**Aos 46, o corpo ainda guarda segredos**
Clara nunca havia sido do tipo que contava os anos em rugas ou fios brancos. Aos 46, ela olhava o espelho e via exatamente o que queria ver: uma mulher que já tinha aprendido onde gostava de ser tocada, com que pressão, em que ritmo e — principalmente — o que não tolerava mais.
Naquela sexta-feira chuvosa de fevereiro, o prédio comercial onde trabalhava como consultora financeira estava quase vazio. A maioria já tinha escapado cedo para o fim de semana prolongado. Ela ficou porque precisava terminar um relatório, mas também porque, lá no fundo, sabia que ele ficaria.
Tomás tinha 31 anos, era o novo analista de risco da equipe ao lado e carregava aquele tipo de beleza desleixada que incomoda: barba por fazer, camisa social sempre com o primeiro botão aberto, cabelo que parecia nunca ter visto pente. Durante meses eles trocaram apenas olhares longos demais e frases de duplo sentido disfarçadas de conversa profissional. Até aquela tarde.
Quando o último colega saiu, Clara fechou a porta da sala de reunião vidrada, apagou as luzes principais e deixou apenas a luminária de canto acesa. O som da chuva batendo nas janelas altas parecia amplificar o silêncio entre eles.
— Você vai ficar aí parado ou vai vir aqui me mostrar se sabe usar essa boca pra alguma coisa além de falar de VaR e stress test? — ela disse sem rodeios, já sentada na borda da mesa de mogno, pernas cruzadas, saia lápis preta subindo exatamente o suficiente.
Tomás riu baixo, nervoso e excitado ao mesmo tempo. Caminhou devagar, como quem sabe que está entrando num território onde as regras não são mais dele.
Quando chegou perto o bastante, Clara segurou a gravata frouxa dele e puxou com firmeza, obrigando-o a se curvar até ficar com o rosto na altura do dela.
— Devagar não — ela murmurou contra a boca dele. — Eu tenho 46 anos, Tomás. Não tenho mais paciência pra preliminares de faculdade.
Ele obedeceu.
As mãos dele subiram pelas coxas dela, empurrando o tecido da saia para cima enquanto a língua já procurava a dela com urgência. Clara abriu os botões da blusa de seda com uma mão só — um truque que ela dominava desde os 28 — e deixou os seios pesados escaparem do sutiã de renda preta. Não eram mais os seios de vinte anos, mas exatamente por isso ela os oferecia sem vergonha: cheios, macios, com veias azuis discretas e mamilos escuros que endureciam só com o ar fresco da sala.
Tomás gemeu ao sentir o peso deles nas mãos. Chupou um dos mamilos com força, depois o outro, alternando mordidas leves e lambidas longas enquanto os dedos da mão direita já encontravam a calcinha encharcada por baixo da meia-calça rasgada na virilha — rasgada por ele mesmo segundos antes.
Clara puxou o cabelo dele para trás, obrigando-o a olhar nos olhos dela.
— Dedos primeiro. Dois. Curvados. Agora.
Ele obedeceu de novo.
Dois dedos entraram fácil, escorregando na umidade quente. Ela era apertada ainda, mas sobretudo molhada de um jeito que só acontece quando a mulher já sabe exatamente o que quer sentir. Clara segurou o pulso dele, ditando o ritmo: fundo, devagar, depois mais rápido, depois só a curvatura roçando aquele ponto que fazia as costas dela arquearem sobre a mesa.
— Assim… não para… não ousa parar…
O polegar dele encontrou o clitóris inchado por cima da meia e começou círculos firmes. Clara fechou os olhos, a cabeça caindo para trás, um gemido rouco escapando sem controle. Ela gozou em menos de três minutos — um orgasmo seco, intenso, de corpo inteiro, daqueles que fazem as coxas tremerem e os dedos dos pés se curvarem dentro do scarpin.
Quando abriu os olhos de novo, Tomás estava com a calça social aberta, o pau duro apontando para ela, a cabeça brilhando de pré-gozo.
Clara desceu da mesa, virou de costas, apoiou os antebraços no tampo e empinou os quadris.
— Sem camisinha. Eu não ovulo mais. E quero sentir você pulsar dentro de mim quando gozar.
Ele entrou de uma vez, num movimento longo e profundo que arrancou um “porra” baixo dos dois ao mesmo tempo.
Clara empurrou o quadril para trás, encontrando cada estocada, ditando o ângulo, apertando os músculos internos de propósito só para ouvi-lo gemer descontrolado. Tomás segurava os quadris dela com força, os polegares cravados na carne macia logo acima da curva da bunda.
— Me fala que você já quis isso desde o primeiro dia — ela exigiu, voz entrecortada.
— Desde… caralho… desde o primeiro dia… você de salto batendo no corredor… eu imaginava exatamente isso…
Ela riu, um riso rouco e satisfeito, e apertou mais forte em volta dele.
— Então goza. Goza agora. Me enche.
Tomás perdeu o controle em cinco estocadas. O corpo dele colou nas costas dela, os dentes encontraram o ombro dela, e ele gozou com um grunhido longo, pulsando fundo, enchendo-a exatamente como ela tinha pedido.
Ficaram assim alguns segundos, ofegantes, suados, a chuva ainda caindo lá fora.
Clara se endireitou devagar, virou para ele, ajeitou o cabelo bagunçado dele com os dedos e deu um beijo lento, quase carinhoso, na boca entreaberta.
— Boa noite, Tomás. Termina aquele relatório de risco até segunda. E não se atrase.
Ela pegou a bolsa, ajeitou a saia, passou batom olhando o reflexo na janela escura e saiu andando como se nada tivesse acontecido.
Aos 46 anos, Clara sabia que o maior prazer não era ser desejada.
Era decidir quando, como e por quanto tempo ela queria ser fodida.
E depois seguir em frente, com o corpo ainda quente e o gosto dele na boca, sabendo que podia ter de novo — ou nunca mais — dependendo apenas do humor dela.