No estúdio de fotografia, Gustavo editava as imagens com o olhar perdido na tela, os dedos parando sobre o mouse. Um sorriso discreto, curvou seus lábios enquanto lembrava do almoço, do jeito que Luiz Felipe o olhara por cima da mesa, da rouquidão na voz ao dizer “eu gosto de você de verdade, Gustavo”. Ele nem percebeu o quanto seus olhos brilharam.
— Hummmm… que sorrisinho é esse nos lábios do meu cunhadinho?
A voz de Manu veio quente e provocadora bem atrás dele. Antes que Gustavo pudesse reagir, os braços dela o envolveram por trás, firmes, possessivos, cruzando-se sobre o peito dele como se quisessem protegê-lo do mundo inteiro. O queixo dela encontrou o ombro de Gustavo; ele sentiu o perfume doce dela misturado ao cheiro de shampoo vindos de trás da cadeira.
— O almoço foi bom?
Murmurou ela, com os lábios perto da orelha dele.
Gustavo engoliu em seco, o coração acelerando.
— Sim… a comida no self-service “Comida de vó”… deliciosa.
Manu soltou uma risadinha baixa e apertou o abraço de Gustavo um pouco mais.
— Não é da comida que eu tô falando e você sabe disso, seu bobo.
Ele tentou virar o rosto, mas ela não deixou; manteve-o preso ali, o nariz dela traçando uma linha suave na lateral do pescoço dele.
— Não sei do que você tá falando…
Mentiu Gustavo, a voz saindo mais fraca do que pretendia. Manu soltou-o devagar, apenas o suficiente para girar a cadeira dele até ficarem frente a frente. Em seguida sentou-se na escrivaninha bem na frente dele, as pernas cruzadas, os olhos brilhando de cumplicidade e um toque de preocupação.
— Gustavo… para. Eu sei que você almoçou com o Luiz Felipe. Eu sei que você gosta dele. Vai logo e me conta o que aconteceu. — A voz de Manu caiu num tom mais sério, quase suplicante. — Por favor.
Gustavo baixou o olhar, as mãos inquietas no colo, os dedos entrelaçando-se e desfazendo-se nervosamente.
— Ele… se declarou pra mim.
Manu levou as mãos à boca, os olhos arregalados enchendo-se de lágrimas instantâneas de emoção.
— Haaaaaaa!!! Sério?! — Ela se jogou para frente, abraçando-o com força, o rosto enterrado no pescoço dele. — Meu Deus, eu sabia! Eu sabia que você gostava dele!
Quando se afastou, tinha os olhos úmidos e um sorriso tremendo.
— E eu desconfiava dele… aquele vozeirão, o jeito machão, o amor por esporte… mas hoje na academia eu vi. Os olhares, os toques “sem querer”… — Ela segurou o rosto de Gustavo com as duas mãos, os polegares acariciando as maçãs do rosto dele. — E aí? Como vai ser? Você tá feliz? Tá com medo?
Gustavo fechou os olhos por um segundo, a garganta apertada.
— Eu… não sei, Manu. Ainda não pensei nisso. Não sei nem se consigo pensar.
Ela deslizou da escrivaninha e se ajoelhou na frente dele, segurando as mãos dele entre as suas, os olhos fixos nos dele.
— Você acha que ele quer algo sério? Acha que ele vai te assumir? Que ele vai se assumir?
— Não sei… — A voz dele quebrou. — Não sei nem se eu quero isso. Acho que… não estou preparado pra me assumir.
Manu apertou as mãos dele com mais força, os olhos marejados.
— Medo de quê, meu amigo? Do preconceito? Da sua família? Da família do Luiz?
— De tudo isso… — Ele desviou o olhar, a voz quase um sussurro. — Tudo.
Ela respirou fundo, lutando contra as próprias lágrimas.
— Seus pais aceitaram você de boa… quanto ao seu irmão idiota, pode contar comigo pra botar juízo naquela cabeça dura dele. — Manu fez uma pausa, o polegar traçando círculos suaves nas costas da mão dele. — Agora… dona Eulália… aquela mulher é osso duro de roer. E sabe de uma coisa? Acho que ela já desconfia.
Gustavo ergueu o rosto rápido, alarmado.
— Você acha? Por quê?
— Mãe é mãe, Gustavo. Ela conhece o filho. E você… — Manu hesitou, escolhendo as palavras com cuidado. — Ela pegou uma implicância do nada desde que você e o Marcelo começaram a se falar mais. Mesmo sem ter nada, ela viu. O Marcelo era uma borboleta purpurinada, todo mundo sabia. E você… você dá umas escapadinhas. Seu irmão implica com isso desde sempre. Ela deve ter ligado os pontos vendo a aproximação do Luiz Felipe com você.
Gustavo sentiu um frio na espinha. Seus olhos se encheram d’água.
— E agora, Manu… o que eu faço?
Ela se levantou e o puxou para um abraço apertado, embalando-o como se ele fosse uma criança assustada.
— Agora você vai viver esse momento da melhor forma que conseguir. Se quiser se assumir, assume. Se não quiser, não é obrigatório. Ninguém tem nada a ver com o que você vive no privado. — Ela afastou o rosto dele para encará-lo, lágrimas escorrendo pelo próprio rosto. — Mas eu estarei aqui. Sempre. Pra te segurar, pra te defender, pra te amar. Se o Luiz Felipe te fizer sofrer… é só me chamar que eu acabo com a raça dele.
Gustavo riu entre lágrimas e a abraçou com força.
— Te amo, Manu. Espero que aquele cabeça-dura do meu irmão perceba a joia rara que tem nas mãos e nunca te deixe escapar.
— Também te amo muito, seu doce. Você merece ser feliz. Merece muito.
— Vocês vão acabar com a raça de quem?
Pergunta Oswaldo entrando na sala de edição.
— Não é nada seu Oswaldo apenas conversando a toa. O bebê já chegou?
— Acabou de chegar vim te chamar para aprontar nosso mini modelo.
— Já estou indo.
— E você pode ir conferir o estúdio Gustavo. O que aconteceu estava chorando?
— Certo já vou indo os cenários já estão montados, falta só conferir o equipamento. Não, deve ser muito tempo editando na frente da tela. Vou lavar o rosto primeiro.
Gustavo termina o dia fotografado a pequena Laís uma bebê que em dois dias fará um ano. Laís ri para a câmera, brinca com os brinquedos do cenário e Gustavo faz o que mais gosta, fotografar. Gustavo se concentra, se distrai e se diverte deixando os pensamentos e preocupação bem longe.
Enquanto isso, a alguns quilômetros dali…
Miguel entrou em casa exausto, os ombros caídos. Largou a pasta e a mochila ao lado do sofá e simplesmente desabou, deitando a cabeça no colo de Kenji. O filho de japonês ergueu o notebook com cuidado, os olhos escuros imediatamente preocupados ao ver a expressão abatida do namorado.
— Boa tarde, meu amor… o que foi? Tá carente? Cadê o Brian?
— Ele foi pra academia… eu não tava com cabeça pra puxar ferro hoje. — Miguel fechou os olhos, virando o rosto contra a barriga de Kenji, inalando o cheiro familiar de sabonete e pele quente. — E você? O que fez de bom?
Kenji passou os dedos devagar pelos cabelos dele, as unhas arranhando de leve o couro cabeludo.
— Trabalhando numa campanha… acho que vai rolar um job com aquele estúdio de fotos do bairro.
Miguel ergueu o rosto, forçando um sorriso pequeno.
— Que bom, nego… fiquei feliz.
Ele se inclinou e beijou os lábios de Kenji de forma lenta, mas com intensidade, quase desesperado, como se precisasse se ancorar ali. Kenji correspondeu com a mesma intensidade, a mão livre descendo pelas costas de Miguel, apertando a nuca dele.
— Você tá triste… não gosto de te ver assim, bococoxo.
Miguel sorriu de verdade dessa vez, os olhos brilhando.
— É borocoxô meu lindo… tô borocoxozinho. Precisando de colo… de carinho…
Kenji fechou o notebook com um clique seco, colocou-o de lado e puxou Miguel para cima dele com uma força controlada.
— Então vem cá.
Ele o beijou de novo, mais fundo, a língua invadindo devagar, explorando, enquanto as mãos deslizavam por baixo da camisa de Miguel, sentindo a pele quente e arrepiada. Miguel gemeu baixo contra a boca dele, os quadris se movendo instintivamente, procurando fricção.
— Vamos tomar banho juntos… só nós dois — sussurrou Kenji, a voz mansa, os olhos escuros faiscando de desejo. — Depois eu faço sua comida preferida.
— Ebaaaa… pizza! — brincou Miguel, mordendo de leve o lábio inferior dele.
Kenji riu baixo, os lábios roçando o pescoço de Miguel.
— Desculpa… segunda comida preferida.
— Macarrão com sardinha?
— Isso.
Kenji se levantou, puxando Miguel pela mão. No banheiro, Kenji tirou a camisa de Miguel devagar, beijando cada centímetro de pele que aparecia, braços, peito, mamilo endurecido, enquanto Miguel tremia, as mãos agarrando os ombros dele com força.
Quando ficaram nus, Kenji abriu o chuveiro. A água quente caiu sobre eles como uma cascata. Ele empurrou Miguel de leve contra os azulejos frios, contrastando com o calor dos corpos colados. As mãos de Kenji desceram pelas costas de Miguel, apertando as nádegas, puxando-o mais para perto até que seus cacetes se tocassem, duros, pulsantes.
Miguel jogou a cabeça para trás, gemendo alto quando Kenji mordeu de leve a curva do pescoço dele, a língua traçando o caminho da água que escorria. Os quadris de Kenji começaram um movimento lento, circular, esfregando-se contra Miguel com uma pressão torturante.
— Você é tão lindo quando tá assim… precisando de mim… — murmurou Kenji contra a pele molhada, os olhos semicerrados de prazer, o rosto corado.
Miguel agarrou os cabelos dele, puxando-o para outro beijo faminto, os dentes colidindo, as línguas brigando. As mãos de Kenji deslizaram entre eles, envolvendo os dois sexos juntos, masturbando-os num ritmo lento e firme.
— Me faz esquecer tudo… por favor… — pediu Miguel, a voz entrecortada, os olhos brilhando com lágrimas misturadas à água.
Kenji o virou de costas, colando o peito nas costas dele, uma mão apoiada na parede ao lado da cabeça de Miguel, a outra descendo entre as pernas dele, dedos habilidosos encontrando o ponto exato que o fazia arquear e gemer alto.
Sob a água quente, entre beijos molhados, mordidas suaves e carícias possessivas, eles se entregaram um ao outro lentos, intensos, quase desesperados, como se o mundo lá fora pudesse esperar para sempre.
Continua…
Autor: Mrpr2