Eu estava jogado no box do banheiro sentindo a água quente batendo em mim. Depois de toda a intensidade do que tinha acontecido com Tomás, meu corpo estava relaxado, diferente da minha mente. Um turbilhão. Mesmo na cama, eu rolava de um lado para o outro, pensando em Tomás. Hora ou outra eu me culpava, me sentindo fraco e fácil. Eu mesmo tinha me degradado. Mas eu tinha gostado daquilo. Muito. Eu só… não podia viver uma vida como ele queria. Quer dizer, ele queria basicamente ter um relacionamento onde ele era liberado pra trair enquanto eu tratava tudo com panos quentes. Era demais pra mim. Eu quase não dormi, mais uma vez. De manhã, enquanto tomava um café preto para aguentar o dia, ele chegou da mesma forma que vinha todas as manhãs.
- Bom dia, mano. Tem algo de importante pra hoje na faculdade?
- Bom… dia. Não.. .Nada. – Respondi, me tremendo, sem o sangue frio que aquela ocasião exigia.
- Ótimo. Vou só tomar café e já te chamo pra gente ir.
Era como se nada tivesse acontecido ontem. Eu respirei fundo, tentando pensar de forma lógica. Eu resolvi seguir a onda e agir com a mesma hipocrisia que ele. Na aula, ele conversava com Vini normalmente, me incluía na conversa como antes e tudo o mais. Eu estava introspectivo, talvez até com medo do que, eu sabia, estava por vir. Eu já estava decidido a não seguir com aquilo. No carro, de volta para casa, Tomás puxava conversa, e eu só respondia o trivial. Quando chegamos em casa, eu corri para o meu quarto e fechei a porta. Queria ficar sozinho. Fiquei ali por umas duas horas, até não aguentar mais de fome e de sede. Não o vi na sala, o que me relaxou. Eu estava até distraído, tomando uma água, quando ele chegou silencioso e parou bem atrás de mim.
- Você não tem nada para me falar? – Perguntou, ao meu ouvido. Um choque elétrico correu no meu corpo e eu quase soltei o copo no chão.
- Tomás. Que susto. – Falei, me virando. Ele estava muito perto, quase me encurralando, e seus dedos se ergueram, me tocando as bochechas.
- Eu não consigo olhar para esse rostinho seu sem me lembrar dele ontem, depois que eu terminei. – Falou, suave, enquanto me acariciava com o nó dos dedos. - Você pensou no que eu disse?
- Tomás, não… podemos… continuar com… aquilo.
- Por que não? – Indagou, enquanto chegava o rosto ainda mais perto do meu, quase me beijando de tão próximo.
- Eu não consigo. Não posso fazer como você quer. – Disse, fechando os olhos enquanto sentia sua respiração quente contra mim.
- Você conseguiria, se realmente quisesse me agradar. – Respondeu, sussurrando, enquanto encostava seus lábios nos meus. – Eu não entendo o porquê disso. Quer dizer, você é quem mais vai sair ganhando se seguir minhas regras.
- Por favor, Tomás. Eu… não posso aceitar… preso… você com… outros. – Gaguejei. Era muito difícil estar decidido com sua boca colada à minha. Sua língua entrou na minha boca, me invadindo e me levando acima das nuvens. O beijo morreu calmo, enquanto ele acariciava meu rosto.
- Eu pesei os prós e os contras. Estou disposto a fazer uma… mudança… nas regras.
- Como assim?
- Eu posso mudar a regra da posse, posso te dar exclusividade. – Disse Tomás, se afastando um passo para trás. - Mas isso não vai sair de graça.
- O que você quer?
- Se eu mudar a regra da posse, a regra da porta já era. É anulada. Você vai seguir todas as outras regras dentro… e fora… de casa.
- Eu… preciso pensar.
- Nada disso. Responda agora ou eu vou considerar que você rejeitou minha proposta.
- Eu não sei. Não sei se quero você me tratando… daquele jeito… em público.
- Eu não vou te expor. Nunca faria isso. Mas você vai me dever respeito e obediência em qualquer lugar que estivermos juntos.
- Pra que… isso? – Perguntei, baixo, meio confuso. Ele deu de ombros.
- É pegar ou largar. E me responder agora. Qual vai ser?
- Só… me explique direito, por favor. – Pedi, tentando ganhar tempo.
- Claro. Uma vagabunda burra como você demora mesmo a entender as coisas. – Ele disse, calmo, como se apenas constatasse um fato. - Você vai ser minha putinha em todo lugar. Aqui, na faculdade… qualquer lugar. Eu mando, você obedece rápido e sem questionar. Sua vida não vai mudar quase nada, você já age assim de toda forma. E então? Temos um acordo?
Minha cabeça rodava a um milhão por hora. Eu já nem me lembrava que tinha decidido acabar com isso. Eu só queria que ele ficasse satisfeito comigo. Ver aquele sorriso de canto. Pra mim ficava cada vez mais óbvio que eu só estaria satisfeito… sexualmente… se me dobrasse às vontades dele. Tomás arfou e já ia saindo da cozinha. Era agora ou nunca. Eu admito que deixei a cabeça de baixo pensar mais que a de cima quando eu disse.
- Tudo bem, Tomás. Eu aceito.
- O que? Eu não ouvi. – Falou, com um sorriso sádico, se voltando para mim.
- Eu… aceito suas regras.
- Ótimo. Que bom que você caiu em si. Não vai se arrepender. – Dizia tranquilo enquanto se reaproximava. Um toque macio com sua mão áspera no meu rosto me fez fechar os olhos. – Você precisa mesmo de um macho para te conduzir. E é evidente que não poderia ser qualquer macho. Só eu sirvo pra isso. Você sabe disso, não sabe?
- Sim. – Confessei, evolvido em seu toque. Então seus dedos pressionaram minhas bochechas com um pouco de força, me fazendo abrir os olhos.
- Você acabou de aceitar minhas regras e já está quebrando a primeira. Qual é a primeira regra?
- Eu… me desculpe. A… primeira é… te chamar de senhor!? – Falei, confuso. Ele apenas correu as mãos nos meus cabelos, enquanto falava baixo, calmo
- Você tem sorte de ter um macho que entende como tratar uma vadia estúpida como você. As regras são: respeito, saber seu lugar, obediência e controle, e posse… agora modificada em partes. É tão difícil assim de entender?
- Não… não senhor. – Respondi, meio trêmulo.
- Bom garoto! – Exclamou, com um sorriso aberto. Aquilo era como um carinho na alma. – Agora venha, eu quero ter uma conversa com você.
Ele saiu andando em direção à sala. Eu ainda fiquei um tempo estático, mas coloquei o copo na pia e fui atrás dele. Ele estava sentado no centro do sofá e eu me aproximei lento, esperando alguma ordem. Eu queria isso. Ele só me observava em silêncio, e eu fiquei parado, em pé, na frente dele. Devo ter ficado assim por um minuto ou mais, enquanto ele parecia me estudar. Ele me mandou ajoelhar, o que eu fiz enquanto ele tirava a camisa que usava e me entregava.
- Sinta o cheiro! – Uma ordem direta. Eu levei a malha até o nariz e inspirei a fragrância de homem daquele tecido. – Você gosta do meu cheiro?
- Sim senhor.
- Claro que gosta. Eu estou galudão hoje, a testosterona deve estar a mil. Veja só.
Tomás me segurou pela nuca enquanto se aproximava, um dos braços arqueado para cima, e esfregou sua axila no meu rosto. Eu quase explodia de tesão com essas coisas. Seu cheiro era magnífico e eu entendi o que ele quis dizer. A testosterona estava, de fato, a mil. Ele me puxou pra trás, eu ainda inebriado com seu cheiro, o rosto em feição de êxtase. Ele gostou de me ver assim, pois sorriu, e meu coração esquentou com aquilo.
- Esse é o cheiro do seu alfa. Eu sei que você está curtindo sentir, mas depois eu deixo você se divertir mais aí. Agora eu quero que você alivie a tensão que eu estou sentindo nos pés.
Eu nem pensei. Rapidamente peguei um de seus pés e comecei a massagear com afinco. Ele se recostou de volta no sofá, relaxado, os brações abertos sobre o encosto do sofá. Tomás era extremamente gostoso. Os braços fortes, a barriga proeminente, o mar de pelos cobrindo-lhe o corpo… um deus que devia e merecia ser adorado. E eu… eu ia a loucura ao pesar em adorá-lo. Era minha natureza, desde sempre. Pra sempre.
- Caralho, viadinho, pra uma puta burra como você é, suas mãos são incríveis.
- Obrigado, meu senhor. – Falei, sentindo um tesão descomunal. - Tudo que eu quero é ver meu alfa feliz.
- Puta que pariu! Que tesão ouvir você falando assim sem eu mandar. Assim você consegue me deixar feliz de fato, minha putinha.
- Obrigado, mestre. Eu vou sempre me esforçar. – Respondi, submisso. Eu agora sabia que ele gostava de me ouvir falar, então eu tinha de fazer isso para agradá-lo.
- Eu sei que vai. Esse foi um dos motivos pelos quais eu resolvi te dar uma colher de chá nas regras. Três motivos me levaram a tomar essa decisão. – Falou, com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados. Se mexeu um pouco e começou a coordenar a massagem. – Agora corra levemente pela extensão da sola. Não, com os dedos não.
- Como então?
- Ora, como assim “como”? Com a língua, puta burra. Não seja completamente inútil.
- Me desculpe, senhor. Eu… eu sou mesmo um viado estúpido. – Falei, levando a língua pela extensão de seu pé enorme. Era quente e meio salgado, mas meu pau pulsava enquanto eu fazia aquilo.
- Tá desculpado. Eu também não posso exigir muito de você. Você só serve para pensar em me servir e em receber a minha gala, eu não espero muita coisa de você.
- Obrigado, mestre.
- Sabe, eu quase não dormi. Eu tenho uma necessidade quase patológica de pegar o que é meu por direito. E você… você dificultou pra mim. Você é burra demais pra pensar nisso, claro, mas o que você fez… me instigou. Eu nunca fiquei preso a uma puta só, vai ser um desafio. Quer saber por que eu mudei de ideia?
- Sim senhor.
- Bem, vai ser um tempo perdido. Mas mesmo sabendo que você não vai entender, eu vou te falar. É mérito seu, eu sei reconhecer isso. Passe para o outro pé agora.
- Sim senhor. – Falei rápido, já segurando o outro pé e lambendo sem pudor nenhum.
- A primeira coisa que eu pensei foi que eu sou o único que enxerga você como essa putinha imunda e estúpida que você é. Quer dizer, todo mundo sabe da sua capacidade, até eu admito isso, e isso é ótimo. Sua mente não vai quebrar, independente de quantas vezes eu tente te mostrar quem você é, de fato. Você é esperto suficiente pra saber que só eu te vejo assim. Só eu capto sua essência e te trato como você é.
- Obrigado, meu alfa. Por me reconhecer de todas as formas. – Falei, quase emocionado, beijando seus pés agora.
- Esse foi o segundo motivo. Sua natureza. Eu não precisaria moldar nada, no máximo, aflorar. Fazer nascer de vez. E o terceiro, e esse foi o que mais pesou pra mim, para ser bem honesto, é que eu nunca tive um viadinho que mandasse tão bem no fogão. Eu não vou abrir mão disso.
Eu achei aquilo engraçado. Sem pensar, eu soltei uma risada curta, inocente. Tomás deu um tapa leve no meu rosto enquanto rosnou.
- Isso é uma brincadeira para você? Eu pareço estar fazendo piada?
- Não… não senhor. – Respondi, ainda surpreso pelo tapa inesperado. – Me desculpe, mestre. Eu não devia ter rido.
- Não devia mesmo. Não deve. Mas você vai aprender com o tempo. – Falou, voltando a relaxar no sofá. – Agora, me diga. Eu nunca vi você trazer ninguém aqui e nem sair muito a noite. Ninguém nunca tinha gozado na sua carinha de puta. Alguém já tirou o seu cabaço?
- Não senhor. – Disse, olhando para o chão. Eu não me envergonhava em ser virge. Vim de uma cidade pequena, onde eu não podia expressar minha sexualidade por medo, e isso acabou me moldando. Mas, a forma que ele falava comigo, eu me sentia estranhamente vulnerável.
- O que, eu vou ser o primeiro? Sua virgindade vai ficar na cabeçona do meu pau? Eu não posso acreditar. – Falou, animado. Seu pau duro, marcando no calção, também deu um pulo. – Ouça, é melhor você sair daqui. Eu não quero traumatizar você com meu cacete grosso, mas estou a um passo de tomar o que é meu nesse minuto. Eu preciso pensar no que vou fazer com você primeiro. Vá fazer meu almoço, vagabunda, me deixe sozinho aqui.
Meu corpo ainda relutou um pouco em se levantar. Eu fiquei um pouco envergonhado com o volume na minha bermuda quando me levantei, mas Tomás nem viu. Estava com a cabeça jogada pra trás, as mãos sobre o rosto, e eu saí rápido pra cozinha. Eu fiz tudo o que podia pra tentar esfriar o corpo. Tomei água gelada, molhei o rosto, tentei respirar fundo… nada disso adiantava. Meu pau doía de tão duro. Eu queria mais de Tomás. Queria que ele me usasse até que eu estivesse satisfeito. Era como um monstro nascendo em mim. Enquanto mexia na geladeira, tentando decidir o que fazer, tive uma ideia que me arrepiou todo o corpo. Ansioso e excitado, eu temperei a carne, coloquei numa travessa e levei ao forno. Quando voltei para a sala, eu fiquei impactado com a visão que tive. Tomás tinha tirado toda a roupa, estava com os pés sobre um banquinho à sua frente, a cabeça jogada para trás e usando as duas mãos para se masturbar. Eu mesmo tive que me tocar pra aliviar o tesão. Eu me aproximei sem fazer nenhum bagulho, ajoelhei-me de frente aos seus pés em silêncio, e, com delicadeza, beijei a sola de cada pé, chamando a atenção dele. Ele não parou de se masturbar enquanto colocava os olhos em mim. Eu já estava massageando seus pés quando, com a voz mais submissa do mundo, falei.
- Meu alfa, eu coloquei uma carne no forno e vai demorar um tempo. O senhor quer usar minha boca enquanto espera?
- Puta que pariu, eu não estou ouvindo isso. Quase igual o que eu fantasie. – Falou, arrastado, intensificando a punheta que batia. – Fala de novo, eu quero ouvir mais uma vez. Fala, mas ao invés de perguntar se eu quero usar, implore para que eu faça.
- Mestre. Meu alfa e senhor. – Disse, entrando no jogo excitante dele. – Eu coloquei uma carne no forno e vai demorar. Por favor… por favor… por favor… por favor… use minha boca para o seu prazer enquanto esperamos ficar pronto. Por favor.
Pedi, num tom de súplica. Cada vez que eu dizia “por favor” eu beijava seus pés. Por algum motivo, instinto talvez, eu sabia que aquilo o deixaria louco. E deixou. Ele voltou os pés para o chão, fez um gesto com os dedos para que eu me aproximasse e eu o fiz, ainda de joelhos, o que o agradou muito. Ele se inclinou um pouco, tirou a mão do pau e passou no meu rosto. Eu não sabia se para se limpar ali ou me acariciar. Ou as duas coisas. O que importava pra mim era o sorriso em seu rosto. Eu ficava verdadeiramente feliz o servindo, e sorria pra ele de volta.
- Assim mesmo que você deve me tratar. Eu sou seu homem agora, você vive pra me agradar. – Falou, sério, erguendo meu queixo com a mão. Sua voz então ficou sádica. – Eu sou um bom alfa, você vai ver. Sou tão bom que vou fazer o que você está pedindo com tanta vontade. Vou usar sua boquinha enquanto espero meu almoço.
- Obrigado, meu macho. – Falei, excitado e submisso. – O senhor não é bom. O senhor é o melhor.
- Eu sou mesmo. Sou o melhor. Eu sou a porra de um deus, e você sabe disso. Você vê isso, não vê, puta? – Disse, enquanto segurava meu cabelo e aproximava meu rosto de sua rola. Eu estava completamente entregue ao momento, descobrindo que pouca coisa me dava mais tesão que inflar o ego do meu homem.
- Claro que vejo, meu alfa. O senhor tem alguma dúvida disso? – Indaguei, baixo. Dei um beijo demorado na cabeça do seu pau e o encarei de novo. – Eu venero o meu homem. O senhor não consegue ver a adoração nos meus olhos?
- Porra, o pior é que eu consigo. Eu vejo e isso me enche de tesão. Assim como eu vejo quem você é de verdade, você também vê quem eu sou. Agora fica caladinha e abre a boca pra receber meu cacete, vadiazinha.
Tomás bateu com seu membro no meu rosto algumas vezes. Então, colocou o pau na minha boca devagar, sem pressa. Primeiro só a cabeça, então ia forçando cada vez mais para dentro, até que eu, sem respirar, encostava meus lábios em sua virilha. Ele não tinha a menor dó, e nem eu queria que ele tivesse. Ele fodeu minha garganta como e quanto quis. Me xingava de todos os nomes possíveis, cuspia no meu rosto, me batia, e eu, com os olhos fixos nele, silenciosamente pedia mais. E ele me dava mais e mais. Quanto mais agressivo ele ficava, mais tesão eu sentia. Eu me masturbava loucamente enquanto ele me usava e, quando ele gozou sobre meu rosto, eu também atingi o clímax. Ao mesmo tempo, sentindo a chuva quente e farta de porra me atingir. Eu nunca tinha gozado tanto na minha vida, e pendi para o lado, quase inconsciente. Quando consegui focar os olhos no espaço ao meu redor, minha cabeça estava encostada no sofá, e Tomás estava sentado, a cabeça pra trás e os olhos fechados, ainda arfando.
- Mestre. Obrigado. Eu… nunca tive um orgasmo assim. O senhor é, realmente, o melhor. – Eu disse, o encarando. Ele não me olhou, mas sorriu um sorriso lindo e acariciou meus cabelos. Pela primeira vez na minha história eu estava, de fato, satisfeito. Eu não podia querer nada além daquilo na minha vida.