Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer. Capítulo 20 — Entre o que quase foi...

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Gay
Contém 6562 palavras
Data: 05/02/2026 19:26:43

O ar do quarto parecia mais denso, carregado com o magnetismo que havíamos trazido do banho. Nossos corpos, agora secos, mas ainda exalando o calor da água morna e da excitação, brilhavam sob a luz suave do abajur. Arthuro não disse nada; ele apenas envolveu meus dedos nos seus e me puxou com uma firmeza possessiva em direção à cama de casal.

​Ele se sentou na beira do colchão, as pernas afastadas, exibindo toda a sua masculinidade imponente e relaxada. Eu, movido por um instinto de entrega e adoração, prontamente me ajoelhei entre seus joelhos, ficando na altura exata para encarar o abismo de desejo em seus olhos claros. Ficamos ali por alguns segundos, apenas respirando o mesmo ar, até que ele inclinou o tronco e me selou em um beijo profundo.

Enquanto nossas línguas se exploravam com uma urgência contida, minha mão direita encontrou o caminho natural até o seu membro. Ele estava rígido, uma coluna de carne quente e latejante que parecia pulsar no ritmo do meu coração. Comecei a acariciá-lo de cima para baixo, sentindo a textura da pele esticada, a umidade que começava a surgir na ponta e a força daquela ereção.

​— Bêr... — ele sussurrou contra meus lábios, a voz falhando, carregada de uma satisfação visceral.

​— Eu também acho, Arthuro... — respondi num fio de voz, entendendo exatamente o que aquele gemido significava.

​Ele se afastou apenas o suficiente para me olhar, a expressão emoldurada por uma necessidade bruta.

— Coloca sua boca de novo, por favor... — ele pediu, quase como uma prece. — Faz igual você estava fazendo no banheiro. Estava gostoso demais. Eu não consigo parar de pensar nisso.

Eu sorri, um gesto lento e cúmplice. Retirei a mão e, sem desviar os olhos dos dele, aproximei meu rosto daquela parte dele que agora exigia toda a minha atenção. Comecei a abocanhá-lo novamente, sentindo o calor extremo da sua pele. Arthuro reagiu de imediato, jogando o corpo para trás e deitando-se transversalmente na cama, deixando apenas as pernas para fora, ancorando-se no chão enquanto eu me dedicava inteiramente a ele.

​Dessa vez, não havia o barulho da água para nos camuflar, então eu era meticuloso. Minha língua traçava o caminho das veias saltadas, circulando a glande com uma lentidão torturante, enquanto minhas mãos não ficavam paradas. Eu deslizava as palmas por suas coxas grossas, subindo pelo abdômen definido e descendo novamente, mapeando cada relevo do seu corpo musculoso. Arthuro era um festival de sensações sob o meu toque. Ele recebia cada movimento meu em um silêncio quase absoluto, quebrado apenas por suspiros pesados e arfadas curtas que ele tentava abafar contra o travesseiro, consciente da proximidade dos meus pais.

Em um momento de provocação, retirei seu pau da boca e parei, observando-o com um brilho atrevido.

— Arthuro... — chamei baixinho.

​Ele abriu os olhos, a visão turva de prazer, focando em mim com dificuldade.

— O que foi? Por que parou?

​— Nada... — ri baixo, vendo o peito dele subir e descer freneticamente. — Só queria ver a sua reação. Queria ver como você ficava quando eu parava.

​Ele soltou uma risada curta, uma mistura de frustração e deleite. Levantou o tronco, apoiando-se nos cotovelos, e levou a mão ao meu rosto. O toque foi um carinho terno, contrastando com a crueza do que estávamos fazendo.

— Finalmente a gente está tendo o nosso momento, Bêr — ele disse, a voz cheia de um carinho que me desarmou.

Não foi nada planejado — respondi, sentindo o peso daquela verdade. — Mas parece que o destino cansou de esperar.

​Levantei-me devagar, ainda mantendo o contato visual. Beijei-o com uma fome renovada enquanto subia sobre o seu corpo. Sentei-me em seu colo, sentindo a presença dele — agora dura, melada pela minha saliva e pulsante — encostar diretamente contra a minha bunda. O contato da pele nua era elétrico. Eu o beijava com uma entrega total, minhas mãos emoldurando o rosto dele enquanto nossas respirações se tornavam uma só.

​Parei por um instante, encostando minha testa na dele, sentindo o calor que emanava de ambos.

— Tem certeza que é isso que você quer? — perguntei, precisando ouvir a confirmação final naquele ambiente que guardava tanto da nossa infância.

Arthuro sorriu, um sorriso que iluminou o rosto e carregou consigo todo o desejo acumulado de anos.

— É isso que eu mais quero, Bernardo. Mais do que qualquer outra coisa hoje.

Ainda sentado sobre o colo dele, sentindo o pulsar constante daquela masculinidade rígida contra a minha pele, o peso da realidade doméstica e do meu próprio corpo me trouxe um momento de hesitação. Arthuro me segurava com uma adoração quase palpável, mas eu senti que precisava frear aquele curso específico.

​— O que foi, Bêr? — ele perguntou, a voz rouca, percebendo o modo como eu o encarava.

​— Eu não queria que fosse "assim"... não aqui, não hoje — respondi, tentando encontrar as palavras certas enquanto via o desejo nublar o olhar dele.

​— Você não quer? — Ele franziu a testa, mas não havia raiva, apenas uma confusão genuína.

— Não é que eu não queira você, Arthuro. Eu só não quero que a nossa primeira vez completa seja desse jeito. Eu quero que seja em outro momento, com mais calma... tudo bem para você?

​Arthuro soltou um suspiro longo, relaxando os ombros contra o colchão, mas sem me soltar.

— Claro, tudo bem. Eu não me importo de te esperar, Bêr. Você sabe disso. Mas olha como a gente já está... — ele deu um sorriso de canto, indicando o estado de ambos.

​Eu ri baixo, sentindo o calor do corpo dele.

— Eu sei. Mas eu só não quero... — eu ia completar, mas ele me interrompeu com uma pergunta direta, sem rodeios.

​— Você não quer dar para mim agora, é isso?

​Senti meu rosto esquentar, mas a intimidade que tínhamos permitia aquela clareza.

— É que... eu acho que a comida não caiu tão bem assim. O jantar foi ótimo, mas meu corpo está reclamando um pouco.

Arthuro soltou uma gargalhada aberta, o som vibrando no peito dele e ecoando no meu.

— Ah! É igual às mulheres, né? Às vezes elas têm as questões delas.

​— É... — respondi, entrando na brincadeira. — Só que comigo é de um jeito diferente, mas o resultado é o mesmo: hoje não é o dia para isso.

​Ele me olhou com uma malícia carinhosa, os olhos percorrendo cada detalhe do meu rosto.

— Bom, tudo bem, não tem problema nenhum. Mas se você quiser arriscar, eu te garanto que não tenho problema com nada disso. Se for com você, eu encaro qualquer coisa.

​Eu coloquei a mão sobre a boca dele, silenciando-o com um sorriso lento.

— Não... eu tenho uma coisa melhor em mente. É que eu também estou com vontade de outra coisa.

Os olhos dele brilharam instantaneamente, uma chama de curiosidade se acendendo.

— O quê? O que você quiser, eu topo. Já disse, com você eu topo qualquer negócio. Não precisa nem pedir.

​— Não é isso que você está pensando, safado — provoquei, sentindo o latejar dele sob mim. — Não ainda.

​— Então o que é? Eu já disse que sou seu.

​Eu me levantei de cima dele, sentindo falta do calor imediato do seu corpo, mas focado no meu objetivo.

— Um minuto, é rápido — avisei.

​Caminhei nu até o meu guarda-roupa. Senti o olhar de Arthuro cravado nas minhas costas, acompanhando cada movimento do meu quadril enquanto eu andava. Ouvi o som dele se ajeitando na cama e, logo em seguida, o som inconfundível da mão dele batendo contra a própria pele.

— Nossa... você tem uma bunda linda, Bernardo — ele murmurou, a voz densa. — E essa marquinha do sol... caralho. Eu nunca vou cansar de admira.

​Pelo canto do olho, vi que ele tinha começado a se masturbar com vigor, os olhos fixos na curva do meu corpo enquanto eu mexia nas gavetas.

​— Para de se masturbar! — eu disse, rindo e me virando para ele. — Para de se punhetar, calma... espera. Eu vou cuidar disso.

​Ele não aguentou ficar parado. Arthuro levantou-se da cama, o membro babado, brilhante e latejante, balançando entre suas pernas grossas. Ele veio até mim e encostou-se por trás, pressionando aquela piroca quente e pegajosa diretamente contra a minha bunda, os pelos do seu corpo roçando na minha pele arrepiada.

​— Calma, Arthuro... — suspirei, sentindo a força dele contra mim. — Eu já peguei o que eu preciso para a gente se divertir.

Tá bom... — ele sibilou no meu ouvido, os dentes roçando no meu lóbulo. — Mas você quer se divertir mais do que com isso que está aqui embaixo? Eu estou pronto para você, Bêr. Eu estou explodindo.

​Virei-me nos braços dele, segurando o pequeno objeto que eu tinha acabado de resgatar da gaveta. Olhei-o bem no fundo dos olhos claros, sentindo a eletricidade entre nós.

— O que eu vou fazer é vai ser muito gostoso, confia em mim.

​Arthuro me encarava como se eu fosse o próprio pecado personificado, a respiração tão pesada que seu peito subia e descia contra o meu, enquanto ele aguardava, faminto, pelo próximo passo que eu ditaria naquele quarto carregado de segredos.

Eu não o deixei esperar mais. Com o objeto firme na mão, empurrei Arthuro de volta para o colchão. Ele caiu deitado, os músculos do peito arqueados pela surpresa e pelo desejo, os olhos fixos no que eu segurava. Exibi o masturbador para ele, o material flexível brilhando sob a luz baixa.

​— Isso aqui vai ser muito bom para nós dois — sussurrei, sentindo o peso da expectativa no ar.

​Arthuro soltou uma risada curta, o olhar alternando entre o brinquedo e o meu rosto.

— Um masturbador? — Ele sorriu, uma ideia nova surgindo.

— Broderagem pesada, né? Foi o que você disse lá na praia.

​— Exatamente — ele confirmou., sentindo a eletricidade entre nós.

— Vamos testar os limites do que a gente começou.

​— É... mas antes disso, deixa eu fazer uma coisa — ele disse, a voz subitamente mais séria, mais focada.

​Eu arqueei a sobrancelha, curioso.

— O quê?

​Arthuro não respondeu com palavras. Ele simplesmente se ajeitou na cama, cuspiu na palma da própria mão e me olhou com um desafio silencioso. Eu entendi o sinal na mesma hora. Me ajeitei de modo que ficássemos em posições opostas, o clássico desenho de um de frente para o prazer do outro. Nossos corpos estavam alinhados de forma que meu rosto ficava diante da base do tronco dele, e o dele diante do meu.

​Ele começou a me masturbar. O toque de Arthuro era surpreendentemente sutil no início, uma carícia úmida que envolvia meu membro com uma pressão perfeita. Era gostoso demais, uma sensação de posse que me fazia arquear as costas. Em resposta, eu não perdi tempo: abocanhei o pau dele, sentindo o calor e o gosto metálico e salgado da sua excitação.

Caralho... nossa... delícia, porra! — Arthuro soltou os palavrões entre dentes, a voz abafada pelo prazer, enquanto sua mão acelerava o ritmo em mim.

​Eu retirei o membro dele da boca por um segundo apenas para sussurrar:

— Não para... só continua.

​Quando terminei de falar, vi Arthuro fechar os olhos com força. De repente, ele mergulhou. Ele abocanhou o meu pau de uma forma decidida, me pegando totalmente desprevenido. Eu soltei um suspiro alto, um som que beirava o susto, e senti meu corpo todo retesar.

​Ele parou por um instante, levantando o rosto úmido.

— Que foi? Fiz errado? — perguntou, a preocupação cruzando seus olhos claros. — Você não queria?

​— Não... não é isso — respondi, tentando recuperar o fôlego. — Eu só fiquei surpreso. Eu não esperava que você fosse fazer isso... não agora.

Arthuro deu um sorriso confiante, limpando o canto da boca.

— Eu disse para você, Bêr. Eu sou entrega. O que rolar entre a gente é a vontade de nós dois. Se eu estou aqui, eu estou por inteiro.

​Como resposta, não usei palavras. Voltei a chupar o pau dele com ainda mais voracidade, e ele retribuiu o gesto. A chupada do Arthuro era diferente; ele era um pouco desengonçado, claramente alguém que estava explorando um território novo. Ele não conseguia ficar muito tempo com o meu pau todo na boca, então ele alternava para lambidas longas, lentas e firmes que subiam da base até a glande.

​Ele se concentrou muito ali, descendo as lambidas até o meu saco, revirando a língua entre a pele sensível e o meu membro. Aquilo me deixou em um estado de êxtase absoluto. Meu pau estava extremamente melado, coberto pelo "pré-gozo" dele e pela saliva de Arthuro, criando uma textura escorregadia e quente.

Quando a excitação atingiu um ponto quase insuportável, eu parei. Com uma ideia nova queimando na mente, virei-me rapidamente, pegando o masturbador que estava ao lado. Fiquei rosto a rosto com ele, nossos peitos subindo e descendo com a respiração pesada. Nos selamos em um beijo intenso, um beijo que carregava o gosto compartilhado de nós dois — uma mistura inconfundível dos nossos fluidos que agora selava nossa união.

​Separei nossos lábios apenas alguns milímetros, olhando bem no fundo das pupilas dele.

— Tá gostoso o que você fez? — perguntei, querendo saber o que passava naquela cabeça.

​Ele hesitou por um segundo, os lábios ainda entreabertos.

— É diferente... é... — ele buscou a palavra — masculino.

— Tudo bem — eu disse, com ternura. — Você não precisa continuar se não gostou, Arthuro. Não quero que faça nada obrigado.

​— Cala a boca — ele interrompeu, a voz firme, voltando a me beijar com uma fome voraz.

​Dessa vez, o beijo foi bruto, possessivo. Ele segurou minha cintura com força, puxando-me para que nossos corpos se colassem sem qualquer espaço entre nós. No meio daquela luta de línguas e de peles suadas, eu acabei soltando o masturbador entre nós dois, sentindo o objeto pressionado entre nossos ventres, enquanto o desejo de Arthuro, agora mais forte do que nunca, comandava o ritmo daquela madrugada.

Sem desviar o olhar do rosto de Arthuro, que estava com a expressão moldada por uma mistura de vontade e curiosidade, eu segurei o masturbador de silicone e o posicionei na extremidade do seu pau. Com um movimento firme, deslizei o brinquedo pela extensão dele, sentindo a resistência do material apertando o pau quente e latejar com o movimento.

— Ah... caralho... é apertado — Arthuro soltou um arquejo, a voz saindo em um sussurro arranhado enquanto ele sentia a pressão imediata.

​Aproximei meus lábios da orelha dele, deixando meu hálito quente causar um novo calafrio naquela pele.

— Eu sei que é — sussurrei, a voz carregada de intenção. — Agora apenas sente isso, Arthuro. Foca no que vem agora.

​Puxei meu corpo para mais perto, sentindo o calor do abdômen dele contra o meu. Na outra extremidade do masturbador, que tinha abertura dos dois lados, eu guiei meu próprio pau para dentro. O espaço era mínimo, projetado para a fricção máxima. Nossos membros se encontraram no centro do canal de silicone, pele com pele, fundindo-se em uma massa de calor e umidade.

— Caralho, Bernardo! Que porra é essa? — Arthuro exclamou, os olhos arregalados, fixos no ponto onde nossos corpos se tornavam um só através do objeto.

​— É a broderagem, Arthuro — respondi, sorrindo com um prazer que já começava a turvar minha visão. — A gente vai transar assim hoje. Um sentindo o pau do outro, roçando, se descobrindo. Sente como desliza...

​Ele começou a se movimentar, um impulso instintivo de quadril que fez com que o silicone e a minha própria pele trabalhassem contra ele.

— Caralho, nossa... seu pau tá muito escorregadio — ele gemeu, fechando os olhos por um segundo para processar a sensação. — Dá para sentir você perfeitamente aí dentro.

Você não está sentindo nada ainda — provoquei, sentindo meu próprio membro latejar com a proximidade do dele. — Eu sinto seu pregozo se misturando com o meu. A gente vai encher esse brinquedo.... Arthuro.

​— A gente vai encher esse brinquedo de porra, né? — ele afirmou, a voz agora carregada de uma urgência primitiva.

​— Calma... a gente está só começando — respondi, segurando o masturbador com uma mão e a base dos nossos membros com a outra, ditando um ritmo mais lento e profundo.

​Mas Arthuro não era homem de ritmos lentos. Ele começou a fazer movimentos mais brutos, impulsionando o quadril com uma força que me fazia soltar exclamações involuntárias. Eu parei de ditar o ritmo e passei a apenas receber o movimento dele, sentindo a cabeça do pau dele esfregar diretamente contra a cabeça do meu pau dentro daquele vácuo de silicone. Era uma massagem mútua, um atrito de glande com glande que enviava choques elétricos direto para o meu cérebro.

Eu não conseguia tirar os olhos dele. A visão de Arthuro naquela penumbra era a definição de vigor. Eu observava o modo como o peito dele se expandia em respirações profundas, os músculos dos bíceps saltando enquanto ele se apoiava nos cotovelos, e as veias do pescoço que ficavam evidentes a cada estocada que ele dava no brinquedo. Ele era lindo em sua entrega, uma força da natureza contida em cima da minha cama.

​Olhei para baixo e vi o caminho de pelos que descia do umbigo dele até o encontro dos nossos corpos. Ele posicionou a mão dele sobre a minha no masturbador, e juntos começamos a punhetar um o pau do outro, usando o objeto como um intensificador.

​— Essa broderagem... a gente demorou muito para fazer, né? — Arthuro olhou para mim, os olhos claros agora quase escuros de desejo, o suor brilhando em sua testa.

Eu ri, sentindo uma felicidade genuína misturada àquela sensação de prazer.

— É... mas a gente compensa esse tempo agora. Cada segundo dele.

​— Isso é muito bom, caralho... eu imaginei que a gente ia fazer outra coisa, mas isso aqui... — ele parou para suspirar, sentindo o roçar contínuo — isso aqui é loucura.

​— Vamos com calma, Arthuro — falei, beijando o ombro dele, sentindo o gosto de sal da sua pele. — Eu vou te ensinando uma coisa de cada vez. Você vai descobrir como é bom estar com um homem que sabe exatamente o que você sente, porque ele sente o mesmo.

​Ele me puxou para um beijo voraz, nossas línguas travando a mesma batalha que nossos membros travavam dentro do silicone. Nossos corpos colavam um no outro, o suor servindo de lubrificante natural para os nossos peitos e coxas. O pregozo de ambos já transbordava pelo masturbador, deixando tudo ainda mais escorregadio e quente. Nossos paus estavam cada vez mais duros, e a sensação de "foder" o pau do meu melhor amigo, sentindo a pulsação dele contra a minha, era o ápice de tudo o que eu já tinha vivido.

O atrito dos nossos corpos, o som abafado do silicone e a respiração pesada estavam criando uma sinfonia perigosa. Eu sentia cada estocada de Arthuro reverberar na estrutura da cama, um rangido rítmico que, no silêncio da madrugada, soava como um trovão aos meus ouvidos.

​— Arthuro, Arthuro, calma... — sussurrei, tentando recuperar o fôlego enquanto ele me pressionava com uma força visceral. — Você não precisa ir tão forte assim.

​Ele parou por um segundo, os olhos claros nublados pelo desejo, o peito subindo e descendo freneticamente contra o meu.

— Desculpa, Bêr... eu estou te machucando? É que tá muito bom, caralho... eu me perdi.

​— Não está machucando, tá maravilhoso — respondi, acariciando o rosto dele, sentindo o calor da sua pele. — Só que a gente está fazendo muito barulho. Meus pais estão logo ali, lembra?

Ele olhou para a base da cama, percebendo que o movimento estava realmente exagerado.

— É, a cama estava denunciando a gente mesmo. Mas o que a gente faz? Eu não quero parar agora.

​Olhei para o chão, onde o colchão de solteiro improvisado pela minha mãe estava esticado, com os lençóis brancos e o travesseiro alinhado.

— Vamos para esse colchão aqui no chão — sugeri. — A gente consegue ficar mais tranquilo, o impacto é menor e não vamos fazer esse barulho todo.

​— Mas é de solteiro, Bernardo... — ele ponderou, medindo o espaço com os olhos.

​— E daí? Nossos corpos estão tão próximos que o espaço ser pequeno vai ser até bom. Vai forçar a gente a ficar colado.

Movimentei-me com cuidado, deslizando meu corpo para fora do masturbador de silicone. Ao sair, percebi o estado do meu pau: ele estava brilhante, coberto por uma camada espessa e quente de lubrificação natural — o meu pregozo e o dele fundidos em uma substância só. Arthuro observou a cena, fascinado pela visão do meu pau pulsando e molhado sob a luz fraca.

​— Vem... — chamei, descendo da cama e me ajoelhando no colchão de solteiro.

​— Você vai me derrubar aqui de cima — ele brincou, mas a voz estava carregada de urgência. Ele desceu logo em seguida, movendo-se como um predador, e nos reconectamos no chão.

​Assim que ele se posicionou sobre mim no espaço restrito, Arthuro retomou o ritmo, mas agora com uma base mais sólida. Ele usava o próprio peso para me prensar contra o colchão, e a intensidade dos movimentos de quadril era quase esmagadora.

— Caralho, Arthuro! Você tá fodendo o meu pau... porra! — deixei escapar, sentindo a cabeça do membro dele roçando na minha com uma pressão absurda. — Você é muito dominador, não tem jeito.

​Ele parou por um segundo, mas não se afastou. Segurou meu rosto com uma das mãos, enquanto a outra abafava levemente a minha boca em um gesto possessivo. O olhar dele era puro fogo.

— Eu gosto de dominar, Bernardo. Tenho cara de quem aceita menos que isso? — Ele sorriu, um sorriso perigoso. — Tem algum problema? Porque se você quiser, eu deixo você tentar dominar também.

​— Não... — respondi entre os dedos dele, sentindo um arrepio de prazer. — Eu quero ser dominado por você, é impossível resistir resistir a sua força.

Ele soltou o meu rosto, mas continuou próximo, os lábios quase tocando os meus.

— Só tem um problema, Bêr... — ele confessou, a respiração batendo no meu rosto. — Eu gozo muito rápido. Quando o negócio esquenta desse jeito, eu não aguento muito.

​— Isso não é problema nenhum — sorri, sentindo-me confiante. — Eu tenho uma resistência maior, tá? Posso segurar o quanto você precisar. Fica à vontade, se acaba em mim.

​Arthuro pareceu processar a permissão e seus olhos brilharam com uma nova ideia.

— Posso fazer uma coisa? Uma coisa que eu já vi em filme, mas nunca tive coragem de tentar com ninguém?

​— O que você quer inventar agora, Arthuro? — perguntei, genuinamente curioso.

​— Ah, é uma coisa... nosso pau já está muito lubrificado... — ele começou a explicar, mas eu o interrompi com uma condição.

— Eu só não quero ser penetrado hoje, Arthuro. Eu já te disse, hoje não quero dar. Quero aproveitar isso aqui como dois homens, de um jeito diferente.

​Ele assentiu prontamente, sem nenhum sinal de decepção.

— Mas é exatamente isso, Bernardo! Eu também tenho experiência, caramba. Mesmo que tenha sido só com mulheres até agora, eu sei transar, eu entendo de sexo, de prazer... eu sei como fazer uma pessoa delirar.

​— Eu sei que você sabe — respondi, puxando-o para um beijo rápido e úmido. — E você faz isso de uma forma muito gostosa.

​Ele riu, sentindo o elogio, e retirou completamente o masturbador de silicone, jogando-o de lado. Agora éramos só nós, pele com pele, no limite do colchão de solteiro.

— Faz o seguinte... — ele instruiu, a voz tornando-se mais técnica e focada no prazer. — Aperta as pernas.

— O quê? — perguntei, confuso.

​— Eu vou ficar sobre o seu corpo. Eu quero que você aperte suas duas coxas, bem firme, tá bom? Deixa o seu pau apontado para cima, na direção da sua barriga.

​Ele encostou a mão melada, coberta de pré-gozo, no meu membro que estava duro como rocha, fazendo questão de espalhar a umidade por toda a extensão. Ele ajeitou minhas pernas, posicionando-se entre elas, mas não para entrar. Ele se acomodou de modo que o pau dele ficasse "preso" entre a parte externa das minhas coxas, logo acima do meu próprio pau.

​Fiquei olhando para ele enquanto ele subia totalmente sobre o meu corpo. Arthuro pegou aquela mão melada, cheia de pregozo, e deslizou entre o espaço que sobrou das minhas pernas, lambuzando tudo ainda mais.

— Que que você vai fazer, Arthuro? — perguntei, sentindo meu coração disparar enquanto ele começava a se mover de uma forma que eu nunca tinha sentido antes, usando o calor das minhas coxas e a pressão do meu próprio corpo para criar uma espécie de penetração surreal.

​O peso de Arthuro sobre mim era uma afirmação de presença. Sentado estrategicamente sobre minhas coxas, ele ditava a geometria daquele momento. Nossos membros estavam tão próximos que o calor emanava em ondas, cruzando-se no ar antes mesmo do toque. Com uma autoridade natural, ele alinhou minhas pernas, fechando o espaço até que meus joelhos se encostassem.

​— Não precisa me perguntar o que eu vou fazer, Bernardo... só sente — ele ordenou, a voz vibrando baixo, quase um comando hipnótico.

​Ele esticou as pernas, ganhando alavanca, e guiou a cabeça do seu pau para o espaço apertado e úmido entre as minhas coxas.

— Só não abre as pernas, por favor, tá? Mantém firme.

​Dito isso, ele mergulhou. Arthuro começou a foder aquele espaço improvisado com uma cadência que me deixou sem ar. Conforme o ritmo aumentava, ele deitou-se completamente sobre o meu corpo, o peito colado ao meu, a pele suada criando um vácuo de calor. Ele fodia minhas pernas com uma força impressionante; cada estocada profunda fazia com que a base do seu tronco batesse com vigor próximo ao meu saco, um impacto rítmico e sólido que ecoava pelo meu espaço.

Eu via aquele homem sobre mim, o rosto transfigurado pelo esforço e pelo prazer, e não pude conter a surpresa.

— Arthuro... o que que é isso? — arquejei, sentindo meu próprio pau ser esmagado e massageado pelo abdômen dele a cada movimento.

​— A gente tá transando, Bêr... só que de uma maneira diferente — ele respondeu, entre dentes, o suor pingando do seu queixo no meu peito. — Coisa de homem. Sente a pressão.

​— Isso é gostoso... porra, isso é muito bom! — eu admiti, fechando os olhos e me entregando àquela fricção surreal.

​— É maravilhoso... mas eu não vou aguentar muito tempo — ele confessou, a respiração saindo em ganidos curtos. — Como eu já disse, isso aqui é para eu descarregar. Eu vou gozar em você, tá?

Eu ri, sentindo um poder imenso naquela submissão momentânea. Cruzei meus pés, um sobre o outro, travando minhas coxas com ainda mais força para aumentar o aperto sobre ele.

— Tá bom, deixa vir. Pode se acabar.

​— Ah, Bernardo... caralho! — ele gemeu alto quando sentiu o aumento da pressão. — Você tá apertando muito forte... assim eu não chego no fim.

​— Não é nem questão de eu ser apertado, Arthuro — provoquei, deslizando as mãos pelas costas dele. — Isso é só para você ter uma amostra do que te espera daqui para frente. É para você não esquecer o gosto.

​Ele soltou um rosnado de aprovação e intensificou o movimento. A força era tanta que o colchão no chão parecia pequeno demais para a nossa energia. Eu observava fascinado a bunda dele se movendo, os músculos dos glúteos contraindo e relaxando em uma coreografia de puro vigor. Atrevidamente, levei minhas mãos até lá e desferi um tapa sonoro naquela carne firme.

— Ai! — ele exclamou, rindo com uma malícia crua. — Você gosta da minha bunda, é?

​— Gosto. É bonita, musculosa... é grande, Arthuro — respondi, apertando-a com vontade.

​— Tá bom... assim você me deixa sem jeito — ele disse, mas o modo como ele acelerou o quadril dizia o contrário.

​Aproximei-me do ouvido dele, deixando meus lábios roçarem na cartilagem sensível.

— Não é para te deixar sem jeito, seu gostoso. É para você ter ciência. Eu te admiro, sabia? — Finalizei com uma mordida firme na orelha dele.

​O gesto o desestruturou. Arthuro afagou o rosto contra o meu e desceu o beijo pelo meu pescoço, pelo ombro, deixando marcas de dentes pequenas e urgentes, até chegar ao meu peito. Ele parou ali, os olhos fixos nos meus, e começou a chupar o bico do meu peito com uma sucção ávida enquanto continuava a me foder com força total entre as pernas.

Eu comecei a gemer alto, sem me importar mais com o silêncio da casa. O peso dele, o cheiro de homem e de sexo, a boca dele no meu mamilo... era demais. Minhas mãos subiram para as costas dele, minhas unhas arranhando a pele enquanto eu implorava:

— Me fode, Arthuro... me fode! É muito bom ser seu... eu quero ser seu homem.

​Ele intercalava as chupadas entre um mamilo e outro, usando a língua para torturar a pele sensível enquanto o quadril não parava um segundo.

— Seus peitos são deliciosos, meu... — ele balbuciou, a voz sumindo. — Eu tô chegando, Bêr... eu tô perto de gozar, tá? Muito perto.

​— Só me avisa — pedi, a voz falha.

​— Por quê? — ele perguntou, parando a sucção para me olhar, o rosto vermelho de esforço.

Quando chegar a hora, você me avisa com antecedência. Por favor, só me avisa — respondi, sentindo meu próprio pau latejar contra o abdômen dele, deixando rastro de pregozo por toda a minha barriga.

​O movimento dele agora era frenético. A ideia de Arthuro — aquela técnica de fricção masculina — era infinitamente superior a qualquer brinquedo. Era orgânico, era quente, era pesado. Eu sentia cada centímetro dele deslizando contra minhas coxas, o calor aumentando a cada segundo, anunciando que a explosão de Arthuro estava a apenas alguns movimentos de distância.

​O ar no quarto parecia Rarefeito, saturado pelo cheiro de suor, desejo e a iminência do fim. Arthuro parou o movimento frenético contra minhas coxas por um segundo apenas para me encarar. Seus olhos claros estavam fixos, as pupilas tão dilatadas que quase engoliam a íris, e o rosto estava tenso, com a mandíbula cerrada pelo esforço de não explodir antes do tempo.

​— Vou gozar para você, tá? — ele sibilou, encostando a testa na minha, nossas respirações se chocando em um ritmo caótico. — Vou gozar tudo em você, Bernardo... caralho!

​— Me avisa... agora! — eu respondi, o corpo todo retesado sob o peso dele.

​— É agora! — ele gritou num sussurro rouco.

​Ele puxou o corpo um pouco para trás, liberando o membro do aperto das minhas pernas. O pau de Arthuro surgiu diante de mim, vermelho, latejante e coberto por uma película brilhante de lubrificação. Instintivamente, eu levei minha mão até lá e envolvi aquela piroca quente, sentindo o pulsar violento das veias. Puxei-o para mais perto, alinhando o meu membro ao dele, unindo-os em uma só mão.

Comecei a nos masturbar juntos, um movimento rápido, firme e desesperado. Arthuro soltou um som gutural, um "caralho" que veio do fundo do peito, e então o corpo dele travou. A primeira esporrada foi tão violenta que atingiu meu queixo e a lateral do meu rosto, um jato quente e denso que traçava o caminho da nossa entrega.

​— Caralho, Bêr... ah, ah! — ele delirava, os olhos virando enquanto ele descarregava.

​Era uma quantidade absurda, um banho de porra que começou a escorrer pelo meu peito, sujando nossos abdômens fundidos. Ao ver e sentir a explosão dele, meu corpo reagiu no mesmo instante. Comecei a gozar junto com ele. Embora eu já tivesse tido um alívio mais cedo em outro momento, a visão de Arthuro naquele estado de transe sexual me arrancou o que eu ainda tinha. Meus jatos se misturaram aos dele, criando uma massa branca e quente sobre nossas peles.

​Soltei o contato quando senti que o clímax estava completo. Arthuro jogou a cabeça para trás, os músculos do pescoço saltados, dando uma lufada de ar profunda, como se tivesse acabado de voltar de um mergulho profundo. O peito dele subia e descia, coberto pela mistura das nossas essências.

Quando ele finalmente recuperou o foco, olhou para mim e sorriu — um sorriso de quem tinha acabado de conquistar o mundo. Sem qualquer cerimônia ou nojo, ele se inclinou e me deu um beijo longo, profundo, com gosto de nós dois. Nossas bocas se selaram enquanto nossas peles ainda estavam coladas pelo sêmen.

​— Nós dois estamos sujos de novo — ele murmurou contra meus lábios, limpando um pouco do rosto com o polegar, apenas para sujar-se ainda mais.

​— Foi maravilhoso, Arthuro... — respondi, sentindo o relaxamento pós-orgasmo tomar conta dos meus membros.

​— Na hora que eu vi você gozando junto comigo... eu fiquei louco, Bernardo. Meu corpo começou a tremer, eu tive até espasmos. Que coisa louca isso. Como é bom estar com um homem que a gente gosta, que dá esse prazer todo.

Ele não parava de me beijar, beijos curtos e estalados agora, enquanto sua mão descia para o meu peito sujo. Ele começou a massagear meus mamilos com a ponta dos dedos, espalhando o fluido morno sobre a minha pele, enquanto nossos paus começavam a amolecer lentamente. Inclinei meu corpo para o lado, e ele se deixou cair ao meu lado no colchão de solteiro, nossos ombros se tocando.

​— Arthuro, você é um devorador — brinquei, olhando para o teto, tentando regular minha respiração. — De onde você tira tanto gás para fazer isso tudo?

​Ele soltou uma risada lateral, o olhar malicioso voltando para mim.

— Esse é só o começo, Bêr. Espero que você esteja preparado para... as próximas.

​— Eu sempre estou preparado — respondi, virando o rosto para ele. — E eu sei que isso é só o começo. Você ainda tem muitas partes do meu corpo para descobrir, e eu do seu.

Arthuro começou a se levantar, os movimentos agora mais lentos, sentindo o cansaço prazeroso do esforço físico. Eu olhei para o estado do colchão e da minha própria pele e pedi:

— Me ajuda... eu não quero sujar o resto do quarto.

​Ele riu, uma risada de confiança masculina. Mesmo sendo um pouco menor que eu, a estrutura dele era sólida e musculosa. Ele se inclinou, passou os braços por baixo dos meus joelhos e das minhas costas e me ergueu no colo com uma facilidade impressionante.

​— Eu ainda te aguento, relaxa — ele disse, me dando um beijo na testa enquanto eu me aninhava em seus braços, nu e sujo. — Vamos tomar só mais um banho para se limpar direito.

​— Vamos... porque eu confesso que estou destruído — admiti, encostando a cabeça no ombro dele.

Entramos no banheiro mais uma vez, eu nos braços dele, selando aquela madrugada com a promessa de que a água morna seria apenas o prelúdio para um sono profundo, ou quem sabe, para o início de um novo desejo.

​O vapor do segundo banho ainda flutuava levemente pelo banheiro quando saímos, as peles limpas, frescas e levemente avermelhadas pelo calor da água e pelo vigor do que tínhamos vivido. No quarto, o silêncio da casa parecia ainda mais profundo. Movimentamo-nos com uma cumplicidade silenciosa, limpando os vestígios da nossa entrega; guardei o masturbador e organizei o espaço com a rapidez de quem conhece cada canto daquele refúgio.

​Ainda estávamos apenas de toalha, mas a tensão agora era outra: era o conforto do pós-êxtase. Aproximei-me do painel e ajustei o ar-condicionado, deixando o clima do quarto em uma temperatura baixa, perfeita para o peso das cobertas que nos esperavam.

​— Olha, Arthuro... sem cerimônias agora, tá? Eu vou dormir sem roupa — anunciei, soltando o nó da toalha e deixando que ela caísse, revelando meu corpo por inteiro uma última vez naquela noite.

Ele soltou uma risada baixa, acompanhando o movimento com o olhar, e começou a fazer o mesmo.

— Eu também vou. Depois de tudo o que a gente fez, esconder o quê?

​— Não tem problema nenhum — sussurrei, aproximando-me dele e falando quase no seu ouvido. — O quarto está trancado. Só espero que agora a gente não faça mais barulho... pelo menos não até amanhã.

​Ele sorriu, aquele sorriso cúmplice que só quem compartilhou segredos possui. Ajeitei-me na cama de casal, puxando o cobertor pesado sobre as pernas. Arthuro veio logo em seguida, ajeitando o travesseiro com as mãos grandes e deitando-se ao meu lado. Ficamos ali, lado a lado, sentindo o choque térmico entre a pele quente e o ar gelado do quarto. Eu me virei de lado para encará-lo, e ele retribuiu o olhar, a expressão relaxada, mas carregada de significado.

​— Bêr... foi muito bom tudo o que aconteceu hoje — ele começou, a voz grave e macia. — Ou melhor, o que acabou de acontecer agora. Eu espero que você tenha gostado de verdade. E... desculpa qualquer inexperiência minha. Talvez eu tenha sido bruto demais ou não tenha feito como você esperava.

Estendi a mão e toquei o rosto dele, sentindo a textura da pele e o calor que ele ainda emanava.

— Arthuro, foi perfeito. Foi exatamente como tinha que ser. Eu é que espero não ter te frustrado... eu sei que você veio para cá com uma expectativa de que...

​Ele soltou uma risada interrompendo minha fala, os olhos brilhando.

— De que você desse para mim? É, eu não nego. A expectativa existia.

​— Pois é — assenti com um meio sorriso.

​— Mas quer saber? O que aconteceu aqui... acho que foi muito melhor — ele confessou, a sinceridade transbordando. — A gente se sentiu, se descobriu. Foi real.

​— Foi muito bom mesmo — concordei, sentindo um alívio imenso.

​— Mas você percebeu, né? — ele perguntou, mudando levemente o tom, um pouco mais vulnerável.

— O quê?

​— Que eu costumo ejacular muito rápido quando a coisa fica quente assim.

​Olhei para ele com admiração, sem nenhum julgamento.

— Eu não achei rápido, Arthuro. Sua performance foi maravilhosa. Foi intensa, máscula e do jeito que eu gosto. O que importa é a entrega, e você se entregou. Eu é que tenho um autocontrole maior por causa da experiência, só isso.

​Ele deu risada, balançando a cabeça.

— Percebi. Você liberou logo depois de mim, sem nenhuma cerimônia, como se estivesse esperando o sinal verde.

​— Foi calculado — brinquei, apertando levemente o ombro dele. — Eu estava me segurando para te acompanhar.

​— Eu gosto muito de preliminares — ele continuou, olhando agora para o teto. — Isso me deixa muito excitado, muito feliz. Me faz sentir que a conexão é de verdade.

— Eu percebi. E senti cada segundo disso.

​Virei-me ainda mais de frente para ele, encurtando a distância. O corpo de Arthuro era como um ímã.

— Posso dormir no seu peito? — perguntei, a voz quase sumindo. — Posso dormir abraçado com você?

​Ele virou o rosto para mim, os olhos já pesados pelo sono que começava a reclamar seu lugar.

— Bernardo, você não precisa nem pedir. A gente já está dividindo a mesma cama, a mesma noite... vem para cá.

​Arthuro se ajeitou e abriu o braço, um convite silencioso e irrecusável. Eu deslizei para perto dele, encaixando minha cabeça no seu peito musculoso e firme. Sentir a pele nua dele contra a minha, o cheiro de sabonete misturado ao rastro sutil do nosso encontro, era o ápice do conforto. Abracei sua cintura, sentindo a força do seu corpo, enquanto ele envolvia meus ombros, me trazendo para mais perto de si.

Rapidamente, percebi que a respiração de Arthuro se tornava rítmica e profunda; ele estava iniciando o sono, exausto e satisfeito. Na minha cabeça, os pensamentos passavam como um filme em alta velocidade. Que dia louco. Da praia à moto, do jantar ao banho, e agora aqui... nos braços do meu melhor amigo, de um jeito que eu nunca ousei planejar com tanta perfeição.

​Não havia espaço para arrependimentos. Cada toque, cada gemido abafado, cada troca tinha valido a pena. Eu fechei os meus olhos, deixando que o barulho constante e monótono do ar-condicionado me embalasse. Ali, protegido pelo abraço dele e pelo calor dos nossos corpos nus e entrelaçados, eu também me deixei levar pelo sono, com o coração em paz e a alma vibrando pela promessa de um amanhã que agora parecia muito mais brilhante.

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