter a ordem das coisas na minha empresa? – questionou irritado.
- Não foi isso .... – levei um susto com o soco que ele desferiu na mesa.
- Está me contradizendo? – perguntou desafiador.
- Não senhor!
- Ainda bem, para sorte sua! – exclamou triunfante.
- Eu só queria deixar claro que nunca me atrasei! – exclamei, num rompante de ousadia e raiva.
- Isso sou eu quem decide! Por hora, trate de providenciar a sua mudança para a minha casa, vou precisar dos seus serviços e não quero depender de horários pré-fixados. – sentenciou, dando como certa essa mudança.
- Eu tenho uma família e responsabilidades para com eles, Sr. Hasan! – devolvi. – Ademais, não me sentiria confortável invadindo a privacidade da sua família. - aleguei
- Arre, que hoje você resolveu me tirar do sério, oğlan orospu çocuğu! (= moleque filho da puta)! – berrou que deu para ouvir no andar inteiro. – Só faça o que estou mandando, é muito para você? – emendou, enquanto eu, estático, apavorado por nunca ter sido tratado daquela maneira, me encolhi todo diante dele, fazendo surgir uma expressão de vitória naquela cara arrogante.
Quando fui resolver algumas questões fora da sala, todos estavam me encarando num misto de pena e solidariedade, o que me fez sentir ainda mais humilhado.
No final daquele dia, tive que seguir com ele para sua casa, onde fui recebido com desconfiança e surpresa pela esposa dele, Gizem. Eu nunca a tinha visto, embora ela fosse uma figura tarimbada na sociedade aparecendo constantemente nas revistas de fofocas, e tenha dado as caras na empresa algumas vezes deixando uma péssima impressão nas pessoas. Era uma mulher de 40 anos, portanto, bem mais jovem do que o Hasan, que usava uma maquiagem exagerada, e estava enfeitada de joias caras que mais pareciam penduricalhos de gosto duvidoso.
- Boa noite, senhora! – cumprimentei constrangido. Ela só grunhiu uma resposta.
- O que significa isso, Hasan? – perguntou, ao ver a mala que eu trazia comigo.
- Este é o Serkay, meu assessor pessoal! Ele vai passar a morar conosco, providencie um dos quartos para alojá-lo! – respondeu secamente o Hasan, a deixando perplexa e furiosa.
- Podemos conversar no escritório? – perguntou ela
- Se for em relação ao Serkay, não temos nada o que conversar! Sou eu quem toma as decisões nessa casa! E, se for mais alguma das suas lamurias, guarde-a para si, que tive um dia cheio e não tenho mais paciência para ouvir sua voz! Trate apenas de providenciar o que mandei! – respondeu ele, me deixando ali parado no meio da sala feito uma estátua.
- Ceren, leve esse rapaz para a casa de hóspedes, e providencie tudo o que ele pode precisar!
- Sim, senhora! – respondeu a criada jovem e espevitada que me examinou da cabeça aos pés e deve ter me achado atraente porque começou a rir feito uma garota deslumbrada. – É parente do senhor Hasan? Vai ficar hospedado por muito tempo? Eu sou a Ceren, pode me pedir tudo que precisar. – desembestou a falar, assim que me guiou em direção a uma construção anexa e independente da casa principal através do enorme e bem cuidado jardim.
- Prazer, Serkay! Creio que não vou precisar de muita coisa, mas obrigado.
- Então sua estadia será curta? – senti que tinha que ser discreto e falar pouco com ela, pois tinha a certeza de que espalharia aos quatro ventos tudo que lhe caísse nos ouvidos.
- Talvez! – respondi, lacônico.
- O jantar é serviço às 08:00h em ponto quando o Sr. Hasan está em casa, e vou logo avisando, ele fica uma fera se alguém se atrasa. – informou ela.
- Estou sem fome! Vou arrumar minhas coisas e deitar cedo, não se preocupe comigo.
- Como o senhor quiser!
- Por favor, me chame apenas de Serkay, ok?
- Ok, Serkay!
Faltavam menos de cinco minutos para as 08:00h quando a Cerem ligou para o meu quarto, toda alvoroçada.
- Senhor Serkay! Quer dizer, Serkay! O Senhor Hasan mandou chamá-lo para o jantar, e acho que seria melhor o senhor vir o mais rápido possível, pois ele está espumando de raiva. – informou ela.
Me vesti às pressas e fui ter com eles. O Hasan continuava de mau humor sentado à ponta da mesa, a Gizem não estava muito melhor, sentada ao lado direito dele. Foi ela quem me apontou o lugar à esquerda dele, enquanto duas criadas tratavam de trazer a comida.
- É bom que saiba que as refeições são sagradas nesta casa, não tolero atrasos! – disse ele, sem olhar para mim.
- Sim, senhor! Eu havia dito à funcionária que estava sem fome.
- Com fome ou não, quero-o à mesa! Se tiver um assunto urgente a tratar vou tratar com quem, com os talheres? – esbravejou, me fazendo perder o apetite de vez.
O silêncio era sepulcral, apenas meia dúzia de frases grunhidas entre eles de quando em quando, o que traduzia o clima reinante naquela casa.
- Gostou do seu quarto? Se precisar de alguma coisa fale diretamente com a minha mulher, ela mandará providenciar. – disse ele para provocá-la.
- Está tudo ótimo, obrigado! – respondi
- O que pretende trazendo um estranho para dentro de casa? Não bastam os problemas que já temos? – perguntou a Gizem.
- É você que tem problemas, minha querida! Talvez esteja te faltando um pouco de sociabilidade. Aqueles seus compromissos com seu bando de amigas desocupadas e fúteis não lhe permite socializar como se deve. É por isso que todas as reuniões e festividades que programamos nessa casa, sempre se mostram um verdadeiro fracasso. Você é uma péssima anfitriã, minha querida esposa! – a ironia na voz do Hasan a deixou furiosa. Ela lançou os talheres sobre a mesa e se levantou para a deixar. – Não me vire as costas, eu estou falando com você! – gritou ele, ela continuou caminhando e desapareceu. Eu só queria poder evaporar no ar.
Dei umas garfadas na comida, mas ela não descia pela garganta. Findo o jantar ele me levou a uma saleta menor e fechou a porta, me ofereceu um licor que recusei e sentou-se ao meu lado num pequeno sofá de dois lugares ao lado da lareira.
- Tenho grandes expectativas em relação a você, Serkay, espero que me corresponda! – começou ele.
- Vou dar o meu melhor, senhor Hasan!
- Tenho certeza que vai dar! – exclamou, voltando a fazer aquele gesto que eu tanto abominava, apertar o cacete e com essa mão acariciar meu rosto.
A mansão dominava uma colina e seus jardins se estendiam até o mar, numa das áreas mais luxuosas e exclusivas de Istambul. Havia um batalhão de seguranças rondando constantemente a propriedade, e eu vi naquilo um exagero que, no entanto, me levou a suspeitar que os negócios do Hasan podiam não ser todos tão idôneos como a holding fazia parecer. Ele não dava um passo sem que dois brutamontes enormes o seguissem feito sombras. Suat e Taygun eram ex-militares e tinham vasta experiência em eliminar pessoas ou com suas próprias mãos ou com as pistolas que nunca tiravam de vista. Também tenho que admitir que eram dois tesões de machos com aqueles corpões musculosos e aquelas caras mal escanhoadas que os deixavam com uma aparência bruta e selvagem. Eu tinha pouco a falar com eles, apenas uma ordem ou outra que o senhor Hasan me mandava transmitir, mas ao ouvir suas vozes graves e roucas, meu cuzinho se assanhava todo. Eles pareciam gostar quando eu lhes dirigia a palavra, abriam um sorriso espontâneo e, salvo eu não estar enganado, sentiam uma atração quase irresistível pela minha bunda carnuda, para onde focam os olhares até eu os flagrar, deixando-os a ajeitar as picas nas calças.
- É a primeira vez que fico com a rola trincando de tão dura quando vejo a bundinha gostosa de um molecão! Se ele me der mole, meto-lhe a piroca até o talo naquele rabão tesudo! – ouvi o Suat sussurrar para o Taygun quando pensaram que eu havia entrado no escritório do Hasan, mas começava a voltar por ter esquecido uma pasta no carro.
- Até onde eu pensava, sempre só me senti atraído por garotas, mas esse molecão também me tira do sério com essa bundinha arrebitada. Você acha que ele pode ser chegado numa pica? – retrucou o Taygun
- Está aí algo a se investigar! Jeitosinho, cheiroso e bonito ele é, até demais para ser macho! – devolveu o Suat.
- Deixa o Hasan ouvir essas barbaridades, vão os dois para rua no mesmo instante! – exclamei, deixando-os constrangidos.
- Deu para ficar ouvindo atrás das paredes? Eu hein! – exclamou o Taygun
- Sejam mais discretos na próxima vez, e contenham os ânimos, se não quiserem entrar numa enrascada! – sugeri rindo.
- Com você por perto fica difícil conter os ânimos! Já que ouviu nossa conversa pode esclarecer a nossa dúvida! – disse o Suat.
- Safados! Esperem sentados para não se cansarem! – devolvi
- Meio salário que sim! – exclamou o Suat para o Taygun, ao mesmo tempo que me exibia sua ereção consumada, o que me fez rir e sentir um arrepio gostoso no cuzinho.
Outro personagem que não posso deixar de mencionar é o Bekir, o motorista do Hasan que talvez fosse o cara que melhor conhecia o patrão, pois sempre estava a par de cada passo que ele dava. Quando fui apresentado a ele pelo próprio Hasan juntamente com a ordem de o contatar diretamente toda vez que ele precisava se deslocar, achei estranho um cara tão bem apessoado, grandão e forte se sujeitar a ser o motorista de um sujeito tão sem escrúpulos como o Hasan; ele certamente poderia ter uma ocupação bem melhor onde não seria tratado com tanta insensibilidade. Eu gostei dele logo de cara, e não só porque tinha aqueles olhos verdes que, ao me fitarem, me faziam sentir que estava nu. O rosto anguloso, a barba densa não escanhoada, os ombros largos que formavam um trapézio invertido com aquele tórax sólido, os braços musculosos e as coxas grossas que davam a impressão de escarçar o tecido das calças a qualquer movimento mais extremo e, aquela expressão de macho safado, formavam um conjunto de deixar qualquer gay com o cuzinho sonhando com a rola volumosa que parecia não caber entre suas pernas fazendo com que caminhasse com elas sempre bem abertas. Pela maneira como tratava as pessoas, notava-se que era um daqueles machos protetores, sempre disposto a ajudar, a mitigar o sofrimento alheio, especialmente em se tratando de uma mulher, embora também o fosse comigo.
Antes de me mudar para a casa do Hasan quase nunca tivémos a oportunidade de conversar, uma vez que na maioria das vezes o Hasan estava dentro do carro durante nossos deslocamentos. Isso não impedia o Bekir de ficar me espionando pelo retrovisor interno e, de quando em quando, esboçar um sorriso amistoso. Com a mudança, tive mais oportunidades de conversar com ele na cozinha, onde ele ia filar qualquer coisa que a cozinheira estivesse preparando e se informava do que estava acontecendo dentro da casa. Não demorou para a Ceren notar como ele secava a minha bunda nessas ocasiões, quando lhe dava um tapa na cabeça mandando-o deixar de ser tarado. Ele apenas ria, dizia que ela estava vendo coisas que não existiam por ser uma safada.
- Você sabia, Serkay, que esse pilantra não tira os olhos da sua bunda e que aquela coisa enorme entre as pernas dele fica dura quando faz isso? – provocava a Ceren para se vingar por ele a chamar de safada, coisa que ela realmente era, pois parecia ter um fogo interno que deixava sua vagina excitada com qualquer insinuação sexual.
- Deixa de maluquice, Ceren! Fica inventando coisas só para deixar a gente numa situação embaraçosa! Por que não vai caçar o que fazer? – devolvia ele revoltado, enquanto ajeitava a ereção que ela havia denunciado.
- Maluquice, é? Então tira essa mão daí e prova que não está excitado depois de não ter tirado esse olhar de peixe morto da bunda do Serkay! Prova, seu malandro!
- Pronto, meu apetite se foi! Fique aí com suas invencionices, e me esquece! – esbravejava ele, saindo da cozinha pisando firme.
- Volta aqui, Bekir! Não dê ouvidos a Ceren, ela só está gozando com a sua cara! Vem, senta aqui e termina o seu lanche! – intervinha eu, apaziguando os ânimos. Ele voltava resmungando, mas contente por eu intervir a seu favor.
- É por isso que ele está assim, Serkay, você o mima demais! – devolvia ela, despeitada.
- Isso ainda vai acabar em casamento! Vocês dois brigam feito cão e gato, por que se amam. – afirmava eu.
- O quê? Eu gostar desse traste mulherengo safado? Jamais! – exclamava a Ceren, o que me fazia rir. – E você, se quer um conselho de graça, não dê mole para esse pilantra se quiser manter a integridade dessa sua bundona! Por Alá, que me perdoe, muita mulher queria uma bunda como a sua!
Quem colocava um ponto final nessas discussões era a senhora Türkü, a governanta da casa que, dos seus cinquenta e poucos anos guiava aquele bando de empregados com mão de ferro.
- É melhor o senhor não incentivar esses dois, senhor Serkay! Eles já são folgados demais, sem sua ajuda! – recriminava ela, me tratando sempre com aquela formalidade, apesar de eu já a ter orientado a não o fazer.
Eu tinha para mim que a Türkü sabia muito mais da história do Hasan e dos segredos daquela família do que ela deixava transparecer, uma vez que o próprio Hasan ficava cheio de cuidados e escolhia muito bem as palavras antes de falar com ela, mesmo quando estava furioso. O que também me chamou a atenção assim que cheguei à casa, foi o olhar que me lançou, como se já soubesse de antemão os problemas que eu teria que enfrentar naquela mansão, pois havia uma expressão de condoimento embutida nela.
Após o jantar tumultuado, fui para o meu quarto certo de haver tomado a decisão errada ao aceitar me mudar para aquela casa. Eu devia ter sido mais firme na minha resposta, dito simplesmente que não, e pedido demissão, como estava sendo meu desejo desde que passei a trabalhar diretamente com o Hasan.
Fazia uma noite quente, mesmo cansado e tendo me jogado na cama só de cueca, não conseguia pegar no sono. Havia algo dentro de mim me angustiando. Entre um cochilo rápido e outro, percebi assustado que não estava mais sozinho no quarto e procurei afoitamente pelo interruptor da lâmpada de cabeceira. Assim que o quarto se iluminou, o vulto escuro se materializou na presença do Hasan trajando um robe e lançando olhares cobiçosos sobre meu corpo quase nu.
- Senhor Hasan! O que .... o senhor precisa de alguma coisa? Como entrou aqui? Eu estou praticamente .... No que posso ser útil? – eu nem sabia mais o que dizer, de tão assombrado que fiquei com aquela invasão de privacidade àquela hora avançada da noite. Eu não sabia se aquele risinho com o qual me encarava tinha más intenções, mas mesmo assim, meu corpo estremeceu todo.
- Então é assim que você dorme? Muito sensual essa sua cueca? São todas assim? – perguntou ele, aproximando-se lentamente da cama, onde rapidamente me sentei e me cobri com o lençol.
- Eu .... eu .... eu .... – gaguejei temeroso. – Se me der licença eu vou me vestir e vou ter com o senhor em alguns minutos, pode ser?
- Não quero que se vista, quero observar toda essa beleza, tocar nela, deixar que ela me excite! – devolveu ele, abrindo o robe e me exibindo seu corpanzil peludo e nu.
- O senhor não pode .... Por favor, senhor Hasan! O que quer de mim? – eu me preparava para sair correndo em direção ao banheiro, mas ele detectou minha intenção e bloqueou o caminho.
- Como eu disse quando veio trabalhar para mim, 24 horas por dia, sete dias por semana! – exclamou cínico e arrogante.
- Eu não quero .... eu precisoAcalme-se, está parecendo uma gazelinha assustada e isso só me deixa ainda mais excitado, como pode comprovar! – o pauzão grosso dele ia se empinando feito um poste, enquanto eu engolia em seco, só pensando em fugir dali. – Chupa a minha pica, moleque! Mama meu cacete, seu veadinho tesudo, que eu já estou sabendo que você é chegado numa rola de macho. – disse ele, todo emproado.
- Eu não .... Ai senhor Hasan, eu não sou .... – ele me interrompeu.
- Não negue! Não minta para mim! Sei que anda com um machinho com o qual está se engraçando e que deve estar aproveitando bastante dessas nádegas polpudas. Vem cuidar do meu caralho, vem! Mandei fazer um dossiê e sei de tudo sobre você, só por garantia de não me vir com surpresas. Gosto de saber quem trabalha para mim! – afirmou.
- Eu peço demissão, senhor Hasan! Não quero mais continuar nesse emprego! – afirmei resoluto
- Sou eu quem decide se você continua ou não nesse emprego! Já devia saber disso, e que não gosto quando um dos meus empregados pede demissão. Sou eu quem demite os empregados, não o contrário! E você vai continuar fazendo seu trabalho conforme combinamos, com mais alguns pequenos acréscimos e favores extras! Afinal, você depende disso, sua mãe viúva, seu tio coxo e sua irmã dependem de você se mostrar um funcionário muito dedicado e prestativo, não é? – aquele homem havia mandado vasculhar minha vida e da minha família e conhecia nossas dificuldades. – Você não vai querer que nada de ruim aconteça com eles, não é mesmo, Serkay?
- Não, não senhor! Não quero! – balbuciei, começando a tremer feito vara verde quando as mãos daquele homem tocaram meu corpo e arriavam minha cueca.
Ele me apalpou com voracidade, bolinou minha bunda, abriu minhas nádegas e examinou excitado a rosquinha rosada incrustada no reguinho liso. Ele suspirava ruidosamente, o polegar tateava sobre as preguinhas anais e, mesmo contra a minha vontade, elas se excitavam com aquele toque impudico. Ao mesmo empo em que amassava meus glúteos, ele enfiava a cara barbuda entre eles e lambia devassamente minhas pregas, espalhando saliva e forçando a ponta da língua contra o cuzinho. Chegou um momento em que um suspiro agudo escapou dos meus lábios, denunciando o tesão que se instalava em meu corpo. O Hasan ficou eufórico com esse suspiro, ficou de joelhos próximo à minha cabeça e pincelou o cacetão melado no meu rosto, fazendo com que seu cheiro almiscarado de macho adentrasse pelas minhas narinas.
- Mama, Serkay! – ordenou, com a mesma frieza que costumava me dar as ordens cotidianas.
Fechei timidamente a mão trêmula ao redor do cacetão grosso e o levei à boca, sugando o sumo viscoso que ele despejava. O Hasan grunhiu alto, me agarrou pelos cabelos e socou meu rosto conta sua virilha, fazendo-o afundar no chumaço de pentelhos grossos. O pauzão foi parar na minha garganta, me sufocando, enquanto eu procurava desesperadamente chupar aquela tora de carne quente que pulsava na minha boca.
- Lambe meu saco! Gosto que acariciem minhas bolas! – disse ele, me obrigando a seguir suas instruções.
Por cerca de um quarto de hora me dediquei a cuidar daquela estaca troncuda revestida de nervuras salientes, me esforçando para não chorar na frente daquele macho inescrupuloso e dominador. Ao pressentir que ia gozar, ele voltou a agarrar meus cabelos, puxou minha cabeça para trás e apontou a cabeçorra para a minha boca.
- Abre a boca! – ordenou, antes de soltar um urro. – Engole! – engoli os cinco jatos seguidos do esperma leitoso que ele ejaculou, urrando e grunhindo selvagemente. Controlei os engulhos me forçando a engolir aquele líquido pegajoso de sabor alcalino. – É assim que eu gosto, bem obediente e submisso! – exclamou, após eu engolir o último espirro e lamber a cabeça melada do pauzão.
A revolta dentro de mim despertou um ódio ferrenho, uma gana de estrangular aquele homem com as minhas próprias mãos, algo que minha índole pacífica e sensível jamais havia experimentado.
O Hasan me posicionou de bruços, deixou seu peso cair sobre mim e ficou se esfregando na minha bunda, deslizando a verga semirrígida no meu rego estreito, enquanto sussurrava obscenidades junto com as fungadas que dava na minha nuca. Meu corpo tremia debaixo do dele, o que o excitava e lhe dava a prazerosa sensação de posse.
- De quatro! Ajoelha de quatro e empina esse rabão para levar pica no cu! – voltou a ordenar, embora o pauzão não estivesse alcançando a rigidez necessária para me penetrar, deixando-o impaciente e agressivo.
Ele batia o cacetão sobre meu cuzinho e enfiava o polegar dentro dele, me arrepiando todo e me fazendo arfar acelerado. Obediente e servil, eu aguardava angustiado o momento em que aquela coisa grossa ia me arregaçar quando, de repente, o celular dele caiu do bolso do robe começando a tocar. A tela iluminada mostrou – YAVUZCAN – e rapidamente o Hasan me soltou, atendeu a ligação e apenas disse – Faça o que tiver que ser feito, mas faça-o pagar pelo erro – desligou, olhou na minha direção com uma expressão de raiva, fechou o robe cobrindo o sexo murcho e saiu do quarto batendo a porta. Ao mesmo tempo em que respirei aliviado por não ter sido penetrado, caí num choro convulsivo. Foi por pouco, dizia minha mente, foi por pouco.
Passado o medo, concentrei-me naquele nome, Yavuzcan. Quem seria essa pessoa a ligar no celular dele às quatro e tanto da madrugada? Eu tinha a agenda completa do Hasan, para todos com quem ele mantinha contato e esse nome não constava nessa agenda, nem ele o havia mencionado, tornando a questão ainda mais intrigante. Depravado como era, bem podia ser uma amante, pois naqueles colhões enormes que eu acabara de conhecer parecia arder um fogo incontrolável. Ou seria algum funcionário de uma das empresas, já que eu não conhecia a todos; ainda mais que ele ordenou que fizesse a pessoa pagar pelo erro, o que não seria o caso de uma amante, eu supus. E por que a raiva? Se bem que não precisava muito para aquele homem virar o bicho, mas a expressão dele ao me encarar ainda debruçado de quatro com as pernas abertas lhe exibindo a rosquinha anal, não tinha a ver comigo, mas com algo relacionado aos negócios, a um prejuízo ou algo do gênero, pois já a tinha visto uma vez quando uma das empresas passou por uma devassa fiscal dos agentes do governo.
Assim que o Hasan saiu do quarto, com a minha mente tentando entender aquela ligação, tive que correr para o banheiro com o estômago embrulhado e expelir seu conteúdo junto com o esperma que acabara de engolir. Enfiei-me sob a ducha, mas o cheiro daquele homem parecia ter se impregnado na minha pele, não desaparecendo por mais que eu me esfregasse. Começava a amanhecer, a agitação me fez perder o sono e fiquei deitado na cama remoendo tudo aquilo. Tão logo o céu começou a clarear, liguei para casa para ter certeza de que todos estavam bem.
- Dois sujeitos enormes e mal encarados estiveram aqui no início da noite passada. Fizeram muitas perguntas, queriam saber das nossas vidas, até sobre Sultanhistar quiseram saber. Seu tio e eu não quisemos dar informações, mas fomos ameaçados, eles disseram que a sua integridade dependia das nossas respostas. Seu tio Aziz perguntou a mando de quem estavam nos ameaçando, mas eles apenas disseram que se quiséssemos manter você no emprego e sem nenhum arranhão, devíamos colaborar sendo bem sinceros nas respostas. – revelou minha mãe, ainda assustada. – O que está acontecendo Serkay? Isso tem a ver com essa sua repentina e inexplicada mudança para a casa do seu patrão? Me diga, meu filho, estão te maltratando nesse emprego? Se for esse o caso, peça demissão, você não precisa se submeter a esse tipo de tratamento, você foi um aluno brilhante na faculdade, não faltarão outras oportunidades de emprego. – disse ela, em sua inocência sobre tudo o que estava acontecendo comigo.
- Eu sei, mãe! Não se preocupe comigo, está tudo bem! Se esses homens voltarem procurem falar o menos possível, inventem alguma coisa se preciso, mas não deem muitas informações sobre nenhum de nós, ok! – respondi, confirmando minha suspeita de que o Hasan tinha mandado vasculhar a nossa vida para ter mais controle sobre mim. E eu até sabia quem foram os dois que ameaçaram minha família, Suat e Taygun.
Sentado à ponta da mesa do café da manhã, o Hasan parecia bem humorado com aquele seu sorriso enigmático que expressava tudo, menos alegria. Primeiro começou a provocar a Gizem que tentava esconder sob a maquiagem pesada e a franja do cabelo o hematoma arroxeado abaixo do olho direito, e o inchaço no lábio inferior coberto com um batom vermelho escarlate que a impedia de comer sem sentir dor. Nada me tirava da cabeça que ela havia apanhado do Hasan depois daquele rompante em que saiu da mesa jogando os talheres e não obedeceu a ordem para voltar. Foi por isso que ele chegou ao meu quarto tão elétrico à procura de sexo, uma vez que tinha acabado de dar uma surra na esposa rebelde. Esse homem me deixava cada vez com mais medo à medida que o conhecia melhor, e sua capacidade de subjugar as pessoas. Depois, me elegeu como segundo alvo de suas falas provocativas, me perguntando se eu havia gostado do leite que ele havia me presenteado. Eu engoli em seco, olhei para a Gizem como se tivesse culpa do marido a ter traído comigo. Abaixei o olhar e fiquei em silêncio, não cabia em mim de tanta vergonha, mesmo não tendo provocado aquela situação.
- Eu te fiz uma pergunta, moleque! Quando eu faço uma pergunta quero uma resposta! O que foi, minha querida esposa aqui presente está te deixando encabulado? Não se preocupe com ela. Você é muito compreensiva, não é meu amor? – perguntou a ela, passando o polegar sobre o lábio inchado dela. Nunca senti tanta piedade por alguém como naquele momento, ao ver uma lágrima escorrendo de seu olho.
- Sim senhor! – balbuciei num tom de voz titubeante
- Sim senhor, o quê, moleque? Responda, gostou do leite que te dei? – insistiu, pegando minha mão apoiada sobre a mesa e a amassando com força.
- Gostei! – respondi, fazendo um esforço hercúleo para também não deixar uma lágrima vergonhosa descer pelo meu rosto. O Hasan soltou uma gargalhada sonora, enquanto a Gizem e eu nos entreolhávamos sabendo que éramos vítimas do mesmo carrasco.
Eu era medroso, o mundo me assustava. O fato de ser gay havia me ensinado a temer a homofobia, a me esconder para não sofrer nas mãos de pessoas que nos abominam. No entanto, isso não me impediu de começar a investigar aquele nome – YAVUZCAN – que ainda me intrigava. Minhas pesquisas mostraram tratar-se de um sobrenome não muito comum, e comecei a procurar na Internet por pessoas com esse sobrenome, particularmente as que moravam em Istambul ou nas proximidades, pois aquela pessoa que ligou para o Hasan não devia estar longe. Para isso pedi ajuda ao tio Aziz, ele tinha muitos contatos da época em que foi militar na Guerra Civil do Curdistão, e que ainda tinham acesso a diversos dados governamentais.
Nos arquivos da polícia de Istambul constava o nome de um empresário suspeito de envolvimento com o contrabando de armas militares. Contudo, mesmo após terem vasculhado suas empresas, nada de ilegal pode ser comprovado, mesmo a fortuna que havia acumulado não ser compatível com os balanços das empresas. Num contato pessoal com um ex-combatente da mesma divisão, que agora trabalhava num departamento da polícia, meu tio Aziz conseguiu descobrir uma ligação entre o Hasan e esse tal de Yavuzcan. Não havia nada de concreto, apenas suspeitas de que ele ocupava o cargo de gerente numa das empresas do Hasan que, no entanto, não tinha nada de ilícita. Mas, a partir dessas informações, eu passei a ter certeza de que o Hasan estava envolvido em coisas que precisavam ser escondidas e que justificavam todo aquele aparato de segurança à sua volta. Todos funcionários que ocupavam cargos mais altos nas empresas estavam na minha lista de contatos; por que o desse gerente me foi escondido? Perdendo a noção do perigo, me pus a investigar, tentando encontrar qualquer coisa que pusesse aquele homem frente a frente com a justiça.
O Suat e o Taygun estavam agindo diferente comigo, desde aquela madrugada em que o Hasan tentou me foder à força. Eu sabia que foram eles a ameaçar minha família e passei a tratá-los friamente.
- Está bravo conosco? – perguntou-me o Taygun certa noite depois de chegarmos em casa e o Hasan os ter dispensado. – Eu pensei que você podia ser tão generoso comigo quanto foi com seu patrão naquela madrugada em que ele foi ao seu quarto. – disse ele, revelando que mesmo quando ninguém suspeitava, eles continuavam vigilantes ao que acontecia naquela casa.
- Não faço ideia do que está falando! E estou bravo sim! Como queriam que me sentisse com os caras que foram à minha casa ameaçar minha família? O que nós fizemos para você? Eu nunca escondi nada do senhor Hasan, por que foram vasculhar a minha vida pregressa?
- Apenas cumprimos ordens! Você está na mesma condição, precisa cumprir ordens se quiser manter seu emprego e não ser perseguido depois. – respondeu.
- Saiba que fomos gentis com sua família. A ordem dele foi arrancar o máximo de informações a qualquer custo, e você bem sabe o que isso significa. Ele não gostou nem um pouco de não termos conseguido informações que podiam ser usadas para prejudicar vocês. Achou tudo muito normal e sem graça, segundo suas palavras. Juro que não queremos te prejudicar, Serkay. Pode não acreditar, mas gostamos muito de você e não faríamos nada para te machucar. – afirmou o Suat.
- Eu queria poder acreditar nisso! Se um dia confiei em vocês, isso é passado! – devolvi
- Quer dizer que nunca vai nos dar uma chance de chegar nesse tesão de bunda? Saiba que está sendo injusto e malvado! – disse o Taygun, numa desfaçatez quase hilária, quando me afastei deles sem responder.
O Hasan tinha duas filhas adolescentes do primeiro casamento que estudavam num colégio de elite na Suíça, voltado para membros da nobreza europeia e bilionários mundo afora. Elas vieram passar as férias com o pai. Ambas tinham a soberba como sua característica marcante; a mais nova num estágio que a fazia ser detestada, principalmente pela criadagem, a quem tratava como se fossem seus escravos. A mais velha era um pouco mais contida nesse aspecto e parecia ter muita afinidade com a senhora Türkü que ajudou a criá-las logo após a morte da mãe. Porém, nenhuma das duas suportava a Gezim. Primeiro por terem que disputar a atenção do pai com ela e, segundo, porque a achavam não digna de ocupar o lugar que fora de sua mãe naquela casa por ela ter uma origem humilde. A minha presença naquela casa foi motivo de espanto quando chegaram e se depararam comigo sentado à mesa na primeira refeição conjunta.
- Está se tornando muito benevolente, papai! – disse a mais nova. – Deixar um criado qualquer participar das refeições familiares nunca foi um hábito nessa casa! O que torna o .... como é mesmo o seu nome .... bem isso pouco importa, apto de participar das refeições como se fosse um membro da família? – indagou, encarando o Hasan com presunção.
- Tenho meus motivos! Quero que o tratem com o devido respeito e não questionem minhas decisões. – respondeu o Hasan que, apesar de demonstrar pouco afeto às filhas, tinha-as como seu mais precioso tesouro, mesmo que o clima entre eles não fosse dos mais pacíficos.
- Eu só me pergunto o que virá a seguir. Primeiro você traz uma orospu (=meretriz) para ocupar o lugar da mamãe, e agora esse uşak (=empregado de baixo escalão) cuja função nem ouso perguntar. – disse a mais velha, fazendo o Hasan perder a compostura e esmurrar a mesa.
- Nunca mais ousem chamar a Gizem de orospu, ou vão se haver comigo! Acabei de pedir, não de pedir não, de mandar vocês tratarem o Serkay com respeito se não quiserem ter problemas, entendido! Ele é meu assessor pessoal, embora isso não lhes diga respeito! – vociferou furioso.
- Não somos obrigadas a aturar uma orospu nem esse uşak, que muito provavelmente está te assessorando mais na cama do que nos negócios, convivendo tão intimamente conosco. – retrucou a mais nova que era a mais rebelde e não tinha freios na língua. Embora esse atrevimento lhe tenha custado uma bela bofetada estalada na cara, o que a deixou indignada e a fez sair da mesa xingando.
- Vi ser assim agora, vai esbofetear suas filhas e acolher essa gente? – indagou, voltando-se mais uma vez para o pai.
- Senta aí, Irmak! Senta aí agora! – gritou o Hasan, chegando a se levantar para trazê-la de volta à mesa, mas desistiu quando o encarei perplexo e assustado.
- Também perdi a fome! – disse a mais velha, seguindo os passos da irmã.
A Gezim e eu nos entreolhamos; sem dúvida estávamos vivendo o mesmo drama, a mesma opressão, ela apanhando do marido violento quando não seguia sua vontade, e eu começando a descobrir que meu papel naquela casa era o de amante de um homem poderoso e fogoso, e que estaria sujeito aos mesmos castigos se não o satisfizesse em suas carências sexuais.
Uma ligação no celular também tirou o Hasan da mesa, pois ele ao identificar quem estava ligando, seguiu em direção ao escritório. Houve um silêncio pesado entre mim e a Gizem enquanto engolíamos sem apetite o famigerado jantar.
- Como você pode ver, estamos no mesmo barco! Se pretende continuar nessa casa, acostume-se a esse tipo de tratamento, isso jamais vai mudar. – afirmou ela, me fitando com pena. – Olhe ao seu redor, está vendo essas obras de arte, esses quadros valiosos, você e eu somos a mesma coisa para o Hasan que esses objetos. Peças caras e bonitas que ele compra para exibir aos amigos, para mostrar seu poder e sua fortuna. Não passamos disso para ele, objetos bonitos com os quais ele desfila na sociedade; eu nas festas e eventos sociais, você dentro das empresas. Para ele não importam sentimentos, ele nos usa como objetos pelos quais pagou e dos quais espera um retorno sem questionamentos. – acrescentou ela.
- Não tenho escolha, vim a essa casa coagido, e fui ameaçado caso me atreva a deixá-la! – devolvi
- Pois então nem tente! Eu tentei uma vez e paguei caro por essa decisão! E, como pode ver, acabou não dando certo, voltei para a minha prisão de luxo. – revelou ela, sem que eu mostrasse interesse em saber quais foram as circunstâncias em que isso se deu, pois já não me importava mais.
Por sorte o Hasan passou a maioria das semanas com as filhas que ocuparam seu tempo e sua atenção. Tanto a Gizem quanto eu, respiramos aliviados por não termos que aturar aquele macho truculento em nossas camas. Durante as férias das filhas ele só me procurou uma vez. Foi pouco depois do jantar, eu estava terminando de compilar a agenda dele para os próximos dias nos quais ele me mandou cancelar uma série de compromissos para ficar com as filhas, quando ele veio aos meus aposentos, já completamente excitado por alguma razão. Ele usava um agasalho de moletom dentro do qual o pauzão duro formava uma barraca. Ele arrancou o tablet das minhas mãos, lançou-o sobre uma poltrona e me puxou para um beijo lascivo, aproveitando para enfiar a mão na bermuda e amassar minhas nádegas. Eu o empurrava para longe com a mãos espalmadas em seu peito tentando em vão escapar do assédio, pois ele redobrou as forças para me reter. Ele me fez debruçar sobre o encosto da poltrona, arriou minha bermuda e pincelou a cacetão no meu reguinho. Fui me agarrando à poltrona para suportar a penetração quando ele tirou os dois dedos do meu cuzinho com os quais estava me provocando. Ao baixar a calça do agasalho o caralhão saltou para fora, pesadão, mas não completamente rijo para consumar a penetração, o que o levou a esfregá-lo na minha cara e me mandar mamar a caceta molhada de pré-gozo. Inspirei fundo, contornei aos lábios à cabeçorra estufada e comecei a trabalhar o pauzão em toda sua extensão. Os rugidos dele ecoavam pela saleta com ele se entregando ao toque quente úmido da minha boca em seus genitais. Ele já havia tirado a pica da minha boca por duas vezes para protelar o gozo, porém na terceira tentativa não foi ligeiro o suficiente e os primeiros jatos atingiram meu rosto em cheio antes de ele socar o pauzão na minha garganta e me fazer engolir os demais.
- Lambe tudo! Lambe meu leite de macho, tesudinho! Ele vai te deixar bem dócil para você se entregar como eu quero, por inteiro, abrindo esse cuzinho para a minha caceta! – ronronava em êxtase, me observando limpar o pauzão com a língua.
Meu anjo protetor devia estar fazendo plantão ao meu lado, pois quando ele abriu minhas nádegas e quis enfiar o caralhão no meu cuzinho, bateram à porta antes de ele meter a estrovenga em mim. Ele descarregou um punhado de palavrões, era a segunda vez que ele não conseguia consumar a penetração no meu cu por interferência de terceiros.
- Senhor Hasan! Senhor Hasan! – chamou a voz da Ceren do lado de fora. – Senhor Hasan, o senhor tem uma visita aguardando no escritório. – completou ela. – Senhor Hasan, está me ouvindo, senhor?
- Quem diabos pode ser a essa hora? – perguntou ele, ainda hesitando se guardava o cacetão priápico na calça ou se o enfiava de uma vez no meu rabo lisinho que roçava seus pentelhos.
- Não sei o nome, senhor! Ele disse que é urgente e muito importante! – respondeu a Ceren.
- Diga que estou indo, vá anda! – retrucou frustrado o Hasan, guardando o pauzão na calça. – Quanto a você, me espere! Volto assim que possível para terminarmos essa brincadeira, e eu inseminar seu cuzinho! – exclamou, dando um beliscão no meu glúteo.
Salvo pelo gongo, mais uma vez, exclamei juntando as mãos e erguendo o olhar para os céus como numa prece. Por mais másculo e viril que o Hasan fosse enquanto macho, eu não queria sentir aquele pauzão se saciando no meu cuzinho. Não aquele homem que estava me dando cada vez mais asco à medida que o conhecia, não aquele homem incapaz de sentir um mínimo de carinho por alguém. Eu era um gay tolinho, romântico, que ainda sonhava encontrar o cara certo, o cara que despertaria em mim todo o amor que vinha guardando para ele junto com a minha castidade. No entanto, cada vez mais eu me convencia de que esse cara não existia que, pelo andar da carruagem, eu acabaria perdendo a virgindade das preguinhas anais sendo rasgadas por aquele machão truculento, mais dia menos dia.
Dois dias depois das filhas do Hasan terem voltado para a Suíça, estávamos saindo do edifício da holding já passado das 21:00h, pois os compromissos dele haviam se acumulado com a presença e as demandas delas. Segui o protocolo, avisei o Bekir para deixar o carro preparado e o Suat e Taygun de que estávamos descendo para a garagem. Eu nem havia percebido que começara a chover questão de umas horas atrás. Instalado ao lado do Hasan no banco de trás, contornamos duas esquinas para pegar uma avenida de múltiplas pistas que levava na direção de casa. Ele puxou minha mão para o meio das pernas abertas dele e me fez acariciar o volume que pulsava debaixo da calça. Olhei rapidamente para o retrovisor para ter certeza de que o Bekir não estava vendo o que acontecia no banco de trás do carro, mas vi que ele estava atento àquela sacanagem, mais do que no trânsito a sua frente. De repente, ele pisou fundo no freio, os pneus chiaram e o carro deslizou pela pista molhada indo colidir com um veículo que o fechou. Dele desceram dois sujeitos armados com metralhadoras que fuzilaram a blindagem. Eu soltei um grito e sem noção do que estava fazendo, dei um apertão no caralho do Hasan. O Bekir se preparava para dar ré em meio ao fluxo de veículos, enquanto no carro escolta, o Suat e o Taygun também desciam armados disparando contra os sujeitos. Um segundo carro emparelhou com o carro escolta bloqueando a fuga do Bekir, o que se ouviu foi uma saraivada de projéteis pipocando por todo lado. O Hasan me empurrou para o chão do carro e se deitou sobre mim empunhando uma pistola automática que não sei de onde surgiu, enquanto eu tremia e berrava por socorro, achando que não sairia vivo daquela emboscada. Não sei o que me deu quando pensei no Suat e no Taygun sob a chuva e na mira dos emboscadores e, subitamente, quis abrir a porta do carro para ver se eles estavam bem.
- Ficou maluco, moleque! Quer ser morto? – perguntou o Hasan, puxando minha mão de volta antes de eu acionar a fechadura.
- O Suat, o Taygun, eles estão lá fora, eles vão ser mortos! Não deixe que os matem, por favor, Hasan, não deixe! – implorei desesperado.
- Eles sabem o que estão fazendo, são profissionais! Deixe de histerismo! – ralhou comigo.
- Mas são homens, são homens que podem levar um tiro que vai acabar com a vida deles! – argumentei.
- Eles são pagos para isso! Agora acalme-se e fique abaixado, ou será você a levar um tiro.
De fato, o Suat e o Taygun sabiam o que estavam fazendo, a reação deles impediu o pior e, após um tiroteio sem sucesso, os sujeitos que nos emboscaram fugiram, os dois primeiros a pé, pois o carro deles teve todos os pneus perfurados pelos disparos do Suat e do Taygun, os outros dois entraram no carro e fugiram pela calçada no mesmo tempo em que se começava a ouvir o barulho das sirenes da polícia.
Eu ainda estava tremendo quando o delegado chegou à casa do Hasan, uma vez que ele era importante demais para ir a uma delegacia. O Suat estava bem, um tirou atingiu o colete dele e só havia uma marca roxa pouco abaixo da axila esquerda. Já o Taygun levou um tiro na coxa direita, não muito profundo, o projétil atravessou o músculo e saiu na lateral deixando uma ferida esgarçada. Quando vi a calça dele toda empapada de sangue fiquei desesperado, quis chamar o serviço de urgência, mas o Hasan me impediu.
- Vamos tratar dele em casa, chame o médico e peça a ele que vá nos encontrar lá! – ordenou.
O médico chegou minutos depois de nós, quando o Taygun já estava deitado em sua cama na ala dos empregados. Eu segurava um chumaço de gazes sobre a ferida e rogava para que nada de ruim acontecesse com ele. Nem mesmo o fato de ele ter ido à minha casa ameaçar minha família pesou naquele momento.
- Está doendo? Você perdeu muito sangue. – disse, olhando para ele para ter certeza que não ia desmaiar.
- Um pouco, queima! – respondeu ele. – Fique calmo, foi de raspão, tudo vai dar certo!
- Vocês podiam ter morrido! Acha que isso é certo? – perguntei, sem me importar com a presença do Hasan.
- Deixa de frescura, moleque! O médico precisa examinar a perna dele e com você aí atrapalhando vai ser impossível! Vá para a cozinha e peça que lhe preparem um chá calmante antes que acabe infartando! Vai, anda! - ordenou
- Eu quero ficar! Quero ajudar no que for possível! – respondi, deixando-o zangado.
- Por enquanto está mais atrapalhando do que ajudando! – revidou, me puxando para um canto do quarto.
Segundo o médico não havia necessidade de tratar do ferimento num hospital, depois de ele examinar e suturar os tecidos esgarçados na saída do projétil, recomendando a troca diária do curativo e a medicação que prescreveu.
- Eu me encarrego dos curativos, e de que ele tome a medicação nos horários corretos! – afirmei, depois do médico ter me orientado de como proceder.
- Você tem outras incumbências, vou providenciar que uma enfermeira venha fazer esses curativos. – disse o Hasan, depois de notar meu interesse em cuidar do Taygun.
- Vou fazer isso fora do meu horário de trabalho! Não se preocupe que não vou deixá-lo desassistido. – devolvi resoluto, deixando o Hasan contrariado e irritado por eu o estar retrucando na frente dos outros., o que acabou me custando um safanão.
- Está discutindo as minhas ordens? – perguntou, ao agarrar meu braço e me puxar para fora do quarto. – Ou está interessado em se insinuar para outro macho? – emendou, esmagando meu bíceps.
- Não! Estou apenas e tão somente me prontificando a fazer a troca dos curativos no meu horário de folga, e não vou abrir mão disso! – retruquei.
- Você deve se lembrar que firmou um contrato comigo para estar ao meu dispor 24 horas por dia, sete dias por semana; então eu me pergunto, que horário de folga é esse? – indagou, querendo me intimidar.
- E o senhor deve estar ciente que esse contrato não faz de mim um seu escravo! – devolvi
- Se eu não estivesse com tantos problemas nesse momento, eu ia te ensinar a não me responder e a não desafiar as minhas ordens, seu moleque atrevido! – revidou furioso, me soltando e seguindo em direção ao escritório onde começou a fazer uma série de ligações, ainda abalado pela emboscada que tentava solucionar.
O resultado imediato da tentativa de sequestro, homicídio ou, seja lá qual foi a intenção daqueles sujeitos que nos emboscaram, foi a contratação de um chefe de segurança que lhe fora indicado por um contato que o Hasan tinha junto ao alto escalão da polícia. Tuan é o nome do sujeito trintão parrudo que mais parecia uma muralha com seu tronco largo, ombros fortes e uma profusão de músculos que mal cabiam em suas vestes. Ele também fora militar do exército e, segundo apurei ao investigar seus antecedentes por conta própria, havia sido condecorado diversas vezes por sua atuação e especialmente por suas estratégias investigativas e de táticas na superação e derrota dos inimigos. Atualmente estava montando sua própria empresa de segurança, o que o levou a recusar as primeiras ofertas do Hasan que, no entanto, não poupou esforços e uma extraordinária quantia para tê-lo em seu staff. Ele já chegou apontando todas as falhas na segurança tanto na empresa quanto na casa, o que deixou o Hasan impressionado e decidido a contratá-lo a qualquer custo. Tornou-se o homem em que ele mais confiava, dando lhe carta branca para fazer todas as alterações que julgasse necessárias. A verdade é que o Hasan ficou apavorado com aquela emboscada e estava se empenhando em descobrir quem a arquitetou e eliminar essa pessoa de seu caminho.
Nas reformulações que fez, o Tuan acabou se metendo na vida e na rotina de todos nós, o que gerou alguns protestos e o tornaram uma pessoa malquista dentro da casa. Alojaram-no no mesmo anexo que eu ocupava, uma vez que havia dois quartos disponíveis e era o lugar mais privativo e confortável fora da mansão. Por um lado, detestei ter aquele homem vigiando e controlando todos os meus passos, por outro senti um alivio pois a presença dele no anexo acabaria com aquelas visitas noturnas que o Hasan me fazia para me submeter aos seus desejos sexuais. O Tuan havia determinado uma rotina para que não houvesse brechas na segurança, e essa rotina era tão específica e restrita que a gente se sentia constrangido e cerceado da própria liberdade. Numa noite em que voltei para casa mais tarde, após ter passado o dia com a minha família e ter aceito uma carona de um amigo (esse amigo era o mesmo que o Hasan havia mandado investigar antes de me trazer para a mansão, e que julgou ser meu namorado, por terem lhe informado que vivíamos tão grudados um no outro levantando suspeitas de que ele se esbaldava no meu cuzinho, uma vez que sua fama de garanhão corria por toda vizinhança, embora fossemos apenas bons amigos) que me levou de volta à mansão, tive meu primeiro embate com o Tuan.
- Os seguranças do portão me informaram que você autorizou a entrada de um desconhecido na casa, eu não deixei ordens expressas para ninguém não cadastrado entrar na propriedade? – perguntou autoritário.
- Não é um desconhecido, ele é meu amigo, conheço-o há anos! Não tema que nenhuma das suas regras foi violada! – respondi
- Se alguém não cadastrado entrou na propriedade com o carro e tudo, como que minhas ordens não foram violadas, ou você tem dificuldade de entender o quão importante é evitar que pessoas de fora conheçam o esquema de segurança da casa? – indagou, querendo me intimidar.
- Eu não tenho dificuldade de entender nada, seu arrogante! Se está insinuando que não sou inteligente o bastante para conhecer as regras da casa, devia se lembrar que estou aqui a mais tempo do que você, e de que trabalho direta e intimamente com o seu patrão; portanto, não me venha questionar subestimando minha capacidade. – revidei irritado.
- Pois de agora em diante limite-se a seguir estritamente as minhas ordens, por mais íntimo que você seja do nosso patrão! – retrucou ele, dando ênfase a palavra íntimo como se já soubesse do que o Hasan fazia comigo a portas fechadas.
A partir daí mal lhe dirigia a palavra, fingia não o ver, mesmo ele sendo um tesão de macho que havia me causado um arrepio gostoso por todo o corpo no dia em que fomos apresentados. Ele parecia estar imbuído da mesma determinação, quando não estava me desafiando ou contradizendo, me lançava olhares arrogantes com aquele par de olhos lindos e expressivos que deixavam meu cuzinho piscando de tão assanhado.
Quem não escondia a satisfação de estar sob meus cuidados era o Taygun. Conforme o prometido, eu fazia a troca do curativo diariamente com ele ainda acamado. Pelo projétil o haver atingido muito próximo a região inguinal, o curativo ficava a poucos centímetros dos genitais avantajados dele. A coxa musculosa e peluda dele havia sido tricotomizada ao redor do ferimento, mas ainda a deixava muito sexy e máscula. Era inevitável olhar para a estaca inquieta revestida por um emaranhado de nervos dentro da cueca quando minhas mãos estavam trabalhando a centímetros dela.
- Suas mãos são tão leves, os dedos longos e finos, o toque tão suave! – dizia o Taygun, enquanto a ereção ia crescendo debaixo da cueca me deixando cheio de tesão. – Você podia aproveitar para cuidar do meu cacete, ele anda tão carente!
- Carente ele vai ficar quando eu o torcer como se torce um pano molhado! Deixa de safadeza, seu... seu... tarado, sem-vergonha! – devolvia eu, fazendo-o rir e ficar mais excitado.
- Duvido que você seja tão cruel! Confessa que você só se ofereceu para cuidar do meu ferimento para ficar mais perto da minha rola. – tripudiava ele, ciente de que havia um fundo de verdade no que dizia.
- Pois fique sabendo que não estou nem um pouco interessado nesse troço! E, se continuar me provocando, vou dar um jeito dele não servir nem para essas vagabundas que você fica correndo atrás.
- Você está com ciúmes delas? Pode confessar, só estamos nós dois aqui! Admita que está louco de vontade de saborear isso aqui. – provocou, erguendo a cueca, o que fez a cabeçorra melada sair pela abertura da perna e espalhar o aroma másculo do pré-gozo.
Dei um tapinha de leve na ereção, com a boca salivando de vontade de chupar aquela chapeleta enorme. Terminei o curativo sob a fiscalização provocante dele e, quando o dei por terminado, ele segurou uma das minhas mãos, levou-a até o volumão que pulsava excitado e esperançoso e a foi introduzindo lentamente sob a cueca, me permitindo sentir o calor e intrepidez daquela carne excitada. Um frenesi se apossou de mim, o cuzinho em êxtase projetava as preguinhas anais abrindo a fendinha como se ela estivesse pronta para aninhar aquela tora de carne grossa.
- Me solta, Taygun! Alguém pode entrar, e você é um safado! – balbuciei, tentando resistir à tentação, ao tesão que me dominava.
- Sou safado sim, e desde que você veio trabalhar com o Hasan fiquei mais safado e louco para te ter em meus braços e entrar em você. – devolveu ele num sussurro tão sensual que aquebrantou minha resistência.
- Bobão, tonto, você está em recuperação, não devia estar pensando nessas safadezas. – afirmei, antes de sucumbir à tentação.
Ele baixou a cueca e me expôs o caralhão e saco taurino. Tomei-o delicadamente nas mãos, e o levei à boca, circundando suavemente meus lábios ao redor da chapeleta babando. O sabor adstringente do pré-gozo me instigou a sorvê-lo, a sugá-lo na origem, no largo buraco uretral por onde ele vazava aos borbotões. O gemido rouco e longo do Taygun se espalhou pelo quarto quando dei a primeira sugada naquele sumo delicioso.
- Tesão do caralho, Serkay! Eu sabia que você ia gostar da minha pica, seu veadinho gostoso! Chupa, tesudinho, chupa que ele é todo seu! – ronronava ele, enquanto eu me empenhava em mamar a verga latejante, percorrendo cada centímetro dela, lambendo beijando, mordiscando a pele e as nervuras saltadas que a envolviam. Com as pontas dos dedos eu massageava as bolas dentro do sacão peludo e o lambia carinhosamente enquanto o caralhão pesado deslizava sobre meu rosto. – Tira a roupa e senta no meu colo, Serkay! Quero meter no seu rabão! Deixa eu enfiar minha pica no seu cuzinho, deixa! – grunhia ele, quase acabando comigo de tanto tesão.
Por sorte não fui tão maluco a ponto de seguir sua sugestão, pois enquanto eu estava terminando de engolir os últimos jatos de porra que o Taygun ejaculou na minha boca, o Hasan bateu à porta do quarto, não nos flagrando por pouco.
- Estou à sua procura há um tempão! Já terminou por aqui? Anda, temos muito o que fazer! – disse o Hasan enraivecido com meu sumiço.
Assim que saímos do quarto ele acertou um bofetão no meu rosto que quase me derrubou, me prensou contra a parede e fechou a mão no meu pescoço. O olhar injetado de raiva não lhe permitia sentir a força com a qual estava me subjugando. Eu gritei. Ele me soltou de imediato. Levei as mãos ao pescoço e inspirei fundo para normalizar a respiração.
- O que estavam fazendo? Deu o cu para ele? Fala, Serkay! Fala, seu moleque depravado, você deu o cu para ele? – exigiu, querendo me agarrar novamente.
- Não, claro que não! Quem o senhor pensa que eu sou? – questionei, tentando me impor.
- Você é meu, seu moleque! Está me ouvindo, você é meu e só meu! Ninguém mais toca em você! – vociferou zangado.
Eu já estava há mais de seis meses morando na casa do Hasan, e até agora a providência divina me ajudou a escapar de um coito indesejado, mas isso não ia durar para sempre. Fosse na empresa ou em casa, um dia ele ia conseguir enfiar aquela estrovenga grossa no meu cuzinho sem que eu pudesse impedir ou me queixar. Afinal, como havia dito a Gizem, éramos propriedade dele, objetos caros para serem exibidos como troféus de seu poderio, dos quais podia dispor como melhor lhe aprouvesse. Em isso acontecendo, eu podia dizer adeus ao meu desejo romântico de me entregar virgem ao homem dos meus sonhos.
Desde a emboscada eu me empenhei em aprofundar minhas investigações quanto aos negócios que o Hasan mantinha fora da holding, ou paralelos a ela, mas que não tinham nenhuma licitude. As amizades que fiz durante a primeira fase do meu emprego, principalmente com os caras que se sentiam atraídos pelos meus atributos físicos notadamente o rabão carnudo que deixava qualquer macho, por mais hétero que fosse, doidinho para meter seu cacete no fundo daquelas carnes proeminentes e rijas, estavam me ajudando nesse propósito. Bastou jogar um pouco de charme, fingir que não dava importância às encoxadas discretas que levava e enaltecer a virilidade de alguns machos para as portas se abrirem e eu conseguir dados e informações que rodavam em sigilo entre poucos funcionários da holding, e que revelavam, sem sombra de dúvida, que havia todo um esquema paralelo aos negócios oficiais, e ligado ao contrabando de armas, que circulavam pela logística das empresas sem despertar suspeitas da polícia, do governo e do fisco. Alguns dos seus sócios nesse negócio ilícito eu até conhecia, pois eram assíduos tanto no escritório da empresa quanto nos jantares e festividades na casa do Hasan ou mesmo na deles, pois cheguei a ser levado pelo Hasan para alguns desses encontros onde ele me exibia e se vangloriava para outros velhotes depravados e poderosos de estar usando meu corpo sexy e tesudo
Eu copiava documentos, fotografava o que poderiam vir a ser provas contra ele, anotava compromissos e reuniões que ele mantinha com esses sócios, tudo na intenção de um dia me ver livre das garras e do domínio dele. Era arriscado, eu sabia, podia simplesmente desaparecer do mapa sem deixar vestígios se ele ou algum daqueles sócios viesse a descobrir o que eu estava fazendo pelas costas dele. O desespero nos leva a cometer desatinos, e era exatamente isso que eu estava fazendo.
Com o completo restabelecimento do Taygun não precisei mais trocar os curativos, porém devo confessar que sentia saudades daquele caralhão cabeçudo e colossal cujo cheiro másculo me deixava tão excitado que o cu não parava de piscar. Ele, ao perceber que logo estaria recuperado, ainda tentou por duas vezes me fazer sentar sobre sua ereção hasteada feito um mastro, isso acabou não acontecendo; não por eu não querer, mas por termos sido interrompidos antes do caralhão deslizar para dentro do meu cuzinho. Na última, foi o Tuan quem nos flagrou momentos antes de eu me sentar sobre o pauzão, o que custou ao Taygun uma repreensão e uma ameaça de demissão.
- Eu ficaria imensamente grato se você se mantivesse afastado dos meus homens, distraindo-os e tirando o foco deles que é garantir a segurança dessa casa e das pessoas que nela habitam. – disse o Tuan quando cruzei com ele na saída do quarto do Taygun.
- Estou enganado ou sinto uma ponta de ciúmes nessa reprimenda? – provoquei, pois apesar de andarmos em pé de guerra, eu não conseguia deixar de imaginar aquele macho me desvirginando com o equipamento enorme e sensual que tinha entre as pernas.
- É mais provável que seja o contrário! – retrucou ele. – Seu corpo não nega a atração que sente por mim, devia ser mais discreto com os desejos que permeiam a sua cabecinha desmiolada. – emendou. Não adiantava, eu nunca ia me dar bem com esse sujeito que se achava o suprassumo dos machos.
As coisas ainda não tinham voltado ao normal em relação aos negócios escusos do Hasan, ele andava tenso, fazia ligações interrompendo reuniões importantes na holding, ou tarde da noite quando em casa. Me mandava sair de perto ou se afastava para conversar com os sócios envolvidos no esquema. No entanto, o fogo que queimava dentro dele não era exclusivamente aquele que o atormentava nos negócios, o do instinto sexual também o tirava do prumo e, quando não conseguia o que queria com a Gizem que estava cada vez mais intransigente, ele vinha atrás de mim feito um garanhão sentindo o estro de uma égua. Foi nessa urgência que veio me procurar certa noite quando a casa já estava mergulhada no silêncio. Era uma noite abafada e eu havia perdido o sono depois de saber que minha mãe precisou ser levada ao pronto socorro com fortes palpitações no peito e passara o dia em observação sendo medicada. Toda vez que me encontrava inquieto, caminhava pelos jardins da mansão, ia até onde o mar batia nas rochas ao sopé da colina gramada, e ficava ali observando a lua e o céu estrelado, ou nas noites nubladas as nuvens que passavam ligeiras carregadas pelo vento, meditando sobre o rumo indesejado que minha vida havia tomado.
Como não me encontrou no anexo, veio ter comigo, pois sabia que eu me refugiava naquele canto do jardim. Levantei-me do banco em que estava sentado tão logo vi sua silhueta se aproximando. Ali, longe dos seguranças, naquele canto pouco iluminado eu era um alvo fácil para seu assédio. Ele me reteve junto ao banco antes de eu conseguir dar os primeiros passos, me envolveu em seus braços e colou a boca na minha, enquanto lutava comigo ao tentar me despir. Infelizmente eu havia vestido apenas uma bermuda de moletom e uma camiseta, e para ele arriar a bermuda não precisou de muito esforço, logo tendo minhas nádegas em suas mãos libertinas.
- Me solta, Hasan! Está me machucando! Você não pode abusar de mim. – dizia eu, tentando me desvencilhar de suas mãos potentes.
- Eu posso tudo, Serkay! Você tem fugido de mim há meses, mas de hoje não passa. Vai me satisfazer conforme nosso contrato. Vou foder esse cuzinho apertado até estourar todas suas preguinhas! – ameaçou, enquanto sussurrava e chupava meu pescoço e ombros.
Fui tomado por uma tremedeira generalizada, e quando ele conseguiu me inclinar sobre o banco jogando seu corpão pesado sobre o meu, eu soube que minha virgindade estava com os minutos contados. Ainda me agitei debaixo dele, mas quando senti o caralhão dele deslizando ao longo do meu rego e a cabeçorra forçando a portinha do meu cu, fechei os olhos, me agarrei ao banco e gani antes mesmo do pauzão entrar em mim.
- Senhor Hasan! – a voz grossa e ligeiramente rouca do Tuan ecoou atrás de nós e imediatamente o Hasan se levantou guardando o cacete melado na calça.
- Porra do caralho, o que é agora? – berrou contrafeito, por mais outra tentativa frustrada. – Será que não se consegue ter um minuto de paz nessa casa? O que foi, Tuan? Espero que seja algo urgente. – acrescentou, sem conseguir esconder a ereção na calça.
- E é! Muito, para ser mais preciso! Está aí o delegado geral da polícia, ele quer ter uma palavrinha com o senhor! – disse o Tuan, que não tirava o olhar arregalado das minhas nádegas nuas.
- O que esse filho da puta pode querer a essa hora? Vamos, vamos ver o que há de tão urgente para esse sujeito vir me aporrinhar em casa. – retrucou possesso o Hasan
- Vai precisar de mim? – perguntei, ainda tremendo por quase ter sido enrabado.
- Acha que ainda preciso de você, nessa condição? – devolveu me mostrando a ereção amolecendo. – Talvez mais tarde, vá para o seu quarto e fique lá! – ordenou.
Vai nessa que eu vou ficar por fora dessa, pensei com meus botões, ao segui-los a uma distância segura para não ser visto. Trancaram-se no escritório, mas não baixaram o tom de voz de modo que pude ouvir toda a conversa. Dos quatro sujeitos que participaram da emboscada dois saíram ilesos, mas os outros dois foram atingidos pelos disparos do Suat e do Taygun, um com mais gravidade tentou fugir a pé pela calçada mas não foi longe tombou no quarteirão seguinte sem vida, o outro com dois tiros no abdômen foi levado a um hospital a pouco mais de cem quilômetros de Istambul onde foi encontrado pela polícia. Pressionado, ele deu o serviço. A ordem da emboscada havia partido de um dos sócios do Hasan, um velhote asqueroso chamado Necip que eu conhecia do escritório e da casa onde ele havia dado uma festa no aniversário da esposa. Foi um primo dele que o Hasan mandara eliminar naquela ligação com o tal Yavuzcan às quatro da madrugada quando tentou me enrabar pela primeira vez, ao ordenar que o fizesse pagar por seu erro. O erro do sujeito foi fazer com que todo um carregamento de armas fosse descoberto e apreendido pela polícia alfandegária no Porto de Samsun quando seguia para um comprador em Krasnodar na região do Mar Negro, gerando um prejuízo milionário e a desconfiança do comprador russo, outro notório empresário mafioso envolvido em falcatruas. A simples menção do nome Yavuzcan me fez grudar ainda mais o ouvido na porta do escritório, pois eu havia conseguido o número do celular desse sujeito e tinha fortes indícios de ser tratar de um capanga do Hasan no alto escalão do esquema de contrabando. Aos poucos, eu estava conseguindo juntar as peças do quebra-cabeças e tinha um desenho quase completo com nomes, lugares, funções e logística do transporte dessas armas. De tão entretido em ouvir mais detalhes da conversa, não reparei quando pararam de falar e só vi que ia ficar enrascado quando a maçaneta da porta girou e ela se abriu, mal me dando tempo de correr e me esconder atrás de uma das portas abertas da sala principal que dava para a ala de serviço. Eles passaram por mim e o Hasan acompanhou o delegado até a saída despedindo-se dele como se fosse um velho amigo, o que me fez suspeitar que o delegado estava envolvido no esquema.
Com o pensamento a mil remoendo minhas desconfianças e descobertas, só senti a mãozona do Tuan se fechando ao redor do meu braço, me arrancando do esconderijo e me empurrando na direção da cozinha imersa na escuridão.
- Sabia que bisbilhotar pode ser bastante perigoso, moleque? Esteve ouvindo toda a conversa, não foi? – perguntou o Tuan, irado e não medindo a força com a qual estava me subjugando.
- Mas também pode ser o passe do qual preciso para sair dessa casa e desse emprego! – devolvi, empurrando-o para longe. – Como descobriu onde eu estava escondido? – perguntei, pois ele veio direto para mim quando a reunião acabou.
- Da próxima vez que quiser se esconder e passar despercebido, trate de não passar esse perfume na pele, já que ele é sua marca registrada e denuncia toda sua sensualidade. – respondeu sorrindo maliciosamente.
- Virou perdigueiro também? Que eu saiba quem fareja os outros são os perdigueiros! – devolvi
- Não sei se você faz ideia do quanto seu perfume excita os homens, completando o que essa bundinha carnuda já faz por si só! – exclamou, dando um passo à frente e me encurralando contra a porta da cozinha.
Eu me preparava para dar uma resposta enviesada, mas diante daquele olhar viril resolvi não provocar. Ele estava tão próximo que dava para sentir o calor do corpo dele, aliado a isso tinha aquele olhar, aquela barba por fazer, aquela boca pela qual saía o hálito morno de sua respiração. Minhas pernas tremiam, meu coração pulava dentro do peito, meu cuzinho se contorcia em espasmos. Como eu queria roçar de leve meus lábios naquela boca, como eu estava morrendo de vontade de cofiar com as pontas dos dedos aquela barba máscula, como eu gostaria que ele arriasse a minha bermuda ali mesmo e se apossasse de mim até eu me render ao seu domínio. Era exatamente isso que me fazia sentir tanta raiva dele, essa vontade quase irresistível de dar o cuzinho para ele, de aninhá-lo dentro de mim, quando ele parecia não querer outra coisa senão me tratar como se eu fosse um moleque irresponsável.
- Obrigado! – agradeci tímido, por ele ter chegado no momento exato e impedido que o Hasan me fodesse no banco do jardim.
- Está me agradecendo pelo quê? – perguntou, fingindo não saber do que se tratava.
- Por eu ainda estar virgem! – exclamei sincero, o que o deixou visivelmente excitado.
- Não tem de quê! – devolveu, antes de eu pousar um beijo sutil em seu queixo anguloso que pinicou meus lábios e seguir para o quarto na casa de hóspedes para me deitar visto estarmos nas primeiras horas da madrugada. Não precisei me virar para saber que havia um sorrio abobalhado naquele rosto viril que ia me tirar o sono.
A visita do delegado deixou o Hasan com os nervos à flor da pele. Ele perdia as estribeiras e berrava colérico por qualquer coisa, o que só comprovava que havia algo de muito errado acontecendo em seus negócios paralelos. Simultaneamente, as ligações do tal Yavuzcan se multiplicavam, como pude constatar algumas vezes ao ver o nome dele na tela do celular do Hasan, fazendo-o largar tudo para atender as ligações enquanto se afastava e ficava gesticulando ao extravasar a raiva que estava sentindo.
O dia havia sido puxado na holding devido aos inúmeros compromissos que o Hasan tinha agendado. Além disso, agentes do Fisco apareceram de surpresa querendo examinar o departamento financeiro, o que o deixou furioso e bufando feito um touro bravio. Tive que correr até o departamento para alertar o diretor enquanto o Hasan os distraía ganhando tempo para que documentos e registros nos computadores pudessem ser alterados ou simplesmente desaparecer. Com todo esse tumulto, acabamos saindo tarde e chegando em casa passado das 21:00h. Eu estava fazendo um lanche na cozinha na companhia do Bekir, da Ceren e da senhora Türkü quando o Hasan entrou intempestivo, ainda falando ao celular.
- Você vai para Samsun, agora! Mande preparar o jatinho e avise o Tuan, ele vai com você! Anda moleque, mexa-se, não fique me olhando com essa cara apaspalhada, a coisa é séria! – ordenou alterado.
- Sim senhor! Ainda hoje? – deixei escapar sem pensar, de tão nervoso que fiquei.
- Não! Na semana que vem, ou melhor, nas suas férias eternas! É claro que é para hoje, para agora, moleque! – berrou ele, deixando todos tão assustados que ninguém ousou encará-lo.
- Sim senhor, estou indo agora mesmo! – gaguejei
- E já está atrasado!
Corri na direção da casa de hóspedes para avisar o Tuan e pegar alguns pertences pessoais, pois não sabia se voltaríamos dentro de algumas horas ou se precisaria ficar na cidade por mais tempo. De tão estabanado e querendo ser ligeiro, fui adentrando ao quarto dele sem bater e sem me anunciar. Deparei-me com ele saindo do banheiro se enxugando peladão e incrivelmente sexy; por uns segundos até esqueci o que vim fazer ali, enquanto meu olhar não conseguia enxergar nada além daquele caralhão enorme, reto, grosso e cabeçudo que balançava pesado entre suas coxas musculosas. Tive que engolir em seco para continuar.
- Apresse-se, temos que voar para Samsun agora! Já mandei prepararem o jatinho e temos que correr até o aeroporto. – consegui dizer, sem desviar um segundo sequer o olhar daquele corpão sensual e viril.
- Vamos respira fundo e fala mais devagar, ou vai acabar tendo um troço!
- Não tenho tempo a perder, o Hasan está subindo pelas paredes e eu ainda preciso falar com ele no escritório. Ele está me esperando para dar algumas instruções. – desatei a falar, cada vez mais confuso e atordoado com aquela visão dos genitais majestosos.
- Talvez se você parar de encarar minha pica como se nunca tivesse visto uma, conseguiria se acalmar e falar coisa com coisa! – exclamou ele; sem, no entanto, cobrir seu sexo taurino.
- Cobre esse troço enorme! Só está me deixando ainda mais nervoso! – devolvi, o que o fez rir.
No escritório o Hasan caminhava de um lado para o outro, trotando feito um cavalo xucro. Ao me ver, pegou meu braço e me arrastou para dentro fechando a porta. Quase me derrubou sobre a escrivaninha, tamanha a força que empregou.
- Haverá um carro esperando por vocês no aeroporto de Samsun, ele os levará até o porto. Chegando lá, você vai se dirigir até um galpão no Cais 5. Está prestando atenção, moleque, no Cais 5, não se esqueça! Lá você vai perguntar por um homem chamado Yavuzcan, guardou o nome? Yavuzcan! E vai entregar nas mãos dele pessoalmente esta maleta, só pode ser nas mãos dele, está me entendendo, Serkay? Até completar a entrega não tire os olhos dessa maleta, está ouvindo? É para isso que o Tuan está indo com você, para garantir a segurança dessa maleta. Feita a entrega ligue imediatamente para mim, não importa a que horas seja, entendeu? Mande que o Yavuzcan também me ligue, confirmando a entrega. Agora vá, suma da minha frente! – descarregou verborrágico.
- Uma pergunta, senhor!
- O que foi agora, moleque? O que foi que você não entendeu? – questionou zangado.
- Como vou reconhecer esse Yavuzcan, se nunca o vi?
- É por isso que eu gosto de você, garoto! Por isso e por esse tesão de bunda que eu vou enrabar na primeira oportunidade! Aqui, olhe bem para essa fotografia, esse é o Yavuzcan, memorizou? – respondeu, me mostrando a cara do sujeito na tela do celular.
A 39000 pés de altitude e 910 Km/h varávamos o céu noturno a bordo do Cessna Citation Plus. O Tuan havia se acomodado no assento ao lado do meu, apesar de haverem outros oito vagos na cabine luxuosa. Ao contrário de mim, ele estava relaxado, tinha reclinado o encosto da poltrona e cruzado as mãos sobre o abdômen, fechado os olhos que, no entanto, continuavam tão vigilantes como sempre.
- Você precisa aprender a relaxar, ou não vai viver muito! – disse ele, sem abrir os olhos ou sequer olhar na minha direção.
- E eu gostaria de saber como você consegue ficar nessa calma toda sabendo que estamos numa missão quase suicida? – devolvi, com os braços apoiados sobre a maleta que estava no meu colo.
- O que te faz pensar que estamos numa missão suicida?
- Nada, esquece o que falei! Eu falo demais, esse é o meu problema.
- O que sabe sobre essa maleta, e sobre esse sujeito a quem vamos entregá-la?
- Nada! Não sei nada! Não me faça perguntas, apenas continue dormindo que dá mais certo! – respondi, ao que se seguiu um longo silêncio, com o ronco abafado das turbinas ao fundo.
- Essa tremedeira toda é por causa da missão ou pelo que viu quando foi me chamar? – perguntou ele.
- Como sabe que estou tremendo?
- Dá para sentir a agitação do seu corpo!
- Concentre-se no que temos a fazer, não em mim! – retruquei
- Ainda estou esperando pela resposta! Essa tremedeira é pela missão ou por ter me visto pelado? – insistiu, esboçando um discreto risinho
- Você é o sujeito mais irritante que já conheci, sabia! Eu vou sentar noutra poltrona! – retruquei exasperado por ele saber que fiquei impressionado com seu dote cavalar e a virilidade de seu corpo.
Assim que me levantei da poltrona para passar por ele, fui puxado para o colo dele, senti a mão se fechando na minha nuca e trazendo meu rosto para junto do dele. Foi um beijo impetuoso, quente, voraz, com a língua tocando a minha úvula enquanto suas mãos deslizavam pelo meu tronco atiçando meus sentidos e desencadeando um tesão incontrolável. Abri as pernas e me acomodei em seu colo, afagando com as pontas dos dedos aquela barba que tinha a capacidade de embaralhar todos meus pensamentos, e retribuí o beijo molhado com o qual ele capturava meus lábios entre os dentes. Foi a primeira vez que perdi o controle com um homem, que senti algo tão forte vibrando dentro de mim. Enquanto a mão do Tuan escorregava para dentro da minha calça em direção ao rego, eu só pensava em beijar aquele macho com todas as minhas forças e carinho. Pulei do colo assim que senti a rigidez da ereção dele roçando minha bunda, pois sabia que se continuasse nos braços dele, em questão de minutos aquele cacetão estaria rasgando minhas preguinhas e eu gemendo alucinado pedindo mais.
Uma névoa baixa pairava sobre o porto. Nunca senti tanto medo quanto no momento em que o carro parou diante do portão metálico do Cais 5, eu sabia que estava para me encontrar com um criminoso perigoso e astuto. O Tuan notou meu receio e pegou minha mão fria entre a dele, quente e forte. Entramos por uma porta menor ao lado do portão, uma meia dúzia de sujeitos parou de colocar umas caixas de madeira na traseira de uma van fechada, passando a nos encarar.
- O senhor Yavuzcan, por favor! – pronunciei, numa voz tremida
- Sou eu! Você deve ser o Serkay, certo? – disse o sujeito de aparência truculenta e nariz adunco que imediatamente reconheci pela fotografia que o Hasan havia me mostrado. – Já haviam me dito que você era um moleque de beleza ímpar e que o Hasan o tinha como um peguete, agora consigo entender por que ele perdeu a cabeça por sua causa. – acrescentou, o que fez a cara do Tuan ficar carrancuda.
- Ele me mandou entregar isso! – exclamei, entregando-lhe a maleta. – Preciso avisá-lo que a entrega foi realizada, e ele me pediu que o senhor fizesse o mesmo assim que a maleta estivesse em suas mãos.
Afastei-me um pouco do sujeito ao fazer a ligação para o Hasan. Não trocamos mais do que três ou quatro frases, mas eu continuei fingindo estar conversando enquanto filmava o galpão, os homens carregando as caixas e a maleta nas mãos do Yavuzcan, além de dois sujeitos que apareceram do nada e tinham crachás da polícia alfandegária nos bolsos das camisas; aquilo podia significar a minha libertação. Ele ligou em seguida para o Hasan.
- Questão resolvida! O carregamento segue ainda hoje para o comprador! Ouvi o Yavuzcan mencionar, antes de ele se despedir de nós, vindo tomar minha mão entre as dele, me encarar como se quisesse me foder ali mesmo, e a cobrir a sensualidade dos lábios com um beijo impudico. – Foi um prazer te conhecer, Serkay! Espero poder revê-lo mais vezes, uma vez que temos o mesmo patrão! - exclamou. Notei que faltou pouco para o Tuan voar no pescoço do sujeito, por isso caminhei na direção dele, toquei seu bíceps e seguimos em direção ao carro.
Estava quase amanhecendo quando chegamos em casa e o Hasan me aguardava no escritório, ainda impaciente, mas bem mais relaxado do que quando partimos.
- Tudo certo, moleque! Você não sabe o enorme favor que acabou de me fazer! – expressou com gratidão ao vir me abraçar.
- Só fiz meu trabalho, senhor! – devolvi
- Estou com muito tesão, Serkay! Quero e preciso meter a rola no seu cuzinho, ou vou enlouquecer! Essa sua eficiência me excita! – acrescentou, ao me amassar contra seu tronco maciço.
- Ainda precisa de mim? – perguntou o Tuan, surgindo de súbito à porta do escritório, o que fez o Hasan me soltar no mesmo instante.
- Não! Não preciso! E obrigado, Tuan, por garantir a segurança do Serkay! – respondeu contrariado, por ter que adiar mais uma vez o coito pelo qual tanto ansiava. Eu respirei aliviado, escapei mais uma vez, e sabia que não tinha sido por mero acaso quando vi o brilho nos olhos do Tuan. – Vão descansar, está tarde! E não se preocupe em aparecer no período da manhã, Serkay, só vou para a empresa no meio da tarde. – acrescentou.
O Tuan e eu seguimos para a casa de hóspedes caminhando lado a lado em silêncio, apesar de haver tanto a ser dito. Antes de entrar no meu quarto me virei para ele.
- Obrigado! Mais uma vez, muito obrigado! – balbuciei cheio de gratidão.
- Descanse, você mereceu! – respondeu ele, quase entrando em seu quarto, mas olhando para mim de um jeito como nunca olhou.
Fechei a porta do meu quarto e me encostei nela, estava tão agitado que seria impossível pegar no sono. O beijo lascivo no avião, o sujeito truculento no porto, o medo que senti, a carga de contrabando que nem precisei ver com os próprios olhos para saber o que aquelas caixas continham, tudo continuava passando pela minha mente, enquanto eu me despia exaurido. A porta do quarto se abriu num rompante; sem camisa, o Tuan praticamente se atirou sobre mim, me lançou na cama e cobriu minha boca com a tara da dele. Envolvi meus braços naquele torso quente e sólido, abri a boca e deixei a língua dele me invadir. Tive a cueca arrancada pelas mãos sôfregas dele, e as nádegas apalpadas e amassadas, me fazendo soltar um longo gemido licencioso. Ele apartou as bandas, as beijou e mordiscou, fez a ponta da língua percorrer o fundo no meu reguinho o que me arrepiou todo quando senti os pelos da barba dele pinicando minha pele sensível.
- Ai, Tuan! – gemi excitado quando ele começou a lamber as preguinhas do meu cu.
Ele grunhia, falava sacanagens sem parar de lamber meu cuzinho, me deixando tão excitado que fui empinando a bunda me oferecendo feito uma cadela no cio. Soltei outro gemido quando senti o polegar dele entrando no meu cuzinho e explorando sua elasticidade. Era o sinal que ele precisava para saber que eu estava pronto para receber sua verga grossa que ia detonar aquela fendinha estreita às custas de muita dor antes de sobrevir o prazer.
- Quero te foder! – ronronou ele, numa frase que eu ouvia se repetindo muitas vezes de uns tempos para cá.
- Me penetra, Tuan! Entra em mim e deixe eu te sentir! – sussurrei consumido pelo tesão.
Ele terminou de se despir e eu avancei sobre o caralhão à meia bomba gotejando sua excitação. Envolvi-o numa das mãos e caí de boca na chapeleta lustrosa, lambendo e sugando aquele néctar cheiroso que ela vertia. Ele gemeu rouco, pronunciou meu nome e enfiou a pica na minha garganta me sufocando até eu espalmar minhas mãos em suas coxas peludas. O sabor daquele visgo era único, delicioso, inebriante. Mamei o cacetão pesado que roçava meu rosto à medida em que minhas lambidas e chupadas rumavam em direção ao sacão para abocanhar e massagear as bolonas que deslizavam dentro dele. O Tuan abria as pernas e se deixava chupar, lançando a cabeça para trás em êxtase e grunhindo meu nome. Ao pressentir o gozo iminente, ele agarrou meus cabelos, puxou minha cabeça para trás, pincelou o cacetão ao redor da minha boca e soltou um urro, ao meter a cabeçorra na minha boca e ejacular dentro dela. Os dois primeiros jatos foram tão fortes e volumosos que quase me engasguei antes de os engolir. Encarei-o com doçura ao notar a satisfação estampada em seu semblante, e fui engolindo a porra densa e leitosa saboreando excitado cada jato esporrado.
- Moleque tesudo da porra! Não é à toa que a macharada anda louca para transar com você! Você é tão sensível e determinado ao mesmo tempo que não há como não sentir um tesão incontrolável por você! – afirmou, enquanto se despejava todo, observando como eu me deliciava com seu sêmen cremoso.
Ficamos largados e esparramados sobre a cama, o tesão crescendo, a necessidade de mais toques, de mais beijos nos levando a um contato corporal cada vez mais intenso. Eu acariciava os redemoinhos de pelos de seu tronco, beijava o abdômen trincado dele, voltava para seu rosto e o cobria de beijos úmidos. De tempos em tempos fazia uma das mãos escorregar pela virilha pentelhuda e afagava o caralhão e as bolonas do saco, só para saber se já estavam voltando a endurecer para eu lhe entregar meu cuzinho virgem. Ele me envolvia em seus braços musculosos e vigorosos, me encarava cheio de tesão e ternura, descia os beijos e os chupões pelo pescoço, ombros e abocanhava meus mamilos, cravando os dentes com força até me ouvir gemer, e tracionando os biquinhos salientes e rijos até eles estarem inchados e sensíveis.
Ele foi se inclinando lentamente sobre mim, seu olhar expressava o desejo que as palavras não pronunciavam. Abri e ergui minhas pernas para ele se encaixar no meio delas, acariciei os músculos enormes de seus braços, sorri como que pedindo por ele, soergui os quadris e lhe franqueei o acesso ao cuzinho.
- Ah, Serkay! Você vai ser meu, esse buraquinho vai ser meu! – ronronou ele com o cacetão trincando de tão duro.
- Sou todo seu, meu macho! – devolvi, afagando o rosto dele
De tão excitado que eu estava meu cuzinho se projetou para fora, as preguinhas intumescidas e rosadas eram atiçadas por espasmos incontroláveis, o simples toque da glande estufada do Tuan me fez reter a respiração e soltar um suspiro em meio ao arrepio que percorreu minha coluna. Ele forçou a portinha apertada, eu me agarrei aos bíceps dele e a cabeçorra varou os esfíncteres me fazendo soltar um grito. Ele estava dentro de mim, empurrando vagarosamente do caralhão para as profundezas daquela maciez aconchegante, me encarando alucinado e sorrindo com a mesma doçura que eu o recebia nas minhas entranhas. A virgindade se foi, tal qual em meus sonhos, com um macho pelo qual já sentia uma paixão avassaladora e inconfessa. Ao sentir o sacão dele encostando no meu rego aberto, um frenesi percorreu meu corpo e comprimiu a musculatura da pelve me fazendo gozar como jamais havia gozado antes. A porra jorrou do meu pinto me fazendo sentir flutuar nas nuvens, num prazer que jamais imaginei existir.
- Tuan! – sussurrei baixinho num suspiro longo. Ai meu cuzinho, macho! – exclamei, sentindo as preguinhas se dilacerando numa dor prazerosa.
Ele começou metendo devagar e com cuidado, mas à medida que o tesão passou a controlar seu instinto, ele estocou com força extravasando sua potência de macho e arregaçando meu rabo estreito. Cada gemido meu o deixava mais ensandecido, a tara o dominava e tudo o que ele queria era a posse completa e irrestrita daquele casulo úmido e quente que apertava sua pica.
- Está me deixando maluco com esses gemidinhos, seu veadinho tesudo! Me chama de seu macho outra vez, chama! Repete que sou seu macho, que esse cuzinho é todo meu, repete! – grunhia ele, enquanto socava fundo em mim num vaivém cadenciado.
- Você é meu macho, Tuan! Meu cuzinho é seu, eu sou todo seu! – devolvi, atendendo ao pedido libidinoso dele.
Ele cobriu minha boca com um beijo molhado, enfiou a língua dentro dela, enquanto eu arranhava suas costas suadas, erguia a pelve para o cacetão penetrar mais fundo em mim numa entrega total. Ele foi tomado por um estremecimento, parou de bombar meu cuzinho e deu umas estocadas potentes, me obrigando a ganir, e se despejou no meu rabo arregaçado urrando de prazer até o inundar com sua virilidade leitosa.
Demoramos a nos soltar, os corpos pareciam ter se fundido durante o coito prazeroso e sentiam como se, a partir dali, não pudessem mais subsistir sem a presença e toque do outro. O Tuan acariciou meu rosto enquanto eu ainda sentia os pinotes do pauzão dele amolecendo no meu cuzinho.
- Nunca senti nada parecido por outra pessoa, Serkay! – confessou, me encarando.
- Nem eu, Tuan! Nem eu! É assustador, se quiser saber! – devolvi, receoso de perder aquele homem e me ver só como vivi até então.
Peguei no sono com ele me abraçando, os pelos do tórax roçando minhas costas, a respiração acariciando minha nuca, o falo grosso dentro de mim e aquela umidade pegajosa e quente formigando aderida a mucosa anal esfolada e sensível. Foi como um ninar idílico.
Passava do meio-dia quando acordei sozinho na cama, tateando sonolento para ver se encontrava o corpão sexy dele. O espaço ao meu lado estava vazio, um vazio que doeu. Fui saindo da sonolência aos poucos, conferindo as horas sem aquele agite costumeiro, uma vez que o Hasan havia dito que só iria para a empresa à tarde, sentindo o estômago protestar de fome, constatando uma pequena mancha de sangue no lençol onde o Tuan tirou meu cabaço. Passei os dedos sobre ela e meu peito foi invadido por uma felicidade inigualável. Sob a ducha, ao lavar o rego, a ardência no cuzinho se intensificou redobrando aquela felicidade na qual estava imerso.
Enquanto estava me vestindo, percebi que meu laptop estava fora do lugar de costume, que algumas gavetas não estavam bem fechadas, que o quarto, assim como a saleta estavam um tanto quanto revirados, como se alguém tivesse vasculhado procurando alguma coisa. No instante em que uma luz se acendeu na minha mente – os documentos que copiei no financeiro da holding, as fotos que fiz no galpão do Cais 5 no celular, a lista de sujeitos com os quais eu desconfiava que o Hasan tinha negócios ilícitos, o pen-drive onde tudo isso estava armazenado – fazendo bater um desespero sem igual. Tudo havia sumido. Meses de investigação juntando provas que podiam me devolver a liberdade, tudo perdido.
Corri para o quarto do Tuan. Vazio, nada que pudesse lembrar que alguém esteve hospedado nele. A felicidade em meu peito dando lugar a um sentimento doloroso. Traição. O choro veio com a intensidade de uma erupção vulcânica. A entrega generosa da minha virgindade ao homem errado, a sensação de uma ingenuidade burra, a culpa por ter deixado o coração, ao invés da razão, conduzir meus atos, tudo se somava nesse choro convulsivo. Enganado pelo primeiro homem que não só aninhei em mim, mas também acolhi com paixão. Não, eu estava confundindo as coisas, tirando conclusões precipitadas, o Tuan não faria isso comigo, não depois dessa noite maravilhosa que passamos abraçados, devia haver uma explicação para ele não estar em nenhum lugar da casa de hóspedes.
Fui direto ter com o Suat e o Taygun, eles deviam saber onde seu chefe estava. Não sabiam. O Taygun me encarou com um sorriso saudosista e safado. Minha boca trabalhando carinhosamente seu falo depois de cada troca de curativos ainda estava bem viva em sua mente. O Suat tinha aquele olhar cobiçoso de quem sabia do prazer que proporcionei ao colega, e já não se preocupava mais em disfarçar as ereções que minha proximidade lhe causava.
- O Tuan pediu demissão esta manhã! – respondeu o Suat
- Como assim, pediu demissão? Por quê? O que aconteceu? Quando foi isso? – minha mente era metralhada pelas perguntas.
- Não sabemos! Foi logo cedo, ele nem tomou o café da manhã como de costume. Ficou conversando rapidamente com o senhor Hasan no escritório e depois veio se despedir de nós, já com a notícia consumada. – disse o Taygun. – Ele não te disse nada, vocês viajaram juntos na noite passada? Por que está tão interessado no paradeiro dele? Rolou alguma coisa entre vocês dois?
- Ora, porque! Porque ... porque não o vi em seu quarto, porque as coisas dele não estavam lá! – respondi, sob a pressão do interrogatório. – O que podia ter rolado entre nós? Nada! Que pergunta mais descabida! – protestei, deixando-os quase certos de o Tuan andar me enrabando, já que era só nisso que os machos daquela casa pensavam.
O Hasan não foi só mais evasivo em suas respostas quando lhe perguntei pelo Tuan, como se mostrou indignado com a pergunta.
- Ele pediu demissão, foi só isso! Deve ter tido seus motivos! Ainda tentei aumentar o pagamento dele, mas ele recusou, alegando questões pessoais. – respondeu. – O que está me deixando intrigado é esse seu interesse repentino por ele. Viviam às turras até poucas semanas atrás e, depois da viagem de ontem você me parece bastante entusiasmado por ele. Aconteceu algo nessa viagem a dois que eu deva saber? Talvez você ter se mostrado bem carinhoso, quem sabe até se deixando seduzir pelos atributos físicos dele. – insinuou.
- Que absurdo! Eu só perguntei por que .... por que .... bem, por que é minha função acioná-lo toda vez que o senhor precisa dos seguranças. – respondi atrapalhado.
- Não se esqueça de quem é seu chefe e, principalmente, de quem é o único macho nessa casa a quem você tem obrigação de servir. – retrucou, vindo apertar meu queixo, me encarando com um olhar dominador. – Vá se preparar, saímos dentro de duas horas para a empresa. – ordenou, ao me puxar contra seu corpanzil metido num robe aberto que deixava à mostra o pauzão grosso, e para onde levou um das minhas mãos.
Tinha tudo para ser uma tarde de expediente tranquilo, a agenda com apenas dois compromissos, o Hasan num de seus raros dias de bom-humor, muito provavelmente pelo sucesso no despacho da carga do Cais 5, uma excitação que o fazia apertar a pica com frequência e olhar na minha direção como se eu fosse um cordeirinho perdido no campo. Tudo desandou durante a segunda reunião com o diretor e os gerentes da área comercial. Eu estava bem ao lado dele e vi quando o celular tocou mostrando o nome Yavuzcan na tela. Ele levantou e se afastou até os janelões de onde se avistava a Boğaziçi Köprüsü, a ponte sobre o Bósforo que liga o lado europeu ao lado asiático de Istambul.
- Fora! Todos fora! Agora! Sumam daqui! – os berros furiosos fizeram a reunião acabar em segundos e as pessoas correrem em direção a saída sem olhar para trás. – Você fica, moleque! – emendou, quando eu seguia o fluxo.
Ele berrava colérico ao telefone, socava as paredes e tudo o que estava ao seu redor, veio na minha direção e eu pensei que seria o próximo a ser atingido por aqueles punhos, dando uns passos atrás para correr se ele chegasse mais perto.
- O que foi que aconteceu na porra daquele galpão do Cais 5, moleque? Anda, me conta tudo o que aconteceu na porra daquele lugar! – exigiu gritando.
- Eu ... eu fiz o que o senhor mandou, só isso! Entreguei a maleta nas mãos do homem chamado Yavuzcan e liguei imediatamente para o senhor, depois pedi que ele fizesse o mesmo, como me ordenou. – despejei apavorado.
- Quem mais estava lá? Responde, moleque, não tenho tempo a perder!
- Bem, eu não sei direito. O Tuan e eu, o Yavuzcan, é lógico, e mais uns cinco ou seis homens, carregadores do porto, eu acho, pois foram eles que colocaram umas caixas de madeira na traseira de uma van, ou vice-versa, não lembro direito. – respondi.
- Ninguém mais? Tem certeza de que não havia ninguém mais na merda daquele lugar?
- Acho que não! Não vi ninguém além desses que mencionei.
- Acha ou tem certeza, fala moleque?
- Eu tenho certeza, eu acho, senhor Hasan! Por favor, eu estou ficando confuso! Não vi nada além do que contei, eu juro! – exclamei, temendo que a raiva dele fosse cair em cima de mim. Pensei em perguntar por quê, se tinha acontecido alguma coisa, mas me calei para não virar o alvo daqueles punhos.
- Livre-se de tudo, Yavuzcan! Dê um jeito e livre-se de tudo o mais rápido possível! Em último caso, veja bem, só em último caso, deixe tudo no porão da casa de campo em Gocek, até eu ter tempo de resolver onde guardar tudo em segurança. – ordenou ao telefone.
A porta da sala de reuniões voltou a se abrir num só golpe quando o Hasan ainda estava ao telefone, e um bando de policiais começou a se espalhar pelo ambiente. Um sujeito enorme trajando um terno que parecia estar no comando, arrancou o celular da mão do Hasan e o mandou sentar. Um policial uniformizado veio por trás de mim, levou meu braço às costas e o torceu me fazendo soltar um gemido quando senti os ossos estalando.
- O senhor está preso, senhor Hasan Aksoy Karal! É finalmente um prazer colocar as mãos num dos chefes do maior esquema de contrabando de armas da Turquia. – disse o sujeito, esboçando um sorriso de vitória.
- Não faço ideia do que está falando! Em seu lugar eu pensaria duas vezes antes de fazer uma acusação leviana à minha pessoa. Parece desconhecer quem eu sou. Basta um telefonema para eu acabar com a sua carreira. – ameaçou o Hasan, não se intimidando pelo aparato policial que o cercava.
- Engula a soberba, senhor Hasan! O senhor não está em condições de ameaçar ninguém! Todos os seus negócios escusos e os dos seus sócios foram descobertos e estão amplamente documentados com provas irrefutáveis. O senhor vai para a cadeia, senhor Hasan! Lá poderá ameaçar quem quiser! – retrucou o sujeito que, num relance rápido na minha direção, constando que eu estava mais pálido que um defunto, mandou o policial me soltar. – Tragam um pouco de água para esse garoto antes que desmaie! – ordenou. – Sente-se! Está tudo bem, ninguém vai te fazer mal, só vou precisar do seu depoimento, depois estará liberado. – afirmou, pousando a mão pesada sobre meu ombro.
Havia anoitecido quando meu depoimento terminou na sede do departamento de polícia. Eu estava exausto. Por um lado, estava feliz por não ter sido indiciado como cúmplice ou algo parecido nos negócios ilícitos do Hasan e começar a vislumbrar a minha liberdade daquele patrão opressor. Por outro, havia um estranho sentimento de abandono, de estar desempregado, da minha carreira ter se perdido enquanto eu fazia um trabalho muito aquém da minha capacidade para o homem que só queria usar meu corpo para satisfazer suas taras sexuais; que se juntava ao sentimento de haver sido traído pelo primeiro e único homem com quem imaginei ter um futuro de paixão e amor.
Quando fui buscar meus pertences na mansão, agora desprovida daquele batalhão de seguranças e funcionários, apenas vigiada por duas viaturas e alguns policiais, fui interpelado pela Gizem. Ela me abraçou assim que me viu, começou a chorar e a me agradecer.
- Obrigado! Obrigado por ter vindo a essa casa e me livrar desse cativeiro! Sei que não o recebi bem, que te julguei errado, que fui perversa em diversas situações, me perdoe por isso! A sua vinda a essa casa acabou mudando nossos destinos, pois sei que você foi tão vítima daquele homem quanto eu. Estamos livres, parece até um sonho! – sentenciou ela.
- Não tive nada a ver com a prisão do Hasan! Foi ele mesmo quem cavou a própria cova! Porém, não nego que estou feliz por sair dessa casa, por recuperar a minha liberdade, por não estar mais sob aquele contrato opressor que fui obrigado a selar. Espero que você encontre a felicidade, Gizem! Não guardo magoas suas, esteja certa! – devolvi sincero.
Antes de partir, fui à cozinha me despedir da senhora Türkü, da Ceren e do Bekir que estavam tão preocupados com seu futuro quanto eu. Não fiquei sabendo do paradeiro do Suat e do Taygun, - apenas recebi das mãos do Bekir um bilhete que haviam me deixado – Não pense que vamos nos esquecer de você, desse tesão de corpo, dessa sua bunda onde ainda sonhamos meter nossas picas e te fazer sentir o que é um macho de verdade – estava escrito no pedaço de papel com uma letra corrida. Precisei rir, aqueles dois eram os tarados mais simpáticos e gentis que já conheci e, não tivesse eu me resguardado tanto para alguém que julguei ser o homem da minha vida, certamente teria tido ótimos e prazerosos momentos com aqueles pauzões atolados no meu cuzinho.
Sem emprego, tendo de recomeçar minha carreira, voltei a morar com a minha família. Eles estavam em festa com meu retorno depois de temerem pela minha segurança trabalhando para aquele empresário inescrupuloso, especialmente depois da emboscada que sofremos. O tio Aziz era o único que sabia que eu estava juntando provas dos negócios ilícitos do Hasan, e chegou a me orientar com seus conhecimentos da época em que foi militar, como agir para obter essas provas sem colocar a minha vida em risco. Ele ainda se mantinha ativo apesar da aposentaria compulsória devido ao ferimento que o deixou com movimentos restritos na perna, frequentando uma associação de ex-combatentes que se reuniam semanalmente para ajudar a polícia e outros órgãos governamentais a reunir informações que desmascarassem todo tipo de criminalidade.
- Tenho comentado com os colegas da associação sobre a sua coragem e desenvoltura no caso Hasan. – disse ele certa vez quando estava para ir a um desses encontros. – Talvez queira me acompanhar algum dia desses, tenho colegas que gostariam de te conhecer.
- Não sei não, tio! Só quero esquecer tudo isso, e focar na procura de um novo emprego. – devolvi
- Sei que suas prioridades são outras, que precisa e deve dar continuidade a sua carreira, mas, quando quiser, venha conhecer tudo que fazemos na associação, só por curiosidade, acho que vai gostar. Nem todos são velhos incapazes como eu, cada vez mais um grupo de ex-militares jovens e com muito conhecimento está se juntando a nós nesse trabalho. – sugeriu.
- Está bem, tio! Qualquer dia desses prometo que vou com o senhor! – devolvi, sabendo que isso o deixaria feliz.
Mandei meu currículo para diversas empresas, mas meu passado na holding do Hasan estava mais me fechando as portas do que ajudando a abri-las. Quando o escândalo da corrupção e do contrabando caiu na mídia, as empresas dele perderam o prestígio e, consequentemente, quem trabalhava com ele, uma vez que ninguém sabia qual foi a participação de cada funcionário naquele esquema fraudulento. Por ter sido meu primeiro e único emprego depois de formado, somado ao fato de ter sido seu assessor particular direto, as perspectivas não contavam muito a meu favor. Eu tentava compensar essa imagem nas entrevistas das quais participei, e começava a ver uma luz no fim do túnel.
Naquela tarde eu fiquei de ir buscar o tio Aziz na associação de veteranos, depois de uma entrevista. Chovia forte quando me pus a caminho, o que me fez chegar quando só havia algumas pessoas na associação. Depois de ter sido apresentado, fiquei conversando com alguns colegas do meu tio, curiosos em saber como fui recolhendo as provas contra o Hasan.
- Foi pena que não serviram para nada! Elas me foram roubadas pouco antes de a polícia prender o senhor Hasan. – revelei a um desses colegas que me ouvia sentado ao redor da mesa onde haviam tomado algumas cervejas.
- Quero lhe apresentar uma pessoa! – disse ele, em certo ponto da conversa. – Acredito que seus caminhos já tenham se cruzado, pois ele foi o maior responsável para que seu ex-patrão fosse desmascarado, e chegou a se passar por um homem de confiança do Hasan. Não saia daí, vou verificar se ele ainda está por aqui. – disse, saindo à procura dessa pessoa.
A expressão do meu tio mudou, assim que o homem foi à procura dessa pessoa, como se ele soubesse de quem se tratava, e estivesse me escondendo alguma coisa.
Eles se aproximaram por trás de mim. O homem retornou e colocou a mão sobre meu ombro.
- Quero que conheça o Tuan, um dos nossos mais atuantes membros, e responsável direto pela prisão do Hasan Karal – disse ele, fazendo com que eu perdesse repentinamente o rumo da conversa que estava tendo.
- Oi! – era a mesma voz grave e firme que me deixava excitado desde a primeira vez que o vi. Aliado à voz, havia aquele rosto, a barba que sempre estava precisando se feita, o olhar penetrante que parecia atravessar meu corpo, o toque firme e quente daquelas mãos que passaram horas deslizando e bolinando sobre as minhas nádegas antes de ele penetrar fundo em mim.
- Oi! – devolvi, começando a sentir os espasmos que queriam fazer meu corpo convulsionar, num tom de voz tímido que, sem que ninguém o percebesse, fez o pauzão dele pulsar forte dentro da calça.
- Então já se conhecem mesmo, como imaginei1 – disse o homem, satisfeito por ter feito aquele reencontro.
- Sim! – retrucou o Tuan, ainda segurando a minha dentro da dele. – Foi graças ao Serkay que juntou todos aqueles documentos comprometedores na holding, as fotografias da noite em que o contrabando estava sendo realizado e no qual recuperamos o armamento e as quinhentas mil libras esterlinas que seriam pagas ao agente alfandegário do Porto de Samsun para liberar a carga.
- É, você mencionou que teve ajuda de um funcionário do Hasan, mas não mencionou o nome dele para o proteger de alguma vingança caso a prisão dele não corresse conforme o planejado. Então, esse herói é o sobrinho do Aziz! Meus parabéns, rapaz! – afirmou o colega do meu tio.
Eu encarava meu tio e o Tuan sucessivamente, tentando descobrir o que estava escondido por trás das expressões e dos olhares que trocavam entre si. Me despedi do Tuan com frieza, acreditando que ele havia me usado para conseguir as provas. Estava revoltado com meu tio, apesar de ainda não saber até onde ia a participação dele naquele complô que me fez perder a virgindade.
- Sei que deve estar zangado comigo, Serkay! Mas eu só fiz o que fiz pensando na sua segurança dentro daquela casa e nas mãos daquele crápula. – começou o tio Aziz, quando voltávamos para casa.
- Sendo muito sincero, estou titio! Me sinto um idiota! Durante todos esses meses esse homem infernizou a minha vida, faz ideia de quantas vezes discutimos? E agora descubro que ele não era apenas o chefe da segurança daquela casa, mas que estava me vigiando, controlando meus passos para sair de herói nessa história toda. Ele roubou todas as provas que juntei, tomou-as de mim e sumiu sem nenhuma explicação. – sentenciei.
- Sua mãe e eu nunca mais tivemos um instante de paz desde aquela emboscada. Sabíamos do risco que você estava correndo ao lado daquele criminoso. Qualquer atentado, qualquer disparo engendrado pelos desafetos dele podia respingar em você, fazendo-o uma vitima inocente das circunstâncias. Eu precisava agir, precisa ter a certeza de que você estava protegido. Foi quando surgiu a ideia de infiltrarmos uma pessoa de confiança naquela casa, que pudesse cuidar de você sem levantar suspeitas do que pretendíamos. Assim conseguimos que o Tuan fosse contratado como chefe da segurança e como a pessoa que te protegeria diante de alguma circunstância perigosa. Eu o informei que você estava colhendo provas, que corria o risco de ser descoberto e que, se isso acontecesse, sua vida não valeria mais um centavo para aquele homem. Ele mandou despachar muitos dessa vida para uma melhor, você não seria poupado. Eu soube o que ele fazia com você nas tais horas “extras” do maldito contrato que te mandou assinar. Tive vontade ir pessoalmente dar cabo da vida dele, só de imaginar ele te forçando a fazer coisas abjetas, te humilhando e te usando para o próprio prazer sexual. Por isso agi. – argumentou.
- Eu sei me defender, tio! Não sou nenhuma criança!
- Só que não conseguiu impedir dele abusar de você! Às vezes, para se defender, não é uma questão de força, mas das condições que te obrigam a não reagir e ter que aceitar os desaforos que nos subjugam. Esse homem tinha todo esse poder sobre você.
- Eu fiquei com medo depois que ele mandou invadir a nossa casa e os ameaçou. Eu tinha que obedecer e me sujeitar para proteger a minha família. – afirmei.
- Eu fiz o mesmo quando pedi ao Tuan que cuidasse de você, que o protegesse de tudo e de todos. Isso tinha que ficar em segredo para funcionar sem ninguém suspeitar. – devolveu ele. – O Tuan me contou o que aconteceu entre vocês, me pediu desculpas por não ter conseguido resistir aos seus encantos, ao rapaz amistoso e carinhoso que você é, ao que cresceu dentro dele durante esses meses de convivência. E, sabe de uma coisa, eu não o culpo. Nunc foi segredo para sua mãe e para mim o quanto a molecada do bairro se sentia atraída pelos seus atributos físicos e de personalidade. Mesmo adulto, você ainda conserva essa ingenuidade e esse carisma que te fazer ser querido, desejado não apenas como amigo, mas como um parceiro sexual e de vida. Quando você assumiu a sua homossexualidade, sua mãe e eu ficamos desesperados torcendo para ninguém te machucar, ferir seus sentimentos.
- No entanto, foi exatamente isso que o Tuan fez, na primeira oportunidade que teve! – afirmei.
- Posso te garantir que não foi isso! Ele me confessou que está apaixonado por você e suspeitava que você também estava por ele. Quando o esquema do Hasan pode ser desmascarado ele agiu rápido para te livrar das garras e domínio dele. O resultado é esse que você bem sabe como terminou, você está livre. Mesmo que ainda haja algum sócio ou capanga do Hasan com poder para se vingar, essa vingança não será dirigida a você, pois ninguém sabe que foi você quem obteve as provas.
- Do jeito que você fala até parece que o Tuan é um inocente! – argumentei
- E é, Serkay! Pode ter certeza que é! Vá procura-lo, converse com ele, ouça o que tem a te dizer. Se você o ama como acredito que ama, faça as pazes com ele, acerte-se e deixe-o te fazer feliz. – não havia mais dúvida de que o Tuan se abriu com meu tio a nosso respeito e, só de pensar que ele podia estar sentindo algo por mim, já me fazia sonhar.
Relutei alguns dias antes de me decidir a procurá-lo na associação. Para me sentir mais amparado fui numa tarde em que meu tio havia combinado de se encontrar com os amigos. Não foi coincidência o Tuan estar lá, havia a mão do tio Aziz por trás desse encontro.
- Oi! – cumprimentei retraído ao encontra-lo junto de outros dois ex-militares pesquisando por informações que seriam uteis à polícia num esquema de corrupção dentro de um órgão público.
- Oi! – ele disfarçou a alegria de me ver e esboçou um sorriso desinteressado.
- Tem um tempinho para conversarmos? – perguntei, pouco antes do sujeito ao lado dele dar uma piscada de olho.
- Claro! Há um café aqui perto, podemos conversar tranquilos lá.
- Ok! Só vou avisar meu tio, tudo bem?
Ele dirigia sem olhar na minha direção, mas dava para sentir o desejo de me tocar queimando dentro dele. Eu olhava para aquele braço musculoso e forte, e começava a sentir meu corpo se arrepiando. Me contive para não voar no pescoço dele e cobrir sua boca de beijos. Ele me examinava de soslaio, como que para conferir se meu corpo ainda estava do mesmo jeito em que o deixou na madrugada em que dormiu engatado no meu cuzinho esporrado. Algo me dizia que ele sentia a mesma vontade de me agarrar ali mesmo, de me tomar para si.
- Está zangado comigo? – perguntou, assim que ocupamos uma mesa num canto sossegado do café.
- Zangado não, talvez decepcionado! – respondi – Por que não me contou seus planos, por que me deixou pensar que havia me abandonado depois que me entreguei para você?
- Aquilo precisava terminar o quanto antes, eu precisava convencer a polícia que tínhamos provas o suficiente para condenar aquele crápula, e te tirar daquela casa, daquela empresa e das mãos dele. Eu não podia deixar que ele voltasse a te assediar, a tocar em você, a obriga-lo a se submeter aos caprichos sexuais dele, ou acabaria com vida daquele homem. – afirmou
- Achei que tinha me abandonado, que só me usou para conseguir as provas.
- Eu não tinha como te abandonar depois que me deixou entrar em você, depois que me cobriu com suas carícias e beijos. Nunca tive um coito tão pleno e prazeroso como o daquela madrugada. Eu já te sentia como parte do meu próprio corpo, da minha existência, não havia como te abandonar. Eu só precisava de uma única certeza, a de que você também me queria. – asseverou
- Eu te quis no primeiro instante que meu olhar pousou em você! Apesar de estarmos sempre discordando e discutindo, você era o homem que eu sempre sonhei e quis. – devolvi, deixando-o tomar minha mão entre a dele.
- Ah Serkay! Minha vida deu uma cambalhota depois que te conheci. Basta eu olhar para você, sentir sua presença, seu cheiro, seu toque para o tesão fazer minhas veias ferverem, meu cacete querer a estreiteza do seu cuzinho quente. – afirmou. – Não são meras palavras, coloque a mão debaixo da mesa e toque minha virilha e vai saber do que estou falando. – sussurrou excitado. – Preciso de você agora! Vamos sair daqui! Quero entrar em você e me perder no aconchego dos teus afagos. - acrescentou, quando deixamos o café rumo a casa dele.
O apartamento dele tinha aquela atmosfera masculina de quem não tinha uma parceira para acrescentar um toque feminino, ou colocar um pouco de ordem nas coisas; não que fosse desorganizado, mas carecia daquela mão feminina para realçar a organização. O Tuan já estava a mais de ano e meio sem uma namorada, e eu me perguntei como um garanhão tarado feito ele estava se virando sem um sexo regular. Talvez fosse esse um dos motivos pelos quais o humor dele oscilava tanto e que nos levou a ter aquelas discussões quando ele deu para querer gerenciar a minha vida como fazia com a equipe de segurança.
- Você se encaixa tão bem nesse ambiente! – afirmou, quando me viu observando o apartamento. – Tão bem quanto eu me encaixo aqui dentro! – acrescentou, no instante em que suas mãos deslizavam sobre a minha bunda.
- Eu gostei quando você se encaixou em mim! – exclamei, de tão excitado que estava por poder tocar novamente naquele rosto viril que me fitava cheio de cobiça.
- Gostou, foi? Gostou mesmo eu tendo te machucado sem querer? – perguntou, ao que respondi com um aceno positivo de cabeça. – Naquela madrugada, você ainda era virgem, não é? – indagou, me fazendo corar. Não sei o que me levava a ter vergonha da minha virgindade aos 28 anos, e entregue a ele há poucos meses. O fato de ver meu rosto vermelho e quente, foi o bastante para ter a resposta.
Ele me beijou com cuidado e ternura, amassou minhas nádegas e me conduziu para o quarto. Foi me despindo aos poucos, peça por peça, colocando um beijo molhado ou um chupão na nudez que surgia deixando-o cada vez mais excitado, como dava para constatar no volume que aumentava entre suas pernas. Meus músculos se contraíam à revelia da minha vontade, as pregas anais, nem se fale. Quando tirou a camiseta e fez surgir o tronco peludinho e sólido, acariciei o peitoral másculo, sob o olhar prazeroso dele.
- Seu tesudinho do caralho, você é fissurado no meu peitoral, confessa!
- Sou, ele é lindo, viril, combina com a sua personalidade forte. – respondi sincero e deslumbrado.
- Do que mais gosta no meu corpo? Tenho outra coisa bastante viril e inquieta aqui! – exclamou safado, conduzindo uma das minhas mãos para dentro da virilha dele.
- Adoro isso também! – exclamei, levado pelo tesão.
Fui me abaixando, escorregando as mãos espalmadas sobre o abdômen trincado dele até ficar frente a frente com o pauzão quase estourando de tão duro dentro da cueca. Puxei-a para baixo e o bichão reto, grosso e cabeçudo saltou para fora. Com a ponta da língua contornei a cabeçorra úmida, lambendo o orifício uretral por onde saía o visgo translúcido e cheiroso do pré-gozo. O corpo todo dele se enrijeceu, entrou em alerta, se preparando para o que o tesão o conduzia. Segurei o caralhão, punhetei-o algumas vezes fazendo o sacão peludo saltar e o fui colocando na boca aos poucos, embora pouco além da glande imensa coubesse dentro dela, e o suguei como um bezerro faminto.
- Tesão da porra, Serkay! As tuas mamadas são de matar qualquer cristão! Chupa, meu veadinho, chupa a caceta do teu macho! – ronronava ele, afagando minha cabeleira.
Cobri cada centímetro daquela tora indômita com minhas lambidas, mordiscadas e beijos, deixando meus lábios quentes sentirem a textura e o sabor daquele macho fogoso. Ao mesmo tempo, brincava com os bagos avultados fazendo-os deslizar por entre meus dedos longos e finos. O arfar acelerado dele se transformou em gemidos que enchiam o ar de luxúria, até ele não aguentar mais e me lançar sobre a cama, como um predador que abate sua presa.
Os lençóis e travesseiros estavam impregnados com o cheiro penetrante dele, almiscarado, denso, o que foi me deixando com tanto tesão que empinei a bunda oferecendo meu cuzinho se contorcendo em espasmos.
- Sabe que fica parecendo uma cadelinha no cio quando empina o rabo desse jeitinho dengoso, não sabe, meu putinho? Você me deixa maluco quando faz isso, quando demonstra que quer minha rola atolada nesse buraquinho. – disse ele, ao abrir meu rego e deslizar o polegar até o pressionar e afundar nas preguinhas, quando gemi como uma súplica.
- Me penetra, Tuan! Faz de mim a sua cadelinha, faz! – pedi manhoso.
Ele lambeu minha fendinha por longos e intermináveis minutos, eu me contorcia em êxtase, sentindo a barba hirsuta dele pinicando as polpas lisinhas. Ele foi se inclinando e montando em mim. Virei para trás e vi aquela estaca grossa de nervos pendurada entre as pernas abertas dele, eu estava preso no meio delas quando senti a primeira forçada nas pregas. Com uma estocada potente o cacetão estirou os esfíncteres e escorregou para dentro do meu cuzinho.
- Ai meu cuzinho, Tuan! – gani, cravando os dedos crispados nos lençóis.
- Está doendo, quer que eu tire? – perguntou arfando
- Um pouco! Não tira, quero você! Só enfia devagar, ok?
- Não quero te machucar, minha cadelinha tesuda! Aguenta firme que vou meter devagarinho, prometo! – ele já não se controlava mais, tinha se agarrado ao meu tronco, amassava meus mamilos, rugia junto a minha nuca e se empurrava para dentro de mim.
Com o cu queimando e se alargando, fui aninhando aquela estaca grossa de nervos e veias saltadas, sentindo meus esfíncteres mastigando o caralhão sedento. Meus gemidinhos manhosos o ensandeciam e ele começou a me estocar com força, socando o pauzão até o talo no meu rabinho, enquanto o sacão batia cadenciadamente nas nádegas abertas.
- Tesão de moleque gostoso! É assim que eu gosto de meter nesse rabão, você gemendo gostoso para mim, mastigando a rola do teu macho! – grunhia alto, socando fundo e forte.
Eu tinha a sensação de que a qualquer momento aquela verga ia me atravessar inteiro e sair pela boca por onde escapuliam meus gemidinhos sensuais. O cacetão dele estava tão encapado pela minha fendinha estreita que o roçar do vaivém esfolava a mucosa anal sensível. Fui chegando ao clímax, o corpão dele sendo comprimido sobre o meu a cada nova estocada, me levou ao gozo. Soltei um ganido, misto de uma dor gostosa e um prazer único, enquanto meu pinto ejaculava roçando no lençol. O Tuan chegou ao orgasmo quase ao mesmo tempo.
- Teu macho vai encher esse cuzinho de leite, meu veadinho! – ronronou, quando senti as jatadas tépidas de esperma se espalhando no meu rabinho arregaçado.
- Ah Tuan, meu macho! Minha paixão! – balbuciei com o cu todo encharcado pela umidade máscula dele.
Poucos meses depois, com ele passando quase mais tempo em nossa casa e se entrosando com a minha família, conseguiu me levar para morar com ele. Eu tinha conseguido um novo emprego, intermediado pela Gizem que ainda mantinha contatos influentes na sociedade, porém entre empresários honestos. Fiquei surpreso com o telefonema dela, pois achava que nunca mais nos veríamos depois de tudo o que aconteceu. Ela foi gentil ao me perguntar se eu aceitaria conversar com o esposo de uma amiga dela que estava procurando por alguém com o meu perfil. Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha, achando que poderia ser outro sujeito sem escrúpulos como o Hasan, quando ela mencionou – alguém com o seu perfil – sem eu atinar com o que ela queria dizer com isso.
- Você só vai a essa entrevista comigo! – foi a primeira coisa que o Tuan falou quando lhe contei da proposta. Eu ri, fui até ele, sentado ao lado do meu tio assistindo a uma partida de futebol entre o Galatasaray e o Beşiktaş, sentei-me em seu colo e tomei seu rosto nas mãos cofiando a barba macia e sentindo o caralhão dele acordar com pulsações vigorosas roçando minhas nádegas.
- Está vendo, titio, o macho possessivo e ciumento que o senhor me arranjou! – exclamei, antes de o beijar.
- Pelo menos sei que está em boas mãos! – exclamou meu tio. – Mas não me obriguem a assistir essa sacanagem, se eu quisesse assistir um filme pornô já teria mudado de canal. – emendou caçoando.
- Viu quanta responsabilidade colocaram nas minhas costas? – perguntou o Tuan. – Cuidar de um molecão gostoso como você não é nada fácil, mas eu não trocaria esse privilégio por nenhum outro!
- Eu já te disse o quanto eu te amo?
- Não me lembro, acho que não! – devolveu ele, brincando, antes colar sua boca à minha.
(*) Nome fictício