Parte 6 – Aposta.
Na segunda feira eu me sentia um pouco aflito. Por mais excitante que fosse aquilo tudo, eu não queria Tomás me degradando na frente das pessoas, especialmente na faculdade. Ele me acalmava, me dizia que era só eu o respeitar que eu não teria problemas, e assim foi mesmo. Ele me mandava fazer as coisas e eu fazia, e ele nunca usava aquelas palavras que me enchiam de tesão fora de casa. Durante as férias, quando eu voltei pra minha cidade, Tomás me ligava todos os dias exceto nas sextas, mais ou menos no mesmo horário. Eu sempre estava na cama já, me preparando para dormir. Eu sabia que ele fazia aquilo pra ter certeza de que eu estava em casa, mas não reclamava pois me era conviniente ser naquele horário. Quer dizer, eu não estaria na rua de toda forma, e todo mundo em casa já estaria dormindo. Ninguém para me escutar chamá-lo de senhor ou dizer as safadezas que ele mandava. Eu confesso que as vezes sentia uma pontada de ciúmes quando ele não ligava nas sextas. Eu tinha medo de ele estar com outra pessoa, para ser sincero. Numa dessas, eu me convenci de que não tínhamos nada formal, e ele podia fazer o que bem entendesse, assim como eu também podia. Eu voltei na quinta feira antes das aulas começarem. Quando cheguei em casa, me surpreendi de encontrá-la limpa. Tomás não era muito chegado nos serviços domésticos, e, por algum motivo, eu tinha certeza de que encontraria uma zona.
- Você voltou. – Falou, quando me viu entrando. Foi até mim e pegou a mala que eu trazia, carregando para dentro de casa enquanto dizia. – Por que você não me disse? Eu te buscava na rodoviária.
- Eu vim de carona. Parei aqui na porta de casa. Eu achava que a casa estaria caindo aos pedaços, mas você limpou.
- Ah, mas estava mesmo. – Comentou, rindo. – Eu chamei uma diarista antes de ontem e ela deu um jeito em tudo aqui.
- Que bom. – Respondi, também rindo. Nesse ponto, Tomás já tinha colocado minha mala no canto da sala e voltado até mim. Ele simplesmente me agarrou e começou a me beijar o pescoço.
- Eu estou doido pra usar você. Mas eu fiz uma bobagem. – Falou, com ar de culpado. Meu estômago revirou, pois eu tinha certeza de que ele ia falar que ficou com alguém enquanto eu estava fora. Me antecipando, disse.
- Ouça, Tomás, tudo bem. Nós… não temos nada sério. Você não precisa me falar nada.
- O que? Você está pensando que eu arrumei outra putinha? – Indagou. Então riu, me beijou a boca e disse. – Que gracinha, você está com ciúmes. Mas não, eu não arranjei outra.
- O que foi então?
- Bem, eu prometi a você que ia tirar seu cabaço assim que você voltasse. Daí eu tive a infeliz ideia de não… me aliviar… por uns dias. Sabe, eu queria ter porra suficiente pra encher todo o espaço vazio dessa cabecinha estúpida. – Falou, calmo, enquanto acariciava meus cabelos. Sempre que ele falava comigo como se tentasse explicar física quântica para uma criança, eu sabia que podia esperar por uma seção de prazer intenso. Meu pau, claro, logo dava sinais de vida. – Mas eu estive pensando hoje, isso não é bom. Sabe por quê?
- Por quê?
- Porque agora eu tô galudo. Minhas bolas estão até doloridas. Eu iria te pegar e macetar com tanta força, que você ia precisar de, pelo menos, dois dias de descanso. Você iria adorar, é claro, mas eu não ia me segurar por muito tempo. Ia socar um litro de porra pra dentro de você em cinco minutos. Eu não quero assim. Quero que seja bem demorado e prazeroso pra mim. Quero ouvir você gritar meu nome em desespero antes de eu esporrar você. Você também quer assim, não quer?
- Quero. – Sibilei, envolvido, o corpo queimando.
- Eu sei. Você vai ter que dar um jeito antes então. Vai ser um desperdiço, toda essa porra que eu venho guardando não parar no fundo do seu cu, mas você vai ter que tirar ela com a sua boquinha.
- Vai ser um prazer.
- Claro que vai. – Respondeu, agora me acariciando o rosto. Com a voz firme, continuou. – Mas tem outras coisas que precisamos fazer antes. Primeiro de tudo: desde quando você voltou a me tratar por você? Desde que passou por aquela porta você está me tratando como se fôssemos iguais.
- Eu… me desculpa, senhor. Eu agi errado.
- Agiu, sim. Não repita.
- Não vou. Me desculpe, meu mestre.
- Bom menino. Eu vou relevar dessa vez. – Falou, enquanto tirava a blusa. Ele me segurou pela nuca e me trouxe até sua axila esquerda, segurando e esfregando meu rosto ali. – Sabe, talvez você tenha esquecido do meu cheiro. Isso é pra você se lembrar. Agora, lambe.
Eu coloquei a língua pra fora, lambendo seus pelos. De início eu sentia um pouco de nojo, mas logo foi substituir pelo tesão. Ele me fez beijar seus pés e me desculpar por ter ficado longe do meu homem, e eu fiz. Depois, finalmente, ele me mandou chupar seu pau. Nada havia mudado, ele ainda me fodia a garganta sem dó, como fez todas as outras vezes, e eu ainda amava aquilo. Ele, de fato, não demorou a gozar. Gozou com a cabeça do pau dentro da minha boca, depois me mandou mostrar, bateu no meu rosto e mandou que eu engolisse. Eu fiz com dificuldade, pois era uma quantidade absurda de esperma. Então, mandou que eu o seguisse de quatro, e fomos para o seu quarto. Ele se sentou na cama e mandou que eu o chupasse de novo. Quando seu pau já estava todo melado de baba, ele se levantou, buscou um tubo de lubrificante e me mandou deitar na cama. Eu fiz, e ele veio de joelhos, o pau na altura do meu rosto, enquanto dizia.
- Olha bem pra ponta da minha pica. É aí que vai ficar seu cabaço. A cabeça do meu pau vai transformar você numa fêmea. Beija ela e agradece.
Eu beijei com devoção, agradecendo enquanto o olhava nos olhos e o via sorrir. Ele se deitou atrás de mim, passou lubrificante no pau e começou a pincelar no meu cu. Eu tinha um pouco de receio, mas sentir aquela fricção estava me deixando maluco. Depois de um tempo, ele colocou a cabeça pra dentro e começou a forçar a entrada do resto do corpo. Eu gemia, aquilo doía, mas ele beijava meu rosto enquanto me dizia pra aguentar só mais um pouco, que jaja passava, que eu o estava deixando muito feliz. Tudo aquilo me dava forças para deixá-lo continuar. Quando senti seus pelos me tocando, soube que ele estava todo dentro de mim. Ele ficou parado por um momento, como se quisesse que eu me acostumasse com aquilo.
- Eu vou começar a bombar, putinha. Vou começar de leve, mas não vou ficar na maciota o tempo todo não. Só pra você se acostumar. Se doer, me fala.
- Sim senhor. – Respondi, com certa dificuldade. Eu não sabia que era tão difícil falar quando se tem um cacete grosso como aquele enterrado em você.
- Muito bem. – Falou, começando a bombar bem devagar. Sua boca estava na altura do meu ouvido, e ele sussurrava, a cada metida. – Boa putinha. Finalmente vai satisfazer seu macho por completo. Finalmente vai se sentir verdadeiramente útil. Tá gostoso, minha vagabundinha.
- Está…sim… senhor – Sibilava, entre gemidos.
- E assim? Assim é gostoso? – Perguntou, aumentando o ritmo. Eu só gemi. Ele foi aumentando gradativamente e, quando eu dei por mim, a cama já até rangia com seus movimentos rápidos. – Putinha. Viadinho adorador de macho. Tá gostando de ser enrrabada, vadia? Tá gostando de ser fêmea, tá?
- Estou mestre. O senhor é maravilhoso. O senhor é o melhor. – Dizia. Eu já tinha me acostumado e aquela sensação estava me levando ao delírio.
- Vagabunda. Você é imunda. Fica de quatro pra levar mais rola, sua piranha. – Ordenou. E eu obedeci, é claro. Ele me comeu de quatro, depois de pé, ao lado da janela, de frango na cama de volta, e, por fim, me mandou ficar de quatro novamente. – Isso, puta. Quem é seu dono?
- O senhor é meu dono. Eu sou a putinha do alfa Tomás.
- Isso mesmo, vadiazinha. Eu sou seu alfa. Encosta a cabeça na cama e empina esse cuzinho apertado de puta recém-desvirginada para mim, vai.
Eu fiz exatamente como ele mandou. Tomás colocou um dos pés bem em cima do meu rosto, e começou e me foder como um animal. Forte, rápido, como se tivesse urgência. Toda vez que seu corpo batia no meu, um barulho alto tomava conta do quarto. Eu gemia, preso pelo seu pé na minha cabeça, enquanto me tocava. Tomás batia na minha bunda sem dó enquanto se enfiava ali com força. Eu estava começando a ficar dolorido quando ele, gritando em comando, ordenou.
- Goza, viadinho. Eu quero sentir seu cuzinho apertando meu pauzão enquanto você goza. Quero te esporrar sentindo seus espasmos. Mostra que seu alfa te deu prazer, vagabunda gostosa.
E eu gozei. Era incrível como até uma ordem daquela, vinda dele, meu corpo fazia questão de cumprir. Enquanto eu quase convulsionava, ele me puxou, me prendendo colado a ele, como se tivesse medo de que eu fugisse, e eu o ouvi literalmente urrar. Alto, grosso. O som de um macho tendo prazer. Aquilo me levou pra cima das nuvens. Os jatos quentes dentro de mim também me deixavam anestesiado, em transe, num estado de Nirvana. Eu dei prazer ao macho alfa da casa, e aquilo era impagável. Eu estava dolorido, cansado, todo suado, mas cheio de orgulho.
- Pronto. Agora você é oficialmente minha mulherzinha. – Falou, caindo cansado ao meu lado. – Sua virgindade está perdida no meu pauzão agora. Eu te fiz de fêmea e você é completamente meu. Só meu.
- Só seu. – Falei, arfando, sorridente. – Obrigado, meu alfa. O senhor é incrível.
- Sou, sim. – Respondeu, os olhos fechados enquanto sorria orgulhoso. Eu fui me levantar, e ele abriu os olhos, dizendo. – Onde você vai?
- Bem, eu preciso de um banho.
- Não! – Respondeu, me segurando pelo pulso e me puxando, me fazendo deitar com a cabeça apoiada em seu peito. – Agora não! Fica aqui mais um pouco. Você é a primeira putinha que se deita na minha cama, sabia?
- Não senhor. – Respondi. Eu comecei a correr os dedos levemente sobre os pelos do seu peito, acariciando, enquanto dizia, relaxado. – Eu fico honrado de ser o primeiro.
- Fique mesmo. Você é diferente das outras putas que eu tive. Você me entende, sabe o que eu preciso pra ser completo, e oferece pra mim. – Falou, manso. Ele beijou o topo da minha cabeça antes de continuar. – Eu senti… saudades… suas… esses dias. Você sabe, já tinha me acostumado com a sua presença. Ficar observando você. Vendo você se esforçar pra me agradar.
- Eu também senti saudades suas. – Confessei, baixo, me aninhando mais no peito dele. – Saudades de ter você por perto, de poder cuidar de você… até da bagunça que você faz na casa eu tive saudade.
Ele riu enquanto beijava mais uma vez o topo da minha cabeça. Nós estávamos suados, ali, abraçados, cansados e acabamos dormindo. Todos os dias depois disso eram de muita dominação e submissão. Nós éramos completamente alinhados, e eu sabia antecipar qualquer mínima vontade de Tomás. Eu o fazia feliz e ele me fazia também. Na faculdade, Tomás era moderado, permitia que eu o tratasse por você e tudo o mais, desde que eu me afastasse de Vini, o que eu fiz. Todas as sextas, Tomás proporcionava um show para seus amigos de jogo. Ele já nem colocava fone, e eu ficava ouvindo tudo. Eles me xingavam, exaltavam Tomás, e tudo isso nos excitava. Às vezes, Tomás os deixava coordenar o que ele iria fazer comigo e eles pareciam ir a loucura. Tomás gostava das noites de sexta, e eu passei a gostar muito mais.
Ele me arrumou um estágio onde trabalhava, e eu era assistente dele lá. Minhas funções eram preencher planilha, conversar com clientes, chupá-lo por baixo da mesa do escritório, vendas e outras coisas. Meu dia eram, quase todos, em profunda adoração pela figura dele, que se amarrava nisso. No final do ano, Tomás passou uns dias na minha cidade, e minha família o adorou. Mal sabiam o que aquele homem simpático e prestativo fazia comigo na calada da noite, quando ele me botava no meu devido lugar. Eu fazia tudo por ele, qualquer coisa que ele pedisse. Eu amava Tomás. As coisas começaram a desandar quando estávamos no meio do terceiro período. O professor passou um trabalho enorme que devia ser feito em grupos de três que ele mesmo escolheria os componentes. Ele seguiu a ordem da lista de chamada para montar os grupos, o que resultou num grupo formado por mim, Tomás e Vini, que já nem conversava mais com a gente. Eu já conhecia Tomás o suficiente pra saber o quão irritado ele ficou com aquilo, mas ele não disse nada. Já na primeira reunião em grupo, os dois se desentenderam.
- Mano, tu é cabaço demais, seu betinha. – Bradou Tomás, depois de Vini dar uma simples opinião. – Que ideia torta. A trabalheira que a gente vai ter pra construir um modelo desses.
- Abaixa a bola, Tomás. Não precisa falar assim comigo. – Respondeu Vini. – O tema é produção de energia sustentável, eu achei esse legal.
- Mas é um betinha mesmo. Não compensa esse trabalho todo pra ganhar 15 pontos. Vamos fazer de éolica mesmo, compramos um cata-vento, sei lá.
- Aí não é fazer. O objetivo do trabalho é fazer um modelo, não comprar pronto.
Eu não entrava na discussão. De certa forma, eu concordava com Vini, mas não queria ficar contra Tomás. As outras reuniões também tinham esse tipo de atrito, e foi um custo, em casa, convencer Tomás a fazer bem-feito o trabalho. Ele também só chamava Vini de “betinha” agora, o que incomodava Vini, mas ele só relevava. Eu já tinha pedido Tomás para parar com isso várias vezes, mas ele parecia nunca escutar. O ápice do “confronto” entre eles foi pouco antes de termos de apresentar, de fato, o projeto.
- Tá ficando bom. – Comentei.
- Está mesmo. Por que você que tá fazendo. Se fosse depender do betinha, ia estar um lixo. – Disse Tomás, seco.
- Todos estão ajudando. – Falei, tentando não alongar o assunto. – Graças a Deus já entregamos sexta.
- Pois é. Por falar em sexta, você nunca mais apareceu pra jogar na sexta, betinha, o que aconteceu? Jogou umas duas vezes com a gente sumiu. – Indagou Tomás.
- Não gostei do seu grupinho. – Respondeu Vini, seco.
- Você devia aparecer. Eu e meu namoradinho novo estamos dando algumas aulas pros moleques lá. – Falou. Eu engoli seco e olhei fixamente para o chão. Não é possível que Tomás falaria alguma coisa que denunciasse que eu era o tal namoradinho novo. – Ele me obedece em qualquer coisa que eu mando, deixei ele bem submisso. Agora ele está me ajudando a ensinar os moleques a usar uma puta. Ensinando a eles a não serem, você sabe, betinhas, assim, tipo você. Eu posso te ensinar também.
- Porra mano, qual foi, Tomás? – Bradou Vini. - Você tá tirando com a minha cara?
- O que é isso? O betinha está querendo cantar de macho? – Tomás deu uma risada. Vini ficou vermelho enquanto respondia.
- E você se acha, não é? Acha que é o bambambam. Você é só um frouxo metido a macho.
- Eu? Metido a macho? – Riu Tomás. Então, olhando pra mim, perguntou. – Rafinha, o que você acha? Diga pra gente. Entre ele e eu: quem é o alfa e quem é o beta?
- Eu…!? – Disse, com a respiração pesada. – Eu não acho nada. Me deixem fora dessa.
- Diga logo. – Falou, sério, depois de alguns segundos em silencio, com os olhos fixos nos meus. Eu respirei fundo, tenso. Eu não ia falar aquilo. Eu só peguei minha garrafa e disse.
- Vocês que se entendam. Eu vou buscar uma água.
Eu saí antes de qualquer reação de Tomás. Corri até o bebedouro, enchi a garrafa e tomei metade dela. Queria fazer uma hora ali, deixar o assunto morrer lá dentro e só depois voltar. Eu enchi de novo a garrafa, passei pelo banheiro, dei uma voltinha pelo corredor e só então voltei para a sala que estávamos usando. A discussão estava ainda mais acalorada que quando eu saí. Da porta, já ouvi Vini, exaltado.
- Você é um merda. Eu tenho pena desse garoto que tá namorando você.
- Não tenha. Ele gosta mais disso tudo do que eu. Você que é um betinha que tem receio de tratar puta do jeito que tem que fazer. – Dizia Tomás, com a voz irônica. – Eu só quero ajudar você a não ser mais assim.
- Você que é um betinha. – Falava Vini, saindo da sala. A dar de cara comigo, falou, alto o suficiente pra que Tomás escutasse. – Esse Tomás é um escroto.
- Pra que fazer isso? – Disse, entrando na sala.
- Tenho que colocar esse beta no lugar dele. E você? Eu mandei você fazer uma coisa e você desobedeceu. Eu vou deixar passar, mas não vou relevar de novo.
- O que? Você vai me bater? – Falei, com uma nota de ironia, enquanto me sentava do lado dele. Tomás sorriu frio, colocou o dedo indicador no meu queixo e me forçou a encará-lo, enquanto dizia.
- Claro que não. Afinal de contas, você iria era gostar se eu fizesse isso. Mas eu posso te castigar como eu achar necessário, como dizia nas regras que você aceitou. Eu nunca precisei fazer, mas isso não quer dizer que eu vá hesitar quando precisar.
- Não vai ser preciso se você parar de fazer isso. O garoto não fez nada, que implicância besta.
- Eu não gosto dele. Nunca gostei. – Assumiu Tomás. Nesse momento, Vini entrou de volta. Tomás soltou meu queixo devagar, e, sem tirar os olhos de mim, disse. – Voltou, betinha!? Ótimo. O Rafael já ia dizer quem ele achava ser o alfa entre nós dois.
- Tomás, por favor. Já chega. – Pedi, sem desviar os olhos dele. Ele ficou em silêncio por um bom tempo, antes de falar, com um sorriso de canto.
- O Rafinha aqui é o meu namoradinho novo. É ele quem participa comigo das farras de sexta. – Seus olhos estavam fixos em mim. Meu chão pareceu se abrir, e eu estava tonto. Tomás deu uma risada, e continuou. – Você se lembra que me pediu pra sondar se ele tinha interesse em você quando a gente era calouro? O mais engraçado foi que só depois disso eu comecei a me interessar nele de fato. E agora ele é meu. Só meu.
- Isso… é verdade? – Perguntou Vini. Eu não conseguia levantar os olhos pra ele. – Quer dizer, ele disse que faz coisas… humilhantes… com esse namoradinho e ele gosta. Você…
- Claro que é verdade. Diga a ele, Rafinha. – Falou Tomás, acariciando com certa ternura meus cabelos. – E não há nada de humilhante. O Rafa é um bom menino, sabe obedecer ao dono dele.
- Dono!? O que é isso!? Você… gosta… disso? – Perguntou pra mim. Eu não disse nada. Foi o silêncio mais constrangedor da minha vida, e foi Tomás quem quebrou.
- Isso não é da sua conta, betinha. Nós somos namorados, o que fazemos no quarto é problema nosso. – Falou, um pouco agressivo, em direção a Vini. Só então eu levantei o rosto e o olhei. Era a primeira vez que ele… nomeava… o que a gente tinha. Então, com suavidade, se virou pra mim, dizendo. – Você é meu namoradinho porque é um bom menino. Agora, diga: quem aqui é o alfa?
- Você é o alfa. – Falei, depois de um tempo inerte. Era como se ele conseguisse me hipnotizar às vezes. Ele veio até mim e beijou minha testa. Eu já nem pensava em constrangimento.
- Isso já responde tudo. Anota a primeira dica, betinha: um viadinho faz qualquer coisa que você quiser. É só dizer como ele é um bom menino que ele não mede esforços pra te agradar. – Falou, paciente, enquanto se levantava e me segurava pelo pulso. – Agora seja você um bom menino e junte tudo aqui. Eu vou pra casa usar meu namoradinho agora. Apareça na sexta.
Eu nem preciso dizer que não conseguia mais olhar para o Vinicius. Os dois dias que se passaram antes do trabalho, eu o evitava e ele também fazia isso. Nós só conversamos brevemente no dia da apresentação do trabalho, na sexta feira. À noite, naquele dia, eu já tinha desencanado dessa história e me preparava para servir Tomás enquanto ele jogava com os amigos. Era o dia que eu mais gostava da semana agora. Eu já estava com o pau dele atolado na garganta quando o escutei dizer.
- Olha só! O betinha entrou. Resolveu vir aprender a ser macho com o pai?
- Macho? Você? É um bom piadista, no máximo. – Falou a voz de Vini do outro lado da caixa de som. Eu gelei e parei imediatamente de chupá-lo, olhando para ele. Mas ele puxou minha nuca de volta, colocando a rola de volta na minha boca, enquanto, num tom de deboche, falava.
- Você fala assim, mas veio pra ver. Aposto que vai anotar tudo que ouvir hoje. Quer dizer… se não tiver ocupado demais batendo punheta.
- Eu vim tirar sua marra. – Falou Vini. – Vim fazer uma aposta. Uma partidinha. Um contra o outro, quem vencer, leva. Tá afim?
- Aposta!? – Disse Tomás, depois de uma gargalhada. – Fala, betinha, o que você quer apostar comigo? Não vai muito alto, porque eu vou cobrar quando ganhar.
- Se você vencer, eu digo pra todo mundo aqui da sala que eu sou um betinha, igual você diz. Eu deixo você gravar um vídeo meu beijando seus pés e te chamando de alfa ou…
- Eu aceito. – O interrompeu Tomás, imediatamente, rindo com arrogância.
- Nem deixou o mano terminar de falar. – Disse um amigo que Tomás que agora, eu já sabia, se chamava Caíque. – Imagina ele pede sua casa na aposta.
- Porra, é mesmo. – Riu um outro amigo. – Moleque ganhando a partida e ficando com o carro de Tomás.
Os amigos dele começaram a rir numa algazarra, e Tomás ria também enquanto coordenava o boquete que eu pagava para ele. Mesmo chupando, eu tentava prestar atenção no que diziam, especialmente quando ouvi Vini dizendo.
- Não, não vou querer nada disso. Se eu ganhar, na próxima sexta, eu vou jogar com vocês aí da sua casa, Tomás. Você vai vir jogar também, claro, mas eu quem vou jogar usando sua puta. Eu quem vou ensinar a usar boca de viado. E eu só vou parar quando eu gozar.
A mão de Tomás deu uma leve afrouxada e eu saí de uma vez, olhando para ele. Ele também me olhava, a feição seria, e eu balançava a cabeça negativamente, dizendo pra ele não fazer isso. Caíque deu uma risada estridente, dizendo “agora já foi, quem mandou aceitar antes”, o que fez todos rirem. Eu estava com os olhos arregalados, implorando silenciosamente pra ele não aceitar. Mas Tomás era competitivo. E aquelas provocações… eu sabia que ele ia aceitar. E ele aceitou. Com a voz calma, como se não tivesse com o rosto travado, disse.
- Pode vir, betinha. E se prepare pra beijar meus pés e se declarar beta para o mundo. Quer começar a partida agora?
- Não, hoje não.
- Já amarelou?
- Não. Só não quero te dar a chance de dizer que perdeu porque a puta te mamando te desconcentrou. – Desafiou Vini. – Na quarta está bom pra você?
- Está ótimo. Quando você quiser. Vai ser uma honra te ajudar a se assumir como o betinha que você é.
- Excelente. – Retrucou. – Por hoje, só use sua puta normalmente. Eu quero saber o que posso fazer com ela, até onde eu posso ir… enfim, eu vou saber hoje, ouvindo vocês.
Mais uma onda de risadas. O jogo foi normal, como era toda sexta. Tomás até deixou Vini escolher quantas vezes ele bateria com o pau no meu rosto. Vini escolheu sete, e sete vezes o eco pesado da carne dura batendo no meu rosto estalou no ar. Depois que Tomás gozou em todo o meu rosto, como os amigos haviam pedido, eu fui tomar banho e ele ficou ali. Eu demorei de propósito, queria sair quando ele já tivesse desligado. Quando sai, ele agia como se nada tivesse acontecido e, quando eu perguntei sobre a aposta, ele riu e disse que “já tava no papo”. Mas eu ainda estava apreensivo. Nesse tempo, nós já dividíamos o mesmo quarto, que era a suíte que ele ocupava sozinho antes. Na quarta, ele pediu que eu só fosse me deitar depois da partida, que esperasse na sala, e eu concordei. Eu acabei cochilando no sofá e acordei com um barulho de algo se quebrando no quarto.
- Tomás!? O que houve? – Perguntei quando cheguei no quarto.
- Eu quebrei um copo. – Respondeu, seco. - Vá se deitar. Eu vou tomar banho e depois eu limpo.
- Eu posso catar, não…
- Eu mandei você ir se deitar. – Me interrompeu. – Eu vou tomar um banho e depois eu limpo.
Ele já entrou no banheiro, batendo a porta, sem me dar a oportunidade de dizer nada. O chuveiro ligou enquanto eu me deitava, e ele ficou muito tempo lá. Quando saiu, só se deitou do meu lado, virou para o canto e ficou quieto, como se estivesse dormindo. De manhã, tomou café em silêncio e cortou toda tentativa minha de me aproximar. Eu já tinha entendido o que tinha acontecido. Deixei-o de canto, processando tudo, e só fiquei em silêncio. Na faculdade, assim que entramos na sala, Vini veio até nós.
- É amanhã o grande dia. Mal posso esperar.
- Nós não vamos fazer isso. – Eu falei, fazendo Vini tirar os olhos de Tomás e colocar em mim. – Vini, nós somos… ou éramos… amigos.
- Eu sei disso. Eu sinto muito que seja com você. Mas alguém precisava arrancar essa marra dele. – Falou. Então, se virou para Tomás e, num tom de desafio, disse. – A não ser que você queira amarelar. Que já mostre logo o covarde que você é. Eu vou entender. Infelizmente, seus amiguinhos, não vão. Você vai ser um homem sem palavra pelo resto da vida.
- É amanhã. – Confirmou Tomás, com um rosnado, depois de olhar com puro ódio para Vini por um bom tempo. – Não chegue mais perto de nós até lá.