Naquele sábado, o despertador tocou cedo. Mesmo não sendo um dia de expediente no escritório, minha agenda já não me pertencia. O compromisso no salão estava marcado para as 10h, uma ordem direta de Valquíria para dar continuidade aos tratamentos de pele e estimulação capilar. Eu me sentia estranho caminhando até lá; a calça de alfaiataria preta, agora extremamente justa devido aos meses de agachamentos pesados, parecia anunciar para o mundo o volume do meu bumbum, enquanto a calcinha de elastano me dava uma sensação constante de que algo estava mudando permanentemente sob o meu uniforme.
Ao chegar, Valquíria já me aguardava. Ela estava impecável, como sempre, com um conjunto de seda cinza e seus saltos agulha pretos que faziam um eco autoritário no piso de porcelanato. Fomos direcionados para cabines de laser individuais, mas logo as portas foram abertas para uma atividade conjunta que eu não esperava.
— André, sente-se aqui. Vamos fazer as unhas — disse ela, apontando para uma poltrona ao lado da sua. — Eu queria companhia hoje, e você precisa aprender que a estética de um auxiliar de elite não termina no corte de cabelo.
Fiquei paralisado quando duas manicures se aproximaram. Uma delas ajoelhou-se e começou a desamarrar meus sapatos. O pavor de ser exposto lutava contra o vício de obedecer. Meus pés foram mergulhados em água morna, e a sensação das mãos femininas cuidando de mim era inebriante. Valquíria escolheu um preto profundo para as dela, uma cor que exalava poder. Para os meus pés, ela deu uma instrução que me fez corar instantaneamente: uma francesinha delicada.
— É limpo, é higiênico e combina com a sua nova pele — justificou ela, sem tirar os olhos de uma revista.
Nas mãos, a manicure aplicou uma base incolor de brilho médio. Eu olhava para minhas unhas brilhando, sentindo minhas mãos mais leves, mais... femininas. O brilho refletia a luz do salão e, de certa forma, a luz da minha própria submissão. Quando terminamos, achei que meu calvário estético havia encerrado, mas Valquíria levantou-se com um sorriso enigmático.
— Eu preciso ir agora, André. Mas você tem uma última agenda surpresa. Aproveite, é para o seu próprio bem.
Ela saiu, e o som dos seus saltos sumiu no corredor. Logo em seguida, uma mulher se aproximou. Ela era alta, cerca de 1,80m, usando saltos que a deixavam ainda mais imponente. Era Tati, uma mulher trans de seus 40 anos, com traços lindíssimos e uma voz melódica.
— Você é o André, certo? A Val me falou muito bem de você. Venha comigo, querido.
Acompanhei-a até uma sala privativa nos fundos. Tati falava com entusiasmo sobre a sorte que eu tinha de ter uma mentora como Valquíria, enquanto eu sentia o suor frio escorrer pelas minhas costas. Ela me entregou um roupão rosa clarinho, de tecido atoalhado e macio.
— Pode se despir. Fique apenas com o roupão por enquanto.
Entrei em um cubículo e comecei a me despir. A calça preta deslizou, revelando a calcinha de elastano branca que já estava úmida pelo meu nervosismo. Eu hesitei. Pensei em tirar a calcinha, mas a ideia de ficar totalmente nu diante de uma estranha era aterrorizante. O roupão rosa era curto, batendo no meio das minhas coxas, o que me deixava ainda mais vulnerável. Quando saí, Tati olhou para mim e, com a naturalidade de quem lida com todos os dias, abriu o roupão sem cerimônia.
— Amiga, a calcinha também — ela disse, com um sorriso acolhedor mas firme. — Hoje a Val quer você lisinha. Nada de pelos incomodando o toque da seda.
O uso do feminino me atingiu como um tapa. Meu rosto ardeu em uma vergonha profunda, mas a mesma força que me impedia de desobedecer Valquíria me impedia de corrigir Tati. Eu retirei a calcinha, sentindo o ar frio tocar minhas partes íntimas, e deitei na maca de depilação. O cheiro de cera quente inundava a sala.
— Vamos começar pelos braços e peito — anunciou ela.
A primeira puxada foi uma explosão de dor. Meus olhos lacrimejaram instantaneamente. A cera quente grudava nos pelos e, ao ser arrancada, parecia levar uma camada da minha antiga identidade masculina junto. Braços, peito, barriga... cada puxada era um grito abafado e uma descarga de adrenalina que fazia meu coração disparar. Mas o pior estava por vir.
— Vira de costas, querida. Agora as pernas e... o resto. Empina a bundinha para mim, abre bem. Preciso de acesso total.
— Precisa mesmo de tudo, Tati? — perguntei, a voz trêmula.
— Ordens da Val, André. Ela quer você impecável. Sem um único fio.
Eu obedeci. Apoiei os cotovelos na maca e empinei o bumbum, sentindo-me a criatura mais humilhada do mundo. A cera quente foi espalhada entre minhas nádegas e sobre meus testículos. A dor ali foi indescritível, um tipo de agonia aguda que fazia meus dedos dos pés se contraírem. Mas, bizarramente, em meio à dor, eu sentia um prazer mental avassalador. Eu estava sendo limpo. Eu estava sendo transformado em algo que pertencia totalmente a outra pessoa.
Após uma hora de tortura e êxtase, Tati limpou os resíduos de cera com um óleo perfumado. Minha pele estava vermelha, sensível e absolutamente lisa.
— Essa foi a primeira sessão, para tirar os longos — explicou ela, enquanto eu me vestia. — Daqui a duas semanas começamos o laser para acabar com isso de vez. Você vai amar a sensação.
Ao vestir minha roupa, o contato do tecido com a pele nua e sem pelos era eletrizante. A calcinha de elastano agora roçava diretamente na minha pele sensibilizada, causando um formigamento que me mantinha em um estado de excitação constante. Eu saí do salão sentindo-me leve, como se tivesse deixado uma casca pesada para trás.
Chegando em casa, meu celular vibrou. Era uma mensagem de Valquíria no WhatsApp: "Como foi a surpresa? Já terminou tudo?".
Respondi imediatamente, o coração na boca: "Sim, senhora. Fiz a depilação completa como a senhora mandou".
A resposta dela veio segundos depois, curta e imperativa: "Me manda a foto".
Tirei uma foto rápida, ainda vestido, tentando mostrar o rosto e o cabelo arrumado. Valquíria respondeu com um tom que me fez estremecer: "Burro. Quero a foto da depilação. Tira tudo e me manda agora. Pode ser só de costas, quero ver como o trabalho da Tati ficou no seu rabo".
A vergonha era um peso físico, mas o desejo de satisfazê-la era maior. Fui até o espelho, abaixei a calça e a calcinha, e com as mãos trêmulas, foquei a câmera no meu bumbum vermelho e liso, empinando exatamente como Tati me ensinara. Enviei. O "visualizado" apareceu quase instantaneamente, e o silêncio que se seguiu foi a tortura mais excitante que eu já havia experimentado.
