Bichos Escrotos

Um conto erótico de Tito JC
Categoria: Gay
Contém 2829 palavras
Data: 28/02/2026 08:23:43
Última revisão: 28/02/2026 08:31:18

Alerta - Este texto contém cenas fortes de sexo bruto, menção a drogas e violência.

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O carro preto parou em frente à casa grande, bonita, de portões altos e seguros, pequenos espaços com plantas ornamentais e até algumas roseiras na lateral.

Não era um bairro de milionário, como muitos na grande capital, mas era um bairro de gente com dinheiro, uma classe média alta, um bairro bastante tranquilo e agradável, com bastante infraestrutura. Um local muito bom para viver e criar uma família.

A casa passava um clima de paz, de tranquilidade, de um lar onde era possível crescer com qualidade. O motorista sabia que aquilo era verdade. Conhecia bem a história daquela família.

Colocou o braço forte e tatuado para fora da janela. Olhou para o parceiro que estava no banco do carona com uma arma poderosa em punho, sempre alerta e pronto para usar.

Ele não entendia como alguém que teve a sorte de nascer num lugar como aquele, podia se sentir desprestigiado pela vida.

Ele sabia muito bem o que era desprestígio. A primeira a lhe desprestigiar foi a própria vida, com a cor da pele que lhe deu. Não que tivesse vergonha de ser negro. Mas quer falar de dificuldade e desigualdade, fale com um negro.

O segundo fato de desprestígio lhe infringido pela vida, foi o ato de nascer pobre, numa comunidade esquecida pelo mundo, filho de um pai alcóolatra e violento, que batia na mãe dele todos os dias.

Ele sabia muito bem o que era não ter prestígio. Por isso não aceitava o mimimi de menininho branco e melindrado com pequenos problemas de crescimento, que se jogam no buraco e trocam um lar, pela incerteza e dureza da rua, vivendo como os bichos que habitam os vãos da sarjeta.

Olhou para a cara do parceiro, balançou a cabeça e olhou novamente para a casa. Deu um sorriso sem brilho, ajeitou o corpão musculoso no banco e olhou novamente para o Ivan, seu parceiro e segurança, que também o olhava intrigado.

— O que foi Betão? É a segunda vez que a gente para na frente dessa casa e você fica olhando com essa expressão pensativa. Tá armando alguma parada pra gente limpar esse casarão? – Indagou o Ivan.

— Você acredita que o Bruninho morava aqui até seis meses atrás, saiu de casa e se afundou no bagulho, só porque o pai exigia que ele fosse mais aplicado na escola?

— Quem porra é Bruninho, Betão? Do que você está falando?

— O Bruno Luiz de Alcântara, rapaz. Até o nome do filho da puta é diferenciado. O Loirinho com carinha de anjo que está sempre lá no casarão ou na biqueira, atrás de pó e outras porcarias. – Ele explicou para o parceiro.

— O moleque bonito, com cara de artista? Por que você sabe de tudo isso sobre a vida daquele bostinha? O fim dele vai ser o mesmo de vários outros iguais a ele. Vai roubar da família pra pagar os bagulhos, quando não tiver mais o que roubar em casa, vai roubar na rua, vai se prostituir, ou, se tiver sorte, vai morrer de overdose. – Os caras da biqueira estão atrás dele. Ele tá devendo muito.

— Ele é diferente! É assunto meu! Avisa lá na biqueira que ninguém faz nada com ele sem minha ordem. Eu sou o chefe daquela porra e sou eu quem manda. – Ele falou bravo, o que deixou o parceiro alerta, ele nunca foi de se importar com os moleques riquinhos que caíam na merda e arrastavam a família para a buraqueira, para a lama dos bueiros, para junto do ratos e baratas. Nunca se incomodou com a derrocada dos filhinhos do cidadão civilizado. Mas sabia que era melhor obedecer e avisar na biqueira a ordem que ele estava dando.

Saíram da frente da casa e foram em direção ao casarão da zona sul, onde ficava o escritório do crime, onde as ordens e as contas do tráfico eram acertadas.

Betão estava com trinta e oito anos e desde cedo, ao ver o pai sempre bêbado e espancando a mãe, ele decidiu que ninguém faria aquilo com ele. Que podia ter nascido negro, sem oportunidades, mas tinha nascido esperto e venceria na vida. Ele daria as ordens e não seria submisso, jamais.

A primeira coisa que fez quando entrou para o mundo do crime, ainda muito jovem, foi dar um jeito de se livrar do chefe e ocupar o lugar dele. A segunda foi mandar os capangas matarem o próprio pai. Sem tortura, sem exageros, apenas dez tiros na cara, para que ele ficasse tão deformado quanto ficou a mãe dele de tanto apanhar, até morrer nas mãos daquele bicho que, infelizmente, era seu pai.

Umas das ordens expressas que deu, quando mandou matarem o pai, foi que ele estivesse sóbrio e que soubesse que era a mando dele. Também ordenou que o corpo fosse jogado numa vala imunda, onde, segundo ele, os vermes e insetos devem acabar.

Naquela tarde, ao chegar ao casarão, ele se retirou para descansar e refletir um pouco sobre sentimentos estranhos.

Atrás do casarão tinha uma saída oculta que levava para o bunker de segurança, onde ele se refugiava e de onde conseguiria fugir pela rua de trás, caso a polícia ou os inimigos invadissem a sede deles.

Tomou banho, relaxou bastante e ficou só de cueca, largado na cama espaçosa, pensando na vida agitada que levava. Tinha muito poder, mas não se sentia livre. Se via preso no mundo pesado que ele mesmo criou. Mas era a vida. Tinha que seguir em frente.

Era um homem muito bonito! Tinha uma pele negra e reluzente, sempre muito bem tratada e cuidada por profissionais que o atendiam sempre que solicitados. Era forte, embora fosse de altura mediana, apenas um metro e setenta e cinco de altura, mas era tão imponente que sua imagem parecia a de um gigante. Impunha medo aos adversários. Todos sabiam do que ele fez com o antigo chefe e com o próprio pai.

Estava assim pensativo em seu amplo sofá, relaxando apenas de cueca. Um volume imenso entre as pernas. Muitas vezes aliviava a tensão sexual sozinho. Não tinha muita paciência com amantes, era quase que solitário, embora fosse um homem muito bonito. Ouviu a voz do segurança bem ao seu lado e despertou de seus devaneios.

— Chefe! Desculpa interromper o seu descanso, mas como eu percebi que você tem um cuidado diferente com o moleque, eu achei melhor lhe avisar.

— Fala logo Ivan! Eu não tenho cuidado especial com ninguém. O que está acontecendo?

— O loirinho tá fazendo uma confusão para falar com você. Disse que tem certeza que você vai falar com ele.

— O Bruninho? – Perguntou incrédulo, olhando pra cara do Segurança.

— Ele mesmo. Tá lá no casarão cheio de ousadia fazendo barulho. Deve tá cheirado. – Respondeu o Ivan.

— Trás o moleque aqui, mas não deixa ninguém ver. Põe um capuz nele pra ele não reconhecer o acesso. Manda os dois molecões da biqueira ficarem aqui perto e você também fica aí na frente, que eu vou ter uma conversa séria com esse putinho.

Em poucos minutos o moleque foi jogado em sua frente. Estava todo agitado, cheirando a perfume, com os cabelinhos loiros molhados, era uma figura lindíssima de se olhar, embora já tivesse marcas da rua. Sinais de que logo entraria em decadência física, mas ainda era um moleque muito lindo, do alto de seus dezoito anos.

— O que você quer comigo moleque? Você perdeu o juízo? Fazendo barulho aqui no meu local de trabalho.

— É que eu sei que você gosta de mim, Betão. Sei que você confia em mim. Os caras não querem liberar o bagulho pra mim.

— Betão é o caralho! Me chame de chefe. Você trouxe o dinheiro que está devendo?

— Não trouxe não, chefe. Mas logo eu trago. Eu vou conseguir. Me dá mais um tempinho.

— Eu posso te dar um tempinho moleque, mas a vida não vai te dar. Logo você vai estar todo destruído, vivendo em buracos com ratos e baratas dentro dos teus sapatos. Pulgas te mordendo a noite inteira. Eu sei que você não vai conseguir dinheiro. Teu pai proibiu a tua entrada na casa, desde que sua mãe adoeceu.

— Eu dou um jeito! Eu prometo pra você. Manda eles liberarem o bagulho. – O moleque pediu, mostrando desespero na voz.

— Vai fazer o quê? Vai roubar? Vai se prostituir? Vai fazer o quê moleque? Eu te alertei que isso ia acontecer, você não me ouviu. – Ele disse isso segurando o rosto do moleque com suas mãos fortes, fazendo ele tremer um pouco, de medo.

— Você me avisou sim. Por isso eu sei que você gosta de mim. Eu posso fazer o que você quiser. – O moleque disse isso passando a mão pelos braços fortes e desnudos de Betão. Ele olhou para aquele rostinho lindo e sentiu o pauzão pulsar dentro da cueca.

— Você faz tudo mesmo, moleque? Faz tudo que eu quiser? Já chegou nesse ponto? Eu já vi muitas histórias assim. Sei do que você está falando.

— Faço sim chefinho! Faço o que você quiser.

Betão olhou para o moleque. Nessa hora um misto de raiva, tesão e um sentimento que ele não sabia muito bem como identificar tomou conta de seu corpo e ele empurrou o moleque para baixo, deixando-o ajoelhado à sua frente. Tirou o pauzão descomunal de dentro da cueca e ordenou:

— Chupa putinho! Chupa o meu pau. Se você fizer um bom trabalho me dando prazer eu penso no teu caso.

O moleque admirou o tamanho daquele membro negro e duro à sua frente e chegou a se assustar, mas sabia que podia confiar em sua beleza e viu a oportunidade de ter o chefão nas mãos. Não tinha muita prática com homens, mas se esforçou bastante e fez uma bela mamada, arrancando gemidos do Betão que socou o pau sem dó na garganta do putinho, fazendo ele se engasgar várias vezes.

Depois de receber uma bela mamada daquela boquinha quentinha e juvenil, ele empurrou o pauzão mais fundo e gozou bastante na garganta do moleque, que se esforçou em engolir tudo, como uma boa puta profissional. A única diferença era que as putas têm dignidade própria e aquele moleque estava perdendo isso. Era apenas um bicho em transformação. Escravo de seus instintos mais obscuros.

— Gostou chefe? Fiz direitinho? Mereço meu presente? – O moleque falou se levantando com um sorrisinho no rosto.

— Quem disse que eu terminei? Vou te mostrar agora o que te espera nas ruas onde você quer viver. Tira a roupa toda e vira o rabo pra mim. – Ele disse isso e viu o rosto assustado do moleque.

— Você vai me comer? Eu não vou aguentar esse teu pauzão imenso.

— Eu não perguntei se você aguenta. Posso fazer o que eu quiser, lembra? Você mesmo falou isso. Você me deu o poder sobre você, agora aguenta. Vira o rabo, putinho!

O moleque tentou manter a calma, sabia que poderia conquistar o chefão. Tirou a roupa toda, molhou o cuzinho com bastante saliva, se curvou apoiado num móvel baixo ao lado e virou o rabo branquinho e carnudo na direção do negão.

Betão se abaixou e olhou bem aquele cuzinho a sua frente, mesmo tendo gozado há pouco tempo sentiu a estaca de nervos endurecida, cheia de tesão. Na cabeça ainda corria um sentimento estranho, confuso. Lambuzou a cabeça do caralho com a própria saliva, como se fosse um bicho no cio e encaixou no cuzinho apertado do moleque.

Forçou e sentiu a dificuldade da penetração. O moleque parecia ser virgem. Era um milagre, dado o caminho que ele estava seguindo. Abriu as bandas da bunda do moleque com as duas não e empurrou o caralho com força. Sentiu a cabeça pular para dentro do buraco do moleque e ouviu o grito de dor que ele deu.

— Ah meu cu! Ah meu Deus, tá me rasgando! – Lá fora o segurança e os moleques da biqueira ouviram os gritos e sabiam o que estava ocorrendo. Ficaram excitados.

— Aguenta putinho! Nem sempre será assim. Vai ter gente muito mais bruta que vai foder esse teu cu, enquanto você tiver esse rostinho bonito. Vão te foder no mato, nas calçadas, enquanto você observa os insetos saindo dos esgotos. É essa a vida que você está escolhendo.

— Para de me dá lição de moral, porra. Logo você. Fode meu cu logo. – O moleque falou em tom de deboche, aumentando a ira de Betão. Ele segurou na cintura do putinho e socou sem dó, sentindo todas as pregas se arrebentando. O moleque gemia, chorava e se abria todo para receber o invasor imenso.

Betão socou sem dó, bombando forte até sentir seu pau explodir num gozo intenso. Nessa hora abraçou o moleque por trás e sentiu o perfume leve de seus cabeços molhados. O moleque respirava com dificuldade, sentindo o cansaço da foda intensa. Sentiu uma ternura naquela pele branquinha, mas logo se assustou e arrancou seu pauzão de dentro de seu cuzinho, vendo a cascata de porra que escorria pelas suas pernas.

Ainda curvado, o moleque virou o rosto bonito, brilhando de suor e apenas perguntou:

— E aí, mereço meu prêmio? – A pergunta despertou o lado nervoso do Betão e um brilho cruel apareceu em seus olhos.

— O que eu quiser lembra? E eu quero mais. Continua curvado.

Ele foi até a entrada do Bunker, falou alguma coisa com o Ivan e entrou no banheiro. Lavou o pau ainda sujo de porra e um pouco de sangue do rabo apertado do moleque.

Se olhou no espelho e sentiu algo estranho em seu peito. Lavou o rosto com água fria, e ficou olhando sua imagem refletida no espelho em frente, enquanto ouvia os gemidos do moleque, sendo fodido pelos três machos, que faziam bastante algazarra, arregaçando o cuzinho dele.

— Isso putinha! Abre o cu pra levar rola.

— Quer bagulho de graça, tem de levar rola dos machos

— Vai ter que dar muito esse cuzinho.

— Mama putinho. Mama meu pauzão, enquanto leva no cu.

— Hoje é dia dos manos da favela arregaçar o boyzinho.

De dentro do banheiro Betão ouvia essas frases e o barulho das estocadas no cu do moleque.

Depois de alguns minutos ouviu os gemidos fortes, os machos escrotos gozavam como bichos. Eles saíram e Betão entrou no quarto.

O moleque estava sentado no chão, encolhido perto da cama, como um bicho acuado. Seus olhos tinham um brilho estranho.

— Pode se levantar e tomar um banho. Você está coberto de porra de macho. Parecendo um bicho que acabou de sair de um bueiro.

O moleque se levantou, foi cambaleante até o banheiro. Tomou um banho e voltou para a sala, onde vestiu a roupa e voltou a ficar bonito, embora o brilho em seu olhar fosse diferente, opaco.

Ele olhou para a mesa e viu um pacote com pó, ervas e comprimidos dentro. Ele pegou tudo e colocou no bolso. Olhou para o Betão que estava em pé, perto da porta, olhando para ele.

— Eu pensei que você gostasse de mim. – Ele falou olhando para o Betão, que desviou o olhar e, nessa hora, conseguiu identificar o sentimento estranho que estava em seu peito.

Betão puxou o moleque e o abraçou apertado, sentindo o próprio coração bater disparado. Afastou o rosto do moleque de seu peito largo, olhou em seus olhinhos assustados e falou bravo, com um tom de voz que assustava:

— Eu te amo porra! Eu te amo demais. Desde o dia que te vi na biqueira pela primeira vez. Eu te amo moleque, mas não posso amar. Isso não foi feito pra mim. Acorda porra! Sai dessa vida e vai ser gente. Não vira um bicho escroto como tantos que tem por aí.

O moleque tentou beijá-lo, mas ele virou o rosto.

— Vai embora! – Ordenou e o moleque saiu, sendo escoltado pelo segurança.

Betão entrou no banheiro. Ficou um longo tempo embaixo do chuveiro sentindo a água cair em sua cabeça e misturar-se com suas lágrimas. Fazia muito tempo que não sabia o que era chorar.

Dois anos depois, o carro preto estava parado na frente da casa. Ao lado do motorista estava um novo segurança, o anterior tinha sido morto num confronto com a polícia.

O portão se abriu e um moleque loirinho, bonito, bem vestido e sorridente saiu abraçado com a mãe.

— Vamos filho, o carro está esperando. Sua terapeuta está esperando. Hoje é dia de celebrarmos o seu renascimento. Você vai ter alta definitiva.

Betão ouviu isso, deu um sorriso para o segurança ao lado. Uma lágrima brotou em seus olhos, mas ele conseguiu se conter.

— Vamos trabalhar. A vida tem que seguir. Vamos para o casarão.

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Conto inspirado pela música Bichos Escrotos – Lançada pelos Titãs em 1986.

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Conto Registrado no Escritório de Artes e protegido pela Lei 9.610 de Fevereiro de 1998. Não pode ser reproduzido ou divulgado sem autorização do autor.

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Foto de perfil de Tito JCTito JCContos: 183Seguidores: 566Seguindo: 72Mensagem "Eu sempre sonho que algo gera, nunca nada está morto. O que não parece vivo, aduba. O que parece estático, espera". Eu li esse poema, aos 15 anos e nunca esqueci, essas palavras me definem muito. Sou um cara vivido, que gosta de ler, escrever, cerveja gelada e gente do bem. Chega aí!!! Vamos curtir as coisas boas da vida. Gosto escrever histórias curtas e envolventes, nem sempre consigo. Dificilmente escrevo contos em vários capítulos, gosto de dar a conclusão logo para o leitor. Na minha modesta opinião não existe escritor sem leitores. Por isso me dedico a oferecer sempre um bom produto para quem tira um tempinho para ler um texto meu. Quer saber mais sobre mim, é só perguntar. Abraços a Todos!!!😘😍🥰

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