O Garoto Rosa – Parte 9: A Inversão do Trono

Da série Nick
Um conto erótico de Nick
Categoria: Trans
Contém 1494 palavras
Data: 04/02/2026 17:20:16

O inverno em Curitiba não é apenas uma estação; é um estado de espírito que te obriga a buscar abrigo, seja sob camadas de lã ou no calor de outro corpo. Aquela sexta-feira amanheceu com um céu cor de grafite, carregado de uma umidade que parecia penetrar até os ossos. Para mim, era o ápice de um ciclo. O fim do semestre trazia o peso dos seminários e das provas finais, mas no meu íntimo, a pressão era outra. Eu sentia que a "Pérola" — aquela versão minha que o Caio e a Martina ajudaram a polir — estava pronta para rachar a casca e mostrar um núcleo mais firme, mais dominante.

Ao me vestir naquela manhã, cada peça de roupa era um manifesto. Escolhi uma saia midi xadrez em tons de vermelho e preto, de um tecido pesado que ondulava com elegância a cada passo. Por baixo, a meia-calça térmica preta abraçava minhas pernas, e as botas de cano alto me davam uma altura e uma postura que eu não tinha meses atrás. No espelho, prendi meu cabelo rosa, que já passava dos ombros, em um coque alto. Era um penteado rebelde; as mechas mais curtas do corte repicado, que cresceram sem o toque de tesouras, escapavam e emolduravam meu rosto de forma bagunçada e moderna. Minhas unhas, longas e perfeitamente lixadas, ostentavam um vermelho profundo, quase cor de sangue seco, que contrastava com a palidez da minha pele.

Encontrei Martina no café do campus antes do seminário de Estética. O vapor da bebida dela subia e se misturava ao ar gelado. — Você está radiante, Nick — ela disse, os olhos brilhando com aquela admiração que sempre me dava confiança. — Mas tem algo diferente no seu olhar hoje.

Sentei-me à frente dela, sentindo o roçar da saia nas canelas. Confessei minhas dúvidas. Falei sobre como o Caio sempre fora o meu porto seguro, o gigante que me protegia e me dominava, mas que eu sentia uma necessidade visceral de inverter esse polo. Eu tinha medo de que ele me rejeitasse se eu tentasse ser o "mestre" da cena. Martina segurou minhas mãos, e o toque de nossas unhas pintadas soou como um pacto silencioso. — O desejo dele por você não é baseado na sua fraqueza, mas na sua entrega — ela explicou com aquela sabedoria boêmia. — Se você quer possuí-lo, Nick, faça-o com toda a sua feminilidade e toda a sua força. Gigantes como o Caio passam a vida carregando o mundo. Às vezes, o que eles mais querem é que alguém os coloque de joelhos e os faça sentir que não precisam estar no controle o tempo todo.

Antes de nos despedirmos para as aulas, ela me puxou para um beijo apaixonado, longo e úmido, que deixou o gosto do batom dela e da coragem nos meus lábios. Aquele beijo foi o combustível para as seis horas seguintes de provas exaustivas.

Quando cheguei à república do Caio, a noite já tinha engolido a cidade. Entramos no quarto com a urgência de quem precisa se livrar do frio e do estresse acumulado. O primeiro round foi o clássico: ele me jogou na cama, o peso dos seus quase 100 kg de puro músculo me esmagando contra o colchão. Ele me possuiu com a força bruta de um veterano, e eu aceitei cada estocada, cada gemido de comando dele. Fui a passiva ideal, deixando meu cabelo rosa se espalhar pelo travesseiro enquanto ele marcava meu território. Mas, quando ele gozou e se jogou de bruços, exausto, o silêncio que se seguiu foi o meu palco.

Iniciei a transição com uma calma quase litúrgica. Comecei a traçar caminhos com as pontas dos dedos pelas costas dele. A pele do Caio estava quente e levemente suada, o cheiro amadeirado do seu perfume misturado ao esforço físico. Minhas unhas vermelhas agiam como pequenas garras, arranhando levemente a musculatura das suas escápulas, descendo pela coluna vertebral onde cada vértebra parecia um degrau para o meu domínio.

Quando minhas mãos alcançaram os glúteos dele, parei para admirar. Eram imensos, duros como pedra, a prova física de anos de treino e disciplina. Comecei a massageá-los com força, sentindo a fibra muscular reagir sob meu toque. Inclinei-me e comecei a distribuir beijos lentos pela base da coluna, descendo milímetro por milímetro. Afastei o elástico da sua boxer preta, revelando a pele morena e vulnerável. Com uma delicadeza predatória, comecei a abrir aquelas nádegas pesadas, usando meus dedos para explorar o contorno do seu anelizinho. Passei o indicador por cima da entrada, sentindo o calor e a contração reflexa do esfíncter dele.

Então, mergulhei. O beijo grego começou suave, apenas a ponta da língua testando a resistência, mas logo se tornou uma exploração profunda e devoradora. O som no quarto mudou; agora eram os gemidos do Caio que preenchiam o ar — sons roucos, descompassados, carregados de uma surpresa que ele não conseguia esconder. Enquanto minha boca o levava à loucura por trás, minhas mãos deslizavam por baixo dele, alcançando seu pênis. Comecei uma punheta rítmica e firme, sincronizada com o movimento da minha língua. Caio entrou em um estado de "branquinho", um transe onde ele parecia esquecer quem era, apenas sentindo o choque de prazer de ser estimulado em pontos que nunca permitira antes.

Saí da cama em um movimento fluido, deixando-o ali, ofegante. Fui até a gaveta dele e peguei uma camisinha. O lubrificante já estava à mão. Peguei um travesseiro e o coloquei sob o quadril dele. Ele se moveu de forma submissa, elevando-se para me facilitar o acesso. Já protegido, deitei-me sobre ele. O contraste visual era absurdo: meus 60 kg de delicadeza rosa e unhas vermelhas contra o titã moreno sob mim. Beijei sua nuca, sentindo o sabor do seu suor. — Está tudo bem, meu gigante? Posso continuar? — sussurrei. Um gemido de confirmação, quase um súplica, foi a minha resposta.

Passei o lubrificante generosamente. Comecei com um dedo, sentindo o calor interno dele me abraçar. Depois dois, abrindo espaço com movimentos circulares. Quando cheguei ao terceiro dedo, ouvi o Caio agarrar o lençol com tanta força que o tecido rangeu. Retirei os dedos e posicionei meu pinto. A pressão inicial foi intensa; a cabeça rompeu a resistência e eu parei, permitindo que ele sentisse o preenchimento, o peso da minha masculinidade dentro dele. Esperei ele se acostumar, os espasmos iniciais diminuírem, e então comecei a empurrar.

Fui até o final. O calor era insuportável, uma fusão de dois corpos que agora trocavam de alma. Comecei a meter com um ritmo crescente. Eu via os músculos das costas dele se contraírem a cada estocada minha. O som do meu quadril batendo contra o dele era o único metrônomo daquela noite. Caio, em um ato de entrega total, começou a empurrar o quadril para trás, buscando mais profundidade, gemendo o meu nome entre dentes. O suor escorria dos nossos corpos, lubrificando ainda mais o contato da pele. Eu sentia que cada fibra do meu ser estava conectada a ele.

De repente, senti a bundinha dele dar espasmos violentos. Ele estava gozando, as paredes internas me apertando com uma urgência divina. O prazer foi tão intenso que minhas próprias pernas tremeram, e eu gozei logo em seguida, despejando tudo o que eu tinha dentro dele. Caímos exaustos, dois náufragos em um mar de lençóis bagunçados.

Virei o Caio e deitei em seu peito, deixando que o silêncio da satisfação nos envolvesse. Depois de um banho morno onde nos lavamos entre beijos lentos e silenciosos, voltamos para a cama. Dormi de conchinha "por dentro", sentindo o braço pesado dele me protegendo. Quando acordamos com o sol batendo no rosto, ele me olhou com uma vulnerabilidade que me desarmou. — Eu te amo, branquinho — ele soltou, a voz ainda carregada de sono e verdade.

O choro veio instantâneo. Foi o choro de quem finalmente foi visto e aceito. Abracei-o com toda a minha alma, retribuindo o "eu te amo" enquanto as lágrimas molhavam seu peito. No meio daquele abraço, meu pensamento voou para a Martina. Eu percebi que a amava com a mesma intensidade, e que aquele amor duplo era o que me dava asas.

Me vesti com uma pressa renovada, sentindo a saia midi balançar enquanto eu me despedia dele. Eu precisava ver a Martina. Precisava dizer a ela que o que tínhamos era sagrado. Peguei o celular e marquei nosso café, saindo pela manhã gelada com o coração em chamas.

Caminho apressado pela calçada, ajeitando o coque rosa, quando avisto o café. Martina está do lado de fora, mas minha alegria morreu no instante em que vejo o homem ao lado dela. Ele é mais velho, veste um terno cinza de corte impecável e segura o pulso dela com uma autoridade fria. O rosto da Martina, sempre tão vibrante, está pálido. Quando seus olhos encontraram os meus, ela não acena; ela faz um sinal de "não" com a cabeça, quase imperceptível, enquanto o homem se vira lentamente para me encarar com um olhar de puro desprezo.

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 65Seguidores: 64Seguindo: 4Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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