O Despertar de Andra: Capítulo 3 - O Cheiro da Mudança

Da série Slave andrea
Um conto erótico de Andrea
Categoria: Trans
Contém 956 palavras
Data: 28/02/2026 08:14:47

O domingo passou em um silêncio ensurdecedor. Valquíria não visualizou, não respondeu e nem sequer deu um sinal de vida após a foto que enviei. Aquela imagem do meu bumbum liso, vermelho e empinado para a câmera era a prova definitiva da minha entrega, e o vácuo que ela deixou me fez sentir um náufrago. Passei o dia organizando meu novo guarda-roupa. O que antes era apenas uma gaveta de roupas sem graça agora era uma coleção de seda, cetim e alfaiataria que exigia cuidado. Passei horas assistindo vídeos de moda e etiqueta para entender como aquelas peças deveriam cair no meu corpo; eu precisava estar à altura das expectativas dela.

No final da tarde, saí para fazer o cardio que ela havia ordenado. Usei um shorts de academia comum e uma camiseta, mas a sensação era diferente. Sem os pelos, o vento batia nas minhas pernas e me dava uma consciência aguda do meu próprio corpo. Parei em uma barraca de rua para tomar um caldo de cana e foi ali que a realidade bateu à minha porta.

O senhor que atendia, um homem de meia-idade com olhos maliciosos, não disfarçou. Ele me olhou de cima a baixo, demorando-se nas minhas pernas e no meu quadril. — Rapaz, que bunda é essa? — ele disse com uma risada de canto. — Esse shorts está marcando até o desenho da calcinha. E as unhas? Que capricho.

Senti meu sangue fugir do rosto. — Não é o que o senhor está pensando... o shorts está justo por causa do treino, e eu não estou de calcinha — menti, sentindo o elastano da peça feminina apertar minha pele lisa, desmentindo cada palavra minha.

O homem apenas riu, desabotoou a calça e me mostrou o pênis por baixo do balcão em um gesto rápido e sujo. O susto foi tão grande que saí correndo sem olhar para trás. A imagem daquele velho e o comentário sobre a calcinha marcando não saíram da minha cabeça durante toda a noite.

Na segunda-feira, a rotina foi implacável. Na academia, Ricardo puxou o treino de glúteos com uma intensidade que me deixou trêmulo. — Ricardo, é normal homem ter o glúteo tão... assim? — perguntei, tentando disfarçar minha insegurança. — Você está tendo uma resposta hormonal e física ótima, André. É normal ter glúteos, o que não é normal é esse seu shorts. Você já deveria ter trocado por algo que acomode melhor seu novo formato.

Saí da academia e me banhei ali mesmo. Escolhi uma calça cinza de alfaiataria com leve elastano, que desenhava cada curva que eu havia conquistado. Prestei atenção redobrada para que a calcinha de elastano não marcasse, mas a sensação dela entrando no meu bumbum enquanto eu caminhava até o escritório era impossível de ignorar. Completei o visual com uma camiseta rose em tom pastel, de mangas longa. Eu me sentia delicado, quase frágil.

Ao chegar, Valquíria já estava em sua sala. — Bom dia, garoto. Ótima segunda. Preciso que separe esses arquivos por data.

Eram pilhas imensas. Quando fiz menção de levá-los para a minha mesa, ela me barrou. — Não, não. Pode separar aí no chão mesmo. Não temos visitas para hoje.

Sentei-me no tapete de veludo azul-marinho da sala dela. Trabalhar no chão, aos pés da mesa de Valquíria, trazia uma simbologia de submissão que eu não conseguia ignorar. De onde eu estava, via os pés dela, sem os saltos por um momento, as unhas pretas perfeitas em contato com o veludo. Eu era o seu pet administrativo.

Na hora do almoço, ela me levou a um restaurante sofisticado. Ao sermos recebidos pelo mestre de cerimônias, ela foi direta: — Mesa para duas, por favor.

O funcionário nos guiou sem questionar. No caminho para a mesa, Valquíria inclinou-se e sussurrou no meu ouvido: — Saiu no automático, mas eu sei que você não liga. Você é um bom garotinho, não é?

Almoçamos uma salada leve. Ela coordenava cada detalhe do pedido, como se eu nem precisasse ter voz. Na volta, ela olhou para a minha calça e deu um sorriso de canto. — Gostei da roupa. Essa calça era minha, sabia? Eu a perdi na academia, ficou larga demais para mim. Mas em você... caiu como uma luva. Aproveite, André, porque sua bunda está crescendo tanto que logo você vai perdê-la também.

Fiquei tão vermelho que mal conseguia olhar para ela. Ela ria da minha insegurança, deliciando-se com o meu desconforto. Ao final do dia, ela se ofereceu para me levar em casa, já que o horário do ônibus havia passado. No silêncio do seu SUV azul luxuoso, ela foi direta ao ponto. — Como é sua relação com garotas, André? Você é virgem?

A pergunta me pegou totalmente desprevenido. Falei que não, e ela exigiu detalhes. Acabei contando sobre minha ansiedade, sobre como eu falhava na hora H. Ela soltou uma gargalhada cristalina. — Eu não esperava nada diferente de você. Fraco, ansioso...

— Meu oral é bom... — tentei me defender — Eu sempre compensava com a boca.

Ela riu ainda mais, uma risada que preenchia o carro. — Imagino. De joelhos você deve ser muito bom mesmo, está na sua natureza.

Ao me deixar na porta do meu prédio, ela me estendeu uma sacolinha rosa de papel de seda. — Use isso amanhã.

Ao entrar em casa e abrir o pacote, encontrei um perfume. Era uma fragrância doce, de rosas, mas inegavelmente feminina. Um cheiro adocicado, delicado e persistente. Junto, havia um pequeno cartão com a letra impecável dela: "Para combinar com seu jeitinho doce".

Fiquei parado no meio da sala, aspirando aquele perfume. Pela primeira vez, ela me elogiara sem me humilhar abertamente. Foi o meu melhor dia de trabalho, mas no fundo, eu sentia que aquele "jeitinho doce" era o último prego no caixão do homem que eu costumava ser.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Sayuri Mendes a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 74Seguidores: 65Seguindo: 4Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

Comentários