Capítulo 3: O Ponto de Ruptura

Um conto erótico de Paula Crossdresser
Categoria: Trans
Contém 853 palavras
Data: 28/02/2026 16:33:21

O silêncio na sala de reuniões era tão denso que Fernanda podia ouvir a própria pulsação, um tambor constante de adrenalina e fúria fria. Ricardo e os outros dois diretores permaneciam imóveis, como predadores que acreditam ter encurralado a presa definitiva. Eles esperavam uma hesitação, um choro de humilhação ou, na mente doentia deles, uma submissão silenciosa em troca da manutenção do status quo. Mas Fernanda já havia cruzado a linha onde o medo tem poder.

— Você quer ver o que tem por baixo, Ricardo? — repetiu ela, agora com um sorriso que não carregava nenhuma alegria, apenas uma ironia cortante. — Você e seus colegas investiram tanto tempo tentando decifrar o meu corpo através do tecido. Vamos economizar o tempo de todos.

Ela não hesitou. Com um movimento fluido e decidido, Fernanda levou as mãos às costas e abriu o fecho do vestido. O tecido caro deslizou por seus ombros, revelando a pele acetinada e a musculatura definida que ela tanto cultivava na academia. Quando o vestido caiu aos seus pés, amontoando-se como uma pele morta de que ela não precisava mais, Fernanda ficou apenas de lingerie. Mas ela não parou por aí.

— Você disse que queria transparência, não foi? Que os clientes têm "dúvidas"? — A voz dela ecoava nas paredes de vidro, firme e soberana.

Ela desfez o conjunto de renda com uma calma que desarmou os homens. Um a um, eles perderam o sorriso presunçoso. O que era para ser um momento de "inspeção" técnica e de poder tornou-se uma exibição de força bruta e identidade. Quando a última peça de roupa caiu, Fernanda Martins estava ali, nua, no centro da sala de reuniões da agência de modelos mais prestigiada da região.

Ela estava magnífica. A luz que entrava pelas janelas do escritório banhava seu corpo escultural, destacando cada fibra muscular, a curva poderosa de suas coxas e a delicadeza de seus traços faciais. E lá estava, nítido e sem as amarras das convenções: seu pênis.

Ricardo abriu a boca, mas nenhum som saiu. Os outros diretores desviaram o olhar, subitamente desconfortáveis quando confrontados com a realidade nua que tanto cobiçavam em segredo. O fetiche deles não sobrevivia à luz do dia e à audácia de uma mulher que não sentia vergonha.

— Era isso que você queria ver, Ricardo? — Fernanda deu um passo à frente, forçando-o a encarar a totalidade de quem ela era. — Aqui está a sua "ambiguidade". Aqui está o que você tentou usar como moeda de troca para me assediar.

Ela olhou para os três, um por um, com um desprezo que os reduzia a nada.

— Eu não trabalho mais para você. Eu me demito dessa agência e de toda essa hipocrisia que vocês vendem. Vocês não me deram um espaço; eu conquistei o meu corpo e a minha vida apesar de gente como vocês. Fiquem com os seus contratos e seus olhares escondidos. Eu não preciso de tecido para ser quem eu sou.

Sem pressa, ela ignorou as roupas no chão. Fernanda não se vestiu. Ela pegou apenas sua bolsa e seu celular sobre a mesa de mogno. O contraste entre sua nudez absoluta e a postura de quem detinha todo o poder na sala era eletrizante. Ricardo tentou gaguejar algo sobre "escândalo" ou "segurança", mas ela simplesmente caminhou até a porta.

Ao abrir a porta da sala de reuniões, ela não se cobriu. O corredor da agência estava cheio de funcionários e modelos. O choque foi imediato. O barulho de conversas cessou como se alguém tivesse cortado o áudio do mundo. Fernanda atravessou o saguão da Lumière com a cabeça erguida, os cabelos pretos e lisos balançando contra suas costas nuas, seus pés descalços tocando o mármore frio.

Ela via os olhos arregalados, os celulares sendo sacados, os sussurros de espanto. Mas ela se sentia leve. A cada passo em direção à saída, uma camada de opressão parecia evaporar de seus poros. Ao atravessar as portas automáticas de vidro e sentir o sol atingir sua pele nua pela primeira vez em público, ela soltou um suspiro de êxtase.

O asfalto estava quente sob seus pés, mas ela não se importava. Enquanto caminhava em direção ao seu carro, ela percebeu que a sensação de liberdade era viciante. As pessoas nos carros parados no semáforo olhavam, incrédulas, para a mulher escultural que caminhava nua com a dignidade de uma rainha. Fernanda entrou em seu carro, sentindo o couro do banco contra sua pele, e sorriu.

Ela ligou o motor e olhou para o próprio reflexo no retrovisor. O tom erótico de sua existência agora era puramente dela. Ela não era mais um segredo. Ela era um manifesto. No caminho de casa, a ideia começou a tomar forma definitiva: se a pele era sua única roupa verdadeira, por que vestir qualquer outra coisa?

Ao chegar em seu apartamento, ela jogou a bolsa no sofá. Olhou para o setup gamer, para a câmera que em breve registraria sua nova realidade.

— De hoje em diante — disse ela para o silêncio do quarto, sentindo o toque do ar em todo o seu corpo — minha roupa será a minha pele. E eles que lutem.

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