Eu fecho a porta do escritório com o pé, o peso da minha bota de couro rangendo contra o piso de cerâmica branca manchada. O calor de outubro cola minha camisa de algodão azul-claro nas costas, delineando cada músculo da minha coluna que projeta-se como uma cordilheira sob o tecido suado. Tenho quarenta e cinco anos, um metro e oitenta e cinco de altura que preenchem qualquer porta com a imponência de um armário industrial. Meus ombros, largos como a lataria de um caminhão, esticam as costuras da camisa já desbotada pelo sol e por anos de lavagens agressivas na máquina do fundo do motel.
Passo a mão direita — grande, calosa, com nós nos dedos de tanto apertar porcas e consertar canos — pelo meu rosto quadrado, sentindo a barba por fazer que raspa na palma como lixa fina. Meus olhos castanhos, pequenos e fundos, examinam o monitor de segurança com a precisão de um cirurgião mapeando um tumor. Três telas em preto e branco mostram os corredores vazios: o 12, o 8, o 15. Tudo quieto. O cheiro de café requentado pela décima vez impregna o ar do escritório minúsculo, misturado com o odor do meu próprio suor seco e o desinfetante Pinho Sol que uso para limpar as mesas.
A tatuagem do Bope, antiga e desbotada, insinua-se pelo meu braço esquerdo, desaparecendo sob a manga curta. Uma águia cansada, asas estendidas, olhando para baixo como se julgasse os mortos. Não sou mais policial há oito anos, mas meu corpo ainda obedece aos treinos: peitoral musculoso que deforma o bolso da camisa, barriga dura e saliente, coxas grossas que esticam a calça jeans verde-oliva desbotada até o ponto de translucidez nos joelhos. Minha botina de couro pesa nos pés, símbolo de quem caminha sobre concreto o dia todo sem reclamar.
Saio para a ronda, a lanterna de metal pesado balançando na minha cintura, junto com o molho de chaves que tilinta como esporas. O corredor externo do motel é um L de concreto sujo, iluminado por lâmpadas amareladas que criam sombras doentias nas paredes pintadas de rosa choque desbotado. Os números dos quartos — placas de alumínio enferrujadas — refletem a luz mortiça. Meu carro, um Gol quadrado preto de 1996, está estacionado debaixo da marquise, ao lado da portaria.
Paro na recepção. Lá dentro, atrás do balcão de fórmica branca riscada, está ela.
Cida.
Minha esposa.
Cida tem quarenta e dois anos, mas a vida em pé, contando notas suadas e atendendo clientes mal-encarados durante doze anos naquela portaria, acrescentaram-lhe uma década de cansaço nos ombros curvados. Ela é robusta, do tipo que os homens da minha geração chamam de "cavalona" — coxas grossas que preenchem a saia preta justa do uniforme, quadris largos de parideira, cintura que já foi fina e agora é apenas marcada pelo cinto de couro gasta. Os seios são grandes, pesados, dois montes de carne que o tecido barato da camisa branca amarelada luta para conter, deixando entrever o sutiã bege gasto por baixo e o suco de suor que escorre pelo vale entre eles.
O cabelo, preto misturado com mechas grisalhas que ela nunca mais tingiu depois dos trinta e cinco, está preso num coque desgrenhado na nuca, fios rebeldes caindo sobre a testa larga e suada. O rosto é redondo, de traços indígenas fortes, nariz largo, lábios grossos e ressecados sem batom. Olhos castanhos de fundo falso, cansados, mas que ainda guardam um brilho de inteligência que a rotina não conseguiu apagar. Ela usa tênis brancos de enfermeira — confortáveis — e as unhas, sem esmalte, batem nervosas na calculadora.
— Tá quieta a noite — Cida diz, sem olhar para cima, contando um maço de notas de vinte reais.
— Tá — grunho, parado na entrada, preenchendo o vão da porta com a largura dos meus ombros. A observo. Observo sempre. A forma como o tecido da saia estica sobre a bunda larga quando ela se inclina para pegar algo debaixo do balcão. A mancha de suor nas axilas da camisa branca. O cheiro dela — sabonete Ype neutro misturado com o odor particular de mulher que trabalha, suor feminino adocicado, cabelo sujo de dois dias.
O silêncio entre nós é confortável, casado, cheio de coisas não ditas que nunca precisarão ser ditas. Transamos pouco — talvez uma vez a cada quinze dias, rápido, no domingo de manhã, antes de abrir o motel — mas há uma posse tácita, uma propriedade mútua que não precisa de demonstração constante. Sei que aquela mulher é minha, não por romance, mas por sobrevivência compartilhada, por anos de contas pagas juntos, de noites acordados esperando o último cliente ir embora.
O farol de um carro corta a escuridão da Dutra. Uma BMW X6 preta, modelo novo, desvia da pista principal e entra no estacionamento de paralelepípedos irregulares com a suspensão chiando baixinho. Para debaixo da única luz que funciona direito, iluminando o veículo como num palco.
Endireito a coluna, sentindo a coluna vertebral estalar. Conheço carros. Conheço gente. E aquele carro grita problema enrolado em dinheiro.
A porta do motorista se abre. Desce um homem.
Rodrigo Chevalier tem trinta e oito anos, um corpo esculpido em academias caras — ombros largos, mas de musculação, não de trabalho braçal; cintura fina; braços que esticam a manga da camisa social de seda azul-marinho. Ele usa um terno Armani que custa mais que três meses do meu salário, relógio de ouro maciço no pulso esquerdo que reluz sob a luz amarelada, cabelo castanho escuro com mechas artificiais disfarçando o grisalho, penteado para trás com gel caro. O rosto é bonito de uma forma genérica, de quem tem dinheiro para bons dermatologistas — queixo quadrado, olhos verdes de contato, sorriso fácil de quem nunca ouviu um "não" definitivo na vida.
Ele caminha em direção à recepção, sapatos de couro italiano fazendo ruídos secos no concreto. O cheiro dele chega antes: perfume importado, amadeirado, forte demais para o calor, misturado com o cheiro de couro novo do carro e de cigars eletrônicos caros.
Cida olha para cima. Vejo a maneira como os olhos dela avaliam o cliente — não com interesse sexual, mas com a avaliação prática de quem sabe que aquele tipo paga bem e não reclama do ar-condicionado ruim.
— Boa noite — Rodrigo diz, a voz educada, olhos fixos em Cida de uma forma que me faz sentir o peso da chave de fenda na minha cintura. — Quero o quarto de luxo. Quatro horas.
— Cem reais — Cida responde, mecânica, estendendo a mão para a chave do quarto 15, o melhor do motel, com hidromassagem e espelho no teto.
Rodrigo paga com um cartão de crédito preto. Mas seus olhos não saem de Cida. Olham para o decote, para as coxas expostas quando ela se vira para processar o pagamento na maquininha. Olham com o desplante de quem está acostumado a comprar o que quer, inclusive pessoas.
Não me movo da porta. Apenas cruzo os braços. O movimento faz minha camisa estalar sobre os bíceps, chamando a atenção de Rodrigo, que finalmente olha para mim. O olhar do empresário me avalia da cabeça aos pés — segurança, caseiro, nada mais — e volta para Cida, me desprezando como se eu fosse móvel.
— Obrigado — Rodrigo pega a chave, sorri para Cida com um brilho de dentes perfeitos, e vai em direção ao quarto 15, balançando a chave no dedo.
Fico parado, sentindo o calor da noite colar minha camisa nas costas. Não sou ciumento no sentido explosivo. Sou ciumento no sentido territorial, predador. E aquele homem acabou de urinar no limite do meu território.
Vinte minutos depois, Rodrigo volta. Não levou ninguém para o quarto. Está sozinho. Desce do quarto 15, aperta o cinto — gesto de quem não transou, apenas esperou — e vem direto para a recepção. O olhar dele está diferente, fixo, brilhante de uma decisão tomada.
Cida está arrumando notas na gaveta. Eu estou do lado de fora, fumando um cigarro de palha, encostado na parede, ouvindo cada movimento.
— Moça — Rodrigo diz, apoiando os dois braços no balcão, inclinando-se para perto de Cida, invadindo o espaço pessoal dela com a arrogância de quem tem dinheiro. — Eu quero algo mais... especial. Algo que não está no cardápio.
Cida recua um centímetro, instintivamente. — Não entendi, senhor.
— Entende sim — Rodrigo abre a carteira de couro macio e puxa um maço de notas. Conta cinco mil reais em notas de cem, novas, cheirando a tinta. Joga sobre o balcão. — Uma hora com você. Aqui. Agora. No quarto 15.
O silêncio que se segue é denso, pesado, elétrico. Cida olha para o dinheiro, depois para o homem. O rosto dela não mostra ofensa nem surpresa — apenas cálculo. Cinco mil reais são três meses do salário dela. Mas há algo nos olhos de Rodrigo, uma expectativa de submissão, de humilhação do marido, que deixa o ar irrespirável.
Entro na recepção.
A porta de vidro bate atrás de mim com um som seco. Meu corpo preenche o espaço estreito, minha sombra projetando-se sobre Rodrigo e o balcão. O cheiro de suor masculino, de trabalho braçal, de café forte e de desinfetante invade o ambiente, expulsando o perfume caro.
Rodrigo vira-se, surpreso. O sorriso confiante vacila ao encontrar meus olhos — pequenos, escuros, imóveis, sem raiva visível, apenas uma frieza avaliativa de predador examinando presa que se comportou mal.
— O motel é meu — digo, minha voz grave, baixa, vindo do peito como um roco. — Ela é minha. Se você quer brincar no meu quintal, você joga pelo meu regulamento.
Rodrigo ri, nervoso, tentando recuperar o controle. — Olha, amigo, eu não sabia que ela era casada, mas o dinheiro é bom para vocês dois. Cinco mil é só o começo. Deixa de ser machão.
Dou um passo à frente. O movimento é lento, deliberado. Sou mais alto que Rodrigo por uns cinco centímetros, mas a diferença de massa é de dezenas de quilos — massa dura, de lutador, contra massa de academia. Estendo minha mão direita, calosa, dedos grossos, e toco no dinheiro no balcão. Empurro as notas de volta na direção de Rodrigo, devagar, sem pressa.
— Você não entendeu — falo, cada palavra pesada como chumbo. — Eu não estou recusando. Eu estou negociando. Mas do meu jeito.
Circulo o balcão, movendo-me com uma gracidade surpreendente para um homem tão grande. Fico ao lado de Cida, uma mão pesada descansando protetora no ombro dela — não possessiva no sentido de marcação, mas de propriedade absoluta, como quem toca o capô de um carro raro.
— Você quer foder minha mulher — digo, a palavra crua, suja, saindo da minha boca sem vergonha, factual. — Eu permito. Mas não como você quer. Você não é o dono aqui. Eu sou.
Rodrigo pisca, confuso. A dinâmica está errada. Ele esperava um corno magoado, ou um marido violento, ou um homem humilhado aceitando pelo dinheiro. Não encontra nada disso. Encontra um homem de pé, dominando o espaço, estabelecendo regras.
— Eu escolho o quarto — continuo, minha voz baixa, quase um sussurro que obriga Rodrigo a se inclinar para ouvir. — O doze. Tem duas portas. Eu fico com a chave mestra. Eu entro a cada quinze minutos para "checar a manutenção". Você olha para ela, toca nela, mas sabe que eu estou vendo. Sabe que eu posso parar isso a qualquer momento. E quando eu mandar parar, você para. Ou você não sai vivo daqui.
A ameaça foi dita sem elevação de tom, sem flexão muscular, apenas como constatação de fato. Sei onde enterrar corpos. Rodrigo, pela primeira vez, parece perceber que está num território hostil, longe das salas de reunião e dos restaurantes chiques.
— Você é louco — Rodrigo sussurra, mas a voz falha.
— Sou dono — corrijo. — Cinco mil é pouco. Você paga sete. E você agradece quando eu permitir que você goze.
O silêncio se estende. O ar-condicionado da recepção zumbia. Cida permanece imóvel, o ombro quente sob minha mão. Ela não diz nada, mas sinto o tremor leve sob minha palma — não de medo, de excitação. Ela conhece esse tom de voz. Sabe que estou no modo que ela chama, em pensamentos particulares, de "modo Bope".
Rodrigo olha para Cida, buscando ali uma negação, uma salvação. Encontra apenas olhos curiosos, avaliadores, talvez um brilho de excitação perversa pela situação. Ele olha para as câmeras no teto. Olha para minhas mãos, grandes o suficiente para quebrar maçãs ou traqueias.
— Sete mil — Rodrigo diz, a voz rouca, a garganta seca. — Tudo bem. Sete mil. Mas eu quero... liberdade total.
— Você não tem liberdade aqui — respondo, pegando o dinheiro que Rodrigo conta adicional. — Você tem permissão. É diferente.
Pego o caderno de pauta debaixo do balcão — velho, capa de couro sintético surrado. Abro numa página em branco. Escrevo com a caneta esferográfica que uso para anotar placas de carros: *28/10, 03:47h. Cliente 1. R$Quarto 12. Resistência: a determinar.*
— Vá para o quarto doze — digo, fechando o caderno com um estalo. — Tire a roupa. Espere. Eu vou preparar ela.
Rodrigo pega a chave que estendo — a doze, não a quinze. As mãos dele tremem levemente. Ele sai, não olhando para trás, as costas do terno Armani encolhidas de uma forma que desfaz toda a postura de alfa que tentava projetar.
Quando a porta do quarto 12 bate ao longe, viro-me para Cida.
Ela está de pé, as bochechas avermelhadas, os olhos brilhando com uma mistura de medo e excitação que faz o peito subir e descer rápido. Os mamilos, noto, estão duros, marcando o tecido fino da camisa branca.
— Quer? — pergunto, direto, sem emoção. A pergunta é pragmática, médica, mas a resposta significará tudo.
Cida engole em seco. — Ele é bonito. É... diferente. Da rotina.
— Eu sei.
— E o dinheiro...
— Eu sei — repito. Dou um passo, invadindo o espaço dela agora, prendendo-a entre meu corpo e o balcão. A minha altura a obriga a olhar para cima. Desço a mão do ombro para a cintura, apertando a carne macia através do tecido da saia. — Você vai transar com ele. Mas você vai olhar para mim quando eu entrar. Você vai gemer porque eu quero ouvir. E depois... depois eu vou te limpar. Por dentro e por fora. E você vai saber que é minha.
Cida ofega, a boca entreaberta, o batom ressecado revelando lábios secos que ela umedece com a língua. — Eduardo...
Eu a beijo. Não é um beijo de marido. É uma marcação de território, selvagem, meus dentes batendo nos dela, minha língua invadindo a boca, minha barba por fazer raspando a pele macia do queixo dela. Uma das minhas mãos sobe, agarrando o seio pesado por cima da camisa, apertando com força suficiente para doer, para deixar hematomas que durarão dias, marcas de posse.
Cida geme na minha boca, um som abafado, submisso. As mãos dela agarram meus braços, não para afastar, mas para se segurar, sentindo meus músculos duros sob a pele.
Quando me afasto, ambos ofegamos. Deixei marca de batom vermelho — dela, que não usa, mas eu tinha imaginado — no canto da minha boca. Limpo com o dorso da mão, o olhar fixo nos olhos dela.
— Vá para o banheiro — ordeno. — Tira essa roupa. Toma banho. Bota o vestido preto curto. O que eu comprei mês passado. Sem calcinha. Sem sutiã. Você vai entrar naquele quarto como um presente embalado. E eu vou estar olhando.
Cida assente, a boca trêmula, as pernas bambas. Ela sai de trás do balcão, passando por mim, o quadril roçando contra a minha virilha — de propósito ou não, mas provocando. Eu a deixo ir, sentindo o peso do meu próprio pau endurecido pressionando contra a calça jeans, duro como pedra.
Espero ouvir a porta do banheiro se fechar. Então, pego o caderno de novo. Mas não escrevo. Pego o molho de chaves mestras e vou em direção ao corredor escuro.
O quarto 12 é o último da ala leste, perto do muro de fundo onde o mato alto cresce descontrolado. Abro a porta com a chave mestra, sem bater. Entro no escuro, acendo a luz fraca do abajur de cabeceira.
O cômodo é maior que os outros, mas decadente. Uma cama king-size com cabeceira de madeira falsa dourada, lençóis brancos surrados mas limpos, um espelho grande na parede oposta, outro no teto — manchado pela umidade. O ar-condicionado rangia baixinho, gelado. O cheiro é de mofo, desinfetante e, agora, do perfume residual de Rodrigo, que espera sentado na cama, já sem camisa, o peito depilado e musculoso brilhando de ansiedade suada.
Entro como se entrasse em própria casa — que é. Vou direto ao ar-condicionado, ajusto para dezoito graus, frio suficiente para causar arrepios, para deixar os mamilos duros. Vou ao armário, pego lençóis novos — que eu mesmo trouxera do depósito, não os da camareira — e troco, arrumando a cama com movimentos precisos, militares.
Rodrigo observa, confuso, semitão, a calça do terno ainda no corpo. — O que você está fazendo?
— Preparando o terreno — digo, sem olhar para ele, esticando o lençol branco com estalos secos. — Você vai transar nesses lençóis. Vai sujar. Quando acabar, você vai embora. E eu vou limpar. Porque é meu.
Eu me viro, finalmente encarando Rodrigo. O empresário está pálido, o peito subindo e descendo rápido. Caminho até ele, paro a um palmo, sentindo o cheiro de medo que sai dos poros do homem rico.
— Regras — digo, baixo. — Primeira: você não beija na boca dela. Segunda: você usa camisinha. Eu vou verificar se está colocada direito. Terceira: quando eu entrar, você não para. Você continua. Mas você sabe que eu estou aqui. Quarta: você não goza sem minha permissão. Se gozar antes, eu te boto para fora nu e te boto no porta-malas do seu carro.
Rodrigo engole seco. — Você é doente.
— Sou dono — repito. — Fique de pé. Tire a roupa. Quero ver o que ela vai levar.
A ordem foi dada com tal certeza de obediência que Rodrigo, inconscientemente, obedece. Levanta-se, desabotoa a calça, tira a cueca boxer de seda. Fica nu, o pau meia-bomba, circuncidado, de tamanho médio, rosado, contra um corpo bronzeado e sem pelos. Eu o avalio friamente, sem interesse homossexual, apenas como avaliaria um touro antes da corrida.
— Serve — digo, desdenhoso. — Mas você vai ter que se esforçar mais. Ela gosta de grossura, não de comprida. Vai ter que usar ângulo. Eu vou te dizer qual.
Saio, deixando Rodrigo nu e tremendo no quarto frio. Fecho a porta. Espero no corredor escuro, encostado na parede, ouvindo meus próprios batimentos cardíacos, lentos, controlados.
Cinco minutos depois, Cida aparece no fim do corredor.
O vestido preto cola nela como uma segunda pele de luto, curto o suficiente para mostrar as coxas grossas, decotado o suficiente para os seios pesados ameaçarem saltar a cada passo. Ela usa salto alto — algo raro, que guarda para ocasiões especiais — e o cabelo solto sobre os ombros. Sem maquiagem, apenas o rubor natural da excitação e o medo. Sem calcinha, eu sei. Sem sutiã, os mamilos duros marcando o tecido fino.
Ela caminha até mim, devagar, os quadris balançando. Para diante de mim, olhando para cima, os olhos escuros fundos, a boca trêmula.
Não digo nada. Apenas desço a mão e ergo a barra do vestido, confirmando com os dedos — que encontram a pele nua, quente, úmida já. Cida geme baixinho, uma exalação, ao meu toque.
— Entra — digo, abrindo a porta do quarto 12. — E lembra: você é minha. Ele está apenas alugando.
Cida entra. A porta fecha-se. Eu vou até o escritório, ligo o monitor. A câmera do quarto 12 mostra tudo em preto e branco, mas nítido.
Sento-me na cadeira de couro rangente, abro o zíper da calça, puxo meu pau para fora — grosso, escuro, a cabeça bulbosa e roxa de tanta pressão sanguínea — e começo a bater uma, devagar, enquanto observo o show começar, o dono do terreno colhendo o que é seu.