A marca do tapa no meu rosto sumiu só no dia seguinte. O que ardia agora era outra coisa, um carvão incandescente no peito que às vezes eu confundia com desejo e outras com um ódio tão puro que me deixava tonto.
"Seu prazer tem dona." A frase dela ecoava na minha cabeça enquanto eu podava as roseiras. Era verdade. Cada punheta solitária no quarto agora era um ato de rebeldia morna, um gozo roubado que me deixava mais vazio depois.
Mas nas minhas veias, junto com o suor e a raiva, corria uma nova certeza: se ela era dona do meu prazer, então o prazer dela naquela noite... Aquele tremor, aquele grito rouco que saiu da garganta dela quando minha língua a fez gozar... Aquilo também era meu.
A ideia virou uma obsessão silenciosa. Eu não queria mais apenas obedecer, ou ser punido. Queria entender. Queria a chave do cofre onde ela guardava o verdadeiro poder, aquele que tinha feito aquela deusa de gelo tremer e gemer.
Toda terça-feira, ela tinha a tal "reunião de caridade". Saía impecável às duas, e o escritório dela, normalmente uma fortaleza, ficava vulnerável.
Então em uma terça-feira, depois de vê-la sair, subi as escadas como um fantasma. O corredor do andar superior era silencioso e quente. Parei diante da porta de madeira escura. Estendi a mão, o coração batendo como um tambor preso dentro do meu peito, e encostei os dedos na maçaneta fria.
O ar que saiu de dentro do escritório cheirava a ela.
Olhei para trás, para o corredor vazio. A casa estava quieta, o tipo de silêncio que parece gritar. Não pensei, só agi. Deslizei pelo vão, fechando a porta atrás de mim sem fazer ruído, como se ela, mesmo sem estar presente, soubesse todos os meus passos dentro daquela mansão.
O escritório era como ela: impecável, frio, controlado. A grande escrivaninha de madeira escura dominava a sala. E no centro, como um altar, estava o laptop prateado dela, fechado.
Me sentei na cadeira dela e abri o laptop. A tela acendeu, iluminando meu rosto suado, e mostrou a área de trabalho, limpa e organizada.
Uma onda de incredulidade me atingiu. Nenhuma senha. A tela simplesmente abriu.
Por um instante, fiquei paralisado. Uma mulher como ela, tão controladora, tão calculista, não coloca senha no próprio computador? Havia apenas duas explicações: ou era uma armadilha grotesca, ou ela confiava tanto no seu controle sobre mim, na minha condição de “escravo fiel e leal”, que jamais considerou a possibilidade de eu ousar invadir seu santuário. A falta de senha não era um descuido. Era a suprema expressão de desprezo. Era ela dizendo, silenciosamente: “Você não é uma ameaça. Você é mobília.”
O ódio que surgiu então foi tão doce e agudo que quase me fez rir. Engoli o riso amargo e, com dedos que agora tremiam de raiva, não de medo, cliquei no ícone de uma pasta no canto da tela, chamada simplesmente: “Projetos”.
A pasta se abriu. Dentro, pastas menores, nomeadas com uma precisão que gelou meu sangue: “O Cão de Guarda”; “O Contador”; “O Artista”; “O Playboy”.
Cliquei na primeira pasta. Era quase uma galeria.
Nas fotos, um homem loiro, branco e musculoso aparecia em diversas poses. Ele era um brutamontes, com ombros largos e músculos bem definidos. Em uma das fotos, ele estava de joelhos, pelado. A expressão brutal do rosto estava apagada, substituída por uma submissão vazia. Ele estava... lambendo algo fora do enquadramento. A terceira foto mostrava Clara, apenas suas pernas e a ponta de seus sapatos de salto alto, descansando sobre os ombros largos dele. Havia vídeos. Arquivos de áudio com gemidos masculinos roucos e a voz plana dela dando ordens: "Mais devagar, Marcos. Você não é um animal. A menos que eu diga”. Era um arquivo completo. Um dossiê de humilhação. Fotos dele sendo amarrado, dele sendo usado como um móvel humano, dele olhando para a câmera com os olhos embaçados de prazer e vergonha. Clara mantinha um registro meticuloso.
Era isso que ela queria fazer comigo? Náusea e excitação se chocaram dentro de mim. Fechei a pasta, com a respiração ofegante.
Abri a outra pasta: O Contador. Ele também era loiro e branco, mas as fotos eram ligeiramente mais degradantes e humilhantes do que as anteriores. Era um homem mais velho, de óculos, com os olhos apagados. Em um dos vídeos, ele lambia os pés dela com devoção. Em outro, ela batia em suas bolas e humilhava o tamanho de seu pau, falando coisas como “eu nunca vou deixar você chegar perto de mim com uma coisa tão nojenta e pequena”. Senti minha nuca arrepiar pensando em quais outras formas ela já teria humilhado aquele homem.
Fui para a próxima pasta: O Artista. Ele tinha um perfil mais jovem, mais frágil, mas também era loiro e branco. As imagens aqui tinham um ar mais estético, mas não eram menos explícitas. Ele amarrado a uma cadeira, sendo forçado a pintar Clara enquanto ela se exibia para ele com uma roupa de látex. Vídeos dele chorando enquanto ela o forçava a repetir: "Sou apenas um rascunho. A senhora é a obra de arte." Havia um vídeo dele sendo obrigado a lamber tinta do chão.
Eram todos escravos. Sexualmente. Completamente. Cada um com seu papel, sua humilhação específica. Um brutamontes, um velho, um jovem frágil.
Tremendo, o corpo em estado de choque, cliquei na última pasta. O Playboy.
As primeiras fotos eram de até antes da morte do meu pai: fotos minhas na academia, em festas, com Paloma, todas tiradas à distância, sem meu conhecimento. Depois, as fotos mudaram: eu no jardim, lavando a louça, com expressão de ódio. Closes obsessivos dos meus braços, da minha nuca, do meu abdômen suado. Havia uma sequência inteira, nítida e inconfundível, da noite em que me exibi com a porta aberta. Ela não só tinha visto, tinha documentado. De que jeito, não faço ideia.
Mas os arquivos que me prenderam foram os de texto. Era um roteiro. Um plano de dominação. Ela tinha descrito a fase 1 como concluída: transformar o ódio arrogante em ódio focado, humilhação doméstica, iniciação na oportunidade de ser meu escravo. A fase 2 estava em andamento: ela achava que eu buscava a desaprovação dela, e isso me tornava único. Em suas palavras, “O Cão de Guarda obedece por medo da dor. O Contador ama ser meu escravo, é um submisso perfeito, mas patético demais. O Artista obedece por medo do abandono. Mas O Playboy... Ele está começando a obedecer porque transformou sua raiva no combustível da própria rendição. É lindo.”
Aquilo me tirou o ar. Então... Eu sou melhor que os outros? Consegui alcançar o nível que ela deseja?
Mais abaixo, no documento que eu lia, ela escreveu:
“Próximos passos: 1. Conceder aparente autonomia (saída no sábado). Observar seu comportamento no mundo exterior; 2. Introduzir ciúme sutil (visita de um dos projetos na casa). Avaliar reação. O ciúme é um excelente indicador de investimento emocional.”
Ela não estava apenas me usando. Ela estava me criando, me moldando.
A raiva que explodiu então não tinha mais dúvidas, não tinha mais confusão. Era pura, cristalina e dirigida. Ela me via como a coroa da sua coleção doentia. A obra-prima da sua galeria de escravos.
Fechei tudo com um clique seco. A náusea passou, substituída por uma calma perigosa.
Ela brincava de ser deusa para um harém de homens quebrados. Tudo bem.
Mas toda deusa, especialmente uma que coleciona mortais, esquece um detalhe: às vezes, os mortais aprendem os truques dos deuses.
Fechei a porta e desci as escadas, procurando algo para me ocupar até que Clara chegasse. O sangue ainda latejava em meus ouvidos com a força de uma trovoada. O conhecimento que eu carregava era um fardo pesado e quente, como carregar uma bomba prestes a explodir no meu próprio peito. Eu pensei muito, revi cada imagem, cada palavra do documento, mas no final decidi não a confrontar. Não ainda. Queria ver até onde aquele roteiro doentio iria. Queria entender as regras do jogo que eu era obrigado a jogar antes de tentar virar a mesa.
Ela me tratou com a frieza habitual durante o restante da semana, com ordens secas, inspeções silenciosas. Mas na sexta-feira à noite, ela me surpreendeu com uma ordem:
- Daniel - disse, a voz neutra, como se fosse pedir para eu buscar um livro. - Venha comigo. Para o meu quarto.
Um choque elétrico percorreu minha espinha. O quarto dela era território proibido. A segui com as pernas pesadas e o coração batendo forte. Eu a odiava, mas ainda a desejava.
Ela se sentou na beirada da cama enorme, os olhos claros me fixando.
- Você tem se esforçado. Sua obediência está se tornando menos irritante - ela articulou, como se concedesse um grande favor. - Como recompensa, e para aprofundar seu treinamento, você vai me dar um banho. E depois, uma massagem.
Meu coração palpitou.
- S-sim, senhora - eu gaguejei.
A banheira de mármore era enorme. A enchi de água quente e óleos perfumados enquanto ela ficou de pé, observando, até que, com um gesto, deixou o robe que usava cair no chão. Fiquei paralisado. Ver ela nua na luz forte do banheiro era diferente da penumbra da sala de estar. Era uma afirmação de poder. Seu corpo era esculpido, maduro, opulento, os seios grandes e pesados, a cintura fina, os quadris generosos. Um mapa de tentação que eu tinha ordens para servir, não para possuir.
- Gosta do que vê? - ela perguntou. Parecia se divertir ao me ver boquiaberto com a perfeição de seu corpo.
- Muito, senhora. Seu corpo é maravilhoso.
Ela sorriu diabolicamente e estendeu a mão para que eu a ajudasse a entrar na banheira. Minhas mãos, calejadas do trabalho braçal, pareciam brutas demais para tocar naquela pele.
- Passe a bucha pelo meu corpo - ela ordenou, se afundando na água até os ombros.
Peguei a barra de sabonete francês, com cheiro de jasmim, e a bucha de seda natural, um objeto ridiculamente macio e caro. Esfreguei o sabonete nela até formar uma espessa camada de espuma.
- Comece pelos pés - ela disse, fechando os olhos e esticando uma das pernas, deixando o pé na borda da banheira.
Me ajoelhei e envolvi seu pé direito com a bucha ensaboada. A espessa camada de tecido era a única barreira entre a palma da minha mão e a pele dela. Eu podia sentir, através da espuma e da seda úmida, a forma exata de seus ossos, o arco do pé, a textura dos calos finos de quem sempre usou salto alto. Esfreguei com movimentos circulares, subindo pelo tornozelo, pela canela.
- Mais forte - ela murmurou.
Apliquei mais pressão. Eu via a tonalidade rosada da pele dela surgindo por baixo da espuma. Minha mão, grande e áspera, parecia estar quase tocando sua pele diretamente. A linha tênue entre serviço e carícia desaparecia a cada centímetro que eu subia.
Ao chegar nos joelhos, ela abriu ligeiramente as pernas, um movimento quase imperceptível.
- Continue - disse, a voz um pouco mais baixa.
A tensão no ar era mais espessa que o vapor. A bucha deslizou pela parte interna das coxas, e eu pensei, com uma clareza avassaladora: há apenas um pedaço de tecido e um pouco de espuma entre minha mão e a buceta maravilhosa que eu tanto sonho comer. A ideia fez minha respiração falhar e minha rola, já dura e constrangedora, pulsar dolorosamente contra a calça molhada.
Ela notou. Um sorriso quase imperceptível tocou seus lábios.
- Foco, Daniel. Você está lavando, não explorando.
Mas a ordem era uma farsa. Ela queria que eu explorasse, que me perdesse, que ficasse cada vez mais preso na teia de sensações. Continuei, subindo pelo abdômen, contornando a cintura. Quando cheguei nos seios, minhas mãos tremiam levemente. A bucha envolveu a curva pesada de um deles, a espuma escorrendo pelo mamilo rosa e endurecido. A barreira de tecido parecia uma piada cruel. Eu podia sentir o peso, a forma perfeita. Passei, devagar, pelo outro seio, vendo os mamilos ficarem ainda mais duros sob o atrito da seda e da espuma. Seu peito subia e descia com uma respiração que não era mais completamente controlada.
- Agora as costas - ela ordenou, a voz um pouco rouca.
Ela se desencostou da banheira, e o processo se repetiu. A bucha deslizou por seus ombros estreitos, pela coluna, pela cintura e pela bunda grande e generosa. Cada movimento era um ato de devoção forçada e de desejo reprimido. Eu lavava o corpo da mulher que possuía minha vida, e a única coisa entre a minha mão e sua pele era uma fina camada de tecido.
Quando terminei, ela estava limpa, e eu estava em um estado de agonia física e mental. A água da banheira estava turva e o cheiro dela agora estava em minhas mãos, impregnado na bucha e no ar que eu respirava.
Ela se levantou, com o corpo todo pingando, e saiu da banheira. Mal se enxugou com a toalha quando intimou que fôssemos ao quarto para que eu fizesse a massagem. Gotas d'água escorriam pelas curvas de suas costas, seguindo o vale da coluna até desaparecerem entre as nádegas, enquanto ela caminhava à minha frente, rebolando, me provocando.
No quarto, ela se deitou de bruços na cama enorme, sobre uma toalha grande de banho que eu havia estendido a mando dela. A água que não foi enxugada brilhava em sua pele como uma segunda pele, mais íntima.
Sua bunda era maravilhosa, redonda e firme, eu nunca tinha visto uma mulher da idade dela com um rabo tão perfeito.
- O óleo está na mesa de cabeceira - Clara disse, a voz abafada pela almofada.
Minhas mãos, ainda levemente enrugadas pela água quente, tremiam ao despejar o óleo de amêndoas em minha palma. O cheiro doce e quente se misturou ao aroma do sabonete que ainda a envolvia.
Me ajoelhei aos pés da cama. Quando minhas mãos, cobertas de óleo, tocaram pela primeira vez a sola de seu pé, foi como completar um circuito. A pele era macia, quase quente demais, e absurdamente viva sob meus dedos. Esfreguei, com uma pressão que tentava ser profissional, o arco e os dedos. O óleo fez com que meu toque deslizasse, tornando-o íntimo, sensual, inevitavelmente erótico.
Subi pelas panturrilhas, pelos joelhos, pelas coxas. Minhas mãos se moldavam aos músculos dela, pressionando, amassando. Minha calça estava apertada de uma forma agonizante, e a respiração dela, que começava a ter um ritmo mais profundo, era o único som no quarto.
Quando cheguei à parte superior das coxas, na curva que levava às nádegas, ela emitiu um suspiro quase inaudível. Meus polegares se aproximaram do centro proibido, massageando os músculos.
Ela abriu levemente as pernas, deixando uma vista privilegiada daquela buceta maravilhosa, e eu pude ver que estava toda melada. Eu tinha esse poder todo sobre ela?
- As costas - ela ordenou, mas a voz não tinha mais aquele corte de aço.
Mudei de posição, ficando em pé ao lado da cama. Despejei mais óleo em minhas mãos e as posicionei na base de sua coluna. Meus dedos encontraram nós de tensão entre os ombros, e eu trabalhei neles, sentindo-os ceder sob minha força. Meu toque se tornou mais ousado, mais possessivo, como se, por aquele momento, as mãos que a serviam pudessem também reivindicar algo.
- Vira - eu disse, e a ordem saiu antes que eu pudesse pensar.
Ela ficou imóvel por uma fração de segundo que pareceu uma eternidade. Talvez eu tenha me equivocado, talvez isso tudo é só um teste e talvez eu tenha falhado miseravelmente nesse mesmo instante. Mas depois, lentamente, com uma graça que me tirou o fôlego, ela se virou e ficou deitada de frente pra mim, seus seios pesados descansando para os lados, os mamilos eretos. Ela não cobriu nada. Seus olhos, agora abertos, encontraram os meus.
- Continue - sussurrou, e a palavra foi um desafio e uma concessão.
Minhas mãos, agora, não tremiam. Movidas por uma fúria silenciosa e um desejo que consumia tudo, elas desceram do pescoço para os ombros, depois para as laterais dos seios, contornando-os sem tocá-los diretamente, uma tortura para nós dois. O óleo fazia sua pele brilhar como um mosaico de tentação. Meus dedos desceram pelo abdômen, traçando círculos hipnóticos até os quadris. Cada toque era uma afirmação: Eu conheço este corpo. Eu o lavei. Eu o massageio. Ele é seu, mas, neste momento, é meu para tocar.
Foi então que ela levou a mão direita até a minha virilha. Seus dedos contornaram o volume da minha rola através do tecido apertado.
- O seu corpo é um livro aberto, Daniel - ela murmurou, os olhos fixos nos meus.
Sem pressa, ela desabotoou minha calça e puxou o zíper. Sua mão envolveu meu pau, e o contato foi tão intenso que um gemido gutural rasgou minha garganta.
- Silêncio - ela sussurrou, seus olhos queimando nos meus. - Você é só um instrumento. Instrumentos não gemem. Além do mais, você não terminou seu serviço. Continue a massagem. Aqui - com a mão livre, ela tocou a curva inferior de seu seio esquerdo. - E escute bem: se fizer um bom trabalho, se conseguir se controlar e só gozar quando eu ordenar... - ela apertou meu pau lentamente, o que fez meus olhos revirarem - ...eu permitirei que você goze aqui - a palma de sua mão acariciou a pele pálida e oleosa de seus seios. - Como um cão bem comportado que merece uma guloseima. Aceita?
A proposta era ao mesmo tempo a maior humilhação e a maior promessa do meu mundo. A recompensa não era prazer mútuo, era permissão para sujá-la, para marcar o objeto do meu desejo como propriedade conquistada.
- Aceito, senhora - a resposta saiu entre dentes cerrados.
- Então mostre seu trabalho - ela sussurrou, e começou a se mover novamente.
Minha mente se partiu. Toda a minha consciência estava dividida entre a mão dela, que ditava o ritmo da minha agonia, e minhas próprias mãos, que tinham uma tarefa a ser seguida. Obedeci. Envolvi seus seios, sentindo o peso, a plenitude, a pele incrivelmente macia sob o óleo. Meus dedos se fecharam em volta da carne, massageando com movimentos circulares que tentavam ser metódicos, mas que falhavam a cada puxada certeira da mão dela no meu pau. Eu estava esfregando, apertando, venerando os seios dela enquanto ela me levava à beira do abismo.
- Isso... - ela sussurrou, e pela primeira vez, ouvi um tremor inconfundível naquela voz de aço. Seus olhos estavam fixos no meu rosto, observando cada contração de dor e prazer. - Mais devagar nos mamilos. E não pare, nem por um segundo.
Eu obedeci. Meus polegares circularam as aréolas, depois os mamilos endurecidos. Ela arqueou as costas levemente, um suspiro escapando. Era um poder minúsculo e avassalador: eu podia afetá-la. Mas a mão dela no meu corpo era um lembrete constante de quem estava no controle.
Ela me levou ao limite, uma subida lenta e excruciante onde o mundo se estreitou para o ponto de contato entre sua palma e minha pele, e então... parou. Tirou a mão.
- Ainda não - disse ela, ofegante. - Você não se controlou o suficiente. Continue massageando. Prove que merece.
A frustração foi um grito mudo dentro de mim. Meus dedos se contraíram em seus seios, quase uma agressão, antes de eu forçar um toque mais suave, mais dedicado. Eu estava aprendendo. Aprendendo a separar meu corpo em dois: a parte que era um animal enjaulado, e a parte que era um servo devoto, focado em amassar a carne macia sob minhas mãos. Ela observou, e depois de um longo minuto onde só se ouvia nossa respiração ofegante, ela colocou a mão novamente em volta da minha rola.
Foi um ciclo. Ela me levava ao limite, parava, e eu tinha que continuar massageando, acariciando, servindo, até que ela julgasse que eu havia "aguentado" o suficiente para uma nova rodada de tortura. Mais ou menos quarenta minutos se passaram. Eu estava suado, tremendo, no limite absoluto da minha sanidade e do meu corpo.
- Que bonitinho - ela arfou, em um momento em que minhas pernas falharam e eu quase despenquei sobre ela. - Se tremendo todo, implorando com o corpo, mas continua servindo. Está se tornando... confiável.
Na última vez, quando a visão começou a escurecer e eu sabia que não aguentaria mais um segundo, ela não tirou a mão. Acelerou, seus olhos escuros e vitoriosos fixos nos meus.
- Pode gozar, Daniel - a voz dela foi um rugido baixo, uma ordem final. - Goza nos meus peitos. Quero ver seu leite em mim.
Foi como a detonação de uma bomba que vinha sendo armada há semanas. Um rugido que não era mais humano saiu de mim, e eu jorrei em jatos quentes e espessos sobre a pele pálida e oleosa de seus seios. Aquela era a visão mais obscena e triunfante da minha vida. Eu estava marcando minha madrasta, com sua permissão.
Eu cambaleei e me ajoelhei ao lado dela, com a respiração ofegante.
Ela ficou deitada por um momento, o peito subindo e descendo rapidamente, coberto por mim. Então, com um movimento lento, ela se levantou, minha porra escorrendo pelas curvas de seus seios.
- Isso foi muito... Adequado - murmurou, examinando a marca que eu deixei com um olhar crítico, quase orgulhoso. - Você cumpriu sua palavra e meu comando. Está se tornando um escravo cada vez mais competente - ela fez uma pausa, seus olhos subindo para encontrar os meus, que ainda estavam turvos de exaustão e êxtase. - Como uma pequena recompensa por essa obediência, você está dispensado das tarefas amanhã. Pode sair. Faça o que quiser... - houve uma pausa deliberada, um fio de malícia no olhar. - ...mas não esteja em casa durante a noite. Terei uma visita importante. Agora, pode ir para o seu quarto.
Nem lembro como cheguei ao meu quarto, só sei que, ao cair no sono, um pensamento raivoso atravessou minha mente: amanhã ela vai trazer outro escravo aqui. E eu não posso fazer nada sobre isso.
O pensamento ecoou em minha cabeça durante toda a manhã de sábado, enquanto eu fingia fazer minhas tarefas. A casa estava silenciosa, mas a expectativa era um zumbido no ar. Clara estava diferente, parecia mais tensa, ou seria apenas minha imaginação? Ela passou por mim no corredor, e seu olhar, por uma fração de segundo, pareceu pesar em mim, talvez avaliando se eu estava aceitando passivamente a exclusão. Deixei meu rosto neutro, obediente. O jogo era esse.
Por volta do meio-dia, liguei para Thiago, o único dos antigos amigos que ainda mandava mensagens genéricas de vez em quando.
- E aí, playboy, ressuscitou? - a voz dele soou alta e falsamente animada do outro lado.
- Mais ou menos, mano. Tô precisando sair dessa casa, me distrair. Tá rolando alguma coisa hoje?
- Claro! Vou juntar a galera aqui em casa mesmo. Meus pais viajaram. Cerveja gelada, umas minas... o pacote completo. Aparece aí, umas oito.
Às oito e meia, eu estava na frente da mansão dos pais do Thiago, me sentindo como um impostor. A música alta, as risadas, o cheiro de maconha e cerveja, tudo parecia apenas elementos de um mundo ao qual eu não pertencia mais. Dentro, os abraços foram apertados, as vozes muito altas.
- Caralho, Dan! Anda sumidão, véi! Tava com saudade do meu sócio! - gritou Thiago, me enfiando uma garrafa de cerveja na mão.
- É, tive que dar uma segurada. Coisa do meu pai, da herança... Tô colocando a cabeça no lugar só agora - a mentira saiu fácil.
- Foda, mano. Mas e a Paloma? Cadê a sua gostosinha? Vocês tinham que vir juntos.
Outro amigo nosso se aproximou, os olhos vidrados.
- Falando nela... ela contou uma história bem torta hein, Dan. Disse que estava na sua sala, quase metendo, e a sua madrasta passou, olhou pra vocês dois e nem falou nada. Tipo, uma cena de terror, mano! Isso é verdade?
O sangue esfriou nas minhas veias, mas meu rosto treinado não vacilou. Dei uma risada curta, forçada.
- Tá maluco? A Paloma sempre foi mentirosa, cara. Inventava cada coisa pra chamar atenção, se você soubesse... Terminei com ela, ela não aceitou muito bem. Deve estar espalhando essas paradas por vingança mesmo. Pura ficção - abanei a mão, como se fosse a coisa mais ridícula do mundo.
A tentativa de desviar o assunto funcionou. Eles riram, chamaram Paloma de louca, e a conversa derivou para outros rumos. Eu fingi rir, fingi beber, fingi curtir a música. Fingi ser o Daniel de antes. Mas era como vestir uma pele que já não servia mais.
Thiago, mais perceptivo do que eu lembrava, me puxou para um canto mais tarde.
- Cara, você tá meio pra baixo, né? Olha, relaxa. Vem cá - ele me guiou até um grupo de garotas. - Gente, esse é o Daniel, meu brother de infância. Daniel, essa é a Giovana.
Giovana. Era linda daquele jeito caro e genérico: cabelo com luzes loiras, pele branca, corpo escultural, peitos grandes, cintura fina, bunda redonda. Ela era baixinha, usava um vestido curtíssimo e tinha um corpo perfeito. Deveria ser tudo que eu queria. Ela sorriu, me avaliou com olhos que já faziam cálculos sobre meu tênis, minha corrente de ouro, meu ar de “herdeiro” que eu ainda tentava projetar.
Conversamos. Ela era superficial, risada alta, mãos que tocavam meu braço com muita facilidade. Nos beijamos em um canto da sala, sua língua agressiva, suas mãos descendo pelo meu peito. Mas era só carne. Era só movimento. Em cada beijo, eu via o olhar frio de Clara me observando. Em cada toque dela, sentia a memória das mãos escorregadias de óleo no corpo dela.
- Que tal a gente dar uma subidinha? - Giovanna sussurrou no meu ouvido - O que não falta nessa mansão é quarto.
- Claro, por que não? - respondi, tentando fingir que tinha muito mais interesse do que realmente tinha.
Subimos as escadas, e ela me puxou para um quarto de hóspedes. Mal a porta fechou, ela estava de joelhos, puxando meu zíper com uma habilidade profissional. Em segundos, minha rola estava na boca quente e úmida dela. Ela chupava com uma devoção de pornô, gemendo alto, olhando para cima para me “provar” que estava gostando. Era submissa. Era obediente. Era tudo que, teoricamente, eu deveria desejar.
Mas tudo isso era uma encenação muito, muito fraca.
Enquanto ela engolia, eu colocava a mão na nuca dela e empurrava, não com violência, mas com autoridade. Ela gemeu, mas aceitou, os olhos marejando. Clara nunca gemeria assim. Clara lutaria.
- Vira - ordenei, a voz soando estranha até para mim. Eu achei que tinha desacostumado de dar ordens.
Giovana se virou, apoiando as mãos na cama, levantando a bunda gigante na minha direção, toda empinada. Levantei seu vestido, puxei a calcinha para o lado. Ela estava molhada, pronta. Puxei uma camisinha da carteira, encapando minha rola com avidez e entrei nela em um movimento seco, sem preparo, sem carícia. Ela gritou, um misto de dor e prazer.
Meus quadris começaram a se mover num ritmo brutal, mecânico. Ainda bem que a música estava alta no andar de baixo. Minha mão esquerda se enroscou em seu cabelo, puxando sua cabeça para trás. Minha mão direita se ergueu e, quase sem pensar, desceu em um tapa seco na sua bochecha.
Ela gemeu e gritou ao mesmo tempo, em choque, mas senti sua buceta se apertar em volta de mim.
- Cala a boca - grunhi, e dei outro tapa. E outro.
Não estava vendo Giovana. Via os cabelos escuros de Clara presos em meus dedos. Via aquele rabo perfeito e pálido, não coberto por óleo, mas suando sob minha possessão. Me via arrancando daquela boca calculista os gemidos que ela negava. Cada tapa na cara de Giovana era o tapa que eu queria dar na face impassível de Clara. Cada puxão de cabelo era a rédea que eu queria segurar.
“Você me acha uma obra-prima?” pensei, furioso, fodendo a buceta daquela garota anônima até assar. “Eu vou te mostrar o que uma obra-prima pode fazer. Vou te fazer engasgar com seu próprio controle. Vou te fazer pedir por mais.”
Giovana gozou com um grito abafado, seu corpo tremendo violentamente. Eu não parei, continuei usando seu corpo, até que minha própria tensão explodiu em um gemido rouco e mudo.
Descansei sobre suas costas por um momento, ofegante. O cheiro era de sexo barato e suor. O vazio que se seguiu foi mais profundo que qualquer outro.
Giovana se virou, com um sorriso amarelo.
- Nossa... Você é intenso, hein?
Eu não respondi. Me arrumei em silêncio. Enquanto ela se recompunha, falando algo sobre trocar números, eu já estava saindo do quarto.
Desci as escadas, ignorei os gritos dos meus amigos, e saí da casa. A noite estava fria. Encostei em uma parede, acendi um cigarro que não fumava há meses, e tremia não de frio, mas da verdade que se cristalizava dentro de mim.
A submissão de Giovana não me deu poder. Só me mostrou o gosto raso do que eu realmente queria. Eu não queria uma escrava qualquer.
Queria uma escrava específica.
Queria quebrar a minha Senhora.
Queria Clara de joelhos, não por obediência treinada, mas por desejo rendido. Queria o grito rouco dela sendo extraído pela minha força, não concedido pela sua condescendência. O ódio agora tinha um formato, um objetivo, um método.
Ela achava que estava me testando, me soltando na coleira. Achava que seu plano estava se desenrolando perfeitamente.
Mas quando eu voltasse para aquela casa, não seria mais o escravo que obedece.
(N.A.: Pois é, meus caros... Parece que o jogo está prestes a virar!)
