Tudo começou com conversas longas na cama, depois do jantar, quando a casa ficava silenciosa. Fazia três anos que tentávamos ter um filho. Os exames não apontavam nada grave em nenhum dos dois, mas mês após mês o teste continuava negativo. Eu via o desejo dela crescer, virar uma espécie de saudade antecipada. E eu queria dar isso a ela mais do que tudo.
Um dia ela chegou do trabalho com os olhos brilhando de um jeito diferente. Sentou no sofá ao meu lado, pegou minha mão e disse:
— Eu conheci um homem. Ele topa me ajudar. Sem compromisso, sem bagunça emocional. Só o que a gente precisa: um filho.
Eu perguntei tudo. Quem era, como se conheceram, o que ele pensava disso. Ela respondeu com calma, sem esconder nada. Era alguém que ela respeitava, saudável, sem vícios, sem complicações. E o mais importante: ele aceitava as condições que ela queria impor.
— Mas tem que ser aqui — ela disse, olhando nos meus olhos. — Na nossa cama. Na cama onde a gente se ama, onde a gente conversa sobre o futuro. E enquanto eu não engravidar, você continua transando comigo. Sempre com camisinha. Só ele vai gozar dentro de mim. Quando eu estiver grávida… aí você pode vir sem nada.
Eu fiquei quieto por um tempo. Não era raiva, nem ciúme cego. Era uma mistura estranha de alívio e excitação. Alívio porque ela ainda me queria dentro dela, mesmo com as regras. Excitação porque eu sabia que, de algum jeito torto e bonito, estávamos fazendo isso juntos.
Aceitei.
As primeiras vezes foram cuidadosas. Ele chegava à noite combinada. Eu abria a porta, apertava a mão dele com firmeza. Conversávamos uns minutos na sala — banalidades, trabalho, o tempo. Depois íamos para o quarto. Ela já estava lá, de camisola leve, sorrindo para nós dois.
Eu ficava na poltrona ou deitado ao lado, às vezes tocando nela enquanto ele a beijava. Ela gostava de sentir minhas mãos nos seios enquanto ele descia beijando a barriga dela. Quando ele entrava nela, devagar, eu segurava a mão dela, olhava nos olhos dela. Ela gemia baixo, apertava meus dedos, e às vezes virava o rosto pra me beijar enquanto ele metia mais fundo.
Depois que ele gozava — sempre dentro, sempre com aquele suspiro longo —, ele saía com cuidado. Ela abria as pernas pra mim ver. Não era pra me humilhar. Era pra me mostrar que estávamos no mesmo caminho. Eu entrava nela logo em seguida, com camisinha, sentindo ela ainda quente, ainda molhada da mistura dos dois. Ela me abraçava forte, sussurrava no meu ouvido:
— Te amo… continua me fodendo… quero sentir você também.
E eu metia com vontade, sabendo que ela estava ali comigo, que aquilo era nosso. Gozava dentro da camisinha, mas dentro dela. Ela me beijava devagar depois, acariciava meu rosto, dizia que estava feliz.
Ele vinha duas, às vezes três vezes por semana. E nas noites em que ele não vinha, eu fazia amor com ela do mesmo jeito: camisinha, abraços longos, beijos demorados. Ela nunca deixou de me querer. Pelo contrário: parecia que a presença dele só aumentava o desejo dela por mim. Às vezes, depois que ele ia embora, a gente ficava horas transando de novo, eu com camisinha, ela gemendo meu nome.
Foram quatro meses.
Quatro meses de espera, de carinho, de sexo intenso. Sete meses em que eu via o corpo dela mudar aos poucos — os seios mais cheios, a pele mais luminosa —, e sabia que estava acontecendo.
O teste deu positivo numa manhã de sábado. Duas linhas fortes. Ela correu pra mim na cozinha, me abraçou por trás, encostou o rosto nas minhas costas e começou a chorar de alegria. Eu virei, segurei o rosto dela, beijei as lágrimas.
— Conseguiu — eu disse.
— Conseguimos — ela corrigiu.
Naquela mesma noite, depois que ele soube e nos desejou felicidades por mensagem, ela me puxou pro quarto. Tirou a roupa devagar, deitou na cama que era nossa desde o primeiro dia.
— Agora sem camisinha — ela sussurrou. — Quero sentir você de verdade. Quero que você goze sabendo que o bebê já está aqui… e que você é o pai que vai criar ele.
Entrei nela devagar, sem nada entre nós pela primeira vez em muito tempo. Estava quente, apertada, familiar. Ela envolveu minhas costas com as pernas, puxou meu rosto pro dela.
— Goza dentro de mim, amor… goza muito… como sempre quis.
Eu não aguentei muito. Gozei forte, tremendo, sentindo cada jato sair e se misturar ao que já estava lá. Ela gemeu junto, apertou os músculos em volta de mim, me segurou lá dentro até eu amolecer.
Depois ficamos abraçados, suados, quietos. Ela acariciava minha nuca e disse baixinho:
— Obrigada por dividir isso comigo. Por não ter medo. Por me amar o suficiente pra deixar acontecer.
Eu beijei a testa dela.
— Eu que agradeço. Por continuar me querendo. Por me deixar ser parte disso tudo.
E ali, na mesma cama onde tudo começou, onde outro homem tinha deixado a semente, onde eu tinha continuado a fazer amor com ela todas as noites, nós dois soubemos que estávamos começando uma família de verdade.
Juntos.