Acordei antes do despertador, com o corpo ainda vibrando pelas palavras digitadas na madrugada. O sol entrava pela fresta da persiana, desenhando linhas de luz no chão do quarto, mas minha mente ainda estava no escuro daquele chat.
Acordei desejando e pensando em sua proposta. Será que aguenta minha sentada, meu rei?
A pergunta ecoou no silêncio da manhã. Porque não é qualquer um que sustenta o peso de uma mulher que traz o mundo nos quadris. Você disse ontem que queria "socar cada centímetro", que queria minha história aberta na sua cama... mas a teoria é bem mais leve que a prática. Quando eu descer, Malik, não vou descer só com o corpo. Vou descer com a vontade acumulada de quem sabe exatamente como quer gozar.
Olhei para o lado. Meu filho dormia pesado, a respiração ritmada. Eu sou duas. Sou a mãe que vai levantar agora para esquentar o leite. E sou a mulher que, horas atrás, se tocou pensando em um homem que nunca viu.
Entrei no banho ainda com o corpo meio adormecido, mas a mente desperta demais. A água quente caiu sobre meus ombros como um toque prolongado, desses que não pedem licença. Fechei os olhos. O vapor começou a subir, embaçando o espelho, e por um instante eu gostei da ideia de não me ver inteira — só sentir.
Passei o sabonete devagar, sem pressa alguma. Conheço cada curva do meu corpo, cada relevo, cada marca. Não há urgência quando se sabe onde se pisa. A espuma escorreu pelos braços, desceu pelo colo, contornou os seios com calma, respeitando o peso e a história que carregam. A água levava o sono embora, mas despertava outra coisa.
Inclinei a cabeça para trás, oferecendo o pescoço ao jato quente. Pensei na promessa da língua dele ali. Não como fantasia ingênua, mas como teste. Quero saber se ele saberia demorar. Se entenderia que meu corpo não responde a pressa, responde a intenção.
Minhas mãos desceram pela barriga, espalhando a manteiga de karité ainda no banho, deixando a pele escorregadia, brilhando sob a luz fraca do banheiro. As marcas não me interrompem — me ancoram. São memória viva. Território que já foi casa, abrigo, fronteira.
Mas eu precisava saber se o território estava pronto para ser invadido.
Minha mão, untada pelo óleo e pela água, escorregou mais para baixo, passando pela virilha e encontrando o centro da minha pulsação. Não precisei de esforço; eu já estava úmida, reagindo à lembrança da voz que imaginei para ele. Toquei meu clitóris devagar, circulando, imaginando que não eram meus dedos, mas a língua áspera de Malik.
— Vem... — gemi baixo, abafado pelo som do chuveiro.
Acelerei o ritmo. Minha mente projetou a imagem dele ajoelhado, submisso à minha frente, enquanto eu guiava a cabeça dele. O prazer subiu rápido, uma pontada elétrica que me fez arquear as costas contra o azulejo frio. Não me permiti gozar completamente — guardei essa energia.
Foi apenas um aviso ao meu próprio corpo: ele está vindo.
O vapor engrossou. O mundo lá fora desapareceu. Não havia filho, não havia manhã, não havia compromisso — só o som da água e a certeza de que eu estava me preparando. Não para ser tocada, mas para escolher quem toca.
Saí do banho com a pele quente, pulsando. A toalha abraçou meu corpo, mas não conteve a sensação. Caminhei até o espelho ainda embaçado e passei a mão, abrindo uma fresta. Me encarei. O olhar era firme. Satisfeito. Faminto.
O cheiro de café começava a subir do fogão. Vida real chamando.
Peguei o celular com a tranquilidade de quem sabe que o tempo joga a seu favor e digitei:
Ayandara:
— Bom dia, Malik. O café já está na mesa e o pão na chapa eu cobro depois.
— Espero que você tenha guardado a fome de ontem e que esteja descansado. Porque eu acordei pensando na sua proposta e decidi que não vou ter piedade. Se prepare, meu rei... hoje quem governa sou eu.