A casa estava mergulhada em silêncio, apenas o som do pano deslizando sobre os móveis preenchia o espaço. Eu seguia minha rotina, mas a presença inesperada de Roberto mudava o ritmo da tarde. O combinado era que não ficaria ninguém na casa, e eu poderia limpar tudo com tranquilidade. Ele não parecia estar ali por acaso. Encostado no batente da porta, observava-me com calma, como quem analisa cada detalhe. Prendi a respiração e mantive a cabeça baixa.
— Sempre tão dedicada… mesmo quando ninguém está olhando — disse em voz baixa, quase um sussurro.
Ergui os olhos, surpresa, e tentei manter a compostura.
— É o meu trabalho. Preciso fazê-lo direito.
Ele sorriu de forma enigmática, inclinando-se levemente para observar o livro aberto sobre a estante.
— Curioso como certas coisas ficam expostas… esperando que alguém as descubra.
O silêncio da casa amplificava cada palavra. Eu sentia-me conduzida, como se fosse parte de um jogo que eu já estava acostumada. Roberto deu alguns passos lentos em minha direção. O som dos sapatos contra o piso ecoava no corredor, cada vez mais próximo. Recuo instintivamente, o coração acelerado, até sentir a parede fria atrás de mim.
Ele avançou devagar, reduzindo a distância até que eu pudesse sentir o calor do seu corpo. Roberto ergueu a mão, tocando meu rosto com firmeza, como se quisesse marcar território. Tentei desviar, mas ele manteve-se firme. O gesto era invasivo, e minha respiração se tornou irregular. O corredor estreito, a parede atrás de mim e a figura dele à frente criavam uma sensação de aprisionamento. Eu sentia-me encurralada, tive medo, lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelo meu rosto e um soluço escapou dos meus lábios quando ele levou os dedos até minha boca e passou nos meus lábios e foi descendo até meu seio, apertando - o e falando próximo ao meu ouvido, quero ouvir você gemer meu nome, enquanto enfio meu pau na sua bucetinha. Outro soluço escapou e ele pareceu meio ansioso e levou as mãos entre minhas pernas, tocando ali grosseiramente por cima do short, eu agradeci mentalmente pelo meu short ser apertado aquele dia, mais logo minhas esperanças se foram, quando ele com um único gesto me deixou sem short e calcinha, estavam tudo aos meus pés e eu tremi sentindo seus dedos na minha buceta, me penetrando grosseiramente.
Foi nesse momento, quando a tensão atingia o auge, que o som metálico do portão da garagem o fez parar. Roberto não demonstrou pânico. Seu recuo foi calculado, quase ensaiado. Antes de se afastar, inclinou-se discretamente e murmurou:
— Isso não acaba aqui. Fique calada e vista-se rapidamente.
O carro estacionou, e logo os passos firmes anunciaram a chegada. Alfredo entrou silenciosamente. Mais velho, postura ereta, olhar firme. Cumprimentou Roberto com naturalidade, ajustou um objeto sobre a mesa, e nesse gesto simples havia uma solenidade inquietante, como se sondasse o ar em busca de algo fora do lugar.
Abaixei os olhos, fingindo concentração na limpeza. Mas minhas mãos tremiam. O silêncio era sufocante, mais cruel do que qualquer confronto direto. Ele sabe, pensei, sem provas, apenas pela intensidade daquele olhar breve. Roberto manteve a postura firme, sorrindo com naturalidade, mas seus olhos ainda carregavam a promessa feita segundos antes.
Quando finalmente fiquei sozinha, o pano caiu de minhas mãos. O trabalho, antes rotina, agora era território proibido. Cada objeto que eu tocava carregava a lembrança do risco, cada cômodo guardava a sombra de um olhar. Medo e vergonha misturavam-se em um turbilhão impossível de controlar.
Eu sabia que nada havia acontecido de fato (aconteceu né? não foi tão pequeno assim, foi? eu estou exagerando? mais uma vez terei que lidar com isso sozinha né? o que aconteceria se eu contasse para alguém?), mas também sabia que o limite fora ultrapassado. O silêncio daquela casa pesava mais do que qualquer palavra. E, em algum lugar, Roberto aguardava, carregando intenções próprias, pronto para arrastar-me ainda mais fundo em um jogo que eu não queria jogar, mas do qual já não podia escapar.
