Não se pode dizer que eu não sabia – Parte 2

Um conto erótico de Henrique
Categoria: Trans
Contém 1440 palavras
Data: 06/02/2026 12:49:33

O mundo se manifestou no dia seguinte, totalmente alheio às nossas vontades. Primeiro veio o sol, que invadiu o quarto; depois, as portas se abrindo e fechando, os cães latindo, os carros subindo a ladeira e algumas vozes de vizinhos dizendo coisas indecifráveis. Mas nada disso importava; nem mesmo a ressaca importava, apesar de incomodar um pouco.

O que importava era que ela estava ali diante dos meus olhos, abrigada nos meus braços. O sono era profundo, de quem confia seu corpo a quem era um estranho algumas horas atrás. Minha cabeça estava cheia de planos. Pensei em levantar discretamente e arrumar o apartamento para não causar uma impressão tão ruim. Pensei até mesmo em fazer um café da manhã para nós dois. Mas foi tudo em vão: o sono me pegou desprevenido.

Acordei pela segunda vez com o peso do braço dela sobre o meu peito. A luz agora era clara, sem sombras para esconder nada. Carolina já estava acordada, me observando com calma.

— Bom dia, Henrique — ela sussurrou, e a voz matinal era ainda mais profunda, vibrando de um jeito que me fez esquecer de vez que a havia conhecido na noite anterior; parecia que eu já a conhecia há anos.

Não houve espaço para o constrangimento. Quando minha mão encontrou a cintura dela, percebi que as dúvidas da noite anterior tinham ficado no bar. O que havia ali era pele, calor e uma entrega que parecia querer testar se eu era tão corajoso quanto fingi ser ao propor aquele jogo de bilhar.

Nossos beijos começaram lentos, exploratórios. Havia uma urgência contida, um desejo de desvendar os mistérios que as roupas protegiam. Quando as peças de roupa foram sendo jogadas no chão, o "volumoso" se tornou presente. Porém, não me atrevi a tocar lá embaixo. Foquei primeiro em cada curva do corpo dela que trazia o que era natural para mim. A novidade, ia deixando para depois.

Não foi um encontro mecânico. A feminilidade dela não estava apenas na aparência, mas no jeito que ela se deixava guiar, gemendo ao toque de minhas mãos e entregue totalmente àquele momento. Ali, entre os lençóis bagunçados e o caos do meu quarto, eu finalmente começava a saber o que era estar com ela por inteiro. Mas aí…

— Ai, para!

Ela afastou meu corpo com as mãos.

— O que foi?

— Eu não estou pronta.

— Nem eu, kkkk.

— Tu está, sim! Olha isso aqui! — disse ela, agarrando a prova na mão, sem pudor.

Depois respirou fundo, virou-se de costas e sentou na beirada da cama. Pegou o cabelo e o amarrou, mostrando suas costas em formato de violão. Estava só de calcinha rosa. Depois, levantou-se e virou-se para mim. Ela tinha seios pequenos e naturais, que não se importou em mostrar, mas cobria a frente da calcinha com a mão para não mostrar o volume ainda. Olhou em volta, para toda aquela bagunça.

— Onde é o banheiro? Preciso de um banho.

— Tu está bem assim.

Ela esboçou um sorriso.

— Você nunca esteve com uma trans, né, amor?

Ela pegou a toalha que deixei na porta do armário na noite anterior e foi. Estar com a Carolina era como comer um prato sofisticado que ela preparava com todo o carinho. Ela não era um miojo ou um feijão com arroz que tu esquenta no micro-ondas; não, não. Com ela, era sempre especial.

Acordei com a mão dela fazendo cafuné no meu cabelo. Estava sentada do meu lado, enrolada na toalha branca e toda cheirosa. Instintivamente, me espreguicei; já estava excitado muito antes de ela voltar.

— Acho que agora sou eu que preciso de um banho.

— Nada disso, eu gosto de homem natural — disse, já montando em mim.

Mantinha o rosto quase colado ao meu; seus cabelos pendiam sobre meu rosto e seus olhos azuis se mantinham fixos nos meus. Seu corpo era magro e pequeno, mas quente. Minhas mãos sentiram a textura de seus seios “naturais” — ou seja, frutos dos hormônios, não de cirurgias. Eles cabiam inteiros nas minhas palmas e eram muito macios; apenas os bicos eram durinhos. Ela cavalgava sobre o meu pau, mas sem deixá-lo entrar por enquanto. Aquele rebolado em cima de mim, roçando a bunda no meu instrumento e cobrindo o dela com a mão, me deixava ansioso para enfiar tudo de uma vez. Meu corpo entregou esse desejo quando comecei a empurrá-lo para cima, quase que involuntariamente. Vendo que eu quase não aguentava mais de excitação, ela sorriu como uma vitoriosa.

Um impulso me fez levantar, levantando-a junto e invertendo a situação. Deitei-a na minha frente; suas pernas envolviam meu corpo, seus pés se apoiavam nas minhas nádegas. Seus olhos se arregalaram um pouco, acompanhando a boca que se mantinha aberta. Tudo era normal para mim, exceto o volume rígido que eu sentia entre nossos corpos. Não queria olhar para ele, pois não tinha certeza do efeito que teria em mim. Beijei o pescoço dela, arrancando suspiros; as unhas dela arranhavam minhas costas. Meu pênis, instintivamente, procurava a entrada, mas ainda não conhecia o caminho direito.

— É mais embaixo — disse ela, levantando um pouco a pélvis para alinhar a tomada ao plugue. — É aí. Empurra que entra.

— Tem certeza? Parece que eu estou empurrando num lugar sem buraco.

Ela riu, e seu corpo balançou todo a cada risada.

— Não vai me dizer que tu precisa de ajuda — disse para me provocar, e a provocação funcionou.

O gemido não passou de um suspiro longo, acompanhado do fechar de olhos de quem coloca toda a atenção na sensação, como se esta fosse a única coisa entre o céu e a terra naquele momento.

Era uma mulher diferente em mais coisas do que eu imaginava. Não meti tudo de uma vez; sabia, de experiências passadas, que a primeira entrada deve ser com calma. Mas, à medida que ia entrando, percebi o quão apertada ela era — nem minha mão apertava daquele jeito. A minha demora, no entanto, fez com que ela forçasse os pés sobre a minha bunda, impaciente.

— Vaai… não tenha medo.

Olhei bem nos olhos dela e sorri antes de fazer a cama balançar toda, quase até desmontar. Ela cravou as unhas no meu peito e depois levantou uma das pernas até seu pé acabar no meu ombro. Seus gemidos eram discretos, mas todo o resto era intenso. Ainda tentava não ver o volume rígido entre nós, que parecia um copo de vidro quente e duro na minha barriga, mas era impossível não dar umas olhadas para ele. Ao contrário do que eu pensava, a visão não me fez perder a excitação; muito pelo contrário. Ela gemia pouco, mas a dureza daquilo não mentia sobre o que ela estava sentindo. Não estava só duro, estava babando um pouco. Ela notou o meu olhar e não disse nada; seu sorriso, quase infantil, já dizia muito. Fiz menção de agarrá-lo, mas a mão dela me impediu.

— Não, deixa ele aí.

Ela fez o movimento para se virar. Ficou de quatro, com uma das mãos apoiadas na cabeceira da cama. Agora, com mais mobilidade, minhas estocadas ficaram mais fortes e os gemidos tímidos se intensificaram. O corpo era de violão e todo durinho. Estava totalmente entregue; minhas mãos seguravam suas nádegas e estava ficando óbvio que eu não ia conseguir segurar por muito tempo. Diminuí um pouco o ritmo, mas…

— Não, continua… estou quase lá.

— Eu também.

— Então vai.

Duas estocadas fortes depois, acompanhadas dos gemidos altos dela, e estava tudo terminado.

— Espero que não se importe de eu ter lambuzado o teu lençol, kkkk.

— Agora é o nosso lençol.

Ela se deitou de um lado e eu do outro da mancha deixada ali como prova.

— O que você achou?

— Nunca tinha comido um cuzinho assim antes.

— Hahaha! As tuas ex nunca liberaram a porta dos fundos?

— Não como tu.

Ela deu um sorrisão.

— É tão bom. Elas não sabem o que perderam. Tu devia experimentar um dia.

— É… bom… nnnão… Valeu.

Ela deu uma gargalhada gostosa e se virou de costas para que eu encaixasse meu corpo no dela. Também pegou o celular e logo começou a rir.

​— “Quem comeu quem?” Hahaha!

​Ela me mostrou a tela do grupo.

​— É sério? — disse eu, quase não acreditando.

​— Eu me divirto com esses guris. Eles sempre têm uma piadinha.

​— Mas você não acha que eles exageram um pouco contigo?

​Ela virou o rosto para me olhar de frente.

​— Se eu me importasse tanto com isso, estaria lá com as outras trans em festas LGBT, pegando homens que iam querer dar ao invés de me comer. E não teria conhecido você. Eles não zoam de mim; eles zoam de todo mundo, até deles mesmos.

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